Notas iniciais
Olá gente! Sei que tem muito tempo desde a ultima atualização, mas fim de semestre é tenso! Enfim, espero que gostem do capítulo! Beijos!

...O olhar de Santana subia devagar pelo vidro até deparar-se com a pessoa em sua frente, com duas taças em mãos e um sorriso no rosto .

– Finalmente Santana...

Santana via uma mulher de bela aparência em sua frente, cabelos e olhos castanhos claros e com um sorriso farto.

– Não me convida para sentar Santana? (Disse já sentando-se em uma das cadeiras)

– Quem diabos é você?! (Santana dizia sem entender nada)

– Santana, você não tem uma memória muito boa...

– Eu nunca te vi na minha vida... (Santana dizia confusa) Quem é você e o que faz com essa garrafa? Alguém te mandou aqui? (A latina lançava perguntas de forma nervosa)

– Eu sou a pessoa que vem te mandando mensagens durante algum tempo Santana... ( A mulher respondia colocando as taças sobre a mesa)

Santana deu um sorriso confuso.

– Isso só pode ser alguma brincadeira... ( A latina balançava a cabeça desacreditando)

– Santana, não lembra-se desta bebida? Realmente não lembra de mim? Achei que fosse um pouco memorável... (A mulher fazia-se de ofendida)

– Chega de papinho... nunca te vi garota...

– Sou Kristie, de Las Vegas! Tomamos várias taças dessa bebida enquanto jogávamos dados no Cassino!

– Kristie? (Santana forçava-se a lembrar) Las Vegas?

– Soprei os dados para você em uma das jogadas, te convidei para meu quarto, o 246, convite que foi gentilmente recusado.

Santana tentou se lembrar sobre a viagem a Las Vegas. Parando para pensar, começou a lembrar daquele dia, de sua ida ao cassino e olhando mais a garota a sua frente, lembrou-se de seu rosto.

– Você é a garota da Gossip!... Me convidou para jogar outro tipo de dado no seu quarto!

– Não faz mal tentar não é? (A menina dizia descontraída) Enfim, lembrou-se de mim...

– Então era você esse tempo todo mandando aquelas mensagens para mim?

– Eu mesma!

– Quer dizer que eu sofri de curiosidade, quase me enlouqueci de preocupação todo esse tempo achando que estava sendo perseguida por alguma maluca psicopata com quem já saí, para descobrir que a responsável pelas malditas mensagens era uma garota que não faz diferença alguma na minha vida? (Santana desabafava com claros sinais de raiva)

– Decepcionada? ( Kristie perguntava irônica) Esperava por mais não é?

– Você é louca ou o quê? Por qual motivo me persegue? Ressentimento por ter te dispensado aquele dia? Qual é garota, todo mundo leva fora! Não tem que agir como uma maluca...

– Você não entende Santana, meus motivos são completamente diferentes do que imagina...

– Eu não estou imaginando nada, aliás, tudo que imaginei foi por água abaixo... Desconfiei de inúmeras pessoas, fiz teorias, criei hipóteses em minha cabeça, para descobrir que tudo não passava de uma vingança de uma garota magoada...

– Não é nada disso Santana, eu não via a hora de te encontrar de novo...

– Para que garota? (Santana interrompia indignada, naquele momento, havia até se esquecido da bebida sobre a mesa) Você me manda torpedos anunciando um encontro, dizendo que eu adoraria te ver de novo e eu nem sequer me lembro direito de você... O que você quer de mim?

– Te agradecer... (Kristie revelou fazendo Santana ficar ainda mais surpresa com tudo)

– Espere aí... Se eu já não estava entendendo direito, estou entendendo menos ainda...

– Santana, você fez por mim algo que nunca poderei agradecer o suficiente. Você pode não estar entendendo, mas acho que não tem pressa, posso lhe explicar tudo...

– Digamos que eu não tenho compromisso... E estou curiosa demais para sair daqui sem que me explique toda a história..

– Santana... Eu venho acompanhando seus passos já há um bom tempo, não por que eu seja uma psicopata que queira atentar contra sua vida... (Disse sorrindo) Na verdade, eu venho esse tempo todo tentando descobrir uma forma de te pagar pelo bem que fez a mim... E por coincidência do destino, te vi em uma situação que conheço bem...

