Imperium
16 XVI - O Rei está Morto
No caminho de volta ao Palácio, Jonathan pensou em tudo e nada ao mesmo tempo.
Ele pensou em William. O irmão honrável, o Príncipe de ouro da Inglaterra e pai de um filho bastardo. Por tantos anos, ele rezou por algo que acabasse com a imagem perfeita de William Herondale, algo que o fizesse menos angelical e mais humano. Mais como ele. Se fechasse os olhos, parado em segurança dentro da carruagem, conseguia ver os olhos azuis do irmão e o sorriso brilhante. A voz aveludada do Príncipe soava em seus ouvidos, recitando mais uma de suas inúmeras broncas. Ao contrário de tantos outros, William sempre acreditou em Jonathan, em seu potencial e sua capacidade de fazer o bem. Parecia impossível de crer que esse mesmo homem poderia ter desonrado Theresa Starkweather, colocado um filho dentro dela, mas a prova viva era o pequeno James. O menino era uma pequena cópia do Príncipe e sua paternidade seria impossível de refutar, bastava apenas colocar os olhos sobre ele.
Ele é uma ameaça, disse uma voz em sua cabeça, doce e gentil, contrastando com o tom de suas palavras, muito parecida com a voz de Jessamine. A imagem de sua amante em sua cabeça não trouxe nenhum alívio para Jonathan, Você precisa se livrar dele. O trono nunca será seu enquanto ele viver. Livre-se dele. Livre-se dele. Livre-se dele.
Ele não podia. Não era religioso, mas deveria haver alguma lei celestial contra assassinar o filho de seu irmão e, mesmo se Jonathan não se importasse com isso, como ele iria conseguir acabar com a única parte de William restante naquele mundo? A tuberculose havia levado o seu irmão, a febre queimando o seu corpo em menos de uma semana. Seria dele a mão a acabar com o filho dele também?
Não. Jonathan não seria capaz nem de pensar nisso. E o trono… Por que Tessa e Jem teriam lhe contado essa informação, quando o garoto ainda era vulnerável? Eles queriam poder, queriam governar a Inglaterra e seus domínios como regentes? Jonathan não escondia o seu desprazer em ser o novo herdeiro do trono. Seria possível eles terem ouvido esses rumores e decidido agir? De alguma forma, Jonathan pensou que não. James Carstairs era bom demais para isso.
Ele pensou em Clarissa. Sua esposa, sua doce e amável esposa. Ela merecia mais. Ele não era digno dela, a única filha do Imperador. Jonathan nasceu para ser o Duque de York e ela nasceu para ser a Rainha da Inglaterra, ou até mesmo mais. Os seus destinos terem se interligado foi apenas um acaso doentio da sorte. Uma desventura. Ela pertencia à William e ele não pertencia à ninguém.
Clarissa era boa e o amava e isso tornava tudo ainda mais difícil. Jonathan não sabia se seria capaz de retornar a devoção dela, ou a sua adoração. Pelo menos não como ela merecia. A princesa era digna de tudo e mais um pouco. Ela deveria ter um marido gentil e amoroso. Um marido fiel. Alguém que Jonathan nunca poderia ser e, por alguma piada do Senhor, ela ficou ligada a ele. A voz doce de Clarissa soou em sua mente, recitando os votos de casamento. Juro te amar, honrar e obedecer. Prometo estar contigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te, respeitando-te e sendo-te fiel em todos os dias de minha vida, até que a morte nos separe. Ele repetiu aquelas mesmas palavras, salvo o juramento de obedecer, como se não significasse nada. Foi tão fácil prometer amá-la. Jonathan nem pensou muito naquele assunto, mas agora ele me percebe como foi fácil até demais.
A cabeça encostada na janela, ele se perguntou se já havia amado alguém em sua vida. Amor de verdade, não a afeição entre os reféns de Stephen que ele chamada de família. Ele se lembrava de chorar pela mãe e ter sentido a falta das irmãs quando elas entraram em barcos para navegarem às casas dos maridos. A morte de William foi um golpe do qual ele não conseguiu se recuperar.
