Impossible
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que gostem.
Tell them all I know now
Shout it from the roof tops
Write it on the sky line
All we had is gone now
Tell them I was happy
And my heart is broken
All my scars are open
Tell them what I hoped would be
Impossible, impossible
James Arthur — Impossible
Kuroko suspirou mais uma vez e Akashi o encarou. Estavam caminhando lado a lado para longe da capela onde acontecia o casamento de Momoi e Aomine, estava feliz pelos dois, sempre soube que acabariam juntos, Momoi jamais fora realmente convincente com seus sentimentos sobre Kuroko, aliás, ninguém naquele time jamais fora. Ok, nem todos. Realmente se apaixonara por Murasakibara, mas tinha de admitir que tudo o que queria era tê-lo e apenas tê-lo.
Não era amor.
Colocou as mãos nos bolsos do terno escolhido por Himuro e estremeceu, estava um tanto frio naquela noite, a Lua brilhava intensamente, mas o vento era gélido e cortante, seus lábios secaram rapidamente, então os lambia o tempo todo. Kuroko também não estava muito diferente, porém tremia mais, bem mais, o menor não tinha muita gordura para se aquecer, imagina músculos.
– Você está bem? — O menor caminhava com a cabeça baixa, tampando os olhos com o cabelo, que havia desarrumado, retirando o penteado de Himuro, seus lábios estavam murchos, mostrando claramente que estava decepcionado.
– Sim. — Akashi notou sua voz trêmula e até pensou em falar algo, mas não sabia exatamente o quê, não é como se não estivesse um pouco para baixo também.
– Quer que eu te acompanhe até sua casa? — Ofereceu-se com um pequeno sorriso.
– Não estou indo para casa, Akashi-san. — O menor murmurou, abraçando ao próprio corpo enquanto passava as mãos pelos braços, tentando espantar o frio, o ruivo encarou-o por mais algum tempo e respirou fundo, apesar de seu jeito, não gostava de ver Kuroko daquela forma, se conheciam há muitos anos e foi ele quem descobriu seu potencial no basquete, pensou a Kuroko a ser melhor, tinha uma grande afinidade para com o menor, apenas não admitia.
– E está indo para...?
– O bar perto de casa. Se quiser me acompanhar, tudo bem. — Kuroko estremeceu mais uma vez. — Droga, está tão frio.
Akashi não o respondeu, apenas olhou para o caminho a frente, reconhecendo o local, estavam realmente indo em direção à casa de Kuroko, porém havia um bar não muito longe que o menor costumava frequentar, lembrou-se que ficara algumas noites jogando conversa fora com o menor naquele bar. Gostava de conversar com Kuroko, ele era inteligente e tinha opinião formada sobre muitas coisas, também era decidido e nunca desistia de seu ponto de vista em uma discussão caso estivesse certo.
Deixaria que tivesse o tempo que desejasse, afinal também queria beber um pouco, seu ânimo não era dos melhores. Suspirou e passou uma mão pelo rosto, estava gelado pelo vento gélido que batia contra seu rosto, estremeceu em seguida, até gostava de frio, mas não em circunstâncias como aquela. Olhou de canto para Kuroko, lágrimas lentas e silenciosas escorriam por sua face, mas sua expressão ainda era indiferente, Akashi sempre admirou sua capacidade de nunca expressar nada.
– Akashi...
– Hum?
– Você realmente gostava do Murasakibara? — Kuroko o encarou, buscando pela resposta, Akashi mexeu o corpo desconfortavelmente e suspirou, dando de ombros.
– Não sei exatamente. — Olhou para o caminho a frente. — O meu tipo de amor não é o mesmo do dele, não daríamos certo nunca. Mas eu tinha certo carinho por ele, pelos nossos momentos, eu sinto falta. Acho que nunca me apaixonei realmente por alguém... Isso de sentimentos não é para mim...
– Hah... eu sou tão idiota. — Kuroko soltou uma risada sarcástica e limpou o rosto. — Que droga. Fica fingindo o tempo todo que nunca sinto nada... é tão... argh.
– Não acho que finja... só não expressa da mesma forma que os outros, é diferente. — O homem de cabelos fúcsia se aproximou um pouco mais, fazendo Kuroko parar e limpou as lágrimas de seu rosto. — Não coloque a culpa em você, Tetsuya, essas coisas acontecem. Você não pode controlar os seus sentimentos nem os de Kagami, nem eu, nem Atushi, nem ninguém.
– Isso não muda nada, Aka...
– Tetsuya. — Kuroko olhou para cima encarando os olhos heterocromáticos de Akashi, notando o olhar reprovador dele em si e tentou conter o choro, mas não conseguiu, então o maior, num movimento impulsivo, puxou Kuroko e o abraçou com força, deixando que chorasse em seu peito. Odiava perdedores, mas, naquele instante, um gosto amargo e metálico dominava sua boca, o sabor da perda, da tristeza, sabia que estava procurando motivos para dizer que não perdera, mas também jamais havia visto Kuroko daquela forma, estava achando estranho ver uma pessoa que sempre julgara forte chorando. Mas não deixaria de ajudar seu amigo. Kuroko não era como os outros. Kuroko ele não deixaria sozinho como geralmente faria.
– A... Akashi... por que ele fez isso? — Kuroko chorava alto. — Ele só me u-usou para chegar até vocês, só me usou pa-ra vencer e dizer que era o m-melhor. E d-depois... ah, droga... — O menor apertou a roupa de Akashi, buscando uma resposta de alguém que jamais a teria. — Por que eu me apaixonei por alguém como ele?
– Eu realmente não sei... — Akashi suspirou. — Nem ao menos sei como sentimentos funcionam. Mas de uma coisa eu sei, se for mesmo beber, faça isso em casa, do jeito que está vai acabar ficando bêbado e é melhor que aconteça na sua casa, não acha?
– S-sim... — Kuroko soluçou mais uma vez e desfez o abraço, passando as mãos pela face para retirar as lágrimas. — Me desculpe... eu...
– Tudo bem. — Akashi sorriu fraco, bagunçando seu cabelo antes de voltar a caminhar, desta vez para o supermercado mais próximo da casa de Kuroko.
Não demoraram muito a comprar as bebidas que o menor queria, Akashi até mesmo aproveitou para comprar algumas que gostava. Saíram com sacolas cheias e apenas uma certeza: acabariam ficando bêbados. Mas quem realmente se importava? Akashi acompanhou Kuroko até sua casa e o esperou abrir a porta, o menor logo o fez e entraram, o ruivo logo levou as sacolas para a geladeira, a bebida ainda não estava fria o suficiente.
– Akashi... vou tomar um banho rápido, pode me esperar? — O maior apenas acenou positivamente, sorrindo atenciosamente para o menor, que não expressava nada. — Se quiser comer algo, fique a vontade.
– Obrigado, Tetsuya. — Agradeceu, começando a procurar algo que valesse a pena comer nos armários. Logo o menor já havia sumido de seu olhar; havia muita comida instantânea na casa de Kuroko, mas pelos ingredientes ali, podia fazer um bom yakisoba. Suspirou e retirou o casaco do terno, dobrando as mangas da camisa social, assim que o fez, lavou as mãos e começou a separar os ingredientes, procurando o molho de yakisoba. Kuroko tinha que ter em algum lugar!
Achou tudo e deixou sobre a mesa, com um suspiro começou a fazer, não era um grande chefe na cozinha como Murasakibara, mas sabia fazer algo que fosse possível degustar por humanos. Agradeceu por aquele ser um prato simples e gostoso, talvez a comida até impedisse Kuroko de ficar bêbado a noite toda. Suspirou irritado, tinha uma consideração enorme pelo menor, não queria vê-lo daquela forma, talvez gostasse até mais de Kuroko do que de Midorima, seu melhor amigo de infância.
Não que fosse de ter sentimentos pelos outros, não, era decidido e não se deixava vencer por meros sentimentos, aquilo não era para si, mas tinha um tal afeto pelo homem de cabelos azuis e achava que Kagami realmente não era para ele, o garoto merecia mais. Foi então que o pensamento sobre si mesmo passou por sua mente, até quando acharia que estava tudo bem daquela forma? Por quanto tempo fingiria que não precisava de ninguém? Que não se sentia sozinho? Quanto mais pensava no assunto, mais se achava ridículo.
– Yakisoba? — A voz baixa de Kuroko soou ao seu lado, quase deixou a panela cair ao chão pelo susto. — Ah, desculpa, Akashi, não quis te assustar. — Desculpou-se o menor e o ruivo apenas sorriu, balançando a cabeça.
– Tudo bem, eu estava longe mesmo. É... yakisoba. — Kuroko lambeu os lábios, sentindo a boca salivar.
– Faz tanto tempo que não como. — Murmurou olhando esperançoso para a comida. — É a primeira vez que te vejo fazendo comida, Akashi, achei que não sabia também, já que é dono de empresa e tudo o mais.
– Ainda não sou dono da empresa. — Akashi retirou a panela do fogão e misturou com o conteúdo da outra panela. — E tive que aprender a fazer alguma coisa, já que estou morando sozinho, né? E você?
– Eu? Cozinhar? — Kuroko riu baixo. — Sou o pior. Sempre como no bandejão da faculdade.
– Mas esse é seu último ano, não é? — Akashi o encarou, buscando a resposta, observando Kuroko caminhar para a geladeira e retirar de lá uma das bebidas que haviam comprado, já caçando copos.
– Uhum, o último, finalmente... mas já consegui um estágio em uma boa escola, talvez fique por lá. — O menor sorriu fraco, parecia ter boas lembranças do lugar, Akashi ficou satisfeito com aquilo.
– Pedagogia, não é? — Kuroko acenou, levanto o copo já cheio aos lábios, ingerindo parte da bebida. — Por quê?
– Eu amo crianças... são sempre tão...
– Ryouta. — Kuroko não aguentou e acabou deixando um pouco da bebida escapar pelos lábios quando começou a rir, o ruivo observou uma cena rara e teve de esquecer a comida por um tempo, gostando de como as bochechas de Kuroko começavam a ficar vermelhas e seus olhos lacrimejavam.
– Verdade... elas lembram bastante o Kise. — Kuroko suspirou quando, finalmente, estabilizou sua respiração. — Tão felizes, são adoráveis.
– Eu acho que são capetinhas. — Akashi riu baixo. — Não tenho tanta paciência como você.
– É questão de jeito, de saber como falar...
– Devem te amar. — Akashi sorriu para o menor, começando a despejar o molho na panela. — Meu negócio são os papéis mesmo.
– Oh, verdade, vai assumir a empresa do seu pai, não é? — Akashi acenou brevemente. — Espero que dê tudo certo lá...
– Obrigado, Tetsuya. — O ruivo mexeu um pouco os ingredientes na panela e sorriu para Kuroko. — Está pronto. Vou fazer os pratos, ok?
– Ok... — Kuroko concordou dando grandes goles em sua bebida.
Não demorou muito para Akashi descobrir que o menor era realmente fraco para bebidas, em menos de uma hora, Kuroko estava vomitando toda a comida no vaso sanitário do banheiro de seu quarto, enquanto Akashi enchia sua banheira para que tomasse um banho e preparava sua cama. Assim que o ruivo terminou de arrumar a cama, o menor apareceu com o rosto pálido e já ia se jogar na cama quando Akashi o impediu.
– Tome banho antes, Tetsuya, ou vai adoecer. — O maior disse com um pequeno sorriso enquanto levava o menor ao banheiro novamente, ajudou-o a retirar a roupa e a entrar na banheira, Kuroko estava muito sonolento e Akashi notou que dormiria caso saísse do banheiro, então, com um suspiro irritado, começou a limpar o corpo de Kuroko, observando-o fechar os olhos lentamente e deixar a cabeça apoiada na borda da banheira.
Lavou os cabelos azuis, o corpo e o rosto do menor, escutando-o resmungar algo nessa parte. Riu fraco da embriaguez do amigo e pegou-o no colo para retirá-lo da banheira após o banho, levando-o para o quarto, deixou-o sentado em uma cadeira e passou a secar seu corpo, tentando não reparar demais no mesmo, afinal o menor não ia gostar nada disso, secou-o rapidamente para que não adoecesse e vestiu-o com um pijama que achara, para, no fim, secar os cabelos sedosos.
– Kagami... — Kuroko soluçava baixinho enquanto Akashi secava seus cabelos, o ruivo sentia pena dele, parecia realmente amar aquele idiota do Kagami, coisa que jamais achara muito provável, era verdade que Kuroko sempre fora o tipo de pessoa que admirava bons sentimentos e pessoas, mas... mas jamais o imaginara amando alguém de verdade. Porém não podia negar que os sentimentos de seu amigo eram reamente fortes para com o ruivo maior. — Volta... por favor... — Kuroko ainda chorava baixo, entorpecido pela bebida ainda. Levou-o para a cama e o deitou na mesma, puxando o cobertor até os ombros encolhidos. Suspirou longamente olhando para o menor e sentiu-se estranho retirando alguns fios azuis de sua face, parecia tão triste e destruído.
– Boa noite, Tetsuya. — Murmurou saindo do quarto, sem antes deixar um balde ao lado da cama para uma possível surpresa, sem se esquecer da garrafinha de água que, provavelmente, seria o primeiro pensamento do menor na manhã seguinte.
Passou-se algumas semanas depois daquela noite e ninguém sabia onde estava o menor, ao que parecia estava faltando na faculdade, coisa que jamais fizera antes, fora apenas alguns dias e parecia muito arrasado, pegava as lições dos próximos dias com os professores e as fazia em casa, voltando em algum outro dia para entregar as lições — que sempre tinham nota 10 — e pegar umas outras.
Akashi fora visitá-lo ao saber daquilo por meio de Murasakibara, mas apenas obteve como resposta um "vai embora, Akashi-san, quero ficar sozinho". Até pensou em brigar com o menor, falar que estava sendo infantil e bobo, que era cego de ainda ficar rastejando por alguém tão insignificante quando Kagami, porém foi quando notou que não tinha esse direito. Afinal Akashi não sabia o que eram sentimentos. Como poderia julgar os sentimentos de Kuroko sem saber o que era amor? Não podia fazer nada já que jamais compreendeu aquilo.
