Imperium
5 V - Wayland
Jonathan segurou o retrato da Arquiduquesa Clarissa em seus dedos, tocando com cuidado a tinta vermelha usada para o seu cabelo. Desde a partida de Jessamine, ele havia passado mais e mais horas olhando para o rosto pintado de sua esposa, tentando encontrar qualquer coisa escondida que ainda não havia visto.
Ela o encarava fixamente, seus olhos verdes e inocentes. Os conselheiros de seu pai lhe informaram de que seu décimo sexto aniversário havia sido comemorado apenas algumas semanas antes da chegada de Hodge Starkweather na Corte de Valentim II, mas se não fosse por isso, ele pensaria que ela tinha apenas doze anos. Sua forte fé católica impediu suas governantas de lhe ensinarem o jeito dos Príncipes e dos reis, portanto ela não sabia o que a esperava.
Jonathan estava certo de que iria se sentir um criminoso em poucas semanas, quando fosse obrigado por dever a entrar em sua cama.
Ele ergueu os olhos, observando o rosto másculo e sério de Alexander. Estavam na casa ancestral dos Lightwood em Norfolk e os serventes já encheram a taça do Príncipe inúmeras vezes com o vinho caro e português, deixando suas línguas soltas e seus corpos relaxados.
— O representante da Corte francesa informou meu pai de que ela chegou em Versailles essa noite — disse, entregando o retrato para seu grande amigo.
— Ela não deve demorar para chegar aqui, então — murmurou Alexander, virando e revirando o retrato. — Tem sorte. Ela é bonita.
— Ela é uma criança — respondeu, cansado. Jonathan era quatro anos mais velho que sua esposa, mas parecia uma vida inteira completa.
— Todas são.
O Príncipe olhou ao redor, esperando ouvir a risadinha alta de Eugenia e as perguntas incessantes de Maxwell. Estava tarde, sim, porém tradição ditava que todos na casa deveriam ser avisados da chegada de um membro da família real.
Até mesmo Lydia, que desaprovava do comportamento de Jonathan e de sua influência em Alexander, costumava cumprimentá-lo com graça ao vê-lo.
— Falando de esposas, onde está a sua? — perguntou Jonathan, curioso.
— Ela levou as crianças para a casa do pai — respondeu o Duque, tomando um gole de sua taça. — Quer que eles tenham um bom relacionamento com o avô ou algo assim.
Lydia sabia das preferências de gostos de Alexander, mas fechava os olhos para algo que via como indecência. Era algo que todos que se importavam com Norfolk apreciavam. Ele não merecia ser jogado em uma cela fria por um erro da natureza.
Jonathan piscou seus olhos com preguiça. Havia cavalgado a noite inteira para chegar no ducado de seu grande amigo e estava cansado. Ele relaxou seu corpo, se apoiando melhor na cadeira com braços e abraçando o calor provindo da lareira acesa.
— Minha irmã foi convidada a ser dama de companhia para a princesa — disse Alexander.
— Isabelle irá se dar bem na Corte — murmurou Jonathan. — Tal beleza não deveria ficar escondida aqui para sempre.
Alexander riu. Estava bêbado demais para perceber qualquer segundo sentido nas palavras do Príncipe. Se estivesse sóbrio, certamente teria dado um soco no rosto do herdeiro do trono.
A última vez que Jonathan viu Isabelle, ela tinha quatorze anos e usava o cabelo em duas tranças, apesar de ser nova demais para usá-lo preso. Ele sabia naquela época que ela iria crescer e se tornar uma bela mulher, capaz de causar intriga na Corte.
Ele nunca iria fazer uma amante da irmã de seu melhor amigo, mas não faria mal sonhar.
— Fico feliz de ter vindo para me desculpar — comentou Jonathan. — Preciso de você, Alec.
Era um apelido que havia criado no segundo ano de seus estudos em Eton quando estava cansado demais para chamar o pequeno lorde pelo o seu nome de batismo, achando que não era íntimo o suficiente. Alexander, no entanto, odiava o apelido, porém isso só o fazia querer usar mais. Sabia que não iria haver repercussões. Talvez fosse pelo o amor que o amigo nutria por ele ou o conhecimento de que não poderia machucar o Príncipe fisicamente. Jonathan nunca saberia qual era a verdade.
Os olhos azuis de Alexander se encheram de preocupação.
