Impossible Love
15 Capítulo 15
Notas iniciais
A noite já tinha caído e todos no Palácio tinham ido dormir, menos Elena e o Damon. O jovem casal sequer desconfiava de que seu romance já não era um segredo e que o Rei havia descoberto tudo, por isso, iriam se encontrar como sempre faziam. Damon foi ao encontro de sua amante que estava aguardando por ele. Era difícil de se imaginar que o príncipe fosse até a senzala e ficasse lá durante horas só para ficar na companhia de uma escrava, mas ele era diferente dos outros, ele não se importava com nada disso.
Quando os se encontravam era sempre mágico. Elena abriu um sorriso tão doce assim que viu o príncipe e ele a envolveu em seus braços. Os lábios de ambos se uniram, a língua dele abriu passagem e se entrelaçou a dela. Exploravam a boca um do outro, provavam seu sabor em um beijo delicioso. Era tão óbvio perceber o quanto eles se amavam, o quanto se completavam. Ainda assim, tudo que sentiam era irrelevante. A verdade é que eles nunca poderiam ficar juntos oficialmente, teria que ser sempre um segredo e quanto mais tempo passasse mais perigoso aquele segredo seria. Os dois nem tinham ideia do risco que estavam correndo naquela noite, muito menos que aquele poderia ser o último momento que passariam juntos.
–Elena...-Damon sussurrou o nome dela enquanto acariciava o seu rosto de pele macia. Eu te amo tanto...-Confessou.
–Eu também...-Sorriu. Eu também te amo. Fez questão de enfatizar. E eu queria tanto que nós pudéssemos ficar juntos de uma vez por todas. Isso era o que ela mais queria, namorar em segredo enquanto ele estava noivo de outra era algo que a estava corroendo. Elena sabia que deveria se contentar com o que tinha, mas não conseguia. Ela o queria só para si, queria poder andar de mãos dadas com ele livremente, não queria mais esconder o que sentia. Mas todos esses planos não poderiam existir, afinal, sempre caía na mesma incomoda e redundante questão. Ela continuava sendo a escrava e ele o príncipe. Isso nunca iria mudar, não mesmo.
–Eu também quero ficar com você e eu tenho pensado muito sobre isso...-Fez uma pausa. Ele tinha passado os últimos dias apenas pensando nela em como iria cumprir a promessa que fizera a garota, que eles iriam ficar juntos para sempre. E finalmente, ele havia pensado em alguma coisa. Não era a melhor opção, mas era a única que parecia possível. E eu queria te pedir uma coisa...
–O que? Elena perguntou curiosa e também preocupada. O que ele iria pedir? Ele não podia pedir que ela ficasse longe dele, não podia. Ele tinha acabado de dizer que a amava, mas mesmo assim, nada o impedia de ter percebido que o relacionamento deles era um erro.
–O único jeito de nós ficarmos juntos é se nós fugirmos daqui. Revelou. Depois de ter procurado de tudo, pensado em milhares de ideias, não havia nenhuma possibilidade dele ficar com ela enquanto vivesse ali. As regras eram muito claras e rígidas, não existia nenhuma brecha que permitisse que ele, enquanto príncipe, ficasse com a garota. Nós podemos fazer uma vida nova em outro lugar...
–Mas você é o príncipe, você vai abrir mão disso? Perguntou vacilante. Ele iria mesmo abrir mão de toda a sua vida, seu status social, posses...? Parecia muita coisa para se largar.
–Sim, eu nunca me importei com nada disso mesmo. Admitiu. Ele nunca gostou de viver naquele castelo, não depois que sua queria mãe havia falecido e havia restado apenas o seu pai, que era alguém extremamente amargo e violento. A convivência entra o príncipe e o rei nunca tinha sido boa, Damon nunca tivera interesse algum nos assuntos do Reino, discordava do pai em praticamente tudo. Ele era liberal, enquanto o pai era conservador ao extremo. Nunca tinha ligado para isso, queria apenas viver a sua vida da forma como desejava e nada mais. Não queria saber de política, embora estivesse destinado a ser o Rei. É claro que eu queria que fosse você a minha rainha, queria te dar uma vida confortável aqui, mas isso não vai ser possível nunca...-Ponderou. Era evidente que se houvesse qualquer possibilidade de viver ali com a garota, não abandonaria o Reino, pois sabia que fora dali, jamais teria tudo ao que estava acostumado e tampouco poderia oferecer luxo e conforto para Elena. A vida fora do Palácio não seria fácil, eles teriam que se esconder do Rei, que os iria caçar por toda a parte, teriam que achar algum lugar simples para ficar, mas ainda assim, parecia valer a pena.
