Imprinting
7 Recomeço
Notas iniciais
— Quero que me diga o que está fazendo aqui! – Derek estava nervoso enquanto prendia Peter, seu tio, contra a parede.
— O que estou fazendo aqui? Você deveria saber o que estou fazendo aqui! – Peter o empurra se tirando de contra a parede, afastando o outro para longe com certa força.
— Como assim eu deveria saber? – O mais novo ali segue confuso ao perceber a expressão do outro.
— Eu sei o que você teve... Por um garoto, Derek? Eu jurava que você era homem o suficiente pra negar esse sentimento bobo que chamam de imprinting. – Ele se surpreende ao saber que seu tio soube de seu incidente.
— Como ficou sabendo disso?
— Eu estou aqui na cidade faz um tempo e venho observando suas ações de perto e confesso que fiquei surpreso ao saber disso e ainda mais ao descobrir que aconteceu por um garoto bobo com aquele tal de Stiles Stilinski.
— Cuidado ao falar dele! – Derek rosna demonstrando sua raiva e franze sua testa ficando com uma expressão totalmente raivosa.
— Tudo bem, me desculpa se ofendi. – Peter diz em um tom de ironia do qual o outro já estava acostumado e ele estava irritado com a presença do tio ali.
— Então foi você, não foi?
— Do que está falando? – Seguia ele com sua ironia e tom de sarcasmo.
— Da garota na floresta. Porque fez aquilo?
— Ah, aquela estudante... Fui eu sim. Digamos que uma tentativa falhada de criar um de nós.
— Criar? Porque você quer isso?
— Precisamos. Não eu, mas nós. Precisamos criar uma alcateia, pois você não sabe o que pode acontecer se alguém souber desse seu imprinting.
— Mas eles não podem nos matar, é nossa lei. Não matamos quem de nós tem imprinting.
— Mas acho que está se esquecendo de parte do “testamento”.
— Como assim? – Derek já começou a ficar preocupado com o que ele poderia dizer, pois até então tinha certeza de que não poderiam lhe fazer algum mal.
— Deixe me clarear sua mente. Se você tem um imprinting por alguém, esse alguém ao chegar à fase adolescente deverá se tornar um de nós e isso feito pelas suas próprias “mãos”. E como sei que não terá coragem de fazer isso, o melhor é formamos uma alcateia e nos preparar pra lutar contra quem vier para fazer o “contrato” seguir de pé.
— Não, não mesmo! – Ele jamais iria querer isso para o garoto, já havia passado por algo ruim com a Page, não iria querer reviver esse episódio em sua vida.
— O quê? Ficou louco? – Questionou o sobrinho que demonstrava certeza em não seguir com o plano.
— Não posso transformar o Stiles, tampouco outras pessoas.
— Mas eu posso.
— NÃO! – Derek estava decidido a não ficar arriscando a vida de pessoas ao seu redor, era imprudente e desumano, embora fosse lobisomem, sua natureza não era causar o mau.
— Eu venho lhe ajudar e você fica nessa de não querer formar uma alcateia. Tudo bem, você é quem sabe. Quando as coisas ficarem piores, e vão ficar, não venha pedir minha ajuda. Me deixe ir, pois tenho uma aula para dar. – Peter vai embora da casa de Derek após dizer, deixando o outro completamente confuso naquele ambiente. Ele fica assustado, mas ainda segue com a coragem em si, estava disposto a fazer o que tivesse que ser feito pra proteger o Stiles e jamais transforma-lo ou sequer outras pessoas.
...
— Stiles, meu filho, o que está fazendo aqui? Não acredito que dormiu desse jeito. – O garoto estava deitado sobre o notebook, que por sinal o deixou com marcas das teclas em seu rosto.
— Droga, eu nem vi a hora passar, deveria ter ido dormir na cama... – O garoto se levanta e ajeita para ir à escola, ainda muito sonolento e com algumas dores locais por conta do mau jeito que ficou ali.
— Já estou indo trabalhar, não se atrase mais do que o normal. – Diz John antes de ir embora e beijá-lo na testa, como de costume.
Stiles volta para o notebook após seu pai sair do quarto e salva as pesquisas que tinha feito. Na tela do computador estavam sites sobrenaturais, explicações diferentes do normal para as coisas que tem acontecido ultimamente. Ele não queria acreditar, mas tinha suas suspeitas, ainda mais depois de ler o que seu pai deixou escrito em suas coisas.
— Não quero acreditar, mas de qualquer forma não custa arriscar. – Sussurra olhando para a foto de um lobo na tela de seu computador. Logo o desliga e segue para terminar de se arrumar e ir para a aula.
...
