Imperfeitos
3 I — Incertezas e cicatrizes
Notas iniciais
O último ano escolar havia começado faz poucas semanas e Oliver não aguentava mais. Não aguentava acordar cedo, não aguentava mais ver falsos amigos, não aguentava mais ter que dar seu máximo pra ser recompensado daqui a anos. O último ano foi bastante difícil para Oliver, mas nem tudo foi ruim. Oliver encontrou amigos bons, fez coisas boas, experimentou coisas que ele quer repetir várias vezes e também fez coisas que se arrepende brutalmente.
O garoto se encontrava no meio de uma crise existencial. Tudo se originava porque o garoto amava de mais. Oliver e Natália estão juntos desde o fim do ensino fundamental. A relação deles é muito admirada pelos amigos do casal, mas há muito ciúmes, muita inveja, desconfiança e fofocas que insistem em tentar separar o casal — mesmo sabendo que isso é quase impossível -. Por outro lado, desde que conhecera Antony, o rapaz não conseguia o tirar da cabeça.
A manhã do dia 30 de Abril se aproximava e Oliver já estava acordado. A insônia e a vontade de estar com a Natália eram maiores do que a necessidade de dormir para ter um bom desempenho na escola no dia seguinte. Sua namorada morava na cidade vizinha. Era poucos minutos de automóvel, mas por causa da escola nem sempre era possível se encontrarem.
Em dez dias Oliver e Natália comemorariam quatro anos de namoro. Oliver estava ansioso, mas Natália estava com ciúmes, pois um dia antes deles comemorarem seus quatro anos de namoro, Olivier iria encontrar com sua amiga Alice. Ela vivia em uma cidade mais próxima do que a que Natália morava, e desde que seu amigo Lewis morreu, Alice foi à melhor pessoa que Oliver podia encontrar. Os dois passavam o dia inteiro trocando mensagens de texto ou conversando pela internet. Natália tinha ciúmes, é claro, mas ambas eram amigas ou pelo menos fingiam ser para agradar o Oliver.
Oliver estava deitado em sua cama revirado aos lençóis olhando aleatoriamente para o teto e o nome de Natalia escrito em sua mão enquanto conversavam na noite passada.
Oliver estava em um devaneio tão grande que quando seu alarme despertou para lembrá-lo de que horas eram pra ir se arrumar pra aula, ele deu um pequeno pulo da cama. Depois de alguns minutos, ele se convenceu a levantar e foi para o banho.
Alguns breves minutos debaixo da água com pensamentos depressivos fizeram Oliver se sentir revigorado. Depois de pronto, pegou a mochila que estava jogada em um canto do quarto e foi correndo até a cozinha para pegar o copo térmico com café e que sua mãe havia preparado.
Apressado, o garoto fora para o mesmo lugar que se encontrava com Matt e Antony para irem até a estação de metrô e seguirem até escola católica em que seus pais os obrigavam a continuar até se formarem.
Oliver tinha saído alguns minutos atrasados de casa, mas ele sempre era o primeiro a chegar, então não apressou muitos os passos. Colocou seus fones onde tocava repetidamente uma música da qual junto da Natália, decidiram que era a música perfeita para o casal.
A rua estava fria e repleta de neblina. O vento frio da manhã escondia o dia ensolarado que estava por vim.
De longe avistou Matt chegando e dessa vez ele não trazia seu típico sorriso estampado na face. Oliver estranhou, mas não se incomodou em perguntar por que o amigo estava tão sério. Matt era um dos garotos mais popular da escola. Por estudarem em uma escola católica e Matt ser bissexual, ele não era o ídolo de muitos dos professores, pois muitos ainda tinham a mente fechada.
— Bom dia, vagabunda. — Matt disse aos berros do outro lado da rua.
— Olha o respeito, já disse que sou uma lady. — Eles riram e Oliver atravessou a rua pra se encontrar seu amigo.
Os dois tiveram que esperar Antony chegar por alguns minutos. O rapaz estava sempre atrasado e não se importava muito com isso.
Antony estudava na escola há mais tempo que Matt e Oliver, não obstante sua reputação não era das melhores. Amizades erradas fizeram uma mancha escura em seu passado que até hoje ele não conseguiu limpar.
Não demorou muito e ele estava descendo a rua, com passos largos, mas uma lentidão tão grande que até uma tartaruga o passaria.
Quando Antony se aproximou com seu sorriso cativante Matt encarou os amigos com um olhar de “Eu sei que vocês se pegam” e “Quando é que vocês vão se pegar na minha frente?”.
