I'm Yours
28 Nosso pequeno Jeremy
Notas iniciais
POV Elena
Estávamos a caminho da pequena casa de Aaron, no carro de Damon, com Madeleine sentada atrás e Damon no lugar do motorista. Ele havia dispensado o chofer, o que significava que precisava dirigir.
Fazia exatamente um mês que eu e Damon havíamos finalmente nos entendido, acho que agora éramos marido e mulher, como manda a tradição.
Nossa casa estava mais alegre, eu havia conseguido fazer com que pintássemos a casa, com cores alegres e mais claras. As flores nos jardins cresciam mais bonitas e até Madeleine interagia muito mais com a gente do que antes, e em especial com Damon. Ela conversava muito com ele ultimamente, sempre sorrindo e dizendo que ele era uma boa pessoa.
Nesse curto mês que havia se passado, ocorreu tudo perfeitamente bem, exceto quando eu resolvi tocar no assunto tabu da nossa relação, “meu amigo que eu fora visitar e que me rendeu três dias de prisão em um quarto”. Mas fora isso, tudo estava indo perfeitamente bem, ou tão bem quanto se poderia estar, sendo casada com Damon Salvatore.
Damon estava se arrumando para trabalhar, era uma manhã chuvosa e entediante, dessas que a gente só quer ficar na cama e dormir o resto dia. Eu estava me sentindo preguiçosa por dias, acho que fazer amor e receber o café na cama, com uma rosa todas as manhãs, estava me deixando um pouco mimada.
Enquanto se arrumava, reparei nos seus músculos despidos, ele era tão sensual e atraente, tão bonito e tão autoritário. Tudo em Damon exalava autoridade e sensualidade, até quando ele não era autoritário, ele era autoritário, uma pessoa totalmente autoritária e sensual.
Eu havia prometido a Madeleine que daria um jeito naquela situação, mesmo não sabendo como, eu precisava dar um jeito. E sempre que eu falava em dar um jeito, ela entrava em pânico, falando coisas sem parar, dizendo que eu estava louca, que Damon mataria Aaron e o bebe, coisas assim. Eu, por outro lado, sabia que Damon não faria isso, não agora. Ele estava mudando, aos poucos, mas estava.
Talvez em outros tempos ele teria mesmo tentado matar Aaron, e até mesmo o pequeno Jeremy, mas agora não, eu esperava profundamente que não.
— Essa casa anda um pouco vazia — comentei como quem não quer nada.
Damon me olhou curioso, aproximou-se da cama e se sentou na beirada, seu peitoral ainda estava nu.
— Sabe... Silenciosa demais, está faltando alguma coisa...
Ele franziu o cenho, ainda me olhando sem dizer nada.
— Está precisando de... — olhei para a janela, tentando não fitar aqueles olhos penetrantes ou aqueles braços sarados. — Sei lá, uma criança, talvez.
Damon tossiu alto, uma tosse não, um engasgo. Ele engasgou com o que? A própria saliva, ou com minhas palavras, talvez.
— Damon! Meu Deus, calma!
Ele estava vermelho, me olhava completamente assustado.
— Você não está sugerindo que tenhamos... — com cuidado ele passou a mão pelos cabelos e falou baixo, como se tivesse medo do que dizia. — Filhos? Você está sugerindo que a gente tenha filhos?
— Sim! Quer dizer, não!
— Sim ou não?
— Sim e não!
— Mas...
— É, filhos, mas não nossos. Quer dizer, nosso de certa forma, mas não exatamente...
— Não estou entendendo...
— Eu explico.
— Certo, estou esperando.
— Você promete que não vai me interromper?
— Prometo.
— Mesmo?
— Vai Elena.
— Hum, ok.
Hesitante, comecei a falar tudo, exatamente tudo, sem esconder nada. Contei como tínhamos ido à casa de Aaron, contei sobre ele ser irmão de Madeleine e da esposa falecida dele e principalmente sobre Jeremy e minha brilhante ideia de adota-lo. Contei que Madeleine estava morrendo de medo da reação dele, mas que no fundo queria muito que o sobrinho fosse bem cuidado. E contei também a minha imensa vontade em adotar aquela criança, o que não o agradou muito.
Quando terminei, Damon me olhava incrédulo, era como se tudo o que eu dissesse fosse uma loucura.
— Não podemos.
Foi a resposta dele.
— Podemos sim!
— Não, isso é loucura. Sabe como são feitos os filhos? Um casal faz sexo, espera-se nove meses, nasce um filho. Não podemos pegar um filho pronto, de outra pessoa. É como comer alguma coisa crua, você precisa preparar antes, se não, não tem graça.
