Notas iniciais
Bem, esse epílogo é narrado por Lydia na 1ª pessoa. Espero que tire as dúvidas de todos, até porque acredito eu que aqui nesse epílogo está bem explicadinho os fios que deixei solto ao decorrer da fic. Enjoy it! ♥

Desde que sumi de Beacon Hills, descobri muitas coisas sobre mim, um delas é que não sou humana... Sou sobrenatural. Sempre senti coisas estranhas acontecerem a minha volta, mas jamais desconfiaria ou suspeitaria que essas coisas só aconteciam por causa que eu as chamava, como um ima.

Quando era mais nova, lembro-me de que consegui falar com meu avô em seu enterro. Fiquei nervosa e desmaiei, quando acordei me fiz acreditar que tudo não passou de um colapso. Contei para os meus pais, mas ignoraram o fato e apenas confirmaram de que tudo não passou de um surto momentâneo, que era normal acontecer em jovens que sofrem uma grande perda. Hoje entendo de que todos esses fatos, as pessoas falecidas que conseguia ver e fazer contato eram por um motivo... Minha habilidade, minha genética, meu dom.

Uma de minhas descobertas é que eu fui adotada, minha mãe me encontrou na porta de sua casa em uma cesta, fui aceita de imediato. Minha mãe não podia ter filhos e então me recebeu de braços abertos. Minha avó, a de sague, apareceu dias depois na casa onde vivia para requerer minha guarda, mas não conseguiu porque junto comigo na cesta estava uma carta de guarda, assinada e tudo mais pela minha mãe de sangue. Porém com muita insistência, minha mãe adotiva deixou que minha avó me visse sempre que quisesse, então assim fui crescendo sem saber de nada, esconderam de mim que era adotada e que minha avó era realmente minha avó de sangue, ao contrario dos meus pais.

No decorrer dos anos aprendi muita coisa com minha avó, uma das coisas que ela fazia questão que eu soubesse era tecer. Tinha estranhas maneiras, como por exemplo, usar roupa ou algo do tipo de alguém... Questionei muito isso, mas ela dizia que ficava mais artístico e simbólico. Alguns anos depois ela veio a falecer, fiquei muito abalada e por algum instante desejei vê-la como vi meu avô, mas nada aconteceu, o que só confirmou minha ideia de colapso durante o enterro do meu avô.

Anos se passaram e eu cresci, entrei para o ensino médio e jamais deixei de tecer, só que não fazia isso sempre, parei por um curto tempo, mas era só eu ficar nervosa ou triste que estava lá eu tecendo mais uma vez. Na escola eu sempre fui a mais popular e estilosa, claro, mas mesmo com toda a popularidade em minhas costas eu me sentia vazia por dentro, estranha por esses acontecimentos que me deixavam com várias interrogações na cabeça.

Esse ano pra mim foi o pior, quando estava tecendo por breves minutos é como se minha mente apagasse e só voltasse quando eu tivesse terminado de tecer. Os bonecos que fazia começaram a parecer com pessoas a minha volta, e sempre que eu errava e acabava arrebentando a linha, alguma tragédia acontecia e estranhamente com a pessoa que meu boneco se parecia. Ignorei esses fatos como fiz com o que aconteceu no enterro do meu avô, mas confesso que comecei a ficar com medo de mim mesma.

Bastou acontecer com Stiles aquele suposto “ataque de animal” para eu confirmar que os meus bonecos tinham algo haver, não era só coincidência, me questionei, mas não consegui achar respostas, perguntei para Allison se ela não achava estranho, mas ela descordou e me disse que foi apenas coincidência. Dentro de mim eu sabia que não era coincidência, não sabia por onde começar a buscar respostas quando de repente eu finalmente vi o que tanto esperava ver... Minha avó no estacionamento do shopping.

::FLASHBACK ON::

Fiquei em choque quando vi a perfeita imagem de minha avó em minha frente naquele estacionamento, ela estendeu sua mão e me chamou, eu fui. Então uma grande luz me envolveu tão forte que me forçou a fechar meus olhos, quando abri estava em um lugar todo escuro, apenas era visível eu e ela.

– Onde é que estou vovó? Porque estou aqui? Eu morri? –A senhora dá uma risada enquanto a fita.

