I'm Yours
2 Castigo
Notas iniciais
Mas enfim, espero que gostem e acompanhem.
Boa leitura!
Como todo bom começo de uma boa história, eu poderia escrever algo elegante e gracioso aqui, porém esse não será um bom começo, tampouco uma boa história.
Vamos voltar um pouco às coisas para que entendam do que eu falo.
Minha família está em uma situação bem ruim — financeiramente — e eu sou a chave para todos os problemas deles.
É claro que quando se é mulher em uma sociedade tão ridícula como esta você deve acatar as decisões de seu pai e abaixar a cabeça diante de seu marido.
Eu não sou assim.
E nunca serei.
Porém eu acatei a decisão de meu pai, com muita relutância — que fique claro — e eu não serei, nem de longe a esposa que obedece tudo o que seu marido fala.
Damon que me aguarde.
Ele não quis se casar comigo? Bom, agora ele terá de me aturar.
E eu com certeza farei de tudo para que ele se arrependa.
Já fazia algum tempo que Damon vinha me abordando.
Sempre que vou à cidade, seja sozinha ou com meus pais, ele dá um jeito e me para.
Sempre com suas ironias e seu sorriso cínico, quando estou sozinha claro, pois na companhia de meus pais é sempre o educado Damon que está presente, com a maior formalidade do mundo e sua carisma forçada, que claro, ninguém percebe.
— Sabe Elena, eu não gosto de receber não como resposta.
Damon estava parado diante de mim, meus pais estavam no mercado próximo dali. O que dava a ele a oportunidade de me cercar.
Estava tentando me seduzir, como sempre tentava toda vez que me via sozinha.
— Acostume-se, pois no que depender de mim, essa será sua única resposta.
— Se eu fosse você não teria tanta certeza disso.
Sorriu vitorioso e afastou-se.
Outro fato importante, que será fundamental para o desenvolvimento dessa história, é o pedido de casamento.
Na verdade, não fora um pedido, eu gosto de chamar de ameaça, afinal, eu nunca concordei com isso.
Foi meu pai que me deu a notícia.
Irônico, não?
Saber que está noiva através de seu pai, ainda mais do cara que você vem evitando por toda, hm, vejamos, vida?
— Então filha — dizia meu pai com seu tom firme. — Você se casará com Damon.
Tentei me pronunciar, papai fez sinal para que me calasse.
— Não adianta tentar protestar. Essa decisão já está tomada. Essa é a única forma de não irmos para o fim do poço, Damon é um homem rico de muitas posses, um ótimo partido para você e um excelente nome para a nossa família. Seu casamento com ele será a única maneira de sairmos do buraco onde nos metemos. Nosso nome não pode ir à lama.
Eu sabia que não teria como dizer não, sabia que por mais que tentasse, eu seria obrigada a me casar com Damon.
Tentei então, convencer minha mãe de que era uma péssima ideia.
— Eu também não gostava de seu pai quando nos casamos.
Mamãe tentava me conformar, ouviam-se meus soluços pela casa inteira.
Já havia algumas horas que eu estava chorando.
— Mas é diferente, papai não é um monstro como o Damon — mais soluços.
— Querida — tentava. — Você vai aprender a amá-lo, é assim com todas as mulheres. Nós nos casamos para manter a honra da família, para manter os negócios. Com o tempo aprendemos a gostar do nosso marido. Você ainda vai ver que eu estou certa.
— Nunca. Nunca vou ver que está certa, porque isso é ridículo. Eu quero me casar por amor e não dinheiro.
Sai batendo os pés.
Precisava respirar, precisava de um tempo a sós.
Domingo.
A festa de casamento.
Eu estava pronta para iniciar o inferno que seria minha vida.
Minha vida ao lado do todo poderoso e cobiçado Damon.
Grande coisa.
— Estou tão feliz por você!
— Que inveja!
— Eu nem acredito que você vai se casar com o Damon.
— Ele é tão bonito.
— Ele é um pedaço de mau caminho, com todo respeito Elena.
— Pedaço? Ele é o caminho inteiro!
— Ah Elena, que cara é essa?
As meninas estavam todas alegres e saltitantes em minha volta e me ajudavam com o vestido de noiva, a maquiagem e o cabelo.
Todas estavam muito felizes, menos eu.
Mas claro que eu ficaria muito feliz se fosse elas.
Todas ali dariam de tudo para ter Damon, ainda mais sendo quem ele era.
Porém eu não.
Nunca o quis e não seria agora que eu iria o querer.
— Nada — menti.
O bom de ter amigas falsas é que elas sempre acreditam quando você diz que está bem ou que não está acontecendo nada.
— Certo, agora coloque um sorriso na cara, porque você está prestes a se casar com o cara mais lindo dessa cidade.
Forcei um sorriso.
— Perfeito!
Os sinos começaram a tocar.
As garotas se posicionaram, algumas segurando meu véu, outras com buquê de flores logo a minha frente.
Abriram à porta do quarto.
O corredor e as escadas logo à frente pareciam um caminho eterno.
Mas eterno mesmo seria a minha infelicidade.
Desci as escadas.
Damon estava parado no altar improvisado.
Estava entediado pela sua cara de desgosto.
Mais alguns passos.
O altar.
O padre falando algumas coisas.
Um sim malicioso.
Outro sim relutante.
Estava feito.
Eu, Srta. Harmon agora passaria a ser, Sra. Salvatore.
A festa de casamento, embora tenha sido muito divertida, ter a presença constante de Damon não era algo realmente bom.
— Seja mais simpática — ordenou Damon baixo. — Você está assustando os convidados.
— Não mandei você se casar comigo — rebati cínica.
Damon me fuzilou e sorriu irritado.
— Você não vai mais agir assim, não esqueça que agora você me pertence.
— Eu não sou sua mercadoria.
Retruquei brava.
— Sim, você é — respondeu no mesmo tom.
— Não, eu não sou e você não é meu dono!
Sem esperar por uma resposta o deixei falando sozinho e fui aproveitar meus últimos momentos em casa.
Tentei não pensar no que viria a seguir.
Mas era quase que inevitável.
Digamos que quando duas pessoas se casam, elas têm uma lua-de-mel.
Mas eu não queria ter uma lua-de-mel com Damon.
Muito menos ficar a sós com ele.
O que não adiantou.
Pois poucas horas depois da cerimônia, todos fizeram questão de nos mandar para nossa querida noite de núpcias.
Certo, eu devo ter colado chiclete na cruz.
Porque para merecer um castigo desses, devo ter feito algo muito errado em vidas passadas.
Entramos no carro que nos levaria a nossa casa — a mansão de Damon que muitos julgavam como mal assombrada — e a nossa noite de núpcias.
Notas finais
Enfim, o que acharam?
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