I'm not the only one
1 Capítulo 1
Aquela seria uma longa noite desde o momento que não conseguiu dormir. Ultimamente muitas coisas faziam com que ele perdesse o sono. Isso vinha ocorrendo desde que perdera a última partida do seu time no campeonato e não era para menos. Aquilo estava fazendo uma diferença brusca em sua vida e muitas coisas que foram ditas ou feitas, passavam como fantasmas em seus pensamentos.
Tanto tempo que passou ganhando que chegou a um ponto que sabia que ia ganhar antes mesmo das partidas começarem, mas aquela última contra Seirin ainda o feria. Tinha perdido, afinal de contas. Quando fechava os olhos para dormir, vivia mais uma vez a lembrança de cair depois de um bloqueio feito por Kagami.
Não podia mentir o fato de que se divertira de uma maneira que achava não mais possível, mas verdadeiramente, não era divertido perder. Por muito tempo ficara frustrado sempre vencendo e só agora percebia o quanto lhe machucava não ter mais uma vitória. E o pior não era apenas perder.
Era perder para Kuroko. Ou melhor, para a nova luz de Kuroko.
Isso lhe frustrava de uma forma que sentia seu coração acelerar e ficava tão forte que sentia seu sangue ferver e pulsando enquanto passava em suas veias. Aquilo o deixava louco. Mais louco do que deveria. E agora Aomine estava ali perdido e confuso, com aquela mensagem deixada no seu celular.
“Onde está você?”.
Uma pergunta que normalmente vinha de Momoi foi enviada por nada menos que Kuroko. Aquele baixinho que inconscientemente achava uma forma de torturar sua mente, e logo, ferir seu ego.
“Aguardando sinal, de frente a uma loja de conveniências”.
O sinal já tinha ficado aberto, mas ficou parado ali por tanto tempo que ele fechara mais uma vez e já não podia mais atravessar.
“Estou indo ai”.
O que Tetsu estava querendo afinal?
Demorou alguns segundos para o sinal deixar ele passar e dessa vez atravessou a rua. Continuou caminhando sem olhar para trás e tentando achar alguma resposta para aquele seu estranho nervosismo. Não entendia bem o porquê disso.
— Oi. — Disse um menino de cabelo azul atrás de si.
— Não me venha com essa de “oi”. Por que você me chamou assim do nada, Tetsu? — A resposta para aquilo o consumia.
— Vou ser direto. Aomine-kun... Me ensine a arremessar.
Aquilo o surpreendeu. Não era algo que esperava naquele momento. Ainda mais de alguém que acabara de vencê-lo em sua mais recente partida. Não alguém que ele mesmo pisara sem hesitar.
Acabara por xingá-lo. A presença de Tetsu não era uma coisa boa agora. Estava nervoso e mesmo que não soubesse para onde exatamente estava indo, não era o baixinho que iria ajudar. Parecia que só piorava. Algo como se o seu controle estivesse transformando suas chamas em fumaça. Estava sem respostas e deve ter sido por isso que nos minutos seguintes se viu caminhar com o Kuroko até uma quadra de basquete mais próxima. Seus pés o acompanharam pesado e em passos curtos, sentia seu corpo pesado e cansado do dia, mas o seguiu quase que automaticamente.
Sem dizer alguma coisa, o viu arremessar. Eles estavam perto da cesta e de frente para ela, mas mesmo assim, Tetsu havia errado o arremesso e aquilo o entediou. Não era tão difícil acertar uma cesta assim. E nem sequer era de três pontos!
— O que você quer ouvir depois de me arrastar até aqui e mostrar um arremesso de merda? Eu nunca falei que iria te ensinar a arremessar em primeiro lugar!
— Por que não?
— Porque é errado vencer um cara num dia e no outro pedir para lhe ensinar a arremessar! — Gritou.
Era normal que ele ficasse um pouco nervoso às vezes com algumas coisas em que as pessoas ao seu redor faziam ou diziam, mas Tetsu com aquela cara fria e de um jeito tão calmo em suas palavras acabava por frustrá-lo. Sempre se deram bem durante no basquete, mas a coisa mudava por completo quando o convívio era fora da quadra. Kuroko tornava-se um mistério ao qual nunca tivera paciência o suficiente para desvendar. Bem, ao menos antigamente.
