I'm With You
9 Capitulo Oito: N.O.M.S
As semanas que se seguiram ao episódio entre Kira e Kai foram no mínimo desconfortáveis.
Havia algo como uma névoa de tensão que cercava os dois e, consequentemente, todos os que estavam em volta. Apesar de não se evitarem, continuando a andar com o grupo de amigos, também não interagiam, ficando lívidos e nervosos toda vez que era tentado incluí-los na mesma conversa.
Scarllet às vezes escutava Kira chorar baixinho em sua cama tarde da noite e isso cortava seu coração. Não tentou conversar com Kai sobre, sabia que não podia forçar um sentimento no amigo que não existia, então consolou a amiga noites adentro, deitando-se com ela até adormecer, muitos dias dormindo também no processo, e dando o tempo que a morena precisava, sem forçar também uma outra conversa. Só torcia para tudo aquilo acabar logo.
Tudo isso misturado com a aproximação dos exames e da final do campeonato de quadribol, mais a espera de Scarllet por um feedback do professor Snape de seu relatório, consolidava a névoa de tensão.
Logo no começo de junho, entretanto, Kai soltou uma de suas piadinhas sobre a suposta paixão platônica que Kira tinha pelo professor Dumbledore enquanto discutiam um dever de Transfiguração e a partir daí pareceu que os amigos entraram em uma acordo não verbal de paz. Tudo começou a se encaixar de volta no lugar. Scarllet se sentiu tão aliviada quando percebeu isso, alguns dias depois, que parecia que um peso havia sido tirado de seus ombros, fazendo com que conseguisse estudar com mais entusiasmo, tendo eles entrado em período de revisão a essa altura. Foi fácil perceber que seus dois melhores amigos também se sentiam aliviados e mais centrados também, o clima mais leve e divertido mesmo com todo o peso dos exames que se aproximavam.
Foi um pouco depois disso que o professor Snape pediu para Scarllet esperar depois do toque da sineta anunciando o fim da aula em uma quarta-feira.
Em um primeiro momento, a grifinória não entendeu o que o professor podia querer falar com ela. Apesar quando o último aluno saiu da sala e os olhos muito negros dele recaíram sobre os seus, gerando aquele famigerado arrepio, ela se lembrou da Modo Altiorem, do relatório e da suas observações incluídas no final dele.
Engoliu em seco.
—Terminei de ler o relatório da senhorita. -o professor falou, seu tom enigmático não deixava que Scarllet chegasse a qualquer conclusão sobre qual a sua opinião sobre ele.
—Entendo, senhor. -ela respondeu.
O professor Snape continuou a encarando por um momento, até o canto direito do seu lábio subir em um sorriso jocoso. Scarllet se preparou para o tom ácido e a possível tentativa de humilhá-la, já pensando na resposta mais ferina possível, mesmo que isso rendesse uma detenção na semana anterior aos N.O.M.s.
—A qualidade da sua pesquisa e análise e é inquestionável, senhorita Wolfgan. -ele afirmou -E a senhorita simplesmente não consegue deixar de ser petulante, não é mesmo, menina? -ele deu uma pausa e Scarllet fitou-o confusa, sem saber se estava sendo criticada ou elogiada -Todas as sugestões que a senhorita deixou no fim do relatório foram testadas antes mesmo da poção ser lançada, porém… É de um raciocínio ímpar a senhorita ter chegado à conclusão de qualquer uma delas no pouco tempo em que foi destinado para que fizesse o relatório.
—O que o senhor quer dizer com tudo isso, professor Snape? -ela perguntou, um vinco se formando entre suas sobrancelhas.
—Que a senhorita está de parabéns. -ele concluiu em sua voz aveludada. -E o relatório vai valer como pontos extras complementares para minha disciplina.
Scarllet sentiu seu queixo cair com a parabenização do professor. Demorou um momento para recuperar a fala, corando ao perceber os elogios e como estava agindo como uma boba.
—O-obrigada, professor. -ela agradeceu.
—Não se acostume. -Snape mandou, levantando as duas sobrancelhas em tom autoritário -Está dispensada, não quero que chegue atrasada em sua próxima aula.
—Sim, senhor. -ela respondeu e se virou apressadamente, tomando o rumo para fora e em direção a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Mas o sorriso que estampou seus lábios assim que pisou para fora da sala de Poções não deixou seu rosto o dia inteiro.
