Imagine - stray kids
38 . Bang Chan - Especial de Aniversário - +18
Notas iniciais
Você é o meu destino, eu sou a sua certeza.
Muitas vezes tomamos alguns caminhos por puro impulso, sem pensar na merda que vai dar lá na frente ou em como isso pode nos mudar por completo.
Eu fui essa tola, que no calor do momento fiz algo inesperado e totalmente impensado e agora estou aqui completamente perdida sem saber o que farei da minha vida.
Eu podia ter parado antes de me apaixonar?
Não faço a menor ideia, eu nem sequer notei quando foi que eu me deixei levar por algo que eu havia prometido não deixar que acontecesse...
Ou talvez eu tenha notado...
Talvez a promessa que fiz já não fosse possível de cumprir antes mesmo de ser feita...
(Meses atrás)
Flash Back On. (central)
— Nossa Moon! Que festa incrível!
Minha melhor amiga estava eufórica e um tanto alterada.
— Incrível não sei para quem Junie.
— Você não conseguiu mesmo fazer seu pai mudar de ideia?
— Não! — falo fazendo um bico enorme completamente frustrada. — Ele disse que só não me daria a família Lee se eu aparecesse namorando sério com alguém, acontece que ele ameaçou todos os caras que conheço, meus amigos, conhecidos, todos! Não consegui ninguém que topasse namorar comigo nem de brincadeira.
— Você não pode ser lésbica? Bi que seja, eu posso namorar você se quiser!
— Junie, você foi uma das primeiras pessoas que meu pai ameaçou não lembra não?
— Ah, é... e naquele dia ele ameaçou o Hyunjin também — ela se pôs pensativa. — Desculpa amiga, mas seu pai é assustador.
Ela pegou seu drink e saiu rumo a nossa (minha) rodinha de amigos e assim que chegou lá todos me encararam levantando seus copos em forma de saudação e eu apenas acenei em resposta.
É, eu estou mesmo ferrada agora basta saber para qual dos Lee eu serei designada como acordo matrimonial e isso está me fodendo!
Os dois são uma gracinha?
Sim, eles são!
Mas nossas famílias se odeiam desde que me lembro e o nosso casamento viria como um acordo de “paz” uma aliança forjada na infelicidade dos filhos que nem opinar podem.
Inferno de vida.
— E aí coisa feia? — O Lee mais velho se aproxima com aquele sorriso idiota de sempre estampando seu belo rosto. — Já ficou sabendo? Eu fui o escolhido para ser seu esposo, somos amaldiçoados não somos? Que tal um brinde para comemorar?
Levei as mãos ao rosto em total desespero, o Felix ainda é um fofo que nunca se deu ao luxo de odiar ninguém, mas o Minho?
Ele só pega no meu pé por puro deleite sempre que me vê.
Porra pai...
— Tá e como você vai evitar isso Minho?
— Matando você?
— E começando uma guerra? Vai em frente, fique à vontade, vou adorar ver tudo de fora.
— Uau, senti firmeza, prefere morrer a ser minha esposa, estamos mesmo na mesma vibe, não é?
Ele fala completamente convicto e eu acabo rindo sem querer.
— É sério que você não tem nenhum plano para tirar a gente dessa Minho? Ou uma granada para jogar nessa festa? Logo você que é praticamente o “Rico” dos pinguins de Madagascar?
Ele gargalhou alto e simulou que iria vomitar imitando o pinguim mais pancada dos quatro.
— Meu pai disse que se eu estivesse namorando...
— Mas ameaçou todas as suas pretendentes e amigas, tô sabendo foi o mesmo comigo aqui.
— Ameaçou as e os “os” também, eu sou bi esqueceu?
— Que droga!
Ficamos ali lado a lado, não nos gostamos muito é fato, mas nem de longe nos odiamos como o restante dos nossos familiares.
Observávamos o movimento e eu peguei o olhar dele indo em um dos garçons contratados, ele o comia com os olhos e eu parei para reparar nele também, um lindo, e em seguida vi o outro ao lado dele e aquele sim me chamou a atenção, seria bem meu tipo e foi aí que assim como nos desenhos animados uma lâmpada se acendeu na minha mente.
— Minho! — Falo dando tapinhas no ombro dele
— Aí, aí feiosa o que foi? Para de me bater Moon.
— Qual foi o prazo para você aparecer namorando?
— Amanhã, antes do nosso anúncio, eles são uns filhos da puta sádicos.
— Igual para mim, e sim, concordo com você, eles são mesmo...
Eu seguia olhando os garçons e o Minho ficou me encarando.
— Você vai desembuchar ou o quê?
— Você gostou do garçom não gostou?
— E quem não gosta de braços musculosos?
Sorrio pequeno.
— Que seja, e se pagássemos para eles serem nossos “namorados” — faço as aspas com meus dedos e o semblante do Minho parece se iluminar. — De mentirinha?
Ele volta olhar o garçom fortão e seu sorriso se abre rasgando sua feição em alegria.
— Olha você é feinha, mas sua mente é ardilosa, tá aí, se isso funcionar vou virar seu amigo.
— E quem disse que eu quero ser amiga de um cara fedido que nem você?
— Te arrebento na porrada Moon, lembra não que eu sempre ganhei de você quando éramos pequenos?
— Não lembro porque essa é uma Fanfic da sua cabeça, e outra, se você vier me bater vai preso.
Ele riu ainda mais, eu às vezes ficava confusa com ele.
— Tá e qual seu plano? Vamos dizer que começamos a namorar eles hoje? Não vai colar, eu sinto muito.
— Não Minho, não seja lerdo você é bem melhor que isso. — Falo e ele me encara como se realmente fosse me bater. — O que eles são?
— Garçons?
— E o que a criadagem é para uma família como a nossa?
— Invisível... — um ar de compreensão foi o tomando. — Moon, você é mesmo diabólica, gostei.
— Topa entrar comigo nessa? Temos hoje e amanhã para transformarmos eles em nossos namorados.
— Gatinha, conte comigo.
— Gatinha? Ué, o que aconteceu com o feiosa, Minho?
— Você vai nos livrar de um casamento que não queremos, isso faz de você a mais bela das mulheres, ainda mais se meu futuro esposo for aquele fortão ali.
— Minho, você é um idiota, vá para a área dos fundos, chego lá com eles em poucos minutos.
— Okay.
— Ah, antes de ir, — pego ele pelo braço e ele me encara puto. — Você acha que o Felix nos ajudaria com isso?
— Acho que sim, se você apresentar o Hwang para ele... — O olhei incrédula. — O quê? Meu irmãozinho é cem por cento cadelinha de homens altos e bonitos.
— Por isso você foi o escolhido para mim?
— É... Livrei a cara dele.
— Certo, que irmãozão, fale com ele depois então Minho, e garanta a ele que eu lhe apresentarei meu melhor amigo.
— Okay, O Lixie sempre se dá bem mesmo...
Ele falou saindo e eu fui atrás do que precisava.
[...]
Bang Chan Pov.
— Channie, desfaz essa cara bicho.
— Eu estou tentando tá — falo entredentes fingindo um sorriso. — Se não fosse nossa falta de grana eu jamais estaria aqui, detesto gente rica e ainda mais essa gente rica.
— É, eu também e você sabe disso, mas precisamos pagar o aluguel e a mensalidade da facu, também precisamos fazer uma compra decente, há meses só comemos lamem e isso vai nos causar uma úlcera já, já e o que estão nos pagando aqui...
— É, é... eu sei, tá? Mas mesmo assim não vejo a hora disso acabar.
O Changbin vem até mim e coloca a mão no meu ombro.
— Eu também, amigo...
E, no fundo, o Binnie entendia bem a minha aflição que se deu assim que vimos onde realmente estávamos e ele até compartilhava dela comigo, só era durão de mais para assumir.
Nosso bico de garçom tinha que nos trazer logo para essa família?
[...]
O trabalho estava frenético, as duas famílias mais ricas reunidas e pelo que sei para anunciar o casamento do ano.
A tensão e a briga implícita de “quem pode mais” era sufocante para meros mortais como eu e meu amigo, que precisávamos sorrir e aguentar as velhas das duas famílias dando tapas em nossas bundas com aquelas caras de taradas.
Uh!
Tenho certeza que terei pesadelos com isso por um ano inteiro.
Agora estávamos nos arrumando para servirmos o almoço e a filha dos Youngs entrou na cozinha silenciosamente, sério essa garota é furtiva, eu só a vi porque estava de frente para a entrada lateral.
Ela veio até nós com o indicador nos lábios e eu avisei ao Binnie que algo estava acontecendo e quando ela chegou bem perto da gente ela falou sussurrando.
— Vocês dois, larguem tudo aí e me sigam, outros dois já estão vindo assumir seus lugares.
Ouvimos e ficamos imóveis.
— Não podemos, senhorita, precisamos dessa grana. — O Changbin disse e eu concordei.
— Acreditem em mim, se me acompanharem ganharão muito mais do que conseguem imaginar, por favor, venham comigo e ouçam o que temos a lhes dizer.
— Tem mais gente envolvida nisso? Seja lá o que isso for?
Ela nos olhou demonstrando quase uma súplica.
— Vocês vêm ou não?
Encarei o Binnie que me olhava como quem queria dizer “se você for, eu vou.”
Senti um frio na barriga, o que será que gente como ela quer comigo e com meu amigo?
Larguei o fino guardanapo que estava posto em meu antebraço e a encarei.
— Garanta para mim que se formos com você nós não vamos nos ferrar e a gente vai.
— Eu garanto!
É claro que eu não acreditei, mas também seria incrível nos livrar daquele povo nojento e foi isso que me fez decidir.
— Então está bem, então vamos.
Ela sorriu largamente e começou a andar e um pouco antes de sairmos da cozinha outros dois garçons entraram para tomar nossos postos, logo, seja o que for que aconteça, não poderemos voltar a servir no evento.
[...]
Young Moon Pov.
Fiquei tão feliz por eles aceitarem me seguir que fui quase que correndo ao encontro do Minho.
— Ah, então você conseguiu mesmo? — Ele disse em um largo sorriso assim que nos viu chegar.
— Claro que consegui.
— Olha, não fique convencida, mas eu estou te respeitando um pouquinho mais agora.
— Obrigada!
— Disse para não se convencer feiosa.
Enquanto falávamos os dois garçons estavam nitidamente acanhados, então o Minho sorriu largamente indo ficar pertinho de sua vítima.
— Nossa, de perto você é ainda mais bonito.
— O-obrigado? — O garçom disse muito acanhado.
— Minho, foco pelo amor de deus, já vamos ter que voltar, senão darão falta de nós dois e estragaremos tudo.
— Tá foi mal, “mas saiba que você é um tremendo gostoso” — ele falou sussurrando para o garçom de braços fortes e eu quis morrer. — E você é ajeitadinho, é o número exato dessa aí.
Ele apontou para mim que já estava com cara de poucos amigos.
— O que vocês querem de nós? — O outro garçom falou nitidamente impaciente.
— Tá, eu vou explicar, mas antes preciso pedir aos dois; nos ouçam com atenção e mente aberta okay?
— Queremos que sejam nossos namorados! — O Minho falou todo afobado e eu levei a mão a testa. — Você grandão, será o meu, e você será o dela, e aí o que acham?
Apertei meus lábios e respirei fundo.
— Obrigado por agilizar nossa recusa Minho.
