Notas iniciais
Nesse capítulo, vemos os novos integrantes da história se unindo para um objetivo maior. MUITO maior.

Ok. Eu entendi. Você não aguenta mais isso. Ficar falando sobre o inicio de grandes batalhas e não terminar nenhuma delas deve ser pavoroso. Você fica com aquela agulha na mente, te machucando porque queria saber o que vai acontecer nos embates. Mas tudo bem, isso já terminou. Está na hora de você saber qual foi o resultado de tantas batalhas.

Falei daquele jeito só para você entender a magnitude da tensão que se passava por Riven. Todas aquelas batalhas estavam sendo travadas mais ou menos ao mesmo tempo. Se você pudesse voar e ter uma visão de toda a cidade, iria se assustar ao perceber a grande quantidade de explosões, coisas demolindo e raios de todas as cores sendo criadas e misturadas pelas ruas ou casas.

Para alguém que tem muita percepção mágica, aquele era um péssimo dia para se estar na Grande Capital. A quantidade de energia liberada ao ar estava tão absurda, que você não conseguiria distinguir quem é quem em uma luta, mesmo que você estivesse a apenas cinco metros de distância do combate em si. Mas provavelmente se você tivesse essa percepção, você não teria tempo para se preocupar com outras lutas, pois sua própria vida estaria correndo perigo.

As pessoas a seguir entenderam bem esse fato.

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Lila virou uma esquina e quase escorregou por tentar se esquivar da calçada esburacada. Ela se sentia totalmente perdida, mesmo tendo caminhado por aquela cidade quase todos os dias desde que entrou na Immortal Star. Hoje, parecia que alguém tinha virado a cidade de cabeça para baixo. E depois de encontrar um certo "ser", ela tinha certeza de que havia algo de errado naquele plano astral.

Suas roupas estavam com sangue espalhado aleatoriamente, mas ela não estava ferida. Aquelas manchas não tinham vindo de seu sangue. A lutadora tinha encontrado três pessoas suspeitas e, depois de as seguir, viram que elas ativaram uma estranha máquina que sugava energia mágica para fazer algo. Ao verem Lila, duas daquelas pessoas mostraram uma arma e a atacaram.

Essa batalha não demorou muito. Os dois homens não eram tão habilidosos e Lila conseguiu derrotá-los bem rapidamente. Mas a outra pessoa que não a atacou tinha terminado de fazer seja lá o que for naquela máquina. A pessoa se afastou da mesma, ignorando completamente os amigos recém derrotados, e então "aconteceu".

A máquina vibrou e soltou um verdadeiro show de luzes que iluminou todo o beco, deixando Lila quase cega. Houve uma grande emanação de energia mágica, o que fez a espadachim ficar totalmente alerta, pronta para se defender. Mas nada foi atirado em sua direção. Algo realmente disparou daquela máquina, mas foi para cima. Uma forma estranha que era uma mistura de esfera com retângulo subiu aos céus, brilhando nas cores laranja, vermelho e roxo. Quando chegou a uns cinco ou seis metros do chão, aquilo explodiu, liberando aquela energia condensada para todos os lugares.

Mas a cena a seguir foi a mais assustadora. O que tinha sido liberado da explosão era um tipo de líquido avermelhado. Ele foi espalhado pelos telhados das casas e estabelecimentos ao redor, mas assim que fez contato, o líquido se incendiou. O fogo mágico se espalhou em uma velocidade anormal, criando os primeiros gritos daquele dia.

Nervosa, Lila perguntou para a pessoa o que era aquilo. E a resposta da pessoa foi atacar a garota. Má decisão. Lila derrotou o atacante ainda mais facilmente que os outros dois. Depois, ela o jogou contra a parede, arrancou seu capuz e colocou sua espada na garganta dele.

— Agora você vai me dizer o que é essa máquina e o que você acabou de fazer com ela!

— Acha mesmo que eu vou te contar qualquer coisa? — disse a pessoa. Lila se assustou quando percebeu que não se passava de um garoto que provavelmente era mais novo do que ela. — Acha mesmo que eu vou trair meus camaradas?

— É, talvez você não vá traí-los. — disse a garota, forçando a espada na garganta do garoto. A lâmina já fazia um pequeno corte em sua pele e dois filetes de sangue começaram a cair para seu peito. — Mas também acho que você não vai voltar a vê-los.

— Tudo bem, tudo bem! — falou ele, com voz tremida e assustada. O garoto era realmente novo e nunca tinha feito um combate de verdade. Ele estava se segurando para não chorar. — Por favor, não me mate!

— Então comece a falar! — Lila estava feliz da vida que tinha conseguido parecer intimidadora. Geralmente ninguém levava ela a sério, e ela também não tinha costume de fazer as pessoas terem medo dela. — Quem são vocês e o por que fizeram isso?

— Somos do exército de Semangard! E-Eu sou novo na tropa! — respondia o garoto, gaguejando. Lila estreitou os olhos ao saber quem eram as pessoas que haviam acabado de atacá-la. — Eu não sei o que nosso Reino está querendo, eu juro! Só fomos mandados a ativar o N2 caso ouvíssemos os dez sinos!

— Espere! O que é esse N2? E o que você quis dizer com dez sinos?

— O N2 é essa máquina que você está vendo ali. — disse ele, apontando para a máquina que tinha feito toda aquela iluminação antes de incendiar alguns telhados por aquela área. Agora que Lila estava mais próxima, ela conseguia enxergar um símbolo pintado na máquina, que se parecia com uma chama, com um "N2" no meio. — Eu não sabia o que ela fazia até vê-la agora, eu juro! E os sinos eram o sinal para agirmos. Era uma sequência de dez badaladas, duas por vez a cada três segundos. — dessa vez, ele não conseguiu aguentar e duas lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. — É tudo o que eu sei! Por favor, não me mate! Não me mate!!

Lila forçou o braço e atingiu o pescoço do soldado novato com o cabo da espada, em um ponto crucial. O choque direto fez com que o garoto desmaiasse e fosse ao chão, imóvel. Depois, Lila puxou a grande capa que cobria o corpo do soldado e viu que por baixo, ele estava usando uma armadura leve com o brasão inconfundível de Semangard. Ou seja, a história dele poderia ser verdade.