Vendo a cara confusa de Santana, Kristie continuou.

– Há alguns anos atrás, meu pai era um dos empresários mais conhecidos de NY, dono da Hartmann Publicity, empresa de publicidade e propaganda responsável pela elaboração de campanhas para outras empresas, filmes e séries para televisão. Foram anos de trabalho árduo para atingir o patamar que a empresa conseguiu, porém, tudo foi destruído através de várias reportagens mentirosas, falsas, com intuito apenas de destruir a imagem da empresa.

Santana ouvia toda confissão atenta, ainda não sabendo onde aquilo tudo iria levar.

– Mentiras envolvendo o nome da empresa em transações fraudulentas, campanhas começaram a vazar antes de estréias previstas em contrato, entre inúmeros outros problemas. Tais reportagens eram de responsabilidade da Bad Style, pra ser mais exata, eram responsabilidade de Sue Silvester.

– Sue?

– Essa mulher destruiu nossas vidas e tudo por que meu pai negou firmar contrato com a Bad Style. Sue propôs uma parceria entre a Hartmann Publicity e a Bad Style, ela queria ter acesso as campanhas, principalmente as que se referiam a filmes e séries, assim ela teria informações privilegiadas para sua revista de quinta. Claro que meu pai não aceitou, ele não queria manchar o nome da empresa com a parceria, Bad Style não tinha escrúpulos, mas o poder de Sue foi subestimado. Ela conseguiu convencer alguns funcionários de setores estratégicos a passarem informações da empresa e depois as mentiras começaram a surgir publicadas pela revista dela...

– Ooooooou... acho que me lembro desta história, eu ainda não fazia parte da Bad Style, ainda estava na faculdade, porém Sue sempre se vangloriava de ter derrubado empresas que se meteram em seu caminho... Ela citou a do seu pai em algumas conversas informais...

– Exatamente... A empresa foi destruída, os trabalhos foram diminuindo, meu pai foi obrigado a demitir funcionários. As tentativas de reerguer a imagem da empresa foram constantemente boicotadas, afinal, não sabíamos quem eram os infiltrados. Foi tudo ruindo-se até a falência...

– Eu lamento por sua história triste, mas ainda não sei o que me liga em tudo isso... (Santana dizia tentando compreender toda a história)

– Chegarei lá... (Disse Kristie com um sorriso fraco) Com a falência, meu pai foi ao fundo do poço, viu seus bens serem penhorados, boa parte deles vendidos, saímos de uma situação de grande conforto para viver em um apartamento pequeno no centro. Meu pai começou a beber, cada dia voltava para casa pior, ele se entregou totalmente ao álcool. Brigas constantes com minha mãe, reclamações, situações humilhantes. Perdi a conta de quantas vezes fomos buscar meu pai em algum bar inconsciente, deitado em alguma esquina em situação degradante... (Kristie pausou um pouco para conter a emoção ao lembrar dos fatos)

Santana não pode deixar de imaginar todas aquelas situações, algumas delas viveu recentemente. Aquela história ficou um pouco desconfortável para Santana naquele momento.

– Ele se tornou um alcoólatra. Ele não aceitava o problema, não queria parar, mudar, acho até que ele tinha consciência de que estava se destruindo e queria exatamente isso. Muitas vezes ele afirmava que sua vida já não tinha sentido, porque ele havia perdido tudo o que conquistou depois de toda uma vida. Ele estava ficando pior, minha mãe não agüentou a barra, me propôs mudarmos para Califórnia, para a casa da minha avó e deixarmos meu pai aqui. Eu tinha uma vida aqui, fazia faculdade, tinha amigos e principalmente, não poderia abandonar meu pai. Minha mãe se mudou e eu fiquei... (Deu de ombros) Quase perdi ultimo semestre de faculdade porque meu pai não podia mais ficar sozinho.

– Foi muito legal da sua parte ficar... Eu não sei se faria o mesmo...

– Quando se ama, fazemos de tudo para ajudar, tentar tratamentos, mas o que eu ouvia após sugestões de internação e cuidados por especialistas eram gritos e acusações.

Santana só conseguia pensar nas discussões que ela tinha com Brittany e Quinn, parecia que era o tipo de situação que todo alcoólatra passava.

