Imprinting
24 Impaciência
Renesmee Cullen's POV
Meu pai passou o braço em volta da mamãe e observou-nos por algum tempo.
Agora eu estava com o queixo sobre o alto da cabeça de Jacob, meus dedos acariciando seus cabelos negros.
- Iremos no domingo. – disse papai depois de um longo suspiro.
Não houve som nenhum nos segundos seguintes. Nenhuma palavra, nenhuma expressão.
O resto do dia foi tenso o bastante para me deixar cabisbaixa. Eu já sabia que partiríamos em uma semana, mas ouvir o dia certo foi um impacto quase tão forte quanto receber a notícia. Parecia que a ficha havia caído agora.
Jacob foi para casa ao anoitecer, mas se não fosse por Billy, não teria saído de perto de mim até o domingo.
Os próximos dias seguiram a mesma rotina.
Jacob chegava cedo, ficava comigo a cada minuto, tentando disfarçar a tristeza. Mas ele não me enganava com suas máscaras de que “tudo ficaria bem”.
Tudo ficaria bem, fisicamente.
Ele ia embora todas as noites, sem me contar nada sobre o estado de Billy. Seu rosto agora estava mais que tristonho, ele parecia extremamente cansado.
Na quarta-feira, acordei mais cedo. Esperei a hora habitual de Jacob chegar, mas ele não apareceu. Pendurei-me no celular e liguei várias vezes, mas ninguém atendia até cair na caixa postal.
Fiquei olhando o relógio, impaciente, o ponteiro dos minutos demorando-se enquanto rastejava pelos números.
Mamãe chegou na sala e percebeu meus braços cruzados e meu pé direito batendo no chão num ritmo constante.
- Quer que eu leve você? – perguntou.
Eu reagi rapidamente, confirmando com a cabeça.
Ela permaneceu calada enquanto me levava de carro à La Push, apenas seus olhos profundos me sondando. Não eram preciso palavras para que ela soubesse o que eu sentia.
Me deixou em frente à casa dele e beijou-me na testa, depois esperou que eu entrasse antes de sair.
A porta da casinha vermelha estava aberta. Eu entrei devagar, em passos curtos ao atravessar a porta.
Seth estava com Andressa no sofá assistindo televisão, ambos se empanturrando com um pacote de Doritos, e outros pacotes vazios empilhados ao lado de Andressa. Na mesinha de centro, uma garrafa de Coca Cola vazia pela metade.
- Oi, Nessie! – Seth sorriu ao me ver. Andressa acenou com a cabeça.
- Oi. – respondi.
- Você quer? – Andressa estendeu o Doritos em minha direção.
- Não, obrigada. Onde está Jacob?
- Ele foi correr hoje cedo.
Eu assenti e girei para a porta.
- Ei, Nessie! – Seth me seguiu – Você não vai sair por aí sozinha, não é?
- Só vou esperar por ele aqui fora.
- Ah, tudo bem – ele hesitou e voltou para o lado de Andressa, me observando sair.
Andei até a frente da garagem dos Black e sentei no chão, encostando-me na parede da entrada.
Jacob devia estar tentando esfriar a cabeça ao correr. Era uma terapia ocupacional para ele. Eu deveria dá-lo um tempo.
Mas mesmo assim eu queria que ele voltasse logo. Queria desfrutar mais do nosso tempo. E também precisava confortá-lo, ele estava sofrendo por mim e por Billy. Sua cabeça estava cheia de preocupações.
Levantei-me rapidamente. Ficar esperando o tempo todo sugou toda a minha paciência.
Cobri a cabeça com o capuz do casaco e saí para a chuva. Seth não iria perceber minha fuga.
Comecei a correr pela floresta, torcendo para que Jacob estivesse por perto.
Das folhas das árvores caíam volumosos pingos de chuva em minha cabeça, enquanto eu aumentava a velocidade para o interior do bosque. Ele não podia ter ido muito longe. Não tão longe de mim.
A impaciência expandiu-se para um nervosismo súbito. Meu coração começou a bater com força em meu peito. Fiquei ansiosa demais, ofegante, pensando em onde ele estaria.
Era um medo idiota. Para onde ele iria? Ele costumava correr quando algo o perturbava, para aliviar a tensão.
Talvez a razão do temor fosse o meu desejo intenso de aproveitar meus minutos precisamente.
Parei a corrida e apoiei-me com uma mão em uma árvore úmida, a chuva agora diminuiando para apenas um chuvisco.
Respirei fundo várias vezes, tentando recuperar o fôlego. Então alguma coisa sacudiu um arbusto atrás de mim.
Girei nos calcanhares, correndo os olhos para o arbusto e para todos os lados.
- Jacob? – arquejei.
As folhas mexeram-se outra vez, seguida de um rosnar pesado.
Dei dois passos para trás, e choquei-me de costas contra outra árvore. Fiquei imóvel, minha respiração irregulando-se estranhamente.
Vi a enorme figura parecer diante de mim, atravessando lentamente pelas folhas encharcadas.
Um lobo negro.
- Ah, Sam! – suspirei.
Sam rosnou, assentindo, depois me observou por algum momento.
- Por favor, eu quero falar com Jacob – eu disse. – Pode avisá-lo?
Ele olhou para a direita, fitando os troncos das árvores. Provavelmente Jacob já teria escutado seus pensamentos. Ele viria logo.
Escorreguei junto á arvore e sentei sobre uma raiz grossa estufada sobre o solo, me sentindo exausta pela corrida.
Sam ficou me vigiando. Seus olhos escuros pareciam reprovar minha presença ali, mas eu não me importei e esperei.
Ele baixou a guarda e apoiou o corpo para trás, dobrando as patas traseiras. Manteve a postura ereta, o focinho apontando para frente e os olhos correndo ao redor de nós, e voltando para mim.
Longos minutos – pelo menos para mim foram longos – se passaram.
Cruzei os braços em volta dos joelhos e comecei novamente bater o pé no chão, totalmente inquieta.
Aquele cenário verde à minha volta me fez lembrar do pesadelo que tive. O que eu esperava por Jacob e ele era arrastado para longe de mim, enquanto eu ficava presa inutilmente no chão.
Meu corpo todo estremeceu.
Sacudi a cabeça e afastei o pensamento. Afinal, o pesadelo já estava acontecendo, sem que fosse preciso eu estar em floresta nenhuma.
Sam parou de me observar e levantou-se, olhando para frente.
Ouvi uma corrida violenta e rápida vinda da direção que ele olhava, e coloquei-me de pé num salto.
Antes que eu desse um passo, reconheci o pelo marrom avermelhado de Jacob diante de mim. Ele me fitou com uma expressão de surpresa, depois cerrou os olhos e olhou para Sam, que correu para longe de nós. Sua expressão parecia não acreditar que eu estava ali.
Eu me aproximei e abracei seu pescoço quente e macio, sentindo-me aliviada por encontrá-lo. Ele fechou os olhos e inclinou a cabeça para mim, e eu afaguei sua cabeça no espaço entre as orelhas.
Olhei-o nos olhos e ele empurrou o focinho contra minha barriga, grunhindo baixinho.
Eu sabia o que queria dizer.
Subi nas suas costas e entrelacei com força meus dedos em seu pelo, enquanto ele começava a correr.
Notas finais
Comentem!!
Beijos! :)
Fale com o autor