Imprinting

9 Explicações - Parte I


— Não pode ser, não pode ser... O que era aquilo, não pode ser... Derek. – Stiles repetidamente falava consigo mesmo, inconformado com o que viu.

No fundo, bem no fundo, atrás de todo aquele medo, estava um desapontamento por pensar que Derek está sendo o causador desses ataques.

— Stiles? – John grita do lado de fora, pois, a casa estava toda trancada e a chave que ficava escondida do lado de fora, não estava lá.

Breves minutos, a porta se abre e o garoto puxa seu pai rapidamente para dentro.

— Que isso? O que houve meu filho? – O mais velho buscava entender porquê ele estava agindo daquela maneira.

— Nada, é que já está de noite... Não sabemos quando aquele puma pode aparecer novamente. – Stiles estava mesmo com medo de que ambos voltassem, não sabia nada sobre o que viu e tampouco sabia se eles tinham controle sobre aquilo.

— Está tudo bem, Stiles. Não irão aparecer aqui, eles estão atacando como se fosse...

— Um padrão. – Stiles o interrompe completando sua frase.

— Exato. Meu filho, você está bem mesmo? Tem algo que queira me contar? – John conhece seu filho até de olhos fechados, sabia que tinha algo de errado com ele.

— Não pai, estou bem. Vou subir e tentar dormir... – Já na escada ele regressa alguns passos. – Pai?

— O que é? – Cansado, John pegava uns drinks para beber no minibar no corredor próximo à cozinha.

— Não abra a porta para ninguém, tudo bem? E jamais vá lá fora desarmado, por favor.

— Stiles? – Antes que seu pai pudesse perguntar pela milésima vez se está tudo bem, o garoto já havia subido as escadas.

Com a porta e janela do quarto trancado, diferente de como costumava estar, Stiles estava deitado em sua cama e com o pensamento fixo no que viu mais cedo. Seus olhos derramam uma lágrima ao lembrar-se do beijo, do breve e bom momento que estava começando a ter com Derek antes de ser tudo estragado. Nesse clima triste ele adormece...

***

Depois de toda a briga que tiveram no dia anterior, Derek já não sabia onde Peter estava. Uma coisa ele estava ciente, Stiles jamais iria querer se aproximar dele novamente. Depois que tudo estava começando a ir bem, tinha que ser estragado por Peter, mais uma vez ele estragando sua vida.

— Desgraçado... Não vai ficar assim... – Derek promete para si, com sentimento de vingança em seu interior.

Voltando à estaca zero, Derek, como de costume inicial, segue para o colégio em esperanças de ver o Stiles e, com ou sem permissão, protege-lo de Peter, que trabalha no colégio.

***

Da janela Stiles podia avistar Derek como de costume, o olhando fixamente. Mas de certo, o medo que sentiu de inicio não era presente no momento, apenas uma dúvida reformulada por conta dos ataques de animais, denominados por um puma, que o garoto agora sabia que não era por esse animal. O que o deixa mais confuso e em dúvida de que se era Derek ou não o responsável, e mesmo que não fosse, ele saberia de algo.

— Stiles? – Scott estava o chamando por um bom tempo, mas em seu devaneio, o outro não notou.

— Stiles? – Lydia o balança, por fim o fazendo se desligar de seus pensamentos sobre a noite anterior.

— O quê? – Stiles se levanta assustado com aquela interrupção de devaneio.

— Sr. Stilinski, gostaria de vir até o quadro fazer essa representação para a turma?

— Não professora.

— Então se sente e fique quieto.

Como todo ensino médio, eram bastantes professores para as devidas matérias. A última aula seria do professor Peter, se ele estivesse presente, é claro. Stiles se senta e ao olhar pra janela, Derek não estava mais lá, como sempre.

— O que foi Scott? – Sussurra afim de não chamar a atenção da professora novamente.

— Tentou descobrir algo com o seu pai sobre os ataques de animais?

— Não, não descobri algo palpável, são apenas pumas, como disse a polícia.

— Não entendo... Os ataques aconteceram no mesmo lugar e os locais dos ferimentos eram os mesmos. Parece até que é...

— Um padrão... Eu sei. – Stiles completa a frase novamente. – Mas só parecem, obviamente àqueles ataques não seriam de outra coisa que não fosse um animal, como um puma. São apenas pumas.

— Verdade... – Scott se deixa levar pelo o que seu amigo disse. – Já viu o desenho que a Lydia fez? Ela leva jeito mesmo pra desenho... Embora sejam sem sentidos.

— Não vi, cadê? – Stiles se vira discretamente e bastante curioso, já que se tratava de Lydia Martin. – Me deixa ver o seu desenho.

— Não é nada demais, apenas uma planta. – Lydia o pega e entrega na mão de Stiles sem a professora ver.

Ao pegar o papel, rapidamente se lembra de um detalhe de suas pesquisas, era a mesma planta, onde dizia que era letal para lobisomens em uma série de lendas, um acônito que em outras palavras se chama mata-lobos.

— Onde você viu uma dessas? – Stiles perguntou para a garota, que deu de ombros.

— Não me lembro, mas sinto que em algum lugar e ficou em meu subconsciente... Então apenas desenhei.

— Tenta se lembrar, por favor.

— Não lembro, talvez se eu me lembrar, eu te digo. Mas por quê? Precisa dessa planta? – Curiosa questiona com estranheza o interesse do outro.

— Não exatamente, mas apenas me diga se lembrar de algo que tenha a ver com esse desenho. – Stiles se vira e segue pensando em como cada dia Beacon Hills está ficando mais misteriosa.

— Então vocês estão liberados mais cedo hoje, pois o professor Peter não virá à aula e como ele já é o professor substituto, não temos como substituí-lo. – Antes que pudesse dizer mais, os alunos já estavam rapidamente saindo, sem sequer saber o motivo de tal ausência ou alguma explicação do tipo.

Stiles estranhou e obviamente ele ligou uma coisa com a outra, não era estúpido. Derek estava falando com Peter aquele dia, no pensamento dele, seu tio estava por trás desses ataques de animais. Mesmo com algum tipo de medo de se aproximar do outro novamente, ele decide ir atrás de respostas.

Após sair da escola, ele decide ir até a casa de Derek, mesmo com medo do que pudesse encontrar por lá, ele não poderia ficar com essas dúvidas e questões para si. Precisava perguntar, falar e saber de tudo de uma vez por todas.

...

Ao chegar, ele ainda entre a trilha e próximo de uma árvore, checava a casa por fora e o ambiente.

— Mas que merda... – Disse ao sentir o frio na barriga por conta do medo em seu interior de se aproximar daquele local onde o silêncio estava reinando.

Ele se aproxima até a porta de entrada.

— Derek! Aparece, precisamos conversar... Você me deve explicações! – Sem respostas ele percebe que a porta está aberta, decide então entrar.

— O que faz aqui? – Uma voz atrás de si um tanto diferente o faz ficar paralisado, ainda de costas, as batidas de seu coração aceleraram e começaram a bater como de um rato.