Mas amor verdadeiro. Amor romântico. Ele sempre procurou por isso, alguém capaz de amá-lo sem nenhum preço, nenhuma troca. A família é obrigada a te amar, pois dividem um sangue, tem os mesmos interesses, mas alguém de fora… Essa seria uma coisa completamente diferente.
Desde os seus anos em Eton, Jonathan Christopher teve amantes. Ele perdeu a virgindade aos quatorze anos com uma prostituta de rua, aos dezesseis, já estava gastando a sua mesada anual com mulheres diferentes toda a semana. Nenhuma durava muito, talvez um ou dois meses, pelo menos não até a chegada de Jessamine.
A ideia de ir aquela peça foi de George, um dos namorados de Alexander. O garoto era o filho adotado de um casal de nobres e nasceu nas ruas, porém cresceu com toda a pompa que os pais adotivos puderam custar. Ele não iria herdar o título da família, mas as suas conexões eram o suficiente para lhe garantir uma bela vida quando os dois morressem eventualmente.
Depois de um ano e meio, Jonathan havia se esquecido o nome da peça, mas não conseguia se esquecer dela. A atriz principal. Jessamine brilhava em seu papel, o longo cabelo loiro, os olhos castanhos marotos. No final da apresentação, ele não conseguiu se segurar e visitou a coxia, tentando ver a mulher mais bela que ele já havia visto. Uma semana depois, Jessamine estava em sua cama. Com suas palavras doces e beijos certeiros, a atriz conseguiu durar em sua posição, mas ela sempre procurava uma recompensa maior do que os prazeres dados pelo Príncipe. Ele nunca era o suficiente para ela.
A esposa e a amante eram duas mulheres completamente diferentes. Clarissa não queria títulos ou dinheiro ou promessas de amor eterno. Ela apenas queria ele, ela apenas queria servi-lo. Desde o início de seu romance, sempre parecia à Jonathan que ele não era o suficiente para Jessamine. Com Clarissa, ele não tinha essa incerteza.
A carruagem parou e o cocheiro desceu, andando até a porta. Jonathan recusou a mão oferecida e caminhou na direção do Palácio. Ele imaginava as broncas paternas vindo em sua direção por ter saído sem permissão e não encontrou dentro de si a vontade de se importar. Deixe o Rei queimar com a sua raiva. Ao olhar para o Palácio, ele pensou ter visto uma mulher loira na janela de seu pai, olhando para ele. Uma de suas Cortesãs? Talvez, não dava para ter certeza dessa distância.
Ele entrou na residência real e seus pés trabalharam sem comando, levando-o pelos corredores, mais e mais para dentro, sem se perder. Jonathan nasceu e cresceu ali, conhecia o Palácio favorito do pai como se fosse a palma de sua mão. O Príncipe ignorou os membros da Corte vindo conversar, procurando alguma entrada para pedir favores ao herdeiro. Não estava no clima para falsa educação.
Pensou estar indo ao quarto de Jessamine. Ela havia sido colocada em aposentos ao lado dos próprios, com uma porta secreta na parede caso ele quisesse visitá-la durante a noite, mas ainda lhe dando a privacidade necessária em seu dia-a-dia. Ele a queria perto para poder ficar de olho na amante durante a sua gravidez. Se as contas de Jessamine estivessem certas, o bebê chegaria em menos de sete meses. Jonathan não sabia como se sentia em relação a isso e a voz de Madame Dorothea subiu a sua mente. Terei filhos? Quatro, mas apenas três chegarão à idade adulta. Qual desses filhos seria o de Jessamine? Rex e Caesar devem nascer do útero de Seraphina para ascenderem aos dois tronos, mas a menina? E o que nunca chegaria a idade adulta? Como ele poderia saber isso, quando a sua amante carregava uma criança em seu ventre? Jonathan continuou andando e pensando.
