Impact Magazine Season 2
68 Capítulo 68
Notas iniciais
As meninas estavam na sala assistindo um filme. Brittany propôs que assistissem uma comédia romântica que passava num dos canais da TV a cabo. Mesmo sendo a detentora da ideia, Brittany não prestava atenção no filme, com o gatinho em seu colo, a loira se preocupava mais em brincar com o animalzinho do que assistir o filme. Santana achou que quando o filme começasse a ficar interessante, Brittany iria passar a assistir com atenção, mas mesmo passando vinte minutos desde seu inicio a loira não parava de brincar com o gato. Santana estava ficando impaciente, a loira só dava algumas olhadas para a TV e depois ficava com o gato, Santana queria assistir “Argo” que estava passando em outro canal naquele mesmo horário, porém decidiu pela comédia romântica pela insistência da esposa. Cansada de ver o filme sozinha, Santana começou a puxar papo com a loira e tentar conversar sobre o filme para que ela assistisse.
– Britt... olha lá, acho que a protagonista vai levar outro fora... (Santana cutucava Brittany para que prestasse atenção)
A loira dava uma rápida olhada para tela e depois voltava a brincar com o gato.
Santana deixou passar da primeira vez, depois de cinco minutos e nada de Britt se concentrar no filme, a latina tenta novamente.
– Amor... ela vai fazer uma aposta com o melhor amigo dela... (Santana insistia)
Brittany apenas balançou a cabeça, deu atenção ao filme durante um minuto e logo depois estava com o felino novamente.
Santana já estava ficando brava. Pegou o controle da TV e mudou o canal, isso a loira percebeu.
– San! Por que mudou o canal? (Perguntava com o rosto emburrado)
– Aaaah agora você resolveu prestar atenção na tv?
– Como assim só agora? Eu estou prestando atenção oras! ( a loira cruzou os braços)
– Aaaah está?
– Sim... (disse firme)
– Pois então me diga como era a protagonista? Quais são as características físicas dela e o que ela faz da vida?
– Ela é uma ruiva gordinha que trabalha numa floricultura! (A loira disse arqueando a sobrancelha, como se fosse obvio a resposta)
– Britt!
– O que?
– A protagonista é negra! E ela trabalha num fast food!
– Sério? (Brittany fica impressionada) Mas eu juro que tinha uma gordinha ruiva... É amiga dela não é?
– Britt... A única amiga da protagonista é uma indiana...
– uma indiana que trabalha numa floricultura... (Brittany completa)
– Ela trabalha numa loja de perfumes!
– Qual o nome da loja?
– "O cheiro da Rosa"
– Aah tá aí... Olha só... Por isso me confundi...
– Hã?
– Rosa... floricultura...
Santana bateu a palma da mão na testa, abaixou a cabeça respirando devagar para não ficar sem a paciência que lhe restava.
– Tá vendo como estou prestando atenção? (Brittany questionava a latina)
Santana a olhou de canto de olho sem falar nada.
– A única coisa estranha é que essa tal gordinha ruiva desapareceu...
– Não existe gordinha ruiva que trabalha em floricultura e eu sei disso porque ao contrário de você, eu estou assistindo o filme. Filme que você insistiu para assistir eu preferia ter assistido "Argo"...
– Não San... Argo não...
– É ótimo um filme, vencedor do Oscar! É um drama e suspense histórico muito elogiado pela crítica. Qual é o problema de Argo?
– Ben Affleck...
– O que?
– Não gosto dele... Depois de Armageddon fiquei por muito tempo com medo que meteoros caíssem na terra... Santana respirou fundo, contou até dez mentalmente e depois se dirigiu calmamente para a esposa.
– Britt... A questão não é você odiar o Ben Affleck e não querer assistir Argo, o problema é você sugerir outro filme e não prestar atenção nele... Você ficou o tempo todo de olho nesse gato aí...
(Santana apontava o gatinho que lambia as patinhas)
– Santana... não acredito que agora vai implicar com o gatinho...
– Não to implicando com o gato...
– Está sim... Animais precisam de atenção sabia?
– Esposas também... (Santana retrucava)
Brittany já ia responder à latina quando rapidamente olhou para a Tv e viu a tal garota gordinha ruiva.
– Não disse!? Olha lá! (Brittany apontava freneticamente para o televisor) é a gordinha ruiva...