Então apenas aceitou a decisão de Kuroko e se foi.
Só que... Fazia dias que não parava de pensar em como o menor podia estar, se estava se alimentando bem, se já havia melhorado ao menos um pouco. Já havia digitado, no mínimo, mil vezes o número do menor em seu celular para ligá-lo, mas sempre desistia, achando que escutaria mais um "quero ficar sozinho". Aquele era mais um desses dias, estava sentado em sua mesa na empresa de seu pai, checando alguns papéis, mas sua mente estava bem longe dali, olhou ao redor, só havia o espaço vazio para entretê-lo.
Acabou terminando todo seu serviço rápido demais, então bufou irritado, odiava ficar sem ter o que fazer. Pegou os papéis e caminhou para fora do escritório, com vários contratos em mãos, saiu do mesmo e jogou os papéis em cima da mesa da secretária, que o encarou preocupada, apesar de rigoroso, Akashi sempre fora extremamente educado.
– Terminei de assinar esses contratos, aliás, terminei tudo. — Suspirou e passou as mãos pelo rosto. — Estou saindo mais cedo, diga ao meu pai que está tudo certo e faltarei amanhã, por favor.
– Sim, senhor. — Falou a moça, já pegando os documentos para checar antes de passar ao chefe.
– Boa tarde e bom trabalho, Ayako, até depois de amanhã.
– Até, Akashi-san. Passar bem. — Ela sorriu amigável para o chefe, que apenas retribuiu com um aceno e caminhou para o elevador com as mãos nos bolsos, ao entrar no mesmo folgou a gravata, coisa que jamais fazia antes de chegar em casa, sempre tão correto em suas atitudes, mas aquele não era o caso. Não naquele dia.
Saiu apressado do prédio, mais do que nunca, queria chegar em sua casa, tomar uma ducha e dormir. Apressou-se pelo estacionamento até chegar ao seu Volvo negro, pensou seriamente em trocar de carro, chamava muita atenção em meio aos carros japoneses, mas gostava muito daquele veículo, então desistiu rápido da decisão. Entrou do mesmo e ligou o rádio, deixando que músicas clássicas tocassem baixas, tomando conta de seu carro para que o som suave o acalmasse.
Apesar da música acalmante, Akashi dirigia um pouco mais rápido que seu natural, aproveitando que o caminho para sua casa era feito por ruas quase sem carros, e a maioria longa demais, já que morava em uma das divisas da cidade, em uma enorme casa no meio de um parque só seu. Mas não foi bem aquele caminho que fez, acabou parando em outro lugar, quase xingando-se ao ver a escolha a qual parara em frente.
Viu criancinhas saírem correndo e rindo com seus pais, lambuzadas de doces ou mostrando desenhos para os adultos. Mas foi um único homem que chamou sua atenção. Kuroko estava com grandes olheiras embaixo dos olhos, os cabelos azuis não pareciam brilhar como antes e seus olhos estavam apagados demais, os lábios ressecados. Respirou fundo e ficou ali, observando-o de longe rir forçado para as crianças ao seu redor, entregando-as aos pais. Viu um deles parar e conversar com o homem, parecia muito interessado em falar com Kuroko.
O estranho entregou algo ao menor e piscou, pegando a mão de seu filho, para então se afastar. Akashi ficou tentado a ir perguntar o que o homem queria, mas que direito ou interesse tinha naquilo? Nenhum. Ficou apenas mais um tempo ali, tentando saber como Kuroko realmente estava e, assim que todas as crianças se foram, viu o menor passar as mãos pelo rosto e encostar a testa na parede, olhando para o relógio.
Ele ainda estava péssimo.
Akashi batucou os dedos no volante do carro e suspirou, queria tanto falar com o menor, mas sabia que seria expulso novamente. Mas hoje não estava a fim de desistir de tudo. Respirou fundo e abriu a porta do carro, fechou assim que saiu e o som do bater da porta chamou a atenção de Kuroko, que virou-se rápido, arregalando levemente os olhos ao ver o ruivo de terno parado ao lado de seu Volvo, Akashi caminhava até si com as mãos nos bolsos e uma expressão séria.
Pensou em dar as costas e simplesmente se afastar, mas sabia que Akashi não era como os outros, não aceitaria aquilo tão facilmente. Então decidiu falar com ele, afinal ficar incomunicável com todos não lhe faria bem... sim, pelo menos Akashi.
– O-olá, Aka-
– Por que sumiu dessa forma, Tetsuya? — Akashi não parecia irritado, mas sua voz era séria.
– Eu... eu não queria falar com ninguém. — Suspirou passando uma mão pelo cabelo e olhando para os lados. — Só... preciso ficar mais um tempo sozinho.
– Não, não precisa. — Akashi segurou seu queixo e virou-o para si, olhando diretamente nos olhos azuis e opacos. — Não vê que está se estragando por tão pouco? Quanto tempo pretende ficar assim? Quantas pessoas pretende perder? Tetsuya, eu não entendo nada de amor, não sei o quanto ama o Taiga, mas, por favor, pare com isso.
– Está preocupado comigo, Akashi? — Kuroko riu baixo e virou o rosto, afastando-o de Akashi, dando um passo para trás.
– E se estivesse? — O menor abaixou a cabeça e riu baixo, quase descrente. — Eu não sou o único. Atsushi me contou que tem faltado na faculdade.
– E ainda sim minhas notas estão muito altas. Por favor, Akashi, não se intrometa na minha vida. Eu sei o que faço.
– E ficar trancado em casa enchendo a cara por causa de um homem que está do outro lado do mundo com outro cara vai te fazer bem? — O silêncio pairou entre ambos, o maior não podia ver o rosto de Kuroko, pois ele havia abaixado a cabeça e os fios de seu cabelo escondiam sua face, mas não precisou ver. Kuroko soluçou alto e colocou uma mão sobre a boca, Akashi arregalou os olhos, havia falado merda. Muita merda.
Quando Kuroko ergueu os olhos, viu as lágrimas grossas escorrerem de seus olhos e passarem por sua mão, em seus olhos havia raiva, dor, tristeza e muitos sentimentos que Akashi não compreendia. Ficou estático, não sabia o que fazer e Kuroko estava desmoronando bem a sua frente. Suspirou, dizem que quando as pessoas estão assim, elas só querem um abraço; olhou um pouco duvidoso para Kuroko e passou seus braços ao redor do menor, que, quase instantaneamente agarrou suas roupas, apertando como se dependesse daquilo.
Akashi o apertava em seus braços, sentindo-o tremer com o rosto enterrado em seu peito, o choro era alto demais, parecia uma criancinha chorando desesperadamente por ter se perdido dos pais. O ruivo alisou seu cabelo devagar, esperando que seu choro diminuísse — o que levou um grande tempo — para então segurar seu rosto. Limpou as lágrimas novas e olhou diretamente naqueles olhos cheios de dor. O que havia acontecido consigo? Nunca que se importaria com aquilo, ainda mais com uma pessoa chorando tão infantilmente. Normalmente iria querer pisar nessa pessoa.
Então por que estava ali, fazendo coisas que jamais fizera antes? Abraçando e querendo cuidar de Kuroko?
– Olha... que tal irmos para a minha casa ou sair e fazer alguma coisa? O que você precisa é de um pouco de distração. — Akashi sorriu fraco, um sorriso nada típico seu, que Kuroko deixou-se admirar por algum tempo. — Pegue suas coisas, podemos passar na sua casa para se trocar.
– Muito obrigado, A...
– Não agradeça, por favor, eu pareceria um cara bonzinho demais. — Kuroko riu, aquela risada que Akashi vira apenas uma vez, que novamente perdeu-se ao admirar. Como Kuroko poderia ser tão adorável? Logo Akashi censurou-se, que merda de pensamentos são esses? Não devia pensar essas coisas de seu amigo.
Não demorou muito e já estavam dentro do Volvo de Akashi, o único problema foi que Kuroko estava perdendo a consciência com a música lenta e calma demais, o que faz o ruivo rir baixo quando o viu começar a fechar os olhos lentamente com a cabeça virada para si. E então dormiu. Num semáforo vermelho, Akashi tirou uns fios que estavam atrapalhando sua visão da face calma e bela do amigo, hora ou outra observava o menor ressonar baixo, até chegarem à casa do mesmo.
– Ei, Tetsuya. — Chamou o amigo, balançando seu ombro devagar. — Tetsuya, acorde. — Kuroko acordou devagar, para então bocejar preguiçosamente. — Pegue suas coisas, vou te esperar aqui embaixo, ok?
– Ahn... tem certeza, Akashi-san? Se quiser tomar um caf...
– Não precisa, vamos comer quando chegar lá em casa. — O ruivo bagunçou seu cabelo. — Que tal passar a noite lá? Amanhã não vou ao trabalho, de qualquer forma.
– Amanhã é minha folga também. — Riu o menor. — Bem, pode ser... Já volto, Akashi-san.
O ruivo acenou e observou o menor sair e contornar o carro, depois que o perdeu de vista, olhou para a rua, era um lugar bem movimentado, era perto de um centro comercial, o que causava certo barulho e incômodo, sem contar com o trem que passava muito perto. Não gostaria de morar num lugar assim, sempre apreciara o silêncio e pessoas que sabiam mantê-lo, talvez Kuroko tivesse se acostumado, mas acreditava que não conseguiria jamais.
Olhou para o rádio, as músicas começavam a se repetir, procurou outra pasta de música e achou uma onde as músicas eram calmas, mas não clássicas, era uma lista que quase não escutava, músicas mais românticas, sempre as achara melosas demais, ridículas demais, porém gostava de como os cantores deixavam suas vozes, tão calmas e intensas. Talvez pensasse assim porque nunca se apaixonara de verdade.
Once again you're home alone
Tears running from your eyes
Os olhos heterecomáticos foram para a rua novamente, algumas crianças brincavam correndo de um lado para o outro, haviam riscos que ele não pôde compreender no chão. Jamais soubera o que era brincar com outras crianças nas ruas, correr por aí e se sujar, ir a parques de diversão com os pais, ou se lambuzar de doces até sujar todo o rosto. Desde pequeno fora preparado apenas para uma coisa: ser presidente de uma das maiores empresas japonesas. Então assim que possível já estava aprendendo a ler, para então começar sua formação. Sempre ficou trancado em casa, então não tinha do que reclamar, não conhecia um mundo diferente daquele, portanto para si aquilo era perfeitamente normal e correto. Aprendeu sobre leis e tudo o que crianças da sua idade jamais saberiam.
No começo, não ia à escola por estar muito avançado, tinha professores particulares, mas depois seus pais o mandaram para começar a aprender a lidar com pessoas, aprendera a nadar e vários outros esportes, era o melhor em tudo. Vencia qualquer um que aparecesse a sua frente. Até que começara a fazer faculdade e lidar com pessoas, era, de início, muito antissocial, odiava a todos, menos Midorima e Murasakibara, Midorima era como ele, treinado desde sempre para ser o melhor, era a única criança com quem tinha contato, seus pais eram os médicos da família de Akashi. Murasakibara apareceu um tempo depois, quando acabou se perdendo e a família de Akashi lhe prestou socorro, encontrando sua família em pouco tempo. Acabou se afeiçoando ao garoto alto e atrapalhado com o rosto sujo de doce e então viraram amigos.
Não demorou muito a notar que perdera toda sua infância, mas que, por isso, seria um dos homens mais ricos do mundo. Não se incomodava, gostava do poder que tinha, até mesmo agradecia ao seu pai por isso, por mais que jamais tivessem tido muito contato, sabia bem até demais que seu pai apenas o tivera para que a empresa continuasse com o nome Akashi na presidência.
Mas tudo mudou quando, um dia, estava saindo da empresa após uma reunião exaustiva e encontrou Midorima com um tal de Takao e mais algumas pessoas, acabou se juntando a eles e conheceu várias pessoas, mantinha-se sério, mas achou que algumas pessoas eram realmente legais, achou que jamais procurariam por ele novamente, mas não, muitos o chamavam para festas e lugares interessantes.
Tentou imaginar como seria uma vida sem conhecer aquelas pessoas, provavelmente estaria vivendo de forma robótica e chata, quase depressiva. Sorriu fraco, não gostava de admitir, mas realmente se sentia bem com todas aquelas pessoas.
Assustou-se ao escutar a porta de seu carro ser aberta e logo Kuroko entrou com uma mochila, deixando-a no banco de trás.
– Vamos? — Perguntou o menor e então o ruivo assentiu, deixando seus pensamentos irem embora.
Ao chegarem à casa do ruivo, o mesmo mostrou a Kuroko onde ficava o banheiro para que pudesse tomar banho. O menor ficara impressionado com sua casa, era rodeada por um belo e gigantesco jardim, era a casa de um príncipe. Um lugar calmo e sério, tão parecido com Akashi. Kuroko ficou até envergonhado, mas não mostrou, caminhando para o banheiro indicado; não demorou-se muito no banho, afinal não fora para a casa do amigo para tomar banho.
Ao sair, usando uma roupa mais confortável, encontrou Akashi sentado no sofá da sala lendo um livro, seus cabelos também estavam molhados e usava uma camisa larga preta e uma calça esportiva azul escuro com linhas brancas ao lado, em seus pés, meias para protegê-lo do frio. Sorriu fraco e se aproximou, sentando-se ao lado do ruivo, olhou a capa do livro, era em outra língua, uma que não conhecia bem.
– Fala outra língua, Akashi-san? — Perguntou curioso.
– Uhum, inglês, espanhol, russo, alemão, coreano, chinês, português e francês. — Kuroko piscou algumas vezes os olhos. Ok, era natural um japonês de classe alta falar, no mínimo, dez línguas, mas Akashi ainda era tão jovem para saber todas aquelas. Estou aprendendo italiano agora, é uma língua bem chatinha.
– Hum... eu só sei inglês e enrolo em alemão. — Kuroko riu baixo.