Sem demora, logo os três partiram pra estação de metrô.
A escola onde estudavam ficava do outro lado da cidade e se eles não pegassem o próximo trem, chegariam atrasados.
Logo que entraram no vagão fizeram algumas piadinhas sobre o metrô estar sempre cheio.
Matt, assim que avistou uns assentos vazios puxou os amigos. Ele tinha que contar algo meio estranho que havia lhe acontecido na ultima noite. O garoto parecia estar realmente nervoso pelo que tinha acontecido.
O rapaz se certificou que ninguém estava os observando e logo começou a cuspir as palavras:
— Aconteceu algo muito estranho ontem de noite. Eu estava... — Matt foi interrompido por Oliver.
— Fale logo o que aconteceu e nos poupe de ouvir o que você estava fazendo quando aconteceu. — Matt o desdenhou e continuou:
— Tudo bem.
Antony riu pela expressão desdenhosa que Matt fizera.
— Alguém me mandou uma foto do Paul e na legenda tinha data do mesmo dia que ele “suicidou”. — Matt terminou dando um suspiro.
— Mas você não sabe quem mandou? É fácil descobrir isso, eu acho. — Antony ficou intrigado com aquilo tudo.
Ele não conhecia Matt e Oliver na época em que Paul suicidou, mas Matt já havia contado a historia dos dois milhares e milhares de vezes. Paul era um dos meninos mais amáveis da outra escola. Era um dos melhores jogadores do time, vivia cercado por meninas, era gentil com todos e até tinha um projeto para arrecadar dinheiro para um asilo. Ele suicidou de um dia pro outro, não deixou nem uma carta se despedindo.
— Eu posso olhar isso pra você no intervalo Matt. Estou levando o notebook. Vamos para a biblioteca e eu olho isso pra você. — Oliver tentou confortar Matt, ele estava com os olhos vidrados e confusos.
Eles seguiram pra escola e antes que eles imaginaram já estavam lá. Eles conseguiram chegar uns quinze minutos antes do sinal bater. Eles sentaram no pátio da escola e conversavam sobre o que iriam fazer no fim de semana enquanto esperavam o tempo passar. Eles estavam sentados no mesmo banco de sempre no pátio da frente onde viam o sol abrir mais rápido e o clima litorâneo estava atravessando a cidade até as serras, onde o colégio se encontrava. O ar frio e um céu extremamente limpo estavam fazendo a manhã de Oliver e seus amigos, pelo menos por enquanto, boa.
O pouco tempo que eles tinham antes do sinal bater já estava quase se acabando. De longe o grupo de amigos avistaram seus amigos chegarem para aula com a mesma cara de desanimo de sempre. De menos Annie, é claro. A qual sempre estava com um ótimo sorriso estampado na cara e não parava de cantar musicas que animava a todos.
Assim que passaram pelo arco da porta da sala Oliver fechou a cara. Ele não fazia questão de fingir que estava triste por estar ali. Ele abaixou a cabeça recolocando os fones enquanto observava tudo e todos dentro da sala. Não demorou muito e a professora de português chegou à sala.
Sem paciência pra prestar atenção na aula, pegou seu exemplar de Manfelos dentro da mochila e começou a ler. A professora não ligava quando os alunos preferiam ler durante a aula ao invés de bagunçar a turma.
Ele estava realmente concentrado no livro. Café, bebidas, tumblr e os livros eram o único refugio de Oliver. Quando ele não estava com sua namorada ou com os amigos isso era a única coisa que podia o fazer fugir da realidade.
As horas foram passando e Oliver não se sentia muito confiante. Estar na escola era realmente constrangedor.
Ao mesmo tempo em que ele prestava atenção na aula ele viajava no imenso mar de vazio que existia em sua mente. Algumas vezes ele respondia as mensagens de texto por dentro do moletom escondido da professora de historia, que perdia mais tempo falando de assuntos alheios do que passando matéria.
Ele realmente se assustou quando ouviu o sinal avisando que o intervalo havia começado. Oliver olhou discretamente para Matt falando para encontrá-lo na biblioteca e o qual entendeu.
Chegando à biblioteca, Oliver diretamente conectou a rede wireless da escola e ficou tuitando coisas sobre o quão ele estava chateado por estar na escola enquanto esperava Matt chegar. Não demorou muito e Matt estava lá. Ele estava apreensivo e sua mão não parava de suar, demonstrando seu nervosismo.
