Imprinting
30 Metáforas
Notas iniciais
Voltando com o POV da Nessie...
Boa leitura!
Renesmee Cullen's POV
O encanto de ter os braços de Jacob à minha volta era inexplicável. O calor que vinha da sua pele penetrou sobre a minha de um modo tão ardente que fez meus pelos do braços se eriçarem e meu coração quase sair pela boca.
Ele está aqui. Ele está aqui – repeti em pensamento para tentar me convencer.
Enquanto ele me beijava, todas as sensações do meu corpo mudaram. Seus lábios macios e quentes em brasa reativaram meus sentidos como seu eu estivesse adormecida há anos, como o efeito de um beijo de amor dos príncipes dos contos de fadas. Mas era isso que ele era para mim – o meu príncipe, mas ao invés deencantado, era muito real.
Deixei seus lábios com relutância e encostei minha testa na sua, ambas nossas respirações ofegantes.
Lembrei-me de um soneto de William Shakespeare que eu gostava muito, e que me pareceu encaixar-se perfeitamente ao momento.
- E nesse momento de saudade... – comecei a recitar em voz baixa – quando penso em você, e quando tudo está machucando meu coração e acho que não tenho mais forças para continuar...
- Eis que surge tua doce presença – ele continuou, pronunciando cada palavra com uma entonação perfeita -, com o esplendor de um anjo, e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante... Tudo isso acontece porque amo e penso em você.
Eu o fitei, perplexa. Ele me pegou de surpresa ao recitar tão bem o soneto, como se estivesse habituado à lê-lo. Não pude conter as lágrimas em meus olhos, uma emoção intensa invadindo-me por dentro.
- Desde... desde quando você gosta dos sonetos de Shakespeare? – perguntei.
- Desde quando eles começaram a fazer sentido para mim.
O rosto dele iluminava-se em um sorriso instantâneo, dando vida e calor à todas as terminações do meu corpo. Não havia mais em mim registro nenhum de frio, de vazio, nem de solidão. Meu sol apareceu para mim em uma hora que eu não esperava, o que tornou o momento ainda mais mágico.
- Essas foram as semanas mais longas da minha vida – eu disse.
- Mais longas – ele segurou meu rosto com uma das mãos, acariciando minha bochecha com o polegar -, mais infelizes e mais tortuosas... Eu não posso viver sem você.
Ficamos em silêncio por um tempo, e então dúvidas começaram a vir à tona. Ele tinha ficado em Forks porque não podia abandonar Billy e o comando da matilha. O que havia acontecido?
- Jacob, e Billy? Aconteceu alguma coisa com ele?
- Ele está se recuperando – ele sorriu.
- Ah, que bom! – suspirei – E a matilha? Você não devia estar lá e...
- Não. Eu devo estar com você. Somente com você.
Ele beijou-me no rosto, o calor fazendo minhas faces corarem.
- Venha. Tem uma surpresa lá em baixo – puxou-me pela cintura e me pôs de pé.
- O que é?
Jacob sorriu e me apertou mais forte enquanto me conduzia para fora do quarto.
Arquejei quando vi tia Alice no pé da escada, os braços estendidos para mim. Tia Rose e tio Emmet estavam mais afastados, conversando com Andressa.
- Tia Alice! – corri e me atirei nos braços dela.
- Ah, Nessie! – disse ela – Que saudades de você!
- Senti tanto a sua falta! – eu disse.
Ela apertou minhas bochechas e sorriu.
- Parece que faz um século que não a vejo. Está tão linda!
Eu observei suas roupas. Ela estava com um short acima dos joelhos de cintura alta, com uma camiseta de alças finas e um chapéu de praia de abas largas.
- E você caprichou no look de verão! – brinquei.
Ela deu uma volta, presunçosa.
- Não vou tomar sol, mas pelo menos posso me vestir à caráter, não é?
Eu assenti.
- Como está tio Jasper? — perguntei.
- Ah, ele está bem. Mandou lhe dizer que está com saudades.
- Nessie! – tia Rose veio até mim e me abraçou – Que saudades!
- Oi, tia Rose!
- Como você está?
