Imperfeitos

12 X — Orgulho.


Unknown estava voltando a mostrar do que era capaz. Isso estava tirando o sono de Oliver, Alice e Matth. Unknown estava evitando Antony, mas ele não sabia se poderia comemorar por isso.

Alice mostrara a ameaça que sofrera na madrugada de quinta a Oliver assim que chegou a escola. Ela estava desesperada e não sabia o que fazer.

“Está pronta pra perder o namorado e os amigos? Sua vaca. — Unknown”

Oliver franziu o cenho e olhou aos redores do pátio da escola tentando pensar em uma tese de quem pudera ser Unknown, mas nada parecia muito concreto.

A menina junto ao melhor amigo e Matth estavam reunidos no pátio do colégio durante o intervalo. Antony que estava com Jeffrrey do outro lado da escola. Oliver queria adiantar o assunto sobre o livro que achara, mas não repetiria tudo de novo só pra Antony escutar.

Matth, por sua vez estava receoso. Ele sabia quem era Unknown, os dois haviam batalhado há dois dias, mas ele recebera uma mensagem o alertando que se contasse o calor que ele sentiria ia ser bem pior. Conte a eles. O garoto pensou com medo. O jovem assustado não sabia se manter segredo seria o melhor a se fazer. Conte a eles. Mas mais uma vez não teve coragem. Ele sabia do que Unknown era capaz e só de pensar sentia seu estomago revirar. Matth apenas respondia com palavras monossílabas quando os amigos listavam adjetivos e relacionava algumas pessoas.

— Unknown está perto de nós. Alguém da nossa turma?

— Mais como ela saberia as coisas da Alice? — Matth havia falando algo a mais do que “hm”, “aham” e “talvez”

— Mas quem disse que Unknown me ameaçou com o passado? Até agora fora com coisas que aconteceu depois que eu mudei pra essa cidade. — Alice coçou o queixo angular.

Antes que a conversa continuasse eles foram interrompidos pela sirene suando por alguns segundos avisando os alunos que o intervalo acabara.

— Bem, temos que ir pra sala. A professora do próximo horário não tem costume de ser atrasar. — Disse Oliver levantando logo após dar um beijo na testa da amiga que acabara de comer uma maça.

— Tudo bem tubarão. — A menina acenou com o sorriso para Matth despedindo.

— Tubarão? Havia uma interrogação na testa de Matth.

— Sim, o Azeitona não disse a você que agora é da equipe de natação?

— Não. Desde quando?

— Desde ontem. — Oliver franziu o nariz com um sorriso falso. — Há muitas coisas que precisamos conversar, não é mesmo Matth?

O garoto deu de ombro e não respondera, apenas começou a caminhar em direção ao prédio que estudara seguido pelo amigo.


Aquela semana estava quase terminando. Oliver acabara de sair do treino de natação e caminhava pra mesma floresta aonde Matth fora atacado. Os amigos se encontrariam em poucos minutos. O garoto estava exausto, mas ele não podia demorar mais pra contar aos amigos sobre o livro, um suposto grimório, que ele achara.

Assim que chegou dera de cara com os três amigos sentados e bebendo refrigerante. Sem usar muitas palavras e desviando o máximo que pode o olhar de Antony ele jogou um lençol branco de linha com uma circunferência extensa que cabia os quatro deitados de braços abertos.

Aquela floresta era um excelente local pra se invocar os elementos. A serenidade da brisa que passava a todo instante em um ritmo agradável, o ritmo das folhas das árvores balançarem, os raios de sol que estava iluminando perfeitamente o centro do lençol redondo e a terra úmida junto ao barulho do pequeno riacho que passava a alguns metros de distancia daquele lugar.

Estava sendo muito difícil pra Oliver estar tão perto de Antony, ele não sabia como acabaria a relação dos dois, mas por enquanto o orgulho era muito maior.

Ele retirou de sua mochila um pouco empoeirada cinco velas e colocou perto de seu pé e logo avisou os amigos que começaria.

— O que vou mostrar a vocês será mais interessante se tivermos com o circulo invocado. Estão preparados? — Ele deu de ombros se queixando pra resposta dos quais e abaixou pra pegar as velas.