Entretanto, ele não se viu em frente à porta de madeira da antecâmara da amante, mas sim perto dos guardas do corredor de Clarissa. Os dois austríacos eram altos, mais altos que Jonathan, e usavam casacos negros com uma estrela bordada na lapela em fios dourados. Eram soldados Morgenstern, nomeados para a posição de proteger a Arquiduquesa pelo próprio pai da mulher, o Imperador. Ao se aproximar, os dois não mostraram sinal de reconhecimento, mas eles sabiam quem ele era.
Jonathan estava ciente de que não podia simplesmente entrar. Ele precisava da autorização da princesa de Gales. Portanto, ele suspirou e disse:
— Eu gostaria de ver a minha esposa — disse e um dos guardas bateu o seu pé no chão. Um segundo se passou antes da porta se abrir e uma mulher alta e de cabelos castanhos enfiar a sua cabeça para fora, olhos largos viajando entre os três homens. Uma longa cicatriz branca cortava o seu rosto. Por algum motivo, Jonathan não conseguia se lembrar de seu nome, ou se havia aprendido em qualquer ponto dos últimos dois meses.
— Der Prinz will seine Frau sehen — o guarda sussurrou para a criada de Clarissa e ela assentiu, desaparecendo atrás da porta por um segundo. Jonathan não conseguiu ouvir as palavras trocadas entre ela e a princesa, mas logo a mulher voltou.
— Seine Hoheit kann kommen — ela disse e voltou os olhos castanhos esverdeados se virando para o Príncipe. — Pode entrar, Vossa Alteza.
Os guardas abriram o espaço e Jonathan entrou na antecâmara, cruzando rapidamente o cômodo até chegar aos aposentos privados da esposa. A criada de Clarissa desapareceu nas sombras, se escondendo de seus olhos para lhes darem uma privacidade. Jonathan não disse nada até abrir a porta e ver a esposa, sentada em sua cama.
Seraphina Clarissa Jocelyn era uma garota pequena, com um peso quase preocupante em seu corpo, mas, de certa forma, ela parecia mais saudável naquele momento. Mais inchada e, pela primeira vez desde o seu encontro inicial, ela parecia realmente ter os dezesseis anos nesse mundo, não quatorze ou doze como Jonathan pensava antes. Estava mais velha, mais madura e ele não conseguia apontar o motivo. A pele era branca e macia como um osso, as veias azuis brilhando sob a luz das velas. Estava usando uma camisola branca de seda e o roupão de algodão; Jonathan percebeu que o cabelo vermelho estava semi-preso em uma trança, como se ele tivesse as interrompido durante a formação do penteado. As pupilas haviam se dilatado e ela olhava para ele com uma mistura de confusão, medo e devoção.
Clarissa se ergueu e dobrou o corpo em uma semi-reverência. Jonathan sorriu, triste.
— Achei que tinha saído — ela murmurou ao se erguer. — Pelo menos, isso foi me dito.
— Eu realmente saí — ele respondeu andando até ela. — Mas já voltei.
Ela sorriu.
— Eu preciso te contar uma coisa — disse ela e um sorriso brotou em seus lábios finos e rosados. Deveria ser uma notícia boa, Jonathan pensou e sentiu um ar leve tomar o seu peito. Ele podia fazer uso de uma boa notícia.
— Diga — ele murmurou e indicou para se sentar na cama enquanto ele ficava de pé. Clarissa, como sempre, foi rápida em obedecer.
— O médico me disse para não ter muitas esperanças, pois não é um acontecimento completamente positivo e só podemos ter certeza quando os movimentos começarem, mas bem… — ela estava olhando para os pés, nervosa, e brincando com os seus dedos. Jonathan pensou em colocar a sua mão sobre a dela para aliviar a esposa de seu estresse, mas desistiu da ideia antes mesmo de se mover. — Seu pai já sabe. O Duque de Norfolk prometeu contá-lo, mas eu queria que fosse a minha boca a qual você ouvisse essas notícias. — ela suspirou e seu sorriso se alargou. — Estou grávida, Jonathan. Seremos uma família.
