Imortais | Fatais
4 Capítulo 3|
Sympathy for the devil tocava nos fones de ouvido. Jordan sentia que nem mesmo o diabo em pessoa tivesse aparecido e cumprimentado os dois ocupantes da mesa a recepção seria menos gelada.
Verdade seja dita, ele merecia o olhar gelado de Kira Fakhri, tinha suas dívidas com a jovem, mas o guardinha de estimação não estava na sua conta.
Todo caso, não fez qualquer movimento para impedir a dupla de sair do café ou para responder o empurrão proposital quando estava para tomar o primeiro gole de cappuccino que fez a bebida cair em sua calça.
Jordan só... esperou.
Kiera ainda estava claramente irritada e ele não seria louco de se meter a falar com ela naquele estado. Talvez mandasse um presente para o loft onde ela estava hospedada, e caso o presente não voltasse destroçado, então quem sabe tentaria uma aproximação.
— Ah deuses, não acredito que vou ter que ligar pra Winterson. — resmungou desbloqueando o celular.
Procurou na lista de contatos uma das poucas pessoas que conhecia o Panteão bem o suficiente para dar-lhe uma luz acerca da movimentação divina não divulgada; discou o número e esperou ser atendido.
— Espero que tenha um bom motivo me ligar Yuzo, eu ainda não perdoei você. — ela falou assim que atendeu a ligação.
— Ah, é ótimo saber que você ainda quer acabar comigo Yoon — Jordan falou alegre. —, mas eu preciso de informações.
— E o quê eu tenho com isso Jordan?
Jordan suspirou, podia ouvir o barulho constante de teclas sendo pressionadas, um pequeno lembrete de que Yvonne lidava com informações demais.
— Yoon, os Dragões me mandaram por causa da Juno, pelo menos me conta o que aconteceu pra Kiera conseguir um policial de estimação.
Ele esperou em silêncio, ouvindo o som constante das teclas. Não sabia se Yon realmente diria qualquer coisa, mas tinha que ter alguma esperança.
— Se você realmente quer saber, Júpiter tá querendo saber de um presente que Amélie escondeu. Você vai buscar o presente num ourives na rua 36, vou ligar avisando.
— E o quê isso tem com a morte da Amélie?
— Ela não queria que soubessem quem deu, escondeu de quase todo mundo, leva pra Kie, ela vai gostar.
— Garota, eu te adoro. — ele afirmou.
— Tá, tá, vai logo pegar o presente da Amelie e me deixa trabalhar Yuzo.
|x+y+z |
Jordan encarou a fachada da loja, estranhando muito a placa de aberto apenas para alguns pendurada no lado de dentro da porta de vidro.
— Eu ainda me pergunto como cheguei nesse ponto. — murmurou para si mesmo.
Tocou a campainha duas ou três vezes trocando o peso do corpo de uma perna pra outra. Tocou a campainha outra vez antes de jogar as mãos pro alto e então enfiá-las no cabelo.
— Mas que cara–
— Pois não. — a porta abriu-se de supetão, revelando um homem baixinho de chapéu. — O que quer tocando a campainha feito uma criança impaciente?
Jordan franziu o cenho, confuso, o pescoço do homem estava vermelho como se ele tivesse corrido muito para chegar ali. Ignorou as escamas pálidas perto das orelhas do homem, que o glamour não escondia, e tentou sorrir amigavelmente.
— Yvonne Thorn me pediu para que viesse buscar um presente que foi deixado sob sua proteção.
O homenzinho franziu a testa, a vermelhidão subindo para o rosto. Jordan mordeu a língua para não perguntar à quantos dias o homenzinho não saía no sol. Talvez ele saísse muito no sol e usasse o glamour para esconder isso.
— Nenhuma Yvonne Thorn me ligou! Não tem nenhum presente comigo! Vai embora!
A pele do homenzinho avermelhou-se por completo, Jordan inclinou a cabeça um pouquinho para o lado, apenas para confirmar que o glamour realmente estava enfraquecendo.
— Sério mesmo? — perguntou lentamente. — Eu acho que ela vai ligar daqui a pouco...
