Immortal Love
21 Seventeenth Act: Face the Mirror
Notas iniciais
V. Phillips
Eu conversava calmamente com Jessy e ela parecia calma e feliz como sempre mesmo passando por tudo que ela passou ainda tinha um sorriso radiante no rosto e isso me fazia ficar aliviado, mas ao mesmo tempo dava um aperto no coração por a ter deixado sozinho tanto tempo.
— Olá Vincent! Que bom que você voltou! Estava com saudades... – ela dizia sorrindo –
— Oi Jessy... Eu também estava com saudades e... Me desculpe por... – ela me interrompeu e mudou sua expressão pra seria –
— Não precisa pedir desculpas! Você fez o que tinha de ser feito e, além disso... Você está aqui agora pra mim é o que importa. – ela voltou a sorrir –
— Mas eu ainda não desisti! Vou continuar procurando um modo de tirá-la daí! – eu disse convicto, mas sem saber ainda como –
— Acho que isso está mais perto de você do que você imagina... – ela dizia dando risadinhas, mas eu não entendi o porquê –
Uma terceira voz surgiu e eu a reconheci quase que imediatamente... Kree?
— E aí Vincent... Beleza?
— Mas o que diabos você está fazendo aqui!?
— Eu ia te perguntar isso agorinha mesmo... – Kree era mesmo irritante –
— Como me seguiu até aqui? – eu fiquei curioso afinal ele não conseguia rastrear um portal imortal assim –
— Acho que eu tinha te dado minha espada porque achei que você ia precisar? Eu posso rastreá-la de qualquer lugar... Ideia da sua amada Lorraine, mas execução perfeita toda minha, muito obrigado! – disse ele se abaixando como se cumprimentasse algum publico –
— É irmão algo me diz que você vai ter muitas explicações para dar... – disse Jessy rindo das palhaçadas de Kree e vendo que chegava dôo portal mais duas pessoas: Lorraine e Kate –
C. Taylor
Apesar de minha audácia Vincent disfarçou bem sua fúria... A garota do espelho parecia muito importante para ele. Uma garota de uns 4 ou 5 anos de idade, cabelos longos, lisos e brancos, sua pele pálida e lisa bem afinada e bonita, um vestido de alta costura com um belo bordado cheio de babados... Era uma princesinha e o chamou de irmão. Não era nenhum espanto afinal os dois eram muito parecidos! Menos nos olhos que os dela eram de extrema pureza e serenidade, mas pareciam não funcionar... Seus olhos eram totalmente brancos, ela seria cega? Eu fiquei encabulado de perguntar.
— Então você é a Jessy...
— Sim, mas qual o seu nome?
— Cristian Lucker Taylor, mas me chame de Kree... – ela pareceu se espantar ao ouvir Lucker devia conhecer também – Você é irmã do Vincent?
— Sim... E você deve ser o melhor amigo dele né?
— Espero que sim...
- Tá essa conversa acaba aqui! – Vincent disse parado na minha frente olhando para mim um tanto bravo –
- Por que esse ciúme todo dela Vincent? – Lorraine o questionou -
-Bem Lorraine não pode falar muita coisa... Sentiu ciúmes da irmã dele... Pior! Uma garotinha pura e inocente! – eu debochei as gargalhadas –
— Cala essa sua boca... – Vincent a interrompeu –
— Lorraine... Não confia em mim? – ele a questionou dessa vez -
— Não é isso meu amor... Eu só... – ela não conseguia encontrar palavras para se defender – Eu só tenho medo de te perder...
— Não vai perdê-lo! Ele te ama! Isso é um fato inegável! – disse Jessy sorrindo com a mesma inocência de sempre –
— Como faz isso? – perguntei –
— Meu dom! Ver os sentimentos e intenções das pessoas...
— Entendo... Vê com o coração e não com os olhos...
— Sim afinal meus olhos não... Não vêem nada. – ela parecia um tanto triste com isso –
— Mas seu dom é o da visão mais ampla do que de qualquer um! – ela pareceu se reanimar ao me ouvir dizendo isso... Me senti aliviado –
— Fico feliz que meu irmão tenha encontrado um amigo como você... – como assim “como eu” —
— Como eu?
— Sim tão especial! Tão...
— Não exagera mana! – disse Vincent interrompendo a conversa mais uma vez, sem objeções... Não estava entendendo nada mesmo –
— Não estou... Ele é muito especial, ele é a pessoa que pode tornar seu desejo mais puro... Realidade!