Matt puxou a cadeira e sentou rapidamente ao lado de Oliver. O rapaz entrou em seu e-mail e a imagem não estava mais lá. Ele desesperou e pediu para Oliver acessar as outras pastas para ver se o e-mail podia estar em uma delas. Depois de breves segundos Oliver olhou pro Matt com um sorriso seco no canto do rosto reafirmando que o e-mail não estava mais lá.
— Isso é impossível. Ninguém tem minha senha! — Matt pausou enquanto parecia pensar em alguma oportunidade de alguém ter descoberto sua senha e logo voltou a falar. — Não entendo. Estava lá. — Ele afirmou novamente se esticando na cadeira com os olhos cheios de lagrimas.
— Você não estava “louco”, de novo não? — Oliver sorriu tentando não acusar Matt de ter imaginado tudo aqui por causa dos entorpecentes que ele tinha o infeliz habito de usar.
— Olha não estou aqui pra você me julgar. Você pode saber de tudo que já passei, ok? Mas não tem o direito de fazer isso. Eu sei o que vi. — Matt levantou puxando sua mochila de cima da mesa onde estavam.
— Desculpa. Eu... Eu Acredito em você. É que você tem exagerado de mais nessas coisas. Eu estou preocupado. — Oliver tentou concertar as coisas. Mas não parecia ter adiantado, Matt apenas se virou e começou a caminhar em direção a porta da biblioteca.
Impulsivamente Oliver levantou e segurou o punho de Matt o interrogando.
— Aonde vai?
— Fumar. — Matt puxou seu braço e saiu com passos largos e pesados como de um cavalo.
Oliver franziu o cenho e sentou. Colocou os fones, colocou a playlist nomeada de “sossego” para tocar e aproveitou que seu notebook ainda estava conectado a internet da escola e entrou no tumblr. Por ali ele ficou até ouvir o sinal que avisava do termino do intervalo. “Merda.” pensou Oliver extremamente inseguro por saber que teria que voltar pra sala e passar mais duas horas com aqueles babuínos imaturos que não calam a boca um só segundo e nem conseguem cuidar da própria vida.
Oliver encontrou com alguns “amigos” pelo corredor enquanto caminhava pra sala com o cenho franzido, seu típico sorriso seco, cabisbaixo e dando passos pequenos e apressados.
Quando chegou à sala ele sentou junto com seus amigos e as vezes balançava a cabeça ou respondia monossilabicamente.
Os dois próximos períodos seriam de física. Oliver tinha vontade de cortar os pulsos a cada vez que se lembrava disso.
A turma, distraída se assuntou quando a porta foi empurrada fazendo um enorme barulho ao se chocar com a parede.
— A professora de física faltou! — uma aluna entrou na sala a sorria que parecia um gorila que acabará de dominar o antigo líder do bando e tomado seu lugar de tão feliz.
Todos vibraram com isso ao mesmo tempo em que saíam dos seus devidos lugares.
Antony pegou sua cadeira e colocou ao lado da de Oliver, em seguida Kyoto fez o mesmo. Eles falavam de tudo, ao mesmo tempo em que Oliver dizia quase nada. Ele estava preocupado com o Matt que desde que o intervalo tinha acabado não havia dirigido uma palavra a ele. Isso não era normal. Mesmo que não estivesses falando oralmente, eles estavam trocando mensagens de texto ou conversando por bilhetinhos.
Kyoto percebeu que Oliver não estava muito bem, sabendo que ele não contaria o porquê, começou a cantar Free Fallin. Assim que ela disse a primeira estrofe Oliver deu um sorriso — talvez um dos primeiros do dia — e cantou a segunda estrofe.
Já havia se passado um pouco mais de uma hora e nenhuma das freiras do colégio foi conferir qual o motivo de tamanha conversa na turma 301.
Magicamente, irmã Ellen, a coordenadora do ensino médio apareceu na porta fazendo com que todos sem calassem e rapidamente tentassem voltar pro seus lugares, mas ela interrompeu falando severamente.
— Agora não adianta mais voltarem pros lugares. A aula está quase terminando! Mesmo que eu passasse algo para vocês fazerem, vocês não dariam conta de terminar a tempo. Não é mesmo, Senhores? Então só peso que falem um pouco mais baixo e não saiam da sala enquanto não estiverem liberados. — ela pausou a fala coçando o bigode e retornou a palavra enquanto todos a olhavam vidrados — Matt, me acompanhe, por favor! Pode levar sua mochila, iremos conversar e creio que não vamos acabar antes do meio dia. — Ele não parecia muito contente com isso, mas rapidamente obedeceu e pediu a Antony um favor.
