Imperium Lan - A Queda de Um Império
2 Maximus
—Saudação! Podem sair.
Os largos corredores do liceu inundaram-se de alunos fardados com o toque de saida. Maximus era um dos milhares de alunos do liceu mais prestigiado do Império. Era o mais moderno liceu da cidade. Construído no apogeu da nação ostentava com orgulho o seu lugar na tabela das classificações, um dos dez primeiros. Maximus tinha apenas de zassete anos e era um dos melhores da sua turma, algo de que os pais se orgulhavam bastante e gostavam de incluir em todas as conversas sobre escola.
-Mimi, hoje vais para casa a pé?
-Sim, vens comigo?
Já era costume Maximus ir a pé para casa juntamente com Mimi, uma jovem rapariga de longos cabelos loiros. Eram de turmas diferentes mas falavam com regularidade. Quando podiam, almoçavam juntos e encontravam-se também fora da escola. Os colegas de Maximus gozavam dizendo que eram um casal não assumido de namorados, o que o deixava bastante enervado.
O Sol ia alto no céu e o calor do Verão era insuportável. Era sexta e não tinham aulas da parte da tarde, já que tinham que estudar para os exames finais.
-Que vais fazer depois dos exames? –perguntou Mimi, a sua cara era alongada e cheia de pequenas sardas que lhe davam um ar bastante alegre.
-Vou alistar-me na Força Interestelar. Quero ser um soldado.
-A sério? Porquê? És tão bom aluno podias ser qualquer coisa, como médico ou até mesmo presidente.
-Quero lutar pelo Império. Quero ser um dos que tornam a nossa nação grandiosa.
Desde pequeno que o jovem rapaz de cabelos cor de avelã sonha em alistar-se no exército. Tudo começou aos cinco anos quando o avô lhe ofereceu uma pequena nave espacial numa garrafa de vidro. Depressa se tornou no seu objecto preferido. O gosto foi crescendo ao longo dos anos e tornou-se numa obsessão. Sabia tudo sobre o espaço, sobre a frota de naves, sobre as armas, sobre a Força Interestelar. Sabia de cor todas as missões passadas, a história da Força, todas as músicas e hinos cantados.
-Há outras maneiras de fazer a nação grandiosa. Os bons médicos evoluem a medicina, os matemáticos e físicos permitem novas descobertas de materiais e coisas assim. Viste ontem nas notícias, os rebeldes foram arrasados.
-Pois foi. Ainda bem que o Imperador está a ter uma atitude forte, não nos podemos dar ao luxo de os deixar andar por aí, se fizerem o que quiserem o Império vai enfraquecer. Desde o inicio que o Imperador mostrou uma atitude forte e implacável, os rebeldes merecem tudo o que aconteceu.
-Mas ouvi dizer que morreram milhares de inocentes no ataque, talvez a Força devesse ser mais cuidadosa…
-Eram todos traidores, aquele que ajuda um traidor também o é. Tiveram todos o que mereceram.
-Não devias pensar assim. Eles têm as suas razões. Todos têm as suas razões.
-Razões de traidores. –respondeu num tom que levou a rapariga a mudar de assunto.
-Queres depois de almoço ir às compras? Preciso de uma opinião para uma coisa e não me dou muito com as raparigas do liceu, por isso… queres vir comigo?
-Pode ser. Às duas, na gare de Operlix.
-Às duas na gare de Operlix. – despediram-se com um abraço e cada um seguiu por ruas diferentes.
A casa de Maximus era uma rica vivenda não muito longe do pobre apartamento de Mimi. Era no moderno estilo do novo século. Chegou a casa para ser recebido pelos pais, já sentados à mesa que o esperavam. A mãe, que não trabalhava, fizera para o almoço lulas recheadas com batatas e sopa de ovo com espinafre. A sobremesa foi um doce de ovos com pão de ló. O pai, funcionário publico, saiu depois de comer e o jovem subiu para o seu quarto para se preparar. Tirou o uniforme azul escuro do liceu e vestiu umas confortáveis calças e uma camisa branca e azul bébé. Perfumou-se como sempre e depediu-se da mãe com um beijo.
O Sol foi subindo e o calor foi ficando cada vez mais insuportável. As ruas estavam desertas à hora em que os dois encontraram. Não se via vivalma, nem sequer um animal. Tiveram que esperar pouco pelo metroplitano e dirigiram-se ao centro da cidade. Os prédios eram bem mais altos do que os da periferia onde habitavam. Todos em vidro tocavam os céus e rasgavam as nuvens com crueldade. As ruas estavam amarelas com os milhares de táxis e aqui e ali viam-se estradas que subiam e desciam num enorme emaranhado de betão e aço. Calvo Caca, a capital do Império, a maior cidade e a que mais orgulhava a classe politica e o povo. Ao longo dos milénios cresceu desde um vilarejo na planicie para se tornar a maior cidade do Império, a mais próspera, a mais desenvolvida. Ali nasciam descobertas à velocidade da luz. Ali tudo era novo e moderno, onde todas as novidades chegavam primeiro. Os calvenses orgulhavam-se da sua metropole o suficiente para o cantarem aos sete ventos.