–Eu não quero conforto...-Elena murmurou. Eu só quero poder ficar com você...-Um sorriso se desenhou nos lábios dela.
Ele também sorriu ao ouvir a resposta dela. Então, nós vamos fugir daqui até o final dessa semana, eu vou organizar tudo...-Teria que pensar na melhor forma de sair dali, um horário em que ninguém notasse, precisava pensar para onde iriam, precisava separar o máximo de ouro que pudesse levar. Iria cuidar de tudo.
Elena balançou a cabeça positivamente assentindo. Em seguida, seus rostos se aproximaram e as bocas cortaram a distância selando um longo beijo. E foi exatamente neste momento em que Giuseppe e os guardas do palácio chegaram.
–Sai de perto dele! O Rei ordenou enquanto olhava para Elena como se ela fosse algum tipo de animal asqueroso. Ela era alguém que ele detestava ver perto de seu filho.
–Não, ela não vai fazer isso! Ela vai ficar comigo! Damon respondeu enquanto abraçava a garota de um jeito protetor. O coração dele estava acelerado, seus músculos se contraíram, estava tenso. E tinha muitos motivos para estar assim, agora que seu pai sabia, poderia esperar as piores coisas. Não ligava em ser castigado ou até mesmo em perder a vida, mas não podia deixar que nada acontecesse a Elena. Ela precisava ser protegida, ela era só uma menina frágil e indefesa e, mais do que isso, ela era a garota que ele amava.
–Filho, ela é uma escrava...-Giuseppe tentava fazer com que o filho enxergasse a realidade. Você é futuro Rei! Você não pode ficar com ela! Iria continuar falando, mas Damon não deixou. O rei pensou que uma abordagem mais calma pudesse fazer com que o filho entendesse a situação, estava tentando dialogar, mas não estava obtendo nenhum sucesso, o garoto não queria ouvir.
–Eu fico com quem eu quiser e você não tem nada a ver com isso! Retrucou. Damon não iria aceitar que o pai lhe dissesse o que fazer ou que escolhesse com quem ele podia ou não ficar.
Elena se manteve calada, ela tremia, estava tão assustada. Abraçou-se ainda mais forte em seu amado, isso fazia com que ela se sentisse um pouco melhor.
–Você está noivo! Tem que honrar o seu compromisso. O Rei ainda continuava tentando trazer alguma razão a mente do jovem rapaz, mas não estava obtendo nenhum sucesso nisso.
–Foda-se a Camilla! Eu não quero saber dela! Gritou. E não estava se importando nem um pouco em usar o vocabulário que estava usando na frente do pai, ele simplesmente não ligava.
O Rei balançou a cabeça negativamente em uma clara desaprovação.
–Damon, eu sei que você e essa...-Respirou fundo para continuar falando. ...escrava...-Falou enojado. ...estão se encontrando há bastante tempo, o seu irmão me contou tudo! Contou-me que você diz estar apaixonado por ela, mas nada disso importa! Isso vai acabar hoje! É inadmissível que um príncipe esteja com uma escrava e Eu estou farto do seu mal comportamento!
Giuseppe fez um sinal para os guardas e estes arrancaram violentamente a garota dos braços de Damon. O príncipe tentou fazer resistência, mas era impossível lutar sozinho contra um exército inteiro.
–Levem-na para o calabouço! Ordenou.