– Eu aprendo desde que aprendi a ler... — Akashi sorriu de canto deixando o livro de lado.
– Mas só precisei aprender por causa da empresa também, precisamos nos comicar com muitos empresários, então saber é bem importante. — Levantou-se e colocou as mãos nos bolsos. — Que tal comermos algo?
– O quê? — O menor levantou-se, Akashi tentando entender sua típica falta de expressão agora. Por que ele sempre tinha que estar daquela forma? Apesar de que não podia falar nada do menor, afinal era muito parecido com ele nesse quesito.
– Olha... não sei bem o que tem aqui, mas podemos ver e sei lá, fazer qualquer coisa. — Kuroko assentiu e foram para a cozinha, não demorou muito e Akashi viu o menor reunindo chocolate, leite e outras coisas na mesa. — O que vai fazer?
– Chocolate quente com pedacinhos de chocolate. — Sua voz era sem emoção. — Eu estou morrendo de vontade, por favor, Akashi-san, não me impeça. Eu amo isso.
– Não impedirei. — Akashi riu baixo e sentou numa das cadeiras ao redor da mesa. — Faz para mim também? — Kuroko assentiu procurando por mais besteiras nos armários. — Achei que gostasse mais de milk shake.
– Não no frio. Faz tanto tempo que não tomo isso. É bom com bolo...
– Então farei o bolo. — Akashi se levantou já procurando ingredientes. — De... morango com chocolate, comprei uns morangos e estão aí inutilizados.
– Isso, parece bom!
~x~
O filme era interessante até, mas Kuroko e Akashi estavam mais interessados na comida a frente. Além do bolo e o chocolate quente, estavam fazendo um delicioso fondue de chocolate, sem contar o delicioso vinho escolhido pelo próprio Akashi — Kuroko descobriu que ele era um ótimo degustador do produto -, a combinação de toda aquela comida era perfeita.
O ruivo ria-se de como Kuroko se sujava para comer, fechando os olhos para apreciar o sabor do chocolate com morango misturando-se ao vinho em sua boca, até arrepiava-se pelo sabor delicioso.
– Akashi-san, isso está uma delícia. — Comentou apontando para o bolo. — Sério, nunca comi um bolo tão gostoso.
– Aprendi com o Atsushi. — O maior riu baixo, mas logo sua risada sumiu, não que se lembrar de Murasakibara e ele tendo bons momentos quando eram namorados o fizesse ficar triste, só... sentia um pouco de saudade de coisas como aquelas.
– Você... gostava dele, no fim das contas, né, Akashi-san? — O menor cruzou as pernas, ajeitando melhor o cobertor ao redor de seus ombros enquanto pegava um pedaço de banana repleta de chocolate e levava aos lábios.
– Não sei se gostar é bem a palavra certa, Tetsuya, mas ele era uma ótima companhia. — Sorriu fraco. — Eu já te disse, eu não sei como essas coisas funcionam. Não sei me apaixonar, acho isso estranho e... sei lá. Não entendo.
– Bem... é quando você gosta de estar perto da pessoa, quando se preocupa com ela e não para de pensar no quanto queria estar perto. Também há a vontade de ver a pessoa sempre sorrindo e feliz, vontade de beijar, abraçar... trocar carinho... — Lentamente Kuroko abaixava o rosto, visivelmente, estava pensando em Kagami. — Amar... ter a pessoa só para você...
– Ei, não pense nisso, ok? — Akashi levantou seu rosto, vendo os olhos azuis marejados. — Não te trouxe aqui para pensar nessas coisas.
– É verdade, me perdoe. — Kuroko riu baixo, limpando os olhos.
– Que tal jogarmos um pouco de xbox? — Sugeriu o ruivo, olhando para o aparelho sem uso há meses ao lado da televisão.
– Tem Mortal Kombat?
– Acho que tem. — Akashi sorriu observando Kuroko se levantar e ir até o aparelho, ligando-o sem pensar duas vezes.
– Você vai perder, Akashi-san.
– Impossível. — Riu o maior.
Fazia mais ou menos vinte minutos que o xbox havia desligado sozinho por falta de uso, na sala, apenas uma garrafa de vinho vazia, um pouco de chocolate na panela de fondue, um pedaço de bolo virado no prato onde estava completo antes, dois controles jogados e dois corpos deitados no chão. Kuroko e Akashi acabaram por adormecer inconscientemente — Akashi ficou algum tempo lutando sozinho contra um oponente que não revidava sem perceber — no chão quentinho, pois Akashi havia pensado na possibilidade e ligou o aquecedor do piso de madeira.
Já eram dez da manhã e nada dos homens acordarem, estavam realmente cansados, mas, mais do que isso, um deles estava queimando em febre e encolhido contra o chão. Kuroko estava tendo pesadelos e tremia enquanto resmungava ali, encolhido, porém sua voz acabou por acordar Akashi. O ruivo abriu os olhos lentamente, coçando-os para se acostumar, quando sua visão se focalizou, viu Kuroko tremendo logo a sua frente e levantou-se preocupado.
– Tetsuya! — Exclamou levantando-se rápido, virou o amigo e tocou sua testa suada, sua febre era alta. Pensou em levá-lo ao hospital, mas sabia que Kuroko o mataria, o menor odiava hospitais; então apenas pegou o menor nos braços e correu com ele escada acima, tendo de seguir pelo corredor extenso até chegar em seu quarto, deitou Kuroko em sua cama e suspirou, ele começava a abrir os olhos. — Ei, como se sente?
– C-com frio. — Murmurou, sua voz saía trêmula, Akashi olhou ao redor, era melhor que Kuroko tomasse um banho antes de deitar.
– Vou te dar um banho, ok? — O menor fez uma careta e Akashi tentou não rir, jamais havia visto uma expressão daquelas na face do homem. — Vai ser quentinho, mas não tanto para não piorar sua febre. Vem, consegue levantar? — Kuroko acenou, mas, quando Akashi foi ajudá-lo, perdeu as forças e acabou tombando para frente, apoiando-se em Akashi. — Parece que não... tudo bem.
Kuroko quase arregalou os olhos quando Akashi o pegou no colo e começou a levá-lo para o banheiro, quando chegaram lá o ruivo suspirou e o soltou, pedindo para que tentasse se manter de pé apoiado na parede enquanto tirava sua roupa e foi o que fizeram, o menor agradecia por Akashi estar pensando que seu rosto corado era por conta apenas da febre, mas a verdade era que ter o ruivo ali o despindo sem qualquer pudor era mesmo estranho.
Jamais imaginou que o maior iria retirar suas roupas, em nenhum tipo de situação, mas ali estava Akashi, parecendo preocupado e desafivelando o cinto de sua calça, suspirou ao sentir-se livre da calça, estava lhe apertando, olhou para baixo novamente, agora só faltava sua boxer e as mãos de Akashi já iam para a barra da mesma.
– A-Akashi-sa-san... não precisa tirar a boxer. — Falou envergonhado e Akashi riu baixo.
– Com vergonha, Tetsuya? — O ruivo bagunçou mais seu cabelo e ficou ereto novamente. — Ok, me desculpe. — Saiu de perto do menor e pegou um banquinho, deixando-o perto da banheira, depois foi até Kuroko e o fez sentar-se ali, achou melhor não deixá-lo na banheira, um banho rápido com esponjas e pano seria bem melhor.
Molhou uma toalha na água quente e começou a passar pelo corpo do menor, molhando-o para então ensaboar o corpo magro, Kuroko parecia estar realmente doente, sempre fora magro, mas estava esquelético, parecia até um início de anorexia, o que assustou o homem de cabelos fúcsia. Parou o ato olhando o rosto de Kuroko revirou os fios azuis de seu rosto, observando-o.
– Tem comido direito, Tetsuya? — Perguntou notando o tom amarelado da pele do menor. Anemia? O que, diabos, Kuroko tinha?
– Hum, com isso quer dizer comida saudável? — O maior acenou brevemente, passando uma toalha úmida por seu peitoral para retirar o sabão de seu corpo. — Não...
– Entendo... — Suspirou, agora tinha que pensar em uma solução para a alimentação errada de Kuroko. Jamais pensou que se dedicaria tanto a cuidar de alguém, porém não ligou, não era hora de pensar em motivos para estar cuidando do amigo, só tinha que se concentrar em fazê-lo. Não demorou muito e já estava saindo com Kuroko em seus braços, deitou-o em sua cama e o cobriu após vesti-lo em um de seus pijamas, esquentou uma pequena toalha com ferro de passar roupa e colocou sobre a testa do menor. — Descanse um pouco, vou fazer algo para comer.
– Obrigado, Akashi-san... — Suspirou o menor, fechando os olhos lentamente. O ruivo admirou por algum tempo sua face calma, ajeitou melhor o cobertor nos ombros de Kuroko, retirando alguns fios de seu rosto, o menor apenas suspirou. Akashi saiu do quarto sem fazer barulho, deixando que o menor descansasse um pouco.
Ao chegar à cozinha preparou algo que tivesse muitos legumes, fez suco e deixou na geladeira para que gelasse um pouco. Acabou fazendo comida demais, o que não era necessariamente ruim, com Kuroko adoecido, seria bom que comesse bastante comida saudável. Até mesmo preparou uma sobremesa com frutas, sorrindo para o resultado. Estava tudo pronto em uma bandeja para levar ao amigo, nunca cozinhara tão bem em toda sua vida, pegou a bandeja e começou a caminhar escada acima pensando em motivos para estar se dedicando tanto ao menor, pra querer que ficasse bem, para querer cuidá-lo.
Não tinha resposta alguma.
Entrou no quarto ainda cheio de perguntas em mente, Kuroko ressonava baixo em sua cama, apertando os cobertores contra o próprio corpo, tremia um pouco. Caminhou até ele e deixou a bandeja sobre a mesa de cabeceira. — Ei, Tetsuya. — Chamou baixinho, colocando a mão sobre o ombro do menor, que abriu os olhos e o encarou. — Trouxe sua comida.
– Ah, sim... obrigado, Akashi-san. — Sorriu fraco, tentando sentar-se. Akashi acabou por ter de ajudá-lo nisso também. — Me desculpe todo esse trabalho...
– Tudo bem. — Akashi sorriu enquanto lhe dava a comida na boca. — Talvez seja melhor pedir uma licença do trabalho, não acha? Até que melhore.
– Não sei...
– Peça, eu cuido de você. — Akashi falou antes de pensar e Kuroko o encarou no instante seguinte, havia dúvida e questionamentos em sua face, mas nem mesmo o ruivo teria respostas. Sentiu seu coração acelerar e sabia que se Kuroko continuasse o encarando daquela forma, iria corar, então apenas riu fraco. — Sei que parece estranho, mas é melhor para você que alguém que cozinhe e seja silencioso fique por perto, não? Fique uns dias aqui em casa e eu me encarrego de tudo.
– Ahn, não quero incomodar, Akash-
– Você não me incomoda, por favor, faço questão. — O maior estava realmente sério sobre tal decisão, realmente queria cuidar do menor, queria fazê-lo melhorar logo. Kuroko sentiu seu rosto corar ainda mais, usou a febre e o frio como desculpa para encolher-se mais e esconder suas bochechas coradas e assentiu para o ruivo.
~x~
Foi indicado pelo médico que Kuroko ficasse de repouso por quinze dias, talvez até devesse elevar este número, visto que sua baixa imunidade havia causado muitos problemas em seu corpo; Akashi pagou para que um médico visitasse a cada dois dias a sua casa para ver a situação do amigo e pudesse indicá-lo como ajudar o menor, o ruivo também lhe preparava a comida perfeitamente, sempre nutritiva e deliciosa, às vezes liberava um Vanilla Shake — que ele mesmo se encarregava de ir comprar no Magi Burger -, seu café da manhã sempre era servido à cama pela manhã pelo maior, que o acordava com um singelo sorriso nos lábios.
Aquele era o décimo dia na casa de Akashi, havia acordado há poucos minutos e não se sentia muito bem, sua cabeça revirava e sentia-se fraco, porém não conseguia dormir, de sua testa escorria suor frio, não tinha nem ao menos forças para chamar o maior. Porém este não demorou muito a aparecer na porta com uma bandeja com seu café da manhã.
– Tetsuya? O que houve? — Aproximou-se rápido ao notar que o menor estava longe de estar bem, deixou a bandeja sobre a mesa de cabeceira e colocou a mão na testa suada, afastando os fios azuis. — Está queimando em febre... — Akashi suspirou. — Vamos, você precisa de um banho antes de comer. — Akashi o levou ao banheiro e lhe deu um banho, seu corpo estava mole, então acabou molhando muito o maior, que não parecia se incomodar, apenas continuava a limpá-lo e medir o tempo todo sua temperatura. Secou-o lentamente, certificando-se de que estava quente e confortável em um pijama de lã. Akashi o deitou novamente na cama e retirou sua própria roupa, colocando uma calça moletom em seguida. — Como se sente?
– Um pouco melhor... a ânsia passou. — Murmurou o menor num suspiro. Akashi sorriu fraco e se aproximou, sentando ao seu lado.
– Vamos, melhor comer algo. — Kuroko fez uma careta, mas o ruivo o censurou com um olhar. — Eu fiz algo bem leve, é melhor comer para não piorar. — E assim Kuroko cedeu às exigências do maior, comendo tudo que ele havia preparado, ficando extremamente satisfeito com a qualidade da comida do maior, parecia melhorar a cada dia.
– Akashi-san...? — O ruivo o encarou, mostrando-se atento, mesmo enquanto arrumava o quarto após ter alimentado o menor. — Vai fazer algo hoje?
– Hum, não. Por quê? — Perguntou enquanto arrumava alguns livros que havia separado para Kuroko sobre uma mesinha.
– Pode ficar aqui comigo? — Akashi olhou para o amigo tentando entender o que o mesmo queria dizer, mas apenas encontrou aqueles olhos inexpressivos em meio às cobertas. — Deite-se comigo, por favor? Está frio... — O ruivo sorriu fraco, Kuroko conseguia ser adorável quando queria.