O que fazia tudo ser uma tremenda loucura. Lila sabia que havia batalhas sendo travadas na fronteira sul e que Semangard estava séria no fato de querer comprar briga com Riven. Mas isso era um absurdo! Eles já estavam dentro da Capital! E o que eram essas explosões?

A garota ouviu várias explosões e a quantidade de gritos triplicou de uma hora para outra. Ela olhou para trás e viu muitas pessoas passarem correndo desesperadas pelas ruas. Ela saiu do beco e deu uma olhada. As ruas estavam um caos. Claro, ela estava razoavelmente perto do Coliseu, onde sempre tinha muita gente, mas elas nunca tentavam passar por cima umas das outras, se empurrando e puxando. Mas o que atraiu os olhos da lutadora foram o fogo selvagem que se espalhava aleatoriamente e rapidamente por muitas construções e uma quantidade significativa de monstros que corriam ou voavam por aquela área. Monstros! Da onde eles tinham saído?

Agora voltamos ao início do nosso conto, onde Lila quase escorregou em um dos buracos feitos por algum tipo de explosivo na calçada. Ela não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que tinha que relatar para a Guilda e ver o que o pessoal iria fazer. Foi quando ela viu, ao longe, uma criatura que excedia o limite do ridículo.

Jarhan teve que se esquivar novamente de uma investida destruidora do gigante. O punho imenso bateu com força em cima de uma casa larga e a deixou em pedaços. O som reverberou e quebrou muitos vidros de janelas ao redor do impacto. Ser atingido por um ataque daqueles não era uma opção.

Se fosse só o gigante, até que dava para dar conta. Mas Jarhan tinha que se preocupar com outros monstros que cercavam aquela área e atacavam tudo que se mexia. Ou seja, isso incluía ele mesmo. No exato momento, Jarhan lutava contra dois Escamosos do Pântano que investiam contra ele com suas lanças curtas, mas não menos perigosas. Para dar um resumo rápido do que eram essas criaturas, pense em goblins, mas um pouquinho mais altos, completamente cheios de escamas esverdeadas, cheiravam muito mal, tinham uma cabeça com focinho pontudo e olhos pequenos, barbatanas no topo da cabeça e dentes super afiados que eram venenosos. E como os goblins, vestiam pedaços rasgados de roupas muito velhas, as vezes com partes quebradas de armaduras que eles roubam dos humanos.

Jarhan movimentou sua afiada foice e cortou um desses Escamosos no peito. Foi o primeiro golpe em cheio que ele tinha acertado, mas infelizmente, o resultado não tinha sido promissor. A pele desses monstros era naturalmente rígida, e precisaria de muita força para conseguir danificar esse monstro fisicamente. O outro Escamoso atacou Jarhan pelo lado, e por muito pouco o necromante não é empalado. Ele pulou para trás, se esquivando da investida. O outro monstro recém ferido também já estava de pé, e salivava de raiva. E o gigante já estava se mexendo de novo. Ter que dividir a atenção em três focos diferentes em um combate não era muito bom para a sua vida.

O gigante desceu seu grandioso pé na direção de Jarhan. Como ele estava perto dos monstros, até eles viraram alvos. O necromante se virou e correu para sair da área de impacto da pisada cósmica. Ele se jogou por detrás de um muro baixo, de uma casa que estava no caminho. A pisada causou ainda mais destruição. Aquele gigante precisava ser detido de alguma forma antes que destruísse todo aquele quarteirão.

Jarhan se levantou e levou um susto. Um dos Escamosos tinha dado um pulo e ficado em cima do pequeno muro, dando um grito que não dava para saber se era de raiva ou comemoração. Ele girou a lança e a desceu em um golpe de ponta rápido. O membro da Immortal Star se esquivou para o lado, mas ainda foi atingido no braço. Mesmo com o sangue lavando seu braço, Jarhan empunhou a foice e atingiu o monstro no peito, fazendo-o cair do muro. A dor que veio depois, por ter forçado o braço, foi angustiante.

O necromante pulou o muro e voltou a correr. Ele sabia que permanecer por ali seria suicídio. Ele precisava recuar e usar uma estratégia melhor. Ou tentar derrubar aquela coisa imensa de uma só vez, o que seria um desafio e tanto. O problema era que em sua frente vinha outro desafio: um Guerreiro Chacal. Jarhan imediatamente fez cálculos imprecisos em sua mente. Esse monstro humanoide tinha um corpo musculoso, totalmente negro e brilhante, não usava camisa, um tipo de tanga marrom com cinto dourado, cabeça de chacal com acessórios dourados — sim, algumas pessoas diziam que a visão mais assustadora nesses monstros era ver os dois brincos dourados nas orelhas, a corrente longa dourada com pérolas no pescoço e até os anéis em três dedos em cada mão, fazendo esse monstro ser mais estiloso e rico do que muitas pessoas —, e por último, mas não menos importante, duas espadas em forma de lua crescente nas mãos. A pergunta que Jarhan se fez era: o que um monstro Classe S estava fazendo ali? E a outra foi: O que era aquele colar estranho que estava no pescoço dele?

O Guerreiro Chacal atacou Jarhan com violência. O necromante colocou sua foice na frente para defender o golpe de espada vindo de cima e logo sentiu a tremenda força física que aquele monstro possuía. Agora que eles estavam cara a cara com seu atacante, Jarhan também percebeu que a íris dos olhos do Chacal havia simplesmente desaparecido. Os olhos da criatura era só um branco infinito.

O Chacal forçou os braços e jogou o humano para trás, que quase caiu por desequilíbrio. O próximo avanço do monstro foi incrível. Ele balançou a espada esquerda, fazendo Jarhan se focar nela, mas o ataque de verdade veio da direita. Por ter caído na finta, Jarhan recebeu mais um corte na altura do estômago. Ele conhecia o monstro por comentários de seus colegas, mas nunca tinha enfrentado um pessoalmente. Ele não sabia que esses monstros tinham uma grande habilidade manual e eram inteligentes.

O problema iria se agravar. Jarhan ouviu alguma coisa se aproximar dele vindo por trás. Ele deu uma rápida espiada para saber o que era, e não gostou quando viu aquele Escamoso que o atacou no muro correndo em sua direção novamente. Ele ainda não sabia se o gigante ainda o perseguiria, porque daí sim seria o cúmulo do azar.