— O que foi? — perguntou, arrastando sua cadeira para que estivessem mais próximos e pudessem falar entre sussurros. As paredes possuíam ouvidos. — Tem algo errado?
Jonathan pensou em contar tudo para ele naquele momento. Pensou em dividir seus medos, suas angústias e restrições. Alexander certamente entenderia sua situação, ou tentaria, pelo menos, e o ajudaria a sair daquilo. Ele era o único que, até mesmo quando ele era apenas o Duque de York, confiava nele para fazer a coisa certa.
Mas uma mão fria de medo agarrou seu pescoço e ele sorriu apenas.
— Não — disse. — Só estou nervoso com a chegada de Clarissa.
O rosto de Alexander pareceu relaxar, mas seus olhos permaneceram os mesmos.
— Eu entendo — murmurou. — Isso é uma situação nova para você. Nunca esperou se casar com a única filha do Imperador Romano-Germânico.
Jonathan ficou quieto, nervoso demais para falar.
— Ela pertencia ao William — sussurrou depois de alguns minutos. — Ele deveria ter sido o marido dela. A coroa, a esposa, tudo pertencia ao William. — suspirou. — Ele se sairia melhor nisso do que eu.
— William também tinha suas falhas — assegurou Alexander. — Você só não vê porque não consegue parar de glorificar o falecido irmão mais velho. Como eu fazia com o Max.
Jonathan pensou em seu irmão, em seus olhos azuis profundos e seu cabelo negro. Não pareciam em nada, eram tão diferentes quanto o dia e a noite, mas Jonathan o amava. Ficou devastado por sua morte.
Ele se lembrou da última vez que viu o irmão. Um cavalheiro havia cavalgado pela chuva e pela noite para chegar em York, encontrando Jonathan e sua amante da época deitados nus em frente à lareira. O cavalheiro teve a decência de não comentar o estado do Príncipe e apenas avisou que sua presença era requerida no Palácio de Kensington, a residência real escolhida pelo herdeiro.
Jonathan viu o seu irmão deitado na cama, o sangue provindo da tuberculose manchando sua bochecha pálida. Ele não parecia em nada com o saudável Príncipe que todos achavam que iria liderar a Inglaterra para uma época de glória. Ele estava pálido, doente e moribundo. Os dedos esqueléticos de seu irmão agarraram a mão de Jonathan com força quando se aproximou e seus lábios ressecados se abriram levemente.
— Tessa — havia suspirado William, engasgando por ar. Momentos depois, ele morreu e Jonathan se tornou o novo Príncipe de Gales e o futuro Rei da Inglaterra.
Ele piscou e voltou ao presente, sentindo o calor da lareira envolver seu corpo lentamente. Alexander o encarava de maneira séria.
— Eu quero que você volte para a Corte — murmurou Jonathan. — Não posso enfrentá-los sozinho. Não mais.
— Eu preciso de um convite de seu pai — disse, sem negar ou aceitar o pedido. — Posso visitar, mas não morar.
— Vou conseguir um para você.
Alexander sorriu, cansado. Jonathan bocejou e se espreguiçou. Estava tarde, muito tarde.
— E então? — perguntou o Príncipe. — Devo ir ou você vai me oferecer um quarto para ficar?
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Clarissa se encarou no espelho, piscando com lentidão e preguiça enquanto a criada penteava seus cabelos com leveza. Já estava pronta para dormir, os músculos relaxados depois de um banho quente e o corpo cansado após o banquete que se avô fez em sua honra.
Pensou nas damas francesas que viviam na Corte, esposas de pessoas importantes e damas de companhia para a rainha e para a delfina. Quem as tivesse chamado, deveria ser um fã de beleza feminina pois todas eram incrivelmente bonitas, com traços tão perfeitos que pareciam terem sidos desenhados e suas peles pálidas deveriam ser feitas das mais caras porcelanas. Alguém havia pintado seus rostos também, deixando suas bochechas rosadas e seus lábios vermelhos.
Por um segundo, seus olhos desviaram para um ponto mais baixo em sua imagem refletida e viu a pele branca de seu colo, coberta por uma elaborada camisola de seda. Não havia muito o que falar sobre seu corpo. Muitos diziam que, após suas primeiras regras, curvas femininas e elegantes iriam aparecer sob sua pele, mas isso nunca aconteceu. Seus seios eram pequenos, modestos, e seus quadris poderiam alarmar famílias que desejavam inúmeros descendentes. Como os Herondale.