– Ah, pode ser. — Aproximou-se da cama, não colocaria uma blusa, continuaria usando apenas sua moletom, afinal para si a temperatura estava normal e entre aquelas cobertas deveria estar bem mais quente e seria melhor para Kuroko sentir o calor de seu corpo saindo diretamente por sua pele. Deitou-se ao lado do menor e puxou-o pela cintura, deixando que sua face corada pela febre se aconchegasse em seu peitoral, abraçou-o com ambas as mãos, enquanto Kuroko encolhia-se em seus braços.
O menor tremeu levemente com o contato, sentindo seu coração acelerar e seu rosto corar. Rezou para que Akashi não sentisse as batidas loucas de seu coração, para que não notasse que estava fechando os olhos para sentir o cheiro de sua pele e cabelos tão próximo, estremecendo pelo toque decidido de suas mãos, não forte, mas decidido, carinhoso, atencioso e estranhamente confortável para si. Suspirou baixo e contido antes de fechar realmente os olhos enquanto Akashi lhe fazia uma carícia gostosa no cabelo.
– Quer fazer algo hoje? — Akashi perguntou baixo, sem deixar de alisar seu cabelo. Kuroko quase sorriu com o tom suave de sua voz dançando pelo ar, com o cuidado que tinha consigo para deixá-lo bem. Nem parecia o Akashi Seijurou que todos conheciam... e talvez nem o fosse.
– Como o quê? — Sussurrou de volta, erguendo o rosto para a face do maior, corando ainda mais com a proximidade extrema que o ato causou, os olhos heterocromáticos nada expressaram, mas um leve sorriso não abandonava os lábios rosados.
– Se quiser posso te levar onde desejar, ou podemos ficar no jardim, ver um filme... — Listava qualquer coisa que viesse em sua mente, mesmo sabendo que estava fora de cogitação para Kuroko sair daquela cama, ainda mais da casa.
– Nem parece você, Akashi-san, se dedicando tanto por um simples amigo. — Kuroko riu baixo, sem perceber a espontaneidade de seus atos e falas, mas o maior tinha de concordar, aquele não era seu normal, mas, para si, Kuroko já não era um simples amigo, era alguém que queria cuidar e ter certeza de que estava bem, ver sorrir e fazê-lo feliz.
– Não sei ainda é só um simples amigo para mim, Tetsuya.
Sua voz soou despreocupada, mas não achava que aquilo era assim tão revelador, aliás, não era nada demais, só queria que ele entendesse que não era tão insignificante para si daquela forma como ele fazia parecer. Kuroko lhe era importante agora. Principalmente depois que reparou que notava demais no menor, em seus atos, buscava expressões em seu rosto, parava para observar suas risadas, fazia de tudo para tê-lo feliz. Não entendia bem que tipo de coisa era aquela que o impulsionava a cuidar tanto dele, mas não era um sentimento ruim.
Sentimento.
A palavra soou estranha em seus pensamentos, não é como se fosse tão comum em sua mente, mas não era desconfortável, oh, não, ela parecia estranhamente bem-vinda, coisa que o assustou de início, afinal, sentimento era algo que realmente não sabia lidar e não estava acostumado.
– Não? — A voz de Kuroko atrapalhou seus pensamentos e permitiu-se encará-lo, seus olhos estavam levemente arregalados.
– De alguma forma, não. — Akashi riu fraco. — Me importo mais com você do que normalmente me preocupo com amigos. É estranho, eu sei, mas não é nada alarmante. — Sorriu fraco e deitou de lado, grudando seu corpo mais do menor. — Vamos dormir de novo, fiquei com sono.
– Hai...
~x~
Kuroko havia melhorado de uma forma absurda em poucos dias, precisou estender sua estadia em casa por mais três dias além do estipulado inicialmente, mas melhorou e voltou a dar aulas, como também retornou à faculdade — o que lhe gerou dores de cabeça enormes, visto que havia perdido mais matérias e provas do que esperava -, com a ajuda de Akashi conseguiu estudar e tirar boas notas. Voltara para a sua casa, porém, algo que não esperava aconteceu em um dos dias que estava saindo para o almoço, quase dois meses depois de ter saído da casa de Akashi.
– Ei, Kuroko-sensei, sua hora de almoçar. — Avisou uma das professoras sorrindo para o homem, que assentiu retirando o jaleco branco. Caminhou tranquilamente até a saída, pensando no que comeria, seu estômago sentiu saudades da comida de Akashi por um momento; não evitou sorrir.
Saiu da escola e olhou ao redor, talvez fosse ao Magi mesmo, mas algo chamou sua atenção no meio da inspeção pela rua, um carro preto e luxuoso estava parado do outro lado da rua e, encostado a este, estava um ruivo elegante vestido em um terno perfeitamente arrumado, este sorria suavemente, encarando-o de longe. Kuroko sorriu ao ver Akashi parado ali, mas sentiu seu rosto corar com o pensamento sobre a beleza incomum do maior.
Caminhou até o outro lado da rua, sentindo-se envergonhado pela diferença drástica entre suas roupas, afinal usava uma jeans clara, camiseta preta de gola V, all star também preto e algumas pulseiras, por cima da camiseta, um colete cinza um pouco mais forte que suas calças. Parecia um adolescentezinho rebelde perto de um importante empresário. Mas não se apegou muito à esse detalhe, afinal, Akashi era quase dono de uma grande empresa.
– Olá, Akashi-san.
– Olá, Tetsuya. — O ruivo colocou as mãos nos bolsos. — Então... é seu horário de almoço agora, não é?
– É sim, o que faz aqui?
– Qu-quer almoçar comigo? — Akashi quase socou-se, pela primeira vez em toda sua vida havia gaguejado. E, o pior, para Kuroko! Tentou ao máximo disfarçar o fato, mas sabia que o menor havia notado.
A verdade é que, desde que Kuroko fora embora de sua casa, sentia saudade dele lá, olhava para sua cama e sentia falta da cabeleira azul clara ali, quando se deitava para dormir o frio era incômodo, faltava alguém para abraçar e aquecer, tinha espaço demais sobrando nela, quando preparava comida ficava irritado por fazer mais que o necessário. Andava suspirando por toda a casa, procurando algo para se distrair, olhando para sua cama, para o chão da sala, para tudo que o lembrasse de curtos momentos que passara com Kuroko.
Desde que ele fora embora, não conseguia deixar de pensar no homem, queria que ele voltasse, mas que desculpa usaria? "Ei, sinto sua falta na minha casa, volte para que eu consiga dormir direito à noite", não, era ridículo. Todos os dias passava em frente a escola onde o menor lecionava, parando do outro lado da rua para poder vê-lo de longe entregando as criancinhas aos respectivos pais. Mas jamais saía do carro e sempre ia embora com a mesma pergunta em mente: "O que está acontecendo comigo?".
– Pode ser. — Kuroko acenou e o maior lhe deu passagem, para que fosse até o outro lado do carro e entrasse pela porta do passageiro, para em seguida ele mesmo entrar pela porta do motorista para tomar o volante. — O que o trouxe aqui hoje?
– Ah, senti falta de uma companhia. — Sorriu fraco, não deixaria claro que sentia saudade dele. — Como está?
– Bem, muito melhor, graças a você. — O ruivo balançou a cabeça levemente, enquanto um silêncio estranho dominava o local. — Eu vi umas notícias sobre o Kagami que apareceram por aí... — Murmurou o menor, olhando para fora. Akashi sentiu uma estranha palpitação em seu peito, enquanto o mesmo se aquecia.
– E como se sentiu? — Olhou furtivamente para o menor, mas não podia ver seu rosto.
– Não sei bem... acho que não liguei... é como se eu não tivesse mais motivo para sofrer. — Suspirou longamente e olhou nos olhos de Akashi. — Mas, de alguma forma, me sinto vazio. Pelo menos com o sofrimento eu tinha algo, agora é como se... eu não tivesse nenhum sentimento em mim. — Riu fraco e olhou para fora normalmente. — Desculpa, estou sendo idiota.
– Não está. Eu sei que sentimento é esse... — Akashi comentou superficialmente, parando em um restaurante não muito longe da escola, Kuroko o encarava com certa curiosidade, tentando entender o que se passava em sua mente, mas sabia que jamais entenderia Akashi a menos que ele lhe falasse o que estava sentindo, afinal não conhecia pessoa mais complexa do que aquele ruivo.
Desceu do carro e seguiu o ruivo até o restaurante, assim que escolheram uma mesa, um garçom veio lhes atender, Kuroko deixou que Akashi escolhesse o prato que comeriam, afinal ele era muito melhor em suas escolhas do que o menor, que, se pudesse, viveria de Vanilla Shake. Kuroko olhava para fora, observando a passagem dos carros e das pessoas, não notara que Akashi já terminara de fazer o pedido e o encarava pacientemente.
– Você parece bem melhor, se me permite dizer. — Comentou Akashi, atraindo os olhos azuis para si. Apoiou o cotovelo na mesa e então o queixo na palma da mão, sorriu fraco para o menor. — Fica melhor dessa forma.
– Talvez... — Kuroko suspirou e voltou a olhar para fora. — Só que ainda não me sinto muito bem, talvez tenha me acostumado a ter alguém por perto ou ainda goste do Kagami... talvez só tenha aceitado os fatos.
– Tem certeza de que gostava dele? — A pergunta escapou muito mais curiosa do que ele pretendia, Kuroko o encarou por míseros segundos e voltou a olhar a rua.
– Eu o amava. — Suspirou. — Acho que nunca vou perder um pouco desse sentimento, sabe? Kagami foi muito importante para mim...
– Como realmente aconteceram as coisas entre vocês? Até hoje não entendi bem. — Akashi franziu a testa para o amigo, arrependendo-se no segundo seguinte pela pergunta; Kuroko tinha o olhar distante agora, enquanto um sorrisinho brincava em seus lábios.
– Bem... nós não viramos amigos assim que nos conhecemos, lá na Seirin, na verdade, ele nem ia com a minha cara. — O azulado riu baixo, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, Akashi quase suspirou com a visão, mas conteve-se e quase se socou pelo ato. Que tipo de reação era aquela?! — Mas nos tornamos bem próximos com o passar dos jogos, depois de um tempo até pensei que sua obsessão por vencer a Kiseki no Sedai tinha passado, mas não... ela só ficava ainda mais forte. E eu não notei quando me apaixonei... só num dia que estávamos juntos na quadra e acabei beijando-o, só senti vontade na hora e fiz. Depois disso começamos a namorar... mas eu nunca notei que ele ainda gostava do Logan.
– E esse Logan? Quem é?
– Não sei direito... parece que, quando ele vivia nos Estados Unidos, andava com o Himuro e o Logan, mais com o Himuro e namorou com ele um bom tempo, até iam morar juntos, vieram para o Japão para isso mesmo, porque aqui podiam ter uma casa e tudo o mais. Acho que o Kagami ia abandonar o basquete, como o Himuro fez, mas ao que parece, o Kagami traía o Himuro com esse Logan, acho que sempre foi apaixonado por ele, mas não tinham coragem de falar...
– Senhores. — O garçom interrompeu sua fala e ambos se distanciaram da mesa para serem servidos, Akashi ajudou o homem a tirar os pratos da bandeja, já que parecia difícil para ele, o que surpreendeu em muito Kuroko; Akashi não era do tipo que ajudava os outros assim.
– Muito obrigado. — Akashi sorriu fraco e o homem o correspondeu.
– O que precisarem, só chamar. Bom almoço. — E se afastou com um breve aceno.
– Mas como deu toda essa reviravolta? Digo, Kagami veio para o Japão, mesmo gostando do Logan para ficar com o Himuro e ficou com você e depois voltou aos Estados Unidos, abandonando o Himuro, depois voltou ao Japão para roubar o Himuro de novo e então voltou ao Japão para ficar com o Logan... Ele não se decide? — Kuroko riu um pouco e pegou os hashis ao lado de seu prato, segurando o pote de arroz para começar a comê-lo.
– Bem... eles devem ter brigado, o Logan e o Kagami... não sei, nunca quis saber muito sobre essa parte da vida dele, tinha ciúmes. — Corou fraco e encheu a boca de arroz, para não ter que falar mais nada.
– Não achei que fosse ciumento, Tetsuya. — Akashi sorriu fraco, observando a face corada do menor.
– Não sou.
– Não? — Akashi arqueou uma sobrancelha enquanto colocava um sushi na boca e Kuroko suspirou.
– Só com quem quero que seja meu. — Deu de ombros e Akashi riu pelo nariz.
Depois disso terminaram o almoço num silêncio confortável para ambos, trocavam palavras sobre algum assunto ou novidade que viram por aí, falavam sobre livros que estavam a ler, outros que queriam ler, até que deu a hora de irem para seus respectivos trabalhos. Pagaram a conta e saíram do local, Akashi fez questão de levar Kuroko até a porta da escola, mesmo escutando que iria se atrasar para chegar à empresa. Ao chegarem até a escola, Akashi prendeu o menor dentro do carro os minutos que lhe restavam, doze minutos, para ser mais exato.
– Espera, fica mais um pouco. — Sorriu para o menor, segurando seu braço. Kuroko sentou-se novamente e o encarou com os olhos um tanto semicerrados.
– Akashi-san... — Murmurou, achando a atitude e as palavras do maior um tanto quanto curiosas. — Está tudo bem? Digo... você parece estranho.
– Ah... estou bem sim, só... só estava pensando se não quer sair comigo qualquer dia desses. — O ruivo falva com uma naturalidade absurda, mas estava realmente nervoso, queria entender o que aqueles olhos inexpressivos queriam dizer.
– Uhn, pode ser...
– Esse fim de semana? — Akashi sorriu.
– Onde quer ir? — Kuroko interessou-se mais pelo passeio, pensando em um lugar que realmente queria ir nos últimos dias.
– Ainda não sei, mas se quiser, pode escolher. — Kuroko riu baixo e encarou o maior por alguns segundos, será que ele aceitaria ir para o lugar que queria?
– Bem, eu estou com vontade de ir àquele parque de diversões que tem no centro, sabe? Aquele bem grande. — Kuroko sorriu, um sorriso infantil que Akashi jamais havia visto.