— Você quer dizer...
— Sim! – ela o interrompeu –
— Bem então já é hora de... Contar a verdade! – Eu já não estava entendendo absolutamente nada, mas deixei Vincent continuar – O ceifeiro que prendeu minha irmã aqui a mais de 400 anos foi... Esteban Lucker! E por isso eu o persegui durante anos... Até que eu o matei... Foi por vingança que matei o seu pai... Sinto muito não ter lhe contado a verdade antes...
Por um lado estava aliviado de que meu amigo não tinha matado meu pai apenas por poder e sim por uma vingança... Mas mesmo assim me doeu ouvir que meu pai era um ceifeiro cruel que aprisionou uma garota de quatro anos em um espelho pela eternidade...
— Bem... Pelo que entendi você tinha motivo então... Sem magoas entre nós dois, certo?
— Sim... Certo, mas é que...
— Eu acho que já entendi... – Eu o interrompi – Como eu sou filho dele tem uma grande chance de eu poder libertá-la. É isso né?
— É quase certeza segundo ela... – ele apontou para sua irmã no espelho –
Eu fiquei em frente ao espelho e o encarei como se fosse meu pior inimigo. Eu não sei por que, mas me sentia na obrigação de tirá-la dali... Talvez porque ela seja irmã do meu melhor amigo, ou porque é uma coisa que meu pai fez ou talvez só seja porque eu sou o único que pode, mas o que mais me parecia correto praquela hora é que... Naquele pouco tempo que a olhei já me encantei por ela... Eu toquei no espelho... No começo parecia liquido, mas quando atravessei minha mão era apenas um vácuo... Sem frio... Sem calor... Sem nada... Apenas existia! Minha mão ainda estava quente e quando aprofundei minha mão sem querer toquei na parte de dentro da coxa direita dela e a fiz gritar... Era insano pensar que eu fiz isso de propósito numa garotinha de quatro anos, mas não para Vincent!
— Ei! O que pensa que está fazendo?
— Calma! Foi sem querer... O espelho me reconheceu e me deixou entrar e sair, mas ao que parece não a deixa fazer o mesmo... Eu posso entrar, mas não posso tirá-la de lá!
— Não vai entrar!
— Quer se acalmar! Eu não tenho nenhuma intenção de entrar lá para nada! Ela é uma garotinha! Tô com cara de pedofilo? – eu estava ficando nervoso com os pensamentos de Vincent –
— Ei não briguem... Vincent ele não quer nada comigo! Ele gosta da garota a sua direita! – Era Kate, mas como ela... Ah esquece –
— Tá bom... – ele finalmente havia entendido –
— Kree... – disse Jessy – Melhor você desistir... Ela nunca vai amar você!
— Mana eu acho que já chega! – Vincent parecia preocupado com isso ou só querendo evitar outro drama meu –
— Tá beleza! Ela tá certa mesmo... Eu já me convenci disso... Não se preocupem! – eu disse para o alivio de todos principalmente Kate – Bom e essa historia deu te libertar... Eu não sei como... O que vamos fazer?
— Bem... Havia dois homens aqui além do Esteban! – disse Jessy esforçando se para lembrar, mas ela não enxergava então não sabia a aparência... Vincent ajudou –
— É verdade irmã! Um cara gordo com cara de invocado e um magrelo esquisito com um jeito estranho... – eu o olhei de cima a baixo debochando da ironia dele chamar um cara de magrelo, afinal ele era magrelo – E não enche!
Todos riram por um momento, mas depois voltamos a planejar algo novo...
— Mas então como vamos ir até eles e descobrir sobre o poder... Eles são ceifeiros de alto nível ainda mais em tantos anos!
— Meus poderes de disfarce poderiam te ajudar! Eu poderia te disfarçar de seu pai... Só que com amnésia – disse Vincent –
— Mas ainda assim precisaríamos ter um plano B caso eles descobrissem que eu não sou quem ele... Para não acabarmos mortos!
— Acho que está mais do que na hora de chamarmos reforço – disse Lorraine olhando pela janela –
— Reforços? – eu e Vincent dissemos ao mesmo tempo –
— Sim... Ou vocês acham que somos os únicos ceifeiros, imortais, mestiços renegados nesse planeta? Temos que encontrar outros... Nós fortalecer... E aí irmos atrás dos subordinados de Esteban! – Lorraine tinha um bom plano, mas já era noite e não era muito bom sairmos por aí assim afinal todos estavam cansados... –
— Ótimo! Mas amanhã. Hoje devemos dormir... – eu disse –
— Sim, mas não aqui! – disse Vincent – Está cheio de armadilhas que eu fiz... Melhor irmos pra outro lugar...