– Eu já não via solução para meu pai e a idéia de perdê-lo para sempre, já começava a ser fazer presente... Até que.... (Um sorriso começou a se formar no rosto de Kristie)

– Até que.... (Santana repetiu, na intenção de apressar a explicação da garota)

– Até que o Império de Sue Silvester começou a ruir. Bad Style não estava mais em evidência, com pouco poder, a verdade começou a aparecer. A Bad Style começou a ser alvo de outras revistas, o caçador agora era a caça. Meu pai começou a receber contatos de empresas que foram parceiras da Hartmann Publicity, estas, começaram a enviar notificações de retratação. Meu pai, agora ciente de que Sue não teria mais influência, viu uma oportunidade de retorno, ele de certa forma sentiu-se vingado e com novas perspectivas. Eu não precisei mais insistir, ele mesmo procurou ajuda sozinho, se internou em um clínica por algum tempo, depois começou a freqüentar reuniões do AA. As reuniões fizeram toda a diferença, ele sentiu que poderia começar do zero. Partiu para outro ramo, queria tudo novo, uma vida nova. Ele entrou como sócio em uma empresa que já estava há um bom tempo no mercado e sei que mesmo que seus rendimentos não sejam nem um quinto do que tinha com sua antiga, representa muito mais pra mim e sei que para ele também.

– Você acha que eu tenho ligação com a recuperação do seu pai ? (Santana perguntava, sua cara ainda expressava certa confusão)

– Sue Silvester era até então um ser intocável, ninguém arriscava-se a atravessar seus interesses e os que o faziam arcavam com as conseqüências, como meu pai. Mas Sue encontrou alguém com peito para enfrentá-la sem medo, tão sagaz e mais inteligente que ela. Você a desafiou, não se rendeu e a destruiu.

– Olha, eu queria muito aceitar o crédito, mas... Sue se destruiu sozinha.

– Você quando decidiu sair da Bad Style, enfrentar Sue, criar uma revista concorrente e com qualidade de verdade, você quebrou-a. Tirar Quinn da revista de Sue foi tampar o caixão, ela ficou desnorteada sem as suas melhores jornalistas e pior, estava sendo esmagada por elas.

– Quanta informação...

– Sou jornalista se esqueceu? (Kristie comentou arqueando uma sobrancelha) Trabalhar na Gossip! me fez ter o prazer de escrever artigos delatando todos os podres de Sue. Isso não era possível antes, pois a Gossip! tinha menor expressão e não queria se envolver em problemas com a B.S. Quantas vezes fui vetada, mas enfim consegui publicar o que queria porque você tomou o poder de Sue. Ela já não era mais respeitada, principalmente depois da publicação dos contos eróticos como reportagem principal.

Santana não conseguiu prender a gargalhada ao lembrar-se dos contos.

–“Estava carente e comi minha cliente”... “Minha amiga tarada me fudeu na escada” (Santana comentava em meio a sorrisos) Reportagens épicas!

– Soube a hora que você havia sido responsável... Quem pensaria em contos eróticos a não ser Santana Lopez?

– Para continuar a harmonia da conversa vou levar isso como um elogio ok?

– E foi... Sua fama era muito boa, ouvi muitos "contos" sobre suas habilidades...

Santana ficou vermelha com a declaração de Kristie, algo incomum se tratando de Santana.

– Minha intenção não é te deixar sem graça, só queria expressar o quanto estou grata.

Santana então voltou a olhar para a garrafa de vinho sobre a mesa, algo não batia.

– Você realmente está me investigando direito? Porque para uma pessoa que primeiro me presenteia com uma garrafa de vinho, muito bem escolhida aliás, e depois aparece com outra e duas taças, não me parece ter feito o dever de casa direito. O que mostra que você é também muito cara de pau ao trazer bebida de fora para o bar, porque eu sei que esse bar pé sujo aqui não vende esse tipo de bebida...

Kristie sorriu, pegou a garrafa e começou a tirar o lacre, retirou de um dos bolsos da jaqueta um pequeno abridor de vinhos. Santana sentiu seu coração acelerar, aquilo não parecia nada coerente, afinal, se Kristie vem pesquisando sua vida, como não saberia que ela era alcoólatra? E pior, mesmo passado o que passou com o pai ela ofereceria bebida à Santana?

