Notas iniciais
Boa noite gente! Divertiram-se no carnaval? Porque eu curti bastante, mas é necessário voltar aos trabalhos. Segue capitulo, espero que gostem.

Mesmo Santana sussurrando para não acordar a loira, seu cuidado não foi suficiente, Brittany abriu os olhos e se deparou com a morena a observando com admiração.

– Desculpa, eu não queria te acordar assim, mas não consegui me conter, você está tão linda! Agora eu entendo porque sempre que te via a achava ainda mais bela... (Santana falava carinhosamente)

Brittany continuava calada, estava um pouco surpresa em receber elogios de Santana que até pouco tempo havia lhe proferido insultos.

– Britt... (Santana mudou o tom de voz assim que percebeu o receio da esposa) Eu sei a verdade agora, eu consigo entender boa parte de tudo... ainda é difícil compreender o por que de me esconder sobre a gravidez, mas... está tudo bem agora...

– Difícil compreender Santana? (Brittany enfim começava a falar) Não acha que foi mais difícil para mim quando te ouvi agradecer por a "história do bebê " não ter dado certo, pois você seria controlada por mim!? ( o tom de Brittany era seco, ela tinha raiva em seu olhar) Lembro de suas palavras como se fosse ontem "A única coisa que me deixa feliz é a sua incompetência para gerar uma criança! Ainda bem que essa merda de criança não veio ao mundo!"

– Britt... nos momentos de raiva falamos um monte de besteira... Isso foi quando revelou que sua intenção com o bebê era me afastar do álcool, me senti enganada...

– Sentir-se enganada foi também desculpa para me empurrar aquele dia?

Santana levantou-se e começou a anda pelo quarto passando a mão no rosto nervosa.

– Brittany não tem um dia sequer que eu não me arrependa do que eu fiz...

– Mas não muda o fato de que você quase me fez perder o meu bebê! Se tenho riscos nessa gravidez foi depois daquele episódio!

– Brittany eu sinto muito, eu não sabia, não fale assim é meu bebê também...

– Um bebê que você com todas as letras afirmou não querer! Então Santana, não me venha com palavras bonitas, depois de ter me insultado dos piores nomes possíveis, não venha querer resgatar uma família feliz que você não desejou! Estou cansada de você dizer tudo o que quer e depois agir como se nada tivesse acontecido!

– Eu sei... eu não devia...

– Você não devia, mas fez! (Disse interrompendo a latina) É o que sempre faz e eu estou cansada disso, eu quase perdi meu bebê por sua culpa antes, não vou deixar isso acontecer de novo...

Santana deixou que as lágrimas descessem por seu rosto, não conseguia conter, tudo parecia desmoronar, quando ela acreditava que tudo entraria nos eixos, ela encontrou uma Brittany disposta a colocar todas as suas imperfeições sobre a mesa.

– Eu não queria isso, não queria te machucar nem machucar nosso bebê... não queria que isso estivesse acontecendo desta forma...

– Quantas vezes mais me dirá essas desculpas? Já deu Santana... Se me afastar de você é a única chance de ficar bem para ter o meu bebê é isso que farei! Não estou disposta a perdê-lo por alguém que não consegue amar a si mesma...

– Você não pode me afastar da criança Britt... eu também sou a mãe... ( a voz de Santana era baixa, falha) Não faça isso comigo, com a gente...

Brittany no entanto, continuava firme, Santana nem ousava levantar a voz, provocar algum tipo de forte emoção em Brittany naquele estado era a ultima coisa que queria.

– Meu bebê não crescerá tendo você como exemplo, ele não merece uma mãe alcoólatra, afaste-se de nós!

– Você não pode me pedir isso, não consigo acreditar no que está falando...

– Acredite Santana, eu lutei muito pela gente, não consigo mais, não vou por em risco a vida do meu filho. Você já disse tudo o que pensava de mim hoje, acho que não temos mais nada a fazer... (Brittany suspirou antes de dizer a frase seguinte) Você estava certa, você mesmo afirmou antes que eu te obrigo a ser quem você não é... eu não tenho duvidas mais de que o melhor nesse caso é o divórcio. Parabéns, você conseguiu o que tanto pediu aquele dia...

– Brittany, eu não tinha noção do que falava, não pode levar aquilo em consideração... (Santana estava desesperada)

– Pode ter certeza de que não foi só aquilo que levei em consideração Santana... Agora, por favor saia daqui, nos falaremos agora só na presença de advogados...