– Por mim está ótimo. — O menor assentiu voltando à sua inexpessividade natural e já ia sair do carro quando Akashi voltou a segurar seu pulso, dessa vez para puxá-lo e depositar um beijo em sua bochecha, fazendo-o corar instantaneamente. — Até sábado, Tetsuya... passo na sua casa às cinco.
– A-ahn... ah, é... — Kuroko tentou esconder que estava corando e foi saindo do carro, acenando para o maior ao fechar a porta. — Até, Akashi-san... — Murmurou antes de sair a passos rápidos até a escola.
~x~
Kuroko andou até o espelho novamente e olhou-se, era a quinta vez que fazia isso e sentia-se extremamente idiota. Logo Akashi apareceria para buscá-lo e não tinha certeza sobre a roupa que usaria! Nunca fora o tipo de cara que se importa muito com a aparência, mas, naquela noite, queria estar atraente, queria estar bonito... não iria admitir, mas sabia que era tudo por causa de Akashi. Pela primeira vez, depois de Kagami, alguém o fazia pensar em coisas bobas como se a camiseta está combinando com seus sapatos.
Ainda estava realmente inseguro e com medo dessas descobertas que havia feito sobre seu interesse repentino m Akashi, mas tinha de admitir que ele era realmente gentil consigo, se não o conhecesse, até diria "amável".
– Assim está bom... — Murmurou encarando-se dos pés à cabeça. Usava uma camiseta fina de gola V listrada em preto e branco, sobre esta um casaco azul claro bem confortável, não muito grosso nem fino demais, não estava frio, mas não estava quente naquela noite, uma calça preta skinny e all star jeans, amava all star. Achava que estava normal demais, sem graça demais, mas não sabia como melhorar sua aparência, não é como se fosse abastecido em opções como o de Kise. E estavam indo a um parque de diversões, que tipo de roupa devia usar, afinal?!
Escutou a campainha tocar e arregalou os olhos, seu coração saltou em seu peito. Suspirou longamente.
– Kuroko Tetsuya, é só o seu amigo, idiota! — Murmurou para si enquanto saía de seu quarto. Caminhou pelo corredor tentando controlar a pressa de seus pés e foi até a porta, vendo o amigo pelo olho-mágico. Abriu e porta e tentou não parecer surpreso demais com a beleza de Akashi, que havia destruído completamente seu look. Akashi usava calças pretas também, mas não tão coladas quanto as suas, eram mais largas, mas não tanto, usava uma camisa branca bem fina, tão fina que era transparente, sobre ela um colete preto que parecia ser de couro, estava aberto; também usava um casaco de couro um pouco mais grosso que aquele do colete, uma pequena corrente pendia de seu pescoço com um pingente daqueles para coloca fotos, usava um sapato na nike preto e cinza muito bonito, seus cabelos fúcsia estavam perfeitamente penteados e seu cheiro suave chegava às narinas do menor.
– Olá, Tetsuya. — Akashi sorriu e Kuroko fez o maior esforço para não suspirar perante aqueles dentes branquinhos. — Está lindo. — Kuroko abaixou o rosto momentaneamente, tentando mais uma vez esconder que estava corando. Não é como se aquilo fosse normal para si, também não era como se estivesse gostando de Akashi, só... só fazia muito tempo que não era elogiado por alguém.
– O-obrigado, Akashi-san, você também. — Tentou agir com naturalidade, como se aquilo não fosse nada de especial. E não é, sua mente insistia. — Espera um pouco, ok? Vou pegar minha carteira.
– Não prec-
– Akashi-san, por favor. — Cortou a fala do maior. Não o deixaria pagar tudo como sempre tentava fazer.
Não demorou muito e os dois amigos estavam no parque, que estava bem cheio até, crianças corriam de um lado a outro puxando seus pais, lambuzando-se com doces, rindo alto, seus olhos brilhavam intensamente com as cores luminosas do parque, que parecia emitir sua luz própria para toda a cidade. Alguns casais andavam rindo de mãos dadas, sorrindo apaixonados, garotas passavam comendo maçãs do amor. Kuroko sorriu fraco, jamais falara para ninguém, nem mesmo para Kagami, mas adoravas parques de diversão mais do que qualquer outro lugar.
– Bem, aqui estamos. — Akashi sorriu fraco após ter trancado o carro, indo parar ao lado do menor. — Em qual quer ir primeiro?
– Chapéu Mexicano. — Respondeu de imediato e Akashi riu de sua pressa em responder.
– Você já foi no Chapéu Mexicano?
– Para dizer a verdade nunca vim a um parque de diversões. — Akashi sorriu fraco. — Você sabe que sempre fui criado dentro de casa... e também não tinha interesse em sair.
– É, mas hoje você vai saber como é ser uma criança normal, Akashi-san. — Kuroko sorriu fraco e neste momento o maior decidiu olhá-lo, foi, sem dúvidas, uma das mais belas visões que já tivera do menor; seu cabelo esvoaçando com a brisa quentinha, os olhos quase fechados, o sorriso largo de dentes tão brancos, as luzes piscando em sua face... Akashi não se conteve e suspirou fraco, talvez não aguentasse muito se Kuroko ficasse tão lindo novamente. — Vamos! — O menor segurou sua mão e o puxou, pagaram suas entradas e Kuroko já aproveitou para comprar ingressos para todos os brinquedos que queria ir.
O menor o puxava completamente animado, apesar de sua expressão sumir às vezes, ele não se continha em deixar um sorriso escapar quando olhava o ruivo, que encarava tudo, tentando memorizar o local não muito comum a si, tentando memorizar as expressões de Kuroko ao olhar algo. Já haviam andado em muitos brinquedos — Akashi notou a forte animação de Kuroko com brinquedos radicais -, porém o que Kuroko mais aguardava era o que estavam esperando naquele momento: a montanha russa.
A portinha para entrarem nos bancos se abriu e as pessoas desviaram do primeiro vagão, porém não Kuroko; o garoto pegou novamente a mão de Akashi, que começava a gostar daquele ato, a mão de Kuroko era fria, mas macia. Akashi nunca tivera medo de altura nem nada do tipo, sempre fora realmente tranquilo com tudo, mas... naquele momento, a montanha russa tinha uma estranha aparência. A começar que era de madeira e estava a setenta metros do chão, sabia que, mesmo que não houvesse a trava de segurança, jamais cairiam, mas estava um tanto inseguro quanto a isso.
Olhou para o lado contrário a Kuroko e respirou fundo, tentando afastar um leve nervosismo que o tomava, ao seu lado, o de cabelos azuis estava mais animado do que qualquer um, jamais o havia visto daquela forma. Sorriu fraco e ficou mais calmo, faltavam apenas algumas pessoas para sentarem e então fechariam a trava de segurança.
– Akashi-san, isso é tão legal. — Kuroko riu e mordeu o lábio inferior.
– Nem dá para te reconhecer. — Comentou o ruivo, fazendo o menor corar. Kuroko sorriu fraco e olhou para o maior. — Está tão animado, nunca te vi assim... nem quando ganhava no basquete.
– É que nunca alguém me deixou tão confortável para ser eu mesmo. — Murmurou alto o suficiente para Akashi escutar. O ruivo até o encarou de olhos arregalados, pronto para pedir que repetisse, mas a buzina da montanha-russa soou alta e ela começou a andar. — Ah, finalmente! — Exclamou o menor, fingindo que não havia falado nada de ambaraçoso segundos antes.
Eles subiam lentamente, o coração disparado. Dali podiam ver toda a cidade brilhando em cores intensas, Akashi sorria pra a visão enquanto Kuroko mordia o lábio inferior em expectativa, rindo baixo de ansiedade. Quando chegaram ao limite, os carrinhos pararam por uma fração de segundo e, neste mesmo instante, Kuroko segurou a mão de Akashi e a levantou juntamente às suas e então os carrinhos caíram pelo trilho. Kuroko ria alto com os olhos lacrimejando enquanto Akashi havia ficado completamente mudo pelo susto.
Os carrinhos giravam e caíam em vários ângulos amedrontadores, mas Kuroko não deixava de se divertir e Akashi o encarava para não perder aquela cena linda. Ao chegarem novamente ao compartimento dos carrinhos, Kuroko já estava tendo um ataque de risos por causa da adrenalina, lágrimas escorriam por sua face. Akashi o ajudou a sair do carrinho, suas pernas tremiam um pouco. Depois o ruivo descobriu que aquilo era muito normal quando andava na montanha-russa, então ficou calmo, seu amigo não estava tendo um ataque histérico, afinal.
Kuroko ainda dava leves risadas enquanto caminhavam pelo parque, Akashi sorria feliz pelo amigo estar se divertindo, havia realmente valido a pena tê-lo chamado para sair.
– Nossa, há quanto tempo não me divirto assim... — Kuroko suspirou e olhou para o maior. — Obrigado, Akashi-san.
– Disponha. — Sorriu fraco. — Aliás, já passou da hora de parar de me chamar de Akashi-san, não? — Riu fraco. — Nos conhecemos há tantos anos, é muita formalidade. Pode me chamar de Seijurou.
– Ah... ok, Seijurou. — Kuroko sorriu e fechou os olhos quando o maior bagunçou seu cabelo. — Quer dar uns tiros?
– Opa. — Akashi seguiu o menor até a estande de tiros, pagaram as chances e Kuroko tentou primeiro, errando miseravelmente, enquanto Akashi ria de si com as mãos na barriga. — Desculpa, é que a sua cara foi a melhor. — O ruivo riu mais e pegou sua própria arma, olhando o bico no qual se encaixavam as tampinhas de vinho. Estava alterado, não que fosse uma novidade. Sorriu fraco e colocou uma das tampinhas e piscou para Kuroko, que corou forte e olhou para o alvo a frente, Akashi sorriu e apontou a arma para a parede.
– O alvo não é aí, Imperador. — Zombou o menor, lembrando-se do apelido que o amigo costumava ter quando jogavam basquete.
– Você vai entender porque eu sempre fui o melhor, Tetsuya. — Akashi murmurou enquanto acertava a mira usando seu olho dourado, mordia o lábio inferior e seus ombros estavam escolhidos para lhe dar mais segurança na mira. Kuroko ficou encarando-o, tentando memorizar aquela imagem em sua mente, Akashi era realmente lindo. — Apenas olhe e dê uma de Ryouta. — Kuroko riu baixo com a menção da técnica quase perfeita de copiar do modelo conhecido por ambos.
Akashi atirou.
– Aqui está. — O homem da barraca sorriu entregando um ursinho de pelúcia enorme para Kuroko, era um cachorro de olhos azuis como os seus, mas tinha quase seu tamanho, Akashi sorria orgulhoso. — Parabéns e boa noite.
– Boa noite, muito obrigado. — Akashi acenou cordialmente para o homem e, inconscientemente, enlaçou a cintura de Kuroko, que segurava o urso com ambas as mãos. — Mereço o título de Imperador, Tetsuya.
– Ó, claro, vossa majestade. — Kuroko riu baixo, tentando não transparecer o nervosismo por estar sendo abraçado pelo maior pela cintura, e mais ainda por estar gostando do toque firme de sua mão. — Quer que eu me ajoelhe e beije sua mão também? — Olhou para o ruivo e este riu.
– Bem, como meu fiel súdito, deveria, mas o perdoarei por duvidar de minhas capacidades. — Kuroko riu e cutucou a barriga do maior, fingindo-se de bravo. Apesar de sua vergonha, estava gostando de como as coisas simplesmente fluíam com o ruivo. — Vamos comprar algo para comer e depois ir para a roda gigante, pode ser?
– Oh, sim, estou faminto. — Kuroko sorriu. — Quero pipoca.
– Vamos lá. — Akashi o puxou pela cintura, dando-se conta do que estava fazendo apenas naquele momento, sentiu vergonha por nem ao menos ter percebido seu ato, mas também ficou mais aliviado por não ter sido rejeitado por Kuroko. — Está ficando frio, né?
– Uhum, parece que vai chover. — Kuroko olhou para cima enquanto Akashi se dirigia ao homem que vendia pipoca, pedindo uma grande, enquanto o menor ainda tentava decifrar se choveria ou não. Não demoraram muito ali e já caminhavam para a roda gigante, Akashi levando a pipoca e Kuroko os ingressos e Nigou (nome que Akashi deu ao ursinho de Kuroko).
Entraram em uma das cabines e Kuroko sentou-se ao lado de Akashi, para comerem a pipoca juntos. O ruivo o deixou sentar no lado da janela que dava visão para a cidade e o parque, enquanto Nigou estava pousado a frente de ambos.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!– Que pipoca gostosa. — Comentou Kuroko pegando mais um pouco da comida no pacote, Akashi sorriu. — Ah, vai começar! — Kuroko sorriu animado quando a roda gigante começou a girar lentamente. Mas logo suspirou e encarou o maior. — Obrigado, Aka... Seijurou... foi um passeio muito divertido.
– Ainda nem terminou, Tetsuya. — Akashi sorriu fraco olhando para fora, começavam a chegar até a parte mais alta da roda gigante. — Que bela vista.
– Sim... gosto daqui.
– Costuma vir bastante aqui? — Perguntou o ruivo pegando mais um pouco de pipoca e colocando na boca.
– Não... a última vez foi com a Seirin. Faz tempo. — Deu de ombros e suspirou. — Muito tempo...
– Tetsuya... — Akashi chamou sua atenção, uma pergunta formigava em sua garganta. O menor o encarou esperando, completamente inexpressivo. — Você... você sente falta da época da Teiko? — A pergunta era muito forte, apesar de parecer tão simples, pelo menos ela era de grande peso para o ruivo, que encarou os olhos grandes e azuis sendo iluminados pelas luzes da cidade. Kuroko virou o rosto para a janela, suspirando pesadamente, Akashi podia ver seu rosto refletido no vidro.
– Não sei... — Sussurrou colocando a mão no vidro, começava a ficar branca por causa da friagem do lado de fora. Desenhou uma bola de basquete com a água e sorriu fraco. — Não posso negar que eu me sentia muito feliz no começo e que me sinto grato por ter me colocado lá... foram anos incríveis e conheci pessoas ainda mais incríveis. Mas a Teiko...
