I'm Yours
10 Imprevisível
Notas iniciais
Boa leitura amoresss ♥
POV Damon
— O que foi isso, Elena?
A festa havia acabado.
Com a pequena confusão com minha belíssima esposa mais cedo, fui obrigado a cancelar o evento e acabar com aquele jantar antes do esperado.
Mas eu sou Damon Salvatore.
Posso terminar e começar jantares a hora que eu bem entender.
Elena não me olhava nos olhos, o que me deixava completamente irritado.
O que ela pensava que era? Podia simplesmente ficar de papinho com outro homem e depois fingir que nada havia acontecido?
Ela mantinha a cabeça abaixada, fitava os próprios pés, pude jurar que vi uma lágrima escorrer pelos seus olhos em algum momento, porém quando olhei novamente, ela estava com a pose de durona, olhando os pés, completamente séria.
Mas estava com medo.
Eu sentia o pavor e incomodo vindo dela, sentia que ela estava nervosa e sem saber qual seria minha reação.
Por um momento, pensei em dar a ela o mesmo destino que daria para Isaac mais tarde.
Mas me faltou coragem.
Quando seus olhos negros me fitaram, clamando por socorro, clamando por ajuda, para que eu não a fizesse nada, senti um aperto no peito, senti vontade de abraça-la e dizer que tudo estava bem.
Queria dizer que tudo iria ficar bem, mas eu não também não tive coragem para isto.
Afinal, estou virando um covarde?
Não, um covarde não. Mas eu também não sou nenhum adolescente bobinho que deixa uma coisa dessas passar em branco.
— O que foi isso, Elena? — repeti, aumentando o tom da voz.
Ela cerrou o punho, uma, duas e três vezes, ainda com a cabeça baixa, abria e fechava rapidamente os olhos, pensava tanto que quase era possível ouvir seus pensamentos.
Quando criou coragem para me olhar, percebi que realmente ela tinha medo, que ela estava apavorada.
Sorri irônico, sabia que aquilo não a encorajava, mas eu não estava ligando para a coragem de Elena naquele momento.
— Eu... eu...
— Você?
Elena não conseguiu achar as palavras, no entanto, buscava insaciavelmente por elas, ela queria se explicar, porém não conseguia.
— Eu o beijei sim, Damon — afirmou ela, após muito pensar.
Não pude evitar.
Agarrei seu pescoço com tanta força que Elena não pode respirar, ela não se debateu, continuou a me encarar, como se pedisse desculpas.
Soltei-a no momento em que percebi que se continuasse, ela teria o mesmo fim do amiguinho desprezível dela.
Sua face avermelhada, deixava à mostra algumas lágrimas que começavam a escorrer por suas bochechas, Elena fazia questão em limpa-las, cada vez que uma ou duas lágrimas escorriam, ela fungava baixo e passava a palma da mão sobre o local úmido.
— Você me dá nojo Damon — Elena se afastou um pouco, levantou a barra do vestido que encostava-se ao chão e sentou-se no chão mesmo, encostando a cabeça na parede. — Acha mesmo que o beijei esta noite? Acha que eu sou infiel a você? Você acha isso Damon?
Não respondi.
É claro que eu achava isso! Elena nunca quis se casar comigo.
Mas se ela estava pensando que eu iria aceitar isso, ela estava muito enganada.
A encarei por tempo suficiente até que ela voltasse a falar.
— Ouviu o que ele disse, não ouviu? Éramos adolescentes, eu não sabia o que fazia. Isaac me induzia a fazer coisas que eu jamais faria.
Embora eu não acreditasse nela, continuei a ouvi-la, deixando claro minha descrença.
— Uma vez ele ficou nu em minha frente — suas bochechas coraram, dessa vez não pela raiva ou por estar sendo quase estrangulada, mas por vergonha. — Foi por isso que ele tocou no assunto, eu não sei o que ele quer Damon, mas Isaac é uma má pessoa, ele sente raiva por eu o ter recusado seu pedido de casamento...
Pensei por um momento.
Então Isaac tentou se casar com ela? O que é bem provável, até porque todos na cidade a queriam como esposa.
Dei uma risadinha, Elena me encarou séria.
Era engraçado pensar no fato de todas a quererem, mas somente eu a ter.
— Eu sei quem ele é, Elena — falei áspero. — Mas seja lá o que for ele não fará mais. E, aliás, você não o verá em breve, não precisa criar expectativas — sorri sem humor, Elena arregalou os olhos, ficou imóvel. — É isso o que acontece com quem faz o que eu não gosto, Elena.
— O que você fez com ele?
Ela se mexia desconfortável, tentava não me encarar agora.
— Nada que seja da sua conta. Agora vá se deitar, estou cansado de você.
Ela continuou ali olhando incrédula para mim.
Revirei os olhos.
— Você deveria me agradecer, sabia? — falei elevando a voz. — Agora dá para você parar de me olhar com essa cara?
Silêncio.
— Eu posso matar você, Elena — comentei irritado. — Posso dizer que morreu de desgosto e posso encontrar uma mulher muito melhor do que você, é só estalar os dedos e pronto, terei quem eu quiser.
Fiz questão de dar ênfase no “muito”, ela sabia ao que eu me referia.
Elena riu.
— Então vai Damon — desafiou cética. — Me mata! Arruma uma mulher “muito” melhor do que eu. Vai em frente, Damon. A minha vida é uma droga mesmo, não me importo de morrer.
A observei levantar, com dificuldade por causa do vestido comprido, ela segurava a longa saia e levantava as barras, tinha uma expressão zangada. Foi caminhando em minha direção, sem tirar os olhos dos meus.
