Imprinting
21 Interrogações
Notas iniciais
— Lydia, porque você não me disse que iria embora? Me deixou preocupada! – Allison a repreende pelo celular.
— Posso te ligar depois? Eu estou ocupada. – Não estava mesmo concentrada na conversa, nem notou que sua amiga estava alterada pelo fato dela ter saído do Grill sem avisa-la.
— Lydia! Você não está prestando atenção no que estou falando, sua voz está diferente, o que aconteceu?
— Eu disse que depois te ligo... – Desliga antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa.
Lydia está em seu quarto, sentada em sua cama, tecendo. Prada ao seu lado, que logo começara a latir sem parar, mas sem efeito na ruiva, que seguia concentrada na linha e agulha em sua mão.
***
— Como foi o seu dia? – Peter tenta ser agradável, enquanto Derek, à sua frente, está mexendo no celular.
— Foi ótimo, quando estou com ele, tudo fica bem. – Sem olhar para o mais velho, continua concentrado mexendo no celular.
— E eu ainda pergunto, não é mesmo... – Caminha para próximo do sobrinho e se abaixa, sentando ao seu lado nos degraus de madeira podre da escada. – Enquanto você estava fora eu andei pesquisando e encontrei algo.
— O que você encontrou? – Finalmente para de mexer em seu celular e vira-se para seu tio, focando sua atenção no mesmo.
— Não é muito, mas houve um caso parecido com o do Stiles alguns anos atrás, aqui em Beacon Hills. – Sente Derek ficar mais focado em suas falas.
— Como assim parecido? Me mostra. – Ele se levanta, fazendo com que Peter se levante logo em seguida.
Ambos sobem as escadas, chegando ao andar de cima, caminham para o que ambiente onde já foi o quarto do Peter.
— Aqui estão algumas informações, não tem muito, mas já é um começo. – Com o notebook em sua mão, apoia-o em uma cômoda de madeira queimada que estava no local.
— Incrível como vivemos nesse lixo de lugar ainda, mas temos notebooks, celulares e até carros. – Derek diz, sabendo de onde vem todos esses pertences que o seu tio traz. O outro dá de ombros e ele segue focando no assunto inicial. – Não tem algo demais aqui, só reportagem e matérias sobre um homem que estava em coma, foi dado como morto em estado vegetativo, mas acordou alguns dias depois.
— Aí, que você se engana, continue lendo. – Então o outro consegue entender que seu tio estava certo em suas suspeitas sobre esse caso.
— Nossa, então quer dizer que ele foi gravemente ferido por um animal enquanto acampava na floresta com seu amigo e após acordar do coma não tinha marcas de feridas no corpo. Isso lembra mesmo o caso do Stiles, mas não dá pra sabermos se foi um lobo...
— Não importa, temos o nome completo do rapaz e você tem o seu lance com o filho do xerife, talvez ele possa saber de algo, ter alguma coisa guardada. Fale com o Stiles...
— Faz anos, talvez ele nem era xerife ainda, como o pai do Stiles iria saber de algo?
— Como eu disse, pesquisei mais sobre esse acontecido e olha o que achei. – Ele passa a página, abrindo outra aba no computador.
— É o... – Derek se surpreende, pois na foto sobre a matéria do caso estava John Stilinski, o policial, que na época, foi quem o encontrou na floresta. – John. Vou agora falar com ele.
Derek pega seu celular novamente e disca o número de Stiles, enquanto chama, se retira do cômodo.
***
— Está pronto. – Lydia sorri olhando para o boneco em sua mão, terminou mais um, sem deixar a linha arrebentar. Prada está dormindo ao seu lado em cima da cama, ela coloca o boneco no criado mudo e ao se ajeitar, seu celular toca.
— Alô?
— Alô? Você está mesmo estranha hoje, começando pelo Grill.
— Allison, do que você está falando? – Lydia não estava entendendo ao que a outra se referia.
— Hoje você foi embora do Grill, deixando eu e Scott lá esperando você. Além de que fiquei horas ligando pro seu celular e você não atendia, e quando finalmente consigo você fala que está ocupada e desliga na minha cara. O que está acontecendo com você?
— Eu não estou entendendo. Está tarde, já disse, estou bem. Desculpa por deixa-la preocupada, amanhã temos aula, nos falamos lá. Até mais.
— Tudo bem, amanhã você não escapa dessa nossa conversa. Até mais... – Ambas desligam e Lydia parece realmente não se lembrar do ocorrido no Grill.
— Preciso parar com as pílulas de emagrecimento, estão me deixando esquecida. Não me lembro do que a Allison disse... Vamos dormir né, meu bebê? – Acariciando e falando com a Prada, deita ao seu lado e apaga a luz do abajur.
***
— Bom dia... – Peter descendo as escadas dá de encontro com o Derek entrando em casa. – Desde cedo acordado, presumo que estava com Stiles.