A boca dele se secou. Jonathan não sabia o que dizer, mas ele devia dizer alguma coisa pelo menos, qualquer coisa. Acalme-se, homem. Não pode decepcioná-la logo agora.
— Grávida? — ele repetiu e Clarissa assentiu, mordendo o lábio inferior. — Isso é fantástico… — Jonathan lambeu a sua boca. — Você está certa disso?
— Eu perdi duas regras — ela murmurou, olhando em seus olhos. — E o médico de seu pai disse ser bem provável. Precisamos esperar, é claro, mas somos casados e bons. Senhor irá nos abençoar com uma criança. Essa criança.
Jonathan encostou a mão contra a barriga de Clarissa e, como se fosse possível, o seu sorriso ficou ainda maior. Mesmo se tivessem concebido durante a noite de núpcias, ela estaria grávida dois meses no máximo e sua barriga não teve tempo ainda para crescer, a pele se esticando para acomodar o bebê, mas, ainda assim, Jonathan queria sentir.
Eu serei pai, ele pensou, uma mistura de maravilha e amor tomando o seu peito, Serei pai. Terei um filho legítimo. As imagens de Jonathan Wayland e de Jessamine invadiram a sua mente. O Duque de Buckingham plantou a semente dúvida de que ele teria filhos com a esposa em Jonathan, tudo para cimentar o seu caminho ao trono, afinal qualquer filho legítimo do Príncipe de Gales viria antes dele na linha de sucessão. E Jessamine… A amante também estava grávida. Ele teria dois filhos no mesmo ano. Era tanto uma benção quanto uma maldição.
As palavras de Dorothea soaram em sua mente. Rex e Caesar. Suas vidas determinarão o futuro da cristandade inteira. Rei e Imperador. Dois meninos Herondale, irmãos nascidos de sua pelve. Governantes de metade da Europa. Será que os dois já cresciam no útero, um no de Jessamine e o outro em Clarissa? Ou talvez a sua menina prometida, com o cabelo loiro de Jessamine e os olhos dourados do pai, segurando a mão de seu irmão menor, o futuro rei, ajudando-o a andar.
Jonathan inclinou a cabeça e dobrou as costas, se abaixando até conseguir encostar os lábios contra a barriga da esposa, os joelhos postos sobre o chão. Clarissa riu e sussurrou para ele se levantar, futuros reis não se ajoelham, Jonathan, mas ele a ignorou. Continuou os seus beijos por todo o seu colo, suas pernas, sua barriga e seus seios. Ela parou de rir e não disse nada quando ele puxou as mangas de seu roupão para fora de seus braços, puxando a roupa para longe. Clarissa suspirou, sem fôlego, e Jonathan ergueu a cabeça.
Ele pegou a borda da camisola de seda, o tecido macio em seus dedos, e a empurrou para cima, descobrindo as pernas magras e pálidas de Clarissa. Jonathan beijou o seu joelho, a parte da sua coxa onde havia um pequeno acúmulo de gordura, e ela suspirou, caindo para trás. A pele dela era perfeita, ele percebeu, sem nenhuma sarda ou imperfeição. A maioria das garotas comuns passavam muito tempo sob a luz do Sol, dando espaço para seus raios nocivos queimarem a sua pele, mas Clarissa era diferente. Ela era uma Arquiduquesa da Áustria, a única filha do Imperador Valentim III Morgenstern. Se tivesse que adivinhar, diria que ela nunca passou um momento de sua vida fora de uma sombra.
Os dedos longos de Jonathan se fecharam ao redor do tornozelo da esposa e ele o ergueu, gentilmente, até conseguir colocá-lo sobre o próprio ombro. Clarissa sentou novamente e o encarou como se ele fosse louco.
— O que está fazendo? — ela perguntou em sussurros rápidos.
Jonathan ergueu os olhos para ela e imaginou como deveria parecer. As bochechas estavam coradas, as pupilas dilatadas e as íris douradas brilhavam no escuro.
