Notas iniciais
Olha quem voltou minhas crianças? E agora com a introdução de novas personagens a história. Eu meio que criei duas personagens porque estava achando essa fic meio paradona demais. Sinto muito se minhas novas ideias não agradarem vocês, mas é que eu tinha perdido o rumo da história depois de resolver estendê-la além do fantasia e agora, essa reviravolta já me permite encaminhar a história para um futuro desfecho com sentido.

Sem mais delongas, Boa Leitura...!!

Cap. VIII – Blair Wood

Laxus saltou do trem e se viu em uma pequena estação, na verdade, nem poderia chamar aquilo de estação, era apenas uma área coberta, com bancos e um guichê da companhia ferroviária. Olhando em volta se deu conta de que estava em uma cidadezinha minúscula no interior do reino.

Ao seu redor, viu pelas roupas que provavelmente se tratava de uma comunidade agrária. Caminhou em direção à saída e viu uma placa indicando que estava na cidade Heart Kreuz, o loiro pensou um pouco, já tinha ouvido falar nesse nome. Caminhou pela cidade chamando atenção dos locais, afinal, um homem de dois metros, loiro, com um casaco com plumagens jogado nos ombros chama atenção.

Seguiu pelo que parecia ser a rua principal da cidade e chegou até uma fonte de pedra simples que jorrava água. Parou por ali olhando ao redor tentando se situar. Sentou-se a beirada e viu um prédio bem de frente a fonte, estava bem velho, com a tintura gasta e madeiras selando a entrada e janelas. Destoava das demais construções, era muito imponente. Forçando um pouco a visão conseguiu ver algo escrito na faixada.

Heart Kreuz, foi então que a ficha caiu. Obviamente que já havia ouvido falar da cidade, ela era a sede de uma guilda antigamente. Ainda era bem novo quando a mesma fechou, mas lembrava do avô conversando com a mulher que deveria ser então a mestra. Se não estava enganado, antes de fechar, Heart Kreuz era uma guilda que estava deixando de ser uma agremiação de médio porte para se tornar uma das mais fortes e influentes de Fiore.

A cidade aparentemente sobreviveu ao fechamento, mas caiu no esquecimento. O que o deixava confuso era o que raios Cana estava fazendo ali. Respirou fundo tentando encontrar o faro dela e não foi muito difícil achá-lo, o cheiro da morena destoava do lugar onde estavam.

Levantou-se e foi seguindo pela avenida larga afastando-se do centro um pouco. Saiu efetivamente da cidade entrando em uma estradinha de terra, dois minutos de caminhada e se viu diante de um cemitério simples. Cercado por muros baixos e com um portão de ferro. Entrou e antes que pudesse se preocupar mais avistou Cana uns vinte metros a frente.

Ela estava vestida diferente, usava um vestido preto simples e tinha os cabelos presos para cima num nó. Trazia nos braços um buquê de flores do campo e o colocou sobre uma lápide, da distância que estava não conseguiu enxergar o nome, mas imaginou que só podia ser a mãe dela. Escorou-se numa árvore e cruzou os braços sobre o peito. Sua audição privilegiada permitia que ouvisse o que ela estava falando ali.

Ela ficou algum tempo em silêncio, suspirou e de repente começou a falar baixinho.

- Olá, mamãe... Já faz algum tempo, não é? Primeiro foram aqueles sete anos vazios e agora parece que sempre há tanto o que fazer lá na guilda. Eu queria ter vindo antes, mas ainda estava meio constrangida, sabe... Eu não me tornei uma garota do qual você teria orgulho, estou trabalhando nisso, só que é tão difícil se desfazer de velhos hábitos. Crescer sem você foi tão complicado, se eu tivesse falado antes... O Gildarts recebeu a notícia melhor do que eu imaginei, te contei isso da última vez que vim, o velho parece que incorporou o papel de pai urso...

Ela abraçou o próprio corpo e suspirou.

- Eu fico pensando que explicações darei a um amigo meu... – ele tinha certeza de que ela sorriu nesse momento – Meio que fugi largando ele inconsciente num trem, sei que não é certo, mas caramba o que podia fazer? Só que talvez ele simplesmente ignore isso e só fique com um pouco de raiva durante um tempo...

O Dreyar sorriu, realmente gostaria de passar um tempo dando um gelo nela, mas infelizmente estava fora de seu alcance. Ajeitou a mochila sobre o ombro direito e resolveu sair, era um momento particular dela que não queria mais invadir, já tinha a constatação de que ela estava bem e isso era o mais importante.

Aquela cena só comprovava o que ele vinha achando já a algum tempo, Cana Alberona precisava de cuidados, apesar de negar isso a qualquer custo.

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Estava voltando para a cidade quando vindo do rumo oposto caminhava uma mulher de cabelo azul, uma senhora já, Laxus seria capaz de dizer que tinha mais ou menos a idade de Polyusca. Tinha o rosto levemente encoberto pelo capuz da capa que usava tendo a trança de cabelo azul caída de lado. Carregava consigo uma cesta com frutas que caiu fazendo com que as mesmas rolassem até perto de seus pés.

