Notas iniciais
Estou de volta! E com boas notícias... Passei em todas as matérias! o/ Espero que curtam o cap! Beijos!

O sol entrava por entre as frestas da barraca, incomodando Santana que remexia em seu sonho, com a insistência daquela luz batendo em seus olhos, a latina abriu devagar com um humor nada agradável e sentindo dores pelo corpo por ter dormido no chão, tendo apenas algumas folhas sobre a areia para lhe acomodar. Sentou-se esticando os braços e bocejando, logo após esfregou as mãos nos olhos para espantar o sono que ainda tinha.

Brittany não estava ao seu lado, Santana coçava a cabeça tentando imaginar porque Brittany havia acordado tão cedo, aliás, ela nem tinha certeza se ainda estava cedo, imaginava ser, pois ainda sentia sono.

– Mas que merda! Essas folhas e essa areia coçam! (dizia a morena mal humorada enquanto coçava os braços)

Barulhos foram ouvidos do lado de fora e Santana ficou alerta, ali sozinha, estava exposta a todo tipo de ameaça, principalmente animais selvagens, ela torcia pra não ser nada. Abraçou suas pernas e ficou quietinha esperando que o barulho parasse. Mas não parou, pelo contrário, se aproximava e se tornava mais e mais alto, Santana fechou os olhos e torcia em silêncio. Um clarão invadiu a barraca, a porta havia sido aberta.

– Que posição de dormir é essa San? (Brittany perguntava sorrindo)

Quando ouviu a voz da esposa, Santana abriu um dos olhos para ver a loira carregando várias frutas no braço e despejando sobre uma cesta de folhas improvisada.

– É... é que deitar nesse chão deixou meu corpo todo dolorido, estava .... estava tentando um jeito diferente... (disse sem graça)

– Aaaah sim... (a loira sorriu)

– Britt, porque levantou tão cedo?

– Alguém tinha que ir buscar comida... (disse enquanto jogava algumas frutas para Santana que não demorou a morder uma goiaba) e não está cedo, pela posição do sol devem ser umas onze horas...

– Desde quando você sabe as horas pelo sol Britt? (perguntou com a boca cheia)

– Na fazenda era sempre assim, a gente sabia a hora de parar de brincar e ir almoçar quando o sol ficava exatamente no meio do céu! Aí sabíamos que era meio dia... (escolhia uma das frutas para saborear)

– Hmmm... Que garota esperta! (Santana se aproximou para beijar o rosto da loira rapidamente)

– Eu sei que sou! (Brittany dava de ombros)

Quando estavam satisfeitas saíram da barraca e ficaram observando o mar.

– Não viu nada quando se levantou Britt? Um navio, avião, helicóptero? (Santana perguntava esperançosa)

– Nada San... nenhum sinal de vida... quero dizer, quase nenhum sinal de vida, hoje só vi aquele macaquinho que nos rouba... levou duas das minhas frutas...

– Isso é que dá deixar esses animais mal acostumados, foi o que você fez com Lery e olha só o que ele se tornou?

A frase fez Brittany arregalar os olhos.

– San! O Lery! Agora que estamos perdidas o que será dele?

– Calma Britt... deixamos muita comida disponível para o Lery , aquilo dá para um mês, você exagerou.... e nem vamos ficar tanto tempo aqui.... vão nos encontrar...

– Mas quando San? Você disse que eles iriam saber pela noite que não fizemos check in e que logo depois disso estariam a nossa procura... mas já são... (olhou para o céu para verificar a posição solar) meio dia e nada... nem uma alma...

Santana se aproximou da esposa e a abraçou, queria poder confortá-la, mas ela mesma estava pessimista, só restava pedir calma.

– Eu sei que disse Britt... mas temos que esperar, vai dar tudo certo!

Santana dizia que daria tudo certo, mas não era o que parecia estar acontecendo, as horas iam passando e não tinha nada de bom para fazer na ilha, o tédio dominava as garotas, estavam cansadas do lugar e de não saber o que estava por vir. Santana tinha um graveto em mãos e riscava a areia, não sabia nem por quanto tempo estava ali fazendo aquilo, só sabia que era tempo demais. A morena olhou o céu analisando a posição do sol, o mesmo se aproximava da linha do horizonte, possivelmente se aproximava das seis.

– Merda! Será que não estão nos procurando? (Santana resmungava para si mesma)

Largou o graveto que utilizava e levantou, andava de um lado para o outro.

Brittany por sua vez estava as margens do mar, com uma lança na mão tentando pegar algum peixe que se aventurasse pela beirada, a cesta de folhas ao lado já tinham dois peixes, mas o terceiro estava demorando para conseguir, isso estava deixando Britt irritada.

