Imbranato
2 Bridget Jones americana.
Notas iniciais
Só pra acompanhar o capítulo, a música que a Rach ouve a manhã toda haha
Muuuuuuuuuito obrigada por todos as reviews lindas, elas me animaram muito a continuar a escrever *-* Uma das garotas disse que essa história tinham um "q" de Becky Bloom e eu admito que a minha inspiração foram os livros da Sophie Kinsella e da Marian Keyes. Eu adoro essa leitura "mulherzinha", fácil, divertida, que a gente logo se identifica com a personagem... comprar pra esquecer o ex, quem nunca? KKKKKKKK então fico contente em ter atingido o meu objetivo *-*
Boa leitura ♥
Acordo e percebo que o vazio dentro de mim voltou. A vontade de recomeçar foi embora. Ontem, depois de perceber o quanto os homens afetavam a minha vida, resolvi cortar o mal pela raiz e recomeçar uma vida man free. Comecei a minha pequena revolução pessoal tirando a camiseta velha de Ted e colocando um pijama de verdade, um lindo baby doll com laços delicados. Me sentindo sexy e poderosa, imaginei o rosto de Kate como estampa da camiseta de Ted e a picotei sem dó. E então, num ato corajoso, resolvi me livrar dos vícios aos quais eu me prendia após um término: empacotei todos os meus livros do Nicholas Sparks; quebrei meu DVD de “Titanic”; e joguei fora o pote gigantesco de Häagen-Dazs que havia comprado pela manhã. Fui para a cama me sentindo leve, completa e feliz, a própria Bridget Jones americana.
Mas agora que a sensação se foi, eu realmente me arrependo de ter jogado aquele pote de sorvete fora.
Ligo meu notebook e coloco “Bad Day”, do Daniel Powter para tocar enquanto me apronto para o trabalho. Estou tomando banho tranquilamente, cantando junto à Daniel até que uma rude batida na parede me interrompe.
– Fecha a matraca garota, são sete da manhã! – berra a Sra. Brown, minha amável vizinha. Desde que ela descobriu que as paredes do nosso condomínio são mais ocas que o cérebro da Paris Hilton, resolveu usá-las contra mim. Mas hoje ela mexeu com a garota errada.
– Me erra velha mal amada! – grito de volta, desligando o chuveiro e vestindo rapidamente as minhas roupas. Me olho no espelho e tenho que admitir: a tristeza me cai bem. Sempre me visto melhor quando estou deprimida.
Estou usando uma camisa de seda branca, com a gola trabalhada, por dentro de uma linda saia preta. Nos pés uso uma sandália preta, simples. Quero que toda atenção volte-se para o maxi-colar incrível que estou usando. Prendo meus cabelos em um rabo de cavalo alto, e me maquio perfeitamente bem.
Saio de casa apressada, carregando minha bolsa em um braço e um café na outra mão. Mal tenho tempo de dar vinte passos em direção ao metrô quando um gigante esbarra em mim, me fazendo derramar todo o café em minha blusa branca. Reprimo um grito, enquanto ele pragueja em uma língua que não compreendo.
– Por que diabos o senhor está xingando? Se vejo bem, quem está com o peito queimando e acabou de manchar uma camisa de 200 dólares, sou eu! – minha voz sai um pouco mais alta do que imagino e eu realmente sei que estou fazendo uma tempestade em um copo d’água: era só um café, é só uma camisa (uma linda e fina camisa, mas ainda assim uma camisa) e o homem realmente não tem culpa. É só que eu estou tão triste, tão pra baixo, que nem Bradley Cooper escaparia de minha onda de fúria.
Berro um “deixa pra lá” e saio andando apressada em direção ao metrô. Ótimo. Não tomei meus 300 ml matinais de café, estou atrasada e ando pelas ruas de Manhattan com uma mancha de café gigantesca no peito.
Por sorte não perco o metrô e, espremida entre uma senhora gorda e um homem lascivo, penso que esse dia não pode ficar pior.
Veja bem, Rachel Berry não é uma mulher que se intromete na vida das pessoas. Acho que, desde que não prejudiquem ninguém a não ser si mesmos, as pessoas devem viver as vidas da forma como julgarem correta. Mas deixe-me lhe dar uma dica de amiga: Nunca, ouviu bem, nunca diga que algo não pode ficar pior. Porque pode. E o destino tem um jeitinho particularmente masoquista em mostrar isso.