— Estou agradecendo minha esposa por me dar um herdeiro — murmurou e os olhos de Clarissa se arregalaram. — A não ser que você queira que eu pare…
Ela ficou quieta e deixou seu corpo cair para trás novamente, jogando um longo braço sobre seu rosto para não ver nada. Jonathan ficou quieto. Se isso fosse necessário para ela relaxar, então deixe-a.
Jonathan encostou seus lábios a virilha da esposa, gentilmente traçando beijos até o acúmulo de cachos ruivos entre as suas pernas. Ele lambeu o nó de nervos acima de sua entrada e Clarissa grunhiu, os barulhos abafados pelo peso de seu braço sobre a boca. Tentou ir devagar, coagindo respostas sutis da esposa, com um amplo espaço para ela mudar de ideia, mas algo o fez mudar de ideia. Talvez o seu cheiro, ou o seu gosto. Alguns minutos apenas e ele estava positivamente viciado na intimidade da esposa.
Ela era jovem e inexperiente. Não foi difícil fazê-la atingir o ápice e a timidez se quebrar, o braço se afastando para deixar um gemido longo e alto cortar o silêncio do quarto. Jonathan sorriu, lábios ainda presos no clitóris dela. Ele se afastou com um suspiro triste e limpou a boca molhada com a manga, levantando-se dentro do quarto.
Clarissa ainda estava deitada na cama, ofegante, a mão cobrindo os olhos enquanto a pele se enchia de uma cor vermelha. Ela parecia presa em uma pintura, uma virgem sacrificada por um bem maior ou Lucrécia, a nobre estuprada por Sexto Tarquínio. Uma mártir prestes a ser lembrada por toda a história por sua jornada trágica.
Jonathan retirou o casaco e a blusa de linho, seguido de desatar os laços das calças. Ele chutou os sapatos para longe e Clarissa ergueu o rosto, os olhos verdes brilhando.
— Venha aqui — ela sussurrou, erguendo a mão, e se não fosse pelo movimento sutil de seus lábios, ele nem teria percebido as suas palavras de tão baixo era o seu tom.
Jonathan sorriu e andou até a cama enquanto a esposa se ajeitava, encostando a cabeça nos travesseiros. Ele se deitou ao seu lado e colocou as mãos na cintura fina de Clarissa, puxando-a para cima de seu corpo. Ela foi sem luta, mas quando as duas intimidades se aproximaram, perto o suficiente para ele sentir o seu calor e a umidade da entrada em seu membro. Era enlouquecedor, mas havia algo errado. Clarissa estava hesitando, olhando para o peito nu dele. Parecia estar perdida, sem se lembrar de como chegou ali.
— O que houve? — ele perguntou, acariciando a curva de seu quadril. — Se não quiser, nós podemos parar. Eu não irei ficar ofendido, ou bravo.
— Eu quero, porém-porém — Clarissa gaguejou. — Eu não sei o que fazer.
— Está tudo bem — Jonathan sussurrou, endireitando as suas costas até os seios dela estarem apertados contra o seu peito, seus mamilos se arrastando pela pele. Ele plantou um beijo atrás de sua orelha e agarrou o seu membro, guiando-o até a entrada de Clarissa. Jonathan suspirou ao deslizar para dentro e ela plantou as mãos em seus ombros, apertando a carne. — Você gosta de cavalos, não?
Ela franziu o cenho, encostando suas testas.
— O que isso tem a ver? — perguntou e Jonathan reprimiu a vontade de revirar os olhos.
— Só responda a pergunta, Clarissa — ele respondeu.
— Sim — Clarissa respondeu, mordendo o interior de sua bochecha.
Jonathan sorriu, beijando a boca dela.
— Então cavalgue-me como se eu fosse um cavalo — ele sussurrou e um rubor tomou conta da pele da esposa, mas, de alguma forma, as suas palavras surtiram efeito.