– Droga de peixes! (disse depois de mais uma tentativa frustrada)

A cada minuto que passava as meninas não conseguiam esconder que aquela situação afetava o sistema nervoso de ambas.

Santana que até então estava preocupada em chutar a areia como forma de protesto, começou a ficar enfurecida com Brittany que já estava há um bom tempo tentando pegar peixes, para ela, a loira estava fazendo um esforço desnecessário, prejudicial ao possível bebê.

– Britt! Saia daí... você já está há uma hora nisso... já espantou todos os peixes! (disse enquanto se aproximava, quando chegou pegou no braço da esposa no intuito de levá-la para a areia)

Brittany por sua vez soltou-se de Santana, com uma cara nada boa.

– Só mais um e já vou...

– Deixa isso para lá Britt!

– Santana... alguém tem que garantir o jantar! (disse encarando a esposa)

Santana tomou aquilo como uma indireta, aliás, uma direta. Era uma afronta para a latina que contou até dez para não gritar.

– Você já garantiu o jantar... (disse apontando para a cesta de folhas sobre uma rocha onde havia dois peixes) agora já pode parar sua exibição!

– Exibição? ( Brittany desarmou totalmente, dando atenção apenas a latina) Do que é que está falando? Estou apenas tentando pegar comida para a gente e para o nosso bebê... (disse passando a mão na barriga)

– Bebê... que bebê? Com todo o esforço que você anda fazendo, ainda acredita que tenha um bebê aí? (Santana perguntou nervosa) “Deixa comigo que eu subo nas árvores e pego as frutas” “deixe que eu vou à caça” Você sabe que não pode se esforçar, mas fica querendo dar uma de Tarzam, Mogli ou qualquer desses personagens que se dão bem na selva...

– Aaaaah mas se não fosse pela “Tarzam” aqui, estaríamos morrendo de fome! (Disse pegando a sexta e saindo da água com raiva)

– Eu não preciso que você arranje comida para mim Britt! Eu me viro muito bem sozinha! Eu construí uma casa sozinha, eu pequei um cacho de bana... quero dizer um monte de frutas sozinha... eu me viro...

– Aaaaah sim... claro que se vira! (Brittany sorria irônica)

– Sabe o seu problema Britt? Você não da valor ao meu esforço, eu estou tentando tá bom? Eu não vivi em fazenda, não fui criada como um moleque subindo em tudo quanto é galho... eu fui criada de forma civilizada!

Brittany virou-se de olhos arregalados para o que a esposa estava dizendo. Balançava a cabeça de forma negativa, condenando as palavras da latina.

– E sabe qual o seu problema Santana? Achar que eu sou idiota, me abraçar e dizer que tudo está bem, quando nem você tem certeza de nada do que estar por vir! Estamos perdidas! Por tempo indeterminado, não olhe pra mim e diga que a qualquer minuto irão aparecer barcos a nossa procura, porque você não sabe... eu pelo menos estou tentando fazer algo por aqui... (disse balançando a cesta) Então nesse momento, ter sido criada como um moleque está sendo de grande ajuda! (tentava agora acender a fogueira)

Santana não disse nada, continuou emburrada, mas seguiu a passos fortes para a barraca.

– Onde está indo Santana? Eu vou fazer o jantar!

– Estou sem fome, vou dormir mais cedo!

Santana seguiu para a barraca, mas antes de entrar fez seu anúncio.

– E a partir de agora, cada uma ficar responsável pela sua própria comida, não preciso de você para me alimentar, posso conseguir sozinha... (foi a deixa para entrar na barraca)

Brittany ficou balançando a cabeça, sabia que Santana não conseguiria se virar, porque ainda cismava em ser tão teimosa?

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A campainha tocava na casa da família Fabray em Ohio, Judy que estava na cozinha preparando o jantar dirigiu-se até a sala para atender a porta. Um homem jovem, alto, moreno, barba por fazer, usando um sobretudo preto e segurando uma caixa de madeira em mãos com um olhar misterioso.

– Seu marido está? (O homem perguntou com voz baixa e grave)

– O conheço? ( a mulher perguntava surpresa com aquela visita)

– Pode nos deixar a sós Judy! ( George Fabray chegava à sala e falava à mulher)

Judy olhou para os dois homens desconfiada, mas ao voltar a olhar o marido, viu o olhar reprovador que ele dava para a analise da mulher. Ela abaixou a cabeça para não encontrar mais os olhos do homem.