Imaginou que o que havia compelido o Rei Stephen VII a pedir por sua mão em nome de seu filho. Certamente não foi fofocas de uma extraordinária beleza ou rumores de alguma fertilidade extrema, mas sim o poder de seu pai e os direitos de herança que algum fruto de seu ventre pudesse ter caso Sebastian morresse sem herdeiros. Sabia que, quando perdesse dois ou três filhos como havia acontecido com tantas outras mulheres de sua família, perderia o amor da Corte. Talvez, até mesmo, o amor de seu marido.
Não. Pensou em Jonathan, tão perto e no entanto tão longe. Apesar de ainda não se conhecerem, Clarissa já o amava intensamente. Era uma sensação estranha, amar alguém que conhecia apenas por retratos e comentários soltos de nobres descuidados, mas era o que sentia. Já imaginava os filhos que iriam ter, a vida que iriam levar e tudo mais que o futuro poderia lhe dar. Não ter o amor de Jonathan seria sua maior tristeza.
Disseram-lhe que ele era interessado em caçadas, teatro e música. Um de seus tutores sussurrou, antes de ir embora, que ele sabia falar tantas línguas que era impossível contar nos dedos. Ele era perfeito, incrível e incrivelmente perfeito.
Ele era perfeito e ele era dela.
Ou ele deveria ser.
Seus pensamentos voltaram para as mulheres da Corte de seu avô, seus vestidos escandalosos e suas atitudes indecentes. Pensou em uma mulher em especial, Annamarie Highsmith, a maîtresse-en-titre e o jeito que se jogava em cima de Granville, sem nem ao menos se importar com a Rainha Adele.
Jonathan era um homem incrivelmente belo, sem dúvida alguma menina já o achou charmoso antes.
Clarissa virou seu corpo, vendo o jeito que a criada se afastava e colocava as mãos em frente ao corpo, esperando uma nova ordem. A garota era bonita o suficiente, mas inúmeras sardas de anos vivendo debaixo do sol marcavam seu rosto.
— Onde esteve o dia inteiro? — perguntou a princesa em alemão. Queria treinar seu inglês, ou até mesmo seu francês, porém as serventes que havia escolhido trazer em sua jornada até a Inglaterra falavam apenas uma versão cruel da língua oficial da Áustria, não o dialeto refinado e belo da Corte. — Não aqui, espero.
— Não, Ihre Hoheit, não podemos — disse a criada. Clarissa tinha quase certeza de que seu nome era Hannah ou algo do tipo. — Ficamos na sala dos serventes, esperando sermos chamadas por Vossa Alteza.
Clarissa assentiu, satisfeita. Ela lambeu os próprios lábios, umedecendo-os.
— Você… você ouve muitas coisas nessa… sala? — perguntou, tímida. — Fofocas, quero dizer.
As bochechas de Hannah se enrubesceram e isso foi resposta suficiente para Clarissa.
— Diga-me o que sabe sobre homens — pediu. — Homens e suas amantes.
As duas outras criadas no quarto levantaram seus rostos, curiosas sobre o andamento da conversa. Clarissa as ignorou.
— Homens têm desejos, Ihre Hoheit, — murmurou Hannah, nervosa. Ela colocou a escova de lado e brincou com os próprios dedos, incapaz de segurar o olhar da princesa. — Desejos que muitas vezes não podem ser saciados por suas esposas apenas, então eles escolhem mulheres ao seu redor para servirem um propósitos. Dar-lhes prazer, fazê-los felizes. É completamente normal.
— Todos os homens são assim?
— Não — respondeu, balançando a cabeça. — Alguns homens se tornam fiéis quando se casam, outros nunca mudam. Muitos têm inúmeras amantes pela vida, alguns apenas uma e poucos, quase raros são os homens assim, não escolhem ninguém para um relacionamento clandestino.
Clarissa piscou, surpresa com o novo conhecimento. Percebia naquele momento como suas governantas haviam falhado em lhe ensinar o jeito do sexo oposto. Elas diziam que homens eram seres perfeitos, apaixonados pelas mulheres que o Senhor havia escolhido para serem suas esposas e fiéis às suas imagens. A presença de Valentim II, que sempre foi leal e apaixonado por sua mãe, só fortaleceu a ideia na mente da garota que costumava se chamar Seraphina.