Os dois garçons nos olhavam aparentemente querendo entender qual era a dos dois “riquinhos de merda” e eu respirei fundo mais uma vez, coloquei meu melhor sorriso no rosto e fui atrás do meu sim, já que o não era nítido que eu já tinha.
— Vocês dois podem por favor, me ouvir?
— Olha que educ...
— Minho cala a boquinha por favor? — Falei tentando não ser grosseira, não tínhamos muito tempo. — E então?
O garçom fortão olhou para o amigo que o encarou sério e me olhou em seguida.
— Tudo bem, pode falar.
Soltei o ar aliviada.
— Vou contextualizá-los rapidamente, esse ao meu lado será meu noivo na noite de amanhã caso nós dois não estejamos namorando sério com outras pessoas até lá.
Eles me encaravam, eu certamente estava demonstrando todo o meu desespero a eles.
— Continuando, não conseguimos arrumar ninguém, nossos pais ameaçaram todas as pessoas possíveis para que não nos namorassem e por isso vocês dois nos pareceram uma bela saída.
— Por sermos insignificantes?
É, o que talvez seja o meu namorado nos próximos dias pegou bem a essência.
— Eu não diria assim... — Mordo o canto do meu lábio e volto a minha súplica. — Acontece que além de nenhum dos dois se considerar pronto para um casamento, a gente meio que não vai muito com a cara um do outro, então se pudermos evitar essa imposição ridícula...
— Vocês poderiam nos ajudar nisso? — O Minho veio em meu socorro, sem piadinhas dessa vez. — Mesmo que eu amasse a Moon, me casar agora é patético de todo jeito e vocês só precisam fingir ser os nossos namorados vamos pagar bem aos dois pelo tempo que preciso for e então o que nos dizem?
— Precisamos responder isso agora? — O garçom fortão respondeu completamente receoso. — Não poderemos nem pensar?
Olhei seu crachá e li seu nome.
— Infelizmente Changbin, nós não teremos esse tempo, se vocês não aceitarem estaremos sem opções, e se aceitarem vamos ter que correr com algumas coisas até amanhã à noite.
— Que tipo de coisas?
O que seria o meu namorado falso respondeu e eu me ajeitei para ler o crachá dele também.
— Então Bang Chan, coisas tipo, como será nossas histórias, as suas histórias, os visuais dos dois porque vocês vão ter que aparentar ter dinheiro e coisas do tipo e isso tudo para amanhã à noite... — respiro fundo pela milésima vez. — Entendem o nosso desespero?
Os dois se encaravam como se conversassem apenas com os olhares que trocavam entre si.
— Nós vamos ter que ter contato físico? Tipo beijo, mãos dadas e essas coisas?
O Changbin perguntou receoso.
— Você é hétero Changbin? — O Minho perguntou nitidamente receoso.
— Sou bi, mas mesmo assim, eu queria saber até que nível vocês pretendem levar isso antes de darmos uma resposta.
O Minho deu um largo sorriso por saber que poderia dar em cima tranquilamente do seu alvo, que se encolheu um pouco pela a avançada que ele deu em sua direção.
— Você não me pegaria Changbin?
— Não é isso, senhor...
— Ai meu deus, ele é muito fofo!
— Minho!
— Mas ele é poxa...
Tomei a frente para o responder.
— Vamos evitar ao máximo ir muito além com isso, até em respeito aos dois, mas também faremos o que for preciso para convencer nossas famílias que estamos perdidamente apaixonados por vocês, então sim, pode ser que tenhamos que nos beijar e ser carinhosos na frente dos outros, é o único jeito de nos livrarmos disso.
— E vocês acreditam mesmo que seus pais aceitarão a nós? Está na cara que ele usou um blefe com os dois e vocês caíram.
— Não caímos, nós sabemos que é blefe, porém foi um blefe assinado com a honra das famílias na presença de todos.
O Minho se sentou e tomou a palavra.
— Exatamente, eles caçoaram de nós na frente de todos, nos desafiando, mas já sabendo que ameaçariam a todos que nos cercam e que poderiam ser nossos alvos, não nos dando a chance de ter uma chance de fato.
— Confuso Minho, mas sim rapazes foi bem isso.
— E vocês nos apresentarão quando?
— Amanhã à noite.
— E a quanto tempo dirão que estamos juntos?
— Uns dois meses mais ou menos; que foi quando eles nos desafiaram e nós dois dissemos já ter alguém, mas que só apresentaríamos na noite decisiva.
— Que novela. — O Changbin falou.
— Sim, grandão, e você será o galã do meu núcleo.
Revirei os olhos, o Minho não perde uma, mas olhando bem o Changbin pareceu corar.
Me viro para o Bang Chan, que parece ser quem terá a última palavra na dupla.
— E então Bang Chan? Vocês podem nos ajudar? Pagaremos o que for preciso.
— Não acho que isso dará certo.
— E, na verdade, eu também não.
Os dois garçons tinham seus medos e, no fundo, eu os entendia, mas aquilo estava me apavorando e depois de ponderarem um pouco o Bang Chan finalmente nos respondeu.
— Nós topamos, mas com duas condições.
— E quais seriam elas? — falo realmente curiosa e muito mais esperançosa.
— Paguem nossos alugueis e mensalidades da faculdade pelo tempo que isso durar, fora o que vão nos pagar para fazer isso, e... — Ele fechou a cara e eu me senti confusa. — E prometam que não se apaixonarão por nós, porque não vamos nutrir sentimentos por vocês.
Estranhei toda a frieza dele, mas por mim, que se dane, eu não quero romance, quero minha liberdade e com esse pensamento encaro o Minho e ele dá de ombros e então estendemos as mãos para eles e esperamos o selar do acordo.
— Fechado! — Falo o mais firme que posso.
— Fechado! — O Minho fala simplista, mas convincente o suficiente.
Eles se olham uma última vez e pegam em nossas mãos.
— Fechado!
Eles falam juntos e o peso do mundo sai imediatamente das minhas costas.
— Muito obrigada! Aos dois!
— É valeu mesmo, casar com essa feiosa aí seria o fim para mim.
— Minho eu já disse que você é um pé no saco?
— Já...
— Pois é você é um pé no saco.
Depois que fechamos os acordos, combinamos que eles iriam embora pelos fundos e que assim que acabasse o almoço das famílias o Minho e eu os encontraríamos na cafeteria próximo à faculdade, era longe de casa e poderíamos conversar em paz.
[...]
Na cafeteria.
Quando o Minho e eu chegamos, os dois já estavam lá nos esperando, o que nos deixou aliviados, estávamos receosos deles não aparecerem.
— Oi! — Falo sorrindo e me sentando de frente para o Bang Chan.
— Olá! — O Minho fala e senta em frente ao Changbin.
— Oi... — Os dois respondem em uníssono.
— Vocês dois parecem nervosos, não estão pensando em desistir né?
Falo para me certificar.
— Não, não estamos pensando em desistir, demos nossas palavras e vamos até o fim.
O que será o meu namorado é tão... sério; acho que o Minho se deu melhor que eu nessa.
— Okay, vamos ao plano.
[...]
Passamos tudo com eles, as histórias que contaríamos sobre como começamos a namorar para não ter erro, e foi até que fácil já que estamos na mesma faculdade, eles fazem música, o Minho dança e eu medicina e diremos que foi lá que nos conhecemos e nos apaixonamos.
Combinamos também sobre a vida dos dois, eles de jeito nenhum poderiam dizer que trabalham para poder pagar as contas, então falaremos que eles são de boas famílias e por sorte o sobrenome deles ajudou bem, Bang e Seo passavam uma certa imponência.
Depois de tudo acertado pagamos nossos cafés e fomos ao shopping encontrar o Lee mais novo e meu melhor amigo o Hwang, que ficaram responsáveis por vesti-los já que são altos entendedores de moda e é claro o Felix já ia aproveitar para dar em cima do meu amigo.
Afinal, esse era o trato.
[...]
No Shopping.
— Minho, tem certeza que meu amigo não conhecia seu irmão?
Falo sorrindo pela situação, os dois estavam meio que abraçadinhos conversando como se se conhecessem há séculos.
— É o Felix Moon, você esperava o quê?
— Verdade.
Nos aproximamos e os garçons vulgo nossos namorados andavam ao nosso lado, duros como duas rochas, só não sei se por vergonha ou receio, mas isso precisava mudar rapidamente, então entrei em ação.
— Bang Chan... — Seguro em seu braço toda sorridente e ele me encara assustado. — Esse é o Felix, irmão mais novo do Minho, e esse é o meu melhor amigo, o Hyunjin, era deles que falávamos na cafeteria.
Ele sutilmente se desvencilhou do meu braço, o que me deixou um pouco sem jeito e se virou para cumprimentá-los.
— Soube que irão nos vestir... muito prazer, Bang Chan.
Não gostei muito da sua postura em relação a mim e enquanto o Changbin também os cumprimentava, o Minho se aproximou falando baixinho.
— Talvez ele seja gay, e você não faz o tipo nem de um hétero com juízo Moon, quanto mais de um gay.
— Não enche Minho.
— Tô falando sério, isso é pelo dinheiro que eles estão fazendo e pela cara do seu namorado fake não passará mesmo disso.
— Já você com certeza vai pegar o seu namorado, é eu sei gracinha, agora me deixe em paz, eu não quero nada com ele, só preciso que ele seja convincente.
— O que vocês dois falam tanto aí? — O Felix falou sorrindo. — Se não se odiassem tanto, eu diria que se amam.
— Lee Felix, você comeu merda foi?
Os irmãos fizeram caretas um para o outro.
— Vamos logo, o Hyunjin deu várias ideias ótimas aqui e eu quero fazer uma boa transformação nesses dois gatinhos.
Eles saíram andando, o Felix já de mãos dadas com o Hyunjin e eu sorri pela cena, realmente o Felix consegue tudo o que quer e pela cara do meu amigo ele também está amando tudo isso, amando “ele”.
Entramos em muitas lojas e compramos muitas roupas, as do Changbin o Minho pagou e eu paguei as do Bang Chan e a cada vez que passávamos nos caixas os dois nos encaravam atordoados.
— Seus pais não verificam as faturas de vocês? — O Changbin perguntou curioso.
— Não amor, e essas não estamos passando no crédito e sim no débito e estamos comprando coisas para nós também, então qualquer coisa mostramos nossas compras para eles e tudo certo.
— Aaaahh. — Ele falou ficando um tanto vermelho, realmente o Changbin era um fofo.
Já o Bang Chan... a cada compra que fazíamos ele fechava mais ainda a cara.
[...]
— Uau... Moon venha ver como seu namorado está gato.
O Felix falou e o Hyunjin deu um longo assobio e quando eu me aproximei perdi completamente o ar.
Ele estava todo de preto com um sobretudo cinza, a coisa mais linda que eu já vi e eu senti o rubor me tomando na mesma hora.
— Lindo né?
O Felix perguntou parando ao meu lado e o Bang Chan estava nitidamente evitando me olhar.
— Sim... muito lindo...
Falei baixinho, mas ele me ouviu e me encarou com uma expressão neutra, eu não sabia dizer o que ele pensava, graças a deus o Changbin saiu da cabine onde estava e o Minho surtou.
— Puta merda, meu namorado é um grande gostoso.
— Para com isso Lino.
“O quê?” pensei. O Changbin já está o chamando por um apelido?
Acabei sorrindo com aqueles dois, para eles as coisas pareciam bem mais fáceis.