E então tinha acabado de confessar para o menino que ele não conseguia dormir ou pensar direito desde a derrota. Talvez se arrependesse depois por ter dito, mas não agora. Agora só queria esquecer.
— Ah, cara. Falar sobre isso me deu vontade de jogar. — Disse enquanto jogava o casaco em algum canto do chão. — Não posso fazer nada, então eu vou jogar com você. — Kuroko parecia surpreso com aquela sua frase. — Estou dizendo que vou te ensinar a arremessar.
Quando viu o baixinho sorrir, seu nervosismo foi aumentando e algo a mais crescia em seu peito. Algo que nem sequer o próprio Aomine sabia o que representava. Provavelmente era a falta de sono que ainda o atormentava e não soube bem o que estava fazendo. Certo ou errado, estava ali jogando com sua antiga sombra.
Aomine passou a observar tudo em seguida. O movimento que Kuroko fazia, como corria, sua capacidade física e até mesmo o suor do esforço que tudo provoca. Todo mundo ultimamente criavam expectativas da evolução de cada membro da geração dos milagres. Ouvia comentários de todos e incluindo de si, mas não Kuroko. Sua fama assim como sua evolução era como um fantasma. Invisível.
Às vezes se questionava se ele era o único capaz de perceber a evolução de Kuroko. Claro que Momoi também notava, mas sua mente ainda continuava martelando aqueles pensamentos, quando a dela partia para fazer outras coisas.
Só agora que o moreno percebia poucas mudanças, mas não as que ele queria realmente ver. Cada um, para si, na geração dos milagres tinha uma luz. Menos Tetsu. Tetsu sempre foi a sua sombra. Ele queria agora era que o menino também tivesse uma luz.
Os dois continuaram os arremessos por horas afinco até que Aomine decidiu fazer um teste. Ele contra o pequeno. Sabiam quem ia vencer, mas algo em si o incomodava. Durante uma partida jamais batia de frente com ele de verdade. Podia estar ao seu lado protegendo Kagami, mas o ruivo não era quem ele queria enfrentar. Não queria uma luz que surgiu do nada. Queria uma sombra se transformando em luz.
No minuto seguinte, ouviu um estrondo e seus pensamentos voltaram para realidade. Com a bola de basquete em suas mãos, olhava para o homem que caído a sua frente. Estendeu uma das mãos para ajuda-lo a levantar e só agora percebia o quão firme estava segurando a bola. Como se ela fosse sua e de mais ninguém.
Estava com raiva? De que?
— Aconteceu alguma coisa? — Os olhos azuis lhe encaravam com seriedade e levemente surpresos diante da ação brusca do moreno.
— Algum momento você tem que deixar de ser a sombra de alguém.
— Por que está dizendo isso agora?
Ele não sabia.
— Por nada. — Aomine jogou a bola com força para Kuroko e virou as costas começando a andar. — Chega por hoje.
Por um momento, esperou que ouvisse palavras de reclamações ou pedidos para continuar a treinar como Momoi sempre dizia, mas não escutara nada. Era o previsível vindo de sua antiga sombra e isso só alimentava o incomodo do seu peito. Então, por um pequeno deslize seu, ele parou e sem ao menos olhar em seus olhos, perguntou:
— Por que pediu a mim? Kagami não poderia lhe ajudar a arremessar?
— Você é o melhor em arremessos que conheço...
Seu rosto corou um pouco e não queria admitir isso. Ainda bem que Tetsu não era capaz de ver. Aquela noite estava estranha demais para alguma coisa fazer sentido.
—... E Kagami-kun foi treinar com sua mestra. Ninguém podia interromper.
Aomine continuou andando depois daquilo. Não disse mais nada e nem procurou pensar muito. Depois daquelas últimas palavras, sua impaciência só fazia aumentar.
