Impact Magazine Season 2
69 Capítulo 69
Notas iniciais
No dia seguinte, Santana foi a primeira a se levantar, não teve um sonho muito bom, aliás, tivera um pesadelo que a fez despertar cedo. Ficou um tempo acordada na cama, olhava a esposa dormir, depois parou olhando um ponto fixo no teto pensativa. O pesadelo havia sido terrível, nele, Santana tinha sonhado que Brittany e ela haviam feito várias tentativas de inseminação e nenhuma havia dado certo. Estava preocupada, e se de fato isso acontecesse? Essa preocupação de Santana a atormentava teve que sair do quarto para se distrair. Aproveitou o tempo para dar comida a Lery e ao gatinho que já de manhã fazia bagunça pela sala depois de ter derrubado algumas vasilhas na cozinha, ele havia subido em cima de um dos armários do local e feito a algazarra.
Santana tirou o gato que estava em cima do armário e logo depois ele havia corrido para sala para continuar sua bagunça por lá, só sossegou quando Santana colocou uma tigelinha de leite no canto da sala para que ele tomasse. Lery comia tranquilamente em seu viveiro, perto do gato, o lagarto parecia um anjo.
A latina sentou-se no sofá e começou a olhar para o nada, ainda estava pensativa, incomodada, distraía-se às vezes com o gatinho fazendo alguma peripécia. Era até bom, ele a fazia parar de pensar no sonho. O problema é que ficar se distraindo com o felino a fazia lembrar o quanto havia pagado por ele.
– Sabia que eu podia comprar um Pet Shop, com um monte de pulguentos como você? (Santana dizia ao gatinho que tombava a cabeça olhando a latina como se não entendesse nada) To falando sério, eu comprava outro carro de luxo, uma casa de praia, um monte de coisas... Sorte sua que eu não olho valores quanto se trata da Britt ou você estaria com aquela velha rabugenta, pilantra careira... Não vale 0,1% disso...
Santana continuava seu desabafo com o gato, pelo menos aquilo a fazia parar de pensar um pouco, Brittany acordou, foi ao banheiro e depois seguiu para a sala a tempo de acompanhar o final da discussão da latina e o felino.
– Eu poderia comprar um tigre, um leopardo, até um leão...
– Do que estava falando San? (Brittany perguntou enquanto sentava-se ao lado da morena)
Santana gelou, não queria que Brittany soubesse o que teve que fazer para conseguir o gato.
– Nada Britt... Apenas dizia que com a quantidade de comida que esse gato come, eu poderia comprar um tigre, um leopardo, até um leão que não gastaria tanto com comida...
– Que exagero San... o pobre do gatinho não come quase nada...
– Britt... Ele detonou uma tigela de leite em dois minutos...
– Ele estava com fome oras... (Brittany deu de ombros)
– Estava porque não conseguiu achar os biscoitos de polvilho que guardei nos armários... Acredita que quando acordei e vim à cozinha ele havia derrubado as nossas vasilhas? Esse gato doido estava atrás dos biscoitos sim, foi a única coisa que eu guardei ali, os nossos mantimentos mesmo estão guardados na dispensa...
– Ele ama biscoitos de polvilho...
– Pelo menos são baratos... (Santana dizia com um certo pesar)
– Por que está se referindo tanto a valor San? (Brittany perguntava com um sorriso) Acha que ter o gatinho vai nos arrancar uma fortuna em despesas? (sorria como se Santana estivesse falando bobagem)
– Não... Imagina Britt... (Santana fingia com um sorriso falso)
– Ele é só um gatinho, não é um tigre, leopardo ou leão como falava...
Santana ficou pensativa.
– Leão...(apertou mais os olhos como se estivesse prestes a ter uma ideia) Lion... Isso Lion...
– Do que você está falando San?
– Você não queria uma sugestão para o nome do pulguento ali? (Santana apontava para o gato)
– Ele não é pulguento! (Brittany cruzou os braços fazendo cara feia)
– Tá Brittany , ele não é pulguento!
Brittany foi desfazendo a cara feia aos poucos, após isso, ficou analisando a sugestão de Santana.
– Lion... (Brittany dizia o nome e olhava para o gato) San... Ele nem sequer parece um leão, nem na cor, nem no jeito... em nada... (Brittany pegou rapidamente o animal abraçando-o, mas logo o felino se remexeu para descer e Britt permitiu)
– Britt... Te garanto que esse gato tem tudo a ver... Vai por mim, tenho os meus motivos...
Brittany não entendia nada, mas dentre as opções que a morena havia dado antes, essa era sem dúvida a melhor opção entre elas.