Me virei e sai dali, fui para o lado de fora da loja, tentar respirar um pouco e quando saí notei algo estranho e voltei para o interior da loja.
— Meninos, seguinte, provavelmente os seguranças dos Lee estão nos seguindo.
— Merda! — O Minho falou e olhou pela vitrine. — É aquele é o San fica sempre na minha cola.
— Certo, isso não é nada bom, mas também não é de todo ruim. — Falo com a cabeça a mil.
— Ah, é amiga e por quê?
— Provas visuais Jinnie, vamos sair dessa loja como casais, — me viro para o Bang Chan. — Comece a encenar, sinto muito que eu tenha sobrado para você, mas você aceitou, então conto com sua boa atuação.
Ele arregalou os olhos e corou um tanto, primeira vez que reagiu sem parecer que tinha chupado um limão.
— E não esqueçam, — volto a falar. — Já estamos juntos há uns dois meses, lembram? Então somos íntimos, precisamos parecer íntimos.
O Changbin acenou com a cabeça já ficando ao lado do Minho e o Bang Chan voltou para o vestiário para se trocar.
Por sorte em uma das lojas eles já haviam ficado com roupas melhores, então pelo menos a impressão de serem ricos eles passariam.
— Você também vai fingir ser meu namorado Hyunjin?
— Precisamos mesmo fingir Felix? Eu gostei muito de você então podemos nos conhecer melhor, e se quiser podemos começar a ter algo hoje mesmo.
O sorriso do Felix triplicou de tamanho e eu me peguei feliz pelo meu amigo e o Lee mais novo.
— Seu sorriso é bem bonito Moon.
Dei um pulo pelo susto e quando me virei o Bang Chan estava sério ao meu lado.
— Ah, obrigado, isso foi bom, mas tente ser mais caloroso comigo, mesmo que não seja isso o que realmente pensa tá? Por favor...
Dei meu cartão a ele para ele ir pagar as roupas e ele me encarou como quem quisesse me ler.
Pagamos tudo e saímos da loja, os três casais de mãos dadas e pelo que via só eu e o Bang Chan parecíamos segurar em um iceberg de tão frios que estávamos um com o outro.
— Vamos comer? Eu to com fominha.
— Você tá sempre com fome, Lix, Binnie amor, quer comer também?
— Pode ser Lino. — E mais uma vez o Changbin estava todo vermelho.
— Fofos... — falei baixinho e senti o olhar do Bang Chan em mim.
— Tente me chamar de Channie. — Ele falou simplista. — Posso te chamar de Moonie também se não te incomodar.
Senti uma corrente elétrica correr tão rápido em meu corpo que quase tive um troço.
— Claro, pode sim... Channie...
Uma leve tensão que eu não fazia ideia de como dissipar nos envolveu.
— Vocês dois aí, fiquem a sós mais tarde, agora é um encontro triplo, esqueceram?
O Minho era diabolicamente genial falando aquilo alto para o seu segurança ouvir.
— Vamos?
— Vamos sim.
Os alcançamos e o San continuava nos seguindo.
[...]
— Amor, você se sujou bem aqui. — O Minho pegou um guardanapo e limpou o canto da boca do Changbin que decidiu mudar sua coloração de rosa para roxo.
— Ah obrigado a-mor... — Ele falou com certa timidez e todos na mesa acharam fofo.
— Sei não, mas acho que esses dois... — O Lee mais novo falou nitidamente empolgado por seu irmão.
— Não. — O Bang Chan falou sério. — Nada passará de encenação e o Changbin está só treinando não é Binnie?
— Sim, sim, é sim.
— Pera aí... — o Minho encarou o Bang Chan. — Vocês dois namoram?
Dessa vez o Bang Chan que ficou roxo.
— Não Minho, mas vocês prometeram que seriam apenas negócios lembra?
— Binnie? — O Minho perguntou para sua dupla para confirmar.
— Não namoramos ninguém Lino.
— Ah tá.
— Chan... — Fechei os olhos para recobrar meu controle. — Channie, precisamos treinar, se não parecermos íntimos o suficiente não convenceremos ninguém, pelo menos o Changbin está tentando, seja pelo dinheiro, ou que seja porque foi com a cara do Minho isso não importa muito agora.
Terminei de falar e me levantei.
— Vou ao banheiro.
Sai me sentindo sufocada e em seguida ouvi o Hyunjin atrás de mim.
— Espera amiga vou com você.
[...]
Quando ele me alcançou, ele já me envolveu pelo braço.
— Moonlight você está bem?
Me viro para ele.
— Estou sim Jinnie, mas esse Bang Chan está me tirando o juízo, ele aceitou os termos, eu não estou forçando a barra, mas sei lá eu o porquê, estar ao meu lado parece ser a morte para ele.
— Você pode desistir disso, eu já disse que não ligo para as ameaças do seu pai, posso ser seu namorado e nem precisa ser de mentira, somos almas gêmeas, esqueceu?
Sorri para o meu amigo, ele foi o primeiro que meu pai ameaçou.
— Você não liga para as ameaças, mas eu quero ter a minha alma gêmea ao meu lado pelo resto da minha vida, então obrigada pela oferta, mas não, obrigada.
— Vai insistir no Bang Chan?
— Vou, só preciso manter o controle, sempre que ele me repudiar.
— Aí amiga, que situação...
— Vem, vamos voltar.
— Mas você nem foi ao banheiro.
— Eu só queria sair um pouco de perto do meu namorado Jinnie.
Falo no tom mais irônico possível e o Hyunjin cai na gargalhada.
[...]
Terminamos de comer e fomos embora, o Minho levou o Binnie em casa, o Felix foi para a casa do Hyunjin e eu estava levando o Bang Chan; mesmo sabendo que os garçons moravam juntos preferimos fazer assim.
Estávamos só nós dois pela primeira vez e eu não sabia o que falar.
— Pode colocar música se quiser. — Falo finalmente tentando diminuir a tensão entre nós.
— Está bem.
Ele liga o rádio do carro e conecta ao celular dele e segundos depois começa a tocar uma música que eu nunca ouvi.
Vou prestando atenção na letra, a melodia já havia me ganho desde o início das batidas e quando chegou no primeiro refrão eu abri um sorriso involuntário.
“No momento em que tocamos entre as estrelas
Eu sei, baby, você é a única
Nossos corações brilham como estrelas
Refletindo um no outro
No espaço rasgado entre o céu noturno
Não podemos parar
Você é o destino, eu sou a certeza
Brilharemos, agitando o vazio...”
Sim, agora tenho certeza que nunca ouvi essa música antes, enquanto a música tocava ele ia cantando junto bem baixinho e todo tímido e então me lembro...
— Você faz faculdade de música, essa é uma das suas?
Tento ser o mais neutra possível, mas, no fundo, eu estava muito mexida, a música é linda.
— Muito perspicaz você Moonie. — Ele falou e eu sorri soprado. — Sim, essa é uma das de minha autoria, você está ouvindo a demo.
— Nossa que honra, obrigada Channie.
Falei e tive medo dele se retrair novamente.
— Você gostou mesmo?
— Com toda a minha sinceridade, eu amei.
— Oh, obrigado.
— A pessoa para quem você escreveu deve ter amado também.
Ele sorriu pequeno.
— Como sabe que a fiz para alguém?
— E não foi? Bang Chan, você já parou para prestar atenção na sua letra? — Falei em meio a um sorriso perdido.
— É você tem razão...
Então ele tem mesmo alguém? Isso faz muito sentido, talvez ele esteja assim comigo porque ama outra pessoa e estar comigo fere os sentimentos dele por ela.
— Eu sempre tenho razão, mas e aí, ela ou ele gostou da declaração?
Ele ficou quieto por um tempo e olhou pela janela do passageiro.
— Ela disse que amou.
— Fico feliz por você Channie, — nem sei se estava mesmo. — Prometo que não vou te atrapalhar só precisamos fingir na frente dos meus pais, mas se quiser fingir que não me conhece na faculdade tudo bem para mim. — menti, na verdade, saber que ele gosta de alguém me desanimou um pouco.
— Nossa que radical, — ele sorriu — Mas e os seguranças? Com certeza seremos vigiados por um bom tempo.
Droga, ele tinha razão.
— Certo, vamos parar com isso por aqui então, acho que só o Minho namorando já impede que esse casamento prossiga e se deus quiser o Felix vai namorar o Hyunjin, então não sobrarão Lees para casar comigo, — respiro ansiosa e ele parece notar. — Eu não quero te prejudicar Bang Chan.
Viro em uma rua, e noto que estamos chegando no endereço dele e então sinto sua mão pousar sobre a minha.
— Moonie, se acalme, você não vai me prejudicar, ela nem sabe que eu existo.
— Channie, não minta para mim, você acabou de dizer que ela amou a música que fez para ela.
— Sim, foi o que ela disse, mas mesmo assim, eu não sou ninguém para ela, somos de mundos opostos e nunca ficaremos juntos.
— Eu duvido.
Ele me encarou e eu parei o carro.
— Bang Chan essa coisa de classe social se esfarela como poeira quando existe amor de verdade, então se ela ama você, lute por ela e tenho certeza que se ela te ver lutando e o amar também ela lutará ao seu lado.
Ele nada disse e se preparou para descer do carro.
— Eu não duvido do que me disse, mas eu não iria querer que ela sofresse as represálias por minha culpa.
— Mas isso cabe somente a ela decidir mocinho, se para ela valer a pena ela vai fazer de tudo para estar ao seu lado, então vamos parar por aqui, vá atrás de quem ama.
— Não, não vamos parar, eu disse que faria e vou até o fim, me desculpe pelo mal jeito hoje, eu sou diferente do Changbin, sou bem mais retraído, mas... — Ele veio até mim e selou brevemente a minha bochecha. — Serei um ótimo namorado para você enquanto isso durar pode acreditar em mim.
Eu estava paralisada.
— Até amanhã, minha Moonie.
— Até Channiee...
Falo sem sentir meu corpo, sem sequer ouvir meus pensamentos e quando dou por mim ele já está do lado de fora batendo na janela do carro.
— Pode abrir o porta malas para mim, amor?
Pisquei várias vezes e me senti tremer.
— Claro.
Abri e desci do carro para o ajudar com as sacolas.
— Prontinho, obrigado por me trazer em casa Moonie.
— Imagina.
Ele veio até mim e sem que eu esperasse depositou um selar em meus lábios, lento doce e casto e então se afastou me encarando.
— Entende agora? Serei um namorado perfeito para você acredite em mim.
— Okaay... acho que me convenceu.
Ele sorriu e eu acabei o acompanhando.
— Vou entrar, volte em segurança e me mande mensagem antes de dormir.
— Está bem Channie.
Ele esperou que eu entrasse no carro e foi até a minha janela.
— Deixei a música gravada no seu rádio, pode ouvi-la enquanto volta para casa.
— Ah, não, por favor Channie não precisa.
— Por favor, amor, vamos dizer que fiz ela para minha namorada, será mais provas não acha?
O que deu nesse garoto? Mudou da água para o vinho assim do nada?
— Tem certeza? Isso é tão íntimo Channie.
— Exatamente, vamos lá Moonie, se esforce um pouco também.
Sorri desacreditada.
— Tchau Channie até amanhã, amor!
Falei a última palavra em uma entonação mais sarcástica e ele gargalhou enquanto me via ir embora.