— Tony, leva a mochila pra mim? Esperem-me na 3ª arvore do bosque antes de irem pro metrô, ok? — Ele sorriu e começou a andar em direção a irmã Ellen e ela o cortou rapidamente.
— Pegue sua mochila. Ninguém desta sala é seu burro de cargas, está me ouvindo? — Ela fechou a cara, sim era possível aquela coisa mal acabada ficar com uma cara mais horrível do que a normal e foi em direção à porta e silenciosamente Matt voltou a tua carteira, pegou sua mochila e apressou os passos.
— De mesma forma, me esperem.
Oliver estava preocupado. Ele já tinha uma teoria pelo que Irmã Ellen tinha o chamado. Mas ele disfarçou e continuou conversando como se nada tivesse acontecido. Oliver se importava muito com seus amigos, mesmo sendo seco e não demonstrando o quão ele se importava.
Antony havia estava se afastando da roda aos poucos, quando Oliver percebeu, ele já estava no fundo da sala conversando com seus amigos do qual Oliver não era fã. Vazio, era assim que Oliver se sentia. Apenas vazio e nulo. “Não sou bom o suficiente pra satisfazer as necessidades de amizade do Tony?”, “O que esses imundos têm que eu não tenho?”, “Quando é que o Tony trocará minha amizade completamente pela amizade de um destes inúteis?”... Pensamentos assim não saiam da complicada mente de Oliver. Ele estava completamente no “mundo da lua” e por alguns instantes não havia percebido que Kyoto estava o chamando.
— Oli? — Ela já parecia estar sem paciência. — Oliver, da pra me responder? — Ela se calou e Oliver franziu o cenho assustado e respondeu apavorado.
— Ah. Oi? — Ele riu tentando disfarçar o aluamento e na esperança dela não ter perguntado nada de importante ou algo parecido.
— Até que enfim em meu filho? Já ia pedir pra te levarem pra enfermaria pensando que você estava em coma. — Eles riram e ela voltou a falar. — O que você fará esse fim de semana?
— Bem, vou pra casa do Antony, devemos ver filmes, beber, comer porcarias e dormir. — Na hora que Oliver acabou de falar, já foi interrompido por Tommy. Ele era um dos guris mais imaturos da sala. Poucos na escola davam atenção a Tommy, pois achava ele muito imaturo ingênuo, imaturo, infantil e com outros defeitos que um aluno do terceiro ano devia ter. Bem, não pelo fato de estar no ultimo ano do colegial, mas pela idade que as pessoas têm ao estarem nesse estagio escolar.
—É assim mesmo, não é Oliver? — Tommy deu um sorriso sarcástico.
— Assim o que meu filho? — Oliver já estava ficando mais irritado dando um suspiro e logo voltou a resmungar. — Por que o questionamento neste tom tão sarcástico?
— Nada não, seu grosso. — Tommy disse dramaticamente.
— Grosso é meu... — Kyoto os interrompeu fazendo-os calar a boca.
— Ah, deve ser mesmo. Vou perguntar o Antony. Já que vocês fazem tudo junto, sempre saem juntos... Ele deve saber muito bem se é ou não é. — Tommy deu uma de suas risadinhas que Oliver não suportava
— Já pararam? — Ela se esqueceu da pergunta que fez a Oliver e logo mudou de assunto. — E então, vamos cantar?
Eles ficaram cantando até o sinal bater. Oliver já havia certificado que todos seus objetos estavam guardados e ficou sentado de uma forma que seria fácil de sair. Assim que o sinal bateu informando que todos estavam liberados para irem embora, é claro, Oli apanhou sua mochila e sem menos esperar Tony saiu correndo em direção a sala da Irmã Ellen na esperança de ainda encontrar Matt. Assim que ele chegou, Matt abriu a porta da Irmã Ellen e saiu com sua cara sarcástica de sempre. Oliver sentiu que estava tudo bem e logo abriu a boca.
— Matt, o que aconteceu? Você ta suspenso? — Oliver estava realmente desesperado.
— Ela veio falar merda por que falaram pra ela que me viram fumando no recreio. Quem essa mulher pensa que é pra vim falar o que eu coloco na boca? — O garoto magrelo de cabelo loiro no olho e sarcasmo estampada em toda sua face.
— Me desculpa Matt. — Oliver deu um sorriso no canto da boca. — A culpa é minha. Se eu não tivesse te irritado você não teria ido fumar. — Oliver levantou os ombros arrependidamente.