– Eu não sei o que viu para achar o gato parecido com um leão... Mas até que não é um nome tão ruim.
– É um ótimo nome, vai por mim... A não sei que você queria colocar Chandon... Eu não me importaria...
– Nãaao! Lion tá ótimo! (Brittany deu o assunto do nome por encerrado)
Santana sorria da forma como Brittany havia descartado o outro nome.
– Agora... Mudando de assunto, por que acordou tão cedo San?
– Não é nada demais Britt, apenas acordei e não conseguir dormir de novo...
– Isso não é comum vindo você... (olhou para o relógio) Você sempre aproveita cada minuto na cama antes de se arrumar para ir à Impact Magazine... E São apenas 07:30, você não acorda antes das oito...
– Realmente não consegui dormi depois, mas em compensação temos tempo de tomar café sem pressa.
– Aaaah isso é verdade... (Brittany concordava antes de beijar a esposa) O que faremos então? (a loira perguntava animada)
– Estava pensando em panquecas doces com cobertura de chocolate ou caramelo... (Santana descrevia)
Brittany passou a língua sobre os lábios já imaginando um prato de panquecas na sua frente.
– Vamos San... Já para a cozinha... (A loira puxava a esposa para começarem a fazer algo)
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2 Semanas depois:
Quinn estava na Impact Magazine, obsevava um par de convites em sua mesa referente uma exposição de arte na Gagosian Gallery. Convite enviado por Megan. Ela e Quinn mantiveram contato durante essas duas semanas, através de encontros no prédio e após a troca de telefones, mensagens via Whatsapp. Nada demais, apenas conversas informais, sobre trabalho, dia a dia, filmes, Megan mostrava-se uma pessoa agradável.
O problema é que Quinn nunca comentou sobre Megan à Rachel e nem sabia por que não havia feito isso. Agora tinha ali dois convites e não sabia como dizer a sua noiva o por que havia ganhado. Rachel esteve ocupada durante essas semanas, faltava pouco para o casamento três semanas para ser mais exato e a moça não parava, tinha peças para ensaiar e apresentar, novos projetos para analisar, preocupação com o casamento, entre outras coisas. Não era possível se ver sempre e essa pequena distancia deu brecha para uma maior aproximação de Megan.
Olhou o relógio, eram 9:17 da manhã e Santana estava atrasada, estava esperando a amiga para ver se a mesma podia ajudá-la nisso. Quinn se lamentava, era o cúmulo que agora dependesse dos conselhos de Santana, mas o que podia fazer? Não tinha a quem recorrer.
Quando a latina chegou já eram 9:22 da manhã, mal entrou na sala e Quinn já começou a questioná-la.
– Dormiu mais que a cama hoje heim... (disse jogando a cabeça de lado indicando o relógio da sala)
– O que foi Quinn? TPM? (Santana debochava)
– Idiota, daqui a pouco está chegando aqui as 10:00 da manhã, depois 11:00...
– E se eu quiser chegar esse horário eu chego... (Santana dizia com um sorriso irônico) O que eu não entendo é esse desespero todo por causa de um atraso quando todos os outros dias da semana eu cheguei às 9:00 horas, quero te lembrar que você tem uma sócia e não uma subordinada...
Quinn ficou balançando a cabeça em desacordo.
– Sócia ou não, devemos dar exemplos aos nossos funcionários...
– Eu sou a chefe, eles que cheguem no horário... Mas enfim, todo esse show não é por um simples atraso... (Santana levantava a sobrancelha analisando) O que quer de mim?
– Não quero nada de você Santana... Sua imbecil... (Quinn colocava agora sua atenção no computador de sua mesa)
– Aaaah é? Só digo que se não contar esse desespero aí vai permanecer... (a morena disse irônica e depois se sentou em sua mesa)
Cinco minutos de silêncio se instauraram no local, Quinn olhava por vezes para Santana de forma rápida, se contorcendo para não falar com a latina sobre o assunto, não queria dar razão à amiga, mas sabia que não conseguiria ficar sem falar aquilo para alguém. Santana estava compenetrada em seu trabalho, sabia que quando Quinn não suportasse mais, acabaria falando. Dito e feito, não demorou mais que dois minutos para Quinn se dar por vencida.
– Megan me deu dois convites para uma exposição dela...
Santana sorriu por dentro, achou que a amiga demoraria mais para entregar o que estava passando.
– Hm... Então é isso que está te incomodando? Dois pares de convite?
– Megan disse para que eu convidasse Rachel, o problema é que nunca disse nada sobre Megan para Rachel...
– Por quê? (Santana estava curiosa)
– Não sei...
– Não acha que de certa forma você quer manter Megan um segredo seu?