– Brittany, por favor... (Santana tentava, mas Brittany desviou o olhar, estava irredutível)

– Saia Santana! (Brittany gritava)

Apesar de não concordar e sentir-se destruída por dentro, Santana não queria ser a culpada por um novo mal estar de Brittany, ela sabia que a gravidez da loira necessitava de atenção e não seria ela novamente a culpada por agravar o estado da esposa. Santana saía aos prantos do hospital, andava pelos corredores a passos largos. O pior de tudo foi cruzar com Artie vindo em direção oposta, seus olhos cruzaram-se e se Santana pudesse, seus olhos teriam queimado o rapaz, a latina sabia bem para onde ele estava se dirigindo. Ela sentia que havia aberto a maior brecha para o surgimento de algo entre os dois e ela era a única culpada. Artie não esboçou nenhuma reação ao encontrar Santana seguindo rápido para fora do hospital, ele não sabia o estado de Brittany, ver a latina saindo daquela forma poderia ser tanto uma boa notícia para ele, quanto ruim.

Santana nem sequer despediu-se de Quinn antes de deixar o hospital, queria poder fugir para um lugar distante onde não houvesse ninguém. Havia perdido a pessoa que amava e possivelmente a oportunidade de conviver com seu filho diariamente. A criança já teria a dificuldade de ter duas mães, ainda por cima duas mães separadas, mas era melhor pensar assim do que imaginar que Brittany colocasse Artie ocupando seu lugar. Esses pensamentos atormentavam Santana, a latina entrou no primeiro taxi que viu para seu apartamento.

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Brittany chorava muito, não havia conseguido parar desde que Santana saiu. Ela se conteve durante todo o tempo que a latina esteve presente, manteve uma postura firme, mas tudo que disse a fez sofrer imensamente. Não era isso que queria, era o necessário, a relação com Santana não era saudável. Brittany sempre pensou que o amor era algo que deveria ser cultivado sempre, demonstrações de carinho, preocupação, entrega, respeito, além de muito mais coisas que ela não conseguia enxergar naquele momento com Santana. A latina havia a ofendido, a desrespeitado, acusado, suas atitudes ao invés de demonstrar uma mudança, mostravam uma Santana que acreditava que um afago após um tapa era a solução ideal. Santana não havia progredido e ela nem uma vez demonstrou interesse em procurar ajuda para seu problema de alcoolismo. Não era o que queria para Santana, nem para ela e muito menos para o bebê.

Artie bateu na porta do quarto de Brittany. A loira levantou o olhar enxugando as lágrimas.

– Posso entrar? (O rapaz pediu de forma receosa ao ver o estado da loira)

– Pode... (Disse se recompondo)

– Está bem?

– Sim.. estou...

Ficaram por longos momentos em silêncio, Artie respeitava o tempo de Brittany enquanto ela tentava afastar o pensamento de Santana.

– Agora você já deve saber o motivo de tantos cuidados não é? (Ela perguntou sem graça depois do período em silêncio)

– Sim, soube pelo médico... (o rapaz deu um pequeno sorriso) Fico feliz que está tudo bem com você e com... (apontou para a barriga da loira) o bebê...

A loira tentou dar um sorriso mas não conseguiu.

– Brittany está bem mesmo? É que não parecia muito bem quando eu cheguei, posso voltar outra hora se preferir...

– Eu vou ficar bem, é que... (Brittany encontrava dificuldades de se expressar)

– Não precisa falar se não quiser...

– Artie, eu tomei uma decisão muito dura...

– Vi Santana saindo do hospital, ela estava muito mal... Acho que tem algo haver com sua decisão não é?

– Sim... Eu não queria que tudo tivesse terminado desta forma, não foi o que planejei...

Artie sentiu uma alegria por dentro, a palavra "terminado" soou como música para seus ouvidos. O fato de Brittany estar grávida não era para ele um empecilho para ficar com a loira.

– Então agora é definitivo?

– Infelizmente... (Brittany confirmou triste) Não posso mais colocar a vida do meu filho em risco, minha situação é complicada, pelo menos até o terceiro mês e você não sabe, mas tem algo que agrava a situação de Santana, ela não aceita, não concorda que tem problemas com bebida...

– Nossa... realmente não sabia disso...