Quando chegou em casa, acabava por lembrar-se de como a tinha deixado. Revistas caídas no chão, um colchão bagunçado perto da parede do lado direito da sala e uma TV ao lado de um espelho rachado. Sem contar os outros moveis derrubados, quebrados ou apenas bagunçados. A sua fúria estava incontrolável depois da derrota e ele ainda não tinha arrumado nada.
E bom, era melhor começar agora.
No dia seguinte, tinha prometido levantar cedo para continuar o treino de arremessos e se surpreendera por finalmente ter conseguido dormir. E dormir bem. Algo em si estava mais aliviado depois de ter jogado contra sua antiga sombra da época da Teiko. Apesar de toda a raiva que sentiu em certos momentos, não podia negar que estava aliviado. Durante ou antes mesmo da partida da derrota, dissera para Tetsu que seu basquete nunca venceria o dele e no fim, Aomine estava errado.
Conjurava aos céus e repetia com convicção que o único que poderia derrotá-lo seria ele mesmo. Agora não poderia dizer mais isso. Ele tinha que levantar da cama assim como da sua própria sombra da derrota. Ir de encontro a Tetsu para continuar o treino estava servindo para isso. Era como se tivesse sendo obrigado a relembrar do passado em que antes vivia, para tomar vergonha de seu presente e mudar alguma coisa.
O baixinho era como um marco em suas constantes mudanças de personalidade. Do início da geração em que se divertia com a ajuda dele, da sua fúria quando tudo mudou e deixara Tetsu decepcionado e de agora voltando à realidade sobre ele não ser tão perfeito assim no basquete. Aomine não era único e imbatível.
No fundo possivelmente Kuroko estava provando isso para ele, mas acreditava que não era o único idiota da história. O dono do par de olhos azuis ainda continuava apagado diante da história do basquete e esperava que isso mudasse.
— Sete de dez é? Isso deve ser útil em um jogo de verdade. — Disse pouco depois de eles começarem o treino.
— Incrível, Tetsu-kun! — Gritou Momoi abraçando o menino, e ver aquilo o incomodava.
— Isso dói, Momoi-chan.
— Se veio atrapalhar, vaza! — Ele também sabia gritar.
— Aomine-kun...
— Hã?
– Obrigado. – Disse Kuroko deixando-o constrangido. Por sorte sua, os olhos da Momoi só eram bons para o basquete.
— Pelo que você está me agradecendo, idiota? Eu só não consegui ficar vendo o quanto você é ruim. — Respondeu coçando o próprio pescoço. Estava nervoso.
‘Eu que deveria está agradecendo a você’, pensou.
— Na próxima vez que nos encontrarmos seremos adversários. É melhor não perder, Tetsu. — Disse indo embora, mas achava que Kuroko não tinha ouvido.
— Hã?
— Vamos, Satsuki!
— Hã? Ei! Espera, Dai-chan! — Ela ficara tão confusa tentando ler o que seus lábios haviam dito que tivera que correr para alcançá-lo. Aomine estava mais estranho do que o normal.
O que o moreno não esperava era que Kuroko tinha ouvido sim a sua última frase e transformara-a como uma promessa pessoal. Agora que Aomine estava mudando, ele também lutaria por essa mudança.
Não sabia bem como estava a mente de sua antiga luz, mas acreditava que bons ventos estavam vindos para os dois. Mesmo que o moreno tivesse dito palavras duras para si, mais uma vez confirmara que tinha algo de bom em seu coração. Momoi também percebia isso. Já ele, também estava tendo sua própria mudança. Estar ali e relembrando da época em que treinavam juntos constantemente, acabou o fazendo perceber que também queria evoluir. Tornar grande o sentimento que lhe fazia bem. Queria no fundo, não ser apenas a sombra de Kagami. Ajudar a todos do time lhe era mais do que o suficiente. E depois do que Aomine tinha lhe perguntando na noite anterior, duvida se o moreno também pensava o mesmo dele. Ficou ali sorrindo vendo os dois irem embora e se colocou a treinar mais uma vez sozinho. Agora estava cada vez mais feliz por si e ansioso para a próxima partida contra Murasakibara.
