Impossible Love
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Damon hesitou até finalmente pedir para falar com o pai. Sentia-se péssimo por ter que deixar Elena sozinha presa naquele calabouço, não queria ficar distante dela nem por um momento. Muito embora não estivesse conseguindo protegê-lá ali, distante imaginava que seria ainda mais difícil. Ao menos, preso ali junto com a garota, ele estaria passando por todos os dissabores que ela e isso parecia, no mínimo, justo. Contudo, Caroline tinha um ponto, chegaria a um momento em que o Rei Giuseppe, acometido por uma raiva crescente, acabaria executando a pobre escrava. Damon sabia disso, ele precisava fazer o que pai queria mesmo se isso fosse de encontro a tudo que ele acreditava. Jamais havia cedido ao pai, era orgulhoso e sua personalidade era igualmente forte para isso. Mas não havia outra solução naquele caso. Se o plano de Caroline realmente funcionasse, ele poderia ficar com Elena e ela seria dele de uma vez por todas.
–Elena...-Chamou o nome da garota com suavidade. Daria tudo para poder vê-lá, poder tocar sua pele nem que fosse por um minuto. Tudo que podia fazer era escutar a voz delicada da menina.
–Sim? -A garota se aproximou da parede que os separava, deixando seu corpo junto a ela.
–Eu sinto muito por tudo isso...-Desculpou-se mais uma vez. -Eu não quero te deixar sozinha aqui, mas não tem outro jeito...-Argumentou.
–Está tudo bem. -Elena falou sinceramente. Sabia que ele não a estava realmente deixando.
–...e eu quero que você saiba que mesmo se tudo der errado, eu vou achar um jeito de te buscar...
–Eu sei disso. -Balançou a cabeça positivamente. Ela não duvidava do amor dele.
–Eu te amo. -Confessou.
Quando a garota iria dizer que o amava também, eles ouviram passos se aproximando. Era o Rei Giuseppe e ele não poderia ouvir os dois conversando, caso contrário, poderia desconfiar de alguma coisa.
–Filho, você pediu para me ver? -Indagou em seu tom altivo. -O que você quer?
–Eu decidi reconsiderar as minhas últimas decisões...-Precisou se esforçar muito para proferir aquelas palavras.
–Então você sente muito por tudo que fez? -Um sorriso vitorioso se desenhou em sua face.
–Sim, eu sinto muito. -Mentiu. Não sentia nenhum pouco por ter se apaixonado pela Elena.
–Eu sabia que alguns dias vivendo desse jeito seriam o suficiente para que você tomasse juízo. -Giuseppe estava satisfeito. Sabia que bastava deixar o filho sofrer um pouquinho e tudo seria resolvido. O Príncipe estava com uma aparência péssima, doente, nem de longe parecia um nobre. Ao menos, tinha entendido a lição e era o que bastava. -Agora, basta que você me peça perdão da forma correta para que eu te liberte. -Exigiu.
Damon respirou profundamente. Sentiu seu orgulho se ferir por completo, mas ele não podia fazer nada a não ser se ajoelhar na frente do pai e pedir pelo seu perdão e assim que o fez, o Rei cumpriu com a sua palavra e o libertou.
–Muito bom. -Estava satisfeito. Ordenou aos guardas que liberassem o Príncipe. -Levem-no até o quarto dele e tranquem tudo. -Ordenou.
–Você vai continuar me fazendo prisioneiro?
–Filho, você está com uma aparência péssima, tudo que você precisa é ficar no seu quarto quietinho e descansar. -Abriu um sorriso. -Nós não queremos que você esteja morrendo de infecção no dia do seu casamento com a Princesa Camila ou que você tenha outro surto de insensatez, não é mesmo?
–Tem razão. -Teve que se conter com muito esforço para não responder.
E foram assim que os dez dias que se sucediam ao casamento se passaram. Damon tivera que se conter milhares de vezes para não responder ao pai, que era um verdadeiro tirano, e não colocar tudo a perder. Sentia tanta falta de Elena, mas não podia vê-la, a saudade o corroía. Tinha que se contentar com uma outra informação que Caroline trazia sobre a morena. Elena também estava igualmente solitária, sentia tanto a falta dele, mas não havia nada que ela pudesse fazer a não ser esperar que desse tudo certo e ele a libertasse e finalmente, eles pudessem viver juntos.