A garota despejava o líquido nas taças e assim que estavam cheias, depositou a garrafa sobre a mesa. Ofereceu uma à Santana, que a olhava com desconfiança. A vontade de aceitar era imensa, porém a situação era muito estranha.

– Eu não vou beber isso... (Santana disse séria)

Kristie sorriu.

– Relaxa, acha que depois de tudo que te revelei ofereceria álcool? Eu sei sobre você Santana, sei sobre seu problema, isso aqui é apenas suco! O que mostra que você resistiu e não abriu a primeira garrafa que te presenteei, ou já saberia...

Santana pegou a taça que Kristie oferecia, ainda receosa, levou a taça próxima ao rosto para sentir o cheiro. Realmente se ali tivesse uma gota de álcool que fosse, Santana saberia. Um pouco mais aliviada, a latina permitiu-se beber.

–Me enganou... Só não sei se valeu a pena todo o trabalho de trocar o conteúdo de um vinho caro por esse xarope que você me deu aqui... Sem contar que eu fui atrás do mensageiro que entregou o presente na IM, gastei uma boa grana.

– O entregador era meu primo, o coitado nunca mais quis falar comigo depois que praticamente foi seqüestrado pelo bandido que você contratou para que ele me revelasse. Felizmente ele cumpriu a promessa e não me delatou, mesmo morrendo de medo! (Disse sorrindo)

– Enfim... (Santana depositou a taça na mesa após um gole) Se sua intenção era agradecer, por que não o fez em Las Vegas?

– Não era o momento, você estava bêbada, não iria nem se lembrar da conversa, mal lembrou-se de mim agora... E sobre o flerte, não sinta-se diminuída, mas fazia parte do teatro, sabia que você era casada e eu respeito o relacionamento alheio, mas foi o que me surgiu em mente para me aproximar de você, porém vi que não tinha condições de uma conversa após o jogo.

– E se eu tivesse aceitado seu convite para o quarto? (Santana perguntava curiosa)

– Eu sei que não aceitaria Santana... Você ama sua esposa...

– Nem sei mais se posso chamá-la assim... (o olhar de Santana logo se entristeceu, ela se via ali, desabafando com uma desconhecida)

– Eu sei... venho acompanhando o que está acontecendo... E Santana, o pior de tudo é o motivo de estarem nessa situação...

– Não sei se é o tipo de assunto que quero tratar com uma desconhecida... Não é nada pessoal é só que... para mim, mesmo que você esteja a par de toda a minha vida, isso tudo é estranho... (Santana confessava)

– Eu sei... Eu entendo Santana. Eu fico feliz só de ver que você está se tratando, fico aliviada que meu plano tenha dado certo...

– Plano? Espere aí... que a história ficou confusa de novo... Que plano você está falando? (A latina perguntava)

– Santana eu me recusava a acreditar, que a pessoa que foi responsável, mesmo que de forma indireta pela recuperação do meu pai estava passando pelo mesmo problema que ele enfrentou. Eu então, vi aí uma oportunidade de tentar ajudar de alguma forma, retribuir por ter devolvido meu pai para mim novamente...

Santana esperava mais detalhes que explicassem o que Kristie acabava de dizer.

– Eu sei bem como um alcoólatra se comporta, então sabia que você viveria em negação com sua situação. Nesse meio tempo, descobri o email de sua amiga Quinn e a enchi de spam sobre clínicas de reabilitação e sobre a reunião dos alcoólicos anônimos onde atualmente você participa. Toda semana mandava dúzias de emails do tipo.

– Porque não mandá-los para mim?

– Você nunca iria levá-los em consideração, você estava em período de negação se esqueceu? Quinn, vendo você naquela situação, começaria a ler mais sobre o assunto e dar mais atenção aos emails. Assim quando fosse o momento, Quinn já teria todas as informações acessíveis sobre os locais de ajuda nesses casos. Foi através deles que ela conseguiu o contato do meu pai, que hoje é coordenador das reuniões do AA.

– Oooooooou.... Não me diga que...

– Sim... Meu pai é Richard Bennet, ele coordena as reuniões do AA e atualmente é sócio da clínica de reabilitação onde você recebeu atendimento.

Santana estava desnorteada com aquelas informações, como era possível esse conjunto de conexões entre ela e a garota em sua frente? Uma pessoa que a princípio não passava de uma maluca que lhe perturbava com mensagens passou a ser uma peça fundamental para sua recuperação.