— Eu hein, do nada isso Bang Chan?
Falo dando a volta para ir para casa e o toque dos lábios dele nos meus tomou meu pensamento.
— Young Moon, pelo amor de deus se controle, seu namorado ama outra pessoa, então por favor, por favor... por favor...
Ligo o rádio e vou ouvindo a música que tem por título “Black Hole” e penso, “Buraco negro”? O amor tem essa energia mesmo né? Sai absorvendo tudo, leva quem somos não deixando nada além de sentimentos...”
Sacudo a cabeça tentando não pensar, mas é inevitável.
— A pessoa que você ama precisa saber que é alvo de algo tão intenso assim, Bang Chan.
Tá aí, eu estava decidida.
— Vou te ajudar a se declarar para ela!
Sigo ouvindo a letra até que uma parte me chama a atenção.
“Me perdendo de novo em você, vou para o seu coração
Como a gravidade manda
Preso no seu espaço, sem poder fazer nada
Sou só um nada...”
— Então é assim que se sente Channie? Um nada?
Falo comigo mesma e sinto uma emoção estranha me tomar.
— Você é especial garoto, dá para sentir...
Viro a última rua e já estou na entrada de casa.
— E eu vou te ajudar a enxergar isso...
Entro na garagem, pego minhas coisas e entro no elevador dando graças a deus de poder ir direto para o meu quarto.
Assim que me vejo em paz no aconchego da minha cama, já tomada banho e pronta para dormir, mando uma mensagem para ele.
Me:
[Tudo no espaço tem sua grandiosidade sabia?
Se não fosse assim, não conseguiríamos ter a noção de tudo que nos envolve.
Pense nisso Channie, você é muito além do que imagina.
Agora vou dormir.
Boa noite e obrigada pelo dia de hoje.]
Envio e espero a mensagem ficar como visualizada, o que não demora muito e em seguida ele me responde.
Channie:
[O bom é que mesmo tendo o infinito tão longe do meu alcance
Eu ainda posso o ver brilhando intensamente em cada mínima grandiosidade que cabe nele e assim eu acho que sempre serei atraído ao que me pertence.
Coincidência? Destino?
Acho que só descobrirei com o tempo.
Boa noite, Moonie, descanse bem e até amanhã...
Amor.]
Li e reli a mensagem várias vezes e meu pensamento era um só: “Mas que cara confuso” porque apesar de eu ter entendido a referência que ele fez a sua própria música, aquilo pareceu enigmático demais para mim.
Coloco meu celular sobre o carregador e me deito confortavelmente para dormir.
Amanhã mudarei a minha história e meu pai terá que cumprir a palavra dele.
E depois que tudo estiver resolvido poderei ajudar o Bang Chan com quem ele ama.
Esse pensamento me deixou desconfortável, mas logo o dissipo de minha mente.
[...]
Bang Chan Pov.
Por todo o tempo que passamos no shopping meu único pensamento era:
“Você enlouqueceu de vez Christopher Bang Chan?”
Se alguém me dissesse que algo assim aconteceria, eu jamais acreditaria em uma só palavra.
Tudo foi tenso para mim, mas depois de ver a Moon ouvindo Black Hole, eu decidi baixar minha guarda um pouco e vê-la sorrindo foi bem melhor do que imaginei que seria.
Depois que ela me deixou em casa eu subi lotado de sacolas pensando que aquilo foi um enorme exagero, mas bom, pelo menos estarei muito bem vestido por todo o tempo que estiver com ela e isso já é um grande alívio porque gente como a família dela geralmente te julga apenas pelo que veste sem se preocupar com quem você realmente é.
Abro a porta com certa dificuldade e quando entro uma visão que eu daria de tudo para desver me deixa paralisado.
— WOW... me desculpem, mas vocês poderiam estar no quarto, né? Changbin? É sério isso cara? Não consegue mesmo se controlar né?
Os dois que se pegavam fortemente no sofá tem reações completamente diferentes.
O Changbin parecia estar prestes a deixar esse mundo e o Minho tinha um sorriso genuinamente feliz por ser pego dando uns amassos no seu alvo.
— Channie, me desculpe eu...
— Relaxa Binnie, mas isso acaba com a parte do “não se apaixonem por nós” não acha?
— Eu sei, mas é que...
— Relaxa amigo, eu sei...
O Minho nos olha um tanto curioso e eu já o corto.
— Nada que seja da sua conta Minho, mas já que não aguentaram e se renderam só um aviso; — vou até perto dele e o encaro. — Machuque os sentimentos do Binnie e eu acabo com você.
— Chan, isso foi lindo de verdade, mas eu que estou de quatro aqui, e se o Binnie me quiser eu já disse que quero ser mesmo o namorado dele.
— Em um dia isso Minho?
— E para que perder tempo? Ele já não vai ser meu namorado mesmo?
Sorrio, esse cara é louco de pedra.
— Conversem muito bem e então decidam o melhor para os dois, na minha opinião coisas assim sempre dão merda, mas enfim, vou subir, divirtam-se.
Vou para o meu quarto e fico pensando em tudo que vivi nas últimas horas.
O Binnie estar com o Minho é algo que enfim, nem sei bem o que pensar sobre e só tenho medo que meu melhor amigo sofra, mas fora isso estou feliz por ele.
Pena que meu caso é diferente...
Coloco as roupas arrumadas no guarda roupas, lembrando-me da cara da Moon quando me viu de sobretudo e um sorriso bobo invade meu rosto.
— Ela é fofa.
Falo e vou tomar um banho, antes de dormir vejo que ela mandou mensagem e a respondo.
Não sei se devia, mas fiz e acho que provavelmente ela nem entenderá o que quis dizer.
Se ela ao menos soubesse...
[...]
Noite de decisão.
Young Moon POV.
Durante aquele dia o Minho passou todinho com o Changbin para estreitarem seus laços e eu fiz o mesmo com o Channie.
Andamos de bicicleta no parque pela manhã, almoçamos juntos e tentamos andar de mãos dadas por aí, deixando que nos vessem como o casal apaixonado que tentávamos ser e teve um momento que nós quase nos convencemos daquilo.
Mini Flash Back On. (no decorrer daquele dia)
No parque mais a tarde.
— Se você não me der um pouco do seu sorvete, eu vou tomar ele de você Channie.
— Ah, minha Moon, se você quer tanto assim, então por que não vem pegar?
Semicerro meus olhos para o encarar e ele cai em uma gargalhada deliciosa.
— Você está me desafiando Channie? É sério mesmo?
— Por quê? Se eu disser que sim, você vai me atacar?
Sorrio boba.
— Tenta a sorte!
Ele me encarou sério e falou em um tom bem convidativo.
— Vem me pegar então, amor.
Mal falou e já se pôs de pé.
— Channie, eu vou pegar você e tomar todo o seu sorvete.
Levanto e começo a correr atrás dele que corria e gargalhava, um fofo e quando eu finalmente o alcancei ele mesmo deu o sorvete dele em minha boca.
Eu estava em seus braços, estávamos tão próximos que sentimos nossas respirações se misturando e o ar quente conflitava com a sensação gélida do sorvete dele.
Nossos olhares pararam conectados e o mundo inteiro a nossa volta pareceu sumir para mim.
Eu não falei nada, nem poderia e meu corpo quase desfaleceu quando ele se aproximou ainda mais, colando seu rosto no meu e lentamente ele fechou seus olhos, inclinando e aproximando sua cabeça da minha e então eu só me rendi.
Nosso beijo aconteceu bem ali, ao ar livre e eu não vou mentir, parecia o certo entre nós, eu me deixei levar e ele fez questão de me envolver em um beijo lento e detalhado e o sabor do sorvete se misturando em nossas bocas deixava tudo ainda mais gostoso.
Ele me envolvia em seus braços e suas mãos me seguravam pela cintura com firmeza, já as minhas apertavam de leve em sua nuca o trazendo mais para perto enquanto meus dedos se perdiam em seus fios sedosos.
Uma semana se passou comigo em seus braços?
Um ano?
Talvez apenas um segundo eu nunca saberia dizer, mas o fato é que bem ali eu soube.
Eu acabo de quebrar a promessa que fiz a ele.
Mini Flash Back Off.
Depois do nosso beijo nós dois parecíamos ainda mais um casal apaixonadamente íntimo e se não fosse por termos que ir embora eu talvez não tivesse voltado a realidade.
— Bom, acho que vamos conseguir enganar a todos Moon, não fique nervosa e eu também tentarei não ficar. — Ele se aproximou de mim e deixou um selar na minha testa. — Vamos indo? Temos que nos arrumar para o jantar.
Pisquei algumas vezes antes de o responder.
— Claro, podemos ir.
Nos separamos sem muito a dizer e ele me prometeu que estaria em casa as dezenove em ponto.
Enquanto eu voltava para casa, eu só conseguia pensar nele e meu coração estava completamente descompassado, meu estomago revirava e eu estava nitidamente assustada.
Eu estou me apaixonando?
Por favor, não...
Young Moon, você prometeu ao Bang Chan.
O Jantar.
A família Lee já estava toda em casa e o Minho e olhava completamente impaciente.
— Se acalmem vocês dois, o Binbin mandou mensagem para mim, eles já estão chegando.
— Binbin? Já estão amigos assim Lixie?
— Sem ciúmes, Minho eu já sou do Jinnie.
Eu os ouvia e forcei um sorriso, mas a verdade é que eu também estava uma pilha de nervos.
[...]
— Jantaremos em meia hora, mas agora vamos aos anúncios. — Meu pai falou e o pai do Minho foi para o lado dele. — Como todos sabem...
Nossa governanta apareceu pedindo licença.
— Os namorados da Young Moon e do Lee Minho acabaram de chegar.
Um baixo, mas forte e sonoro “oooh” foi ouvido e encaramos rapidamente nossos pais que já pareciam espumar de ódio.
Os dois entraram no salão, ambos estavam lindos de morrer e tanto eu quanto o Minho fomos para o lado deles.
— Papai, senhor Lee Jung, tanto o Minho quanto eu gostaríamos de apresentar os nossos namorados formalmente aos dois e a todos os presentes.
O senhor Young e o senhor Lee nos olhavam como se fossem nos trucidar e depois de um tempo nos analisando friamente meu pai tomou o discurso.
— Veja isso, Lee Jung, nossos filhos realmente estão namorando outras pessoas?
O pai do Minho sorriu largo, um sorriso idêntico ao de seu filho mais velho.
— Por favor filho, quem é esse belo rapaz ao seu lado?
— Me chamo Seo Changbin, senhor Lee. — Ele falou segurando na mão do Minho. — É um prazer finalmente conhecê-lo.
— Vejam que rapaz belo, forte e educado, você é dos Seo de Seul meu jovem rapaz?
— Não senhor Lee, sou dos Seo de Yongin.
— Ah, muito bem, não sabia que havia família Seo lá também.
O Changbin sorriu pequeno e meu pai os interrompeu.
— E o jovem ao lado da minha filha? Por que não se apresenta a nós também?
— Sou o Christopher Bang Chan, senhor Young, é uma honra finalmente conhecê-lo.
Havia verdade na fala do Bang Chan e todos se convenceram que ele já pretendia o conhecer.
— O prazer é todo meu rapaz, mas me diga, Bang Chan? De onde sua família é?
—Austrália senhor, vim para a Coreia para estudar.
— Extraordinário, um rapaz independente... e o que estuda?...