Quando o dia do casamento chegou, Damon estava muito ansioso, não pela cerimônia, mas pela iminência de ver sua amada e ele estava sentindo tanto a falta dela. Precisava muito olhar nos olhos dela, precisava do seu sorriso angelical e mais do que isso, precisava sentir a pele dela contra a sua, precisava do seu perfume.
–Damon! -Caroline cortou seus pensamentos.
–Como a Elena está? -Perguntou aflito.
–Ela está bem. Eu vou tirar ela de lá quando estiver acontecendo a festa, ninguém vai estar tomando conta. -Repetiu o plano mais uma vez.
–Eu espero que isso realmente dê certo.
–Vai dar certo! E você se comporte, não vá discutir com o seu pai logo hoje. Eu sei que ele é um idiota, mas se controle!
–Tá, tudo bem. -Concordou. Ele também não tinha muita escolha. Ou era isso ou acabaria por enfurecer ainda mais o Rei e isso não seria nada bom. -Eu vou bancar o Stefan mais um dia. -Ironizou.
–Falando em Stefan...olha só quem está vindo falar com você.
–Eu vou matá-lo. -Falou raivoso. Nos últimos dias, não havia falado com o irmão, não fazia nenhuma questão. Damon não havia perdoado o mais novo por contar tudo sobre ele e Elena ao pai.
–Ei, o que eu acabei de falar sobre você se comportar? -Caroline chamou a atenção. -Você não pode brigar com o seu irmão!
–Posso sim! Foi ele quem contou tudo para o meu pai! Se ele não tivesse feito isso...
Caroline o interrompeu. -Ele não fez por mal.
–Eu disse que ele não podia contar de jeito nenhum e ele contou!
–Eu sei disso...
A conversa cessou quando Stefan se aproximou dos dois.
–Damon...-O rapaz o chamou.
–O que você quer? -Perguntou impaciente.
–Eu sinto muito por ter contado ao papai sobre você e a escrava...
–Você sente muito? -Perguntou mal humorado, não conseguia suportar o cinismo do irmão.
–Sim, eu sinto. -Estava sendo sincero. -Eu só contei porque o papai me disse que iria deixar você ficar com ela...
–E você acreditou?
–Isso não tem mais importância agora, não é? -Caroline interveio. -Afinal, o Damon percebeu a besteira que estava fazendo se envolvendo com ela, certo?
–É verdade. -Damon concordou.
–Então, você não está bravo comigo?
–Não, eu não estou. -Mentiu.
O mais novo abriu um sorriso! -Eu fico feliz com isso e também pelo seu casamento com a Camila.
–Eu também. -Abriu um sorrisinho cínico, mas Stefan não reparou. -Você não imagina o quanto.
...
O momento do casamento havia finalmente chegado. O Rei Giuseppe estava orgulhoso. A verdade é que ele considerava aquela união como um ótimo negócio. O pai da Princesa Camila, o Rei George também compartilhava do mesmo pensamento. A Princesa estava radiante, tinha gostado da ideia de se casar com Damon desde o início. Ele era lindo e jovem, era tudo que ela poderia querer. Já ele, não queria estar ali de jeito nenhum. Tudo que ele conseguia pensar era em ver sua amada Elena novamente. A saudade dela era imensa, nunca ficara tanto tempo separado dela. Quando a sua noiva surgiu, a caminho do altar, pouco se importou, não pensou no quanto ela estava bonita, nem ficou ansioso para que eles finalmente se casassem. Nada disso. Ele sequer conseguia achá-la bonita ou interessante. Na verdade, tinha repulsa dela, a jovem era alguém muito arrogante, uma típica nobre, assim como o seu pai e ele não via nada de bom em ser assim. Camila, ao contrário, achou que ele estava mais bonito do que ela podia se lembrar e não pode conter as lágrimas. Ela estava se casando e tudo estava magnífico, a decoração estava como ela sempre desejou. Era perfeito, como nos sonhos dela. Damon achou que o tempo estava se arrastando devagar demais, não estava prestando atenção em nada, tampouco no que o padre falava em seu sermão. O Príncipe apenas disse sim a pergunta, cumprindo a formalidade que deveria cumprir, nem escutou quando Camila falara um emocionado sim. Os pensamentos dele estavam distantes demais. Estavam em outra garota, a Elena, e foi nela em que ele pensou quando beijou a garota que era, a partir daquele instante, a sua esposa.
