Notas iniciais
Desculpem a demora rsrsrs

POV Nico

– Nico! – gritou Leo – Meia hora para a troca de turnos!

– Já vou – grito de volta.

Minha cabeça está a mil. Fico me pergunto, por que ainda não fui embora? Um amor pode morrer? Como assim? Minha cabeça dói e eu não agüento mais. O único jeito de eu acabar com isso de uma vez por todas e tirar todo esse peso das minhas costas é confessando isso a ele. Mas isso está fora de questão.

Faço minha higiene matinal (sendo que já anoiteceu). O jantar/café da manhã foi agradável, os semideuses conversavam animadamente, menos Jason, que andava quase tão melancólico quanto eu. Eu não conseguia prestar atenção, estava muito envolto em meus pensamentos. Pensando bem, a possibilidade de confessar até que não parece ser uma má idéia.

Vejam bem, de qualquer jeito, vai ser um peso tirado das costas. Se ele não me aceitar, eu posso ir pelas sombras até o Mundo Inferior, nada me impede e morar lá. Eu só preciso arranjar um tempo a sós com ele. Está decidido. Eu vou contar.

***

Já está tarde. Jason está ao lado de Festus, provavelmente se lamentando. Piper ainda não acordou, já tentei falar com Jason, mas ele disse que precisava de um tempo para si, então o deixei em paz. Annabeth está em algum lugar fora do meu campo de visão, e Percy sozinho observando o horizonte.

O vento bate contra seus cabelos, o que o da uma aparência um tanto sexy. Hesito em ir até lá, e se ele tiver nojo de mim, e se ele contar para todo mundo. Mas eu tenho que ser forte. Eu tenho que tentar. Vou até onde ele está e fico observando o horizonte ao seu lado. Ficamos em silêncio por alguns minutos até que eu resolvo quebrar o gelo.

– Me desculpe por ontem – digo sem ao menos olhar para ele.

– Tudo bem – responde ele e me encara – todos tem dias difíceis, eu só queria saber o que te deixa tão abalado.

– Você quer saber mesmo? ­– questiono ainda encarando o mar, que agora está bem agitado.

– Sim. É claro que eu quero! – pede ele exaltado.

– É você Percy – repondo em voz baixa, quase como um sussurro, mas que eu tenho certeza que ele ouviu.

– O quê?!

– Você é o problema Percy! – digo á beira das lágrimas – você é a causa de tudo isso!

– O que?! – indagou novamente – Como assim? O que eu te fiz?!

– Eu disse que você não iria entender – respondo sem alterar a voz.

– Você ainda me odeia por causa de Bianca? – pergunta abaixando a voz.

– O que?! Não Percy, eu não te odeio!

– Então por que eu sou o problema? – acho que isso é coisa demais para o pequeno cérebro dele.

Então, em um momento de pura insanidade, eu faço algo que eu sei que eu me arrependeria pelo resto de minha vida... Ou não. Dou um impulso para frente e selo seus lábios nos meus. Seus lábios eram quentes e tinham um gosto incomparável. Eu esperava que ele simplesmente me empurrasse e me desse um fora. Mas não, não foi o que ele fez.

– M-m-me desculpe – digo assustado, ele me encara sem reação, como se estivesse ainda processando a informação. Creio que não seja nada fácil, nem eu entendi ainda.

Naquele momento, eu realmente não entendi nada. Percy fez algo que eu nunca pensei que faria. Ele me beijou. Dessa vez foi diferente, era como se ele estivesse determinado a fazer isso. Ele pediu passagem com a língua e eu cedo sem pensar duas vezes.

Nossas línguas dançavam uma valsa deliciosa, exploravam cada canto de nossas bocas. Meu coração batia mais rápido que qualquer coisa nesse mundo, eu sentia como se estivesse no verdadeiro paraíso. Porém, o ar se faz necessário, e sou obrigado a me separar daquilo que me faz feliz. Eu o encaro assustado e pelo visto ele também está.

POV Percy

Ainda não acredito no que aconteceu. Primeiro Nico disse que eu era o problema, depois ele disse que não me odiava, depois ele me beijou! Nico di Angelo me beijou! E o pior de tudo, o pior de toda essa maluquice, foi o que eu senti naquele momento. Não sou gay, tenho certeza disso... Ou será que não? Estou mais confuso do que quando faço uma prova de álgebra.

Em meio a essa confusão eu fiz o que eu sempre faço quando estou confuso, fiz o que minha mãe sempre disse para eu fazer: seguir o meu coração. E o que o meu coração disse para eu fazer? Simplesmente para eu o beijar. E foi o que eu fiz. Isso me deixou mais confuso do que eu já estava. Obrigado mãe, por esse ótimo conselho (só que não).

Preciso pensar. Por isso depois de tudo aquilo eu simplesmente saí andando rápido sem ao menos olhar para trás. Não sei o que está acontecendo, nem mesmo o que estou sentindo. O que está acontecendo comigo?!