O Chacal voltou a atacar e Jarhan decidiu dar um grande salto para o lado, em vez de tentar se defender novamente. Mas o Chacal não deixou ele em paz. O monstro avançou nele com ferocidade, atacando duas vezes seguidas. Jarhan defendeu um dos golpes, mas o outro lhe cortou levemente a perna esquerda. Não podendo dar mais espaço para o monstro, Jarhan atacou com um movimento aberto, horizontal. O Chacal defendeu o golpe e não sofreu nenhum recuo. Movimentou a espada da direita e tentou acertar a cabeça do necromante, que rapidamente se abaixou e se esquivou.

E agora o problema estava completo. O Escamoso tinha conseguido chegar perto o suficiente para atacar. Ele esperou até o último golpe do Chacal e depois deu um salto para cima do homem acuado. Só que nem só de azar era o dia de Jarhan.

— ESPADA ELEMENTAL, FOGO!

O Escamoso não completou o pulo. Assim que fez o salto, alguém apareceu pelo seu lado empunhando uma cimitarra fina, que entrou em combustão e acertou a lateral do corpo do monstro. O corte penetrou na grossa armadura de escamas dele, fazendo a criatura gritar ao cair no chão. O cheiro que já era ruim, ficou quase insuportável.

— Jarhan, você está bem? — gritou Lila, girando sua espada duas vezes na mão.

— Lila! — falou Jarhan, sem tirar os olhos do Chacal, que já parecia pronto para uma nova investida. — Você me tirou de uma situação complicada!

Lila entendeu que o colega de guilda não falava só daqueles dois monstros, mas sim, sobre o gigante. Ela também tinha ficado amedrontada com a visão daquela coisa enorme, e antes mesmo de poder agir, ela viu, ao longe, Jarhan correndo e decidiu se unir a ele. Por sorte, ela tinha chegado em uma hora perfeita.

O Chacal não estava muito afim de esperar os dois membros da Immortal Star se atualizarem com os atuais acontecimentos. Ele voltou a atacar Jarhan, que teve que se defender de mais três investidas. Uma delas foi um golpe vindo de duas direções diferentes, o que feriu mais uma vez o corpo do necromante. Jarhan estava ficando cansado e já estava na hora de parar de receber danos. Agora que ele poderia se focar em um só oponente, ele poderia lutar com tudo.

— NÉVOA DO HORROR!

Depois de liberar sua aura, Jarhan apontou a mão direita para o monstro, fazendo sua palma ficar tão enegrecida quanto a cor da pele do Chacal. Um segundo depois, uma fumaça branca começou a ser liberada de sua mão, envolvendo uma pequena área onde os dois estavam. A névoa mágica logo tampou a visão um do outro.

O Chacal começou a ficar realmente incomodado. Ele começou a ouvir vozes. Centenas delas. Vinham por todos os lados. De cima, de baixo. Mas não havia ninguém. E as vozes hora eram bem baixas, hora eram altas, como gritos. O monstro começou a dar ataques para o nada, tentando dissipar aquela névoa e as vozes. Por ter uma audição aguçada, os gritos estavam fazendo ele perder a sanidade. Ele aumentou o número de ataques, ficando desesperado. E esse foi o momento certo para atacar.

— CORTE DO CEIFADOR!

Jarhan mandou energia para a lâmina da foice que vibrou fracamente e se iluminou. Depois, vindo por trás, ele aplicou um corte com potência, horizontalmente. O Chacal estava ocupado demais sendo afetado pela magia ilusória para perceber o ataque nas suas costas. O corte pegou em cheio, retirando uma grande camada de carne do monstro, que urrou pela primeira vez naquela batalha. O que foi bem estranho, já que foi algo como ganido misturado com um uivo.

O Chacal caiu no chão, mas imediatamente depois rolou duas vezes e se levantou. A névoa estava sumindo e ele estava recobrando a consciência. Parecia que a dor do último golpe fez ele voltar a realidade. Ele bufou e apertou o cabo das duas espadas, com raiva. Aquele humano iria pagar.

— CAVEIRA DAS CHAMAS MORTAIS!

Só que "aquele humano" já estava pronto para retribuir todos os danos que ele sofreu desde o começo daquela luta. Logo após acertar o monstro em cheio, Jarhan voltou a concentrar energia nas mãos. Ele sabia que contra um monstro daquele nível, não podia pegar leve e deixá-lo contra-atacar. Jarhan apontou uma mão para a outra em frente ao peito, criando uma esfera de energia concentrada entre elas. Logo a esfera ganhou uma forma esbranquiçada, que era muito fácil de se identificar. No segundo seguinte, ele atirou a caveira humana que ficou rodeada de um fogo azul intenso. Como eles estavam muito perto um do outro, o Chacal não teve tempo nem para ver o que lhe atingiu.

O choque causou uma pequena explosão que jogou o monstro mais alguns passos para trás. Mas a intenção da magia não era causar um dano por impacto. Depois da explosão, todo o corpo do Chacal foi tomado pelas chamas azuis do submundo, e o monstro começou a dar outro berro estranho. Ele cambaleava de um lado para o outro. Soltou as duas espadas e começou a bater com as mãos no corpo, tentando apagar as chamas. O problema era que elas não eram chamas reais.

Não importava. Jarhan precisava agir rápido antes que o próprio monstro descubra que as chamas eram só um tipo de ilusão que era ativada pela liberação de aura do próprio ser atingido. O necromante deu mais alguns passos, concentrando mais energia na lâmina de sua foice. Ele iria aplicar um golpe extremamente difícil de se acertar, mas que era extremamente efetivo. Mortalmente falando.

— DECAPITAÇÃO EXTREMA!

Jarhan colocou a foice lentamente no pescoço do monstro, que sentiu o toque e olhou na direção do humano que o enfrentava. A visão deles cruzaram. Morte dava para ser sentida no olhar dos dois. Raiva, vingança. Uma mistura de sentimentos que só intensificava mais as chamas azuis e a energia que era liberada pela lâmina da foice. Jarhan apertou o cabo com todas as forças e puxou sua arma, trazendo não só uma densa quantidade de sangue negro, como a cabeça da criatura.

Ao mesmo tempo em que essa luta acontecia, Lila enfrentava o Escamoso que tinha seguido Jarhan até ali. Bom, primeiro era bom lembrar que ele tinha recebido um "corte de fogo" no corpo e ainda rolava no chão, com dor. Mas logo em seguida, ele se levantou e marcou um novo alvo.

