Imperfect
24 Sangue
Notas iniciais
A ruiva se virou instantaneamente, lá estava ele, com a arma apontada em sua cabeça, ela prendeu a respiração, ela morreria. Ele girou a perna, a derrubando em um só chute no calcanhar, ela arregalou os olhos se apoiando nos cotovelos, a poeira no chão incomodava seus olhos, ela tentou puxar o vestido azul que cobria suas pernas por inteiro, porém ele pisou no tecido.
Estava pronto para puxar o gatilho, quando o disparo atrás dele foi escutado, ele arregalou os olhos por um momento e tombou para o lado, morto. A ruiva ergueu os olhos para os dois que acabavam de entrar na sala, uma Lily com uma arma em mãos, o cabelo preso em uma trança até a altura do cotovelo, e uma veste que a fazia parecer uma agente policial, mais atrás um James com uma espada em mãos, a jaqueta escura que não devia ter tirado a uns dois dias, a blusa cinza que parecia um tanto suja e a calça jeans preta, cheia de terra. Mas onde estavam os outros?
— ande logo com isso, James! -Lily exclamou virando para a porta, vigiando o lado de fora.
Ele se aproximou da jovem ainda jogada ao chão e perplexa, ele esticou a mão para ajudá-la, porém antes de mais nada ela sorriu com gratidão, ele encarou seu sorriso por alguns instantes e recolheu a mão, ele esticou a espada na direção da ruiva.
— o que você está fazendo? -Lily perguntou estridente — pirou? Vai matar a Rose também?
Lily quase correu para arrancar a espada de sua mão, mas ele a encarou como se pedisse perdão.
— não é a nossa Rose- ele sussurrou, e em um movimento único cravou a espada no peito da ruiva.
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Rose abraçou a mãe mais uma vez, às lágrimas deixando sua bochecha rosada, Hermione sorriu com carinho, Rony gritou mais uma vez do carro, pedindo para a mesma se apressar, a mãe com o coração apertado agarrou os dois filhos em um abraço, e só então se foi. Os dois esperaram com paciência o carro se afastar, quando já estava longe o bastante, Rose encarou Hugo com certa animação.
— ah não! Eu não vou com você- o garoto reclamou cruzando
— ah vamos lá! Deixe de ser chato, você sabe tudo que aconteceu, não sabe?
— o que? Você ter fugido pelo menos umas dez vezes em três dias? Três dias, Rosália!
— vai colocar lição de moral agora, maninho? Eu sei o que estou fazendo! Lily vai estar lá e...
— tudo na sua vida é Lily, quando não está falando de Lily está falando de Rebeca!
— estou?
— Rose, vá fazer sanduíches pra mim que você ganha mais
— vá à merda
— me mostre o caminho
— por que você não quer ir?
— pra ficar ouvindo papo de menina? Sem chance!
— você era legal sabe...
— Era, a muito tempo atrás
— não comece, vamos, vamos, vamos, eu deixo você ficar lá com o Lorcan, Fred...
— Alvo vai estar com você de novo?!
— o Al sempre está comigo
— vocês não estão, tipo, namorando, estão?!
— não! Credo, de onde você tirou isso?
— sei lá, do seu primeiro beijo talvez...
— como é que você sabe disso? -Rose olhou indignada para o irmão
— todo mundo sabe, vai...
— eu nunca beijei Alvo, aliás, eu... beijei?! -a própria estava confusa, ela ainda não podia se lembrar de todas aquelas lembranças novas
O curso do tempo tinha mudado, de novo.
— beijou sim! E vamos parar com isso, é nojento falar de quem você beijou ou não.
— venha cá, pirralho, deixa eu te dar um beijinho de boa noite- ela tentou abraçar o irmão que a olhou incrédulo
— quem disse que eu vou dormir aqui?
— eu, você não vai me deixar sozinha.
— sinto muito, maninha, hoje vou pra casa da tia Luna
— como assim? Eu não quero ficar aqui sozinha!
