Imprinting
12 Hora de agir
Notas iniciais
— Você não deveria ter feito isso, Peter. Eram apenas jovens... – Derek estava furioso com a atitude de seu tio.
— Jovens, fortes e recém-criados. Perfeito para nos ajudar a seguir a diante com essa luta. Você sabe que sozinho não irá conseguir contra eles, não sabe? – Derek sabe que em parte Peter está certo, sozinho ele não iria conseguir algo além de perder imediatamente.
— Tudo bem, isso se trata não apenas de mim, mas também do Stiles e eu irei fazer o que for preciso pra protegê-lo. – Derek se aproxima dos jovens à sua frente e os analisa um por um cautelosamente.
— Não confia em mim? Eu os criei do jeito certo, basta ensina-los e treina-los da melhor maneira e iremos ter crédito alto nisso tudo.
— Não é isso... Esses jovens foram dados como mortos, semanas atrás você tinha os matado.
— Derek, você acha que eu, com toda a minha habilidade e inteligência, iria matar pessoas inocentes sem algum propósito? E eu não os matei, como pode ver estão na sua frente, vivos. Só que diferentes... Melhores do que antes, isso eu tenho certeza. – Peter já planejava tudo desde o começo, embora suas atitudes seguiam sendo impulsivas, ele estava em parte correto em suas teorias.
— De qualquer forma não temos muito tempo, ontem a janela do Stiles foi simbolizada, eles já estão entre nós e qualquer desleixo pode acabar nos encurralando. Vamos começar a treina-los agora! – Antes que Derek pudesse guia-los ao local para treinamento, sente passos se aproximando à porta.
O barulho de madeira podre sendo pisada era claramente escutado por todos os lobos presentes, os passos iam se aproximando... Ambos ficam atentos e já preparados para o pior.
— Derek?
— Stiles... – Peter sussurra confirmando e relaxando a todos.
Derek caminha até a porta e a abre, logo sorri ver o outro em sua casa.
— Alguma coisa aconteceu? – Sua expressão demonstra o quão preocupado está.
— Não, apenas... Eu confesso que estou assustado com tudo isso e ter que ficar fugindo ou vigiando tudo ao meu redor não está sendo nada agradável. Quando vamos começar logo essa tal luta? – Embora Stiles não concordasse com tudo isso de transformar inocentes em lobos, ele estava em uma situação sem escolha, se dizer que o próprio Peter Hale não dava muitas escolhas no que fazer, pois era inútil ir contra ele.
Derek fica sério ao escutar ele dizer dessa forma, não era pra menos, pois ele já estava se esquecendo de que não irá ser apenas uma luta qualquer e sim algo além e que envolve até mesmo sua própria vida.
— Como assim vamos? Stiles, vem aqui... – Derek o segura pela manga do casaco e o puxa, guiando consigo até o andar de cima.
Caminhando sem ao menos dizer algo, o silêncio do mais velho não era o que mais assustava. Subindo as escadas, o barulho de madeira podre fazia a casa ficar ainda mais assustadora para o garoto. Já no andar de cima ambos vão em direção ao quarto, eles entram e Derek encosta a porta, já em seu rosto sua expressão era séria.
— O que foi? – O mais novo então quebra o silêncio que reinava no local, exceto pelo barulho de madeira podre enquanto caminhavam.
Derek ainda quieto retira do bolso de sua jaqueta de couro preta dois bilhetes e entrega na mão de Stiles, a puxando e forçando seus dedos a dobrarem com os bilhetes na palma.
— O que é isso, Derek? – Ao olhar percebe que são passagens de avião.
— Não tem “nós” por agora, Stiles. Você precisa dar um jeito de ir embora com seu pai por um tempo, até tudo ficar certo entre a gente por aqui. Não podemos arriscar a segurança de vocês...
— Como assim? Ficou louco, Derek? Nunca que meu pai vai aceitar viajar e tampouco agora, largar trabalho, escola, não tem como.
— Se ele não pode, você que é o foco de tudo isso, deve ir... Mesmo sozinho. Posso deixar alguns lobos de vigia para o seu pai, mas seria arriscado ter você por perto antes de tentarmos achar uma solução, um acordo que seja.
— Derek não, não dá. Não vou viajar, jamais deixaria meu pai aqui com esse perigo todo em volta enquanto tiro férias de verão adiantadas. E quem são esses lobos que você e o Peter não podem dar conta?
— Você não entende, Stiles, não pretendo que entenda, apenas aceite. Eles são lobos originais, dobro ou mais da força normal de um lobo como nós e podem ter controle até em lua cheia, são espécies muito além de alfas... Eles não se tornaram lobos, eles nasceram lobos.
Stiles estava com medo antes, mas agora tudo estava aumentado em mil vezes. Engole a seco e seu olhar vai de encontro ao do mais velho, deixando então seu nervosismo exposto.