— Tudo bem piranha. — Ele sorriu e me puxou pra irmos embora.
— Você não colocou o dedo no resto dela ou colocou? — Oliver riu lembrando-se das ultimas brigas de Matt que ele colocava o dedo no meio da face da pessoa e depois já lascava um tapa na mesma.
— Não. — Ele começou a rir e completou. — Não muitas vezes.
Oliver e Matt foram pro ponto de encontro para se encontrar com Tony. Não demoraram muito e viram de longe Tony sentado junto à árvore com um dos amigos que Oliver não suportava, ou melhor, morria de ciúmes. Ele já havia fechado a cara novamente. Matt não percebeu por que a bipolaridade de Oli já era freqüente desde um pouco antes da adolescência.
Depois de passos largos e rápidos, Oli e Matt chegaram até Tony e seu amigo. Este amigo de Tony estava pelo primeiro ano na escola e mesmo assim só conseguiu entrar por causa do seu desempenho no time da escola. Ele não era um dos mais inteligentes, nem dos mais esforçados. Era apenas... Um boboca de sorriso falsamente meigo e olhos vidradamente castanhos. Assim que eles chegaram Tony estendeu a mão pra ajudarem a ele levantas, mas Oliver fingiu que não viu e rapidamente Matt ofereceu a mão e em seguida para o amigo de Tony. Ele disse que ficaria por ali mais uns instantes e então Oliver rapidamente os chamou para irem embora, ele não suportava olhar pra cara dos amigos do Tony. Oliver era um bom amigo. Sempre dava o máximo de atenção, sempre colocava seus amigos na frente e outras qualidades que um amigo “perfeito” possa ter, mas quando começam a pisar no seu calo e ele percebe que os amigos estão o trocando ou simplesmente indo embora com o tempo, não tem pessoa mais sarcástica ou irônica do que ele.
Daquela velha árvore no alto da serra da cidade até o metrô Oliver não abriu a boca um só segundo, ao não ser pra responder com “Hm”, “Sim,” “Não”, “talvez” e outras palavras que eram diretamente objetivas.
Assim que foram passar na catraca do metrô Tony percebeu que não estava com seu cartão de passagem e já fez um escândalo sentando no chão e revirando toda sua mochila.
— Desgraça. Perdi meu cartão. Vou ter que ir tirar a segunda via hoje. — Ele disse preocupado enquanto procurava em lugares da mochila que nem ele sabia que existiam.
— Que seja. Em casa você procura, eu pago sua passagem. — Oliver tirou do bolso seu cartão e entregou a Tony que ainda estava no chão e rapidamente colocou suas mãos no bolso da camisa.
— Credo Oliver, o que você tem? O dia todo. — Tony estava indignado, Matt já imaginava o que podia ser e começou a rir disfarçadamente.
— Nada. Eu só... Só quero chegar à minha casa logo. — Matt novamente ajudou a Antony a se levantar e ambos passaram a catraca e em seguida ouviram sentiram o chão vibrar e desesperadamente começaram a correr. Por um triz não conseguiram pegar o metrô e para a sorte dos meninos, o vagão estava vazio, o que era meio comum por causa do horário.
Um pouco antes de chegarem estação onde desciam, que por coincidência era a ultima da linha, Oliver pegou seus fones e já os deixou plugado ao celular. Assim que eles desceram da plataforma, eles esperaram todos os outros passageiros descerem pela escada rolante, como de costume e Oliver abraçou Matt e na hora de se despedir do Antony, ele apenas pegou em sua mão, e quando Antony o puxou para um abraço, ele fingiu que não viu e se afastou imediatamente. Antony ficou sem graça e começou a andar e seus amigos os seguiram. Um clima nada agradável estava ali naquele instante, para tentar amenizar, Tony puxou assunto.
— E aí, já sabem o que vão fazer esse fim de semana? — Ele sorriu com ódio no olhar.
— Eu... Eu devo ir beber. — Matt mostrou sua empolgação.
— Que novidade. — Oliver e Antony disseram ao mesmo tempo e quando escutaram a voz do outro ao mesmo tempo se fizeram o favor de calar pra não aumentar aquele clima e em seguida Matt continuou.
— Beber é vida. — Todos riram. — E você Oliver, o que vai fazer? — Matt sorriu e se preparou pra pisar na escada rolante.