Na escola, Stiles não saia da mira de Peter a aula inteira, o garoto já estava se sentindo incomodado com esse olhar fixo em si. No término da aula, então ele resolve falar com o professor.
— Professor, posso falar com o senhor? – Mostrava educação, não queria chegar já demonstrando seu incômodo com toda aquela atenção.
— Claro Stiles, o que houve? – Peter age amigável, tê-lo ao seu lado era uma vantagem para si.
— Eu não sei, talvez seja algo da minha cabeça, mas porque o senhor não tira os olhos de mim durante a aula? Isso me incomoda, sabe... Eu não estava conversando e tampouco distraído como os outros alunos, mas mesmo assim você seguia me encarando... – Stiles sem jeito buscava uma forma de falar que não soasse tão estúpida, mas já tinha sido corajoso o suficiente para falar uma coisa dessa assim na cara dura. Peter rir de canto.
— Eu menti. – Logo solta à frase e traz a atenção do outro para si. – Eu tenho sim mais um parente na cidade. Só menti porque não achei que deveria falar do meu pessoal com um aluno, não sabia de suas reais intenções, mas como você está perguntando e se mostrando um cara legal, eu estou dizendo.
— Sabia! – Não se contém e expressa seu alívio de conclusão de raciocínio. – É o Derek, certo? Derek Hale.
— Correto. É ele. Meu sobrinho.
— Agora entendi porque ele ficou daquele jeito... E ele sabe que você está na cidade?
— Sim, ele já sabe. Vocês são amigos? – Agia dissimulado, tentando buscar algumas confissões do outro.
— Não exatamente, nos conhecemos de forma não muito normal. Mas não somos amigos... – O jeito que Stiles falava sobre seu sobrinho era notável o nervosismo.
— Sabe Stiles, ele me falou de um garoto que conheceu pouco tempo, acho que era de você que ele falava... Disse belas coisas a respeito. – Segue jogando, queria que ele dissesse alguma coisa a mais.
— Sério? O que ele falou de mim? – Agora ele estava bem curioso quanto ao que o Peter tinha a dizer sobre seu sobrinho, um a zero para o professor.
— Várias coisas, porque vocês não tentam se conhecer melhor? Ele me disse que o começo de vocês não foi muito legal, o que acha de ir até a casa dele? Tenho que passar lá, você poderia ir comigo. – Stiles se lembra de que tinha que testar uma teoria um tanto maluca para si, mas tinha que tentar. Então ele aceita ir até a casa de Derek.
— Claro, acho que seria legal tentar um recomeço. Não é mesmo? – Agora era o garoto que estava sendo dissimulado.
— Então, tem tempo agora? Ou...?
— Pode ser, tudo bem para mim.
— Então vamos lá, Stiles... – Eles seguem para a casa de Derek Hale, uma coisa do qual Stiles também não sabia, era que os lobos podem ouvir as batidas de coração e identificar sentimentos por conta do mesmo.
...
— Lydia, que desenho é esse? – Allison pergunta um tanto curiosa com aquele esboço na mão de sua amiga.
— Eu não sei o que é, só sei que desenhei porque me deu vontade. – Ela diz um tanto desinteressada com aquele papel em sua mão, estava mesmo parecendo estar tediada naquele momento.
— Mas o que é isso? – Sua amiga mais uma vez olha para o desenho e tenta entender o que aquilo significava, pois estava feito como se tivesse sido planejado a desenha-lo.
— Não sei, mas parece uma planta, sei lá. Porque está tão interessada?
— Me deixa ver. – Scott pega o desenho da mão de Lydia para checar. – Acônito.
— Acônito? – Lydia e Allison repetem juntas após ouvir o outro dizer essa palavra.
— Que mundo vocês vivem? Isso é uma planta chamada acônito. É venenosa.
— É claro que eu sei o que é um acônito, só não tinha percebido que eu havia desenhado isso... – A ruiva disse olhando para o desenho novamente e analisando aquele esboço ter saído de sua mente.
— Estranho você desenhar isso, Lydia. – A garota tinha uma expressão preocupada em seu rosto.
...
— O que ele faz aqui? – Derek sussurra com Peter na cozinha, enquanto Stiles estava na sala.
— Ajudando você, eu já disse que estou aqui só pra ajudar. – Peter sempre com o tom de voz irônico, isso o deixava irritado. – Agora vê se consegue fazer as coisas certas e conte para ele.
— Contar o que? – Pergunta o óbvio e seu tio revira os olhos já impaciente com o modo passivo que seu sobrinho havia adquirido.
— Conta sobre o que você é. O que nós somos! Ele não pode andar por aí sem saber disso, é um perigo pra ele lidar com algo que não sabe que existe ainda.