Pensava que amantes eram desejadas apenas por homens de mau caráter como Sebastian e tantos outros Duques pelo mundo, mas se Hannah estivesse certa, então qualquer um poderia ter uma dessas mulheres.
— Você… — começou. — Você acha que o Príncipe Jonathan tem uma amante?
O rosto de Hannah perdeu toda a sua cor e, antes que pudesse responder, uma das criadas, que estava arrumando os vestidos dados a Arquiduquesa pela rainha, ergueu seu rosto e chiou, olhando para a colega:
— Não temos permissão para falar sobre isso.
— Falar sobre o quê? — perguntou Clarissa. As criadas ficaram em silêncio. — Digam-me.
— Perdoe-nos, Ihre Hoheit, mas essas ordens vieram de seu pai — disse a terceira criada, uma de cabelos loiros.
— Meu pai não está aqui — murmurou Clarissa, suas palavras dignas de uma Rainha. — Respondam-me.
Hannah mordeu seu lábio, dividida entre contar e não contar.
— Ele só queria te proteger, Princesa — murmurou. — Não queria que soubesse da verdade.
— Que verdade?
Hannah hesitou.
— As fofocas na Corte e na sala dos criados são de que Príncipe Jonathan já teve inúmeras amantes pela vida — disse e a verdade foi um golpe no estômago de Clarissa, tirando todo o ar de seus pulmões. — Mas, agora, ele vive como se em matrimônio com uma atriz inglesa.
Lágrimas chegaram aos olhos da princesa. Não queria acreditar no que estava ouvindo, queria gritar que era tudo mentira, de que os criados e a Corte estavam enganados, mas todos os rumores possuíam um pingo de verdade.
— Certamente, — disse a segunda criada e a mais bonita de todas. — quando o Príncipe conhecer Vossa Alteza, perceberá seus valores e irá desistir das amantes.
— Sim, sim — disse Hannah. — A princesa é a esposa mais desejada de toda a Europa. Seu pai é o homem mais poderoso do mundo.
Clarissa limpou suas lágrimas antes mesmo que escorressem por seu rosto. Era a esposa do herdeiro da Inglaterra agora, não poderia chorar por qualquer coisa. Não importava o quanto quisesse.
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Jonathan ficou parado no lado de fora do parlamento inglês, batendo o pé contra o chão e respirando fundo. Era inapropriado que o herdeiro do trono presenciasse as reuniões, portanto ele esperava.
A posição de Rei da Inglaterra e seus domínios era uma posição simbólica, mantida pelo bem da tradição e da cultura. Tudo era feito no nome de sua majestade, mas era o parlamento que realmente governava.
Quando a sessão acabou e os homens saíram, conversando entre si e murmurando baixo para que outros não ouvissem, Jonathan ignorou aqueles que fizeram reverências curtas em sua direção e os que tentaram iniciar uma conversa, dizendo entre dentes para tratarem o que quiserem com seu pai. Ele estava ocupando esperando outra pessoa.
Hodge Starkweather era um homem magricelo e que, facilmente, era perdido na multidão de lordes e membros da elite. A coisa mais chamativa em sua figura era uma longa e grossa cicatriz que cortava seu rosto, entretanto ele sempre se recusou a dizer como a conseguiu.
— Embaixador Starkweather! — disse Jonathan, se aproximando do homem. — Era exatamente você que eu procurava.
— Meu Príncipe, — murmurou Hodge, confuso como se não estivesse acreditando que um membro da família real estaria lhe dirigindo a palavra. — precisa de alguma assistência?
— Tenho apenas algumas perguntas, milorde. — Jonathan se virou e começou a andar, sabendo muito bem que Starkweather iria segui-lo. — Você passou algumas semanas na Corte Imperial, não é mesmo? Discutindo o dote de minha esposa, as condições para o casamento acontecer.
— Está correto, senhor — respondeu Hodge, nervoso. — Estava seguindo ordens específicas de seu pai.
— Ótimo, muito bom trabalho — disse Jonathan. — Eu tenho uma pergunta, no entanto, uma simples curiosidade que me ocorreu ontem à noite.
Hodge assentiu, indicando que havia entendido. Ele não olhou para Jonathan ou parou de andar, mas esse simples movimento de cabeça foi o suficiente para encorajar o Príncipe a continuar.
— Você conheceu a família real nesse meio tempo, não? O Imperador, a Imperatriz, o Arquiduque. — a Arquiduquesa.
