Imperfect
21 Onde Ele
Notas iniciais
Rose sentou ali e bufou, como se do nada estivesse furiosa, ela levou a mão ao rosto e respirou fundo.
— não devíamos estar aqui- Rose murmurou em meio aos dedos evitando olhar para a casa
— por quê? É tão ruim assim? -Roxy perguntou sendo a primeira a se erguer, ela limpou as vestes e levou as mãos à cintura
— se é ruim? Eu passei metade de um ano, nisso, sendo preparada para... Bem... -Rose suspirou e fechou os olhos
— ta, mas como a gente sai daqui? — James se pronunciou apontando para a floresta
— eu não sei, eu só saí correndo, de algum jeito encontrei a saída- Rose deu de ombros, os outros começaram a se erguer, a ruiva permaneceu no chão, com as mãos agarrando a terra úmida.
—Ótimo, como nos viemos parar aqui? — Lily cruzou os braços observando a casa.
Antes que Rose pudesse responder um grito ecoou pelo local, o grito vinha de dentro da casa; Lily com o susto pulou para frente, agarrando o braço do irmão mais velho, Roxy arregalou os olhos para Rose e os outros prenderam as respirações. Rose praguejou alto e eles a encararam atordoados
— tudo bem, agora eu estou com medo- Lily sibilou
— você sempre está com medo, Luna- Scorpius rebateu mesmo fazendo uma careta, Lily revirou os olhos
— você deve ter se borrado todo, Hyperion, então fica quietinho- Roxy reclamou e o loiro lhe lançou um olhar atravessado
— se você acha que...
— vamos entrar- Rose os cortou se levantando e eles a encararam de novo surpresos
— algo afetou sua mente, Rose, Malfoy além de engolir a saliva você levou alguns miolos? -James zombou e Scorpius amarrou a cara
— querem parar? Não fiz nada de errado- Scorpius resmungou nervoso e Alvo pôs a mão em seu ombro reconfortante
— teria sido pior se eu tivesse feito isso não teria? Então pronto- Alvo exclamou revirando os olhos e Rose os encarou indignada
— eu é quem fui beijada, então fiquem quietos- Rose reclamou incrédula
— Rose, você não entende, então não se intrometa também...
— eu vou fazer vocês calarem a boca, e vai doer- Roxy os interrompeu cortante e eles engoliram em seco, Rose respirou fundo
— muito bem, a casa é grande, pode parecer pequena por fora, mas ela é muito grande, temos o térreo, o andar de cima, o sótão e o porão — Rose explicou olhando a casa detalhadamente
— pelo visto é um centro de bruxar...
— James! — Lily ralhou com o irmão que ergueu as mãos em redenção
— vamos nos separar — Roxy sorriu prontamente, mas antes de dar as coordenadas, Alvo pigarreou
— por que ela tem que escolher? -O Moreno perguntou indignado
— porque eu posso- a prima mostrou a língua e ele cerrou os olhos
— eu posso escolher? — Lily ergueu a mão animada
— Lily já trocou as fraldas hoje? -Scorpius zombou e a ruivinha bufou
— Roxy vai com Al, Scorp com Lils, e eu com James- Rose exclamou e eles a encararam indignados
— Por quê? -questionaram em uníssono e Rose riu
— porque o que quer que esteja aqui ou em algum lugar está atrás de mim, então eu levo o mais velho, qualquer coisa ele se joga na frente e...
— você ta me pedindo pra morrer?
— não! Deixa-me falar! E Roxy porque ela é ágil, Al é muito esperto, vai dar certo, Scorp é bem inteligente, e Lily é quase uma sombra, enfim, vocês entenderam- Rose deu por fim a conversa e sorriu, como se fosse a melhor idéia do universo
— Molly devia ter me passado câncer- Roxy resmungou e Rose a olhou repreendendo
— vira essa boca pra lá- Alvo reclamou
— Se vocês começarem a brigar de novo, eu jogo vocês no mesmo lugar de onde esse grito veio
— Rosinha, minha querida, tudo bem, nos vamos nos comportar, não é, pessoal? — James forçou um sorriso para os outros
— não- responderam irritados, Rose bufou
— só façam o favor de não fazerem barulho lá dentro, eu fico com o porão, Roxy e Al com o sótão, Lily e Scorp fiquem entre as paralelas- Rose ordenou e começou a marchar para dentro da casa, os outros deram de ombros e a seguiram.
[...]