- Agora estou ótima!
- Oi, baixinha! – tio Emmet me deu um abraço de urso, quase quebrando minhas costelas.
- Ai – murmurei.
- Desculpe – ele riu e me pôs no chão.
- Senti sua falta, tio Emmet!
Durante a manhã inteira, conversamos sobre o que havíamos feito no último mês. Minha mãe preocupou-se em fazer perguntas sobre Charlie, que estava ansioso por nossa volta – ela ligava para ele quase todos os dias, sempre dizendo que estávamos todos bem.
Não me afastei um centímetro de Jacob, ele sempre me fazendo carinhos – beijando meus cabelos, abraçando-me pela cintura, afagando meu rosto...
Estava tudo muito bom. Bom até demais para ser verdade.
No final da tarde, Jacob e eu estávamos sentados na varanda, admirando o pôr do sol. De repente um tremor percorreu meu corpo. Senti algo estranho e repentino, como um mau pressentimento. Percebi que havia esquecido completamente de perguntar por quanto tempo Jacob ficaria. Eu tinha a sensação de que seria por pouco, muito pouco.
Jacob sentiu que enrijeci ao seu lado e me observou, franzindo o cenho.
- Você está bem? – perguntou.
Eu me encolhi, abraçando os joelhos.
- Você... você vai embora – eu disse, reprimindo um soluço.
- Não vou. Não agora – ele passou o braço em volta de mim.
- Mas uma hora vai ter de ir, não é?
- Bem... – ele hesitou. – Sim.
- Estava perfeito demais para ser verdade – fechei os olhos e uma lágrima percorreu por minha face.
- Não, Nessie... – ele encostou o queixo no alto da minha cabeça – Não chore. Vamos pensar só no presente, está bem?
- Eu não vou suportar. Nunca vou me acostumar a ficar longe de você.
- Nem eu, meu amor. – ele suspirou – Mas ainda está perfeito. Veja.
Eu abri os olhos e olhei para o horizonte. O céu estava em uma mistura de tons quentes, entre o vermelho e o laranja, e contornava a silhueta do sol, que iluminava as ondas do mar em movimento. Era realmente uma linda vista.
- É tão lindo! – falei – E tão injusto.
- Injusto?
Eu fitei os tons de cores novamente, que variavam à medida que o sol tendia a desaparecer.
- O sol. — eu disse — O sol nunca devia se pôr. É ruim ficar sem ele.
Agora o céu estava mais escuro, entrando para o tom negro da noite.
- Assim como é ruim ficar sem você. – continuei – Jacob, quando você está aqui, tudo se ilumina. Mas quando não está, eu fico assim, como este céu: vazio, turvo... sem vida.
Jacob ficou em silêncio por um momento, depois com as pontas dos dedos puxou meu queixo para olhar em meus olhos. Pude ver meu rosto espelhado em sua íris.
- O sol não desaparece por completo – sua voz rouca estava calma como um sussurro, o que provocou em mim um conforto repentino. – Mesmo que você não o veja no céu à noite, ele está do outro lado do mundo, esperando que a Terra dê mais uma volta. Agora veja a lua, Nessie – ele virou o rosto para o céu, e eu fiz o mesmo. A lua estava em um quarto crescente, rodeada por estrelas nítidas, já que na ilha não haviam postes de iluminação para corromper as luzes. – Ela não tem luz própria. E mesmo escondido do outro lado, o sol a ilumina.
Eu não falei nada. Não encontrei palavras que debatessem o assunto. Era uma simples metáfora, mas completamente condizente com o que eu havia dito. Tornou-se ainda mais verdadeira à medida que ele pronunciava as palavras com uma certeza vívida.
- Mesmo que você não me veja – ele tirou uma mecha de cabelos do meu rosto -, eu estarei em algum lugar perto o suficiente para que você possa me sentir. Assim como sentimos a presença do sol na luz da lua.
O medo, a dúvida, o pressentimento não eram mais nada quando ouvi aquelas palavras. Era surpreendente como Jacob me dava forças e me reconstituía antes mesmo que caísse aos pedaços.
Notas finais
Beijooooss!!! :)
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