Clarissa mexeu os quadris, circulando o pescoço de Jonathan com os braços, e ele gemeu, salpicando beijos em todo o pedaço de pele que ele podia encontrar. Seu pescoço, seus peitos, sua boca, seu queixo, sua mandíbula. Estava gemendo, alto e sem vergonha. A esposa era mais gentil, mantendo os sons de seus prazeres em suspiros tímidos, mas algos havia mudado. O tom era agudo e desesperado e a cada segundo passado, ela acelerava os movimentos, as unhas se enfiando em seus ombros. Jonathan sibilou com a dor, mas não disse nada; até gostava, na verdade.
Quando tudo acabou, Clarissa encostou a bochecha em seu peito suado e Jonathan colocou uma mão em suas costas, abraçando-a. Ela estava desenhando figuras invisíveis em sua pele: estrelas, círculos, corações. Ele sabia que precisava contar tudo para ela. Precisava contar sobre o bebê na barriga de Jessamine e o pequeno James, crescendo igualzinho ao pai verdadeiro. Entretanto, ela estava grávida e frágil. A notícia de dois novos Herondale, duas ameaças à criança em sua barriga, poderiam afetá-la profundamente.
Ele não queria vê-la magoada, mas Clarissa precisava saber. Jonathan precisaria ser gentil, então.
— Você se pergunta o porquê de eu ter saído hoje? — sussurrou e Clarissa ergueu o rosto.
— Não é meu lugar te questionar, Jonathan — ela respondeu, mas ele conseguiu ver em seus olhos que ela estava curiosa.
— Eu fui encontrar um velho amigo de meu irmão. James Carstairs, o Visconde de Rochester — ele disse e ela inclinou a cabeça em seu peito, olhando bem em seus olhos. — Ele é casado com Theresa Starkweather, a filha de um conde, acredito.
— Theresa deveria ter sido uma de minhas damas de companhia — Clarissa murmurou e Jonathan assentiu. Estava ciente daquilo.
— Sim, deveria, mas ela nunca poderia voltar a Corte depois do que fez. Meu pai não permitiria. — ele deixou as suas palavras no ar, esperando que ela entendesse.
— O que ela fez? — perguntou Clarissa.
— Teve um filho — Jonathan respondeu. — Pequeno James, quase dois anos de idade. Parece muito com o seu pai: cabelo preto, íris douradas. — Clarissa arregalou os olhos, surpresa, e lambeu os lábios. Estava nervosa.
— Ele é seu? — ela perguntou, hesitante, e Jonathan soube como isso deveria ter soado. Olhos dourados como os meus.
— Não — ele respondeu e os ombros de Clarissa relaxaram visivelmente. Jonathan pensou em seu filho com Jessamine e decidiu não contar para a esposa sobre ele. — Ele é filho de William.
Clarissa, Deus a abençoe, não falou nada. Ela apenas piscou, surpresa, e suspirou. As mãos da princesa roçaram a sua barriga, ainda coberta pela camisola de seda, e ele sabia que o filho estava em sua mente e o trono inglês a qual ele iria herdar.
Era difícil pensar no bebê de Clarissa como um menino, afinal não era possível saber até o nascimento, mas todos diziam ser má sorte pensar na possibilidade de uma menina e, apesar de Jonathan não se importar com a ideia de uma filha, ele se forçou a seguir as superstições de seu tempo.
— William era seu irmão mais velho — ela começou, incerta. — Se o menino é legítimo…
— Não é — ele foi rápido em dizer. — James é bastardo, um FitzWales. Não tem direito ao trono, mas… Ele ainda é filho de meu irmão. Meu único irmão, agora morto. James é o único pedaço de William que ainda me resta.
Clarissa piscou os olhos, confusa.
— Você amava o seu irmão — ela disse. Não era uma pergunta.
— Sim — Jonathan respondeu mesmo assim. — Ele era meu irmão, claro que eu o amava.
— Eu nunca amei meu irmão — Clarissa murmurou. — Não temos escolha de quem divide nosso sangue.