— Ontem combinamos que antes dele ir para a escola nos encontraríamos. Ele me deu uma cópia da chave de casa, John já tinha saído pra trabalhar, então fiquei lá buscando informações nas coisas que ele tem guardado.
— Está ficando mesmo séria essa relação de vocês, daqui a pouco estão até morando juntos. E encontrou algo? – Derek dá de ombros para a piada corriqueira e mantém o foco.
— Veja você mesmo. – Estende seu braço, entregando um envelope marrom para ele.
— Que ótimo... – Segurando os documentos que estavam dentro do envelope, coloca-os novamente dentro e o devolve para o outro. – Uma cópia dos exames e da ficha no hospital do tal Josh Levison, interessante... Mas porque John teria isso com ele?
— Não sei, ele era um policial, tudo é uma prova. O importante é que nessa ficha tem o endereço dele, não sabemos se vamos encontra-lo, pois já faz alguns anos, talvez já tenha se mudado.
— Provavelmente se mudou, é claro. Mas não custa irmos até lá, quando pretende ir?
— Podemos ir agora! – Peter concorda balançando a cabeça positivamente.
— Então, vamos lá...
— Espera, você viu a minha jaqueta? – Derek antes de sair, para entre a porta tentando se lembrar de onde a deixou.
— Você chegou sem ela ontem. – Derek faz uma expressão interrogativa, pois não notou que tinha chegado sem a mesma, talvez pelo belo momento que teve com Stiles não conseguiu sentir sua ausência. – Sério que precisa tanto dela? Vamos logo, você anda tanto com ela que talvez tenha aprendido a sair por Beacon Hills sozinha.
Derek se vai, logo após Peter puxa-lo, fazendo-o sair de casa.
***
— Como assim você não se lembra de ontem? – Allison está novamente interrogando a ruiva.
— Eu não sei, apenas não me lembro. Além do mais, eu só me lembro de pegar um atalho pra casa, achei coisas por lá, parecia que tinha rolado uma festa ou piquenique no local, essa é a última coisa que lembro. – Stiles ouviu a palavra piquenique, logo se focou mais na conversa das duas garotas.
— Você é mesmo louca...
— Que atalho? – O garoto pergunta se intrometendo na conversa, mas que logo é surpreendido pelo olhar diminutivo que Lydia lhe deu. – Foi mal... – Se endireita em sua mesa. Scott ri e dá um leve tapa em sua cabeça.
***
— Então essa é a casa... Vamos tocar a campainha. – Peter caminha até próximo à porta, após subir alguns degraus e a toca, fazendo tocar uma música bem irritante. Derek sobe logo em seguida.
— Olá? Bom dia... – Uma senhora de idade, com os cabelos já sendo tomado pela cor branca, os atende.
— Bom dia, estamos procurando por Josh Levison... – O mais velho foi direto no assunto, sem enrolar a outra.
A expressão da senhora muda ao escutar o nome do rapaz, não era bem uma expressão triste, mas diferente e indecifrável para Peter.
— Posso saber quem são vocês e o que querem com ele? – A senhora tem uma voz rouca e lenta, por causa da idade, mas aguda o suficiente.
— Nós... – Derek inicia a frase, mas é interrompido por Peter antes que pudesse falar algo comprometedor.
— Sou Peter, um velho amigo, época da escola e esse é o meu sobrinho Derek.
— Entendo... Por favor, entrem. – A porta que estava meio aberta, agora estava completamente, dando espaço suficiente pros dois entrarem.
Meio desconfiado, Derek olha para seu tio com uma pergunta em mente: Está tudo bem se entrarmos? Peter desvia o olhar e entra, Derek lentamente entra em seguida. A senhora fecha a porta logo depois.
— Podem se sentar, não sejam formais, amigos do Josh são bem vindos sempre. – A idosa caminha até sua cadeira de balanço e senta-se, logo pega uma linha e agulha e começa trabalhar com as mãos, tecendo ou fazendo crochê.
Derek e Peter se sentam no sofá marrom de tecido velho em frente à cadeira de balanço.
— Então... – Peter limpa a garganta fazendo um barulho constrangedor, trazendo a atenção da idosa para si. – Onde o Josh está? A Senhora é o que dele?
— Praticamente uma avó emprestada, pois muito tempo atrás, quando adolescente, encontrei o Josh sozinho na rua, tinha acabado de perder os pais e estava com medo de ter que ir parar em um orfanato, ilegalmente cuidei dele por todos esses anos até... – Uma breve pausa foi dada antes de continuar falando. – Ele falecer.
— Me desculpe, sinto muito. Não sabíamos que era tão grave assim... – Derek finalmente diz alguma coisa sem que o outro o interrompesse.
— Sem problemas, já faz alguns anos, mas ainda sinto a falta dele.