A vela de cor amarela ele apanhou com a mão direita e caminhou em direção a Matth que estava ao Leste do circulo. Assim que recebera a vela ele convocara seu elemento.


“Estrondoso ar, que o teu sossego nos traga idéias para usarmos nossos dons com discernimento.”


O vento se agitara, os cabelos dos quatro balançavam desarmonicamente e o fogo na ponta da vela dançava para um lado e pro outro.

Oliver acendeu a vela usando uma isqueiro de prata e logo em seguida o guardou no bolso, voltou de onde começara tomando em sua mão a vela vermelha. Era vez do fogo doar sua energia a aquele Conven. Oliver entregou a vela nas mãos de Antony encarando-o pelos olhos e segurando para não dizer nada, mas assim que a vela se ascendeu sozinha ele se recolheu alguns passos pra trás.


“Exuberante fogo, que você nos encha de sentimento e que não nos impeça de mostrá-los fazendo nosso Conven vibrar em constante equilíbrio”


O fogo respondeu e suas energias aqueceram o ar que estava mais calmo fazendo uma brisa quente e aconchegante passar como um espiral revestindo cada um dos quatro.

O garoto que estava guiando o conven voltou até sua mochila e retirou uma recipiente feita de sodalita, uma das pedras do elemento água e conjurou uma quantidade suficiente pra a encher e a pós rente ao lugar que ele tomaria em breve.


“Água, que você purifique nossa alma transformando toda energia negativa em uma fonte de poder totalmente pura”


O círculo acabara de se aprofundar mais ainda com a chegada da eminente água.

O menino se sentia sob a água e forte cheiro da maré estava em sua mente. O riacho se agitara e eles conseguiam escutar cada vez mais o barulho das pequenas cascatas que tinham aquele pequeno riacho.

Oliver acendera sua vela compartilhando o fogo da vela de seu vizinho, o ar. Logo em seguida ele tomou a vela vê ao passá-la para mão da amiga compartilhou o fogo de sua vela. Enquanto ele tomava seu lugar junto ao cristal de sodalita que compunha um pouco de água concebida pelos seus dons a menina se pronunciou.


“Saudosa terra, mãe de todos nós. Que a vossa grandeza nos dê estrutura e que também faça que tenhamos criatividade pra conquistarmos todos nossos objetivos como um único ser, como um Conven.”


Alice se sentia forte como um imenso tronco de árvore.

O cheiro da terra estava presente cada vez mais forte. Alguns ramos brotavam contornando todo lençol branco e pequenas flores em um tom bem claro de rosa davam o ar da graça.


O garoto convidou todos a se sentarem e colocou no meio do circulo o livro velho e um tanto quanto empoeirado.


— Por que você trouxe uma bíblia? Com certeza o que estamos fazendo não é algo aceitável por Deus. — Antony bocejou mostrando desinteresse.

— Aceitável? — Oliver retrucou. — Não existe essa de aceitável, muito menos certo ou errado. Existe o bom a se fazer e é isso que esse livro vai nos ensinar.

— VOCÊS DOIS PODEM ABAIXAR A BOLA. — Alice gritou irritada. — Conta tudo que você sabe sobre esse livro Azeitona.

Oliver respirou fundo e prosseguiu.


— É uma espécie de grimório.

— E o que é isso? — Disse Matth tirando a Athame de seu bolso e fazendo ela se transformar no pequeno Silfo.

— É uma espécie de diário, onde bruxas escrevem todos seus feitiços e escrevem algumas historias. — Alice dissera encarando o livro.

Todos estavam surpresos com os desenhos feitos a mão. Tinha vários símbolos dos quais eles nunca haviam visto, seres mitológicos com traços perfeitamente nítidos que era impossível acreditar que existiam, poções, instruções de feitiços e muito mais.


— Olha esse feitiço. — Oliver abriu em uma página e mostrou aos amigos e eles leram em voz alta.


“Iluminação.”


— O que é isso? — Matth deu de ombros sem entender nada.

— Como o primeiro elemento que invocamos é o seu, pensei e tentarmos invocar um feitiço relacionado ao ar.

— Por mim tudo bem. — Antony disse.