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O sol brilhava no céu e refletia no lago, os jardins estavam verdes e o céu azul. Mas nem mesmo o melhor tempo podia melhorar o humor dos alunos do quinto e do sétimo ano quando enfim eles receberam as datas, horários e qualquer outra informação relevante referente aos exames dos N.O.M.s. e N.I.E.M.s na segunda semana de junho.
As provas eram divididas no decorrer de duas semanas, de segunda a sexta, sendo as escritas pela manhã e as práticas à tarde. A noite e os fins de semana seriam destinados a revisões de última hora e algum descanso para preparar a mente para a prova seguinte.
O domingo que antecedeu o primeiro dia de exame, Herbologia, foi o que deixou Scarllet mais nervosa. Por ser a matéria que tinha mais dificuldade na parte prática e justamente a parte prática não ser possível de estudar naquele momento, toda a expectativa do exame a deixava ainda mais tensa e esperando um total desastre. Para seu alívio, Marta Smaler era particularmente boa na matéria e sentou ao seu lado no Salão Comunal enquanto faziam revisões, dando dicas do que poderia fazer em algumas situações para evitar perder pontos por besteiras e ter um melhor aproveitamento do exame, enquanto Kai, Scott, Katherine e Kira faziam um bate e volta de perguntas e respostas, concentrados no que poderia cair no exame escrito.
A segunda-feira amanheceu ensolarada e quente. Os alunos do quinto ano marcharam em direção ao Salão Principal no horário estabelecido para o exame teórico, onde as mesas das casas foram substituídas por dezenas de carteiras individuais. As questões não foram complicadas para quem ficou um mês fazendo revisão e Scarllet saiu de certa forma mais sossegada.
Almoçaram e partiram para o exame prático na estufa número quatro. Scarllet estava muito menos atrapalhada do que achou que estaria, porém, próximo ao final do exame, uma planta roxa com um olho e uma boca, que nem sequer fazia parte de seu exame, a mordeu. Fez mais dez minutos de exame antes de desmaiar e acordar perto da hora do jantar na enfermaria.
Em meio a uma crise de choro da ruiva, a professora McGonagall a tranquilizou: a planta não deveria estar na estufa no momento da prova, sua nota não seria afetada. Scarllet sentiu pena da professora Sprout por ser repreendida pela desatenção, ainda mais quando a mesma foi desculpar-se por sua falha ainda naquela noite enquanto ela estudava Feitiços escondido de Madame Pomfrey. Mas não deixou de ficar aliviada por não sofrer penalidades.
Saiu da enfermaria apenas no horário do exame de Feitiços no dia seguinte. Encontrou Kai e Kira no Saguão Principal e os três entraram no Salão Principal juntos. Apesar do frio na barriga no exame prático, conseguiu executar todos os feitiços pedidos pelo examinador. No jantar, Scott comentou que deixou a bolinha cair em cima do olho da examinadora de Katherine, que estava ao seu lado, enquanto executava o Wingardium Leviosa, fazendo todos rirem e Katherine quase surra-lo pela lembrança, mas esperavam que aquilo não descontasse muitos pontos.
Na quarta-feira tiveram Transfiguração e Kira estava uma pilha de nervos no café-da-manhã, deixando os ovos e o bacon cair toda hora do garfo. Scarllet tentava tranquilizá-la, sem muito efeito e, quando saíram do exame prático de tarde, ela não quis conversar com nenhum dos amigos. À noite, se meteram de cara nas revisões de Poções e Scarllet pode devolver a Marta as dicas e alguns macetes.
Scarllet saiu com um sorriso satisfeito no rosto do exame prático no dia seguinte, entregando sua poção na cor exata de verde limão que rendeu um sorriso surpreso do examinador.
—Não fui tão mal assim... — disse Kai, já sentado à mesa do Salão Principal, na hora do jantar — Eu acho... Espero... Na verdade...
Na sexta-feira, Scarllet prestou sozinha o exame de Runas Antigas. Era uma matéria complicada e cansativa e exigiu bastante da garota, que não tinha tanta certeza sobre a qualidade de seu trabalho, mesmo tentando fazer o melhor. Precisava muito daquela matéria para continuar sua ambição em estudar Poções, então ficou bastante calada o resto da noite, pensativa em como poderia ter melhorado partes das questões que já não podia mais fazer nada.