– Estou te contando porque é um amigo, há algum tempo passamos por problemas e o principal motivo é alcoolismo de Santana, um problema que ela contesta, não busca, nem aceita tratamento. Não sei o que fazer para ajudar uma pessoa que recusa ajuda...

– É complicado porque nestas condições a pessoa só consegue destruir tudo que está ao seu redor e não é isso que você precisa nesse momento. Você precisa de alguém que te proteja, cuide de você e da criança... (Artie colocou sua mão sobre uma das mãos de Brittany)

– Não é o que procuro... (Brittany retirou suas mãos lentamente) Eu sinto que sou forte o suficiente para me cuidar e cuidar do meu filho, acredite, a maternidade pode nos deixar mais forte do que imaginamos...

– Verdade... (O rapaz respondeu sem graça depois do corte) Mas com o tempo seria muito bom se a criança tivesse uma figura de apoio...

– Ela terá muitas, minha família está me apoiando incondicionalmente, meus amigos...

– Eu sei... eu sei... me refiro à uma pessoa específica... (Artie insistia tentando se colocar como opção)

– Apesar de ser algo que acho difícil, eu espero do fundo do meu coração que Santana um dia possa se recuperar, se tem alguém para cumprir um papel específico além de mim, essa é Santana, ela é a outra mãe. Mesmo separadas, se ela buscar ter contato com a criança pela justiça ela tem direitos e não há ninguém que ocupará o papel dela... (a loira disse sincera)

Artie deu um sorriso forçado, Brittany praticamente cortou suas possibilidades de ser um pai para a criança, não que para ele, a opinião de Brittany não pudesse mudar com o tempo, a loira estava passando por um momento sensível e talvez com mais calma pudesse rever a situação com outros olhos.

– Não há ninguém que irá ocupar o lugar de Santana, uma mãe é insubstituível, só me refiro a ter alguém para contar durante o crescimento da criança, mas enfim, não é o momento para pensar nisso agora, é necessário ficarmos atentos apenas aos seus cuidados... E em como vai agir com essa decisão do término definitivo...

– Ainda estou meio perdida nisso...

Artie encontrou o momento perfeito para sugerir seus serviços.

– Se me permitir Britt... Eu posso cuidar disso para você, como sabe, sou advogado, já estou por dentro da situação, o que eu puder evitar de transtorno para você nesse momento, eu evitarei...

– É muita gentileza sua... Obrigada, eu não conheço mesmo nenhum outro advogado, não saberia nem como começar...

– Fica tranqüila, deixe tudo em minhas mãos... (Disse o rapaz colocando uma das mãos novamente sobre a mão de Brittany e mostrando um sorriso)

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Santana entrou em seu apartamento batendo a porta. Sua primeira reação foi correr até o armário onde guardava suas bebidas e puxar de lá uma garrafa de vodka. A morena ia em busca de um copo quando as palavras de Brittany começaram a martelar em sua cabeça. " acho que nunca vou saber se inventa essas coisas por que está ficando louca ou por que está sempre bêbada!" , "Meu bebê não crescerá tendo você como exemplo, ele não merece uma mãe alcoólatra, afaste-se de nós!" "Não estou disposta a perdê-lo por alguém que não consegue amar a si mesma..."

A latina então parou, ficou longos minutos olhando a garrafa e o copo dispostos em sua frente. Pegou os dois objetos e guardou de volta.

– Vou mostrar o quanto está enganada Britt! (Disse batendo a porta do armário)

Santana deitou-se no sofá com olhos direcionados ao teto, lágrimas nos olhos, pensamentos perturbados, dúvidas sobre seu futuro. Ficou um tempo daquela forma, para depois levantar-se decidida. Abriu novamente o armários de bebida, pegando todas as garrafas que conseguiu, jogou uma a uma na lixeira da cozinha. O barulho do vidro quebrando-se ocupava o espaço, Santana não parou até que todo seu estoque estivesse no lixo.

A latina tinha como certeza que estava no caminho para provar para Brittany que poderia parar quando quisesse e se isso era o necessário para começar a resgatar o que estava quebrado entre elas, ela o faria. Não queria imaginar outra pensando sendo para Brittany o que ela não conseguiu ser, ela faria de tudo para reconquistar sua esposa, fazer com que ela esquecesse a história do divórcio. Santana sabia que seria um desafio ainda maior após as palavras rudes que disse a ela. Culpava-se por ser tão impulsiva, era algo que ela tinha que aprender a lidar, tudo aconteceu da pior forma por sua culpa. Sabia porém que essa aproximação deveria ser cautelosa, visto que, Brittany não estaria disposta a ceder-lhe espaço para novas tentativas de reconciliação, não no estado em que estava.