Santana apertou os olhos como se quisesse ter certeza.
– Britt...mas eu estou prestando atenção no filme e é a primeira vez que ela aparece... Como você sabe sobre ela?
– Já assisti a esse filme antes (disse dando de ombros como se fosse a coisa mais natural do mundo)
Santana arregalou os olhos.
– Assistiu?
–Sim... Duas vezes...
– Tá de brincadeira comigo... (Santana levantava com raiva)
– San! Onde você vai?
– Vou pro quarto, chega de filme por hoje, depois dessa eu vou dormir...
– Mas San... Combinamos que depois do filme iríamos comprar comida para o gato...
– Ah não! Estou cansada, dê a comida do Lery pra ele...
– San... Gatos não comem comida de lagarto!
– Na hora da fome a gente não escolhe não meu bem, lá na ilha eu comia banana como se fosse um banquete...
Brittany fazia uma cara triste, o gatinho olhava para Brittany e depois para Santana, desceu do colo da loira e foi em direção à Santana que estava de pé e começou a roçar na latina, passando por entre suas pernas e levantando o rostinho para olhar a latina e miava fazendo cara de fofo. Brittany não conseguiu esconder o sorriso ao ver como o gatinho era carinhoso.
– Olha San... Olha como ele gosta de você! Ele é tão carinhoso!
– Carinhoso! Se tem um animal esperto é gato e esse é bem interesseiro... (Santana tinha a cara fechada)
O gatinho então levantou as patinhas e ficou apoiado nas pernas de Santana. A latina olhava para a cara do gatinho e depois para o rosto de Brittany. Não sabia dizer quem estava fazendo a cara fofa. Suspirou em desistência.
– Tá bom... Tá bom... Vamos logo comprar a comida desse gato... Vamos ter que rodar a cidade toda para achar um lugar aberto no domingo... mas fazer o que né?
O gatinho começou a lamber os pés da latina, Brittany por sua vez correu até a amada a abraçou e beijou sua boca.
– Sabia que não ia nos deixar na mão! (Britt distribuía beijos no rosto da latina)
– Vamos logo antes que eu me arrependa...
Brittany prontamente pegou as chaves do carro e o gatinho.
– Britt... Você vai levá-lo?
– Claro San...
– Deixe ele aí...
– Ele não pode ficar sozinho...
– O Lery fica sozinho...
– Lery é adulto...
– Britt, se quiser levar leve, mas então vamos no seu carro, porque não quero esse gato fazendo xixi na minha BMW...
As meninas saíram da casa em direção à garagem. Entraram no carro, Santana ira dirigindo o Jeep de Britt enquanto a loira ia no banco do passageiro com o gatinho no colo.
A viagem seguia tranquila, mas a maioria dos petshops por onde passavam estavam fechados. Continuavam tentando. Brittany olhava o gatinho toda encantada.
– Ainda não achei um nome para ele... (Brittany comentava)
– Verdade... (Santana olhou rapidamente para loira e depois tomou atenção à pista)
– Já que eu nomeei Lery, você poderia colocar um nome nele...
– Eu? Não Britt, não sou boa nisso...
– Aaah San... pelo menos tenta, olha ele, qual nome você daria?
– Hm... sei lá... (Santana parou e pensou um pouco, nada lhe vinha à cabeça, disse o primeiro nome que pensou) whisky...
Brittany arregalou os olhos.
– Nome de bebida para o bicho San? Aaah não... (a loira não gostou nada de Santana ter lembrado de um nome de bebida para chamar o animal)
– Não sei por que o preconceito tem nomes muito legais... Orloff, Jack Daniels, Chandon... Chandon é ótimo (Santana sorriu) Gim...aaaah e Chardonnay...
– Não curti... (A loira não quis prolongar o assunto, não queria nada que fizesse Santana lembrar de bebidas)
As meninas continuaram seu trajeto e nada de achar uma loja de ração aberta, por fim encontraram um mercado 24horas e resolveram tentar por lá.