O monstro atacou Lila com um golpe de ponta, e esse já foi o primeiro erro que ele poderia ter cometido. A garota ainda estava com sua magia ativa, ou seja, sua espada ainda estava pegando fogo. E como a lança do Escamoso era pequena, ele quase queimou a mão quando ela defletiu a primeira investida.

Lila que atacou em seguida. Aplicou três cortes rápidos, mirados na cabeça e na região do ombro. O movimento e fluidez da espada dela era algo impressionante. Alguns até consideravam que ela dançava enquanto aplicava os golpes. Dois dos golpes foram acertados, mas foi nesse momento que a garota descobriu que a pele escamosa da criatura era incrivelmente dura. Mesmo com o fogo na espada, a criatura quase não sofreu danos.

O Escamoso atacou com rápidos golpes de ponta, tentando ficar o mais longe do fogo da espada possível. O monstro não era incrivelmente rápido, mas não era por isso que Lila poderia relaxar. Ela defendeu e se esquivou de todos os golpes com maestria, sempre procurando uma abertura para atacar. Agora ela sabia que precisaria acertar um corte com mais força do que velocidade se quisesse ferir a criatura.

Mas quem aproveitou a primeira brecha foi o monstro. Vendo que o fogo não iria ajudar muito, Lila desativou a magia para conservar energia mágica, e quase no mesmo instante, o monstro pulou para cima dela, a derrubando. Foi algo tão espontâneo que Lila ficou sem reação imediata. No chão, ela aplicou uma joelhada no estômago do Escamoso, mas isso pareceu só irritá-lo ainda mais. Ele girou a lança e tentou perfurar a cabeça da garota. Isso não aconteceu, já que ela jogou a cabeça para o lado.

Só que essa foi uma tática até um tanto inteligente da criatura. O Escamoso enterrou a lança no chão com o ataque, mas não a puxou de volta imediatamente. Ele abriu a boca e como uma fera faminta, avançou para o pescoço desprotegido dela. Como a lança ainda estava lá, ela não poderia jogar a cabeça para o outro lado. E como não tinha espaço, Lila fez a única coisa que poderia fazer: colocou a espada na frente do rosto, fazendo a criatura morder a lâmina com ferocidade. O próximo acontecimento foi óbvio.

— ESPADA ELEMENTAL, GELO!

Lila mandou mais energia para a lâmina de sua arma e, logo depois dela brilhar em um azul celeste, toda a arma congelou instantaneamente. Como o Escamoso ainda mordia a lâmina e fazia força para arrancar a arma da mão da garota, ele também sofreu o efeito. Ou seja, teve o rosto completamente congelado.

Sem poder respirar e agoniado, ele levou as mãos no rosto tentando quebrar aquele gelo. Lila aproveitou a deixa e deu um potente chute do peito da criatura, fazendo ele cair para trás. De costas no chão, o Escamoso ainda continuou se debatendo e raspando as unhas das mãos no rosto. Lila se levantou imediatamente e se preparou para mais um golpe. Agora que o monstro estava ocupado demais no chão, ela poderia atacar com tudo que tinha e finalizá-lo de uma só vez. Ela concentrou energia por todo o corpo, inclusive na espada, e deu um pequeno salto para trás, ganhando distância. Apertou o cabo da espada, mirou bem, calculou a distância e foi.

— ESTILO HYUN-SUNG, CORTE ESPIRAL!

Se os golpes de espada de Lila poderiam ser considerados como "dança", então esse golpe pode ser considerado como "ginástica". Primeiramente, ela pegava impulso. Dava dois passos para frente. Dava uma cambalhota inversa para frente. E depois uma reta também para frente, mas pegando velocidade e indo mais alto. E com essa velocidade e peso somados, ela descia com um golpe vertical único e poderoso. Por mais que ela tenha colocado o nome do Templo de Artes Marciais do pai no golpe, era bom lembrar que Lila criou essa magia do zero.

O golpe acertou o Escamoso em cheio, já que ele ainda não tinha conseguido se livrar de todo o gelo. A espada de Lila entrou no meio do peito do monstro, ultrapassando sua armadura de escamas e afundando em sua carne. Além do dano propriamente dito, o gelo que continuava na espada da garota congelou o monstro por dentro, o que não deve ser uma sensação lá muito reconfortante.

Lila puxou sua espada de volta, vendo que a criatura tinha parado de espernear. O Escamoso não se mexia mais e não respirou mais. A garota respirou fundo e olhou para trás. Foi bem nesse momento que ela viu Jarhan aplicar seu golpe final, arrancando a cabeça do Chacal em um golpe só. A garota riu por alívio. O necromante tinha alguns cortes pelo corpo, mas parecia bem. Lila começou a dar passos em sua direção, mas algo ficou no seu caminho. Algo grande demais.

O gigante desceu sua mão naquela direção, mirando tudo que havia entre Jarhan e Lila. Claro, ele não tinha parado de causar destruição só porque Jarhan tinha desaparecido de sua visão. Ele chutou mais prédios e derrubou mais casas em busca de seu alvo. Ele parecia até estar sendo "controlado" para seguir o necromante. E quando finalmente o viu, não pensou duas vezes para aplicar um novo golpe devastador.

Os dois membros da Immortal Star não foram esmagados, mas estavam próximos demais da área de impacto para saírem ilesos. Jarhan foi jogado para frente, caindo no chão arrastando e quase perdendo a foice no processo. Ele ralou o rosto, os braços e as pernas. Já Lila foi jogada para trás, batendo com as costas em um dos postes de iluminação mágica, o quebrando no processo. O impacto a fez ficar sem ar por um momento.

Temendo virar geleia, os dois se forçaram a ficar em pé novamente. Eles se olharam e em seguida correram para o mesmo lado. Assim que se aproximaram, começaram a conversar sem parar de correr.

— Temos que destruir esse Colosso! — disse Jarhan, olhando para trás rapidamente para ver o quão longe estava do grande monstro.

— Destruir? — perguntou Lila, quase mordendo a língua. — Como se destrói uma coisa dessa?

— Precisamos atingir a cabeça. De preferência os dois olhos. Ou fazer ele cair de algum jeito.

— Cair! Jarhan, você já viu o tamanho desse ser destruidor de lares? — Lila falou, olhando para trás também. O Colosso parecia estar seguindo eles, mesmo que muito lentamente. — Que magia pode ser poderosa o suficiente para sequer empurrar ele?