— Eu não sei, nunca usei meus poderes por muito tempo.

— Relaxa Alice, é super tranqüilo, mas se você se sentir ml é só falar, ok?

— Ok, mas as fadas não tem um limite de poder?

— FADAS? — Antony segurou o riso encarando a menina.

— É. Ela acha que nós somos fadas. — Oliver o respondeu fechando a cara.

— Mas nós somos.

— Ai, adeus Alice. — Matth zombou da cara da menina.


Oliver posicionou o livro em sua perna e deu a mão a Alice e em seguida a Antony, logo todos estavam de mãos dadas.

— É bem simples pelo que li. Se estivermos em harmonia, principalmente o Matth e se tivermos decência de conseguir abrir a mente, boas memórias iram aparecer em nossas mentes e vamos transferir toda essa energia pro cristal. — Ele soltou a mão da amiga por alguns instantes e colocou o cristal roxo ainda com água no centro e acenou com as sobrancelhas aos amigos indicando aonde deveriam concentrar. — Matth, você acha que consegue comandar por aqui?

— Sim, a silfo me ajudará. — Com um sorriso ele confirmou. — Só peço que vocês controle a respiração e não fiquem muitos nervozos.



O círculo mágico que os quatro amigos invocaram estava estável, mas não por muito tempo. O orgulho de Oliver estava fazendo-o suar frio. Ele não agüentaria por muito tempo ficar de mãos dadas a Antony.


Matth estava em uma sintonia imensa, mas sentia que algo ruim iria acontecer. Sua guardiã, um silfo amarelo voava em círculos sobre o cristal, onde uma esfera que começara a cintilar crescia um pouco a cada instante. Eles estavam treinando seus dons por alguns minutos e já estavam cansados. Alice estava assustada com tamanha energia que sentira ao participar pela primeira vez do circulo, mais se mantinha concentrada em canalizar a força da terra na esfera incandescente que tentavam invocar. Matth, que já participou outras vezes sentia algo diferente das outras e a cada brisa que sentia passar por sua nuca ao liberar energia junto ao circulo, ele se sentia angustiado.

O orgulho que Antony e Oliver estavam sentindo era enorme. Eles tinham que terminar de invocar aquela esfera Elemental que propuseram invocar pra conhecer um pouco dos segredos que o grimório seria capaz de revelar.

As chamas das quatro velas estavam cada vez maiores, era o arrependimento de Antony reprimindo pelo ódio. Oliver estava com a sensação que afogaria. O cheiro do mar estava cada vez mais próximo e a sensação de estar sobre uma enorme cachoeira era imensa.

Não vou agüentar por muito tempo. Oliver pensou enquanto franzia o cenho fazendo com que todo resto de energia que sobrara fosse guiada até a mesa de mármore. Quando ele viu os olhos de Antony o provocando junto a um sorriso irônico ele desistiu daquilo tudo e soltou a mão do “ex amigo”.

— Pra mim chega. — berrou o garoto com o orgulho ferido.

— Fugindo. É isso que você está fazendo Oliver. — Antony riu enquanto balançava os ombros. — Você está fugindo de novo, deixando de cuidar de seus problemas pra se acalmar com uma enorme xícara de café.

— Mas é isso que você faz, não é mesmo Antony? Você sempre deixa de cuidar do que já tem na mão quando encontra alguém que lhe faz sorrir em dois segundos.

— Você não sabe o que diz. — As palavras de Oliver haviam incomodado profundamente Antony.

— Mas é claro que não sei, afinal, o que eu sei de você? Que você é um garoto carente que se deixa levar por qualquer coisa?

— Cala a boca.

— Quem provocou isso tudo foi você.

— Não sou eu quem fica trancado no quarto fugindo do mundo.

— Você sabe o que fez? Se não lembra, beba o tanto que bebeu naquela noite e me diga tudo o que me disse pra me distruir novamente.

— Não vou ficar aqui perdendo meu tempo com alguém que só sabe jogar a culpa dos erros nas costas dos outros — Oliver tentou se levantar, mas Matth o puxou e aos berros exigiu que terminassem aquilo.