– Eu sei que toda a história parece meio louca para você, mas fico feliz que pude te ajudar de alguma forma e esclarecer sobre as mensagens. Estive fora de NY por uma temporada à trabalho e você não sabe como foi difícil te investigar de longe... (Sorriu) Tenho que admitir que pode não ter sido a melhor maneira de estabelecer contato com você, que tenha te deixado mais preocupada que ansiosa por um encontro... Mas fiz com a melhor das intenções e me sinto satisfeita ao ver que você está se tratando, tentando de verdade, sei o quanto é difícil. Você é uma pessoa especial Santana, por mais que queira em mostrar um lado duro, teimoso, saiba que você mesmo sem querer fez a diferença na minha vida. Pessoas com estrela, fazem outras pessoas felizes mesmo que por acaso, elas simplesmente nascem para brilhar, para vencer, mesmo que as vezes apareçam pedras no caminho. Você é mais importante do que acha que é...

Santana ainda parecia anestesiada, a ficha parecia não ter caído ainda. A latina apenas concordava com o que ouvia. Kristie olhou em seu relógio, deu a entender que estava pronta para sair.

– Já passei da hora de estar em casa... (Brincou levantando-se) A gente se encontra por aí Santana... Muito obrigada por tudo!

Santana balançou a cabeça com um sorriso fraco, mas antes que Kristie se fosse, a latina chamou-a.

– Kristie!

– Oi Santana...

– Posso lhe fazer uma pergunta?

– Claro... (Disse a garota, voltando para perto da latina)

– Depois que seu pai se recuperou, sua mãe deu uma nova chance para ele? Ela voltou?

Kristie suspirou, seu olhar já indicava uma resposta negativa.

– Não...

– Sinto muito... (Santana respondeu)

– Não a julgo, meu pai cometeu muitos erros quando estava alcoolizado, disse coisas que a feriram, a magoaram... Meu pai tentou por vezes conversar com ela, tentar uma reconciliação, mas infelizmente há coisas que não podem ser consertadas!

– Pena... (Santana limitou-se a dizer)

– Para meu pai infelizmente não deu... Mas talvez ainda haja uma chance para você... (Disse antes de sair e deixar Santana processando as informações que havia acabado de receber naquele bar)

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Brittany acordou no dia seguinte com barulhos dentro de casa, olhou no relógio de parede, marcavam mais de meio dia. Ela coçou os olhos esticou os braços para espantar o sono e desceu da cama procurando a origem dos barulhos que a despertaram. A loira atravessava os corredores e se deparou com sua mãe encostada na porta de um dos quartos de hóspedes olhando para seu interior. Sarah ao ver Brittany caminhando em sua direção, sorriu chamando Brittany para olhar também o que estava acontecendo.

Ao olhar o quarto, Brittany viu alguns homens montando móveis, pintando paredes, alterando a iluminação, trocando persianas.

– O que está acontecendo? (Brittany não estava entendendo nada)

– São de um escritório de arquitetura, disseram que o pedido foi feito há meses atrás, mas que devido a demanda, só puderam comparecer hoje. Pediram desculpa pela demora. Ligaram ontem perguntando se poderiam começar o trabalho hoje. Eu confirmei, achei que você estivesse ciente...

– Eu não sei de nada disso... (Brittany sussurrava ainda surpresa com a situação)

– A senhora é Santana Pierce-Lopez? (O montador responsável por coordenar todo o trabalho se aproximou da loira perguntando)

– Não... Sou Brittany Pierce- Lopez...

O montador voltou a olhar o papel que estava em suas mãos.

– Correto, você é esposa da Sra Santana não é? Desculpem-nos pela demora, a montagem estava prevista para acontecer antes, mas a demanda foi muito grande nos últimos meses. Como pode ver estamos trabalhando até nos finais de semana... (disse com um sorriso sem graça) A montagem será feita o mais rápido possível para compensar o tempo em atraso. Acreditamos que no máximo em 2 dias, tudo estará pronto e perfeito conforme o projeto escolhido por Santana. (Terminou o montador entregando o papel de prestação de serviços a Brittany, juntamente com as imagens do projeto aprovado.