A festa também se passou como um borrão para o jovem rapaz. Não sabia como estava suportando estar ao lado de Camila recebendo tantas felicitações. Tudo que ele queria era que o plano de Caroline realmente funcionasse.
–Eu estou tão feliz. A Princesa exclamou e acariciou a mão dele timidamente. Eu espero que você também esteja.
–Eu estou, claro. Mentiu. Ela o entediava.
–Você pode me beijar de novo, se quiser. Sugeriu, tentando quebrar o gelo que havia entre eles. A pele alva de seu rosto corou.
–Tudo bem. Ele sequer se aproximou mais dela. Não era ela quem ele queria beijar.
–Ei, Damon. O Príncipe Tyler interrompeu o casal. Eu sei que você quer ficar com a sua esposa, mas você não perder a rodada de Whisky, não é mesmo?
–Claro que não.
O Príncipe pediu licença a Camila, ela apenas assentiu com um movimento, sabia que havia um momento em que os rapazes se reuniam para beber e conversar. Ela era somente uma garota, não poderia se opor, mesmo se desejasse.
Os dois príncipes saíram juntos para encontrar a Caroline e a Elena, porém quando chegaram, as coisas pareciam não terem saído como o planejado. Caroline estava em prantos e Bonnie tentava, sem sucesso, acalmá-la.
–A Elena não estava lá. Caroline falava entre as lágrimas.
–Como assim ela não estava lá? Damon perguntou preocupado.
–O Rei...-A loira não conseguia completar as palavras. Ele a levou para o salão de execuções...-Mais choro. Tyler a abraçou, a garota sentiu-se um pouco melhor aninhada em seus braços, mas não conseguia chorar. Tem muitos guardas, nós não conseguimos entrar... ele vai matá-la.
–Não, ele não vai. Damon discordou. Eu vou até lá, eu não posso permitir isso.
–Você vai se matar fazendo isso...-Tyler ponderou.
–Eu não ligo.
–A Elena não pode morrer. Caroline sussurrou.
–Eu vou com você, Damon. Tyler se ofereceu. Sabia que era uma loucura, mas iria fazer isso pela Caroline. Não queria vê-la sofrendo e não seria covarde quando ela esperava que ele não fosse. E ele não era, nunca foi.
–Tyler...-A jovem abriu um sorriso, tinha ainda mais certeza do porque amava aquele rapaz. Eu vou junto também.
–Nem pensar. Falou resoluto. Você já se arriscou demais com tudo isso, você vai ficar esperando aqui.
–Não, eu não vou ficar de braços cruzados.
–Carol, como eu vou ajudar a salvar a sua amiga se eu vou estar muito ocupado salvando você? É muito perigoso, você entendeu?
A garota acabou concordando. Os dois Príncipes, assim como todos da alta nobreza, receberam treinamento militar, pois eram eles, que nas épocas de Guerra comandavam as tropas de mais alta patente para a conquista de novos territórios.
Quando chegaram ao local, os Guardas Reais obstaram a passagem. Eram as regras do Rei, ninguém podia entrar, nem mesmo outros membros da realeza. E foi naquele momento, que o combate se iniciou. Naquela época, não existiam armas de fogo, por isso, guerreava-se usando espadas. E não foi bonito, eram muitos guardas, só que tanto Damon quanto Tyler eram mais inteligentes e conseguiram montar uma estratégia boa o suficiente para derrubar a todos, mas não fizeram isso e passaram ilesos, conseguiram, no percurso, uma série de ferimentos.
Damon se dirigiu ao salão e Tyler o estava seguindo, até que o primeiro decidiu que as coisas não seriam dessa forma.
–Eu vou sozinho. Damon anunciou.
–O que? Tyler parecia não entender.
–Isso é entre eu e o meu pai. Explicou. Eu não quero que mais ninguém interfira.
–Você está machucado. Tyler observou. E é grave.
–Eu estou bem. Damon ignorou o corte profundo que existia em sua barriga.
–Você realmente ama muito essa garota. Tyler concluiu o que já era óbvio.
–Ela é a minha vida.
Aquela frase resumia exatamente o quanto Damon amava Elena, ele estava mesmo disposto a tudo por ela. Abriria mão de sua posição como Príncipe, de seu Reino e iria enfrentar seu próprio pai para tê-la de volta para si.
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