As apresentações levaram bem mais tempo do que imaginei, mas tanto o Channie quanto o Binnie se saíram perfeitamente bem e agora todos estão convencidos de que somos dois casais muito apaixonados e antes de finalizarem o jantar nossos pais fizeram um pronunciamento.
[...]
— Como todos puderam ver tanto eu quanto o Lee Jung estamos em maus lençóis aqui, nossos filhos realmente amam a outras pessoas e agora teremos que cumprir nossas promessas em não os casar, e quanto ao nosso acordo de paz decidimos nos tornar sócios assim as famílias terão que coexistir como era nossa vontade quando sugerimos unir o Minho e a Moon em casamento.
Respirei aliviada e o Minho quase saltou de alegria, mas foi a postura dos nossos namorados de mentirinha que fizeram a diferença ali.
Ambos selaram seus lábios aos nossos como quem dizia “amor, estou aliviado” e tanto o Minho quanto eu nos entregamos ao momento, completamente sem encenação ali e nossas famílias nos aplaudiram, e apesar de termos dois líderes familiares nitidamente contrariados nos observando, nós estávamos genuinamente felizes.
[...]
Um mês depois.
Tudo corria muito bem, e apesar dos olhares constantes dos nossos pais sobre nós, tanto o Channie quanto o Binnie se mantiveram perfeitos em seus papéis.
Saíamos juntos, dormimos nas casas uns dos outros, claro que o Minho dormia de fato com o Binnie, mas eu apenas no mesmo quarto, o Channie sempre me deixava na cama e dormia no chão.
E como esperávamos, os nossos seguranças nos vigiavam quando estávamos em público e era sempre aí que eu esquecia que o Bang Chan não era meu namorado de fato, ele me tratava incrivelmente bem, com muito carinho e sem perceber eu já me encontrava toda apaixonada por ele.
Tanto que acabei desistindo de fazer com que ele se desse bem com a verdadeira dona da música que eu tanto amo ouvir.
Duas semanas depois.
Tivemos uma viagem com as famílias já que agora tínhamos essa sociedade que estava indo muito bem até, para a nossa casa de praia e é claro nossos namorados assim como nossos amigos também foram.
[...]
— Pera aí, você conseguiu mesmo Jisung?
O Jisung estava todo abraçado ao Seungmin e eu estava de queixo no chão.
— Eu nunca duvidei.
— Claro né, Minho, o Jisung é cria sua...
— Eu adorei o novo casal, agora só falta o Innie escolher se fica comigo e o Jinnie ou com os SeungSung.
Ri alto da cara do Jeongin que estava mais vermelho que tudo e vi a cara do Channie me olhando.
— E aí feiosinha? — Levei um susto com o Minho. — Vai se declarar ou não para o seu namorado?
— Você ter feito isso com o Changbin e ter dado certo é uma coisa, já eu... — respirei fundo e peguei um pedaço de melancia. — Minho ele não gosta de mim.
— Eu também achei que o Binnie não gostava de mim, mesmo ele sendo tão legal comigo desde sempre, mas eu me declarei e ele me deu um beijão que me fez ir ao céu.
— Você é sortudo, lembra? Diferente de mim.
— Vai lá fala com ele...
Ele me deu um empurrão e eu fui em direção ao meu namorado fake quase caindo nele toda desajeitada.
— Já com saudades de mim Moonie? — ele falou enquanto me segurava para eu não cair.
— Engraçadinho... o Minho que me empurrou.
— Eu vi... do que vocês estavam falando?
Respirei fundo e me muni de toa a coragem que encontrei.
— Podemos conversar?
— Claro, quer se afastar deles um pouco?
— Por favor...
Ele pegou em minha mão e me levou para umas espreguiçadeiras que tem na beira da piscina nos sentando frente a frente.
— Pronto, pode falar, aconteceu algo?
Eu nunca fiz isso antes, e sei que não sou a melhor em lidar com sentimentos então eu só tentei esvaziar a mente e comecei a falar.
— Channie... — eu estava tão nervosa que qualquer um a quilômetros de distância saberia só de olhar para mim.
— Pode me falar Moon, você quer terminar? Digo com o namoro falso?
— Não! — Quase gritei e ele se assustou. — Desculpe, não é isso é que... — Enchi meus pulmões de ar e fui soltando lentamente e quando finalizei o encarei nos olhos. — Channie, não é isso, o que eu queria te dizer é que... — mordi o lábio e pensei “lá vai” — Eu estou gostando de você, Bang Chan.
Fechei meus olhos e esperei sua reação, aquilo pareceu durar uma vida e então abri os olhos me assustando com o movimento que ele fez e quando o olhei ele estava de pé em minha frente e com um semblante completamente atordoado.
— Moon, você prometeu não se apaixonar e essa era a condição mais importante do nosso acordo.
Gelei por inteiro, como eu sabia que seria, o Bang Chan estava me rejeitando.
— Eu queria ter cumprido minha palavra, eu juro que queria, mas quando me vi eu estava te amando Channie, sinto muito, mas é a verdade.
Ele me encarava sério com nunca havia feito e eu apenas lamentava internamente por ter ouvido o concelho do Minho.
— Vou levar essa farsa até o jantar em comemoração dos negócios das famílias de vocês e depois disso vamos parar de fingir.
Isso seria em duas semanas...
Ele veio até mim pegou em minha mão e deixou um selar nela sinalizando que meu tio estava olhando a gente e as lágrimas que queriam rolar meu rosto foram engolidas a força.
— Me desculpe por isso Bang Chan, eu errei em misturar as coisas.
Falo o mais rápido que consigo e ele se levanta, deixa um carinho no meu rosto e se afasta dizendo que vai pegar um suco para mim.
E eu fico sentada na espreguiçadeira contemplando a imagem dele que se afasta em como a um filme.
“Você prometeu...” “essa era a condição mais importante...”
Suas palavras ecoavam em minha mente...
“Somos de mundos opostos e nunca ficaremos juntos...”
É, acho que agora eu te entendo um pouco Channie...
Falo e enxugo rapidamente uma lágrima que insistiu em rolar, o vejo voltando com dois copos de suco na mão e me levanto, tiro minha saída de banho e quando ele está bem próximo a mim dou um mergulho na piscina, estava calor, eu estava de biquíni então ninguém notaria que eu só queria fugir dele.
[...]
As duas últimas semanas passaram voando e hoje seria o jantar de comemoração da sociedade YoungLee.
Durante esse tempo mantemos a farsa, e eu diria até que muito bem, já que nem nossos amigos desconfiaram de nada, talvez o Binnie, mas é claro que ele não falaria comigo sobre isso.
O bom é que nem para o Minho ele falou porque senão eu já teria o chato do Lee mais velho no meu pé.
Hoje à noite será nossa última vez juntos e eu tenho certeza que depois disso eu nunca mais verei o Channie.
E só de pensar nisso sinto minha alma doer.
[...]
Bang Chan Pov.
— Cara conta para ela!
O Changbin parecia irritado comigo.
— Claro Binnie, vou mesmo chegar nela e jogar toda essa merda, — Falo colocando meu terno e meu amigo bufa impaciente. — Binnie me ouça bem, eu fico muito feliz que você tenha conseguido, sério, mas eu não e... eu não quero magoá-la, ela não merece isso.
— Chan, pelo amor de deus, cara! Você tá aí todo apaixonado por ela desde quando? Sempre! E isso só aumentou nesses últimos dois meses, — ele veio até mim e me pegou pelo ombro. — Ela se declarou para você Channie, ela também te ama.
— Não importa... isso... Isso já não importa Bin.
— Bang Chan, você parece uma mula velha, eu desisto, — ele se virou e foi até a porta. — Seja legal com a Moon hoje, será sua última noite como namorado dela, não é?
Ele nem esperou que eu respondesse e saiu irritado comigo.
Um aperto enorme no meu peito veio me trazer essa realidade à tona.
Hoje é meu último dia sendo o namorado falso da Yong Moon e tudo já estava acertado.
Hoje ela entenderá o porquê não pode se apaixonar por mim.
[...]
No jantar.
Young Moon Pov.
O jantar estava correndo lindamente, tudo estava perfeito e eu ignorava de proposito que hoje seria meu último dia com ele.
O Bang Chan não me ama e eu terei que esquecê-lo.
Isso estava doendo muito, mas em momento algum deixei transparecer, eu estava... como posso dizer isso? Firme? Sim, acho que estava firme o suficiente e se eu conseguir chegar até o fim da noite assim, ninguém perceberia.
E ele?
Ele realmente atuava muito bem, pois se eu me desse ao luxo de esquecer tudo isso eu diria que ele me amava tanto quanto eu o amo.
[...]
— Antes de terminarmos quero pedir a palavra. — Meu pai falou chamando a atenção de todos. — Minha filha há dois meses atrás nos trouxe o jovem Christopher com seu namorado e ele foi acolhido por nossa família, mas recentemente descobri que era apenas um oportunista usando minha princesa para atingir a mim.
Toda a atenção do salão veio para nós dois e meu namorado falso segurou firme em minha mão.
— Bang Chan? — Pergunto apreensiva e noto o olho dele marejar. — Fale alguma coisa... por favor...
— Escute bem seu pai Moon e tire suas conclusões.
Meu pai sorria, um sorriso que eu odiava ver em seu semblante e então ele voltou a falar.
— Recentemente veio até mim o real motivo de ele querer a minha Moon, esse jovem está buscando uma vingança de algo que ele julga ser minha culpa, mas aproveito para dizer que não Bang Chan, seu pai não morreu por minha culpa, ele morreu porque perdeu tudo e perdeu tudo por ser um tolo, as ações da minha empresa voltaram a subir seis meses depois que ele se foi e ele teria recuperado seu dinheiro se estivesse vivo.
Ouvindo meu pai, me lembrei mais ou menos do que ele falava, e o Channie ainda segurava em minha mão quando se levantou para enfrentar seu algoz, o meu pai.
— Pois saiba senhor Young que tenho comigo todas as provas que o incriminam diretamente pela morte do meu pai e nesse exato momento elas estão com a polícia e cópias delas foram para todos os acionistas do seu império, que foi construído em cima da morte de pessoas honestas e inocentes como o meu pai e muitos outros que perderam tudo para o senhor ter o luxo que tem hoje em dia, afinal mortos não podem recuperar seus investimentos não é senhor Young?
Olhei em volta e vi o Binnie chorando, o que me fez crer que tudo aquilo era real, o Minho também estava diferente, mas ao contrário de mim ele afagava seu namorado.
Já eu estava tentando raciocinar, lembrei de conversas que ouvi onde descobri que meu pai não era flor que se cheire, fui juntando as peças, mas ainda estava difícil seguir uma lógica naquilo tudo.
— Filha largue a mão do seu namorado agora mesmo, ele está de saída.
Meu pai falou sem titubear, mas eu não o obedeci.
— Era por isso que eu não podia me apaixonar por você? Você jamais poderia amar a filha do assassino do seu pai, não é?
O Channie pareceu um tanto surpreso, mas também confuso e mais rápido do que imaginei, os seguranças o levaram de mim.
Olhei para o meu pai que recebeu um telefonema e agora sim, parecia espumar, seja lá o que ele ouviu o deixou enfurecido.
Era isso, o Channie jamais poderia me amar, eu o perdi antes mesmo de o conhecer, e ele já sabia disso.