– Então a responsável foi Santana... (Brittany dizia mais como afirmação do que propriamente uma pergunta)

– Sim... Ela fez a contratação do serviço, já está tudo pago! (O montador foi chamado por um outro para esclarecer um detalhe no projeto) Com licença, qualquer dúvida, é só me chamar, meu nome é Willian, mas pode me chamar de Will, sou o responsável geral pela montagem. (Disse o homem estendendo sua mão)

Brittany o cumprimentou e logo depois Sarah. O homem foi de encontro à outro funcionário que havia o chamado. Brittany olhava as fotos que foram entregues pouco tempo antes. As imagens de como ficaria o quarto eram lindas, Santana havia escolhido uma decoração maravilhosa. A loira deu um grande sorriso ao ver os unicórnios coloridos presentes no papel de parede. Ela baixou a cabeça lamentando o que havia dito a Santana naquela madrugada. Santana tinha muitos defeitos, mas como não se encantar ao acordar e ter uma surpresa dessas? Era nítido o carinho que Santana sentia pelo bebê e Brittany estava mexida desde o ultimo encontro. O olhar e as palavras ditas por Santana depois que Brittany descartou a volta ainda doíam na loira. Brittany não queria mais estar longe, os problemas ainda eram presentes, mas a distancia, não ter Santana ao seu lado parecia mais doloroso.

– Está bem Britt? (Sarah perguntou ao ver o olhar vago da filha)

– Não.. não está... Não é justo Santana não estar aqui enquanto montam o quarto do nosso filho, não é justo tudo que está acontecendo. Eu acho que não tentei o suficiente, eu poderia ter insistido mais para que ela se tratasse...

– Britt... (Sarah segurou o rosto da filha, fazendo-a olhar em seus olhos) Você fez tudo o que pôde... Você não teve escolha, teve que se afastar para manter seu filho bem... Santana não estava em condições de estar presente num momento de fragilidade de sua saúde e do seu bebê porque ela está tão frágil quanto vocês estavam... É algo muito delicado Britt, você sabe o que passou ao lado de Santana, então só você pode dizer se está disposta a aceitar uma nova aproximação... Eu estarei com você em qualquer decisão...

– Agora eu tenho condições físicas, tenho mais possibilidades de ajudá-la... Não posso deixar Santana se perder assim... Eu a conheço e não posso deixar a pessoa que amo escapar sem tentar tudo o que posso...

– Faça o que te faz feliz... (Sarah finalizou mando um beijo no rosto da loira)

Brittany abraçou a mãe e logo depois foi atrás de seu celular.

– Vou ligar para ela...

A loira já se preparava para ligar para Santana quando a campainha tocou. Brittany foi pega de surpresa e até acreditou que pudesse ser Santana. Seguiu para atender e o sorriso que estava em seu rosto logo se findou quando viu de quem se tratava.

– Artie.. (Brittany disse desanimada)

– Brittany, vim te buscar, precisamos sair agora...

– O que está falando? Por que toda essa urgência?

– Por favor, me acompanhe... É algo muito bom, quero te surpreender...

Brittany estava achando estranho, Artie possuía um sorriso enorme, estava radiante.

– Por favor Bríttany...

– Ok... tudo bem, me dê cinco minutos... (Disse a loira contrariada antes de voltar ao quarto para se aprontar)

A loira trocou de roupa, escovou rapidamente os dentes e ajeitou o cabelo, nesse meio tempo, tentou ligar para Santana, mas só caía na caixa postal.

Quando voltou para encontrar com Artie, o mesmo já estava em seu carro e buzinava para que a loira o encontrasse lá. Brittany não entendia toda aquela pressa.

O caminho ia silencioso, Artie exibia um sorriso bobo nos lábios e Brittany tentava sem sucesso contato com Santana.

– Onde estamos indo Artie? Eu não tinha planos de sair hoje... vai me levar para almoçar? Seria bom se fosse, porque não me deixou nem tomar café... Mas pelo jeito apressado, não acho que seja...

– Podemos almoçar depois para comemorar!

– Comemorar o que?

– Algo que estamos desejando há algum tempo...

– Você também está atrás de um outro gato? Na verdade é uma gata... acho que Lyon está entrando na adolescência felina e ele está precisando de uma namorada... Ela anda usando meus bichos de pelúcia de maneira inadequada, se é que me entende... Essa semana entrei no quarto e encontrei em uma situação nada legal com o Sangton... (Brittany disse com um sorriso) Vamos à um petshop?