– Por que eu faria isso? Não foi proposital, apenas não aconteceu...
– Com certeza teve oportunidades para falar, não disse por que você tem atração por essa garota e não quer que Rachel saiba disso...
– Do que está falando? Eu não sinto nada por ela...
– Você fica extremamente nervosa quando fala dela, suas bochechas ganham uma tonalidade avermelhada, utiliza de muitos gestos quando me explica alguma situação em que cita o nome dela e o pior, está preocupada com um simples par de convites... E você admitiu em outra conversa que tivemos que sentia atração pela menina, então não vem com essa Quinn...
Quinn estava abismada com todas as constatações da latina, não sabia nem como responder, não tinha controle de seus rubores ou gestos quando estava nervosa, e ela sabia que não podia negar que achava Megan realmente atraente.
– Santana... Como eu vou explicar Rachel a origem desses convites? Falar à ela de uma amizade que já tem algum tempo e ela nem sequer soube de nada? Ela vai questionar o por que de não ter contado antes...
– Por que não tenta dizer a verdade?
– Tá louca?
– Cara... Então diz que esqueceu, vocês não estão se vendo muito ultimamente não é?
– Sim... Sim... Ela está bem atarefada esses últimos dias...
– Fabray... Fabray... Quem imaginaria que você estaria se encontrando com outro rabo de saia enquanto Berry trabalha e planeja o casamento? (Santana sorria)
– Deixa de ser idiota Santana, da forma que está falando é como se eu estivesse traindo minha noiva e isso nunca vai acontecer!
– Você sente atração por outra mulher, mantém contato com ela, não acha que isso é isso não é traição? Pelo menos eu acho que não está sendo transparente com a anã...
Quinn estava tão distraída em seus pensamentos que nem questionou o fato da latina chamar sua noiva de anã.
– Eu não quero que Rachel fique confusa, ache que não a amo, que estou interessada em outra mulher... Não tenho nada e nunca terei nada com Megan...
Santana atinou para aquele nome, não lhe era estranho.
– Megan... Megan... Esse nome...
– Esqueci de te falar um pequeno detalhe Santana... Descobri que Megan é ex de Kate...
– Aaaaaaaah verdade! (Santana lembrou-se) A garota que Kate traiu com a Suzana... Não conversamos depois disse, pelo visto não estão mais juntas, ou estão?
– Não... Megan não a perdoou...
– Então porque está aqui na cidade, pelo que sabia ela morava longe...
– Está aqui a trabalho... Os convites se lembra? Megan é artista... Pinta, fotografa...
– Olha, se é tão ruim falar com a Rachel, simples, não vá à exposição...
– Mas se eu não for Megan pode ficar chateada... Ela me disse que fazia questão da minha presen... (Quinn parou quando viu a cara mal humorada da amiga)
– Sério isso Quinn? Acho que seu nível de envolvimento com essa garota tá indo longe de mais...
– Ela se tornou minha amiga...
– Amiga sua sou eu... E você não tem o mínimo pudor de me dizer não, aliás, é o que mais você faz, agora com ela, você não quer fazer desfeita... Isso é coisa de quando você queria conquistar alguém, aceitava convites das suas paqueras mesmo que isso significasse sair mais cedo da Bad Style ou chegar atrasada...
– Ok... Está decidido, vou falar com Rachel...
– Assim espero...
As garotas terminaram a conversa, Quinn depois de tudo finalmente se convenceu que deixar tudo em aberto com Rachel era o melhor a se fazer.
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Fim do expediente na Impact Magazine, Quinn já havia saído e Santana retirou-se da empresa logo depois, seguia para o estacionamento, entrou em seu carro, mas antes que desse a partida, seu telefone celular tocou, era sua mãe.
– Oi mãe... Surpresa você me ligar...
– Se eu não ligo você não liga, então resolvi fazê-lo...
– Aconteceu algo? (a latina mostrava-se preocupara)
– Aqui não aconteceu nada, Eu seu pai e sua tia Carmem estão muito bem, obrigada...
– Então porque essa ligação de uma hora para outra? (Santana perguntava enquanto colocava o cinto)
– Não posso mais ligar para a minha filha? Tenho que marcar horário agora? (Maribel rebatia)
– Não claro que não... Apenas não esperava...
– Minha filha, não sei se lembra, mas há algumas semanas, quando estivemos aí, você nos jogou uma bomba e não nos deu novas notícias...
– Bomba? (Santana não se lembrava) Do que está falando?
– Estou falando do bebê que você e Brittany estão planejando, você não nos contou se já podemos comemorar por sermos avós! Seu pai e eu estamos apreensivos... (A mãe de Santana dizia animada) Então, o que me diz?