Roxy resmungou ao arrancar mais uma teia de aranha, aquele corredor estava cheio de aranhas, Rony surtaria.
— onde é que fica essa escada? -Roxy bufou batendo o pé no chão, Alvo riu mais atrás e apontou para cima
— você tem que abrir, esquentadinha- ele passou na frente e agarrou um gancho no teto, forçando-o para baixo, a abertura no teto revelou uma escada
— você é um gênio! -Roxy sussurrou subindo a frente
— eu sei que sou- ele sorriu de canto convencido
— eu só espero que você não tenha nos levado há um lugar cheio de cabeças e...
— eu acho que vou vomitar! Já pensou aqueles olhos pulando para fora? Saindo minhocas da boca
— seu nojento!
— eu? E as tripas! Tudo sain...
— Alvo, cale a boca!
— a boca é minha quem...
— Alvo -por um momento sua voz saiu abafada, ela estava mais a frente, olhando fixamente para frente — eu acho que vi algo
— então anda ué, eu quero ver- ele reclamou tentando passar a frente.
Eles andaram um pouco mais pra frente, e pararam repentinamente, uma janela no teto clareava o local, Roxy gritou ao ver o corpo em decomposição claramente enforcado.
[...]
Lily andava cautelosamente, passo por passo, a madeira ao seus pés reclamava ao ser pressionada, rangendo, algumas atrás já haviam caído, e o chão daquela casa era oco, denunciando que houvesse algo em baixo.
— o que exatamente estamos procurando? -Scorpius perguntou cansado
— anh... Um cara com um machado na mão?! Ou um corpo?! Um de nos tem de sair vivo daqui
— mas que pessimismo, garota! Nunca ouviu falar de simpatia?
— não sou pessimista, estou preocupada, se acontecer alguma coisa com eles... -ela suspirou pesadamente, Scorpius baixou o olhar.
Uma porta de madeira estava mais a frente, e havia um cadeado trancando a mesma, Lily olhou para o loiro confusa, Scorpius cerrou os olhos e se agachou pegando o cadeado, examinando a abertura, ele se voltou para Lily, enfiou a mão em seus cabelos ruivos e tirou um dos grampos de lá, Lily amarrou a cara arrumando o cabelo.
— como você vai abrir? -Ela perguntou curiosa se inclinando por cima do garoto
— Potter, afasta um pouquinho, estou sentindo seus genes daqui- ele zombou e ela mostrou a língua — eu sei que você é infantil, mas não abusa
— eu não sou infantil! Tenho 15 anos vividos!
— corta o pé porque sai correndo pela casa- ele riu consigo mesmo e ela bateu com o cotovelo em sua cabeça, ele a olhou indignado
— baixinhas são fortes, Malfoy- ela rosnou, ele sorriu debochado e girou o grampo dentro do cadeado, encontrando o ponto certo. O cadeado abriu com um pequeno estalo
— parece que eu abri, enquanto você usa sua "força" eu uso minha cabeça
— cala a boca, entra aí vai- Lily escorregou para frente e ele gargalhou — do que está rindo?
— suas habilidades de gnomo estão servindo pra alguma coisa- ele colocou a mão na barriga, se contorcendo de rir.
Lily ergueu a mão para bater em seu rosto, porém um grito foi escutado no andar de cima, a voz de Roxy ecoou, Scorpius engoliu a risada e Lily tremeu
— Lily... -Scorpius chamou baixinho com os olhos vidrados dentro da sala à frente
— o que...? — Ele apontou para o lado, ela girou nos calcanhares nervosa, engoliu em seco ao ver as armas ali, uma sala de armas.
[...]
James teve de rir da careta que Rose fez ao abrir a porta negra no final do corredor, ela abriu hesitante, a escada levava para um lugar bem abaixo da terra.
— você não teve de subir essas escadas correndo da última vez, teve? -James respirou fundo
— não, eu estava em cima, bem, aqui não é agradável de qualquer jeito
— isso é cheiro de mofo ou... -ele parou ao escutar um grito quase abafado pelos níveis que desciam
— Roxy- Rose sussurrou já preocupada, ela fez menção de voltar correndo, mas o primo segurou em seu pulso
— Alvo está lá, tudo bem- ele assentiu lentamente e ela suspirou, voltando a descer a escada.
