Subimos para o quarto de Leah, Sue pegou uma caixa no guarda-roupas e a colocou em cima da cama. Leah abriu a caixa e deparamos com várias fotos de nossa infância.

-Eu não acredito que você guardou isso. – falei surpresa apontando para uma foto de mim e Leah jogando barro em Jacob quando criança.

-Claro que guardei, — disse Sue — coitado do pequeno Jake, vocês duas viviam aprontando com ele.

Nós duas rimos juntas.

-Não é tão diferente agora. – disse Leah

-Oh, lembram dessa? – perguntou Sue nos passando uma foto do meu pai com uma tiara de princesa

Eu sorri.

-É, eu fiz para o dia das mães, mas como eu não tinha mãe eu dei para o Billy.

-Ele ficou uma gracinha depois que eu lhe dei um vestido para combinar no Halloween.

Nós rimos mais uma vez.

-É, certas coisas são boas para se guardar. – disse Sue com nostalgia – Me ajuda a lembrar que certas coisas já foram normais por aqui.

De repente o sorriso no rosto de cada uma foi desaparecendo quando uma foto de Harry e a minha mãe, Sarah grávida de Jacob e eu e Leah sentadas no colo de cada um.

Depois de alguns minutos nós descemos e os garotos já não estavam em nenhum lugar da casa, Billy estava terminando de assistir o documentário na TV.

-Para onde todos eles foram? – perguntei

-Oh, eles são assim mesmo. Desaparecem do nada e aparecem como um tornado. – disse Sue

-Seth foi para a casa dos sanguessugas. – disse Leah – Quer que eu vá também para vigiá-lo mãe?

-Sim, por favor, sabe como seu irmão se apegou facilmente aqueles estranhos.

Leah saiu da casa e eu fiquei sem saber o que fazer por lá.

-Bem, eu acho que já vou indo. – falei

-Oh, mas você acabou de chegar, querida. – disse Sue

-Eu venho aqui amanhã, prometo.

-Não quer esperar os outros chegarem? Eles podem te guiar pela floresta, ela fica perigosa neste horário.

-Eu cresci nestas florestas, Sue. – falei com a voz mais doce que consegui fazer – Acho que consigo andar até a casa de Billy.

Por um instante percebi que Billy pareceu desconfortável com “a casa de Billy”, acho que fez parecer como se eu já não pertencesse a La Push... O que não era totalmente mentira.

Me despedi de Sue e disse que encontraria Billy na sua casa mais tarde.

O tempo não estava tão ruim assim, pelo menos não chovia e não fazia tanto frio quanto eu esperava que fizesse. Não precisei colocar o casaco gigantesco para andar pela floresta.

Eu andava despreocupada, sorrindo comigo mesma pensando no passado e em como aquelas florestas tinham história.

Não sabia por quanto tempo fiquei andando sem saber para onde estava indo, e eu achando que conhecia a região com a palma da minha mão, porém foi o bastante para saber que eu já não me encontrava mais em La Push, eu provavelmente estava nos arredores de Forks. De repente eu me senti sendo observada, me virei para a direção e só via grama alta e galhos enormes de árvores caídos.

Respirei fundo.

-Calma, Rachel, é só você ligar para alguém se achar que você não encontrará sua casa.

Repeti isso depois mentalmente várias vezes enquanto ainda sentia ser espionada.

-Ok, chega.

Eu parei no meio da mata e peguei meu celular. Eu tinha começado a digitar os primeiros números da casa de Billy quando um urso parou na minha frente. Tirei os olhos do celular com calma e engoli seco quando o animal ficou de pé e grunhiu para mim.

-Calma ursinho. – a voz minha voz estava fraca

Mas não parece que ele não captou o sinal, ele ficou sobre as quatro patas de novo e veio correndo até mim, eu corri sem olhar por onde andava e tropecei em um galho, caí sobre ele com a perna ferida, mais uma vez.

-Droga, droga, droga. – falei

O urso havia ficado de pé mais uma vez diante de mim, eu esperei que ele me atacasse, mas nada aconteceu. Na verdade, aconteceu, uma massa preta e branca saltou sobre ele e eu escutei uns estalos e mais grunhidos do urso, antes do som parar de repente. Eu sentei sobre o tronco para analisar a gravidade do meu ferimento. Depois eu olhei para a pessoa que havia me salvado.

Ele estava longe de mim, mas me olhava fixadamente enquanto eu limpava o corte em minha perna.

-Não precisa ter medo de mim. – falei irônica

Mas ele não riu.

-Eu não tenho medo de você. Terminou de limpar?

-Sim. Pode se aproximar agora, por favor?

Riley veio caminhando até mim com calma.

-Obrigada. – falei – Se não fosse por você eu viraria ração de urso.

-Não foi nada.

Os olhos dele já não eram mais pretos e voltaram à sua cor “natural”, o vermelho fumegante.

-Seus olhos...

-Ah, estão vermelhos de novo?

Assenti.