Antony e Oliver estavam combinando de sair no fim de semana juntos. Os pais de Antony estavam viajando para o sul do país e seu irmão iria junto, ele queria uma Cia para estes três dias que ele passaria sozinho. Oliver perguntou a Natália se havia algum problema deles se verem apenas no próximo fim de semana e ela disse que não. Então na manhã do dia seguinte Oliver encontraria Antony no shopping e depois iriam para a casa de Antony. — É, eu vou pra casa do Antony de noite. — Ele disse meio sem jeito, pois mesmo querendo estar perto do Antony ele estava com o orgulho ferido por causa do ciúme que ele tinha entre o Antony e Norton.
— Tony, por favor. — Ele riu.
— Por que não Antony? — Oliver perguntou já imaginando uma resposta que lhe deixaria mais chateado.
— Por que parece que você está com raiva de mim. — Antony deu aos ombros.
— E você Tony — Ele riu, pois ia começar a falar “Antony”. — O que fará hoje à tarde? — Ele disse e começou olhar pra baixo com medo da resposta.
— Vou sair o Norton. Iremos a uma partida de vôlei juntos ele deve ir ao shopping comigo mais cedo e vamos ficar por lá até você chegar. — Tony estava com a língua coçando pra continuar falando sobre seu fim de semana, mas Oliver logo o interrompeu.
— Ótimo. Divirtam-se! — Oliver desceu dois degraus da escada rolante e seguiu enfrente, se virou pros seus amigos que estavam com cara de espanto e gritou: — Vou ir ao shopping comprar umas coisas pra Natália e para Alice. Mais tarde nos falamos, está bem? — Sem esperar a resposta ele saiu andando apressadamente com seus fones tocando as musicas que ele costumava ouvir com Tony e com os olhos cheios de lagrima. Ele não suportava o fato de saber que o motivo do sorriso do Tony não era ele e sim Norton.
Oli estava quase chegando ao shopping pra comprar o presente de aniversário de namoro ideal para Natália e então se convenceu colocar um sorriso na cara e fingir que tudo estava bem. Antes de ir à loja ele foi ao banheiro e jogou uma água no rosto, tirou a camisa pólo que fazia parte de seu uniforme e colocou uma das suas típicas camisa de banda. “Agora estou pronto”, pensou consigo mesmo e seguiu enfrente as lojas.
Já havia passado quarenta minutos que Oliver estava zanzando pelo shopping e não havia achado nada “ideal” para Natália quando de repente ele passa enfrente uma loja nova no shopping que havia sido inaugurada há poucos dias e viu na vitrine um moletom do Mickey e logo imaginou Natália o usando.
Vinte minutos dentro da loja e ele já tinha comprado o moletom e foi direto a praça de alimentação. Ele pediu uma batata recheada, pois sabia que se chegasse a sua casa para o almoço já estaria frio e pegou no seu celular. Havia várias mensagens de texto e quando ele viu que havia duas do Antony, ele decidiu a guardar o celular novamente. Ele não queria pensar nisso tudo. Então desligou o celular e decidiu que não leria a mensagem de texto até domingo anoite, e se fosse algo importante, Antony ligaria em sua casa ou insistiria nas mensagens de texto.
Já era quase três da tarde e Oliver ainda estava no shopping pensando na vida. Ele já estava em caminho da saída do shopping e passou enfrente um stand de acessórios de celular e viu uma case para celular em formato de cow, na mesma hora ele pensou na Alice, ambos chamavam um ao outro de “vaca e bezerro”. Ele procurou na mochila seu cartão, seu pai havia depositado sua mesada há poucos dias então ele estava aproveitando. Assim que ele o achou perguntou se tinha para o modelo de Alice e para sua sorte ele achou, assim ele tinha mais um presente para dar Alice daqui oito dias.
Enfim Oliver tinha feito tudo o que precisava. Agora ele poderia ir para casa, ficar deitado em sua cama com uma xícara de café e seus livros ao lado junto ao seu celular que não parava de mandar mensagens de texto só um minuto, mas Oliver não se importava com isso, ele gostava até de mais, pois mesmo estando sozinho, trocando mensagens de texto ele se sentia rodeado por amigos.
Entre o dilema de pegar um taxi ou pegar um ônibus até sua casa, ele preferiu pegar um ônibus, pois não estava com pressa e precisava economizar para o fim de semana e compensar tudo o que ele gastou hoje, não que ele precisasse. Mesmo que sua mesada acabasse, ele podia pegar dinheiro emprestado com seu pai ou simplesmente sacar da conta que ele tinha criado quando criança parar poder juntar dinheiro para ir estudar no exterior.