– Com licença... (disse baixo antes de voltar para cozinha e continuar o jantar)

Fabray acompanhou com os olhos os passos da esposa até que elas estivesse fora do campo de visão. Assim que a mulher não estava mais a vista, voltou seu olhar ao homem que aguardava. Seus olhos foram até a caixa de madeira, Fabray esboçou um sorriso antes de olhar novamente o homem nos olhos.

– Vamos ao meu escritório, lá podemos conversar melhor... (disse já serio)

Fabray seguiu a passos largos na frente, sendo seguido pelo homem que aproveitava para observar a casa. George abriu a porta e fez sinal para que o homem entrasse, o mesmo entrou fazendo um gesto de cabeça como um pedido de licença para entrar no cômodo. Fabray entrou logo depois fechando a porta atrás de si com chave.

– Tem uma casa muito bonita Sr Fabray... (disse o rapaz)

– Obrigada... resultado de muito trabalho duro... (Fabray dizia enquanto indicava a cadeira de frente para sua mesa para que o rapaz se sentasse)

Fabray desabotoou os botões de seu terno e sentou-se na cadeira.

– Não duvido... (o rapaz sorriu concordando)

– Vamos ao que interessa... (Fabray disse sem rodeios) Trouxe a encomenda?

– Aqui... (o rapaz rapidamente depositou a caixa de madeira que trouxe consigo sobre a mesa)

Empurrou para o lado do homem mais velho que logo puxou-a aproximando mais a caixa. A caixa havia uma pequena fechadura central, o rapaz retirou do bolso do sobretudo uma pequena chave e entregou ao homem mais velho que rapidamente abriu a caixa à sua frente.

A caixa era aberta de forma lenta, conforme o objeto se abria, abria também um sorriso nos lábios de Fabray. Agora a caixa estava completamente aberta e seu conteúdo recebia a admiração dos homens daquela sala.

– Tem todas as características que eu pedi? ( George perguntava sem tirar os olhos do objeto)

– Claro! Como o senhor ordenou... ( o rapaz disse firme)

Fabray olhou rapidamente o rapaz antes de abrir a gaveta que havia do lado esquerdo de sua mesa. De lá, retirou um envelope e jogou sobre a mesa.

– Aí está o que combinamos... (foi apenas o que o homem mais velho disse)

O rapaz pegou o envelope e o abriu, retirando um dos blocos de notas que constavam, um sorriso brotou automaticamente em seus rostos, chegou a aproximar as notas de seu rosto e cheirou o bloco, inspirando de forma forte e expirando da mesma forma. Logo após colocou novamente o bloco dentro do envelope para juntar-se aos outros blocos lá presentes.

– Não vou nem conferir... confio no senhor... (disse o rapaz balançando levemente o envelope)

– Como quiser... Bem... acho que está tudo acertado... (Fabray fechou, trancou a caixa e levantou-se indicando o fim da reunião e o rapaz fez o mesmo)

Antes de acompanhar o rapaz à porta Fabray guardou a caixa de madeira na gaveta de sua mesa, a mesma que antes guardava o envelope com o dinheiro. A chave foi para o seu bolso. Destrancou a porta do cômodo e fez sinal para que o homem saísse da sala, o acompanhou até a porta principal sem trocarem sequer uma palavra. A porta da sala foi aberta, antes que o rapaz fosse embora, agradeceu a transação.

– Obrigada Sr Fabray... precisando o senhor tem meu contato.

O homem mais velho apenas fez um aceno de cabeça concordando e fechou a

porta pouco depois que o rapaz se afastou, ao virar-se para voltar ao seu escritório, se deparou com a esposa encostada na parede que dividia a sala e a cozinha lhe observando.

– Rapaz estranho... (Judy pronunciou reticente)

– Meus negócios mulher...

– Não da sua empresa...

Fabray encarava a mulher, não gostando do rumo daquela conversa.

– Empresa ou não... são meus negócios... vá cuidar da comida, é só o que sabe fazer, porque em dar educação à sua filha você foi um fracasso... Eu como sempre tenho que resolver tudo... (resmungou o homem antes de sair da sala em direção ao seu escritório)

Judy ficou com seus pensamentos, aquelas palavras do marido indicaram que qualquer que tenha sido o assunto tratado na reunião entre Fabray e o rapaz misterioso tinha a ver com Quinn. A mãe tinha um aperto no coração, não sabia explicar o que era, mas não era bom, temia por sua filha.

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Brittany entrou na barraca e viu Santana recolhendo as folhas que forravam a sua parte, o local onde dormia, a loira achando estranho aquela ação da morena, coçou a cabeça confusa.

– O que está fazendo Santana...

– Pegando minhas coisas... estou saindo de casa...