Estalei a língua.
— Sim Damon, nós podemos.
— Não Elena, não podemos! Isso é contra a natureza, contra a lei da vida.
— Não é!
Ele bufou.
— Escuta... Jeremy é apenas um bebe inofensivo, nós podemos ter os nossos filhos Damon, de acordo com a natureza, podemos prepara-los antes, não precisamos comer cru outra vez, como você disse, mas porque não adotar um? Meu Deus, são tempos de revolução! As coisas estão mudando, porque não fazer a mudança?
Eu falava rapidamente, não queria perder o foco, não queria desistir e não poderia me deixar abalar.
Damon analisava, pensava e martelava minhas palavras.
— A revolução não precisa partir de nós.
— Pensa bem... É um bebê, podemos ter uma noção do que virá pela frente, quando tivermos os nossos...
— Bom, certo, é uma ideia nobre...
— Ideia não, é uma atitude! Isso vai se tornar uma atitude, não vai? Nós vamos adota-lo, não vamos?
— Caramba! Não, bom, talvez.
— Isso é um sim?
Ele pensou a respeito, a testa franzida.
Eu já podia imaginar qual seria a resposta, mas algo que eu tinha aprendido a ser era autoconfiante.
— Eu não acho isso certo — disse Damon após longos segundos de reflexão.
— Mas Damon, por favor...
Ele me olhou, um pequeno sorriso formando-se em seus lábios. Eu estava conseguindo domar a fera, eram essas as palavras hesitantes de Madeleine.
— O que eu não faço por você?
— Isso é um sim?
— Sim, Elena. É um sim.
Senti meu coração explodir de alegria, sem hesitar, pulei no colo do homem que há um mês havia me batido e me trancado em um quarto e o beijei com ternura.
Ele segurou minha cintura enquanto me ajeitava em seu colo, passando a beijar a curva do meu pescoço e voltando aos meus lábios.
— Eu te amo.
Deixei as palavras fluírem. Eu o amava, essa era a verdade, eu amava aquele homem e amava tudo nele. Desde o seu jeito autoritário ao seu ciúme obsessivo.
Eu estava entregue a ele, de corpo, alma e coração.
— Acho que você precisa dirigir um pouco mais rápido — comentei olhando o relógio de pulso. — Combinamos com Aaron às 14h, já são 14h30...
Damon bufou, revirou os olhos e acelerou.
Combinamos com Aaron de pegar Jeremy às 14h de um 15 de novembro ensolarado. O dia estava perfeito para adotar uma criança, era isso que minha mente dizia e meu coração também.
Desde que havia convencido Damon a adotar o Jeremy, eu começava a pensar ainda mais em ter filhos, mas meus próprios filhos, que cresceriam no meu ventre e teriam meu sangue. Claro que eu trataria Jeremy como meu, mas não seria uma má ideia ter um filho com os cabelos negros e a aparência autoritária de Damon.
O carro estacionou diante do quarto ou casa de Aaron. Damon olhou assustado, meio horrorizado, meio esnobe, para o local onde o jovem morava.
Madeleine foi a primeira a se manifestar e sair do carro, correndo em direção ao irmão, que esperava na porta, com Jeremy e uma sacola em mãos.
Meu coração acelerou quando vi o pequeno embrulho em seus braços. Logo Jeremy seria meu, e de mais ninguém.
Nos aproximamos, Aaron nos cumprimentou com um aceno de cabeça e um aperto de mãos. Mas manteve os olhos em Jeremy como se não quisesse nos entregar a criança.
Conversamos durante uns quinze minutos, e finalmente ele me entregou o pequeno Jeremy, com relutância e um pouco de medo.
— Eu sei que vocês vão cuidar muito bem dele.
Eu sorri.
Sim, nós iriamos cuidar muito bem dele. Eu iria cuidar muito bem dele e até Damon, durão e sem sentimentos, olhava para Jeremy com uma certa paternidade.
— Você poderá visita-lo quando quiser — falei, sentindo que não queria que Aaron visitasse Jeremy. Por mais que ele fosse o pai verdadeiro, eu me sentia dona daquele embrulhinho, e não queria dividi-lo com mais ninguém.
Damon parecia já sentir a mesma coisa, pois fez uma careta de desaprovação diante do que eu dissera.
— Bom, acho melhor irmos andando...
Fiz que sim com a cabeça e Madeleine também não o contrariou.
Aaron deu uma ultima olhadela em Jeremy, acariciou os cabelos do filho e se despediu da irmã.
Seguimos viagem de volta para casa.
Agora éramos uma família de verdade, eu, Damon, Madeleine e nosso pequeno Jeremy.
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