Notas iniciais
Depois de um ano eu apareci Imagino que nem deva ter mais ninguém lendo e a culpa é minha por isso :( Mas em fim, 2013 e 2014 não foram bons anos para mim E para piorar meus pais se separaram e eu fiquei no meio... Mas em fim...decidi continuar a escrever a história, pq eu gostava muito mesmo dela. É isso :)

Elena tremia, nunca esteve tão assustada em toda a sua vida. A jovem escrava caminhava cabisbaixa até o calabouço do Palácio. Seu olhar estava distante, perdido em uma expressão de pura tristeza. Sabia que nunca mais iria sair dali e pior do que isso, nunca mais iria ver o seu amado Damon.

Acabou tudo...

Lamentou-se. Não havia nada que ela pudesse fazer para mudar o destino. E sabia que ele também nada poderia fazer. Por mais que ele fosse o Príncipe, Giuseppe ainda era o Rei e, portanto, sempre teria a palavra final.

Nós nem pudemos nos despedir...

Uma lágrima tímida rolou por sua face. Finalmente, ela fora trancada em uma cela minúscula, mal havia espaço para que ela pudesse se movimentar. Sentou-se encolhida em um canto. Perdeu todas as esperanças de vê-lo novamente. Isso não iria acontecer nunca mais.

Contudo, seus pensamentos foram interrompidos pelo abrir dos portões do calabouço. E então, ela viu Damon sendo escoltado por soldados reais até onde ela estava.

–Você não pode me prender aqui. Ele protestou. Não se importava de ser preso, se fosse só ele, estava tudo bem. Mas se ele ficasse preso, não poderia fazer nada para ajudar a sua Elena e era isso que o preocupava tanto.

–Vossa Alteza, eu sinto muito. O soldado se desculpou. -...mas são ordens do Rei e eu não posso descumpri-las de forma alguma.

E não iria mesmo descumprir as ordens de Giuseppe, ninguém ousaria fazer isso. O jovem Príncipe fora trancado na cela ao lado em que Elena estava. Antes que ele pudesse falar qualquer coisa, ela quebrou o silêncio.

–Nós vamos morrer, não vamos? Perguntou de um jeito tristonho.

Ele demorou um longo momento para responder, talvez, porque não sabia o que dizer. Na verdade, ele sabia, mas não queria dizer. Eu não sei... Aquela resposta foi a melhor que conseguiu dar.

–Eu sei que sim...-A garota sussurrou. Sentou-se encostada na parede que separava ambas as celas.

–Elena...-Ele iria continuar, prometer algo à ela, algo que talvez ele nem pudesse cumprir, mas ela não deixou que ele continuasse.

...está tudo bem...-Falou docemente. -...ao menos eu vou morrer sabendo que eu te amei e fui amada.

–Você não vai morrer, eu vou te proteger. -Suas palavras soaram com convicção. Ele precisava proteger a garota, ela era o amor da vida dele. -Eu vou dar um jeito, eu prometo.

–Damon, por favor, diga que você me ama...-A garota pediu, agia como se aquele momento fosse uma despedida. Colocou a mão na parede que os separava, como se isso, de alguma forma, fizesse que eles estivessem mais próximos.

–Eu te amo...-Ele atendeu o pedido dela. E como se pudesse prever, fez o mesmo gesto que o dela, encostando a mão na parede. -...eu te amo muito. -Enfatizou.

–Eu também te amo...-Elena também confessou o amor que sentia.

Os dois ficaram conversando durante um longo tempo. Onde estavam perdia-sr a noção do tempo, um minuto poderia se parecer com um hora facilmente. E tudo ainda era mais difícil porque eles não podiam se ver ou se tocar, era apenas as palavras que os ligavam. E é claro que tudo poderia piorar e piorou quando Giuseppe surgira juntamente com os seus Guardas Reais.

O Rei estava repleto ódio. O próprio filho o tinha agredido e tudo isso por conta de uma escrava. Uma escrava insubordinada que ousava pensar que era possível namorar um Príncipe e mais do que isso, que ousava atrapalhar o casamento de Damon com a Princesa Camilla. Casamento esse que unificaria os dois Reinos e os tornaria ainda mais importantes.

–Damon, eu espero que você reflita sobre o que você anda fazendo. -A voz do Rei era autoritária. Esperava que algumas horas naquele calabouço trouxessem um pouco de juízo para o filho. Considerava que Damon era mimado demais e o que precisava era de um bom castigo e era isso que Giuseppe estava fazendo; castigando o filho.

–Eu não tenho nada sobre o que refletir. -O Príncipe respondeu em um tom raivoso. O garoto iria continuar, mas o pai não permitiu.

–Filho, as suas atitudes são mais do que apenas condenáveis. Elas são inadmissíveis. -Explicou. -Você é um Príncipe, o futuro Rei. Você já deveria ter aprendido a se comportar. -Repreendeu. -O mínimo que você deve fazer agora é se arrepender e se desculpar por todos os seus erros.

–Eu não tenho pelo que me arrepender. -Damon respondeu convictamente. -E eu não vou me desculpar por querer o que eu quero e amar quem eu amo. -Um pedido de desculpas estava fora de cogitação. Ele não se arrependia nenhum um pouco de ter se apaixonado pela garota. -E eu também não fiz nada de errado e muito menos a Elena. Você precisa deixar ela em paz! -Exigiu.

Giuseppe respirou profundamente. Não conseguia entender porque o filho era assim. Como ele queria que Stefan fosse o futuro Rei. O filho mais novo tinha muito mais juízo que o irmão maia velho. -Damon, será que você não entende que essa garota foi colocada no seu caminho pelo demônio? Ela quer destruir a nossa família. -Argumentou como o fanático religioso que era.