– Não estou te perguntando necessariamente sobre nossa política de jogo... — Kuroko o encarou franzindo a testa. — Eu quero saber se sente falta de correr pela quadra comigo, de ficar até mais tarde no colégio até o coordenador vir nos falar que já era hora de ir... de comemorar uma vitória, dos treinos massacrantes... Não só disso, mas...
– Desde quando minha opinião sobre você conta tanto assim? — A pergunta não fora ríspida, mas curiosa, Kuroko queria entender o que estava acontecendo com o maior. Akashi não era daquele jeito, o conhecia muito bem, tão bem quanto Midorima. O ruivo olhou pela janela uma vez e suspirou, espalmando sua mão no vidro com certa delicadeza, deixando o menor preso entre seu braço e o assento. — Se... Seijurou?
– Desde quando você não sai da minha cabeça... — Sussurrou antes de aproximar os lábios dos de Kuroko, que arregalou os olhos com a proximidade extrema de seus lábios, seu nariz tocava o de seu antigo capitão, seu rosto corava e podia jurar que o som das batidas de seu coração eram claramente audíveis, seus lábios quase se roçavam. — Eu também não sei o que está acontecendo comigo nem desde quando você chama tanto a minha atenção... mas eu não estou conseguindo dormir pensando em você, fico bravo quando escuto você falando que gosta de Kagami ainda, por isso me afastei por um tempo... mas não aguentei ficar longe mais do que isso. O tempo todo eu pensava que podia estar com você, quando chegava em casa sentia falta de ver seu cabelo pelo sofá e o som da televisão... quando me deitava sentia falta do seu corpo para abraçar, do seu cheiro... — Akashi suspirou e encostou a testa na do menor, envolvendo sua cintura num abraço carinhoso com a mão que não estava no vidro. Não haviam notado ainda, mas a chuva começava a cair lenta, deixando a paisagem fria, mas ainda assim, bela.
– E-eu... Se... — Kuroko começava a tremer, não de medo, não de ansiedade, nem mesmo ele sabia do quê, mas suas mãos tremiam e não conseguia esconder, seus olhos estavam arregalados e seu rosto quente demais. Akashi estava tão perto, podia sentir o calor de sua face. Colocou suas mãos no peitoral do maior, as batidas de seu coração estavam tão rápidas quanto as suas, Akashi retirou a mão do vidro e colocou sobre as suas, entrelaçando-a com uma delas.
– Eu não sei o que está acontecendo comigo... não sei o que é isso, porque eu nunca senti. — Seus olhos estavam fechados, nem mesmo estava pensando no que falar, apenas deixava que as palavras fluíssem por seus lábios, estava tão confuso. Só queria que Kuroko lhe desse respostas sobre algo que estava preso dentro de si. — Só sei que... que quando estou perto de você eu me sinto realmente bem, não sei se isso está acontecendo há anos e eu simplesmente ignorei, não sei se começou agora. Sei lá, argh... — Akashi abriu os olhos e encarou o azul vasto e calmo que eram os olhos do menor. — Sei que ainda ama o Kagami, eu não quero tirar proveito dos seus sentimentos nem substitui-lo, não quero te forçar a nada, porque nem eu me entendo, então não posso te impor uma coisa tão confusa assim...
– Seijurou, você fala demais. — Kuroko sorriu fraco e suspirou, enchendo-se de coragem. — Não importa se é confuso e se não sabe o que está sentindo... na verdade, ninguém nunca sabe, não é? — Sorriu fraco e apertou a roupa do maior, estava nervoso demais. — Não vou negar que, quando lembro do que passei com Kagami, meu coração aperta, talvez de saudade, talvez porque eu sinta que perdi meu tempo... não sei o motivo, mas n-não... não é como se eu o amasse ainda. Pode ser rápido para deixar de amar alguém, ou talvez eu apenas tenha me dado conta de que jamais o amei realmente... sei lá, tudo é confuso, viu? — Riu baixo.
– Então que se dane. — Kuroko ficou surpreso ao escutar a fala do maior, mas não teve muito tempo para pensar nisso quando seus lábios foram tomados pelo maior. Fechou os olhos e abraçou o pescoço de Akashi, que levou as mãos para suas costas, trazendo-o para mais perto de si, alisando-a com carinho enquanto seus lábios moviam-se um contra o outro, suas línguas dançavam juntas, como se já soubessem os passos daquele ritmo há muito tempo. O beijo não durou tanto quando Akashi gostaria, não por falta de ar ou algo assim, afinal respiravam pelo nariz.
Ficaram em silêncio enquanto seus olhos não desgrudavam um dos outros, tentando entender o que se passava ali dentro, mas não entendiam, jamais entenderiam... talvez. Kuroko sentiu seu rosto aquecer ao notar o que havia feito e com quem havia feito, jamais imaginou que realmente beijaria Akashi, se tivessem lhe contado quando ainda estudava na Teiko, provavelmente teria rolado de rir no chão. Um sorriso fraco quis formar-se em seus lábios, mordeu o inferior e abaixou a cabeça, encostando-a no peitoral do maior.
– Está chovendo... — Sussurrou e Akashi o apertou olhando para fora, haviam parado a montanha-russa e eles estavam em uma das partes mais altas, logo começariam os fogos e haviam pego um lugar realmente bom para assistir aquilo. O ruivo o apertou nos braços, colocando seu queixo sobre a cabeça do mesmo, sentindo os fios claros passarem suavemente por sua pele.
– É... está chovendo. — Murmurou, entendia bem o que Kuroko estava sentindo agora. Também não sabia como lidar com aquilo nem o que falar, então decidiu continuar em silêncio, mas um sorriso insistia em aparecer em seus lábios, não se conteve e sorriu, observando a cidade ser molhada pela chuva fina.
– Posso te beijar de novo? — A pergunta veio tão baixa que Akashi pensou ter delirado, mas Kuroko ergueu o rosto novamente, estava muito corado. O ruivo sorriu e esperou enquanto o menor segurava seu rosto e se aproximava ainda tímido, seus lábios se tocaram lentamente, o de cabelos azuis os roçou, aproveitando aquele deslizar gostoso e suspirou antes de abrir a boca lentamente junto ao maior, suas línguas se tocaram agora mais seguras, mas ainda sabendo bem o que fazer, como se fosse o destino que se encontrassem um dia. Kuroko acariciou a bochecha do ruivo com a ponta dos dedos, sorrindo fraco em meio ao beijo quando escutou a explosão de um fogo de artifício. Akashi passou uma mão por seu pescoço, aprofundando ainda mais o beijo e sorriu junto ao menor enquanto seus lábios se separavam lentamente, roubou um selo rápido e carinhoso.
Kuroko virou-se de costas para o maior e apoiou-se em seu peitoral, sentindo-o abraçar sua cintura por trás e beijar seu ombro. A vista era mais do que bela, a chuva deixava tudo ainda mais intenso. O menor pensava que a chuva sempre expressara uma tristeza que não gostava muito, mas... naquele momento, a chuva era linda e romântica, fazia uma música gostosa contra o vidro, o fazia bem. Suspirou e fechou os olhos colocando sua mão sobre a de Akashi.
Há quanto tempo tinha terminado com Kagami?
Quase dois anos.
Há quanto tempo ele fora embora para os Estados Unidos ficar com Logan?
Quase um ano.
Por que não resolver sua vida de uma vez?
Continuou a observar as explosões no céu e puxou o urso que havia ganho de Akashi, abraçou-o com carinho e olhou para cima, apreciando a face calma do ruivo, sendo iluminada pelos fogos. Como nunca notara o quão lindo ele é?
– Tetsuya... — Sussurrou Akashi enterrando o rosto em seu pescoço.
– Uhn? — Fechou os olhos, aproveitando os beijos leves que eram depositados na curva de seu pescoço e ombro.
– Durma comigo hoje... — Pediu num sussurro suave, enquanto afastava o rosto para olhar nos olhos azuis, Kuroko corou com seu olhar intenso, entendendo o que Akashi queria dizer com aquilo, entretanto não havia um pingo de malícia em seus olhos... e foi justamente aquilo que lhe deu a segurança de que agora não precisava ter medo de ser abandonado, não precisava ter medo de se entregar. Então fechou os olhos e tomou novamente os lábios de Akashi...
Entraram em silêncio na enorme casa do ruivo, a chuva agora estava mais forte, mas não era incômoda, era até mais gostoso assim, o clima um pouco frio, era perfeito pra ficar junto de alguém. O ruivo levava nas costas uma mochila pertencente a Kuroko, que separara rapidamente algumas coisas para passar a noite na casa do... amigo?, fazendo questão de trazer Nigou junto.
– Fique a vontade. — Falou Akashi com um pequeno sorriso. — Quer tomar um banho?
– Eu gostaria. — Confirmou o menor já seguindo para o quarto que conhecia bem, afinal passara dias doente ali dentro. Akashi o seguiu pelas escadas e adentrou o cômodo consigo, observando-o deixar o ursinho sobre a cama de casal e virar-se para si, seu rosto estava ainda mais vermelho, como ainda não ficara. — Quer vir comigo?
– P-pode ser... — Até mesmo o ruivo sentiu o rosto esquentar, mas sorriu com segurança enquanto desfazia os botões do colete preto, Kuroko acompanhou com os olhos enquanto o fazia, retirando seu casaco azul, mas não demorou muito para desviar o olhar quando Akashi retirou a camisa branca e começou a caminhar até si, para deixar as roupas sobre a cama, junto às do menor. Akashi até tentou não olhar enquanto Kuroko retirava as calças juntamente à boxer, mas estava pensando sobre aquilo há muito tempo, queria muito vê-lo de novo; mais uma vez viu-se apreciando as curvas delicadas de seu corpo, a cintura fina demais para um homem, as nádegas nada avantajadas, mas redondas, as coxas firmes e roliças. Suspirou fraco e passou pelo menor, que o seguiu com os olhos, observando suas costas com músculos bem definidos. Akashi parou na porta do banheiro e retirou suas calças, jogando na cama e estendeu o braço para Kuroko após retirar a boxer também. — Vem...
– Hai... — Murmurou aproximando-se do ruivo. Colocou sua mão sobre a dele e sorriu enquanto caminhavam para o box, Akashi pensou em encher a banheira, mas talvez fosse melhor não desperdiçar água, afinal talvez aquele banho nem fosse tão longo assim. O ruivo fechou a porta de vidro e puxou a alavanca da ducha, medindo uma temperatura agradável para seus corpos, Kuroko mantinha a cabeça abaixada, olhando para suas mãos unidas.
O ruivo o puxou devagar, fazendo seu corpo molhar-se com água quente e sorriu enquanto o menor fechava os olhos aliviado e sorria fraco, riu baixo e abraçou-o pelo pescoço, unindo mais seus corpos, suspirou sentindo seu cabelo molhar também, Kuroko abraçou sua cintura, aumentando o contato entre os dois. Akashi queria falar algo, mas não sabia exatamente o quê, então deixou que as atitudes tomassem a vez; afastou o rosto um pouco e selou os lábios finos de Kuroko, descendo suas mãos pelos braços finos, passando para as costas até chegar à cintura, o menor colocou as mãos em seus ombros, aproximando-se um pouco mais.
A água quente caía por seus corpos, molhando seus rostos e adentrando em suas bocas, o que os fazia rir em meio ao ato, mas ainda assim não paravam. Akashi sorriu e separou seus lábios, encarando os olhos azuis. — Você é tão lindo... — Comentou, acariciando a face do menor, que arregalou os olhos e virou de costas, usando como desculpa o fato do sabonete estar atrás de si. — Ficou com vergonha? — O ruivo riu baixo, abraçando sua cintura.
– Não é como se você elogiasse as pessoas com frequência... — Comentou Kuroko enquanto ensaboava os braços. Akashi sorriu e levou as mãos até o sabonete, passando nas mãos até que ficassem ensaboadas, mantendo Kuroko entre seus braços, e então entregou o sabonete novamente para o menor, começando a passar as mãos pela barriga do de cabelos azuis, subindo até seu peitoral. Suas mãos deslizavam lentas, observava o ato, achando realmente agradável a pele de Kuroko em suas mãos.
– Nunca falei que alguém é lindo... — Riu baixo. — É que você é importante para mim. — Kuroko virou o rosto para outro lado e Akashi riu. — Você fica fofo com vergonha, Tetsuya.
– Seijurou, não vai dar certo se ficar fazendo isso. — Riu o menor procurando pelos olhos heterocromáticos. — Mas... repete isso?
– O quê? Que fica fofo com vergonha? — Akashi riu divertido sabendo bem que não era sobre aquilo que o menor queria escutar, subindo as mãos cheias de espuma pelo pescoço do menor, para então descê-las pelos braços brancos.
– Nããão... antes... — Kuroko sorriu e virou-se para o maior, olhando em seus olhos. Akashi encostou sua testa na dele e o abraçou forte, suspirando apaixonado para então roubar-lhe um beijo.
– Você é importante para mim. — Sussurrou o ruivo novamente, rente à orelha do menor, que levou a mão até os fios fúcsia de seu cabelo e alisou-os.
– Posso me acostumar com isso. — Comentou Kuroko com um sorriso de canto, apreciando cada pedacinho da face do maior.
– Isso?
– A ser importante para você... — Riu baixo colocando-se abaixo da água para que expelisse todo o sabão que, junto a Akashi, passara em seu corpo, porém não notara que Akashi acompanhava o movimento de suas mãos em seu próprio corpo, principalmente quando as levou até as nádegas, quando o ruivo corou e mordeu o lábio inferior, quase pedindo para que repetisse o ato. — Se te dissessem que isso iria acontecer... quando estávamos na Teiko, o que pensaria? — Kuroko abriu os olhos e sorriu para o maior, sem notar sua face corada.