Como era domingo, o local estava vazio, apenas o dono e mais um funcionário estavam trabalhando, não acreditaram quando viram o casal passar pela porta. As meninas apenas deram um sorriso para os mesmos e entraram pelos corredores do mercado. Brittany havia escondido o gato debaixo da blusa, pois do lado de fora tinha a placa com a proibição de entrada de animais. Brittany não queria deixar o pobre animal do lado de fora então não pensou duas vezes antes de esconder o animal. Só que o animal começou a se remexer muito embaixo da blusa e isso fez cócegas na loira que não aguentou caindo no riso, acabou deixando o gatinho escapar e ele saiu correndo pelos corredores do mercado.
– Britt! Você não disse que ia segurar o gato?!
– Eu tentei San... Mas ele jogou sujo...
As meninas saíram atrás do animal, elas acompanhavam ele com o olhar, mas ele começou a correr rápido fazendo-as perde-lo de vista.
– Onde ele foi? (Brittany ficou preocupada)
– Não sei Britt... ele estava aqui agora...
As meninas procuravam em todo lugar, debaixo de prateleiras, entre produtos, cada minuto que passava Britt ficava mais apreensiva.
– Não podemos sair daqui enquanto não acharmos ele!
– Então vamos procurar logo Britt, não podemos ficar aqui por muito tempo... Logo isso aqui fecha...
As meninas continuavam a procurar, retiravam mercadorias do lugar, remexiam as prateleiras, andavam por diversos setores do mercado. O dono percebendo a movimentação pensou que as meninas não estivessem achando os produtos que vieram comprar. Então, decidiu ir até as meninas e se colocar à disposição.
– Posso ajudá-las? Tem algo que desejam em específico? (o senhor perguntava simpático)
– Não... Não é necessário... Estamos apenas dando uma olhadinha... (Santana disse meio sem graça)
Mal a latina terminou de falar e ouviu-se um barulho.
“Miaaaauuuuuuun”
Santana e Brittany se entreolhavam imediatamente, o senhor do mercado estava confuso.
– Mas o que foi isso? (o homem olhava para todos os lados)
Brittany não sabia o que fazer, seus olhos estavam arregalados, decidiu fazer algo.
– Fui eu... (loira disse)
– Hã? A senhora que miou?
Santana olhou para Brittany e tinha medo do que a loira queria inventar, mas sabia que o que quer que fosse, deveria apoiá-la e continuar a mentira.
– Sim... Ela está fazendo um treinamento... (Santana continuou) Um treinamento vocal...
– Está pensando em entrar no ramo musical Sra Brittany? (o moço perguntava entusiasmado)
Brittany tinha vontade de rir, mas se conteve.
– Na verdade é para uma peça teatral...
– Cats? (o homem perguntava) Mas essa peça já se encerrou há muito tempo...
– Não é Cats... (Brittany respondia) é uma nova... (Brittany ficou um tempo pensando e depois respondeu) Aaaaah chama-se “Lago dos Gatos”
– Não seria Lago dos Cisnes?
– Não... Não... É “Lago dos Gatos” mesmo... (Santana confirmava)
O senhor estava mais confuso ainda. Novamente ouve-se o miado.
“Miaaaaaaaunnn”
O homem sem entender nada olhava para Brittany.
– Mas você nem mexeu a boca...
– Parte do show é ventriloquismo... (Santana respondeu quando viu Brittany de olhos arregalados sem saber o que dizer)
– Aaaaah sim... (o homem coçava a cabeça) Fiquem à vontade, se precisarem estarei lá na frente... ( o senhor disse enquanto voltava para o lugar que estava antes)
Quando o homem estava fora de vista, as meninas começaram a procurar o gato novamente.
– De onde veio o miado? (Brittany perguntava)
– Daquela direção! (Santana apontava o outro lado do corredor, na sessão de biscoitos).
Ao chegarem ao local não demoraram muito para encontrar o felino. Lá estava ele cercado por um monte de biscoitos de polvilho, saboreando. Havia rasgado um dos pacotes com suas garrinhas, olhava para as meninas com cara de inocente enquanto passava a língua em volta da boca para aproveitar os farelos de biscoitos que ficaram por ali.
– Olha a bagunça que esse gato louco fez! (Santana estava abismada)
Brittany pegou o gatinho no colo.
– O que você fez foi muito feio!
–To vendo que esse gato vai nos dar muito trabalho... Já não bastava o Lery destruindo meus sapatos, agora tem esse gato...
– Não exagera San... Ele só estava com fome... (Britt amenizava)
– E desde quando gato come biscoito de polvilho?