— Que caro para lobos amar alguém...
— Não se trata de amar, não é um simples amor. É algo além disso, já te expliquei.
— Mas porque lobos que tem imprinting devem transformá-los? Qual a lógica disso? – Várias perguntas em sua cabeça, tudo ainda um tanto bagunçado. Ele queria entender ao certo o porquê disso tudo.
— É uma tradição bem antiga, muito antiga... E eles por serem dessa época, fizeram uma promessa de que a tradição siga a diante. Antes de tudo ser compreendido, como o imprinting era em si, eles sacrificavam o lobo... O próprio amor do lobo teria de matá-lo para que fosse sua vida poupada, pois o sentimento do lobo era forte demais para fazer o contrário. Não era aceito amor de lobos e humanos, algo inexplicável, como “gay” e “sociedade”, algo do tipo. Conforme o tempo foi passando e a mente desses antiquados foram mudando e abrindo pouco a pouco, eles alteraram a tradição para essa, o transformar em lobo para que ambos pudessem viver juntos de forma justa, sem afetar ambas as partes.
— Nossa, que complicado. Então essa “tradição” é alterável? Porque não a alterar de novo? Justa? Nada disso é justo, para nenhuma parte... – O mais novo se revolta com a situação, não está disposto a viajar e deixar esses seres antigos mandar em sua vida. – Algo antigo assim e vocês acham que terão sucesso com acordos ou lutas? Desculpe Derek, mas pelo o que você falou eles são altamente mais fortes e vocês são formigas perto deles.
— Não temos muita escolha... – Abaixa a cabeça, o medo de falhar era visível, mas precisavam tentar algo.
— Me transforma! – Sem hesitar, se mostra um tanto encorajado ao dizer isso. – Se o problema todo é esse, me transforma e eu viverei contigo sem essas interrupções.
Os olhos de Derek encontram os do mais novo, um olhar profundo e ao mesmo tempo triste.
— Não, Stiles, eu não quero isso para você. Não é uma opção, não vou fazer isso com você. Sem falar na possibilidade de não dar certo a transformação e tudo ir por água abaixo. Não posso te perder...
— Se não desse certo a transformação, o que aconteceria comigo?
— Você não resistiria e morreria. – Foi direto na explicação, o fazendo então entender melhor o tamanho do perigo que seria tentar transforma-lo.
Stiles fica assustado com todas essas condições, andando de um lado para o outro ele mostra sua aflição. O barulho de madeira podre estava frequente por conta dos seus passos, isso já estava fazendo o mais velho se irritar e entrar nessa onda de nervosismo com ele.
Derek caminha para perto dele e o puxa pelo braço, fazendo com que seu corpo venha de encontro ao seu, o abraçando em seguida.
— Não quero morrer, Derek, não posso deixar meu pai sozinho... Seria demais pra ele. Eu não posso, não posso... Não posso. – Stiles estava explodindo de sentimentos, sem controlar seu medo, chora.
Derek o abraça mais apertado o deixando mais confortável, seu choro se ameniza aos poucos.
— Não vou deixar você morrer, não é apenas o seu pai que não iria suportar. Você é minha vida desde muito tempo, eu jamais vou deixar algum mal te acontecer, Stiles.
Derek enxuga as lágrimas no rosto do mais novo e o beija, o fazendo lentamente fechar seus olhos também.
— Eu estou tão envolvido nesse sentimento, Derek, eu espero que tudo fique bem.
— E vai... – Suas mãos tocam a do mais novo, ele a segura forte, passando sua temperatura quente para ele.
Se afastando do abraço, Stiles pega novamente os bilhetes que estavam no bolso direito de seu moletom vermelho.
— Promete que vai vigiar meu pai? Por favor, me prometa. Sei que ele não vai comigo, apenas vou ter que ir sozinho. Então quero ter a certeza de que ele ficará seguro.
— Claro, óbvio que irei. Apenas certifique de se preocupar consigo, pois, seu pai estará sobre minha guarda.
— E quando eu vou?
— O mais rápido, vá pra casa e ajeita suas coisas, me chame assim que tiver tudo pronto que te levo ao aeroporto. O que vai dizer para o seu pai?
— Não sei, penso no caminho para casa... Estou indo agora. – Derek o puxa mais uma vez pelo braço, lhe dando um beijo inesperado.
— Te amo... – Antes de ir, sussurra no ouvido do mais novo.
Stiles se distancia indo embora, próximo à porta do quarto ele para e se vira para o mais velho, deixando um olhar preocupado e um tanto indeciso, Derek não sentiu um “eu também” ali. Se vira novamente e vai embora, deixando apenas o barulho de madeira podre que cada vez ia ficando mais baixo e longe enquanto o mesmo ia passando pelo corredor e descendo as escadas.
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