— Não precisamos mais tocar no assunto, nos desculpe... – Peter tinha a voz serena, nem parecia a mesma pessoa ali falando dessa forma.
— Não, eu não ligo de conversar... Como vocês são amigos deles da época da escola, quero que vejam algo. – Ela se levanta da cadeira de balanço e caminha até o armário de madeira no canto da sala, pega uma caixa de papelão e coloca na mesa de centro próximo aos dois homens ali presentes.
— O que é isso? – Peter pergunta já um tanto curioso.
— Abra, são poucas das coisas que ele trouxe quando veio morar comigo, as guardo até hoje, pois são muitas lembranças.
Peter abre a caixa e rapidamente avista várias fotos e cartas escolares, um verdadeiro conjunto de lembranças, um memorial.
— Interessante... – Derek pega algumas fotos e as passam de frente para trás, olhando uma a uma.
— Me permite saber como ele faleceu? – Peter sente o seu pé ser pisoteado pelo do outro, pois ele estava sendo um pouco indelicado com a senhora.
— Sim, pode sim... Uma longa história e bastante misteriosa.
— Como assim misteriosa? – Enquanto Derek seguia vendo as fotos, o outro ia praticamente interrogando-a.
— Ele foi acampar com um amigo, foram atacados por um animal que até hoje não sabem o que de fato era, apenas deram como puma, mas aquele jeito que ele estava quando o vi no hospital não era apenas um puma. Alguns dias depois ele estava totalmente bem e sem cicatrizes...
— Talvez tenha sido um milagre, não acha? – Peter seguia alimentando o assunto a fim de pistas.
— Sim, de início pensei isso, mas... Estranhamente minha neta costuma tecer, faz isso com peças de roupas, usou a dele um tempo antes dele ir acampar... Ela odeia quando não segue concentrada e acaba arrebentando a linha, mas sem querer aconteceu, então deixou de lado... Algumas horas depois recebi a notícia de que ele estava no hospital, ele tinha meu número no celular, então me ligaram de lá. Fui imediatamente, aí que fiquei sabendo de tudo.
Porém alguns dias depois, ele em estado vegetativo, minha neta resolveu continuar a tecer e levar para o hospital como lembrança assim que ele acordasse, pois ainda tinha esperanças, quando terminou recebi outra ligação... O Josh havia acordado do coma.
— Então você acha que isso tem a ver? Como assim? – O mais velho tenta achar coerência no que a outra está dizendo.
— Não, eu disse que isso tudo foi apenas estranho.
— Não acho que tenha a ver, mas respeito o seu pensamento... – Derek tenta ser mais respeitoso com a senhora que se abria para conversar como se não fizesse isso há anos.
— Sim, só que também achava que era apenas coincidência, achei o boneco que minha neta fez muito estranho e feio, algum tempo depois resolvi joga-lo fora, horas depois aqui em frente de casa o Josh foi atropelado, minha neta correu pra dentro de casa pedindo ajuda, eu fiquei nervosa, tentamos chamar a emergência, mas já era tarde demais. – Uma lágrima cai de seus olhos, escorre pelo seu rosto e molha o seu cardigã cinza velho.
— Não morreu com a mordida, mas morreu atropelado? – Peter sente seu pé ser pisoteado mais uma vez ao fazer tal tipo de comentário.
— Sinto muito... Mas ele depois que acordou do coma, tinha comportamentos estranhos ou algo do tipo? – Derek continua sendo cortês com a outra.
— Não exatamente, apenas não conseguia dormir direito, sonhava com o dia em que foi atacado no acampamento, gritava na madrugada me fazendo correr até o quarto e contê-lo. Ele falava enquanto dormia, repetia a frase: não foi um puma, foi um lobo. – Derek e Peter se entreolham confirmando o óbvio.
— Sua neta, ela está em casa?
— Ela também foi apenas uma jovem que adotei ilegalmente, cresceu aqui nessa casa comigo, sempre me considerou como sua avó. Ela gostava muito do Josh, entrou em depressão após sua morte, então quando cheguei em casa meses depois... A encontrei na banheira com os pulsos cortados.
— Minha nossa... – O outro encara seu tio novamente antes que pudesse completar com mais algum tipo de comentário infeliz.
— Me desculpa novamente... Acho melhor irmos embora agora... – Derek lamenta ter tocado nesses assuntos indelicados para a idosa, ele coloca as fotos na caixa e a fecha.
— Já faz tempo, mas ainda me dói. Eram duas pessoas muito importantes para mim, me desculpem não poder falar sem derramar uma lágrima. – Ela pega a caixa da mão de Derek e a abre novamente, em seguida pega uma foto lá de dentro e mostra para os dois. – Essa é minha neta, linda jovem, não é mesmo?
Derek e Peter se espantam ao olhar para a foto.
— Lydia? – Ambos pronunciam o nome da ruiva ao ver aquela fotografia.
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