— Não posso, não ainda. Ele já tem uma má impressão de mim, se eu disser isso ele vai reagir sei lá como, afinal de contas, somos lobos!
— Você conta ou eu conto! – Peter não perdia tempo em provocar, não iria fazer, mas aproveita para pressiona-lo.
— Espera, me deixa fazer isso devagar, não apresse nada pra não o deixar com medo de mim. Por favor, você sabe que ele é tudo o que tenho e não posso perder alguém que gosto de novo.
— Obrigado pela parte que me toca, agora vai lá e faça as coisas direitas. – Derek o diminui com seu olhar cheio de raiva antes de seguir de volta para a sala.
— Então rapazes, eu me lembrei de que tenho que fazer umas coisas e não posso ficar, como havia dito para o Stiles, só precisava vir aqui buscar isso e já estou indo... – Peter diz já em pé próximo a porta, Stiles troca olhares com Derek e engole a seco, algo havia passado subitamente sobre sua mente.
— Até mais, professor. – Ele sai após o outro dizê-lo e fita o sobrinho com seu olhar intimidador, deixando claro que aquele momento era a hora dele contar as coisas para garoto.
— Então... legal de sua parte vir até aqui. Eu espero que tire aquela má impressão que tem sobre mim, eu quero te explicar tudo...
— Eu sei. – Stiles o interrompe e Derek pode sentir as batidas de seu coração acelerar.
— Sabe? O que você sabe?
— O óbvio.
— Seja mais claro.
— Sei que está apaixonado por mim. – Stiles não contem o riso após brincar com isso, mas o outro segue sério, que faz o mesmo engolir toda a risada instantaneamente.
— Onde isso é engraçado? – Derek foi se aproximando do outro cada vez mais e com seu olhar fixo ao dele.
— Você pode parando ai, eu sei aonde esses passos chegam. – O garoto anda pra trás até sentir suas costas se chocar com a parede de madeira desgastada.
— Não se negue Stiles. – Ele já o imprensava na parede e sua respiração quente tocava a pele macia do mais novo.
Stiles estava totalmente rendido pelo seu desejo hormonal adolescente, logo se lembra de seu sonho, o que o deixa ainda mais excitado. Dessa vez Derek apenas está próximo, o imprensando, mas quem inicia o beijo é o garoto, ele não consegue se negar a essa proximidade. O mais velho o envolve com seus fortes braços fazendo o outro deixar sua mochila cair no chão, levando seus braços até a cintura do outro, o envolvendo de volta.
— Isso é certo? – Ele para o beijo por instantes e questiona franzindo a testa.
— Não sei sobre isso, mas só sei que te quero, Stiles. – Derek faz os olhos de Stiles brilharem enquanto abertos, até que se fecham novamente ao selar seus lábios ao dele.
Derek o pega no colo e o conduz até o sofá, embora velho, o clima não estava pra escolher cenário. Chegando próximo ao sofá, ele coloca Stiles deitado e segue o beijando novamente. As seções de beijos eram intensas, quando o mais velho retira sua blusa, o garoto se levanta e fica acuado.
— Para, não, para Derek. – Stiles ainda nervoso com a situação, começa a falar e suas falas começam a falhar em forma de gaguejo.
— O que foi? Fiz algo errado?
— Não, só preciso entender isso tudo. Me dê um tempo, por favor. E a gente mal se conhece direito... É tudo muito novo pra mim, eu nunca fiz isso antes.
— Desculpa, eu não quero que ache que estou forçando a algo. – Derek diz botando de volta sua blusa e deixando o rapaz menos incomodado com toda aquela cena.
— Tudo bem, acho que é melhor eu ir. – Stiles pega sua mochila e caminha até a porta.
— Stiles! – Derek o chama o fazendo parar já com a porta aberta. – Promete que volta? – Ele não queria soar tão insensível daquele jeito, mas apenas disse expressando seu desejo, o garoto diz tudo apenas com o olhar e logo se vai.
Derek se senta no sofá e segue pensando que talvez Stiles precisasse mesmo saber de tudo antes que as coisas se tornassem realmente perigosas para ele e claramente ele não iria se permitir perder um amor novamente.
...
Já em casa, Stiles pensava em tudo o que houve na casa de Derek, ele gostou e só estava com medo de se entregar. Além do mais, ele não o conhecia muito bem, embora sentisse como se conhecesse há anos. O celular toca o desligando de seus devaneios. Ele levanta da cama, o pega na escrivaninha e atende já sabendo quem era.
— O que foi Scott?
— Stiles, mais um ataque de animal. Estamos começando a ficar com medo...
— De novo? – Stiles confuso com tudo aquilo. – E quem foi a vítima dessa vez?
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