– Tem umas coisas que você precisa saber sobre si mesma. Está na hora, não há mais o que esconder ou isso poderá ser perigoso para todos em sua volta. –Foi a última coisa que ela me disse antes de eu cair em sono profundo.

Enquanto “dormia” estava sonhando com tudo o que precisava saber, coisas de antes mesmo de eu nascer, descobrindo tudo sobre mim de maneira visível, era tão real, que podia sentir cheiros e toques das imagens em minha cabeça.

Vi uma mulher dar a luz a trigêmeas, com dificuldade, mais tanta dificuldade que acabou falecendo durante o parto. O pai com muito rancor e ódio por perder sua esposa, olhou para os bebês nas respectivas cestas, três lindas meninas, e gritou ordenando que a matassem. Eles estavam vestindo mantos e roupas de que vemos em filmes de mitologia grega, provavelmente um século bem antigo do qual eu não tive a exata estimativa.

Grandes homens, guardas daquele reino onde o pai das três garotas reinava, estavam segurando as cestas com os bebês, caminhando em direção a um rio. Quando chegaram próximo à água, se abaixaram e colocaram as cestas deixando a correnteza leva-las. Não demorou muito uma mulher chorando e gritando corre em direção aos guardas pedindo para que a pegassem de volta, mas já era tarde demais, a correnteza estava levando as cestas com muita pressa. A jovem mulher cai em prantos chorando à beira do rio:

– Minhas netas, como esse homem podre pode fazer isso com elas... Por quê? –As palavras que a mulher dizia enquanto chorava e lamentava a perda de suas netinhas.

Mas quando eu pensei que era o fim do meu “sonho”, na direção em que três cestas foram, um grande clarão surgiu fazendo auroras de três cores no céu.

– Adversis sine misericordia, vita absque amore, Zeus per virtutes reducet me! –A mulher na beira do rio de cabeça baixa repetia a frase varias vezes sem uma pausa se quer.

Logo percebi que ela tinha haver com o que estava acontecendo com o tempo ou com as garotas naquele rio.

O pai das trigêmeas aparece correndo em direção à mulher, ao se aproximar tenta tampar sua boca e impedir que continuasse a falar.

– Como ousas praticar bruxaria em meu reino? Eu ordenei que as matassem, essas abominações mataram a pessoa que mais amei na vida, elas não merecem essa divindade. –O homem estava furioso e não media esforços, ignorando o fato dela ser uma mulher.

– Minha filha jamais deveria ter se casado com você, estava traçado, lhe disse desde o começo quando decidiram se casar. O futuro estava planejado, não se pode mudar, ela ia morrer de uma forma ou outra e você deveria aceitar. Nix jamais iria ser sua para sempre como planejava, agora o destino de sua continuidade era suas filhas, mas você preferiu jogar tudo fora. –A mulher não se deixava ser intimidada.

– Nix era parte do meu destino, esses três monstros fizeram eu perde-la. Não merecem a vida, por isso ordenei que a matassem, não suportaria viver cuidando da causa da morte de minha mulher.

– Desgraçado... Adversis sine misericordia, vita absque amore, Zeus per virtutes reducet me! –Bastou mais uma vez e o clarão na direção onde as cestas foram ficou mais forte e as auroras no céu se juntaram formando uma só cor, um ciano bem forte.

– O que você fez? BRUXA! –A mulher se aproximou do homem e arrancou-lhe um fio de seu cabelo, esticou e puxou de forma que o fez arrebentar.

No mesmo instante em que o fio de cabelo arrebentou em sua mão, o homem caiu no chão. Ela se abaixa e checa se ele está morto, sorrir de canto ao confirmar. Se levanta e caminha em direção ao rio novamente, entra e anda até a água cobrir metade de seu corpo:

– Ut offerrent animam meam, et tres simul progenies. Lustitia est fiet. –Após dizer a mulher no rio sente seu coração parar e cai, afundando seu corpo na água, que é levado pela correnteza logo em seguida.

Minha visão fica difícil quando sou levada junto com a claridade, minha visão estava do alto nesse instante quando vejo a mesma claridade sair de três corpos, de duas dos bebês e da mulher no rio, se juntando junto com a que estava no céu e explodem. Sinto-me enjoada.