Assim que Oliver chegou a sua casa, ele colocou ração para sua fiel gata de estimação, e foi pro quarto, deixou a porta meio aberta para Pansy, sua gata de estimação pode entrar no quarto quando acabasse de almoçar e conferiu se estava tudo bem com seus Hamsters. Depois de tirar seu uniforme e ligar seu notebook e colocar pra tocar músicas aleatoriamente depressivas, e até mesmo musicas agitadas que tivessem uma letra extremamente depressiva ou que no fundo transmitiam um pedido de socorro à humanidade.
Oliver estava há horas atirado naquela cama sem levantar pra nada, ele precisava mudar sua cara, afinal, seus pais chegariam do trabalho em poucos minutos. E então ele colocou algo mais animado pra tocar, tomou um breve banho e foi mexer no computador. Quando Oliver queria, ele era um ótimo ator.
Depois de alguns minutos debaixo do chuveiro pensando na vida seus pais já haviam chegado quando ele saiu do banho, então ele esperou sua mãe fazer o jantar. A primeira coisa que sua mãe havia lhe dito neste dia era “O jantar está pronto” e a única coisa que ele havia dito a ela foi “Já estou indo”. Depois disso ele não teve muito do que dizer além de suas típicas frases compostas por uma só palavra.
Oliver já estava a caminho do shopping com sua mochila e seu fiel fone de ouvido. Ele estava tentando controlar o ciúme, mas toda vez que lembrava que veria o Norton ao lado de Antony ele se arrepiava e estremecia todo. Oliver estava torcendo para que Antony não tivesse chamado Norton para ir passar o fim de semana com eles. Ele já estava pensando na desculpa mais convincente pra voltar pra casa ao caso disto acontecer.
Não demorou mais do que cinco minutos e ele estava dentro do shopping ao caminho da praça de alimentação. Oliver e seus amigos sempre marcavam de se encontrar no mesmo assento de todas as vezes que eles iam ao shopping. “Ali estão eles.” Oliver pensou com ele mesmo e logo tratou de colocar um sorriso no rosto.
Antony o avistou de longe e veio na direção de Oliver seguido de Norton com um sorriso na cara e Norton com a mesma cara de lerdeza misturada com vergonha de sempre.
— Você demorou. Tava tirando o atraso? — Antony riu.
— Com certeza, o William estava lá em casa. — Todos os três caíram na gargalhada, pois William era o atual treinador do time que o Norton jogava e é o Homem que tirou a virgindade de Oliver.
— Ah, então é por isso que ele nos dispensou do treino de hoje, não é? — Norton fez este comentário e ficou vermelho com a gargalhada ao mesmo tempo sarcástica e tímida que ele deu.
— É, deve ser. — Oliver ficou seco assim que ouviu o comentário de Norton e logo mundo de assunto desviando o olhar. — E então, vamos indo ou vai fazer algo mais aqui no shopping? — Oliver tentava manter a calma.
— Vamos. Eu só tenho que passar na loja de guloseimas por que não tive tempo de comprar nada de bom pra gente. — Antony começou a andar e Oliver rapidamente começou a lhe seguir, pois ele sempre o deixava para trás e Norton os fez parar e se despediu.
— Ah, vou para casa. Tenho que ajudar minha mãe com algumas coisas da mudança. — Ele disse e tocou na mão de Antony, quando Oliver viu isso, enfiou a mão no bolso e pegou o celular fingindo que ele estava tocando e o “atendeu”, esperou Norton virar as costas e se despediu na ligação falsa, que pelo visto ele conseguiu disfarçar muito bem.
— Quem era? — Antony perguntou retomando seu caminho pra doceria do shopping.
— Ah! — Ele ficou espantado e falou o primeiro nome que lhe veio à cabeça. — Ah, era Kyoto. — Assim que ele disse isso tirou o celular do bolso e mandou uma mensagem de texto para Kyoto pedindo pra ela falar ao Antony se ele perguntasse que ela havia o ligado sexta à noite.
Sem hesitar eles continuaram pra loja e compram tudo que eles queriam e mais um pouco. Agora sim o final de semana de Oliver e Antony iria começar. Eles tinham bastante besteira pra comer, um DVD de um bom filme pra ver e bastante tempo pra fazer isso.
Era quase onze horas da noite e eles já estavam chegando à casa de Antony. Segundos antes de virarem a esquina da casa de Antony eles encontraram com uma transexual que logo os gritou.