–Não, você não pode fazer isso! Damon falou nervoso, tentou ir até a garota, mas os guardas não permitiam. Você não pode fazer isso com ela! Estava com tanta raiva do pai por estar fazendo aquilo, mas, estava, especialmente, com raiva do próprio irmão. Stefan era um traidor, tinha jurado não contar nada, mas na primeira oportunidade que tivera, quebrou a promessa. Odiava o irmão! Odiava aquele desgraçado!
–Eu posso fazer o que eu quiser. Giuseppe falou severamente. Eu sou o Rei! Ele tinha autoridade e o poder, era isso que importava, ele ditava as regras e todos iriam segui-las, fosse por bem ou por mal. E essa garota vai pagar pelo que fez!
–Ela não fez nada! Estava totalmente exaltado, principalmente, porque estava vendo sua amada sendo levada para longe de si e não podia fazer nada a respeito.
–Lógico que ela fez! Ela te manipulou! Ela te seduziu!
–Não, ela não fez isso! Fui eu quem a seduzi! Damon não podia acreditar que o pai realmente acreditava que tinha sido Elena quem tinha tentando alguma coisa. Ela era uma menina tão doce e inocente.
–Filho, esse tipo de mulher como essa é a pior de todas. Você sabe disso! Você sabe que o demônio tenta nos desviar de Deus...
–Isso não tem nada a ver com o demônio e muito menos com Deus! Irritou-se.
–Mas é logico que tem! A essa mulher foi colocada pelo demônio no seu caminho! Ela não tem valor ou dignidade!
–Você não vai falar da Elena desse jeito! Damon perdeu complemente o controle, não iria tolerar que o rei se referisse a garota daquele jeito. Estava tão perturbado que já não estava medindo suas ações. Cerrou o punho e acertou um soco com toda a sua força na face do próprio pai. Os guardas vendo aquilo seguraram o rapaz, contendo-o. Não importava se ele era o príncipe ou não, naquele momento, ele estava afrontando o Rei e aquela atitude era gravíssima e não podia ser tolerada.
Giuseppe se levantou com a ajuda de um dos guardas. Ainda estava sem reação, não poderia imaginar que o filho tivesse uma reação daquelas. Os dois já tinham brigado milhares de vezes, mas o garoto jamais o tinha agredido. O rei estava mais surpreso do que com raiva.
–Vai para o seu quarto e você não vai sair de lá até segunda ordem! -Giuseppe não aguentava mais olhar para o rosto do garoto, não naquele momento.
–Eu não vou para o meu quarto porra nenhuma! Você não manda em mim!
–Eu mando, sim! E você, Damon, não está bem! O rei tinha certeza que algo estava muito errado com o filho. Você está doente, está louco, só pode ser isso! Concluiu, Damon estava doente, devia estar louco, essa era a única explicação para tudo que o rapaz fazia. Era a única explicação que justificava que o próprio o filho o tinha agredido fisicamente por causa de uma escrava. Eu vou mandar um médico te examinar...
–Eu não preciso de médico e eu não estou louco!
–Cala a boca, garoto! Finalmente, perdeu a paciência. Você vai ficar quieto e fazer o que eu estou te mandando! Ordenou. Você passou de todos os limites ao ficar com uma escrava, mas eu vou resolver isso! Eu vou matá-la e depois disso, eu tenho certeza que você vai aprender a sua lição.
–Você não pode matá-la. Ela não fez nada! A Elena é inocente! Tentou argumentar. -Fui eu quem a seduzi, ela era donzela quando nós nos conhecemos!
–A culpa disso tudo é dela, ela não poderia sequer falar com você! Ela veio para destruir o seu noivado, o seu casamento! Ela merece morrer e não há nada que você pode fazer!
–Não! Eu não vou deixar você fazer isso com ela! Não é justo!
Giuseppe perdeu qualquer resquício de paciência que ainda podia ter com a insistência do filho em defender a garota! -Você tem razão, filho, não é justo. -Falou em um tom sério. -Eu não devo castigar apenas a escrava, eu devo castigar você também! -Não iria matar o garoto, mas iria puni-lo. Uma punição severa era exatamente o que Damon precisava para entrar na linha. -Os guardas vão te conduzir ao calabouço e você vai ficar lá aguardando a sua sentença.
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