Estava tarde, o relógio marcava mais de uma hora da madrugada, mas Santana não conseguia dormir. Agora estava em sua cama, tremendo, contendo uma vontade incontrolável de beber algo. Sua boca estava seca, seu corpo quente, virava-se para todos os lados da cama. Quando finalmente conseguia um breve cochilo, acordava em meio a pesadelos.

Levantou-se da cama, andou por todos os cômodos, sofria. Se controlar parecia ainda mais difícil a cada momento. Estava em crise, sentou-se no corredor abraçada às pernas. Era difícil manter-se quieta, com a agitação que sentia por dentro e ao mesmo tempo a tristeza presente a fazia querer chorar o tempo todo. O domingo já dava a entender que seria longo.

A manhã já havia começado a muito tempo quando Santana abriu os olhos. Estava deitada no corredor, havia dormido ali mesmo, o rosto sobre o chão frio, dor por todo o corpo devido ao mal jeito. Mal levantou e sua cabeça começou a doer, dirigiu-se ao banheiro, sentiu náuseas, procurou na prateleira de remédios algum para aliviar a dor de cabeça e corpo. Pegou dois frascos retirou dois comprimidos de cada e tomou usando a água da pia para consumi-los.

Sentou-se na sala, não tinha fome apesar de estar a bastante tempo sem comer. O cheiro de álcool que vinha da cozinha e exalava por todo o apartamento a deixava louca. Santana passou boa parte do dia andando pela casa, mexendo em coisas aleatórias no celular, tentando não pensar em Brittany e na ultima discussão que tiveram.

Santana não aguentava mais, voltava a chorar lembrando das palavras da esposa e com um medo de que Brittany estivesse realmente certa do que havia dito. Estava passando por uma situação onde enfrentar tudo sóbria estava muito difícil. Não estava conseguindo lidar.

– Brittany não pode estar certa... Eu não sou uma alcoólatra... não posso ser...

Pensar na possibilidade de estar mesmo doente deixava Santana preocupada, mas o que mais poderia ser com tudo aquilo que estava sentindo? O que poderia pensar se a cada hora que passava sua vontade era sair e entrar no primeiro bar que encontrasse pelo caminho?

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Quinn recebeu alta, estranhou Santana não ter voltado ao seu quarto, mas se tratando de Santana e suas atitudes imprevisíveis, era compreensível. O problema é que ao buscar informações sobre o estado de Brittany, descobriu que a loira ainda estava no hospital e ficaria um pouco mais para observação. Visitaram Brittany , mas a mesma estava dormindo.

Não encontraram nenhum rastro de Santana, ao invés disso, encontraram o amigo de Brittany, que Santana tanto detestava. Isso era um sinal de que infelizmente seu pensamento havia se concretizado, a conversa entre Santana e Brittany não teve um final feliz para a latina.

Rachel e Quinn pegaram um taxi para o apartamento da loira. Quinn estava ansiosa para chegar em casa para tomar um café da manhã de verdade, depois do horroroso café da manhã oferecido pelo hospital. Não teve mais notícias de seu pai a não ser que estava preso. Preferia continuar não tendo nenhuma informação, pois não o considerava mais como pai e era algo que não mudaria mais. Suas preocupações agora estavam em Santana e em como lidaria com uma nova negativa de Brittany.

– Tenho certeza de que a conversa com Brittany não terminou bem... (Quinn dizia a Rachel )

– Como pode ter tanta certeza Quinn?

– Por que Santana não estaria no hospital? Por que ao invés dela estava o amigo? Santana não permitiria isso nunca. Se ela não estava ali é porque Brittany colocou um ponto final entre as duas...

– Santana não aceitaria tão fácil...

– Não aceitaria, mas no estado em que Brittany se encontra ela não faria nada, pelo menos não de forma intencional que a prejudicasse.

– Você sabe que terá que segurar as pontas de muita coisa não é? (Rachel alertava a esposa)

– No que for profissional, eu com certeza terei que redobrar o trabalho, porque não vou deixar que Santana afunde a empresa, eu já havia dito isso à ela... Mas no lado pessoal, não vou passar a mão na cabeça da Santana, nunca fui disto e não vou começar. Precisa partir dela uma mudança real e eu já tentei ajudá-la antes, se ela quiser, precisa começar a querer se ajudar...