– Desde quando se está com fome... Foi o que você mesmo disse lá em casa...
– Tá eu sei... Mas ele está num mercado, tem uma sessão de comidas de animal logo ali... (Santana apontava o local onde descrevia rações e afins)
– Aqui estava mais perto...
– Está defendendo a bagunça do gato?
– Não... Não estou, apenas entendo... Ele não vai fazer de novo...
– Tá... Mas vamos pegar logo a ração para gatos e sair daqui antes que descubram essa bagunça... (Santana pedia)
As meninas se dirigiam para o setor de ração, mas o gatinho miava olhando em direção aos biscoitos.
– San... Acho que devemos levar biscoitos para ele também, ele gostou...
Santana revirou os olhos, mas voltou para pegar um dos pacotes que o animal tinha gostado, foi nítida a felicidade do gatinho no colo da loira.
– Olha como ele ficou feliz San... (Brittany sorria)
Santana não disse nada, olhou para o gato, deu um sorriso fraco e seguiu em direção às rações. Pegou uma específica para filhotes, aliás, alguns pacotes para deixar reservado em casa.
Brittany escondeu o animal na blusa novamente e pagaram a compra. O senhor olhava as garotas sem entender porque Brittany se remexia tanto como se estivesse com dor de barriga, apertada para ir ao banheiro ou algo parecido. Enfim as meninas saíram do mercado e entraram no carro. Lá Brittany retirou o gato da blusa e o deixou em seu colo.
Chegaram em casa e Brittany alimentou o gatinho, na hora de dormir, Brittany queria levar o animal para a cama, mas Santana interviu.
– Mas San... Onde ele vai dormir?
– No nosso quarto é que não vai...
– Mas San...
– Não Britt, não acho legal, ele pode dormir aqui na sala...
– Ele é tão pequeno...
– Ele tem que se acostumar... Amanhã que é segunda, os pet shops estarão abertos e podemos comprar uma casinha ou uma desses cestos com almofadas para ele dormir... aaaah e claro, caixa de areia, porque não quero esse gato fazendo xixi pela nossa casa inteira...
Brittany se deu por vencida com um suspiro triste. O jeito foi pegar algumas almofadas e colocar no canto da sala para o gatinho. Ele logo se instalou no local deitando na almofada e fechando os olhos para dormir.
Já estava ficando tarde e as meninas foram para o quarto, tomaram banho juntas e na hora de dormir estavam abraçadinhas. Brittany, porém, tinha uma dúvida na cabeça e foi naquela hora que resolveu perguntar.
– San...
– Oi... (Santana respondia de olhos fechados)
– Como convenceu a Sra. Gentalha a te dar o gatinho?
Santana arregalou os olhos, não pensava que Brittany iria perguntar isso, pelo menos não por agora.
– Ora... de forma normal... Uma boa conversa... (Santana agia nervoso)
– Ela não tem jeito de que entregaria...
– Mas entregou... (Virou-se para o lado dar um beijo rápido à sua esposa tentando a parar de falar do assunto para que Brittany dormisse) Acho que ela está começando a ficar mais agradável... (Santana dizia)
– Se você diz... (Britrany se aconchegou mais na latina)
. Enfim, pouco tempo depois as duas estavam dormindo juntas. Santana havia escapado de contar como convenceu dona Gertrudes a entregar o gatinho. Só ela sabia que não havia sido fácil, mas Brittany não precisava ficar sabendo disso.
7 horas antes...
A campainha da casa vizinha tocava. A senhora caminhava a passos lentos até o portão. Olhava pelo olho mágico e via quem estava do outro lado. Estranhou, não era normal a visita da vizinha, não se davam bem.
Dona Gertrudes, mesmo surpresa, abriu o portão desconfiada e assim que o fez viu o sorriso da morena na porta.
– Oláaaaa! (Santana sorria simpática)
– O que você quer? (a senhora disse sem rodeios)
– A senhora não vai me convidar para entrar?
– Não...
Santana não gostou da falta de educação da senhora, mas não poderia culpa-la, teria falado da mesma forma se fosse o contrário.
– Quero conversar com a senhora... 5 minutos...
A velha analisava Santana. Não podia deixar de estar curiosa pela visita. Depois de uma certa resistência, decidiu deixar a latina entrar. Caminharam até a casa da senhora passando pelo jardim. Entraram na residência e assim que o fizeram, a senhora começou a perguntar.
