Notas iniciais
Queridos leitores,
Para que que alguns fatos fiquem claros, o ponto de vista (POV) deste capítulo é de Bella Cullen.
Voltamos com o POV de Renesmee no próximo capítulo!
Boa leitura e não esqueçam de comentar! :)

Bella Cullen’s POV

Após a festa de boas vindas de minha sobrinha, a filha adotiva de Rosalie e a mais nova Cullen, voltamos ao nosso chalé.

Coloquei Renesmee para dormir e deitei na cama do meu quarto e de Edward, pensativa.

Ele havia percebido o meu jeito, tanto que não parou de perguntar qual era o problema durante a festa toda. Mas eu queria conversar com ele a sós, e não seria justo quebrar o clima de festa de Rosalie.

Eu estava pensando em Jane o dia todo.

Já não bastava o fato de seu ódio compulsivo sobre mim, ela queria destruir uma das coisas mais importantes da minha vida. É claro que ela sabia dos meus pontos fracos, sabia que matar minha filha seria pior do que simplesmente me dilacerar em pedaços.

Eu tinha plena consciência de que ela não descansaria enquanto não tirasse Renesmee de mim, embora os demais Volturi estivessem convencidos – pelo menos assim eu esperava – que ela não era perigosa, nem colocaria nosso segredo em risco.

Além disso, nós não podíamos ficar de braços cruzados, esperando um novo ataque, se é que o último havia terminado, apenas confiando nas visões de Alice. Todos sabíamos que o futuro poderia mudar, conforme as decisões fossem tomadas.

Precisávamos fazer alguma coisa, tomar uma atitude. Eu não aguentaria pensar mais uma vez na hipótese que minha filha pudesse morrer.

- Bella? – Edward entrou no quarto, sentando-se ao meu lado.

Eu sentei também, e esperei que ele começasse a perguntar outra vez.

- Tudo bem, — disse ele – agora conte-me.

Pensei por alguns segundos em por onde começar.

- Edward, estou me sentindo inútil.

- O quê? – suas sobrancelhas uniram-se – Por quê?

Eu suspirei.

- Por mais que estejamos atentos às ações de Jane, nós só atacamos quando ela ataca, ou seja, nos defendemos e pronto. O jogo dela é nos pegar desprevenidos. A matilha está em alerta, mas não é o bastante. E se as visões de Alice falharem? Precisamos fazer alguma coisa.

Edward me analisou, a expressão séria, depois aproximou-se de mim, brincando com meus dedos.

- Você está certa. Precisamos agir.

Ele rolou para o lado e deitou-se, me puxando para cima de seu peito.

- No que está pensando? – perguntou.

Eu respirei fundo, fechei os olhos e os abri devagar, e sua expressão calma me tranquilizou.

- A ideia não é das melhores, mas acho que pode ajudar. – eu disse.

- Diga.

- Eu estive pensando em... sair de Forks – ele ouvia atentamente, os olhos serenos – Pelo menos Jane não nos encontrará tão fácil.

- A ideia é boa, Bella. E para onde iríamos?

- O Rio de Janeiro é uma boa opção. Podemos ficar na Ilha de Esme. É um bom lugar para mantermos Renesmee segura.

- Sim, certamente – ele sorriu de repente. – E minhas lembranças de lá são as melhores.

Edward beijou meu pescoço, e eu afaguei seus cabelos, olhando-o nos olhos.

- Não podemos ir só os três – agora ele ficava sério novamente. – Um lobo seria um bom segurança, e um apoio para nós.

Pensei automaticamente em Jacob, mas hesitei quando lembrei da breve conversa que tive com ele após a festa, enquanto Renesmee estava distraída com Seth e Andressa.

- Jacob não pode. Billy está doente e... ele não pode abandonar a alcateia. Você sabe, tem suas responsabilidades de alfa.

Um silêncio prolongado infiltrou-se no quarto.

- Renesmee – Edward franziu o cenho, enrijecendo abaixo de mim.

Subitamente, a imagem da reação de Renesmee ao saber que ficaria longe de Jacob martelou com força em minha cabeça. Separá-los seria um crime. Eu lhe causaria dor... Mas crime maior seria deixá-la aqui, exposta e vulnerável aos ataques crueis de Jane. O último quase a matou.

Emergida em pensamentos confusos, me senti entre duas opções dolorosas que eu jamais teria pensado em colocar minha filha. Ambas as alternativas lhe fariam sofrer, mas uma seria mais convincente, menos perigosa, ao considerar que ela ficaria viva.

Porém, de qualquer maneira ela sofreria, mas o que mais eu poderia fazer se eu...

- Bella? – a voz de Edward tirou-me de meus devaneios, e ele tocou delicadamente meu rosto.

- Jacob vai me matar. – eu disse.

- Não vai. É para a segurança dela, ele vai entender.

Ficamos em silêncio, tentando aceitar a decisão tomada e a dor necessária que faríamos a Renesmee.

- Levamos Seth, então? – conjeturei.

- Sim, Seth seria um bom guardião.

Abaixei a cabeça e fechei os olhos, pensando em como daríamos a notícia à nossa Renesmee.

- Bella, meu amor – Edward ergueu meu rosto entre as mãos. – Não se sinta culpada. É necessário fazermos isso. Vai ficar tudo bem.

- Acha que ela vai me perdoar? – minha voz estava cortada.

- Claro que sim. Você sabe que ela é convicta, compreensiva, seus pensamentos são puros. Ela vai sofrer, mas vai entender. E nós vamos estar lá, a apoiando e nunca a deixando desamparada.

- Nunca – assenti.

Ele deu um leve sorriso, começou a afagar meus cabelos e puxou minha cabeça para seu peito. Encostei meu rosto de lado e o abracei com força.

Minutos depois, a porta se abriu e Renesmee entrou no quarto com o rosto assustados, os olhos cheios de lágrimas.

- Nessie? – sentei-me na cama, e Edward apoiou-se nos cotovelos. – O que foi, meu anjo?

Ela não disse nada e pulou na cama, no meio de nós. Eu a cobri até o pescoço e ela fitava o teto, os olhos inquietos.

- Foi só um sonho, amor – Edward afagou seu rosto, tranquilizando-a. – Durma.

Eu acariciei seus cabelos, tentando acalmá-la, e beijei sua bochecha rosada.

- Está tudo bem, Nessie – eu disse.

Peguei sua mão esquerda e ela apertou com força, depois ela pegou a mão de Edward com a direita e uniu as quatro junto ao peito, fechando os olhos.

Esperamos que ela adormecesse, a expressão ficando tranquila à medida que sua respiração diminuía o ritmo, e as mãos relaxavam lentamente, cedendo ao sono.

Eu não ousei em soltá-la, e Edward também segurou com mais firmeza.

Olhei para ele e sua expressão era serena, porém seus olhos estavam preocupados, provavelmente por ver o pesadelos de Nessie em sua cabeça.

Beijei-a novamente na testa, e agora seu rosto estava calmo, certamente seus sonhos agora eram bons. Pelo menos ela sentia-se segura ali conosco, as mãos quentes entre as nossas e o coração acalmando-se com nosso toque.

Deitei-me bem perto dela e esperei o amanhecer, ansiosa.