– Talvez eu achasse estranho na hora. — Akashi riu fraco. — E passaria a olhar mais para você... — Aproximou-se do menor, que agora passava shampoo no cabelo azul, colocando mais um pouco nas mãos para passar nos fios fúcsia do maior, que fechou os olhos sentindo as mãos do menor passarem por sua cabeça. Akashi suspirou, queria beijar Kuroko de novo, queria abraçá-lo, tomá-lo em seus braços e fazê-lo seu... mas esperaria. Não queria ser apressado com o menor. — Falando nisso, podíamos reunir o pessoal para jogar basquete, né? Sinto saudades de alguém a altura para jogar...
– Oh, seria divertido. — Kuroko sorriu. — Sinto falta do Kise-san...
– Do Ryouta? — Akashi riu.
– Sim, é estranho não tê-lo gritando por perto sempre. — Kuroko sorriu puxando Akashi para lavar o cabelo. — Ainda mais agora que ele está morando em Londres.
– Está? — Akashi passou as mãos pelo rosto para retirar o sabão que escorria por ela e se afastou da água, enquanto Kuroko tomava seu lugar.
– Uhum, ele começou a namorar com um cantor de lá, acho que o nome dele é Kasamatsu, algo assim... é um japonês que cresceu lá. — Kuroko suspirou e começou a passar o condicionador pelo cabelo, estendendo o pote do mesmo para Akashi.
– Esqueceu Aomine? — Akashi sorriu fraco, feliz pelo amigo.
– Parece que sim. Finalmente, eu diria. — Akashi o observou lavar o cabelo e não conseguiu evitar o pensamento de que já passara da hora do menor esquecer Kagami também, mas não se concentraria naquilo. Afinal estava indo tudo bem com Kuroko, não queria causar um incômodo como aquele. Aproximou-se da água e molhou o cabelo também, sentindo a espuma deslizar por seu corpo.
– Ei, vamos ao cinema amanhã? — Akashi perguntou repentinamente, abrindo os olhos, encontrando Kuroko com a face corada. — Vai lançar um filme legal.
– Ok... — Murmurou o menor virando-se de costas, não queria que Akashi notasse para qual lugar seus olhos tinham caído... não que fora proposital, seus olhos apenas passaram pelo membro do maior e acabou se concentrando ali mais do que devia. Tentou não ficar imaginando coisas com a visão do que havia ali e suspirou, não era hora para ficar excitado! Se Akashi notasse, morreria de vergonha. Mas antes que começasse a se xingar mentalmente, sentiu o tronco do maior tocar suas costas, assim como sua cintura tocar a sua, de forma que o membro ainda amolecido de Akashi tocasse suas nádegas. Suspiraram juntos. — S-Seij... — Mas o maior já havia virado seu rosto e tomado seus lábios agora com mais intensidade do que os outros beijos. Suas línguas moviam-se num ritmo mais acelerado agora, explorando mais da boca oposta, era um beijo realmente envolvente.
Kuroko apoiou as mãos na parede, certo de que acabaria caindo se não o fizesse e Akashi sorriu para o ato, começando a passar as mãos pela barriga do menor. — Feche a ducha, Tetsuya... — Sussurrou em sua orelha, observando o menor empurrar a alavanca com certa pressa. Sorriu fraco e envolveu-o num abraço forte, guiando seu corpo magro para fora do box, Akashi puxou uma das toalhas que deixara pendurada e secou o cabelo do menor de qualquer forma, fazendo o mesmo consigo, mas pior ainda, porque Kuroko não parava de lhe dar beijos rápidos, que terminavam em mordidas no lábio inferior.
– Seijurou... — Kuroko sussurrou puxando-o pela mão para que saíssem do banheiro, no caminho, apagou a luz do mesmo, de forma que o quarto ficou sendo iluminado apenas pela luz precária que vinha da janela e o menor achou melhor assim. Suas mãos ainda seguravam com firmeza as de Akashi, podia ver a sombra de um sorriso nos lábios do maior, o que o fez sorrir também, mas acabou ficando inseguro. Era ainda o primeiro dia que descobriam com clareza sobre seus sentimentos, era certo já partirem para algo tão íntimo assim? — T-tem certeza de que quer isso?
– Como assim? — Akashi riu baixo, quase sem entender a pergunta. Aproximou-se do menor e lhe beijou a testa. — É claro que eu quero... mas se não estiver pronto para fazer com outra pessoa ainda, posso esperar. — Alisou o cabelo ainda muito úmido e roubou um selo casto dos lábios rosados.
– Não, não é isso. — Kuroko riu baixo. — É só para ter certeza... — Suspirou e voltou a encarar o ruivo. Ainda era muito estranho para si que seu coração aquecesse tanto apenas por ter aqueles olhos direcionados a si, fechou seus próprios olhos e esperou. Akashi não se demorou em tomar seus lábios enquanto deitava consigo na cama espaçosa, ficando sobre seu corpo. O beijo, que começara lento, agora começava a ganhar velocidade e calor, Kuroko apertava as costas do maior, tentando trazê-lo para o mais próximo que a física os permitia, enquanto Akashi apoiava-se na cama e explorava sua boca, tentando conhecer cada cantinho do local.
– Fica comigo, Tetsu... — As palavras vieram antes que pudesse controlá-las e talvez nem o quisesse; desceu os beijos para o queixo do menor, deslizando sua língua pelo pescoço fino, depositando beijos e mordidas, marcando-a. — Fica comigo e esqueça o resto... — Sussurrou rente à orelha avermelhada, mordendo-a em seguida, sua mão direita começando a deslizar pelo corpo abaixo, decorando cada curva, o calor, a textura, tudo. — Me deixa ser o único para você agora.
Kuroko até queria responder algo, mas sua garganta estava presa, não porque fosse chorar, simplesmente estava surpreso demais com todo aquele carinho de Akashi, jamais imaginou que alguém lhe falaria algo como aquilo, ainda mais o ruivo em questão. Mas não ligou, apenas abraçou o pescoço do mesmo e virou-se com ele na cama, ficando por cima. Sorriu com carinho sentando-se no quadril do maior, alisou seu peitoral, deixando que suas mãos conhecessem o corpo a quem se entregaria agora, subiu as mãos até o pescoço, passando os dedos pelo cabelo macio recém lavado. Aproximou seu rosto do de Akashi e lambeu seus lábios, iniciando um beijo lento, mas intenso, enquanto apertava a nuca do maior.
Uma sensação quente e acolhedora envolvia seu coração, era como se nada mais além de Akashi e aquela cama existissem, como se aquilo fosse tudo em seu mundo, como se a chuva que açoitava a janela não importasse. E tudo em seu corpo respondia ao sentimento, envolvendo cada fibra de seu corpo, arrepiando-o por completo. Respirou fundo em meio ao beijo, mordendo o lábio inferior do ruivo, começando a repetir o ato dele em si, beijando-lhe o pescoço, lambendo-o. Akashi suspirava baixo, sentindo seu corpo arrepiar. Kuroko desceu mais, beijando seu peitoral, descendo até seu baixo ventre, deslizando sua língua pelo local, causando uma sensação eletrizante no corpo de Akashi.
Sua língua passou a brincar com a virilha do ruivo, que levou a mão até seu cabelo, acariciando-o. Akashi apoiou-se em um dos cotovelos e passou a encarar a face corada do menor enquanto fazia aquilo em si, sua mão tímida agora segurava o membro semi-ereto do ruivo, movendo-se devagar para excitar ainda mais o outro. Não demorou muito para a língua quente e molhada de Kuroko tocar seu falo, fazendo-o grunhir baixo de prazer ao senti-lo deslizando-a por toda sua extensão, desde a base à glande, a qual deu uma atenção especial.
– A-aah... — Akashi gemeu baixo quando Kuroko começou a engolir seu membro, sentindo-se bater contra sua garganta, fechou os olhos com força e ofegou, para então abrir novamente os olhos e ter o prazer de ver os olhos azuis em sua direção, brilhando diferente agora, era um brilho mais escuro, luxurioso. Os lábios macios pressionavam-se contra seu membro, sua língua movia-se causando sensações incríveis no ruivo, que movia a cintura contra sua boca. — Te-Tets...
– Seijurou... — Kuroko retirou seu membro da boca, deixando um filete de saliva entre ambos, o que excitou ainda mais o ruivo, que sentiu seu membro pulsar e crescer um pouco mais, o menor riu baixo ao notar o acontecido e ficou novamente sobre o ruivo, apoiou-se em seus ombros e selou seus lábios, enquanto Akashi abraçava sua cintura com certa força, roçando seus membros eretos. — Aah... — Kuroko suspirou quando o ruivo segurou sua bunda, forçando-o contra si, de forma que acabaram pressionando um membro no outro.
– Meu Deus, Tetsuya... — Akashi ofegou encarando o homem acima de si, apertando mais a carne macia de suas nádegas. — Você é muito gostoso. — O ruivo fora realmente espontâneo ao comentar, não esperava envergonhar tanto o menor, mas também não evitou rir quando este escondeu o rosto em seu pescoço. Como ele podia sentir vergonha de um comentário como aquele depois de tê-lo chupado? — Lindo... — Sussurrou voltando a ficar sobre o de cabelos azuis.
Alisou o cabelo azul e sorriu fraco, tomando os lábios rosados para si novamente, beijou-o de forma apaixonada, aproveitando o calor de seu corpo, gostando de escutar os suspiros contidos do menor enquanto apertava sua cintura. Movia-se sobre o menor inconscientemente, gemiam juntos quando tocavam-se mais intimamente, ofegando alto.
Kuroko o empurrou devagar, fazendo-o se sentar, ficando de joelhos, sorriu fraco pegando uma das mãos do ruivo, corou com o que ia fazer, mas sabia que, se quisesse melhorar as sensações, teria de fazer aquilo, afinal fazia realmente muito tempo que não tinha um relacionamento íntimo com alguém. Suspirou e levou os dedos de Akashi até sua boca, lambuzando três deles, deixando-os bem molhados, ao terminar, sorriu para o ruivo e apoiou-se em seus ombros, aproximando mais seus corpos, enquanto empinava-se um pouco.
– Vá devagar, por favor... — Sussurrou escondendo o rosto no pescoço do maior, que sorriu enquanto levava os dedos até a entrada do menor, seu braço livre apertando a cintura magra, enquanto seus lábios beijavam e marcavam o pescoço do menor ainda mais. Kuroko grunhiu de dor apenas quando colocou o terceiro dedo, mordeu seu ombro ofegando descompassadamente, para tentar aliviar as sensações, levou a mão livre até o falo do menor, começando a masturbá-lo lentamente, o que funcionou para Kuroko esquecer o incômodo.
Akashi o virou devagar e desceu pelas costas do menor, lambendo-a, até chegar à entrada do mesmo, penetrando-o com a língua. Kuroko curvou-se até ficar de quatro e apertou os lençóis, sua voz ecoou pelo quarto enquanto Akashi movia o músculo cada vez mais rápido dentro de si, movendo a cabeça para dar mais intensidade ao ato.
Não demorou muito até Kuroko se sentir mais confortável, até movia-se contra a boca de Akashi, que ficava mais excitado a cada gemido manhoso que o menor deixava escapar. — Pegue as camisinhas na primeira gaveta. — Sussurrou ao pé da orelha do menor, lambendo-a em seguida, escutando um gemido baixo como resposta. Kuroko engatinhou pela cama até chegar perto da gaveta, dando a Akashi uma visão bem atraente de sua entrada molhada pela recente preparação. O ruivo mordeu o lábio inferior e suspirou, observando Kuroko se aproximar com suas camisinhas.
Uma Akashi colocou em si e a outra Kuroko deslizou pelo próprio membro, assim não sujaria os lençóis do ruivo quando tivesse um orgasmo. Olharam-se ao fim do ato e sorriram um ao outro, Kuroko se aproximou novamente do ruivo e selou seus lábios, abraçando o pescoço do mesmo, este moveu-se consigo na cama, fazendo com que suas costas se apoiassem na parede, gemeu baixo pelo frio da mesma e suspirou abrindo os olhos, encontrando os de Akashi observando suas expressões de forma intensa.
– Olhe para mim enquanto faço isso, Tetsuya... quero ver. — Murmurou o ruivo segurando as pernas do menor para então puxá-las sem aviso algum, de forma que Kuoko quase caiu sentado na cama, já que estava de joelhos, mas o ruivo ergueu suas pernas, deixando seus braços apoiados na parede, enquanto suportava o peso das pernas do menor. Kuroko corou fortemente, estava tão aberto como jamais estivera em toda sua vida, os olhos de Akashi passavam por todo seu corpo, parecendo querer decorar aquela cena.
– M... me beije... — Pediu num sussurro quase inaudível por conta da chuva que agora caía forte lá fora. O ruivo acatou ao pedido e aproximou seus lábios, tocando-os com suavidade e carinho, massageando os lábios opostos enquanto roçava seu membro na entrada do menor, que ofegava mais alto agora, com as unhas cravadas em sus ombros. O beijo foi aumentando o ritmo gradativamente, ficando lascivo, promiscuo, cheio de insinuações as quais conheciam muito bem. Moviam a língua fora de suas bocas, entrelaçando-as. — A-ah, d-deva-agar... — Pediu Kuroko franzindo a testa quando, por acidente, Akashi acabou pressionando-se contra sua entrada, penetrando de uma vez sua glande.
– Ah, me desculpa, foi sem querer. — Ofegou, encostando sua testa à do menor. — Te machuquei?
– Iie... — Suspirou sorrindo fraco, olhou para o maior e acenou, mostrando que estava pronto agora. Akashi sorriu também e começou a empurrar-se para dentro do menor, estremecendo ao ser abrigado pelo local quente e apertado, mordia o lábio inferior observando as expressões do outro, que mantinha os olhos abertos como havia pedido, seu peito subia e descia. — Aah, ngh... Seij... aah! — Kuroko fechou os olhos quando sentiu estar preenchido por completo, mordeu o ombro do maior e apertou-o num abraço ainda mais forte.