-Então você está a salvo. – ele continuou

-Eu não tenho medo de você. – falei com uma cara esnobe

Riley deu uma risada.

-Você provavelmente é a única pessoa que me disse isso em toda a minha vida. Mas entendo, já que você tem um vira-lata de guarda-costas.

-Não fale assim do Paul. Ele pode ser bem pegajoso, mas é uma pessoa muito boa.

-Pessoa? Eu não o definiria assim.

Eu o olhei reprovando-o.

-Ok, eu parei.

Ficamos calados olhando para a floresta ao redor e eu intervi:

-Eu te conheci, sabia?

-Achei que não ia se lembrar.

Eu olhei para Riley e por um instante vi a felicidade em seus olhos quando ele começou a falar:

-Aquela sua amiga era bem insistente.

Eu dei uma risada.

-Faz parte da Loren.

-Porém, eu não estava interessado nela. – ele me olhou.

-Quem? Eu?

Riley assentiu sem exitar.

Eu não sabia o que fazer, então mudei de assunto.

-E o que aconteceu depois que saiu do bar?

-Fui atacado e me tornei vampiro.

-Atacado? Por quem? Carlisle?

Ele deu uma risada.

-Não, uma... Outra vampira.

O sorriso desapareceu e seus olhos emanaram tanto ódio que pensei que ele me mataria ali mesmo.

-O nome dela era Victória. Ela me usou para transformar um exército de vampiros recém criados.

-Para quê?

-Ela queria se vingar de Edward e matar Bella. Sorte que ouvi Edward antes de atacá-los, e então matamos Victoria.

O silêncio veio mais uma vez, ele olhava para a floresta e eu analisava o seu rosto.

-Você a amava? – perguntei

-Eu achava que sim. Mas na verdade eu nunca tinha te esquecido.

E eu mudei de assunto de novo.

-E então você se tornou um Cullen?

Ele assentiu.

-Riley Cullen. Não sou muito bem como os outros membros, mas sou um deles... Em treinamento.

-Treinamento?

-Para me acostumar a me alimentar de animais.

-Como você fez agora com o urso? – estremeci – Você se alimentava de humanos?

-Victória me queria forte o bastante para ser um líder.

Engoli seco.

-Conheço alguém que pode curar seu machucado. – disse Riley de repente.

-Não, não precisa. Obrigada, foi só um arranhão.

Os olhos dele ficaram imediatamente pretos.

-Alguma coisa me diz que não foi só um arranhão.

Eu assenti.

-Ah é, claro, vampiro. Por um instante esqueci disso.

Ele abriu um sorriso.

-Sério, a minha casa fica por aqui, Carlisle pode cuidar disso para você.

Pensei duas vezes em aceitar, mas aí eu imaginei que talvez Jake estivesse lá junto com o resto da alcatéia. Então, não seria uma má idéia.

Assenti e em meio segundo eu estava nos braços dele, ele havia me pego no colo, eu fiquei imediatamente vermelha.

-O seu vira-lata não vai ficar muito feliz com isso. – disse Riley ainda sorrindo – Eu vou adorar ver a cara dele.

-Está fazendo isso só para ver o Paul com ciúmes de mim?

-Quero vê-lo com raiva, Emmett me disse que é hilário.

Eu dei um tapinha no peito dele, e eu recuei quase que imediatamente ao me deparar com um peito tão frio e resistente que poderia jurar que ele era uma pedra. Eu o olhei quase maravilhada enquanto ele começava a andar, mas ele só respondeu:

-Na verdade estou fazendo isso por que eu sou um vampiro, você está sangrando e eu por um acaso conheço um médico.

Eu assenti freneticamente com uma cara de zombação.

-Ah, claro. Precisava mesmo me pegar no colo?

Ele ainda sorria, o sorriso mais lindo que eu já vira na minha vida. Mas ele não havia respondido a minha pergunta.

-Esse... Gelo. É coisa de vampiro também? – perguntei

-Não vai começar com a zombaria. Sei que lobos podem ser melhores companhias para humanos do que vampiros. Por mais que seja difícil admitir isso.

-Então por que está me ajudando?

-Não poderia deixar uma donzela indefesa no meio da floresta enquanto o seu príncipe encantado está em forma de lobo andando por aí. No final das contas, foi o vilão quem acabou te salvando.

-Ah, por favor, você não é o vilão, eu não sou uma donzela indefesa e o Paul passa longe de um príncipe encantado.

-Então o que isso nos faz?

-Uma humana, um vampiro e um lobisomem. Sabe? Coisas normais.

Ele deu uma risada.

-É, coisas bem normais.

-Eu tenho quase certeza de que já vi esta história antes. – caçoei

Nós dois rimos juntos.

-Bem, eu estou com sede e como eu não quero te matar por que isso iria acabar com a minha dieta... É melhor irmos rápido.

Em um segundo estávamos andando devagar conversando feito idiotas, ele na verdade parecia mais idiota me segurando do que eu com a cara vermelha. No outro estávamos correndo, na verdade ele corria comigo em seus braços em menos de um minuto estávamos na frente da casa dos Cullen e ele parou.