Não foi uma resposta imediata. E nem com algum sentido. Mas alguém passou correndo pelos dois, indo na direção contrária. Ou seja, na direção do Colosso. Lila e Jarhan pararam de correr quase que imediatamente e quase tropeçando. A pessoa continuou correndo rapidamente, com vontade. A situação era tão estranha que os dois não conseguiram identificar a pessoa, mesmo a conhecendo.

— SANGUE DO GOLEM DE PEDRA, ROLO ROCHOSO!

Egan deixou sua energia fluir como uma explosão. Para o que ele queria, era necessária muita energia mágica. Egan sabia dos perigos de usar muita energia de uma só vez, pois suas magias poderiam afetar diretamente seu estado mental. Mas acha mesmo que ele pensou nisso enquanto corria contra o gigante? Acha mesmo que ele calculou o perigo de ser esmagado? De ser pisoteado? Não havia nada além de "preciso ajudar meus companheiros" em sua mente. Foi assim que ele decidiu viver quando entrou na Guilda e fez o juramento.

Egan saltou no telhado de uma casa mais baixa, depois saltou de novo indo para uma mais alta. Concentrou energia nas pernas e deu um super salto na direção do monstro. Assim que estava no meio do caminho, ainda no ar, ele usou sua magia. Seu corpo ficou com uma aura cinza que foi passando essa coloração para seu corpo. Depois ele ficou em posição fetal e um tipo de crosta rochosa o envolveu. Em menos de dois segundos, havia uma rocha consideravelmente grande indo na direção do Colosso.

Que o acertou em cheio no peito, para via de dúvidas. O impacto foi grandioso, assim como o tamanho da criatura. O barulho foi tão alto que até mesmo Jarhan e Lila, que estavam a muitos metros de distância, conseguiram ouvir. Sem exibir nenhuma expressão de dor ou som, o Colosso cambaleou para trás com dois passos e caiu sentado, destruindo mais uma fileira de edifícios e casas.

— Não temam, meus camaradas! — gritou uma voz masculina vinda do alto, perto de Jarhan e Lila. Os dois olharam para cima e viram a figura triunfante de Aristarkh e sua capa vermelha esvoaçante. — Nenhum monstro consegue ser maior do que a grandeza de nossa coragem!

— Ark! — gritou Lila, ainda chocada com a visão que tinha acabado de ter. — Então aquele era mesmo o Egan?

— Ark, precisamos impedir esse Colosso! — falou Jarhan, também em um tom alto. ele também tentava engolir o fato de que Egan conseguiu derrubar o monstro, mas preferiu manter o foco. — Não podemos deixar Egan sozinho contra ele!

— Mas é claro, meu caro amigo! É para isso que estamos aqui, afinal! Vamos!

Os três começaram a correr em direção ao gigante caído. Aristarkh ia por cima, pulando pesadamente de casa em casa enquanto Jarhan e Lila seguiam por baixo, mantendo o ritmo do Mago Vermelho. Eles conseguiram ver Egan saindo de um beco, tonto. Antes que ele pudesse cair no chão, Jarhan o segurou e o sentou.

— Egan, você está bem?

— Sim... Eu acho. — disse Egan, com uma mão na cabeça. Ele se sentia enjoado e dolorido. O impacto teve tanto efeito nele quanto no Colosso. — Preciso levantar e continuar lutando.

— Mas como vamos derrotar essa coisa? — perguntou Lila, mordendo o lábio inferior quando percebeu que o gigante já estava se levantando novamente. — Não podemos deixar você se jogando contra ele o tempo todo!

— Tem um jeito. — disse Aristarkh, descendo de uma casa e se aproximando do trio. — Uma vez eu ouvi uma história de uma certa pessoa sobre como ela e o seu grupo derrotaram um Colosso desse. — por mais que o Mago Vermelho parecesse sério e decidido, Lila se preocupou com o fato de QUEM tinha contado tal história. — Só precisamos adaptar a estratégia deles com nossas magias!

Os quatro integrantes da Immortal Star trocaram algumas palavras, mas foram interrompidos pelo gigante que desceu sua grande mão em forma de soco na direção dos quatro. Eles pularam, cada um para um lado diferente, saindo da área de impacto do golpe. A estratégia que Aristarkh queria passar não era muito complicada, mas cada membro deveria adaptar sua parte de uma forma específica.

O próprio Aristarkh começou. A primeira parte do plano era impedir o avanço do Colosso. Só no andar, ele conseguia criar um grande caminho de destruição. Então era necessário impedir a movimentação da criatura. Aristarkh rolou pelo chão e logo que voltou a ficar de pé, correu novamente na direção do pé do Colosso. Ele juntou uma boa quantidade de energia mágica e disparou de uma só vez.

— MÍSSIL DE GELO!

Normalmente, essa magia não custava uma grande quantidade de energia mágica. Mas se o Mago quisesse mesmo congelar o pé do gigante, que era o alvo, de uma só vez, ele precisaria abusar e forçar. Aristarkh levantou a mão direita, liberando um frio ar que ia para cima, se concentrando acima de sua palma. Aquele frio foi se engrossando com energia mágica e formando algo retangular comprido e grosso. Ficou com uma ponta de um lado, que estava apontado para o alvo. Aquilo cresceu exponencialmente, e se não fosse o fato de ser algo "mágico" e ficar voando acima de sua mão, Aristarkh não iria aguentar seu peso.

Assim que o Mago Vermelho atirou o míssil, houve um barulho estranho. Algo como uma pedra passando pelo lado de seu ouvido, mas em uma velocidade anormal. Aquilo voou rapidamente e se chocou com vontade no meio do pé do Colosso. Ao bater, o míssil se quebrou em dez mil fragmentos, que imediatamente começaram a congelar toda a área de impacto. Mesmo tendo liberado muita energia naquela magia, os fragmentos conseguiram congelar noventa por cento do pé do Colosso, o grudando contra o chão. O que já era o suficiente.

Ao mesmo tempo em que o mago agia, Egan também fazia sua parte. A primeira coisa que fez ao se esquivar da palma do gigante, foi correr para a direção de Jarhan. O necromante já estava preparado e também correu na direção do amigo. Egan parou, firmou as pernas e colocou as duas mãos para frente, juntas viradas com a palma para cima, na altura na cintura. Jarhan correu e colocou o pé direito em cima das duas mãos de Egan, que mandou energia para os braços e jogou o necromante o mais alto que podia.