Se fosse possível, a pele do homenzinho avermelhou-se ainda mais e pôr baixo do glamour Jordan conseguiu ver os verdadeiros olhos dele, amarelo como gema de ovo.
Um humano que tá se transformando em dragão ou um dragão que ainda não consegue se transformar totalmente em humano?
— Olha, já falei pra ir embora garoto! Vai, vai!
O glamour desapareceu por completo, finalmente revelando um ser quase humano com escama reptiliana misturando-se a pele branca e dentes pontiagudos apareciam sob os lábios. A boca era maior que a de um humano normal, ele todo era um tanto maior que um humano normal e isso o deixou meio ansioso.
— Cara, seu glamour acabou. — avisou com um sorriso constrangido, os olhos do ser se arregalaram. — Sim, eu vejo através do glamour e tô meio curioso para saber como vai fazer pra não me entregar o presente de Amélie agora.
Com um suspiro, Jordan deu um passo para trás enquanto o draconiano — podia chamá-lo assim. — girou nos calcanhares e sinalizou para que ele passasse pela porta. Logo hoje que não passei protetor solar a Yoon me manda falar com um draconiano...! Eu só me ferro!
— Pelo Éter você não sente frio? — reclamou antes que pudesse se segurar.
— Prefere que eu esquente? — o draconiano perguntou sarcástico.
— Adoro me sentir um sorvete!
|x+y+z |
— Seja lá o que tenha feito, o buquê e o presente quase não foram suficiente. — o entregador comentou. — Ela me pediu pra te mandar pra um lugar bem ruim, mas tinha um sorrisinho, acho que acertou no presente.
— Madonna tinha razão quando disse que diamantes amolecem o coração de uma mulher.
Jordan sorriu amarelo e pagou o entregador.
O porteiro do prédio ainda estava olhando feio para ele quando a porta da frente se abriu e o guardinha de estimação entrou esbaforido no saguão, ainda com o uniforme da polícia, cumprimentou o porteiro e pegou o elevador como se o fizesse sempre.
Ok, eu não era o que eu esperava... mas três anos e ela ainda guarda rancor?
Bagunçou o cabelo em pura frustração e levantou-se do sofazinho para ir embora quando o elevador apitou.
— Ei Yuzo, — Kira chamou e Jordan girou nos calcanhares para vê-la. — se queria minha atenção era só fazer como dá última vez.
Jordan engoliu um suspiro ao vê-la. Depois de três anos era a primeira vez que ele realmente observava a Tríplice, e só o Éter sabia como ele sentia falta de vê-la, mesmo que ela ainda estivesse dentro do elevador.
— Dá última vez seu irmão quase me abriu.— reclamou.
— Da última vez as coisas saíram do controle. — explicou soando divertida
— As coisas sempre saem do controle Kira. — a lembrou, pois aquela deveria ser uma grande verdade do universo.
— Sim, por isso somos bons no que fazemos. — Kira falou como se fosse o óbvio. — Agora vem logo, antes que Ronan pegue o diadema e leve pra perícia.
E Jordan foi, já que não resistia a felinos.
Subiram silenciosamente sozinhos até o sexto andar, onde havia apenas duas portas de cada lado do corredor. A segunda porta do lado direito estava entreaberta, e uma fresta de luz amarelada iluminava o corredor.
Quando a sacerdotisa abriu a porta, uma parte de Jordan se questionou se tinha voltado no tempo, o loft estava exatamente igual. Outra parte dele simplesmente revirou-se em desprezo ao notar que o guardinha de estimação de Kira era um policial civil que estava com o diadema nas mãos, o observando como se aquilo fosse divino. Ou pelo menos era o que a linguagem corporal dele deixava escapar, já que só tinha a visão das costas dele.
— Ronan, — Kira chamou. — esse é um... amigo, ele mandou o diadema.
Quando a cabeça de cabelos pretos virou-se e Jordan pode finalmente dar um rosto ao ser irritante e tudo que conseguiu pensar foi o destino é ainda pior quando não se espera coisas boas, pois claro, Jordan já tinha visto o rosto bonito de Ronan.
Mais especificamente, Ronan o tinha visto por uma bala na cabeça do chefe corrupto dele quatorze meses antes.
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