A pergunta de Maribel atingiu Santana como um golpe no peito, a animação da mãe, a expectativa de sua família em torno do bebê fez um vazio e ao mesmo tempo um peso em seu coração. O peso da decepção, da frustração. Santana sabia que se não tivesse pegado aquele barco por impulso e se perdido na ilha, Brittany teria repousado e poderia estar esperando o bebê. Por mais que se dissesse que não haviam culpados para essa situação, Santana não podia deixar de acreditar que se tivesse feito diferente, as notícias de agora seriam boas.
A mãe de Santana percebeu que o silêncio da filha provinha de uma má notícia. Maribel lamentou ter perguntado de forma tão entusiasmada, isso pode ter causado um desconforto na filha em contar um resultado negativo. A mulher ouviu um suspiro do outro lado da linha que confirmou sua constatação.
– Filha, eu sinto muito, não devia ter te perguntado com tanta sede ao pote...
– Não tem problema mãe...
– É claro que tem, é nítido seu desconforto...
– Paciência, é a vida, não conseguimos...
– Mas tenho certeza que o próximo resultado será positivo Santana... Você e Britt não devem desanimar...
– Eu sei... Mas tenho que dizer que não é a primeira vez que tentamos... (Santana desabafava) As duas vezes foram um fracasso...
A mãe de Santana estava triste pela filha.
– Santana, Já analisaram se vocês têm dificuldades para engravidar? Algumas mulheres demoram mesmo, minha filha, para termos você, lutamos muito, não foi rapidinho não...
– Brittany e eu fizemos exames antes de tentarmos, está tudo ok entre nós...
– Então não devemos nos preocupar, apenas não desistam. Tenho certeza que mais hora menos hora o bebê chegará.
– Assim espero...
Santana agradeceu a preocupação da mãe, disse que a manteria informada sobre o assunto. Conversaram um pouco mais e depois se despediram. Santana mostrou-se forte durante a ligação, mas assim que a mesma se encerrou, seu coração estava apertado, uma angústia a dominava.
Deu partida no carro e seguia de volta pra casa, não conseguia conter as lágrimas que caíam sobre seu rosto, nunca imaginou que uma coisa poderia mexer tanto com seu psicológico. Ela precisava esquecer, precisava parar pensar no que havia dado errado, era necessário uma distração, ou melhor, algo que a fizesse ficar bem. Quando o carro parava nos sinais, a latina deitava-se sobre o volante e chorava suas frustrações. Santana faria qualquer coisa para apagar esse vazio dentro de si. Santana sofria, achava que os dias a fariam superar, mas parece que a cada dia ser tornava mais difícil lembrar o assunto.
Continuava dirigindo, pensamentos negativos não paravam e o trânsito piorava o trajeto de volta para casa deixando-o mais lento. Foi então que, em um dos sinais de transito, Santana olhou luzes que piscavam e acendiam indicando a entrada de um bar, ela tentava não pensar, torcia para não sentir vontades, mas era mais forte do que ela. As letras grandes, coloridas a atraiam e pouco depois o carro da latina estava estacionado em frente do estabelecimento. Ainda reticente, olhou pela ultima vez a placa do bar antes de entrar.
O local estava meio vazio, poucas pessoas conversando ao fundo, preocupadas com sua própria vida, Santana olhava para todos os lados, sentia um peso por estar ali, uma culpa, mas o desejo era maior, ela sentia e sabia o que poderia deixá-la bem e afastar sua tristeza. Ela conhecia o sabor, a paz que trazia à seus pensamentos, ela queria beber, seu corpo e mente pediam por aquilo.
Se aproximou do balcão e sem demora pediu uma dose de Whisky ao barman. O mesmo rapidamente a atendeu, segundos após o pedido o copo estava disponível sobre o balcão sob o olhar atento da latina.
Respirava fundo, como se encontrasse coragem para negar seu desejo, mas não era suficiente. Quando uma voz lá no fundo sussurrava “não”, em contrapartida, milhares de vozes angustiadas imploravam por “sim”.
O copo agora estava em suas mãos, Santana tentava convencer que seria apenas um, apenas para se acalmar.
– Não irá passar disso Santana... (dizia a si mesma) é apenas para ficar bem...
Repetia a frase várias vezes, quando estava satisfeita de suas repetições, começou a aproximar o copo de sua boca. O cheiro do álcool fez com que se arrepiasse na hora, o corpo tremia um pouco como de costume. O líquido encostou em seus lábios e depois o preencheu completamente. O sabor tão conhecido era apreciado pela latina com a dose que descia queimando a garganta da morena. Não havia como voltar atrás.
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