– Quando quiser que eu me mov-
– Pode ir, por favor... não quero esperar muito. — Kuroko falou um tanto apressado, sua voz saía trêmula pelo pazer que sentia. Nada mais importava, nem mesmo a dor que poderia sentir. Akashi ficou um tanto relutante, mas decidiu acatar ao pedido do menor, afinal doeria de uma forma ou de outra. Começou lento, apenas aproveitando a sensação prazerosa dali, ofegando junto ao menor.
Seus corpos suavam e o ar parecia mais pesado no quarto, o cheiro de sexo já era óbvio, mas não era algo ruim, muito pelo contrário, aquilo apenas os excitava mais. Kuroko mantinha o contato visual com Akashi, porém seus olhos estavam quase fechados tamanho o prazer que sentia, tentava expressá-lo pela voz e pelas marcas inconscientes que deixava pelo corpo do ruivo.
Kuroko deixou-se olhar para o contado entre seus corpos e arrepiou-se por completo observando o membro de Akashi movendo-se rápido para dentro de si, podia ver uma veia saltando no mesmo através da camisinha, sabia que ele estava tão excitado quanto si e sentiu-se satisfeito com aquilo. Olhou para o ruivo mais uma vez, seus olhos heterocromáticos brilhavam numa luxúria que jamais havia visto naquela face, um sorrisinho sacana brincava pelos lábios avermelhados pelas mordidas e beijos fogosos do menor. Estava lindo, muito lindo.
Empurrou Akashi para que caísse sobre a cama e riu de sua cara de susto ao pensar que havia escorregado ou algo do tipo; arrumaram as pernas rapidamente e Kuroko espalmou as mãos no peitoral do ruivo, começando a mover-se sobre ele, tão rápido quanto quando ele o estocava antes. Suas vozes ecoavam juntas pelo cômodo, o que fazia Akashi desejar poder fazer aquilo ali muitas mais vezes com aquele homem. Segurou sua cintura com força e apoiou-se com os pés na cama, começando a escocar contra Kuroko enquanto ele cavalgava sobre si, por impulso entrelaçaram suas mãos para dar mais impulso aos movimentos que faziam.
– Aaah! Seijur-rou... aahn! — Kuroko jogou a cabeça para trás, sentindo ser tocado no lugar certo, tentou repetir o ato, mas encostava lá poucas vezes, mas seu prazer não diminuía. Porém Akashi notou e sorriu pervertido, desfazendo o enlaçar de suas mãos para segurar a cintura do menor com força, assim chocava seus corpos com mais força e contra o lugar que Kuroko tanto queria ser tocado. — Aaah... i-isso... Seijurou... aahhh, ma-mais! — O de cabelos azuis fechou os olhos arranhando o peitoral do maior e rebolou contra seu membro, contraindo-se com força, fazendo Akashi gemer um tanto mais alto.
A cama rangia com o movimento de seus corpos, às vezes a parte da cabeceira batia contra a parede, fazendo-o dar risadas pela situação, mas sem conseguir parar com os movimentos únicos de seus corpos. Akashi virou Kuroko repentinamente, ficando sobre o mesmo, colocou uma de suas pernas em seu ombro e aumentou a força de suas estocadas, saindo por completo do menor e penetrando-o com força novamente. O menor gemia tão alto que quase gritava, os olhos arregalados só conseguiam expressar o prazer que sentia e nada além, enquanto suas mãos tentavam puxar os curtos fios fúcsia do cabelo de Akashi.
– Ah, Tetsuya... — Akashi gemeu rouco o nome do menor, que o encarou ao escutar seu nome sair daquela forma pelos lábios do outro, puxou-o pelo pescoço e selou seus lábios, Akashi ainda assim não diminuiu o ritmo nem a intensidade das estocadas, que começavam a levar Kuroko ao limite. Akashi apertou a coxa roliça que se pressionava contra sua barriga e desceu os lábios, marcando o pescoço do menor para então tomar um de seus mamilos com os dentes, mordendo-os e puxando, lambendo, fazendo com que Kuroko arqueasse as costas e puxasse os lençóis, derrubando travesseiros sem se importar com absolutamente mais nada.
Agarrou as costas de Akashi e passou a arranhá-las, sentindo seu membro pulsar e espasmos tomarem conta de eu corpo, olhou para o ruivo, que sorria para si e grunhia por causa dos arranhões, o mesmo soltou sua perna e Kuroko logo tratou de abraçar sua cintura, para então beijarem-se com o resto de fôlego que ainda possuíam, seus corpos fazendo um som alto ao se chocarem, seus gemidos ficando presos em suas gargantas por causa do beijo desesperado que trocavam agora. Kuroko apertou os braços de Akashi ao jogar a cabeça para trás gemendo seu nome enquanto sentia seu membro expelir sua essência dentro da camisinha.
– Aaah, Se... aah! — Ainda gemia sentindo Akashi bater contra seu ponto fraco, para então chegar ao seu limite também, estremecendo ao gozar dentro do menor. Ofegavam alto e o calor era intenso ali dentro, mas não se importaram tanto. Akashi deixou seu corpo cair sobre o de Kuroko e tomou seus lábios agora com mais calma, sorriam em meio aos beijos leves, que se baseavam em roçar de lábios, fingimentos de beijos, beijos carinhosos e preguiçosos.
Akashi retirou-se lentamente de dentro de Kuroko, suspirando pela falta do calor gostoso em seu membro e tirou a camisinha do próprio membro, dando-lhe um nó e levantando-se, esperou Kuroko fazer o mesmo e foi até o banheiro, jogou as camisinhas no lixo e suspirou, olhando seu corpo todo marcado no espelho. Um sorriso brincou em seus lábios, estava tão desatento que nem notara que Kuroko estava logo atrás de si, apenas se deu conta quando o mesmo abraçou sua cintura por trás, apoiando o queixo em seu ombro. Sorriram um ao outro pelo espelho.
– Você está bem? — Perguntou o ruivo acariciando as mãos de Kuroko que estavam sobre sua barriga, o menor confirmou com a cabeça e suspirou, aspirando o cheiro de seu cabelo. — Quer comer algo? Fazer alguma coisa, sei lá... ainda é cedo.
– Quero um Vanilha Shake. — Akashi riu e revirou os olhos, o menor riu consigo e suspirou, entrelaçando seus dedos. — E-eu... eu gostei muito do que tivemos hoje... — Admitiu o menor com um pequeno sorriso nos lábios. — Não só sobre o sexo... mas ao passeio também... e o Nigou... — Riu baixo apertando o maior. — Obrigado por tudo que tem feito por mim. — Akashi sorriu e virou-se, encostou-se à pia e puxou o menor, abraçando-o com extremo carinho enquanto alisava seu cabelo, olhou para o lado, onde ficava o espelho de corpo inteiro, encarando seus corpos unidos daquela forma.
– Olhe ali... — Sussurrou apontando para o espelho e Kuroko o fez. — Nós estamos juntos agora. — Akashi sorriu fraco e colocou o rosto entre os fios azuis completamente bagunçados enquanto o menor o encarava pelo espelho. Beijou a cabeça do menor, apertando sua cintura. — Eu fiz isso tudo porque gosto de você, porque quero que fique comigo, Tetsuya... — Sussurrava enquanto deslizava o nariz pela pele sensível de seu pescoço, sentindo o cheiro natural de sua pele misturado ao do sabonete. — Não quero que fique preocupado achando que agora vou lhe dar as costas, também não quero que pense que para mim isso foi só sexo, foi muito mais do que isso, só não sei o quê ainda. Quero que confie em mim e me deixe ser a pessoa que vai ficar ao seu lado.
– Você só sabe me deixar com vergonha, não é? — Mas sorria fraco. Encolheu-se nos braços de Akashi, sem conseguir deixar de olhar para o espelho, pensando que realmente ficava bem em seus braços fortes. — Eu quero ficar com você, Seijurou... o resto não importa se você estiver aqui comigo... ninguém importa.
– Então não vamos nos preocupar com mais nada, nem com o amanhã. — Akashi sorriu e também olhou para o espelho, sua cabeça apoiada sobre a de Kuroko, ambos sorrindo com carinho. — Vamos deixar acontecer...
– Sim... também posso me acostumar a isso. — Kuroko fechou os olhos e o ruivo não pôde perder a chance de roubar seus lábios para si mais uma vez.
O ruivo não conseguia tirar os olhos daqueles sorrisos que existiam apenas para si, daquelas expressões que apenas ele poderia ver agora. E lutaria para ser merecedor de todas elas, ficaria ao lado de Kuroko e não o deixaria ir.
~x~
Akashi colocou as mãos nos bolsos da calça esportiva que usava, observando Himuro abraçar o pescoço de Kise e começarem a sair da casa que o moreno dividia com Murasakibara, todos riam animados com o jogo que disputariam entre si agora. Até Midorima parecia animado com a ideia. O ruivo sorriu contido observando seu namorado conversar com Logan, o atual namorado de Kagami, pareciam ter se tornado muito amigos com o passar dos meses, tinham gostos muito parecidos, dentre eles, Vanilla Shake.
Caminharam até uma quadra próxima à casa do casal e começaram a dividir seus grupos, Akashi acabou ficando contra Kuroko e um marcaria o outro, muitos ficaram bem animados com as divisões de times, seria uma luta realmente acirrada e Kuroko estava determinado a fazer o namorado perder e, de quebra, Aomine, que estava novamente inflando seu ego. Tinha Murasakibara, Midorima, Takao e Himuro ao seu lado, enquanto o outro time se resumia em Aomine, Kagami, Akashi, Kise e Kasamatsu.
– Prontos para perder? — Perguntou Aomine ao time de Kuroko, Himuro deu uma risadinha de canto e encarou o maior, cruzando os braços.
– Melhor ficar quieto, papai, para não se arrepender depois. — Arqueou uma sobrancelha e alguns vaiaram e riram.
– Acho que é melhor você ficar quieto, Tatsuya... — Kagami riu alto passando um braço pelo ombro de Aomine. — Porque nosso time é totalmente ofensivo e eu e Ahomine estamos juntos no mesmo lado da quadra agora. Sem contar que temos um copiador.
– E nós temos uma sombra e uma muralha, sem contar com nosso lançador. — Takao riu vitorioso e os outros riram, Momoi olhava da arquibancada com um pequeno sorriso, logo Riko e os outros chegariam também para fazer companhia e jogar com a Geração dos Milagres. Logan encarava-os aos risos.
Akashi se aproximou de Kuroko e todos ficaram em silêncio, sabendo que nenhuma provocação seria melhor que aquela, o menor manteve-se inexpressivo, mesmo que o caminhar gingado de seu namorado estivesse o seduzindo, continuou da mesma forma, sustentando o olhar provocativo do maior. Akashi parou com o corpo bem próximo ao seu, deixando os lábios rentes à sua orelha pra que ninguém além da sombra o escutasse.
– Eu te amo... agora eu entendi. — E se afastou com um sorrisinho sincero. Sabia que era jogo sujo falar aquilo naquela hora, mas queria muito falar o que estava sentindo, passara a manhã toda perdido em pensamentos sobre como falaria, mas, naquele instante, as palavras simplesmente saíram por seus lábios.
Todos se surpreenderam, até mesmo Akashi, quando o menor deu as costas a todos e começou a chorar baixo, até pensaram que tinham terminado, mas Akashi não conseguia responder tamanha sua surpresa.
– Seijurou, isso foi jogo sujo! — Exclamou o menor segurando a bola com força. Olhou com um pouco de raiva para o namorado e fez bico. — Eu vou te vencer.
– Tente.
– Eu vou! — Exclamou olhando para seu time. — Vamos esmagá-los.
– K-Kurokocchi? — Kise perguntou um pouco assustado com a aura assustadora que vinha do amigo.
– Você acha que pode me vencer com essas palavras? É tão ruim assim que precisa usar desses artifícios, Akashi. — Kuroko riu superior estufando o peito, ninguém conhecia reconhecê-lo e Akashi sorria de canto, era seu pequeno ali, aquele que existia apenas para si, mas não se importou em mostrá-lo aos outros. Queria que vissem o quão feliz ele estava. — Achei que seu basquete fosse limpo.
– Eu te venceria com essas palavras ou sem elas. — Akashi riu e Logan veio até a quadra para jogar a bola para cima. Murasakibara e Aomine a disputariam. Kuroko arqueou uma sobrancelha e correu até o ruivo, abraçando-o com força.
– Eu também te amo, Sei... — Sussurrou e sorriu para o ruivo com carinho, fazendo-o corar. — Depois do jogo, nós vamos para casa fazer amor... e vou te mostrar quem realmente é o vencedor. — Depositou um selo rápido nos lábios rosados e correu para seu lado da quadra, olhado para seu time que já se inclinava para pegar a bola que Murasakibara passaria.
Cada um tinha seu motivo especial para vencer aquele jogo, lutariam até o fim para conseguir aqueles pontos. Agora estavam mais determinados a vencer do que em qualquer outra vez em suas vidas, mais até do que nas competições pelas escolas.
Shadow Team: 124 pontos.
Emperor Team: 122 pontos.
– AHOMINE, SMEAGOL MALDITO! A CULPA É SUA, ATRAPALHOU TODO O JOGO! NÃO SABE ROUBAR BOLA NÃO? E A ZONA?
– BAKAGAMI, OTÁRIO, A CULPA É SUA! FICA SALTITANDO FEITO GAZELA PELA QUADRA E NEM ENTERRAR UMA BOLA CONSEGUE! TÁ FALANDO O QUÊ? ZONA? TU NÃO ENTROU NA ZONA TAMBÉM.
– Aominecchi no baka... Kagamicchi no baka... eu apostei uma coisa séria nesse jogo!
– O jeito é vencer na cama mesmo... — Akashi suspirou falando baixinho enquanto observava o discreto olhar pervertido que seu namorado lhe lançava. — Merda, Tetsu.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^
Tradução da música:
Diga a eles tudo o que eu sei agora
Grite isso de cima dos telhados
Escreva isso no horizonte
Tudo o que nós tínhamos se foi agora
Diga a eles que eu era feliz
E meu coração está partido
Todas as minhas cicatrizes estão abertas
Diga a eles que o que eu esperava seria
Impossível, impossível
Até mais >.
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