Sem ter tempo para ver onde o colega iria cair, ele se virou novamente e correu para o pé esquerdo do Colosso, já concentrando energia mágica. Assim como Aristarkh, ele concentrou muita energia de uma só vez, pois era necessário se quisesse afetar algo do tamanho daquele monstro. Ele contraiu os lábios, encheu as bochechas de ar, mandando toda a energia concentrada para lá e depois "atirou".

— SANGUE DO YETI, SOPRO DO INVERNO!

Egan assoprou com toda força que tinha. Assim como o bafo gelado de um Dragão de Gelo, uma densa rajada de ar congelante foi disparada na direção do pé enorme da criatura, que começou a se solidificar imediatamente. Uma fina, porém poderosa camada de gelo foi envolvendo todo o pé esquerdo do Colosso, deixado-o preso ao chão, assim como a magia de Aristarkh tinha feito. Egan caiu de joelhos, completamente sem ar. Seu corpo todo estava tremendo e o efeito desvantajoso de usar suas magias estava acontecendo: seu corpo estava criando uma pelagem branca e seus dentes estavam afiando. Egan fechou os olhos e tentou se concentrar para reganhar o fôlego e não perder o controle e se transformar em uma fera.

Você pode estar pensando: como congelar os pés de um gigante iria ajudar? Em primeiro lugar, não era possível que o gigante tivesse força o suficiente para destruir o gelo simplesmente movendo a perna? Bom, a resposta pode ser sim ou não. Se fosse um gelo qualquer, o Colosso destruiria em dez milhões de pedacinhos, sem nem precisar forçar. Mas estamos falando de magia. As regras e leis lógicas não se aplicam aqui. O Colosso é uma criatura mágica, então ele reage diferentemente à magias de qualquer tipo. Então quando as duas magias de gelo terminaram de serem atiradas, o Colosso estava temporariamente preso ao chão.

Essa era só a primeira parte do plano. Com o gelo, a atenção do gigante seria atraída para os pés e ele com certeza tentaria quebrar usando as mãos. Ou seja, teria que se abaixar. Mas antes que isso tivesse acontecido, Lila já estava agindo.

— ESPADA ELEMENTAL, VENTO!

Lila passou energia mágica para sua espada, que criou um redemoinho de vento ao redor da lâmina. O redemoinho ficou ainda mais intenso, e então a garota apontou a espada para baixo, liberando um turbilhão de vento contra o chão e a fazendo voar como se tivesse o mesmo peso de um pedaço de papel. Com essa magia Lila não poderia voar livremente como quisesse, mas conseguia dar saltos absurdos e até planar no ar por determinado tempo.

A garota ativa voou mais alto que o Colosso, passando pelo seu rosto como se fosse uma mosca. Ela deu uma pirueta no ar e caiu exatamente no meio da cabeça da grande criatura. Ela também teria que agir rápido, já que seria um desafio e tanto se manter em pé lá em cima, com tanto balanço. Lila levantou a espada e concentrou energia na lâmina novamente, desfazendo o redemoinho de vento.

— ESPADA ELEMENTAL, ÁGUA!

O grito de Lila mandou mais energia para a lâmina. Uma aura azulada preencheu a arma, liberando algumas gotas que caiam aleatoriamente no pé da garota. No segundo seguinte, toda a arma estava envolvida em uma torrente de água condensada. Mas esse era só o começo. Lila segurou o meio da lâmina com a mão esquerda, a encharcando, e a levantou até acima da cabeça. E daí concentrou muito mais energia mágica do que antes. Uma bolha de energia foi se formando em volta de sua mão esquerda, preenchendo toda a espada. Lila olhou para baixo, mirando. Depois desceu a arma em um golpe de ponta, utilizando mais uma magia.

— ESPADA DE ÁGUA, CACHOEIRA!

Com uma explosão de energia, Lila enterrou a espada mágica no centro da cabeça do Colosso, que pareceu nem sentir a picada. A ideia não era danificá-lo, claro. No segundo seguinte, uma infinidade de água começou a escorrer da lâmina da espada de Lila, que se espalhou por todos os lados do gigante. Foi realmente como se o Colosso tivesse ficado embaixo de uma cachoeira. Agora ele era um Colosso de Metal totalmente molhado.

A ideia também não era enferrujar o gigante. Com toda aquela água descendo de sua cabeça, o Colosso levantou as duas mãos, tentando alcançar seja lá o que estava em sua cabeça e, se possível, esmagar. Assim que viu as grandiosas mãos vindo em sua direção, Lila saltou. Ela estava cansada pela utilização de duas magias imediatas, mas era melhor tentar se arriscar na queda do que ser pega por aquele monstro.

Ao mesmo tempo que a garota fazia suas acrobacias aéreas, Jarhan também corria para fazer sua parte. Depois de conseguir dar um grande salto com a ajuda de Egan, o necromante pousou em cima do telhado de uma famosa loja de souvenires de Riven. Ele precisava ficar ainda mais alto e mais perto. Olhou para os lados e encontrou um outro estabelecimento que tinha um andar a mais do que onde estava atualmente. Correu para lá e usou uma escada que tinha aos fundos. Jarhan não tinha tempo para se perguntar qual era o sentido de ter uma escada atrás que levava até uma laje cheia de varais e roupas penduradas.

Assim como seus amigos, ele também concentrou muita energia de uma só vez. Nenhuma magia normal afetaria uma criatura tão monstruosamente grande, então nenhum deles teria escolha. Jarhan fechou o punho na frente do peito e passou energia mágica para sua mão. O membro brilhou com uma luz arroxeada misturada com preto, até virar uma chama completamente escurecida. Bem na hora que o gigante decidiu procurar por algo em sua cabeça, Jarhan pegou impulso e deu o maior salto que podia na direção do Colosso.

— MALDIÇÃO DA MENTE FRACA!

Jarhan bateu com a palma de sua mão esquerda um pouco abaixo de onde ficaria o umbigo caso fosse um humano. No local do toque, um desenho de uma pequena caveira apareceu, e dela, inúmeras raízes negras começaram a correr para todos os lugares, como se fosse uma infecção maldita. Iria demorar, mas as raízes iriam rodear quase todo o corpo do Colosso logo, logo. Ah, e sobre a queda livre de Jarhan? Bom, assim que encostou a mão no gigante e liberou sua magia, ele chutou o Colosso no intuito de pegar mais impulso. Em vez de cair reto para baixo, ele caiu em diagonal. Mas sua queda não foi bonita: ele entrou em uma estalagem pela janela e caiu sem jeito, cortado pelos fragmentos de vidro. Pelo menos ele estava vivo.