— Mas onde? – perguntou Kate –
— Na minha casa! – respondi – Melhor irmos logo... Fica meio longe.
— Londres não é muito grande... pra que ficou brincando de pique esconde com você em Tókio não vai ser muito difícil...
— Eu andava aquela fazenda inteira com galões de leite no ombro não vou nem suar...
— Ei gente! Não se esqueçam de mim... Eu sou apenas uma humana... – disse Kate interrompendo nossos pensamentos felizes –
— Tá tudo bem... Eu te levo nas costas... Eu consigo! – me ofereci –
— Ok... – ela parecia envergonhada ou apenas brava por ser eu quem iria levá-la aposto que ela preferia o Vincent –
— Ok então, vamos!– disse Vincent –
Nós fomos... Vincent se despediu de sua irmã, mas só ele mesmo. Eu nem sabia o que falar e as meninas não ousaram trocar uma palavra com ela... Medo? Insegurança? Não... Vergonha! As duas haviam ficado com ciúme da tal Jessy a garota por quem ele matou Iren loucamente... Era engraçado pra mim, mas deve ser horrível pra elas ficarem com ciúme de uma garotinha de quatro anos ainda por cima irmã dele... Melhor parar de rir antes que apanhasse das duas.
Seguimos uma boa caminhada em silencio profundo apenas os nossos passos e a batida de nossos corações se ouviam ao longe, mas não sei por que Vincent quebrou o silencio com uma pergunta um tanto estranha...
— O que sentiu pela minha irmã àquela hora Kree?
— Nada! Como e disse ela é apenas uma garotinha pra mim... Nada de especial...
— Não estou falando sobre sacanagem... Só o que sentiu...
— Senti que tinha obrigação de tirá-la de lá, por ser meu pai que a colocou e...
— E... – porque ele havia parado? –
— E ela é como uma irmã que nunca tive... Eu queria ter a sorte de tê-la como irmã só isso.
Ele se calou. Seguimos a noite com o mesmo silencio de antes...
V. Phillips
— Qual é a historia de sua irmã? Quer dizer... Antes daquilo... – eu suspirei e tentei me lembrar como num flashback –
— Eu não sei... Na verdade não lembro direito de nada. Eu só me lembro que estávamos num dia chuvoso correndo de três ceifeiros... Um deles era seu pai e os outros só ficaram olhando, eu tentei defender minha irmã, mas seu pai era bem mais forte obviamente e me desmaiou com um soco no estomago... Quando eu acordei e ela estava entrando lá e eu só o vi partir... Eu não me lembro de muita coisa alem disso. – era irritante só lembrar-se disso... Nada antes, nada depois –
— Entendo... Depois você perseguiu meu pai até que com 13 anos e varias almas comidas você acabou conseguindo matá-lo... Lembra como matou um dos ceifeiros mais fodas da época com apenas 13 anos? – ele me questionava sem eu entender bem o porquê, mas não tinha motivos para me calar –
— Não... Não me lembrava que era ele até aquele dia na fazenda.
— Ok. – após a conversa mais uma vez o silencio tomou a noite escura sem lua nem estrelas –
Em meio a tanto silêncio Lorraine parecia um tanto aflita... E então de repente ela parou e mirou todos os lados até que fintou seus olhos num ser diferente... Um imortal pelo visto. Terno preto com camisa social branca por baixo... Um cabelo castanho bem escuro quase preto... E um meio sorriso bem animado... Eu o questionei:
— Quem é você!?
— Meu nome é Hector, mas pode me chamar de Blaze... Sou o líder dos The Black’s man e principalmente... O melhor imortal de fogo dessa época!
— E o mais convencido também! – debochou Kree –
— Ora cale se mestiço imundo!
— Tô cansado de ouvir isso...
— Fique para trás Kree! Essa luta é minha! – eu disse puxando Kree para trás de mim – Estava esperando você, mas tenho novidades... Meu fogo é melhor que o seu!
— Essa eu pago pra ver!
E assim o desafio foi lançado.
“As estrelas são como lembranças... Apenas existem no passado.”
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