Não me importo se ele me usou para se aproximar do meu pai, o que de cara não pareceu fazer sentido afinal naquela noite em que eles eram garçons fomos o Minho e eu que os chamamos, nós propomos o namoro fake então por mais que eles estivessem lá para atingir meu pai de alguma forma eu não acho que ele tenha me usado.
[...]
E foi assim que encontrei o amor da minha vida e o perdi antes mesmo de poder tê-lo para mim.
Ele me avisou, me fez prometer, mas quebrei a promessa e agora eu preciso esquecê-lo.
Isso nunca daria certo mesmo.
Flash Back Off (central).
[...]
Momento atual.
Desde aquela noite seis meses se passaram.
Depois que o Channie foi levado de mim, o jantar acabou em um alvoroço tenebroso, e na semana seguinte meu pai foi preso por ter todas as suas falcatruas expostas pelo filho de uma de suas vítimas que provavam os golpes que ele deu em diversas famílias, entre outros de seus crimes.
Com o tempo eu descobri que a família do Binnie também foi prejudicada, mas pelos pais do Minho, ele não chegou a perder ninguém por isso e quando o Minho descobriu, ele devolveu tudo o que os Seo perderam com juros e correção monetária retroativos a data dos acontecimentos.
Os dois se apaixonaram, o Binnie deixou o passado para trás, ele garante que já tinha deixado antes mesmo do Minho o ressarcir e os dois seguem firmes em seu namoro.
E eu, como filha única dos Young, acabei assumindo o cargo de CEO da empresa do meu pai, mas como quero mesmo seguir na medicina coloquei o Hyunjin como meu representante e ele está cuidando de tudo para mim.
Nós também reembolsamos a família do Channie com juros e correção, mas quem reembolsa uma vida? Demos uma indenização a mãe do Chan e eu mesma almocei com ela para lhe pedir desculpas.
Ela chorou muito e me contou como seu marido era apegado aos seus filhos, mas principalmente ao Channie.
E depois disso eu nunca mais nem vi, nem ouvi falar nele, o Binnie fazia questão de não tocar no assunto quando nos encontrávamos e eu mantive assim.
[...]
— Por que essas caras? — Perguntei aos meus amigos que estavam em casa para vermos filmes. — Querem me dizer algo?
Todos encararam o Minho, é claro que se tivesse algo rolando era o Lee mais velho que jogaria tudo aos ares.
— Seguinte feiosinha, quinta-feira agora é aniversário do Chan. — Ouvir o nome dele me fez gelar. — E nós vamos comemorar em um restaurante com ele.
Não respondi, mal me movi, na verdade, e o Minho jogou uma almofada em mim.
— Ai, garoto!
— E aí você vai? Já deu de sofrer por amor você não acha?
— É claro que não vou, ele me odeia Minho e com toda a razão.
— Binnie, amor, me ajuda aqui.
O Changbin se sentou e me encarou sério.
— Eu não vou falar sobre nada disso porque são vocês dois que tem que conversar e se resolver, mas Moon acredite em mim... não é bem assim... e vocês deveriam mesmo conversar.
Eu senti vontade de chorar, se ao menos eles pudessem saber o tanto que eu morro de saudades do Channie.
Nem para o Hyunjin eu contei como me sentia, depois de ver o Bang Chan com aquele olhar quando meu pai pensou que o desmascarava quando, na verdade, era ele quem estava sendo desmascarado me fez entender o porquê o Bang Chan nunca me amaria.
Fora que ele já ama alguém...
Alguém para quem ele escreveu uma linda música com uma letra cheia de sentimentos e significados.
Esse alguém não era eu, nem poderia ser...
— Rapazes eu não vou..., mas por favor, façam ele se sentir muito bem, feliz e amado, o Channie merece isso.
Me levantei, eu estava em minha casa e não poderia fugir dos olhares dos meus amigos, o Hyunjin veio atrás de mim deixando o Felix ir ficar com o trisal SeungSungIN e eu corri para a varanda, precisava respirar.
— Quando você vai pôr para fora tudo isso que está guardando a sete chaves em minha Moonlight?
Não falei nada, mal me virei para ele, mas as lágrimas já não faziam questão alguma de ficarem escondidas.
Eu soluçava baixinho e meu amigo veio me abraçar.
— Shiiiuu... — ele me afagava e me dava tapinhas de consolo nas costas. — Isso mesmo Moonlight, põe para fora a dor pela falta que seu namorado te faz...
Eu me afastei um pouco dele o encarando e ele voltou a colocar minha cabeça em seu peito.
— Se eu não soubesse que você ama o Channie perdidamente eu não seria seu melhor amigo Moonzinha.
Desabei de vez, chorava copiosamente nos braços dele sem mais me importar se minhas lágrimas molhariam a camiseta do Jinnie.
— Ele ama outra pessoa Jinnie, e por mais que não amasse, como ele vai ficar com a filha do homem que matou o pai dele?
— Você ouviu o Binbin? Tem mais história nisso tudo e você pode ir e descobrir por si só, o que me diz de tentar? Caso ele te odeie ele vai te dizer e aí você desencana de vez, podemos ir só você e eu para a ilha de Jeju e ficar lá por uns dias.
— Tá maluco, o Felix me mataria.
— Não mataria nada. — A voz marcante do Felix surgiu detrás do Jinnie. — Mas só se você for na comemoração do Channie e entender que não tem mesmo jeito entre vocês, se isso acontecer te empresto seu melhor amigo por um mês inteiro.
Sorri boba, depois de todos esses acontecimentos os irmãos Lee e eu nos recordamos de como éramos amigos quando crianças, quando o ódio das famílias ainda não nos afetava e agora retomamos essa amizade.
— Obrigada Felix, mas eu sinceramente não acredito que deva ir e estragar o dia dele assim.
— Pense bem Moonzinha, você pode ir embora se notar que ele odiou vê-la, mas pelo menos você tentou, e já se passaram meses, de repente ele agora consiga o que não conseguiu da primeira vez.
— Me amar? Duvido muito.
O Felix se juntou ao nosso abraço e eu me senti protegida, e em minha mente a dúvida me consumia.
Tento falar com ele?
Eu vou aguentar o ver me odiando, ou ser rejeitada por ele mais uma vez?
Esses pensamentos doeram fundo em mim.
— Vem Moonlight, vamos voltar lá para dentro, os meninos todos querem te agarrar.
Voltei com eles decidida a esquecer essa loucura.
[...]
03/10 – Quinta Feira. Aniversário do Bang Chan.
Bang Chan Pov.
O Binnie estava tentando se manter misterioso, mas de mim ele nunca consegue esconder nada e eu duvido muito que ele vá me levar no boliche mesmo.
Estou me arrumando e ele entra no quarto se jogando na minha cama.
— Channie...
— Oi?
— Você nunca mais viu a Moon?
Respirei fundo, só a menção do nome dela me fazia estremecer por inteiro.
— Que pergunta idiota é essa Seo Changbin? Você sabe que não, eu nunca mais a vi, e sabe que penso que é melhor assim também.
Ele cruzou os braços e me encarou sério.
— Você não me convence, nunca falou toda a verdade para ela, mas você devia Channie, você devia...
— Você acha mesmo que ela vai querer olhar para o cara que ferrou o papai dela? Changbin é sério, não viaja, hoje é meu dia, não me deixe triste com esse assunto.
— Olha, eu não vou falar nada sobre isso Channie, mas quer saber?
Me viro para ele.
— O que Binnie?
— Não é bem assim como você pensa, tá, você devia conversar com ela ao menos e resolver isso, não aguento te ver todo borocoxô assim, Channie, você é o meu melhor amigo, é um cara incrível e está sofrendo.
— Binnie, por favor...
— Quer saber do que mais? Eu desisto de você, mas quando você soprar as velinhas faça um pedido decente e resolva sua vida.
Ele veio até mim e me abraçou com força.
— Ninguém merece a felicidade mais do que você Channie, ninguém! Então faça alguma coisa por você mesmo, está bem?
Decido ignorar sua fala, de onde o Changbin tirou isso? Ela nem deve lembrar que eu existo, e se lembra é com ódio.
— Então vai ter bolo no boliche?
Sinto meu ursão tencionar, ele acabou de ser pego.
— Droga, era surpresa.
— Tudo bem ursão, eu finjo surpresa, tá bom?
— Besta, termina logo de se arrumar, vou te esperar na sala.
Ele saiu do quarto e eu me olhei no espelho, eu nunca disse nada a ele, mas o Binnie era o único que sabia como eu me sentia de fato.
Talvez ele soubesse até mais que eu mesmo.
Eu ainda tenho mil coisas das quais lamento dançando em volta da minha cabeça.
O que eu nunca disse a ela...
Os segredos que guardo só para mim.
As memórias do que fizemos quando eu era seu namorado falso, e outras que ela parece ter esquecido reaparecem em minha mente sempre que me deito para dormir.
É só eu fechar meus olhos que tudo vem me sufocando.
Dói muito olhar para trás e imaginar que o que fiz foi mesmo o melhor a se fazer.
Se isso for o melhor, então por que dói tanto?
Por que não a ter comigo me fere mais do que fogo sobre a pele?
Enfim... Christopher Bang Chan, respire… respire de novo e mais uma vez...
Uma hora isso vai passar...?!
Com esse último pensamento em mente, eu de fato respiro fundo, termino de me arrumar e desço para ir com meu melhor amigo, comemorarei meu aniversário e farei de tudo para não pensar na minha Moonie.
[...]
Young Moon Pov.
A essa hora todos já devem estar com o Channie, recebo uma mensagem no celular e quando vejo é do Bin.
BindoMinho:
[Moon, vou te mandar o endereço de onde estamos.
Ouça a música mais uma vez, se coloque no lugar do Channie e tente entendê-lo.
Então decida o que é melhor a se fazer, e faça o que for melhor para vocês.
Boa sorte, Lua.]
Leio algumas vezes, e logo de cara não entendo bem.
— Música? Bin você endoidou?
Aí me lembro de “Black Hole” e me sento com tudo na cama.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Por que me mandou ouvir essa música Bin? E como sabe que eu ainda estou com ela? Como sabe que não a apaguei?
A verdade é que eu a salvei do rádio do meu carro e passei para o meu celular e desde que me separei do meu namorado fake que ela vem embalado toda a minha saudade por ele por que com ela eu ainda posso ouvir sua doce voz.
Pego meu celular, deito na minha cama e dou play na música, fecho meus olhos e a imagem do Bang Chan cantando ela no banco do meu carro todo tímido vem em minha mente.
Começo a prestar a atenção na letra, de novo, e mais uma vez...
“Me perdendo de novo em você, vou para o seu coração
Como a gravidade manda
Preso no seu espaço, sem poder fazer nada
Sou só um nada...”
“Se coloque no lugar do Channie e tente entendê-lo...”
Penso na fala do Bin.
Era em relação a mim que ele se sentia um nada?
Por eu ser filha de quem sou ou por toda a situação que ele viveu?
Por ele precisar fazer o que fez e achar que eu o odiaria por isso?
“Você está lá longe, tão distante
Brilhando intensamente
Eu sou puxado em direção a você
Naquele espaço vazio
É só coincidência? Ou é destino?
Me perdendo nessa novidade com você...”
Com certeza estávamos longe antes, e agora ainda mais.
Eu brilho para você Channie?
Você brilha para mim, intensamente, sempre foi assim.