Tão imprevisível.
Sorri malicioso, sabia que ela ficaria ainda mais irritada.
— É isso que você quer Elena? — ameacei. — Morrer?
Elena parou de frente para mim, centímetros de distância, olhos nos olhos.
Estava completamente fora de si.
Elena me deixava sem reação.
— Me mata Damon — pediu ela.
Antes que eu tivesse oportunidade de dizer algo, Elena começou a chorar.
Não um simples choro, mas aquele choro que vem da alma, que arde quando cada lágrima escorrega pela face.
Ela soluçava.
Fiquei sem reação diante daquela cena, suas mãos lhe cobriam o rosto, ela estava imóvel, exceto pelo chacoalhar da cabeça e dos olhos molhados.
— Me mata, por favor.
Elena não pedia, implorava.
Era como se ela quisesse morrer mais do que tudo na vida.
Ela não estava feliz naquela casa, é claro que não.
Mas eu não a mataria, não assim.
Não se ela quisesse mesmo, eu não daria esse gostinho para ela.
Se ela quisesse, ela não teria.
— Elena...
Involuntariamente segurei seu rosto, as mãos dela que o cobriam deixaram-se desabar.
Ela manteve os olhos fechados, deixando as lágrimas escorrerem quando pressionava um pouco mais.
Acariciei suas bochechas úmidas e rosadas.
Ela mordeu o lábio de leve, suspirou fundo e então abriu os olhos.
Lindos olhos negros me fitaram em busca de um pedido. Novamente ela pedira para morrer.
— Eu não vou matar você.
Sussurrei irritado diante das súplicas dela.
— Por favor...
Soltei suas mãos, suspirei fundo e voltei a encara-la.
Se ela soubesse o quanto eu odeio que chorem na minha frente, nunca mais faria isso.
Ou provavelmente faria, eu não saberia dizer até onde ia a teimosia daquela mulher.
— Olha — falei impaciente após alguns minutos escutando ela soluçar. — Se você não parar de chorar vai ter uma desidratação!
Eu caminhava de um lado para o outro, impaciente, irritado, sem saber o que fazer.
De repente, Elena riu.
Graças a Deus! Ela ria ao mesmo tempo que as lágrimas escorriam.
— Você nunca viu alguma mulher chorando assim, não é? — indagou ela. — Você não sabe como reagir quando vê alguém assim, triste. Você não é tão ruim quanto quer que os outros pensem Damon.
Revirei os olhos diante dela.
Fiquei um tempo em silêncio, pensando em como responder o que ela havia dito.
Aos poucos, seu choro cessou e ela apenas me encarava em busca de uma resposta.
Qual é? Eu acabo de dizer que posso mata-la, e ela diz que eu não sou tão ruim, só quero que as pessoas pensem isso?
— Acho melhor você ir dormir.
Não esperei que ela falasse algo, apenas gritei para que Madeleine aparecesse e a levasse para seu quarto.
Elena saiu acompanhada de Madeleine.
Fiquei ali, encarando meus próprios pés.
Por um lado, Elena tinha razão.
Eu nunca tinha presenciado algo assim. Nunca tinha visto uma mulher chorar em minha frente.
Até porque, todos meus relacionamentos não passavam de uma noite, na manhã seguinte, eu mal lembrava o nome da garota, quem dirá conviver com ela.
Elena era a primeira mulher que eu trazia para minha casa, quer dizer, eu já havia levado outras ali, mas nunca havia casado com nenhuma delas.
Com Elena era diferente.
Se fosse qualquer outra, eu não teria deixado que dormisse em um quarto separado ou que me desafiasse como ela fazia.
Eu não sabia o porquê, mas Elena me deixava sem palavras, era como se eu não soubesse o que fazer nem o que falar na presença dela.
Sempre aquele ar autoritário, sempre aquele jeito imprevisível, aquele modo de me irritar.
Em um momento, eu poderia jurar que saberia o que ela iria fazer, igual eu sempre sabia das outras.
Geralmente, as mulheres caiam aos meus pés pelo simples fato de eu ser quem eu era, mas Elena não, ela me odiava desde o dia em que nos conhecemos. E por mais que eu quisesse negar, era o fato dela me odiar que mais me atraia a ela.
Quando se tratava de mulheres, eu era um Don Juan, sabia exatamente o que fazer para deixa-las loucas por mim, apenas um olhar bastava.
Mas quando se tratava dela...
Deixei esses pensamentos sobre a imprevisível de lado e sai em busca de alguém que eu tinha algumas pendências.
Se ele achou que chegaria à minha casa, daria em cima da minha mulher e sairia bem com tudo isso, estava muito, mas muito enganado.
Isaac Wood estava encrencado, ou melhor, morto.
Notas finais
Eu mudei totalmente esse capítulo, de início, minha ideia era um Damon totalmente descontrolado e revoltado com os comentários de Isaac, o que faria ele, digamos, ser muito mau bom a Elena, e foi exatamente essa droga de capítulo que me fez parar de escrever, porque eu NÃO conseguia escrever algo que fosse ao menos, razoável.
Mas então, ontem, após uma súbita mudança de ideias, consegui escrever, palmas para a Fê!
Ok, não vou encher vocês com meus comentários chatinhos UHERUHE
Mas sério, quero a opinião de vocês, o que estão achando da fanfic? Sejam sinceros, por favor!
A partir de agora, o relacionamento deles vai dar uma mudada, passando de nada instável para instável! Já é um começo, né? UHREEHRN
Beijos gatas, até segunda ♥
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