Ainda no sonho, minha visão foi ficando melhor quando abri meus olhos e me vi em frente a uma porta, uma visão de baixo. A porta se abre e vejo minha mãe, minha mãe adotiva olhar pra mim, se abaixa logo em seguia e me pega no colo. Nesse instante que pisquei abri meus olhos de verdade, me despertando do sono profundo que estava tendo. Ao abrir meus olhos vi minha vó em minha frente:

– Então quer dizer que...

– Sim, você é uma das três garotas filha de Nix. –A senhora a interrompe.

– Se você é minha avó, então é mãe de Nix, aquela mulher no rio. E onde estão os outros bebês?

– Suas irmãs, você quis dizer suas irmãs... Elas, na verdade ela também está em Beacon Hills, mas... –O tom se reduz expressando um ar de tristeza. –O feitiço conseguiu reencarnar apenas nós três, uma de suas irmãs não conseguiu um corpo.

– Então quer dizer que ela está em Beacon Hills, mas eu nunca a vi antes. E a outra? Sem corpo, como assim?

– Pois é, ela está entre nós, mas apenas em espírito... E por crescer sem um tratamento especial, se tornou um ser maligno. Podendo controlar a mente de quem quiser, inclusive como fez com você enquanto tecia os bonecos, ela lhe fazia arrebentar os fios...

– Como você fez com aquele homem... Eu também posso fazer isso?

– Claro, você é filha de Nix, você e suas irmãs podem tem o poder de determinar o destino de cada um, você é uma moira, Lydia... Sua mãe já até havia dado nome para vocês três. Na sua outra e primeira vida, você se chamava Cloto. Sua irmã que está conosco, Láquesis e infelizmente a que se perdeu na passagem pra essa vida, Átropos.

– Oh meu Deus... Eu sei o que significa esses nomes em grego... Fiar, sortear e afastar. Por isso que Átropos, ou seja lá como se chama agora, em espírito estava controlando minha mente enquanto eu tecia, para cortar os fios da vida. Tudo faz sentido agora, o Stiles, quando teci o boneco do Stiles a linha arrebentou, mas na verdade foi ela. Mas como ele conseguiu voltar à vida?

– Como eu disse, vocês podem controlar o destino de uma pessoa. Da mesma forma que Átropos pode cortar o fio da vida fazendo a pessoa morrer, você que é a que cria e fia, pode recriar, ou seja, ressuscitar a pessoa reemendando o fio. Mas nem sempre funciona, se não for remendado nos lados corretos, você pode trancar a pessoa nesse mundo impedindo que a sua alma siga o caminho que deve seguir.

– O que faremos sobre Átropos agora? Podemos estar em perigo. E Láquesis? É uma má pessoa?

– Durante a passagem de reencarnação, perdi metade de meus poderes. Fingi minha morte na sua infância justamente para cuidar de Átropos, consegui achar uma solução que talvez possa funcionar, nada cem por cento. Mas para tentar eu precisava de você, esperei até agora para na sua adolescência para me revelar. Láquesis não é uma má pessoa, foi criada por uma família ótima, uma senhora que acudiu como sua família junto com outro rapaz chamado Josh Levison. Mas seu fim não foi muito bem e Átropos tem haver com isso...

– Então foi por isso que não consegui lhe ver no enterro, foi exatamente por isso que não teve um funeral. Nunca me falaram da causa de sua morte... Você estava o tempo todo viva. Fico feliz de o que estou vendo não é o seu espírito e sim você em pessoa. E qual é o plano para Átropos?

– Antes preciso lhe contar sobre outras criaturas que existem nesse mundo e vivendo em Beacon Hills, espero que não se espante, mas seu amigo Stiles tem uma grande ligação com um deles... –A Senhora segura na mão da ruiva e a guia para mais adentro na escuridão onde estavam.

Voltei a Beacon Hills depois de saber tudo sobre mim e sobre criaturas que vivem aqui. Fui diretamente na casa de Derek, pois precisava seguir com o plano da vovó contra Átropos. Entreguei o boneco que fiz com sua jaqueta de couro e expliquei pro Stiles e Derek sobre o que sou e posso fazer, mas não falei sobre o plano.

Alguns dias depois, último dia de aula, senti a presença de Átropos no corredor, tentei acha-la, mas fui interrompida por Allison quando estava prestes a vê-la.