– Na verdade não é bem isso... mas... (Estacionou o carro em frente há um grande prédio) Mas é tão bom quanto!

Artie saiu rapidamente e ofereceu ajuda para Brittany sair do carro. Indicava o caminho para Brittany que estava perdida com todo o mistério que o amigo fazia. Entraram em um elevador sem trocar palavras, Brittany ainda esperava que Artie dissesse algo, mas não recebia nada a não ser um novo sorriso bobo.

Pararam no oitavo andar e caíram direto numa grande sala. Pessoas bem vestidas andavam para todos os lados com telefones em mãos e pastas. Atravessaram toda a sala até uma outra no final de um corredor. Ao entrarem Brittany teve uma nova surpresa. A sala possuía uma grande mesa de reunião e Santana acompanhada de um homem engravatado já sentados aguardando.

– Santana?! (Brittany perguntava surpresa com um meio sorriso) O que está fazendo aqui? (Ela agora virou-se para Artie) O que é isso tudo?

Antes mesmo que Artie pudesse responder, o homem que estava acompanhado de Santana iniciou a conversa.

– Por favor sentem-se, minha cliente quer que esta reunião seja o mais breve possível...

Brittany voltou a encarar Santana, mas ela desviou de seu olhar, evitava a todo custo estabelecer contato. O homem ao seu lado conduzia toda a conversa.

– Como solicitado pela senhora Brittany e seu advogado Artie Abrams, estamos aqui para tratar do divórcio do casal.

Brittany sentiu seu coração parar aquele momento, sua voz não saía, não conseguia expressar nada além de um rosto chocado. Ao seu lado, Artie estava animado.

– Aqui estão algumas orientações de minha cliente para a concessão do divórcio... ( O advogado de Santana entregava folha à Artie)

Brittany tentava ainda buscar o olhar de Santana que manteve seu rosto baixo evitando o encontro. Artie lia atentamente as clausulas da solicitação de Santana.

– Aqui diz que Santana abre mão da casa... dos bens que contidos nela... (Artie lia mais algumas solicitações que considerava importantes para Brittany) Se propõe a facilitar todos os trâmites e documentações necessárias para agilidade no processo... Isso é bom, porém em uma das solicitações, ela pede a guarda compartilhada da criança... Discordamos! (Artie anuncia sem consultar Brittany)

– Não Artie ! Você não tem que decidir por mim! (Disse séria e voltou-se ao advogado de Santana) Concordamos sim...

– Brittany... deixe comigo.. Sei o que estou fazendo! (Artie insistiu) Não quer que seu filho fique nas mãos de uma alcoólatra não é? (Cochichou no ouvido da loira)

– Quem sabe o melhor para mim sou eu! Já foi a gota d'agua você me trazer sem dizer do que se tratava! Quem você pensa que é?

– Sou seu amigo e advogado Britt! (Artie falava em tom baixo tentando acalmar os ânimos)

– Você não é meu amigo Artie... Está mais claro que nunca! Fez tudo isso nas minhas costas, achando que sabe mais sobre mim que eu! E a partir de agora, não é mais meu advogado! (Disse fazendo Santana levantar o rosto para olhar a cena)

– Britt.. não faça isso... Tudo que fiz foi pensando no melhor para você...

– Já fiz... vai embora! (sua voz e posicionamento eram tão firmes, que Artie não pode fazer mais nada a não ser atender a ordem da loira)

Contrariado, levantou da mesa, ajeitou seu paletó e saiu da sala em silêncio.

Diante da situação, o advogado e Santana estavam surpresos. Brittany pegou a folha que minutos atrás estava com Artie e começou a ler as solicitações de Santana.

A loira deu um breve suspiro, ela não queria que chegasse a esse ponto, sua intenção era ajeitar as coisas, mas ela entendia que depois do que fez Santana passar aquela madrugada, era compreensível que agora quem queria encerrar as coisas fosse ela.

– Santana... Será que podemos conversar? A sós?

– Tem alguma solicitação que discorde? (Santana perguntou seca)

– Não... não Santana, não é isso...