— a casa não pode ficar sozinha, Rose, ta com medo de ficar sozinha? -o jovem fez beicinho e levou um tapa na testa
— não, quer saber? Eu posso ficar muito bem aqui!
— Então pronto, fica com Deus, não esqueça de fechar as janelas, e a porta obviamente.
— como se eu tivesse cinco anos.
— amanhã você vai estar com aquelas loucas mesmo, seja feliz.
Hugo nem a esperou dizer nada, deu as costas e saiu porta a fora, Rose encarou a parede a sua frente, ela não tinha medo de ficar sozinha, ela passara tanto tempo sozinha que aquele virara seu único conforto, a solidão.
A tarde passou voando quando ela fechou a porta do quintal com um sorriso no rosto, o cheiro da comida invadia toda a casa, ela podia não saber fazer muita coisa, mas bolos eram sua especialidade, Rose se agachou para tirar o bolo de chocolate do forno. Um vento forte atingiu a cozinha e ela franziu o cenho, a ruiva fechou o forno e pôs o bolo em cima da mesa.
Ela procurava pelo causador do vento no corredor, a janela aberta se auto denunciou, ela sorriu e se aproximou da janela, fechando a mesma contentemente, antes de de virar ela sentiu o pano fino encostar em seu rosto, ela reconheceu o cheiro, sonífero, mas não teve tempo para pensar em nada, adormeceu nos braços do desconhecido.
***
Rebeca sorriu de canto ao empurrar a porta dos fundos, Rose sempre a deixava aberta, se não fosse Hermione para fecha-la... O cheiro agradável de bolo recém tirado do forno invadiu suas narinas.
— Rose! -Rebeca cantarolou adentrando a cozinha, mas não havia ninguém ali.
Rebeca percebeu o silêncio da casa, ela procurou com os olhos e encontrou o faqueiro, andando o mais rápido possível para pegar a faca maior.
A morena caminhou pela casa com cautela, mas não havia nada ali, nada nem ninguém, Rose deveria estar ali, logo ela se tocou em uma das janelas entre aberta, parecia prestes a ser fechada. Rose não havia realmente saído dali, Rose havia sido levada.
[...]
James olhava atentamente para folha a sua frente, pela manhã quando acordara, a ideia simplesmente fluíra, ele não saberia responder se era de algum sonho. O moreno batucou com o lápis na mesa entretido, prendeu a respiração quando braços finos o envolveram de forma carinhosa.
— o que você ta fazendo aí? -ela perguntou, a voz no tom monótono
— tentando desenhar
— pensei que quem desenhava era o Alvo, "desenhar é coisa do Al" -Ela imitou com a voz grossa
— eu também posso fazer isso -ele sorriu de canto se inclinando sobre a mesa, a garota foi forçada a solta-lo
Ele desenhou os traços velozmente no papel, formando um grande símbolo, ele sorriu vitorioso ao finalizar o desenho, girou a folha para cima, para mostrar a Clarie, quando a mesma viu ficou pálida.
— você não gostou?
— por quê não?
— porque você ficou branca de repente
— eu gostei sim, deve ser só o frio- ela deu de ombros, então seus olhos baixaram, e ela se ajoelhou perto da cadeira do jovem
— você ta bem mesmo né?
— to, eu quero que você saiba que eu te amo muito, certo?
— eu sei disso
— mas eu te amo muito, muito mesmo, não importa o que aconteça
— do que você está falando?
— só peço que acredite, eu nunca mentiria para você
— tudo bem, eu também amo você
— eu sei que sim, mas não é como... Eu amo você, mas não vamos discutir isso agora
— Clarie, o que está acontecendo?
— nada, eu só estou carente- ela sorriu, um sorriso claramente triste.
James se levantou e a ergueu, envolvendo a garota em um abraço, ela suspirou. Clarie o encarou e subiu na ponta dos pés, ele riu um pouco, mas ao invés de se inclinar e beija-la, ele depositou um doce beijo no topo de sua cabeça e deu as costas, pegando o desenho e saindo dali animadamente. Clarie observou-o partir, ele estava indo, estava tudo errado, ela podia sentir, precisava fazer alguma coisa.
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