— Sim, eu tive o prazer de conhecê-los. Uma família magnífica, os Morgenstern.
— Mesmo? Bom, eu estava pensando aqui e eu me perguntei se você havia conhecido minha futura esposa, a Arquiduquesa.
Isso fez Hodge parar e se virar para ele, uma confusão estampada em seu rosto.
— A Arquiduquesa, senhor? — questionou.
— Sim, sim.
— Bom, Vossa Alteza, a Arquiduquesa morava em um dos castelos de sua família no interior da Áustria quando eu visitei o Imperador, longe da Corte e suas intrigas — disse, uma memória antiga passando por trás de seus olhos. — Mas eu a vi apenas uma vez, no dia em que fui embora. Não pude conversar com ela, mas eu a vi, escondida atrás do pai; ele sempre a protegeu, entende. A filha favorita.
— E como ela é? — continuou Jonathan, determinado a arrancar cada detalhe do embaixador. — O que achou dela, quero dizer.
— Ela é inteligente e linda de sua própria maneira. — Hodge lambeu os próprios lábios e brincou com os dedos. — A Arquiduquesa também é pequena, senhor. Ossos fracos e força mínima, provavelmente.
Era a vez de Jonathan em ficar confuso.
— Por que está me contando isso?
— Na noite de núpcias, — começou Starkweather, olhando ao redor para ver se alguém os ouvia. — se ela não estiver complacente, não será difícil para Vossa Alteza forçar a consumação do casamento.
O ar deixou o peito de Jonathan, incapaz de acreditar no que estava ouvindo. Hodge estava falando de algo horrível, algo que fez Ella mandar inúmeras cartas manchadas de lágrimas para Will e Jonathan, algo que ele nunca iria fazer.
— Se me der sua licença, senhor, preciso voltar as propriedades de minha família — disse o embaixador, fazendo uma semi-reverência. — Minha esposa me espera.
Hodge foi embora em passos rápidos, olhando ao redor enquanto andava até a carruagem decorada com o raio de sua família. Jonathan o viu ir embora com um misto de sentimentos, incapaz de se mexer.
Hodge é de sua própria geração. Não posso ficar irritado.
Ele se virou, pronto para andar até a própria carruagem quando viu uma forma familiar andar até si. O homem que se aproximava era alto, mais alto que ele e imponente, com ombros largos e uma figura assustadora. Era o único na Corte que preferia manter o cabelo castanho curto, incapaz de seguir a moda, e usava roupas caras.
— Buckingham — disse Jonathan quando seu primo se aproximou.
Jonathan Wayland costumava ser um de seus melhores amigos. Agora, ele era apenas mais um estranho.
— York — respondeu o Duque de Buckingham.
— É Gales agora — murmurou Jonathan. — Príncipe de Gales, como você sempre quis.
Buckingham estreitou os olhos verdes e deu um sorriso cheio de veneno.
— Mas é claro, Vossa Alteza — disse, fazendo uma reverência de zomba. — Eu sempre me esqueço. Essas posições reais são tão voláteis que um simples Duque como eu se confunde com facilidade.
Jonathan franziu o cenho, tentando procurar algum significado escondido nas palavras de seu primo. Buckingham era conhecido pelo duplo sentido de suas falas. O Duque nunca mentia, mas ele também não falava a verdade.
— O que quer dizer com isso? — perguntou.
— Não se preocupe, Gales — murmurou Wayland, traiçoeiro. — Sua esposa chega amanhã. Você deve se preparar para fazer seu dever.
— Eu não preciso me preparar — retrucou Jonathan, irritado. — Já sei muito bem o que fazer.
— Sim, eu estou ciente. Jessamine, Dolly, Charlotte e tantas outras antes. Seus conhecimentos nessa área são vastos. — Jonathan deu um sorriso arrogante. — Pobre Clarissa. Será ela a culpada quando vocês não tiverem um filho.
Jonathan franziu o cenho, confuso. Não havia entendido as palavras proferidas por seu primo.
— Por que Clarissa seria culpada? — perguntou.
— Ora, — disse Wayland, calmo como se tudo fosse extremamente óbvio. — você teve várias amantes ao longo dos anos e, no entanto, nenhuma delas engravidou de um pequeno bastardo. Pergunto-me se você é capaz de ter filhos.
— Você não vai mais se perguntar isso quando minha esposa estiver aqui.
— Veremos, querido primo — respondeu o outro Jonathan. — Veremos.
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