–Não, quem não entende é você. Eu a amo e não foi o demônio nem ninguém que fez isso, eu a amo porque eu escolhi amá-la.

O Rei tomado por ódio se afastou do filho e foi até Elena. -Você vai pagar por tudo que fez! -Bradou.

–Eu sinto muito, Vossa Majestade. -A garota se encolheu, não ousava olhar nos olhos dele. -Eu sinto muito...-Repetiu. Não queria nem imaginar o que viria a seguir.

–Eu deveria executá-la imediatamente, mas é muito pouco. Você precisa sofrer. -Continuava aos gritos. -Tirem ela da cela. -Ordenou aos Guardas. Pegou o chicote, iria puni-la pessoalmente.

–Não, você não pode fazer isso com ela. -Damon interveio.

–Eu posso fazer o que eu quiser, eu sou o Rei.

–Você é um covarde! Só um covarde agiria assim.

–Tenha respeito, garoto!

–Eu nunca te respeitei e nem vou respeitar! O minimo de consideração que eu tinha por você era por causa da mamãe! -Se ele tinha ficado tanto tempo sem confrontar o pai tão diretamente era porque ele estava honrando um pedido de sua mãe. Ela sabia dos desentendimentos entre o filho mais velho e o pai. Isso acontecia desde que Damon era pequeno. O garoto sempre tivera a personalidade forte demais e isso era um problema. Ele era o preferido da mãe, mas o pai não o via com bons olhos. E era por isso, que ela sempre pediu ao filho que ao menos tivesse um pouco de consideração pelo Rei, apesar de suas atitudes tiranas. Era mesmo uma pena que a Rainha tivesse morrido tão jovem e quando os filhos eram tão pequenoa. Se ela tivesse viva, talvez as coisas pudessem ser um pouco diferentes.

–Você vai aprender a ter modo e vai aprender o que acontece quando alguém me desobedece. Você vai assistir essa maldita escrava sofrer! E esse vai ser o seu castigo.

A garota foi tirada da cela e amarrada bem na frente de onde o Príncipe estava.

–Não, você não pode machucá-la. Você não pode fazer isso. -Gritou. Queria sair daquela maldita cela de qualquer jeito, mas era impossível vencer as suas grades.

–Cale a boca, garoto! -Ordenou.

–Ela não tem culpa de nada, fui eu quem a seduzi, fui eu quem estragou os seus planos sobre a união dos Reinos, sou eu quem não quer se casar com a Camilla. -Uma breve pausa. -Se você quer descontar a sua raiva em alguém, faça isso comigo e não com ela!

Giuseppe o olhou atônito. -O que você está falando, moleque?

–Eu estou dizendo que você pode me castigar no lugar dela.

–Você deve estar mesmo louco...-Considerou. -...o seu sangue é Real...você prefere derramar o seu sangue real no lugar do sangue de uma mera escrava?

–Sim.-Respondeu sinceramente. Ele não achava que era especial porque era membro da realeza, tampouco seu sangue era azul ou especial. Era apenas tão vermelho quanto o dela, só isso.

O Rei ficou em silêncio por um longo período até finalmente concordar. Pensou que depois que o filho sentisse na pele, encontrasse alguma lucidez em seus próprios pensamentos.

Dessa vez, era Elena que não queria ver o seu amado se machucar. -Você não precisa fazer isso...-Pediu. -Eu já estou acostumada...-A verdade é que ela estava muito mais acostumada a isso, sua pele era calejada e toda marcada, sua pele tinha ficado mais "grossa", resistente. Era totalmente diferente dele, que nunca tivera um arranhão sequer. -...eu nem vou sentir dor...-Mentiu.

–Está tudo bem, Elena. Eu não vou sentir nada. -Damon também mentiu. Tudo que ele queria era que ela ficasse bem.

Os guardas abriram a cela e o conduziram até o local que ele seria castigado. Ele fora amarrado, com os braços abertos, em forma de cruz. A escrava chorava pedia ao Rei que não machucasse o próprio filho, mas foi em vão.
Damon soltou um grito de dor quando o chicote acertou suas costas nuas pela primeira vez. Giuseppe riu, achou merecido, tinha certeza que depois disso, o filho iria adquirir sua sanidade de volta. O Príncipe mordeu o lábio, fazendo-o sangrar, ao sentir outra chibatada, não iria gritar novamente, não daria esse " gostinho". Mais algumas chibatas e sua pele estava queimando. Os ferimentos se abriram em "carne viva". Doía muito, mas ele estava fazendo de tudo que podia para não demonstrar a dor. Ao menos, estava protegendo a garota que amava e isso era o que o mais importante. Quando finalmente acabou, ele mal conseguia se mover. Os guardas o trancaram novamente na cela e juntamente com o Rei, foram embora. Damon se deitou no chão, procurando uma posição confortável, o que era bem difícil. As costas não podiam encostar em nada, a pele sangrava muito e doía mais ainda.

–Damon? -Elena o chamou em um tom choroso.

–Elena...-Ele sussurrou o nome dela.

–Você está bem? -Perguntou mesmo sabendo que ele não estava. E ela estava tão preocupada com ele. Estava se sentindo culpada, ele tinha passado por tudo aquilo por ela.

–Sim, não precisa se preocupar. -Respondeu em uma voz fraca.

–Muito obrigada...-A garota falava enquanto tentava conter suas lágrimas. -...por ter ter me protegido...

–Você não precisa agradecer...eu fiz isso porque eu te amo...

–Eu também te amo. -Balançou a cabeça positivamente. Queria estar perto dele, não aguentava não poder vê-lo, não poder tocá-lo. -Eu queria segurar a sua mão, estar com você...

–Eu também...