Quando cheguei à redação da Sweet interceptei uma conversa nervosa entre Kiki, a maquiadora, e Johnny, o stylist. Kiki ouviu de Caroline, que por sua vez ouviu de Hayley, que nosso chefe John Rudolph (não, ele não leva no bom humor piadinhas sobre Rudolph, A Rena do Nariz Vermelho) está fazendo alguns cortes de pessoal na revista.
Imediatamente, sinto-me nervosa. Parte de mim sabe que não precisa se preocupar: eu faço meu trabalho maravilhosamente bem e daria meu sangue pela Sweet. Mas... e se eu cometi algum erro? E se John nunca perdôo meus dois atrasos nos últimos anos?
– Troque essa blusa, JÁ! – diz Patty, a nossa fotógrafa de moda, me tirando dos devaneios. Ela está estendendo em minha direção uma camisa verde água, com um olhar reprovador no rosto. Aí me lembro que estou desfilando pelo meu local de trabalho, no dia em que o chefe resolveu fazer cortes no pessoal, com uma camisa manchada. Rapidamente pego a camisa e me dirijo ao banheiro feminino, para trocá-la.
Passo o resto do meu expediente trabalhando de forma mecânica em uma matéria intitulada “Como Saber se o Gatinho Está Na Sua!”. Meus pensamentos oscilam entre minha possível demissão e Ted. Hoje decido ficar na Redação no meu horário de almoço, saindo rapidamente por 10 minutos para comprar um sanduíche e um chá gelado. Percebo que Kiki, Caroline e Hayley fazem o mesmo. Obviamente, todas queremos manter nossos empregos.
Conforme a tarde se desenrola, o Sr. Rudolph chama alguns nomes em sua sala. Falta meia hora para meu expediente acabar e eu ainda não fui chamada. Uma pequena onda de alívio começa a se apoderar do meu ser. Ufa! Agora poderei ir para casa e chorar somente pelo Ted, e não pelo meu emprego perdido. Não terei que me preocupar com despejo, contas para pagar ou em comer em abrigos.
E é no momento em que me afundo contente em minha cadeira, que a voz nasalada de John chama meu nome.
Troco um olhar nervoso com Kiki, que levou as mãos à boca, surpresa. Enquanto me levanto e ando até a sala do Sr. Rudolph o mundo parece girar devagar à minha volta. Penso em como me dediquei a esse emprego. Nas madrugadas que passei na redação, trocando festas por comida chinesa ruim e energético quente. Mas o que realmente toma conta da minha mente é meu caderninho de finanças. Será que terei dinheiro para uma noite de bebedeira profana com Quinn e Blaine? Porque eu realmente vou precisar de todos os shots de tequila que o dinheiro puder me comprar.
Chego à sala de John e bato cautelosamente na porta. Ele me pede para entrar e me sentar à sua frente. Sinaliza o telefone que está em suas mãos e entendo que preciso esperar, em um minuto ele conversará comigo.
E é o minuto mais longo da minha vida.
Estou pensando em todas as verdades que direi ao Sr. Rudolph quando ele disser que estou demitida quando ele se vira em minha direção, colocando o telefone no gancho.
– Dia agitado. – diz, com um sorriso tenso.
Eu assinto com a cabeça, forjando um sorriso. Reparo em uma foto de seus dois filhos em sua mesa, Samantha e Brian. Percebo que Brian tem quase minha idade, aproximadamente. Será que se eu jogar uma ideia do tipo “Imagine se seu filho fosse demitido em plena crise, Sr. Rudolph, não seria uma lástima? Por favor, não torne minha vida uma lástima!”, o Sr. Rudolph sentirá pena e me deixará ficar?
– Rachel, a razão pela qual te chamei aqui é um pouco complicada...
Oh não, oh não, oh não...
–... E você sabe que estamos fazendo cortes em nosso pessoal...
Chega de enrolação sua porra de rena do nariz vermelho, desembuxa logo!
–... Mas você é uma ótima funcionária e eu quero te oferecer a oportunidade de uma promoção.
Oi?
Dou um risinho nervoso.
– Como, Sr. Rudolph?
– Rachel, você já deve ter ouvido falar da outra publicação de nossa editora, a revista “Vita”. O público alvo da revista são mulheres de meia idade, e as vendas caíram um pouco nos últimos tempos. A questão é que a Vita precisa de um olhar renovado em suas páginas. Modernidade. Precisa tornar-se uma revista contemporânea. A Vita precisa do seu olhar, Srta. Berry. Queremos que você assuma o cargo de editora chefe.