— E aí meus amores, querem ter uma noite maravilhosa ao meu lado? — Ela disse trocando as palavras e tão rápido que se não fosse a malicia de Oliver e Antony eles não teriam entendido.
— Ai colega, to indo ali fazer um bate cabelo com minha amiga, deixa pra próxima. — Antony riu.
— Tony, essa trava vai nos assaltar! Vamos embora. — Oliver sussurrou.
— Não têm problema meus anjos! Faço um pacote especial e delicioso para casais. Vamos lá monas.
— Deixa pra próxima. Bom trabalho amiga. — Oliver disse rapidamente e puxou Antony para seguirem em frente. Ambos começaram a rir enquanto desciam a rua da casa de Antony enquanto ouviam a transexual desejar coisas boas e dando conselhos aos berros para os dois. Ambos estavam andando bem perto. Era uma noite fria de Dezembro, parecia que ia acontecer uma das famosas chuvas de verão, pois ventava muito quando a transexual aumentou mais ainda seu tom de voz e gritou:
— Vocês formam um belo casal. — E não se ouviu mais nada além do barulho dos passos dos dois e o sussurro do vento balançando os galhos das inúmeras árvores que há na Rua de Antony. Eles ficaram corados de vergonha. Dez segundos depois de serem chamados de casal, estavam andando mais separadamente e não falaram mais nada até chegar à casa de Antony.
Eles chegaram e logo subiram pro quarto de Antony. A cama em que Oliver dormiria não estava arrumada e educadamente pediu licença, Antony fez sua cara de desdém que fazia sempre que Oliver o pedia permissão pra fazer alguma coisa em sua casa e em seguida ele se jogou na cama de Antony e foi logo para o twitter resmungar da vida, falar que estava na casa de antonhy, falar mal da cadela de Antony e tuitar outras coisas inúteis no twitter das quais todos os seus seguidores já estavam acostumados a ler. Um silencio tomou conta ali do quarto por alguns instantes. Antony estava mexendo no computador e Oliver ainda estava deitado com o iPod na mão fazendo coisas inúteis para passar o tempo. Inesperadamente Antony se levantou e disse em um tom que pareceu realmente alto por conta do silencio no ambiente fazendo Oliver se assustar.
— Vou tomar banho. Se quiser mexer no computador... Fique a vontade. — Antony sorriu.
— Trouxe meu notebook. — Oliver deu aos ombros e sem medir as palavras exclamou. — Lave bem as partes ok? Seus clientes não são obrigados a suportar essa coisa molenga e suja. — Ele riu disfarçado o arrependimento de ter falado aquilo.
— Quer vim me ajudar a lavar? — Antony disse enquanto colocava alguma musica pra tocar.
— Não, muito obrigado! — Oliver franziu o cenho e deu uma risada seca.
Antony deu um sorriso e balançou a cabeça demonstrando sua vergonha em seguida entrou pro banheiro. Ele demorou nada mais do que dez minutos e Oliver estava ainda em sua cama mexendo no notebook, especificamente conversando com Natália, como fazia todos os dias antes de dormir. Assim que Oliver ouviu o barulho do chuveiro se desligar se despediu e começou a olhar coisas aleatoriamente na internet.
Quando ele ouviu a porta do banheiro abrir e que de dentro do banheiro saia Antony, sua paixão não assumida, de dentro do banheiro apenas de toalha ele ficou corado na hora e logo desviou o olhar.
— Esqueci da cueca. — Antony riu, pegou a primeira cueca que achou em sua gaveta e voltou pro banheiro pra se vestir e não demorou muito e lá estava ele secando o cabelo só de short. — E então, vamos ver algum filme hoje ou prefere deixar todos pro fim de semana? — Antony estiou.
— Ah Tony, pra mim tanto faz. Não estou com muito sono. — Ele mentiu. — Vamos ver? — Ele tirou os filmes que trouxe da mochila.
— Tudo bem — Eles colocaram o filme que Antony escolheu e sentaram juntos na cama que estava propositalmente em um canto do quarto para ficar em direção da Televisão.
Eles estavam deitados na cama de casal de Antony, e a noite havia realmente esfriado. Ambos estavam debaixo da mesma coberta. Eles não estavam ligando pra isso e estavam realmente concentrados no filme.
Faltando alguns minutos para o filme acabar, eles pegaram no sono. Ambos dormiam na mesma cama, debaixo da mesma coberta e inesperadamente suas mãos estavam bem próximas e seus pais entrelaçados.
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