Enquanto estava indo embora com Allison na carona em seu carro, acho que vi Láquesis caminhando em direção à trilha para casa de Derek. Pedi que Allison parasse o carro e sem dar explicações esperei ela ir embora dando partida no carro, e a segui pela mata.

::FLASHBACK OFF::

– Vocês não vão conseguir... –Segui espiando Láquesis entre as plantas, ela estava falando com Derek, Stiles e Peter com vários outros lobos. –Não sem minha ajuda...

Eles até confundiram, Stiles se esqueceu da história que contei sobre Láquesis, então perguntou se ela era eu. Mas Derek lhe fez lembrar...

Incrível com se parecem, se não fosse o cabelo escuro, seriam idênticas... Como você se chama? –Stiles caminha e se aproxima da menina.

A morena entre os lobos sorri de canto.

– Láquesis... –Sai da mata me revelando e falando seu nome em voz alta, trazendo sua atenção para mim.

Todos me olham, Stiles um pouco boquiaberto por nos ver perto uma da outra, logo Láquesis caminha até a mim.

– Olha, ai está ela... Bem que a vovó falou que você era caprichada no look, mas essa cor de cabelo, enjoei, prefiro essa cor... –Passa as mãos pelos cabelos escuros e longos. –Estava mesmo precisando de você, acho que a vovó lhe contou o plano.

– Sim, mas escutei você falar que pode ajuda-los, como assim? –Lydia pergunta.

– A vida do Stiles ou até mesmo a do Derek está em perigo, mas com a ajuda de nós três eles podem ganhar essa batalha.

– Nós três? –A ruiva sente sua espinha gelar, pois sabia quem estava incluído nesses “três”.

– Sim, precisamos da Átropos para ajuda-los, só ela tem o poder de tirar a vida de alguém, sem ela somos inútil juntas.

– Mas a vovó disse que ela é perigosa e você viu que ela quase matou meu amigo, e ela também matou o Josh, você não tinha sentimentos por ele?

– Sim, eu sei, não disse que vamos deixar o plano da vovó pra trás, apenas que precisamos dela para ajudar a vida de seu amigo. Afinal é seu amigo, não meu, você escolhe se quer ou não ajuda-los. Depois de conseguirmos o que queremos, capturamos Átropos conforme o plano.

– E como vamos fazer ela nos ajudar?

– Simples, invocando-a e conversando.

– Eu duvido que ela vá aceitar... Pelo o que a vovó disse, ela é maligna.

– Pode ser, mas se não topar na mesma hora poderemos dar cabo dela, com o plano da vovó. Afinal, ela estará presa numa armadilha para espíritos, pra isso precisamos estar juntas.

– Tudo bem, e quanto tempo temos? –Derek aponta para a porta marcada amostrando para a ruiva que não tinha tanto tempo a perder. –Então vamos começar...

Derek e Peter se entreolham, sabiam que estava por vir uma grande batalha e dessa vez Deucalion não iria deixar barato. A vida deles estava dependendo das três irmãs e se algo desse errado, não sabia se poderiam sair dessa.

– Eu te amo... –Derek diz para Stiles e o beija, aquilo foi estranho de ver, eu nunca imaginei o Stiles beijando outro homem, mas fiquei aliviada dele ter esquecido o que sentia por mim.

– Então vamos começar o feitiço de invocação, precisamos dela aqui o mais rápido possível. –A morena diz em voz alta, fazendo todos se movimentar para ajudar no que precisasse.

Uma batalha está por vir e eu vou fazer de tudo para ajudar, pois é a vida de meus amigos em jogo, não só Stiles, mas como os outros, eu não sabia do que esses lobos eram capazes, pelo o que a vovó me contou com certeza eram espécie forte e poderosa. Aqui estou eu, e só espero que tudo dê certo...

Notas finais
Enfim o fim... Deixe-me saber o que acharam em geral. Please. ^^ E quero agradecer à todos os leitores que acompanharam e comentaram até o fim. Obrigado mesmo vocês fizeram parte dessa fic fazendo isso. Estou trabalhando numa possível continuação, nada confirmado, se tudo der certo, postarei. Até lá, fiquem bem... õ/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!