– O que você quer comigo?
Santana não queria prolongar a estadia, ela também não suportava a vizinha e quanto menos tempo ficasse ali, melhor.
– O negócio é o seguinte... (a latina começou sentando no sofá sem ser autorizada) Eu preciso que a senhora me dê um de seus gatos, o preto...
A mulher ficou estranhou. Achou a latina prepotente.
– Por que acha que daria algum de meus gatos para você? Olha se for só isso que veio fazer aqui, pode sair... não dou...
Santana sabia que tinha que baixar a guarda.
– Olha senhora, eu sei que temos nossas diferenças, mas o gato é para um bem maior, minha esposa teve uma notícia muito ruim, uma só não, duas, mas uma delas é que ela perdeu o seu gato de estimação... ele morreu e ela está muito triste...
– É uma pena, mas não tenho nada com isso... (a mulher dirigia-se a porta para indicar a latina para que saísse)
– Você não tem coração não é? Você tem um monte de gatos, o que custa dar um...
– Eu amo meus animais... São meus filhos e não tenho que da-los a vocês... Ainda mais vocês que são donas daquele lagarto assassino de jardins...
– Você não pode mais falar do Lery, já tem bastante tempo que ele não te perturba...
– Quer que eu faça o que? Agradeça-lhe por isso? A função de vocês é essa mesma, manter ele longe da minha propriedade...
A latina via que aquilo não seria fácil, a mulher parecia irredutível, mas ver o rosto da esposa triste a cortava o coração, então faria tudo para ter o gatinho e presenteá-la.
– Então me venda esse gato! Pago o quanto for...
– Ele não está à venda!
Santana já desconfiava que pudesse ter que recorrer a essa solução então havia levado a carteira. Tirou o objeto do bolso e dentro dele, retirou uma folha de cheque.
– Faça seu preço... (a latina entregava o cheque)
Dona Gertrudes olhava a latina e o cheque, pegou o papel ainda resistente.
– Não... Não quero vender o gato... (a mulher já devolvia a folha novamente, mas Santana recusou).
– Acho que a senhora devia pensar com cuidado, eu lhe entreguei um cheque em branco... (Santana retirou uma caneta do bolso e entregava à senhora)
A mulher olhou a folha de cheque pensativa, depois de muito pensar, resolveu escrever o valor que queria. Com um sorriso, a mulher entregou o cheque à latina de volta. Santana quase teve um ataque cardíaco.
– Puta que pariu! A senhora está louca? Isso é para um gato não para um leão!
– Você disse que eu podia dar o meu valor... Então, meu valor é esse, se não aceita, tudo bem, não terá um gato...
– Posso sair daqui e comprar outro gato que não esteja com esse preço absurdo...
– Pode até ser, mas eu lembro como a sua esposa havia gostado dos meus gatos, ela estava um pouco afastada quando você me entregou a caixa com os animais, mas dava para perceber de longe o quanto ela os queria os gatinhos de Rudolph...
Santana tinha ódio nos olhos, o preço era absurdo, mas ela sabia que o sorriso de Brittany ao ganhar o gato não teria preço, ela faria e pagaria o quanto fosse para ver sua esposa feliz.
A latina engoliu seco e com a mão pesada, assinou e datou o cheque. Entregou novamente a mulher que parecia não acreditar que a latina iria longe com isso. No final, deu um sorriso e entrou em outro cômodo da casa onde se localizava o quarto dos gatos. Como morava sozinha, deixou um quarto inteiro para o Rudolph e sua ninhada. Voltou em pouco tempo, carregando o gatinho preto das patas brancas. A mulher até amarrou um laço vermelho para presente no pescoço do animal. Deu milhões de beijos no felino antes de entregá-lo à latina, ela amava aqueles animais, mas o preço que Santana estava pagando era irrecusável.
Santana pegou o gato e não demorou a sair da casa da mulher, não queria nem olhar para trás e se arrepender do que tinha acabado de fazer.
Dentro da casa, a senhora sorria, mas sorria tanto que parecia não acreditar no valor do cheque que estava em mãos.
– Um milhão de dólares... ( Gertrudes tinha um sorriso farto enquanto lia o cheque em voz alta)
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