— Vocês dois! Se não vão resolver a amizade de vocês agora, pelo menos vamos concluir o circulo. Mas que inferno, não quero os elementos saindo do controle e fodendo comigo me nos chicoteando pra longe.


Os garotos deram a mão novamente com muita fúria e ódio. A água do cristal estava evaporando e toda energia acumulada na esfera havia sido libertada naquela cena. Uma neblina bem opaca tomou conta daquela ambiente. A única coisa que conseguiam ver com nitidez era a chama das quatro velas.

Matth, sem saber o que fazer rogara por seu elemento.


“Ar, leve pra longe todo esse nevoeiro”


E então uma corrente de ar espantou toda neblina em segundos fazendo os amigos se acalmarem um pouco.


— É melhor pararmos por aqui antes que as coisas piorem.

— Verdade. — Alice estava tremula de raiva. Por ela, os garotos já teriam feito as pazes há muito tempo. — Olha! — Ela apontou pras árvores.

— O que é isso? — Oliver sussurrou espantado.

— Esses cipós não estavam aqui, estavam? E essas flores?

— Deve que a energia da esfera foi pra floresta e ela amadureceu. — Antony ainda bufando de raiva e com as bochechas quentes de nervosismo praticamente cuspiu as palavras.

— Que incrível. — Matth mostrou entusiasmo.

— Incrível? Isso é muito perigoso. — Alice estava apavorada.

Antes que falassem mais alguma coisa Oliver lembrou de algo que havia lido no grimório e mostrou os amigos. Era uma frase de como dispensar os elementos. Eles leram duas vezes e repetiram juntos.


“Ao traçar o circulo nos comprometemos a vocês, quatro membros sagrados que agora nos reina. Com um imenso voto de gratidão nos despedimos de você e que sempre o Ar nos de equilíbrio mental, que o fogo sempre nos acolha com tamanho calor, que a água nos purifique nos dando pureza e que a terra sempre nos mantenha forte.”


Eles disseram e tudo pareceu normal. A vibração que os quatro sentiam havia cessado por alguns segundos, mas logo voltou de uma forma bruta e perigosa acertando Oliver e Antony.

Uma feche de luz em um tom alaranjado flamejava e jogou Antony alguns metros de distancia. Já a Oliver um gelado jato d’água o puxou o levando pra dentro de uma bolha de água.

Os dois estavam apavorados. A água e o fogo estavam irritados com ambos, mas com uma forma de tentar fazer as pazes eles concederam aos dois seus guardiões.

Oliver recebera uma pequena Ondina. Ela ondulava pelo ar. Era um espírito guardião orgulhoso, porém matura e amorosa. Já a Antony, o fogo lhe deu um minúsculo ser com aparência masculina e com asas de fogo vestido de vermelho. Um guardião sedutor, vingativo, porém, com um ar purificante.


Agora sim o circulo havia se separado. Oliver juntou suas coisas e tomou seu livro das mãos de Alice dizendo que nunca mais ira participar desse conven.

— Mas você é nosso líder.

— Era. Que agora um de vocês três se responsabilizem por esse conven.

— Você não pode fazer isso. — Antony disse tentando fazer Oliver a parar com tamanha idiotice.

Antes que lhe fosse permitido retrucar, uma bola de fogo viera em sua direção e antes que ele pudesse desviar ele jogou suas coisas no chão e fez uma barreira de água. Ela evaporou muito fácil. Ele e os amigos estavam fracos de mais para usar os poderes.

— Mas que porra é essa?

Os amigos encaravam um ser, trajado com um conjunto marrom e sapatos brancos e uma mascara de porcelana tampava seu rosto.

Matth sentiu seu estomago revirar. Ele sabia quem era, mas não podia dizer nada aos amigos e isso o fazia se sentir nulo.

— Acabarei com quatro palhaços em um só espetáculo. — A pessoa deu um passo pra trás inclinando os ombros e as mãos pra frente, como fizera na ultima vez que atacara Matth.

A intensidade da chama dessa vez era maior. Nenhum dos quatro conseguira fazer nada além de se jogar no chão.

Uma coisas eles sabiam, estavam de cara com Unknown, e se não lutassem juntos, estariam acabados.