Meu coração palpita. Editora chefe. Eu amava o jornalismo, amava mesmo... mas minha carreira precisava de um salto. E esse era o salto que eu vinha esperando pelos últimos cinco anos. Eu mal podia acreditar. Além de um salto em minha carreira, aquilo significava um aumento mais do que significativo em minha conta bancária. E quando o Sr. Rudolph me diz o valor desse aumento, um sorriso largo se estende no meu rosto e eu me vejo aceitando o emprego dos meus sonhos.
– Ótimo. Você tem uma semana para cuidar de tudo o que precisará para a mudança. O avião partirá na segunda-feira que vem.
Eu lanço a ele um olhar indagador. Mudança? Avião?
– A Srta. não sabe? – conforme nego com um movimento de cabeça, ele parece surpreso. – A Vita não é uma revista americana, Rachel. É italiana. Se aceitar esse cargo, estará aceitando com ele todas as implicações de uma mudança. Você precisará viver na Itália. Eu sinceramente acho que é uma oportunidade de ouro e a senhorita não deveria desperdiçá-la.
– Eu... eu nem ao menos falo italiano!
– Não se preocupe com isso. O diretor de redação da Vita é inglês, e você se adaptará com a língua quando estiver convivendo com ela. – ante ao meu olhar perdido, ele continua – Tire essa noite para pensar, Berry. Me dê a resposta pela manhã. Mas saiba que se você não quiser aceita-lo, temos outras pessoas em vista.
Uma semana depois, estou sentada na janela do avião que em breve lançará vôo em direção à Itália. As coisas correram tão rapidamente que nem ao menos lembro-me de ter dormido nos últimos dias.
Depois da conversa com o Sr. Rudolph, imediatamente liguei para Quinn e Blaine. Ao invés de nossas típicas noitadas em Nova York, passamos aquela noite em minha casa comendo comida italiana e conversando sobre a proposta que eu havia recebido.
– Você precisa aceitar, Bear. – declarou Blaine, após o desconfortável silêncio que se seguiu quando eu contei aos meus amigos a novidade. – Além de um salto em sua carreira, isso pode significar um recomeço para você. Como pessoa. Você sabe que não quer passar a vida inteira nesse apartamento, chorando ao som do Frank Sinatra toda vez que algum homem te deixa, querida. Encare essa mudança como uma mudança de vida. Você não se apaixona diversas vezes na vida, Rach... entende isso? Eu entenderia se você tivesse se apaixonado por homens que seguem um padrão, mas até hoje você se apaixonou por diversos homens e nenhum deles tinha algo em comum. E eu acho que você só pensa que se apaixonou, mas na realidade não se apaixonou. Você se apega a esses homens porque nunca tentou apegar-se a si mesma. Você não se conhece completamente. Reaprendendo a viver em um lugar totalmente novo, talvez você se descubra.
As palavras de Blaine me fizeram madrugar refletindo sobre a proposta, sobre mim mesma e sobre o amor. E ele está certo. Eu preciso me descobrir. E foi por isso que resolvi aceitar a promoção e partir para uma nova vida.
A semana se seguiu de uma forma tão corrida que nem ao menos tive tempo de sentir medo das mudanças. A ficha só caiu hoje, um pouco mais cedo, enquanto me despedia de Blaine e Quinn. Viemos para cá sem nada no bolso e com muitos sonhos na mente, completamente sozinhos, filhos renegados de cidades interioranas. E então nos encontramos, nos entendemos, nos cuidamos. Nos apoiamos nos bons e maus momentos, nos divertimos, nos amamos. Crescemos juntos. E crescemos como uma família. Ao deixá-los no saguão do aeroporto, senti uma dor tão forte que me espantou. Depois de tantos homens indo e vindo em minha vida, eu achei que soubesse o que era a dor. Mas nada se comparou à dor de deixar meus melhores amigos, minha família para trás, ainda que eu soubesse ser por algo que valesse a pena. E acho que a primeira mudança ocorreu em mim antes mesmo que eu chegasse à Itália: eu parei de odiar o amor. O amor podia ser lindo, duradouro e verdadeiro como Quinn e Blaine me provaram. Eu só precisava descobrir como amar as pessoas certas.
Ajeitei-me na poltrona, repentinamente cansada. Fechei meus olhos por um momento enquanto a voz da aeromoça ecoava das caixinhas de som, indicando que em breve alçaríamos vôo.
“Sim”, eu pensei, “eu estou pronta para alçar vôo agora”.
Notas finais
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