-Uau. – falei quase tonta quando ele me colocou no chão

-Droga, — ele disse – eu tenho mesmo que arranjar um carro para a próxima vez que for te salvar.

-Por quê? Eu sou pesada para você? – perguntei preocupada

-O Quê? – ele deu uma risada exagerada – Você pesa menos do que uma folha para mim.

-Isso quer dizer que eu devo engordar por um acaso?

Ele deu mais uma risada exagerada.

-Você é hilária. – ele se controlou e continuou — Ok, vamos, vou te levar até o Carlisle e depois vou voltar a caçar.

Eu fiquei ali parada com a testa franzida enquanto ele atravessava a porta de vidro. Mas que diabos? Aquela casa inteira era de vidro por um acaso?!

Depois de um curto tempo eu chacoalhei a cabeça e fui mancando para a porta, Riley estava de volta na minha frente como um flash.

-Eu esqueci do seu... Arranhão.

-Eu meio que percebi.

Ele me pegou no colo mais uma vez e falei:

-Voltamos ao marco zero.

-Estou quase me acostumando a te carregar.

-Então por que estava reclamando algum tempo atrás de que precisava de um carro para a próxima vez que me salvar?

-É mais estiloso.

Eu levantei as sobrancelhas, resolvi deixar este assunto de lado, Riley me colocou sentada no sofá da sala – e que sala! – e depois de alguns segundos Esme estava ao lado dele.

-Rachel? – ela perguntou surpresa, depois olhou para a minha perna e depois para Riley.

Esme olhou para ele como quando a mãe olha para o filho depois dele quebrar algo de valor ou fazer alguma coisa de ruim.

-O que aconteceu, Riley? – ela perguntou cruzando os braços, quase que esperando uma desculpa.

-A culpa não foi dele Sra. Cullen. – falei, eu não me sentia confortável em só chamá-la de Esme

Ela olhou para mim descruzando os braços.

-Riley me salvou, na verdade. – continuei – Um urso ia me atacar, Riley estava pelas redondezas caçando e me salvou.

-Quem fez este corte? Riley falou para você se cortar e dar um pouco de sangue para ele? – ela perguntou cruzando os braços de novo olhando para o filho postiço

Ele franziu a testa.

-Não. – ele falou como se estivesse falando com uma pessoa extremamente burra – Ela se machucou ao tentar correr do urso.

Ela descruzou os braços novamente e a sua expressão voltou a forma carismática que eu conhecia.

-Oh, desculpe Riley, querido é só que com o Carlisle cuidando da Bella eu passei a cuidar de você e sabe que eu não sou boa com recém-criados.

-Tudo bem, Esme. Só fique com a Rachel até o Carlisle se desocupar? Ela precisa de cuidados com a perna e eu preciso ir caçar.

-Tudo bem querido, pode ir.

Ele foi até ela e lhe deu um beijo na testa, depois eu não o vi sair pela porta. Ele só havia sumido.

Ela revirou os olhos.

-Recém-criados. — Esme disse se sentando ao meu lado no sofá – Riley não tentou mesmo tomar seu sangue?

Eu sorri e me virei para ela.

-Não, ele não tentou.

Carlisle apareceu poucos minutos depois com uma máscara de médico.

-Oh, Rachel, não sabia que estaria aqui.

-Bem, ela não estava. – disse Esme – Riley a trouxe até aqui, parece que ela se machucou ao correr de um urso.

-Vamos avaliar, então.

-Oh, eu não quero ocupá-lo. – falei – Sei que a Bella está péssima e que o senhor deve cuidar dela... Não precisa se preocupar comigo foi só um arranhão.

Eu me sentia mal em chamá-lo de “senhor” já que ele parecia ter pelo menos 30 anos.

-Para Riley ter trazido até mim deve ser algo grave.

-Não, não. Ele exagerou.

-Então deixe-me dar uma olhada.

Eu olhei para Esme quase que suplicando para que ela me deixasse ir embora, mas ela olhou para mim e eu resolvi ceder. Levantei o meu jeans e o corte estava uns 5 centímetros acima do meu tornozelo, não era tão profundo assim, a calça havia evitado um estrago maior. Carlisle assentiu analisando, foi para algum lugar da casa e voltou com uma gaze e um frasco de plástico com um líquido branco.

Só sei que quando aquele líquido tocou o corte eu mordi o lábio inferior para que não gritasse ou fizesse algo pior. Carlisle assentiu para que Esme saísse, eu quase implorei para que ela ficasse, quando ele me explicou:

-Ela não pode ficar, desculpe. Esme não tem tanto controle quanto eu em questão de sangue.

Por um instante eu havia me esquecido de que eram vampiros.

Ele colocou a gaze sobre o corte e depois colou duas fitas brancas para que não saísse e a dor já havia passado.

-Pronto. Viu? Não foi tão mal assim.

-Obrigada.