Imaginário
1 Capítulo 1 - Anjos e Demônios
Notas iniciais
Emma narrando
Acordei com um grito que se passava despercebido, e só eu mesma conseguia ouvir; Devia ser só mais um pesadelo, presumi. Me levantei e abri um pouco a porta, e vi que todos já tinham saído, eu estava sozinha como era de costume. Me olhei no espelho, nunca vi algo tão estranho em toda minha vida, estava mais magra e pálida hoje, tentei disfarçar meu rosto já acabado com algumas maquiagens, sem sucesso. Então me arrumei, peguei minhas coisas e olhei no relógio. Eram 8:50. Saí para ir a escola.
Eu já estava terminando o terceiro ano do ensino médio e nada me parecia tão chato do que estudar, eu pensava no meu futuro, é claro, mas não como os outros, eu pensava em um futuro diferente, longe desse lugar onde pessoas matam as outras, onde só existe dor e violência. Eu pensava em um lugar doce, púrpura e totalmente imaginário.
Despertei do meu pensamento por alguns segundos e dei de cara com o enorme portão da escola, ele era enorme, com diversas barras de ferro em volta e a escola tinha um ar de abandonada, velha e há muito tempo esquecida. Não estava bem cuidada, tinha uma aparência mórbida na verdade, principalmente quando não se via ninguém ali. Respirei fundo e entrei, odiava aquela escola e principalmente as pessoas que ali estudavam, era insuportável pisar ali dentro.
As pessoas me olhavam como se eu fosse algo nojento, feio e inútil. Elas me odiavam, me repugnavam, mas eu continuava ali, eu tinha que continuar ali, só mais um ano, eu pensava.
Infelizmente tive que esperar o primeiro sinal bater pra entrar na sala, tinham muitos alunos ali esperando e eu tentei ignorar os olhares à minha volta e sentei em um lugar que me isolava de todos, peguei meu livro e comecei minha leitura diária.
Mary, uma garota do 1º ano veio falar comigo, pela primeira vez durante muito tempo, diziam que ela tinha distúrbios mentais e que falava coisas anormais, embora ela parecesse muito séria e normal durante todo o tempo que eu a via.
Ela veio até a mim e se sentou, calada. Passaram-se uns 10 minutos e ela estava ali sentada, do meu lado olhando diretamente para mim. Embora eu achasse aquilo tudo muito estranho não tive coragem de olhar pra ela e perguntar o porque ela estava ali. Apenas esperei.
- Oi, seu nome é Emma né?
- Sim, e o seu é Mary. O que quer comigo?
- Eu preciso falar com você. É..é sério.
Mary era ruiva e tinha sardas no rosto, tinha o cabelo bem encaracolado e o mesmo batia em seus ombros. Ela era bem branca e alta, tinha um corpo muito bonito até, mas as pessoas também não gostavam dela, assim como não gostavam de mim. Ela olhou pra mim bem sério, se aproximou mais e continuou:
- Todos me acham louca aqui, mas eu não me importo, eu só quero o seu bem e quero que você saiba disso; Tem alguém... uma pessoa velha, bem velha, que está te procurando, a mais de 100 anos, pra acertar as contas com você. Ninguém gosta de você não é mesmo? Eu sei o que você faz, você se corta, você vive sozinha e espera que alguém seja legal com você, você tem o seu mundo imaginário e essa pessoa na qual estou falando quer se aproximar de você para destruir o seu mundo imaginário, você não pode deixar e...
Não conseguia escutar nada do que ela estava falando, eu só consegui rir. Não era o que eu queria, na verdade, mas ela me pareceu totalmente louca falando aquelas coisas, eu estava achando graça mas também estava com medo; Como ela sabia do meu mundo? da minha solidão? dos meus cortes? Como ela sabia da minha vida?
- Você está brincando, né? Olha valeu pela informação, foi muito útil, tchau.
Eu saí e a deixei falando sozinha, fui salva pelo sinal que tocou bem na hora em que ela ia me chamar novamente. Subi as escadas e pensei no que ela me disse, agora eu estava arrepiada e o medo tomava conta de mim.
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