-Pelos deuses, isto cada vez está maior! – exclamou Maximus ao sair do metroplitano para as ruas movimentadas da cidade que nunca dorme.
-Verdade. Bem, vem comigo, preciso da tua ajuda.
Começaram por percorrer a avenida vendo as montras e o interior das lojas. Mimi procurava um vestido para o casamento da prima e queria a opinião da pessoa que mais gostava. Exprimentou dezenas de vestidos mas nenhum lhe agradou. Ou eram curtos demais para o seu alto corpo, os largos demais para a sua estreita cintura ou demasiado pomposos para um casamento. Procurava algo simples que não competisse com a noiva. Era costume a noiva vestir-se de amarelo, simbolo da prosperidade. Acreditava-se que trazia sorte e muitos filhos. Os convidados vestiam o branco puro ou branco pérola, simbolo da sua pureza e que nada de mal desejavam ao recém formado casal. Depois de horas e quilómetros de lojas finalmente encontrou um vestido que lhe chamou a atenção.
-Maximus, gostas? – perguntou mostrando-lhe o curto vestido cor de perola. Era composto por um casaco justo e uma saia pelo joelho. Para a cabeça trazia uma rede com pequenas perolas brilhantes.
-Gosto, mas não é muito caro? São cem francos.
-Um bocado, mas o vestido é tão bonito! Acho que vou levar.
Depois de pagar pelo vestido, pelos sapatos brancos e uns brincos pérola, dirigiram-se para o parque da mata, bem no centro da cidade, junto ao velho castelo. À sombra das grandes e velhas árvores que cresciam junto às velhas muralhas da cidade antiga sentaram-se os dois, comendo um gelado de leite. Passaram a tarde assim,ele carregava os sacos dela e ela ia agarrada ao seu braço apontando como uma criança às coisas que a entusiasmavam e agora descansavam. Maximus adorava o seu lado infantil. A jovem maravilhavasse com tudo e tudo incluia coisas tão vulgares como árvores, carros, edificios, nuvens e animais. Quando um pequeno lobo domesticado passou por eles a rapariga saltou do banco e abraçou sem aviso a pobre a criatura que se assustou. Com carinho afagou o seu longo pelo cinzento e branco.
-Que lobo tão bonito, quem me dera ter um.
-Tenho cachorrinhos para dar, quer um? –perguntou a sua dona gentilmente.
-Quem me dera, mas não posso ter em casa. – Beijou o calmo lobo na cabeça e deixou-o seguir o seu passeio.
-Maximus, gostas de animais?
-Mais ou menos, não sou uma pessoa que se dê muito bem com animais.
-Eu adoro-os. – Pousou o copo vazio do gelado sobre o banco e, olhando para os seus pés que se moviam de um lado para o outro perguntou com uma voz baixinha. – Maximus? Gostas de alguém?
-Não sei, nunca pensei nisso. Porquê? – respondeu corando. – Tu gostas de alguém?
-Sim, mas não sei se essa pessoa gosta de mim. Podias ajudar-me a descobrir? –respondeu falando cada vez mais baixo e olhando para o chão corando. – Promete-me que não te vais rir nem troçar comigo quando eu disser.
-Pela minha honra como um Felnus, prometo.
O silêncio instalou-se entre os dois. Apenas se ouvia a melodia dos pássaros, os rasmalhar das folhas dos enormes carvalhos e pinheiros e o trânsito infernal da cidade à sua volta. Mimi tinha as mãos sobre o colo e mexia-as freneticamente. Os seus pés batiam um no outro como num cuidadoso bailado. Os seus cabelos loiros tapavam-lhe o rosto corado e os olhos fitavam os pés.
-Então? Demoras muito? Estás a deixar-me curioso. – disse Maximus apertando-lhe a cintura. – Vá podes confiar em … — e foi interrompido por um beijo. Lábios com lábios, carne com carne. Corou de imediado e ficou com a mente num turbilhão de emoções de todas as cores, mas nada lhe saia pela boca.
— Gosto de ti, Maximus. Eu amo-te, Maximus. Sempre gostei.
-Eu… eu… tu… Sabes tipo coiso …-As palavras saiam-lhe confusas e misturadas. Não era bem aquilo que queria dizer, era mais um: Eu também acho que te amo e quero que fiques ao meu lado para sempre e passar mais tardes como esta. – Eu… também coiso… Amo-te.