A mulher parou, baixou o capuz e piscou os olhos vermelhos.

- Mak? – ela perguntou ainda parada –

- Hum... – o loiro olhou para os lados – Está falando comigo?

A mulher soltou um riso tranquilo antes de começar a recolher suas frutas.

- Desculpe, Laxus-kun, por um minuto achei que fosse o Makarov.

O Dreyar arqueou as sobrancelhas, okay, aquela pessoa lhe conhecia?

- Poderia me ajudar a recolher essas frutas, estou com um pouco de pressa...

O loiro pegou algumas e logo a cesta já estava completa.

- Obrigada, Laxus-kun... – ela o olhou – Nossa, como é parecido com o Mak na juventude, nem parece filho do Ivan.

- Er... Me desculpe, mas nos conhecemos?

- Sim, mas eu acho que não deve se lembrar de mim, sou uma velha amiga do Mak, Blair Wood, também conhecida como antiga mestra da Heart Kreuz. Céus, quando eu imaginaria que viveria o suficiente para vê-lo tão grande... Posso?

A mulher pedia permissão para se aproximar e sem entender muito bem, o loiro assentiu com a cabeça. Blair era uma mulher alta e esguia, deveria ter pelo menos um metro e setenta e com a mão mostrando a marca dos anos tocou levemente o rosto do Dreyar e sorriu.

- A marca de raio, então era você que minhas cartas viram... Cana-chan já está na cidade?

- Eu não... Está...

- Desculpe se estou deixando-o confuso, é pedir demais para uma velha cartomante que vive no fundo da floresta ter alguma noção de tempo. Por que não me acompanha até minha casa e eu lhe dou algumas explicações? Não se preocupe criança, eu realmente não passo de uma velha maga aposentada que quer algumas informações.

Sem entender muito bem o motivo de ir com ela, Laxus seguiu a velha senhora saindo da trilha que levava a cidade. Não foram mais do que quarenta minutos de caminhada até que chegaram a uma casa de pedra no meio da mata fechada. Na varanda havia uma mesa feita de madeira trabalhada com três cadeiras que ela indicou para que o rapaz se sentasse.

Não sabia muito bem explicar, mas ela emanava muita paz e era muito receptiva ao contrário de Polyusca, na verdade, o Dreyar conseguia encontrar muita semelhança na fisionomia das duas mulheres. Alguns minutos depois Blair voltou sem a capa mostrando um vestido longo preto de mangas longas e trazia nas mãos uma bandeja com um bule de chá e algumas coisas de comer.

Sentou-se e serviu ambos com uma expressão serena na face.

- Primeiro vou explicar-me: Desculpe a confusão na estrada, às vezes passo tanto tempo aqui sozinha que perco a noção do tempo. Quando Mak tinha os cabelos tão louros nós tínhamos vinte e poucos anos... Oh kami... Já faz muito tempo... Sem dizer que nem no auge de sua vida seu avô foi tão alto e robusto...

- Er, não tem problema, Blair-san.

- Pode chamar-me apenas de Blair, continuando, eu vi em minhas cartas o homem com a marca de raio há muitos anos, só nunca imaginei que fosse o filho de Ivan... Coma querido, é uma receita bem antiga, seu avô e Goldmine gostavam muito, diga-se de passagem.

Laxus mordeu o bolinho com pontinhos vermelhos e gostou muito do gosto. O chá era de frutas vermelhas, de sabor muito suave, tinha a impressão de já ter provado alguma coisa assim em algum lugar.

- Você falou algo sobre a Cana, a conhece também?

- Sim, como não conheceria a menina ajudei minha pequena Conny trazer ao mundo? Filha de Gildarts Clive, a portadora por direito da magia das cartas? Minha pequena e confusa Cana, não estive perto sempre, mas com certeza sempre olhei por seu futuro.

- É avó dela? – o loiro arregalou os olhos –

- Não, querido, eu criei Cornellia, mas não sou sua mãe. Ambas são descendentes de uma antiga família do continente, ciganos, conheci Conny alguns anos depois de sair da Fairy Tail, quando seu pai não tinha mais dos quatro anos.

Definitivamente aquela mulher emanava uma aura mágica assustadora, meio parecido com o que o avô emanava quando liberava seu poder, só que em Blair era um fluxo natural, uma espécie de troca entre ela e a natureza ao redor.

- Me responda uma coisa, quantos anos têm...? Sinceramente contagem de tempo não é comigo.

- Bem... Oficialmente 33 anos, mas por causa de Tenroujima 26.

- Oh sim... Então Cana-chan deve ter 28 anos, devido aos anos vazios 21... Ela finalmente contou a Gildarts-kun, não é mesmo?

- Sim, contou em Tenroujima antes do ataque de Acnologia.