Ele a ignorou e continuou falando:
— William era dez vezes mais homem do que eu. — ele sorriu, afastando os olhos da esposa, e uma memória passou por sua visão, fresca como uma fruta recém-colhida. — Depois de Cecily ter viajado para a Espanha para se tornar a esposa de Gabriel Lightwood, apenas nós dois restamos. Eu não estava planejando me casar com nenhuma rainha reinante disponível, já poucas, portanto era bem provável que eu ficasse aqui na Inglaterra. Ele começou a dizer que nós iríamos governar juntos, eu e ele. William seria rei, mas não planejava ser como o seu avô, Granville II, o Rei-Sol. Ele queria dividir o poder comigo, os últimos Herondales disponíveis em toda a Europa. Eu serei o cérebro, querido irmão, e você será o coração, ele me disse e, por um segundo, acreditei nele. — Jonathan se mexeu, desconfortável dentro da própria pele. — Duas semanas depois, ele exibiu os primeiros sintomas de tuberculose.
Ela suspirou e colocou uma mão pequena e perfeitamente perfeita sobre o seu coração, sentindo o ritmo descompensado do órgão.
— Às vezes, Deus trabalha de maneiras misteriosas — ela sussurrou e parecia tão certa da ideia que era difícil não acreditar também. — Só porque William morreu não significa que você deixou de amá-lo, ou que ele deixou de ser seu irmão. — ela sorriu e Jonathan percebeu naquele momento como faria qualquer coisa por aquele sorriso. — Tome conta de seu filho, garanta-lhe uma boa educação e tenha certeza de que seu legado está salvo. Dessa maneira, você irá honrar o seu irmão e traçar o caminho para se tornar um honorável. — ela sorriu. — Ao mesmo tempo, crie-o para ser leal a você, garanta que ninguém irá usá-lo para ter poder, mesmo que essas pessoas sejam a mãe ou o padrasto.
Jonathan ficou quieto. Não por discordar ou qualquer outro motivo bobo, mas porque estava completamente chocado com as palavras da esposa. Nunca a imaginou falando de maneira tão sensata.
— Você é tão esperta — ele sussurrou, abraçando-a. — O que eu faria sem você?
Clarissa riu e apertou seus lábios contra os dele, beijando-o. Ainda era cedo demais para Jonathan conseguir voltar a… trabalhar, mas ele podia agradar a esposa e futura mãe de seu bebê de certa maneira. Ele estava deslizando as suas mãos pelo comprimento de seu corpo, tentando alcançar o calor entre suas pernas, quando a porta do quarto se abriu de supetão e a criada morena de Clarissa entrou.
A esposa se ergueu, as bochechas queimando, e disse:
— Sophie, agora não. — a voz dela era gentil, mas envergonhada. Jonathan admirou a paciência da esposa. Estava prestes a gritar com a mulher por tê-los interrompido.
— Sinto muito, Vossa Alteza, mas o secretário particular do Rei está aqui e quer falar com o Príncipe. — ela estava segurando um roupão em suas mãos, algo que Jonathan assumiu ser seu. O Príncipe se levantou, confuso. O que o secretário particular de seu pai poderia querer? Ninguém do governo lhe mostrava nenhum interesse, apesar de ele ser o herdeiro ao trono.
Ele pegou o roupão oferecido por Sophie, sentindo o tecido macio de algodão contra a sua pele, e andou para fora do quarto, entrando na antecâmara. O secretário de seu pai era um homem chamado Anson Pangborn, alto e enorme. Quando viu Jonathan entrar, o homem se ergueu do sofá onde estava sentado, antes de cair em joelhos.
— O que houve? — Jonathan perguntou, completamente confuso.
— Hoje, às sete e quarenta cinco, vosso amado pai foi encontrado caído em seu escritório — ele começou e o coração de Jonathan acelerou dentro de seu peito, um zumbido tomando conta de seus ouvidos. Ele não conseguia ouvir nada além do batimento de seu coração. — O Rei está morto. Vida longa ao Rei!
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