O silêncio voltou a instalar-se entre eles. Olhavam ambos em frente, para o enorme parque relvado que os rodeava. Ali, debaixo das velhas árvores que foram plantadas nos primordios do Império fazia fresco e uma suave brisa corria. Ele colocou a sua mão sobre a dela e chegou-se mais próximo. Nenhum deles sabia o que fazer ou o que dizer.
— E quando me alistar? Esperas por mim?
-Se é isso que queres, sim. – respondeu ela hesitante. – Mas preferia que não te alistasses, mas se é o teu sonho não te posso impedir.
— São só cinco anos. – Maximus tinha medo. Eram só cinco anos, mas muita coisa podia acontencer. Ambos podiam-se se apaixonar por outras pessoas. O encanto do amor podia desaparecer para sempre, podia-se alterar. Ele podia morrer em combate, ela podia morrer na cidade. Já estava a pensar de mais. – Tenho medo. – confessou.
-De que? – disse-lhe ela. Tentava ser forte mas a verdade é que tremia. Também tinha medo, e muito.
-Do que pode acontecer nesses cinco anos. De que nos separemos de vez. – Já falava como se namorassem à muito. Ela quis-lhe dizer o mesmo, quis-lhe dizer que estava morta de medo e que não queria, por nada naquele universo, que ele se alistasse. Ele olhou-lhe nos olhos e apertou-lhe as mãos com firmeza. – Tens a certeza que gostas de mim? Então vamo-nos casar antes de eu me alistar!
-Tens a certeza? Somos tão novos… E se afinal não gostarmos um do outro, se as coisas não estarem destinadas a acontecer?
-Se não estarem destinadas a acontecer não acontecem.
A brisa corria suavemente pelo parque. O sol ponha-se a oeste tornando o céu alaranjado com longas riscas cor de vinho. No horizonte, por entre os altos prédios da cidade via-se as linhas tremulas do enorme calor que se sentia e que era capaz de matar qualquer um fraco demais. Ela voltou a beija-lo, mas desta vez num longo beijo de olhos nos olhos, contemplando a beleza de cada um, perdidos na imensidão do olhar apaixonado que traziam.
-Então casamo-nos antes de te alistares e eu fico à tua espera.
-Mimi, à quanto tempo gostas de mim?
-Não sei, acho que desde nos conhecemos. Ainda te lembras como nos conhecemos?
-Sim. – Claro que ele se lembrava de como se econheceram. Foi no primeiro ano de liceu quando eram ambos caloiros. Na apresentação estavam todos no auditório e calharam ficar sentados um ao lado do outro. Ela era tímida e foi ele que inicou a conversa. Falaram sobre as primeiras impressões da nova escola, que áreas tinham escolhido e que tencionvam ser. Depressa se tornaram amigos e distrairam-se de tal modo que o próprio director os mandou calar.
-Mas nada de me chamar querida. – disse ela rindo-se. – Não gosto.
-Tambem não gosto. – e riram-se os dois em unissono.
Era um belissimo fim de tarde.
Nessa noite, deitado na cama, Maximus deu-se a sonhar sobre outras coisas. Sonhava com Mimi. Estavam os dois deitados sob as estrelas, num telhado qualquer. Ele afagava-lhe os cabelos e ela mexia-lhe na barriga com doces movimentos repetitivos que lhe davam sono. Contemplavam a copula celeste que estava pintada com milhares de pontos brancos, uns pequenos e outros grandes. Pequenas estrelas cadentes passavam rasgando o céu. Ele perdia-se nos olhos dela, naquela profundeza azul clara. Amo-te, dizia ela. Amo-te, amo-te, amo-te. O seu estômago dava voltas e voltas e parecia que queria vomitar alegria de todas as cores. Abraçou a sua primeira namorada e sentiu o seu membro viril erguer-se em felicidade. Aquilo era tudo tão novo para ele que não sabia o que se passava, era coisas que não aprendia na escola, nem em casa, apenas ouvira em conversas com os colegas de turma. Seria aquilo verdade? Aquilo que os colegas sempre disseram? Ela tirou a roupa, peça a peça, com um rosto desafiante e atirando a roupa para cima dele, de modo a que ele pudesse cheirar o seu doce perfume de alfazema. Os lábios beijaram-se perdidamente uma vez mais e os dentes dela mordiam-lhe a carne com ferozmente. Sentiu a sua mão sobre o seu membro e a boca descendo para o pescoço e depois para o peito e depois para a barriga. Era tal e qual como os colegas do liceu tinham falado. Na manhã seguinte acordou molhado.
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