Será que foi o destino que me fez ir a ele antes que ele revelasse as sujeiras do meu pai?
Para que eu o amasse antes de saber de tudo?
“...Nossas silhuetas se dispersando
Nos envolvem ainda mais brilhantemente”
— Pera um pouco aí... Channie era você?
Uma lembrança antiga veio em minha mente, um acampamento escolar onde dancei com um menino...
“— Olha, nossas silhuetas na sombra da luz da lua, estão brilhando, somos você e eu Young Moon e estamos brilhando juntos.”
Lágrimas desceram meu rosto, era ele sim naquele acampamento e eu acabo me lembrando que ele foi meu primeiro amor, coisa de adolescente, rápido e só sentimentos puros, mais nada e depois ele desapareceu, eu nunca mais o vi...
Ou pelo menos achei que nunca mais o tinha visto.
“— Medicina? Que legal, — um rapaz de boné que esbarrou em mim me ajudava a pegar meus cadernos caídos. — Sou o Chris e você?
— Moon... me desculpe pelo mal jeito e obrigada por me ajudar, mas preciso correr estou atrasada para minha aula.
— Tudo bem, boa aula Moon.”
Mais uma lembrança, essa do meu primeiro dia na facu.
Era ele o tempo todo?
Nós sempre voltamos um para o outro?
Segui ouvindo a música e eu já chorava sem parar...
“No momento em que tocamos entre as estrelas
Eu sei, baby, você é a única
Nossos corações brilham como estrelas
Refletindo um no outro
No espaço rasgado entre o céu noturno
Não podemos parar
Você é o destino, eu sou a certeza
Brilharemos, agitando o vazio...”
Eu sou o destino dele?
Não sei dizer, minhas emoções gritam dentro de mim e uma coisa posso afirmar com convicção.
Ele é a minha certeza!
Pulo da cama completamente decidida.
“Como a gravidade manda”
Vou me deixar ser atraída pelo nosso vazio, vou me permitir “desmoronar e juntos vamos renascer em outro mundo”.
Posso estar completamente equivocada?
Posso!
Mas o que eu não posso de jeito nenhum é não olhar nos olhos dele essa noite e não dizer a ele que eu ainda o amo.
[...]
No restaurante.
Bang Chan Pov.
Fui pego de surpresa, tudo bem, eu sabia que não haveria boliche nenhum, mas eu jamais esperava que todos os meus amigos, dos antigos aos mais recentes estariam a minha espera.
Ela não está com eles.
Mas procurei não pensar mais nela, tenho amigos incríveis que fecharam a área vip do restaurante que eu sempre tive vontade de ir só para comemorar meu aniversário.
E eu nem mereço tudo isso...
A comida estava deliciosa, meus amigos muito animados, tudo estava literalmente perfeito e eu estava feliz.
Mas não totalmente feliz.
E só eu sabia disso.
— Todo mundo já notou Chan, essa sua carinha entristecida tem nome, endereço e telefone, e se eu fosse você eu ia atrás...
— Minho... — Falo em um sorriso fraco e ele segura em meu ombro. — Não insista.
— Tudo bem, parei, mas se quer saber a Moon deve estar igual a você, a feiosinha sente sua falta Chan.
Ele falou e antes que eu pudesse reagir ele se afastou.
O Minho não inventaria algo assim... mas porque eu não fico convencido?
Vejo a excitação de todos e quando dou por mim o garçom está vindo com um bolo lindo, com suas velas já acesas e assim que ele o deixa na mesa meus amigos me colocam de frente para ele e começam a cantar.
“... E para o Chan, nada?!
TUDO!!!...”
Confetes caíram sobre nós e uma lágrima de felicidade rolou meu rosto, eu tenho os melhores amigos do mundo e agora eles estão bem em frente a mim, eu me sinto mesmo um sortudo.
— Faz um pedido Channie hyung! — O Innie falou todo empolgado.
— É Channie vamos lá pense com o coração e capricha no pedido! — O Seungmin falou batendo palminhas.
— Vamos amigo, é o seu momento! — O Binnie falou piscando para mim.
— Chaan! Chaan! Chaan!... — O Felix e o Hyunjin puxaram e o Han e o Minho os acompanharam batendo palmas.
Fechei meus olhos e levei minhas mãos ao meu coração.
Mentalizei a única coisa em que eu conseguia pensar, a única que eu realmente desejava e então abri os olhos, dei um sorriso bobo me abaixei em direção ao bolo e soprei as velinhas.
Meus amigos aplaudiram eufóricos, mas notei que os aplausos foram diminuindo e os olhares deles se espantaram.
Senti um arrepio correr minha espinha e um gelo tomar meu estomago, então decido me virar e ver o que eles estão olhando.
[...]
Young Moon Pov.
Acho que eu nunca corri tanto com meu carro em toda minha vida, cheguei no restaurante o mais rápido que pude e quando fui até a recepção o rapaz sorriu dizendo que eu já estava liberada e que eles já estavam a minha espera.
O Minho e o Binnie são uma dupla perfeita para o “crime”, tá para nascer tão iguais, penso e começo a ir em direção às escadas, pois onde eles estavam era na área vip aberta do restaurante.
A noite estava linda, a lua no céu era cheia e brilhante e muitas estrelas estavam ali os contemplando.
Tudo parecia perfeito e quanto mais eu me aproximava mais meu coração se apertava no peito.
E então eu os encontrei.
“— Faz um pedido, Channie hyung! — O Innie falou todo empolgado.
— É Channie, vamos lá, pense com o coração e capricha no pedido! — O Seungmin falou batendo palminhas.
— Vamos amigo, é o seu momento! — O Binnie falou piscando para ele.
— Chaan! Chaan! Chaan!...”
Vi o meu Channie se abaixar para apagar as velinhas e fui me aproximando ainda mais.
Meu coração estava paralisado, mas do nada ele voltava a bater tão rapidamente que eu sentia seus movimentos com precisão e quando o Channie terminou seu pedido ele encarou nossos amigos que agora me olhavam em uma mistura de puro espanto com completa satisfação, e então lentamente ele se virou para mim.
Eu o encarei com meus olhos já marejados e senti que nossos corpos eram puxados um para o outro assim como ele descrevia em sua música e nada para mim era mais certo do que tudo o que sinto por ele, e agora isso estava ainda mais claro para mim que o via completamente em choque na minha frente, todo vermelho de vergonha e com a expressão mais surpresa que eu já havia visto em seu semblante.
— Espero que você não me odeie por ter vindo, mas eu precisava muito te dizer uma coisa, Channie.
— Vamos deixar os dois conversar... — Ouvi o Binnie falando e eles se afastaram para outro canto do salão, mais próximo ao buffet.
Fiquei encarando ele que nada me disse, então eu ainda não sabia se ele gostou ou não de me ver ali.
— Eu estraguei sua noite, não foi? Bang Chan eu...
Eu não pude terminar minha fala, o Channie me puxou para ele e antes que eu tomasse uma consciência do que poderia acontecer, ele selou seus lábios aos meus de um jeito tão urgente, doce e sublime que eu apenas me entreguei ao momento.
Ele apertava minha cintura me puxando mais e mais para ele e eu envolvi sua nuca deixando carinhos nela.
Nossas línguas se encontraram, o nosso beijo ia ganhando forma e ali estávamos falando um ao outro tudo o que precisávamos dizer...
“Eu senti a sua falta...”
Era o que nossas respirações ofegantes nos diziam.
“Eu te amo...”
Era o que o contato de nossos lábios deixava claro para nós.
“E eu nunca mais vou te deixar ir”
O aperto de nossos corpos cheios de urgência gritava isso a quem quisesse ouvir, mas principalmente para nós dois que nos entregávamos um ao outro sem ressalvas e quando o ar começou a dar indícios de que nos faltaria, colamos nossas testas nos afastando o mínimo possível e em momento algum largamos do nosso abraço.
— Channie, eu preciso que saiba, eu nunca odiei você, nunca o culpei por nada daquilo, eu sempre te dei razão, você tem razão em não me querer em sua vida e eu...
— Minha Moonie... — sua voz saiu tão doce e suave que me permitir chorar pela saudade que eu sentia dele. — Todo esse tempo o meu maior sofrimento foi justamente por tanto te querer e não poder tê-la para mim, eu achava injusto amar tanto você e ter que honrar ao meu pai fazendo o seu pagar pelo que fez a ele, isso me doía como ácido na pele, mas em nenhum momento eu deixei de te querer.
As palavras dele me encheram de esperança.
— Channie, eu... — Me separei um pouco dele apenas para o encarar, mas sem sair de seu abraço. — Eu amo você, eu me apaixonei por você no mesmo instante que prometi não me apaixonar porque, na verdade, eu já te amava, só não tinha essas lembranças vivas em mim, mas você me fez lembrar de todas elas...
— Então você finalmente se lembrou de nós?
O sorriso em seu rosto era enorme e sem resistir eu beijei uma de suas covinhas que eu tanto amava ver.
— Sim, eu me lembrei do acampamento, a nossa dança e o que me disse, me lembrei de você na faculdade no meu primeiro dia e depois de o ver algumas vezes por perto..., era você que deixava chocolates no meu armário, não era?
Ele sorriu e acenou que sim.
— Você foi meu primeiro amor Young Moon e quando eu decidi me declarar para você aconteceu aquilo tudo entre meu pai e o seu e eu entendi que talvez nossos destinos não estivessem interligados como achei que fosse.
O encarei e o puxei para um abraço forte e quando estávamos unidos eu o lembrei.
— Você é o meu destino Channie e eu sou a sua certeza.
Ele me apertou contra seu corpo e confirmou em meu ouvido.
— E você é o meu destino, Moonie e eu sempre serei a sua certeza — Ele respirou fundo como se tivesse aliviado. — Agora você sabe para quem escrevi Black Hole?
Me senti queimar, eu já imaginava, mas ouvi-lo dizendo me levou as estrelas daquele céu lindo sobre nós.
— E eu realmente amei cada verso dela.
Ele me apertou no abraço e me deu mais um selar demorado.
Nossos amigos começaram a nos aplaudir e um “finalmente” vindo do Minho foi ouvido por nós dois seguido pelas risadas descontraídas de todos os nossos amigos.
— Temos muito o que conversar Channie, mas que tal voltarmos a sua festa?
— Você ficará comigo?
— E não foi esse o seu pedido de aniversário?
Ele sorriu largo deixando seus olhos bem apertadinhos e eu o beijei na ponta do seu nariz.
— Sim, eu pedi que você fosse minha e que pudéssemos nos resolver de uma vez.
Ele estendeu sua mão para mim e eu a segurei sorrindo.
— Pedido realizado Christopher Bang Chan, eu nunca mais sairei do seu lado.
Ele me deu um último selinho e fomos nos juntar aos nossos amigos.
Comemoramos a noite toda e o Channie dizia o tempo todo que ele não poderia estar mais feliz, o que me deixou radiante.
[...]
Tempos depois.
Depois daquela noite nós dois conversamos muito, colocamos todas as coisas que poderia se tornar empecilhos em pauta e chegamos juntos a conclusão de que nada daquilo era maior do que o que sentíamos um pelo outro e que com toda a certeza passaríamos por qualquer obstáculo que surgisse desde que ficássemos juntos.
Meu pai continua preso por ter sido julgado e condenado, e eu sempre vou o visitar, o Channie me leva e me espera do lado de fora toda vez.