Ao chegar ao local eles encontraram uma sala vazia, com um corredor na esquerda, e uma porta a direita, Rose se dirigiu para o corredor, James entrou em sua frente
— ta, preciso ter uma noção do que nós vamos encontrar no final do corredor- ele falou entre dentes e Rose fungou
— podemos encontrar, alguém morto, ele... — ela engoliu em seco e andou alguns passos atrás, voltando para a mesma sala vazia.
O moreno a observou enquanto ela se dirigia até a porta a direita, ela parou em frente à porta, pegou a maçaneta e a girou, fechando os olhos.
— ele é um assassino, essa casa é seu esconderijo, por tanto, todas as provas de seus crimes estão aqui- ela explicou, ele andou até a sala e observou dentro, haviam coisas de pessoas ali, e algumas armas.
— ele mata e trás as coisas das pessoas? Que cara inteligente, se o encontrarem, ele vai direto pra cadeia- James sorriu
— você não chora, não é? -ela perguntou baixo
— como assim?
— eu nunca te vi chorar, você é tão forte para sustentar qualquer um, às pessoas que escondem lágrimas por trás de um sorriso são as mais fortes, sabia?
— não, elas não são, as mais fortes são as que demonstram suas lágrimas em meio a uma guerra — ele respondeu mexendo em algumas coisas, ela observou calada
— James, preciso te contar algo sobre Clarie... — Ela murmurou como se tivesse medo das palavras ele a encarou
— eu espero que não seja nada ruim
— Eu... — ela respirou fundo, ao ver os olhos claros e preocupados do rapaz ela engoliu as palavras — ela ama você — sorriu timidamente, ele franziu o cenho
— eu sei quando você está mentido- ele exclamou erguendo uma sobrancelha, Rose praguejou consigo mesma
— eu não estou mentindo!
— está sim, você fica com vergonha quando está mentindo, e na verdade eu não precisaria que você dissesse o que eu já sei, o que está escondendo de mim, Rosa?
— eu sinto muito, é que... -antes que ela pudesse terminar escutou uma lâmina ranger, ela travou.
Os olhos de James se arregalaram, ela rapidamente ergueu a mão formando símbolos no ar, James a olhou confuso. Rose sentiu a lâmina fina encostar-se a sua garganta, ela olhava diretamente para o primo que continuava imóvel
— parece que nos encontramos de novo — a voz cortante agora parecia mais cansada, ela sabia exatamente quem era
— que falta de sorte- ela respondeu e ele forçou um pouco mais a lâmina a fazendo engolir em seco
— e parece que você trouxe pessoas, se não me engano são aqueles garotos não são? -ele perguntou, ela podia sentir seu sorriso
— onde está ele? — ela perguntou direta, ele riu
—Ele quem?
— sabe de quem estou falando
— ele tem mais o que fazer do que sujar as mãos com você, queridinha — ele estava zombando, a garota teve a instantânea vontade de chuta-lo nas partes de baixo — o que a sua ilustre presença veio fazer aqui?
— eu vim avisar porque libertei alguém, vão ter que fazer melhor — Ela esbravejou, o homem forçou a lâmina, ela sentiu o objeto cortar a pele, e logo depois o sangue escorrer
— como assim? Você não o beijou, beijou?
— claro que não, beijei uma garota porque a libertação é mais independente- ela falou sarcástica, ele desceu a lâmina cortando mais o local, ela olhou para frente, e então o desespero foi maior quando ela não viu James ali
— você está pisando em campo minado, e acabou de acertar a bomba- ele sussurrou e desceu a lâmina até seu peito, então ela pode ver a espada por inteiro, ele, que estava logo atrás, apontou a ponta para seu peito
— o que você está fazendo? -ela perguntou agora temerosa, às lágrimas enchendo os olhos rapidamente
— terminando o que começamos- ele respondeu, pegando com força na arma, ela apertou os olhos, aguardando a dor.
Os minutos seguintes passaram voando, como quando anteriormente. A espada escorregou das mãos dele, assim como ele escorregou até o chão, ela pulou para frente, e girou, lá estava ele, morto ao chão, com uma adaga atravessando suas costas. Ela encarou um James ofegante atrás, ela tropeçou correndo ao redor do morto, para abraçar o primo e começar a chorar.
— eu pensei que... -ela soluçou fechando os olhos com força
— vai ficar tudo bem- ele sussurrou.
O choque que atravessou o peito da ruiva a fez arquear, o coração acelerado, o corpo inteiro tremeu, seus olhos começaram a tomar outra tonalidade, ela estava enxergando além da sala.
Continua...
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