– Hã? (Brittany estava ainda mais confusa) Que casa Santana? Estamos numa ilha e... (Brittany parou um pouco tentando entender) peraê... achou alguma casa nessa ilha? Encontrou pessoas? Estamos nos mudando para lá?

– Não... nada disso Britt... Eu estou saindo daqui... dessa barraca... (olhou em volta) vou para a minha...

– Mas porque?

– Vou mostrar que me viro sozinha por aqui, não disse? Minha própria comida, minha própria casa...

– Santana esquece isso...

– Não Britt... não quero ser um peso... Você mesmo jogou na minha cara que estava fazendo as coisas por aqui, que era quem estava garantindo o “jantar”.

– San... falando assim parece que só eu falei coisas rudes, falando que eu não esperava nenhum bebê, você começou!

– Eu estava preocupada, você não pode fazer esforço, porque se não seguir as orientações da médica, não vai ter mesmo bebê que aguente ficar aí... (disse apontando para a barriga da esposa) É melhor... você fará menos esforço, porque agora só terá uma boca para alimentar... ou duas (olhava para a barriga da esposa) não sei... (deu de ombros)

Santana saía pela porta da cabana e Brittany só podia achar que aquilo era mais um momento de orgulho da esposa.

– San...

– Vou te provar que me viro Britt... Até amanhã... boa noite! (saiu em direção a sua barraca um pouco mais a frente carregando um punhado de folhas nos braços)

Brittany suspirou triste, péssima hora para ficarem nessa situação, já estava difícil passar por aquela situação juntas, imagina com cada uma por si numa ilha deserta? Ela não se preocupava por ela, Brittany sabia que iria se virar bem, sua preocupação era Santana que seria orgulhosa demais para pedir ajuda, dizer que está com fome ou qualquer coisa do tipo. A loira deitou-se no seu lado da “cama” coberta pelas folhas que restaram cobrindo sua parte. Aquela noite seria bem vazia sem a esposa ao seu lado, odiava ter brigado com ela, odiava que Santana fosse teimosa, odiava aquela ilha.

Santana chegou no pequeno emaranhado de folhas e cipós amarrados que chamava de barraca, olhou com uma sobrancelha arqueada para o lugar, parecia mais torto que da ultima vez que havia o visto. Entrou no lugar e já foi cobrindo o chão de areia com as folhas que havia trago, quando terminou, deitou-se sobre as mesmas olhando para o teto da barraca. Sentia-se só e com frio, já começava a se arrepender de ter saído da barraca da esposa e de ter dito que se viraria sozinha. A verdade é que não tinha ideia de como iria sobreviver naquele lugar por si mesma.

– Santana você não aprende... se tivesse ficado calada... enfim, o jeito é dormir e pensar em como me virar daqui para frente, por que fazer com que Britt saiba que você realmente não sabe viver sozinha nesse lugar está fora de cogitação.... (a morena dizia a si mesmo) Merda! Será que aqueles incompetentes do hotel se deram conta que não demos entrada naquela joça?!

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Mais um dia se passava e nada de sentirem falta das meninas, no hotel, o registro do check in não foi conferido, a auditoria realizada todos dias para a conferência das reservas não realizadas foi feita de forma precária deixando passar o registro das garotas, algo incomum para um hotel da dimensão que este possuía. As malas permaneciam no quarto, mais uma vez o rapaz da recepção trocava o plantão pensando ter cumprido todas as tarefas do dia. Não podia-se dizer que a negligência ficava a cargo apenas do recepcionista, tendo em vista que os demais recepcionistas e gerentes tinham acesso ao sistema de reservas, sem contar a auditoria que havia sido mal feita aquele dia. Aquilo se chamava azar! Tudo conspirava contra Brittany e Santana.

O senhor que era responsável pelos barcos na primeira ilha tinha passado o sábado inteiro com raiva, um dos seus barcos não havia retornado, o barco que havia alugado à Santana e Brittany para que chegassem à ilha do hotel. Ligou para um de seus contatos que era responsável por recolher os barcos na outra ilha e trazê-los de volta para novos empréstimos, mas nada. O homem informou que o barco numero 5 não havia dado entrada na ilha, número correspondente ao barco das garotas. O senhor ficou preocupado, pois uma vez um turista ficou perdido por quase três horas no mar e entrou em processo contra o homem, ele teve que desembolsar um bom dinheiro em um acordo por fora com o turista prejudicado. Não queria passar por isso de novo, mas o que faria? Anunciava a perda do barco, informava que turistas estavam perdidos em alto mar e correr risco de levar um processo, ou deixar por isso mesmo e fingir que nada aconteceu para que não tivesse maiores problemas? Já havia se passado um dia e o homem não tinha tomado uma decisão, parecia que havia escolhido a segunda opção.