– Então não temos o que conversar...Sugiro que procure um advogado, que o meu marcará uma nova reunião. (Santana já se levantava da mesa)

– Eu sinto muito por ontem.. (Brittany se lamentava, buscando ainda uma maneira de diálogo)

– Não sinta não... Ontem foi muito importante, me fez ver para o que eu ainda sirvo para você... Ao menos ainda sirvo pra alguma coisa não é?

Santana e seu advogado saíram deixando Brittany desolada na sala. Não demorou muito, Brittany desceu do prédio e encontrou Santana saindo com seu carro. Apressou-se e ficou na frente do mesmo impedindo que a latina prosseguisse.

– Brittany, saia da frente do carro...

– Não vou Santana... a gente precisa conversar.

Santana estava ficando nervosa com a situação, não bastava ter feito o que fez ontem e agora ainda queria prorrogar seu sofrimento? Já não estava claro que ela não tinha intenções de reatar?

A latina saiu do carro, batendo a porta com raiva, aproximou-se de Brittany e cruzou os braços.

– O que mais quer de mim Brittany? Quer que eu te coma de novo? É isso? (Santana perguntou olhando Brittany de cima a baixo) Pelo menos agora eu terei ciência de que é só sexo...

– Entendi... você está magoada, então me tratar como uma vadia é seu jeito de me castigar... Vingança agora Santana? (Brittany estava tentando resolver as coisas, mas não podia esquecer que Santana tinha sua parcela de culpa em toda a história, deveriam conversar civilizadamente ao invés do tratamento que Santana a dava)

– Você está de brincadeira comigo? O que é Brittany? Primeiro me usa e joga fora, agora me acusa de vingança? Eu te dei o que você queria, você me enchia de cartas com solicitação de divórcio! Fique feliz, atendi ao seu pedido!

– Quem enviou aquelas cartas foi Artie, não eu!

– Eu ouvi claramente você me pedindo em divórcio, não venha me falar que é culpa do seu amiguinho...

Brittany olhava Santana e mesmo com a pose que a latina demonstrava, lembrar do quarto lindo que estava sendo montado em sua casa e a saudade que sentia de estar ao lado dela, só faziam Brittany querer beijá-la e acabar com toda aquela discussão. Talvez a solução era jogar o jogo da latina.

– Me leva para casa... (Brittany pediu)

– O que?

– Será que você pode me levar para casa Santana?

Santana não entendia onde Brittany queria chegar com tudo aquilo.

– Onde está seu carro? Ou seu advogado? Aah também há vários taxis em NY...

– Não quer dar carona para a mãe de seu filho? Prefere que eu pegue um taxi qualquer? O mundo está tão perigoso ultimamente, não se sabe em quem podemos confiar... ( A loira usou o emocional para atingir Santana) Mas tudo bem, vou para o ponto de taxi mais próximo...

Brittany começou a se afastar, mas não precisou ir muito longe.

– Brittany entra no carro...

A loira se virou para Santana.

– Certeza? Não quero incomodar... (Brittany disse irônica)

– Aaah claro que não! Incomodo algum! (Respondeu com a mesma ironia)

A loira entrou no carro e Santana logo deu partida. A latina evitou ao máximo contato com Brittany. Desviava dos olhares que ela lançava, respondia de forma monossilábica cada tentativa de Brittany puxar algum assunto aleatório.

– Santana... eu sei que o que fiz ontem foi errado... (Brittany decidiu direto ao assunto)

– Humrum... (A latina não tirou o olhar da direção)

– Não era bem o que eu queria...

– Aaaaaah pode apostar que você queria, aliás, queria muito! (Santana não conseguiu se segurar desta vez)

– Foram os hormônios...

– Claro, eu entendo...Hormônios são mais importantes que sentimentos...

– Preferia que eu tivesse resolvido o problema dos meus hormônios com outra pessoa?

Santana ficou furiosa com a possibilidade.

– Fique feliz, logo logo estará livre para que outra pessoa possa te ajudar com isso... (Santana disse parando o carro em um dos sinais)

– Eu não quero outra pessoa Santana...

– Hmmmmm... então está me propondo ser sua amante nos momentos em que seus hormônios falarem mais alto? (Santana perguntava encarando Brittany)

Brittany balançou a cabeça em desistência, tinha que ser direta. Segurou o rosto de Santana fazendo com que a latina não desconectasse o olhar.

– Eu estou propondo que você volte para mim...