- Eu vi mesmo algo assim... Mak deveria ter me ouvido e mudado a data desta prova. Eu vi no tarô que a morte estava próxima para jovens, entretanto, só entendi depois que a alta sacerdotisa junto com a carta arlequim significavam a proteção da primeira mestra, no final, nunca estiveram em perigo.

- E como está Gildarts? Eu me lembro como se fosse ontem do menino tolo e cheio de sonhos que veio a minha guilda junto com Ivan trazer um recado do Mak.

- Meu pai e o velhote? Pensei que se odiavam... – Laxus riu sentindo-se tranquilo –

- Ivan e Gildarts já foram grandes amigos, querido... Os anos é que foram afastando seu pai por ciúmes, fome de poder e Cornellia...

- Nani?

- Seu pai apaixonou-se por Conny quando todos ainda eram muito jovens, mas ela não retribuiu... Ivan tentou de tudo para conquista-la e quando depois de muitas vassouradas ela se apaixonou por Gildarts, seu pai não lidou com isso bem e se afundou naquele mar de maldade em que já estava. Sillvana fugiu com ele e apareceu aqui dois anos depois com um bebê na barriga e com medo de ser achada.

- Sillvana? Quem é essa?

- Oras, sua mãe, Laxus-kun. Sillvana Goldstein, a melhor amiga de Cornellia.

- Minha mãe chamava-se Sillvana, você a conheceu?

De repente o Dreyar quase pulou da cadeira e a mulher sorriu complacente.

- Nunca te contaram, não é?

- Eu nunca soube quem foi minha mãe.

- Pois bem, agora sabe, sua mãe era uma maga da Heart Kreuz, uma grande maga por sinal, pena se apaixonou pelo homem errado. Ela nunca contou o que viveu ou o que fez enquanto esteve com Ivan, mas um dia apareceu na guilda numa tarde de tempestade pedindo ajuda, ela temia os planos de seu pai sobre você.

- O velhote disse que um dia uma mulher apareceu na guilda e disse que eu era filho do filho dele e me entregou para ser criado ali.

- Você nasceu aqui em Heart, eu e Conny fizemos seu parto e infelizmente Sillvana não sobreviveu, mas antes de morrer pediu para que fosse criado longe do Ivan, eu não sei o que houve entre eles, mas eu nunca vi criatura tão assustada.

- E como eu fui parar na Fairy tail…?

- Conny decidiu te criar como filho dela e por dois anos foi assim, até Gildarts aparecer sem avisar para visitá-la e descobrir de você. Os dois tiveram uma briga feia e terminaram decidindo que Mak merecia te conhecer e então te levaram para guilda, seu avô não aceitou que você fosse trazido de volta e Conny nunca contou quem foi sua mãe. Eu suspeito que nem mesmo Ivan saiba, ele só te registrou porque Mak exigiu...

- Mas por quê?

- Sillvana contou algo para Conny em segredo e ela decidiu que seria melhor assim. Gildarts deve saber e concordou em manter o anonimato perante Ivan. Poucos meses depois os dois casaram, menos de três anos depois Cornellia foi embora por não suportar mais alienação do Gildarts-kun e o resto é história...

- Nossa... Que história... – Laxus olhava para o forro da mesa –

- Não se engane, criança, sua impressão draconica não aconteceu por acaso, uma série de acontecimentos anteriores levaram vocês ao cenário atual.

- Do que está falando?

- Eu vi nas cartas que a Cana se apaixonaria pelo homem da cicatriz de raio há muitos anos ou talvez tenha sido ontem... Eu sempre me confundo com datas.

Ela riu.

Já estava anoitecendo e a mulher pediu licença por alguns minutos, quando voltou trazia algo enrolado em veludo azul. Parou ao lado do mago e lhe acariciou o rosto novamente com carinho.

- O neto do Mak... – piscou duas vezes – Entregue isso a Cana, esse baralho é dela por direito. Já está ficando escuro e acho que vem uma tempestade, Cana-chan não gosta de tempestades... Sempre teve medo de trovões.

- Eu queria saber mais...

- Para que? O passado já passou, o importante é o presente, o futuro virá inevitavelmente...

- Eu gostaria de visitá-la de novo... Eu não sei... Eu gostei desse lugar...

- Volte amanhã e traga Cana-chan, eu posso fazer mais chá e bolinhos, não são tão bons quanto os de Graneeney, mas eu acho que dá para passar. Siga em frente e volte a estrada principal, vai achar a casa de Cornellia fácil, é a única casa da cidade feita de pedra.

- Tudo bem... Até amanhã, Blair.

- Até amanhã, Mak... Digo... Laxus-kun.

Continua...

Notas finais
Ohhhhhh será que alguém ai gostou da minha versão para o passado de algumas pessoas? Eu sinceramente espero que sim, porque eu gastei muitos neurônios preciosos criando todo esse enredo. E não se preocupem, a relação GrandeneeyXMakarovXPolyusca vai ser explicada futuramente! Hahhahahahhahahha

Espero que me contem o que acharam! Muitos kisskiss e espero que tenham tido uma boa Páscoa!

Anny Taisho