– Enquanto ela não aceitar que tem um problema, nada vai adiantar... (Rachel concluía)

Quinn segurava a mão de Rachel, estavam próximas de chegar em casa.

– Mudando de assunto, fico triste por não podermos curtir nossa lua de mel... (Quinn dizia frustrada)

– Não se preocupe Quinn... (Dizia carinhosa) Assim que se recuperar, podemos planejar outra...

– Você sabe que tudo depende da situação que Santana se encontrará, por que não vou poder deixar a empresa nas mãos dela e viajar . Eu sinto muito...

– Nem sempre as coisas acontecem como planejamos... (Rachel deu de ombros) Mas já fico feliz que estamos enfim casadas apesar de tudo.

– Finalmente! (Quinn disse sorrindo) Aliás temos muito trabalho, com a correria do casamento mal conseguimos tirar suas coisas da caixas, meu apartamento está um caos!

– Aaaaaah e preciso de mais espaço para minhas roupas, ou você aumenta aquele guarda roupa ou teremos que nos mudar para um lugar maior...

– Eu acho que você está querendo um lugar maior porque deve ser a terceira ou quarta vez que lança uma indireta sobre isso... Acha que não percebi?

– Devo ter dito algumas vezes, mas você sabe, sem pressão... (Disse a morena sorrindo)

– Claro... é algo a se pensar... (A jornalista concordou)

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Era noite, a latina não sabia nem como conseguiu suportar todo esse tempo, estava trancada no quarto, em cima da cama, sentada olhando para o nada. A única coisa que comeu durante todo o tempo foram as unhas. Santana estava mal e sabia que estava. Ouvia até o barulho dos ponteiros do relógio, isso a perturbava fazia aumentar sua dor de cabeça que não foi aliviada pelos remédios que tomou mais cedo. Chorava porque doía por dentro, estava fraca, triste, pessimista. Arranhava as pernas pelo nervosismo, não dava mais.

Levantou-se, abriu a porta do quarto, suas vistas estavam turvas, sentia-se tonta. Caminhou em direção à cozinha, desesperada derrubou a lixeira a procura de algo que não estivesse totalmente quebrado, as bebidas misturavam-se no chão da cozinha, junto com o resto de lixo, o cheiro invadia o corpo de Santana causando um pequeno alívio que ela só sentia que seria de fato dado como satisfeito se ela bebesse. Entre pedaços de garrafa, cacos, Santana bebia o pouco que restava de garrafas estraçalhadas, pouco importava se boa parte delas cortava seu lábios se estavam junto a lixo. Ela tomava cada gota existente dos pedaços de vidro como uma criança faminta.

Sua mão esquerda teve um pequeno corte provocado por um dos pedaços e só então ela parou para enxergar toda a cena. Era humilhante, lamentável. Bateu as costas sobre a parede e chorou, chorou copiosamente, pois acabava de ter certeza que não conseguiria sozinha. Não era forte como pensava, nunca foi.

Continuou acordada, chorando sem saber o que faria diante de sua fragilidade, a quem recorreria se afastou a todos que tentaram ajudá-la. Estava numa guerra interna com seu medo, seu orgulho e sua dor. A madrugada foi um martírio para se segurar e não ir para rua beber, o cheiro do álcool na cozinha só fazia sua vontade aumentar, já que o pouco que conseguiu beber dos restos de vidro não foram suficientes. Cada vez que uma lágrima atingia um dos cortes de seus lábios, a dor a fazia lembrar de toda a situação humilhante que estava passando naquele momento.

Olhou para o relógio da cozinha, eram cinco para as seis da manhã, cheirava a álcool e o pouco que conseguiu dormir sentada daquela maneira foi interrompida pelos tremores de seu corpo. Estava quente, possivelmente febril.

A latina apoiou-se em um dos móveis para levantar-se, passou a mão sobre o rosto e depois olhou toda a bagunça do lugar. Encostou-se no móvel novamente para mais um minuto de choro. Precisava de ajuda, mas a quem recorreria se estava só? Seriam um dos momentos mais difíceis da sua vida, deixar o orgulho e admitir-se como vulnerável diante de uma situação que achou ter controle. Respirou fundo e caminhou em direção a saída de seu apartamento.