E agora vinha a parte final do grande plano. A finalização seria uma magia dupla de Aristarkh e Egan. Foi por isso que depois de usarem suas magias de gelo, eles permaneceram por perto, concentrando ainda mais energia mágica. Egan estava ligeiramente atrasado em comparação ao seu parceiro e fiel amigo. Ele já tinha utilizado muitas magias com uma grande quantidade de energia, e além de ficar quase esgotado, sua mente estava prestes a fraquejar. Mas ele não podia parar. Não iria. Agora não era só uma questão de salvar os cidadãos da cidade. Agora seus amigos de guilda estavam ali lutando e precisavam dele. Egan descobriu a pouco tempo atrás como era a sensação de ser "necessário por companhia", em vez de ser "necessário por avanço nos projetos de uma Academia".

Os dois concentraram mais uma grande quantidade de energia mágica. Egan estaria usando praticamente toda sua energia mágica de uma só vez, enquanto Aristarkh também ficaria no vermelho. Como já dito, o Mago Vermelho agiu primeiro por uma fração de dois segundos. Ele apontou sua espada para cima, passando toda aquela densa quantidade de energia mágica para a lâmina. Uma ventania começou a rodeá-lo, efeito de sua grande concentração. Logo em seguida, pequenas fagulhas elétricas começaram a estourar ao seu redor, enquanto a lâmina de sua espada foi ficando amarela. Aristarkh puxou sua espada para trás e depois fez um movimento vertical para frente, invocando sua magia.

— GRANDE TROVÃO DE JÚPITER!

Sua espada criou um raio amarelo que cresceu e disparou na direção da perna direita do Colosso. A moral aqui foi a intensidade da magia. O raio elétrico chegou a ficar quase branco de tanta energia concentrada. Assim que atingiu o Colosso, ele se espalhou imediatamente por todo o seu imenso corpo por causa da água previamente jogada nele. Com os pés congelados e completamente molhado, a magia elétrica fez algo que poderia servir de exemplo para a futura geração de Magos.

E quase ao mesmo tempo, Egan também lançava sua magia. Ele forçou seu corpo ficar de pé, ignorando a quantidade absurda de pelos brancos que haviam nascido aleatoriamente por seu corpo, que estavam causando uma coceira irritante. Tomou fôlego e começou a concentrar uma grande quantidade de energia mágica novamente. Ele sabia que ficaria esgotado, e isso era perigoso não só para ele, quanto para seus aliados também. Quanto mais fraco ele ficava, mais difícil era de controlar os instintos ferais que corroíam sua mente. Egan levantou o dedo indicador, fazendo mais partículas mágicas explodirem ao seu redor. Ele não precisou mirar muito, pois seu alvo era um tanto grande demais.

— SANGUE DO THUNDERBIRD, PENA TROVÃO!

Já era a segunda vez naquele dia que ele tinha utilizado aquela magia, então seu medo de ser tomado por uma vontade agonizante de bater asas e voar em direção as nuvens carregadas era plausível. Egan baixou a mão, fazendo uma pena amarela e laranjada cair no topo da cabeça do Colosso, bem onde Lila estava há alguns segundos atrás. Assim que tocou no monstro, um trovão gigantesco caiu do céu e eletrificou toda sua cabeça, descendo para o corpo.

Agora uma coisa realmente "mágica" acontecia. As duas magias se uniram exatamente no meio do peito do Colosso de Metal, aumentando a intensidade e o poder. Raios voaram em todas as direções, causando pequenas explosões de energia em volta do corpo do monstro. Não houve nenhum tipo de grito. Aquela criatura não tinha coisas como cordas vocais. Nem expressão nenhuma era vista. Era como um boneco. Um bem grande e destrutivo.

Imediatamente depois da magia terminar seu efeito, o braço direito do Colosso se desmontou de seu corpo e caiu pesadamente no chão. Em seguida, foi sua mão esquerda. E depois pedaços de suas costas e peito. O monstro foi se despedaçando e fazendo um verdadeiro entulho gigantesco sob seu pé. Todas as construções ao redor cederam ao receber um pedaço de seu corpo, e os quatro integrantes da Immortal Star rezavam para que não houvesse nenhum residente dentro de nenhuma casa naquele momento. A única coisa que sobrou foram os dois pés do Colosso, congelados e pregados ao chão pelas magias atiradas anteriormente.

Com o Colosso derrotado, Lila conseguiu soltar a respiração e a tensão acumulada. Ela desceu do prédio em que estava, caindo graciosamente no chão. Correu para onde estavam seus outros dois companheiros, perto dos pés congelados do monstro. Ela teve que se esquivar de algumas partes do Colosso e pular por cima de outras, mas não demorou muito para chegar até onde Aristarkh estava.

— Ark, como você está? — perguntou ela, ao ver que o Mago Vermelho ainda estava de joelhos e respirava profundamente.

— Eu estou bem. Obrigado pela preocupação. — respondeu ele, limpando um pouco de suor da testa e se levantando. — Usar muita energia mágica em pouco tempo pode afetar mesmo nossa constituição física e mental.

— Vocês estão bem? — gritou Jarhan, saindo de dentro de um estabelecimento parcialmente destruído, derrubando o que restava da porta de entrada. Ele começou a andar na direção dos companheiros, mas parou no meio do caminho e olhou para o lado. — O que há de errado com Egan?

Só depois da pergunta de Jarhan foi que Lila e Aristarkh se viraram e olharam na direção de Egan. E ele não parecia estar bem. Egan estava de joelhos no chão, com os braços envolta do corpo se abraçando. Com a cabeça abaixada, ele gritava com a boca fechada, salivando. Os pelos brancos começaram a aparecer mais visivelmente, e todo seu corpo estava eletrificado, como se tivesse tomado o mesmo dano do Colosso.

Todos os três colegas correram para acudir Egan, mas assim que esse percebeu a aproximação, levantou a cabeça e deu um rosnado como se fosse uma fera. Os três pararam, assustados. O único que tinha visto algo assim era Aristarkh.