—
Chegou o grande da partida contra Murasakibara e a Seirin ganhou. Aomine observara à distância junto com a Momoi que sempre estava ao seu lado. Dessa vez, secretamente feliz, ele foi embora junto com ela sem falar com Kuroko. Estava com uma pontada de orgulho por ter ajudado nos arremessos e ter acabado de ver o resultado disso, mas a Momoi ainda continuou a persistir no assunto.
Sempre preocupada com os amigos, achava que sua atenção acabava mesmo voltando para ele e o Tetsu. E agora ela estava ali o olhando fixamente com um sorriso nos lábios. Um sorriso feliz como sempre demonstra, mas diferente do seu normal.
— O que foi? Deveria estar caminhando para sua casa Satsuki.
— Por que você não foi conversar com o Tetsu-kun, Dai-chan?
— Ele não precisa mais de mim agora.
Sorrindo ela disse:
— Ele sempre vai precisar de você e você sempre precisará dele. — Rebateu dando lhe um beijo na bochecha como despedida. — Você quer falar com ele, não quer? — Sussurrando em seu ouvido. — Tchau, Dai-chan! — Disse correndo. Aomine provavelmente ia ficar puto e agora era melhor a sua saída.
Mas pelo contrário. Ouvir a Momoi provocou um embrulhar em seu estômago. Não entendeu bem o porquê no inicio. Foi direto para casa em seguida e quando chegou ao seu quarto. Sentando na cama, pegou o porta-retratos quebrado que tinha guardado na gaveta. Uma foto do antigo time da geração dos milagres.
Momoi sempre estava certa.
Na noite seguinte quando voltava da Touo, estava andando sozinho dessa vez porque Satsuki estava resfriada. Em vez de fazer o mesmo caminho que usava para chegar em casa, seus pés trilhavam outro. Um antigo em sua história de vida, mas que ele conhecia perfeitamente.
Um apartamento em que ele era conhecido, então o porteiro não fez nenhum alarde quando Aomine perguntara se o dono estava e se não seria problema em ficar esperando por ele.
Caminhou até o apartamento 11 e olhou para os lados. Suspirou. Provavelmente ia se arrepender do que estava fazendo, mas mexeu um pouco no número da porta e viu um brilho dourado caindo no tapete de boas vindas.
Tetsu ainda guardava a chave ali.
Discretamente abriu a porta e trancou em seguida. Guardou a chave no bolso e ficou observando o lugar. Tudo estava igual a como se lembrava e parecia que estava vazio. Foi em direção ao quarto e para sua surpresa, tinha alguém dormindo ali. Não estava sozinho ali afinal.
Caminhou até a cama e ficou observando. Dormia de maneira serena.
— Aconteceu alguma coisa, Aomine-kun?
— Sim. – Kuroko tinha sono leve e havia esquecido isso. O engraçado foi que não ficara assustado com Aomine invadindo seu apartamento.
Kuroko tirou o lençol mostrando que estava apenas de bermuda e se levantou. Ficaram perto olhando um para o outro. Tão perto que seria muito constrangedor se ambos fossem da mesma altura, bem, mais do que talvez estivesse sendo.
— Fale para mim, Aomine-kun.
— Eu não preciso falar.
O que aconteceu em seguida foi surpresa para os dois. O impacto que provocara a queda dos dois sobre a cama, mas Kuroko estava em choque para reagir de alguma forma. Aomine tinha lhe abraçado com a mão acariciando seu cabelo e com um dedo em seu queixo, trouxe seus lábios ao dele.
Demorou alguns segundos para entender e ver que a língua de Aomine forçava uma entrada. Estava sedenta como um grande predador que era e indefeso como se precisasse de algo. Ou de alguém.
Abriu seus lábios de leve e logo se viu corresponde-lo à altura. Correspondia de uma maneira desorientada que veio de jeito terno e depois começou a ficar urgente. Suas mãos seguravam o rosto de Daiki enquanto o moreno apertava a sua cintura e puxava de encontro à dele. Quando sentiu algo duro lhe machucar de leve entre suas pernas, percebera que provavelmente não iria dormir tão cedo naquela noite. Aomine não se importava com isso. Tetsu também não.
Fale com o autor