Olhou para o apartamento ao lado, imaginou que Quinn já havia ganhado alta e estaria em casa, era a única pessoa com quem poderia contar naquele momento.

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Quinn dormia ao lado de Rachel, numa posição específica por causa de seu braço. Tinha o sono tranqüilo, mas que não durou por mais tempo após ser interrompido por toques na campainha seguidos. Quem quer que seja estava desesperado demais para esperar.

– Nossa... Que merda é essa? (Quinn resmungava)

Rachel acordou assustada pelo barulho, sentando-se na cama rapidamente. A campainha continuava sendo apertada a toda, deixando Quinn impaciente.

– Vou ver logo quem é o imbecil que está fazendo isso! Apesar de ter uma idéia de quem seja... (A loira levantava irritada)

– Quinn cuidado, seu braço... (Rachel alertava, seguindo a loira)

Quinn pegou as chave em cima da mesa da sala e abriu a porta. Deparou-se com a figura de Santana, mas de um jeito que poucas vezes viu antes. Santana tinha o olhar fundo, olheiras enormes, cabelos desalinhados, cortes na boca e um cheiro absurdo de álcool. Quinn estava preparada para soltar os mais possíveis insultos à latina, mas antes que fizesse, recebeu um pedido que a pegou de surpresa.

– Me ajuda... (Santana pedia, sem se importar com a presença de Rachel) Por favor...

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Uma hora depois que Santana havia batido a porta de Quinn, ela a amiga estavam dentro do carro da loira. Santana estava um pouco diferente, de banho tomado, roupas limpas, porém o mesmo olhar e rosto abatido de antes. O silêncio estava tomado. Quinn falava pouco, Santana menos ainda. Quinn sabia que Santana havia enfrentado todos os demônios internos para se encorajar a pedir ajuda, ela não poderia negá-la.

Estavam quase chegando ao destino, Santana reconhecia aquele caminho, sabia para onde Quinn estava a levando.

– Você sabe o que precisa fazer não é? Liguei para o Richard e garanti que o episódio que você armou da ultima vez não se repetiria... (Quinn dizia a latina)

Santana apenas balançou a cabeça concordando.

Entraram no local, Santana desceu do carro olhando para todos os lados. Quinn virou-se e viu a amiga parada.

– Está pensando em desistir... Porque se for fazer isso é melhor nem entrar... (Quinn era seca, mas como já havia lidado com essa situação antes, não conseguia agir de outra forma)

– N.. não... (Santana respondeu antes de acompanhar a loira)

Quinn apresentou-se na recepção e foi informada que a reunião já havia começado, foi orientada em qual sala deveria entrar e seguiram para a mesma.

A loira empurrou a porta e entrou acompanhada de Santana. As atenções de todos voltaram-se para as duas garotas que entravam na sala e interromperam um depoimento.

Santana sentiu o olhar de todos sobre ela, muitos ali estavam no dia em que ela veio pela primeira vez, inclusive as pessoas que expôs, não esperava que fosse recebida com sorriso e não os teve. Richard Bennet, foi o único que deu um breve sorriso.

– Seja bem vinda de volta Santana...

A latina agradeceu com um aceno de cabeça, o homem que discursava encerrou seu depoimento e gentilmente Richard direcionou seu olhar Santana.

– Se sentir-se bem, gostaríamos de lhe ouvir...

Santana sentiu seu coração acelerar, olhou para Quinn que não quis tomar partido nisto, Santana faria se tivesse vontade. A latina depois de alguns segundos balançou a cabeça de forma positiva. Levantou-se e devagar seguia para a frente da sala, sentia os vários olhos acompanhando seu trajeto, o peso que sentia sobre suas costas por estar diante de pessoas que até pouco tempo zombou. A latina tinha as atenções, todos a olhavam e no meio de tantos olhos encontrou os da amiga que com um pequeno sorriso a encorajava.

Respirou fundo, suas mãos suavam, seus olhos começavam a marejar, algumas lágrimas começaram a cair, era muito difícil o que estava prestes a fazer, talvez a coisa mais difícil, afinal ela é Santana Pierce-Lopez, uma mulher imbatível, ou ao menos era. Levantou seu rosto e com voz trêmula, iniciou seu desabafo.

– M... meu nome é... (parou um pouco para respirar fundo novamente) Meu nome é Santana Pierce-Lopez e... e eu sou uma alcoólatra...