Nossos amigos estão ainda mais unidos, seja em amizade ou em seus relacionamentos e os núcleos HyunLix e SeungSung foram unidos pelo elemento I.N que já estava com o segundo núcleo e agora eles vivem um poliamor.
A nossa dupla explosiva, os MinBin estão de casamento marcado para daqui a seis meses e o Channie e eu seremos os padrinhos, ficamos muito felizes pelos nossos amigos e eles são completamente apaixonados e cúmplices em tudo, dá gosto de ver.
O Channie me pediu em namoro uma semana depois do aniversário dele e bem agora eu estou em pé no batente da porta da cozinha do apartamento dele usando uma de suas camisetas que ficam bem folgadas em mim apenas o observando preparar nosso jantar.
— Vai ficar aí só me olhando minha lua?
Sorrio bobo, mesmo sem nem sequer olhar para mim ele me põe abaixo com seu jeitinho todo sedutor.
— Vou sim, eu gosto de te ver cozinhando para nós.
— Não seja tão malvada assim, você me prometeu que não ia ficar me tentando desse jeito.
— Mas Channie, eu não fiz nada amor.
— Ah, não? — Ele vira e me encara de cima a baixo. — E essas pernas de fora são o quê? Provocação pura Moon.
Sorri largo para ele e começo a caminhar em sua direção.
— Você sabe que eu não sou muito boa em cumprir as promessas que faço...
Ele para o que está fazendo e desliga o fogão.
— Ainda bem que não é mesmo... — Ele me puxa pela camiseta dele e me abraça, deixando suas mãos propositalmente descansarem em minha bunda. — Mas eu me pergunto, será que você vai aguentar ir com isso até o fim?
Ele começa a depositar selares sedutores em meu pescoço, descendo lentamente com lambidas e mordidas que me arrepiam por inteiro.
— Se eu aguento Christopher Bang Chan?
— Uhum...
— Então por que não me leva para o quarto e descobre?
Ele sobe com mais selares parando em minha boca e mordendo meu lábio inferior e enquanto ele arrasta seus dentes bem lentamente por ele, seus olhos me encaram o mais profundamente que alguém poderia chegar e eu sinto que ele acessou a minha alma com esse olhar.
— Você sabe que esse “trem” nunca dorme, não sabe? Se você embarcar nele, não permitirei que saia nem tão cedo.
— E quem disse que tenho sono, amor? Posso ficar acordada a noite toda.
Ele morde seu próprio lábio demonstrando o quanto gostou do que eu disse e me pega em um único gesto me colocando encaixada nele sem tirar suas mãos das minhas nádegas e eu já me sinto ferver só com isso.
Ele sobe as escadas comigo em seu colo e vai revezando entre me encarar mortalmente e me beijar ou até mesmo mordiscar meus ombros e eu o seguro firme pelos cabelos, o que o faz fechar os olhos demonstrando todo o seu desejo crescente.
Seu desejo por mim.
Entramos no quarto e ele me joga em sua cama e eu confesso que amo quando ele está assim.
— Adoro quando me olha assim, Channie.
— Ah, é amor?
— Uhum...
— Você sabe que só tenho olhos para você não sabe?
Ele tira sua camiseta em um movimento fluido e vai até a gaveta de sua cabeceira pegando preservativo e deixando ao nosso lado.
— Só para mim?
Falo tirando a camiseta dele que está cobrindo minha pele revelando a ele que estou só de calcinha e ele parecia checar cada momento e cada movimento meu.
— Ah sim, só para você e assim como um lobo uiva sem parar para a lua, eu vou admirá-la assim para sempre.
O Channie vem se deitando sobre meu corpo e seu peso quente me deixa eletrizada.
Meu coração acelera e eu aperto o lençol tentando me conter para não o agarrar de uma vez.
— Não se segure minha lua, aproveite a viagem, você sabe que amo quando se solta comigo.
Ele termina sua fala e me beija, começando doce e calmamente e o balanço de nossas cabeças embalam nossos corpos que nos seguem em uma viagem que já sabemos ser só de ida.
Sem volta, então me solto dos lençóis e me seguro a ele que sentindo minha permissividade me agarra com uma fúria já conhecida por mim, a mesma que eu tanto amo.
Com uma de suas mãos ele invade minha calcinha e começa a brincar em minha intimidade e eu vou ficando mais ofegante e muito mais desejosa.
— Channie...
— Fala meu amor.
— Mais, por favor...
— Minha lua quer mais de mim?
— Sim, muito mais, por favor amor...
Noto seu sorriso largo, ele tira seus dedos de dentro de mim os chupando com toda sua volúpia me mostrando o tanto que ele adora sentir o meu gosto e eu me sinto perdendo a sanidade.
Ele se afasta e eu fico o observando tirar sua calça, depois sua box preta e em seguida se preparar lentamente colocando o preservativo magistralmente em seu falo teso e ele faz tudo isso mantendo seu olhar no meu e assim que ele está pronto o faço me olhar enquanto retiro o único pano que ainda me cobre, me igualando a ele e ficando completamente a sua mercê.
— Minha lua brilha perfeitamente para o seu lobo.
Ele fala já em um tom perfeitamente arrastado e voltando a mim ele se encaixa em meu corpo, mas ainda sem me penetrar.
— Te darei o que quer, mas me prometa que será uma boa menina e não vai rebolar até que eu permita.
Sopro o ar bem vagarosamente, hoje meu namorado decidiu que quer destruir minha sanidade.
— Eu prometo.
— Muito bem amor, você é uma boa menina.
Ele se ajeita deixando tudo pronto para me adentrar e começo o sentir me preparando.
Ele adora me instigar e sabe que perco meu controle facilmente com suas carícias e pela cara que ele está fazendo eu o estou excitando só por tentar me controlar para cumprir a promessa que fiz.
— Como ela se segura...
Ele vem até meus seios e começa a maltratá-los com sua boca de lábios fodidamente volumosos e seus dentes insistentes que me causam um frisson inenarrável por trabalharem tão bem, me levando a loucura.
Seus lábios vão subindo pelo meu corpo e ele vai se encaixando em mim, lentamente torturante e eu vou me abrindo ainda mais para ele quando sinto seu falo grosso chegando para me dar prazer e quase perco meu controle quebrando a promessa que fiz, mas sinto nossos corações batendo na mesma frequência frenética e me lembro que se eu não for uma boa menina ele pode parar com tudo.
E essa não seria a primeira vez, mesmo que depois de um tempo retomássemos por ele mesmo não conseguir se manter longe de mim, se eu não me comporto como ele quer, meu castigo é perder o que faríamos, mas eu não quero perder esse momento de jeito nenhum, então decido dançar conforme a música.
Um gemido sôfrego é deixado por sua boca quando ele finalmente me preenche por inteiro e minhas unhas começam o arranhar com vontade em suas costas largas e definidas me dando a certeza de que ficarão marcas ali e eu sei o quanto ele gosta disso.
— Gostosa...
— Você que é uma delícia Christopher.
O respondo e o puxo para um beijo selvagem onde nossas línguas não se preocupam em momento algum em permanecerem apenas dentro de nossas bocas nos molhando e instigando a todo momento e sinto nossos corpos tremerem quando ele começa com suas estocadas que vão fundo e fortes dentro de mim.
— Minha lua está trêmula? Está gostoso assim Moonie?
Eu estou completamente perdida em tentar me manter firme para só rebolar quando ele me pedir, mas falar assim Channie? Que covardia!
— Está uma delícia meu lobão e vai ficar ainda melhor quando eu puder dar mais prazer para você.
Ele sorri ladino e nossa viagem parece estar o enlouquecendo, como se seus instintos já não respondessem por si.
— Aaah... ssssh... puta merda você é uma delícia Minha Moonie.
— Sou?
— Sim meu amor, você é...
— Então me deixa rebolar em você meu Channie?
— Você pode, e por ter sido uma boa menina...
Ele nos vira em um só movimento me deixando por cima dele que é como meu namorado sabe que mais amo fazer e em momento algum ele para de me estocar.
— Eu te amo Bang Chan.
Falo e começo meu trabalho que já de cara faz ele apertar seus olhos com força.
Assim como eu ele também adora essa posição.
Vou descendo e subindo, rebolando com toda minha vontade quando ele me aperta me puxando mais para ele.
— Devagar amor senão eu não vou aguentar muito tempo.
— Confie em mim Channie eu gosto exatamente quando você está assim, é perfeito.
Me aperto nele que geme alto dentro daquele quarto e eu mesma não me aguento e começo a sentir meu orgasmo vindo com tudo.
— Eu preciso de mais... mais Moonie... eu... preciso...
Intensifico meus movimentos em seu membro e ele parece uivar para a lua, ele literalmente está uivando para mim.
— Mais Channie...
Peço em desespero quando ele se aperta contra mim.
Entendo que ele está por um fio, eu também estou e então ele faz.
Se aperta ainda mais e sinto como se fossemos nos fundir e com ele assim todo teso dentro de mim eu rebolo me apertando nele por mais uma vez e os espasmos de nossos corpos faz com que ele se sente e me agarre e eu instintivamente o arranho com ainda mais força, ele morte minha clavícula e nos perdemos em êxtase...
— Porra... que delícia...
— Channie...
Chamo por ele e juntos nos desfazemos um no outro e mais uma vez nossas energias se fundiram se tornando uma só.
Ficamos nos aproveitando ao máximo antes de eu sair de cima dele, nossos corpos suados dizendo que tudo o que vivemos ali foi intenso e completamente perfeito para ambos.
— Você é uma perfeição sabia Moonie?
— Olha quem fala...
Ele nos deita e devagar vai saindo de mim, já tirando a camisinha e a amarrando para jogar no lixo.
— Cansou amor?
— Por quê? O trem vai se recolher?
Ele sorriu pequeno e me puxou com tudo, me colocando em seu colo novamente e indo em direção ao banheiro o que me fez entender que vamos para um segundo round, e dessa vez um tanto mais molhado.
— Amor, como eu disse antes esse trem nunca dorme.
— Eu te amo Christopher Bang Chan!
— Eu também te amo minha Young Moon!
[...]
A noite foi pequena para o tanto de viagens que fizemos.
Estar com o Channie era sempre perfeito em cada mínimo detalhe e ele nunca deixa de me agradecer por eu quebrar minha promessa antes mesmo de fazê-la em voz alta.
Ele foi o meu primeiro amor, e continuou vindo para mim, esse era o nosso destino e com o Channie eu sou completamente feliz e hoje eu sei que eu também fui o primeiro amor dele.
E agora que estamos juntos seguiremos nosso amor para onde quer que ele nos leve.
Ele será sempre o meu destino e eu a sua certeza.
E juntos continuaremos brilhando, agitando todo o vazio a nossa volta e o transformando em muitos fragmentos de “nós” que se espalharão pela escuridão, formando assim o nosso próprio universo.
E nós nunca vamos parar.
Músicas citadas no capítulo:
1: Bang Chan, I.N "Black Hole" — SKZ — RECORD
PS: Eu sou apaixonada por essa música.
https://www.youtube.com/watch?v=4cQtrZM0zrg
2: Bang Chan Solo Stage — "Railway"
PS: Eu acho que já trouxe essa referencia (não tenho certeza) mas se sim peço que entendam a recorrência... Ele simplesmente mandou um "I Need More" escrito nas costas cara não dá... que maravilhoso.
https://www.youtube.com/watch?v=zs8XsBVgLNI
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