— Isso não é bom! — disse o mago, preocupado. — Ele não está aguentando a sobrecarga das magias!

— Sobrecarga? — perguntou Jarhan, dando um passo para trás. Ele não sabia do que se tratava, mas sabia que precisava estar em uma distância segura. — O que está acontecendo?

— Você já deve ter percebido o quão destrutivas as magias dele são. — respondeu Ark, também dando um passo para trás, pois Egan tinha se levantado e agora olhava para os três, ainda salivando e grunhindo. — Ele usa o sangue dos monstros que derrotou para utilizar as magias, mas ele tem que maneirar e controlar o uso. Como as magias são poderosas, se ele abusar, o sangue consome o corpo dele e afeta diretamente seu estado mental!

Quase sem ter tempo de terminar a responder, Egan pulou para cima de Jarhan. Obviamente, o necromante não estava esperando o bote e acabou indo ao chão. A cena parecia de um tigre atacando um animal indefeso. Egan agarrou os ombros de Jarhan ainda no chão com uma força fora do comum, e se não fossem as ombreiras reforçadas do necromante, ele estaria gritando naquele momento.

Jarhan colocou o pé no peito do colega descontrolado e empurrou com força. Egan foi jogado não muito longe, caindo de costas no chão e já ficando em pé novamente. Aristarkh correu para ajudar Jarhan, mas Egan não decidiu esperar. Ele pulou novamente na direção dos dois, mas Lila o acertou no ar com um chute giratório. Egan foi ao chão mais uma vez, rolando três vezes e se ralando. Isso só o fez irritar ainda mais.

— Ele está descontrolado! — falou Lila, ficando entre Egan e os dois colegas que agora estavam de pé, preparados. — O que podemos fazer pra ajudá-lo?

— Temos que desacordá-lo de alguma forma. — respondeu Aristarkh, desembainhando a espada. — Mas tentem não feri-lo seriamente. Não se esqueçam que ele não está se controlando, mas ainda é nosso companheiro!

— Se for só desacordá-lo, então deixem comigo. — disse Jarhan, puxando a mão para trás e concentrando energia. — Tentem segurá-lo de alguma forma para eu poder tocar na cabeça dele!

Não esperando uma resposta, Egan atacou de novo. Mas em resposta a isso, Lila também partiu para cima. Sua arte marcial era mais intencionada para ataques diretos, mas isso não queria dizer que ela não soubesse de alguns golpes atordoantes. Egan a atacou com a mão direita em forma de garra, como se fosse um tipo de urso. Lila aparou o golpe e puxou o braço do colega com a outra mão. Colocou uma perna entre as duas do garoto alucinado e puxou o braço, fazendo-o ir ao chão mais uma vez. Sem largar o braço de Egan, Lila se sentou nas costas dele, mantendo o braço virado para trás, preso. Percebendo a ideia magnífica de sua amiga, Aristarkh correu para perto e segurou o outro braço, que se debatia loucamente. Egan começou a dar gritos que não pareciam dele e não parou de se mexer. Os dois amigos estavam tendo que usar toda a força para simplesmente mantê-lo no chão.

— MALDIÇÃO DO SONO PROFUNDO!

Jarhan correu na direção daquele bolo de pessoas com a mão cheia de energia negra pulsante. Normalmente se foge de um cara que vem na sua direção com uma mão maldita, mas Lila e Aristarkh tentaram resistir ao impulso de soltar Egan e correr para bem longe. Jarhan tocou a testa de Egan e passou a energia para um ponto só. No meio da testa do garoto, um símbolo mágico apareceu e toda sua cabeça foi imediatamente tomada por uma aura negra. Egan continuava se mexendo o máximo que podia, mas logo foi amolecendo e ficando mais lento. Seus braços afrouxaram e sua cabeça caiu no chão. Seus olhos fecharam.

— Ele desmaiou? — perguntou Lila, tendo cuidado para ver se Egan não estava mais se mexendo mesmo.

— Dormiu. — respondeu Jarhan, respirando profundamente. Ele tinha colocado uma boa quantidade de energia mágica naquela magia porque queria ter certeza que fosse efetiva na primeira tentativa. — Eu não sei por quanto tempo ele vai continuar dormindo, mas como ele estava exausto, imagino que seja difícil dele acordar ainda hoje.

— Isso é bom. — respondeu Aristarkh, também soltando o colega. — Temos que levá-lo para a Base e deixar aos cuidados de alguém. Além disso, precisamos saber o que está acontecendo na cidade.

— Alguém viu como aquela coisa gigantesca chegou aqui, pra começo de conversa? — perguntou Lila, olhando algumas das partes destruídas do Colosso.

— Ele apareceu do nada. — respondeu o necromante, imediatamente. — Em uma hora não estava lá, e em outra, estava.

— Magia de Invocação. — disse Aristarkh, pensativo. — Esse é um tipo de Monstro Criado, não existem livremente por nosso mundo. Mas para invocar um ser daquele tamanho... Ou o invocador é extremamente poderoso, ou foi realizado algum ritual para trazê-lo aqui. Tanto um quanto o outro, seria uma opção ruim para nós, pois parece uma coisa previamente planejada.

— Parece que é um ataque de Semangard. — disse Lila, atraindo a atenção dos colegas. — Eu vi alguns soldados utilizarem uma máquina mágica para criar fogo... Não sei explicar direito o que ela fazia exatamente. Mas um dos soldados me revelou que há vários deles pela cidade. E vendo os inúmeros pontos que estão em chamas, acho que ele estava falando a verdade.

— Eu também vi alguns soldados de outro reino batalhando contra os soldados daqui. — falou Jarhan, olhando para trás e para os lados. Ele estava tendo a certeza que não haviam mais perigos por perto. — Se for uma guerra entre reinos...

— Não vamos tirar conclusões. — respondeu Aristarkh, se abaixando novamente e pegando Egan. — Primeiro vamos voltar para a Base da Guilda e ver como nossa Líder está lidando com essa situação.

Jarhan também se abaixou e ajudou a levantar Egan do chão, que permanecia dormindo calmamente. Sem perder mais tempo, os integrantes da Guilda começaram a ir em direção à Base, que ainda estava longe. Lila ia na frente e armada, pronta para atacar qualquer coisa que viesse na direção deles. O caminho não seria seguro para nenhum deles.

Notas finais
E no próximo capítulo, mais lutas terminarão. Umas, nem tão vitoriosas assim.