O fim-de-semana foi tão quente e iluminado como a semana, levando os estudantes a usarem os terrenos da escola para suas revisões. A semana começou com um dia sem exame para Scarllet, que não fazia Adivinhação e continuou com Defesa Contra As Artes das Trevas na terça-feira.
Foi a vez de Katherine de parar na enfermaria, mas foi liberada a tempo para o jantar apenas com um olho roxo, todos estavam animados com o exame prático e ainda discutirem empolgados as questões e as azarações.
Na quarta-feira, Trato de Criaturas Mágicas. Kira voltou para o castelo no fim da prova prática tentada a azarar Kai. O garoto gritou quando um tronquilho quase espetou seu olho e a assustou, fazendo-a derramar o leite que tentava oferecer aos porcos-espinhos para identificar um ouriço entre eles no examinador.
Quinta-feira tiveram o exame de Astronomia, sendo o exame prático à noite. Scarllet achou que foi bem, Kira tinha certeza e Kai parecia que levara um balaço na nuca.
—Quem foi a anta que inventou de fazer um exame à meia-noite? -foi o que ele perguntou, depois de ser acordado de cima de seu mapa ao fim do exame, quando iam em direção a Torre da Grifinória, ao som da risada de Scott.
E na sexta-feira o tão aguardado fim: História da Magia.
Foi com um grande peso retirado das costas e uma sensação de alívio no peito que todos os quintanistas deixaram o Salão Principal naquela tarde ensolarada de junho direto para os jardins de Hogwarts, sabendo que não precisariam se preocupar novamente com N.O.M.s até o meio de julho, quando receberiam suas notas.
Mas ainda havia mais uma preocupação nas mentes dos membros do time de quadribol da Grifinória: A final do Campeonato de Quadribol no domingo contra Corvinal.
Kai e o resto do time não relaxaram durante todo o resto da sexta-feira e sábado, apesar de terem sido proibidos de treinar em um acordo dos professores, que afirmaram que todos necessitavam descansar o corpo e a mente depois dos exames.
No domingo, depois do almoço, o time desceu para o campo de quadribol sem algazarra, concentrados. Kira até mesmo brincou que Kai tinha cara de dor de barriga, mas Scarllet duvidava que o amigo tivesse ouvido o que a morena falou.
O resto da escola desceu quase uma hora depois, apesar de Scarllet ter visto o time da Corvinal descer quase ao mesmo tempo que seus amigos. A tensão era grande e a animação também. Sonserina torcia para a Corvinal, numa demonstração clara de sua rivalidade com a Grifinória. A Lufa-Lufa, por sua vez, assumia a torcida pela casa do leão, equilibrando a arquibancada.
Kira e Scarllet sentaram-se próximas das balizas que Kai defenderia no primeiro tempo. Kira parecia até mesmo um pouco empolgada com o jogo, fazendo Scarllet rir. O jogo começou no horário determinado, a goles sendo jogada para o alto por Madame Hooch e pega por Lin, que passou para Katherine logo em seguida, desviando de um artilheiro da Corvinal e de um balaço.
E, quatro horas e trinta e oito minutos depois, Atilla Sven capturou o Pomo de Ouro dois segundos mais tarde que Lin cravava a goles no aro, marcando o gol que deu a vitória e a Taça do Campeonato de Quadribol para a Grifinória.
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Quando andavam pelos corredores do Expresso de Hogwarts em busca de uma cabine, uma semana mais tarde, Kai, Katherine e Scott ainda levavam palmadas de parabenização dos outros estudantes nos ombros.
—Mais um ano que se foi! – o Stom exclamou assim que acharam uma cabine vazia e se esparramou em seu assento.
—Nem acredito que estamos voltando para casa de novo. –Kira comentou, sentando-se entre Katherine e Scarllet. – É tudo tão incrível! Toda vez que eu acordo em casa nas férias eu me pergunto se Hogwarts não foi um sonho.
—Quando se é criada sabendo da existência de magia e de Hogwarts é tudo mais fácil de acreditar. –Katherine deu de ombro.
—É... –Kai concordou. –Lembro de quando meu primo, Frederich, lembram dele? – Scott e Scarllet assentiram, Kira franziu o cenho e Katherine negou –Ah, certo, que seja... Ele se formou quando a gente estava no terceiro ano. Quando ele entrou e nas férias de verão ele foi lá em casa, ficou jogando na minha cara que ele tinha ido e eu não.
—Foi aí que você quebrou sua vassoura de brinquedo na cabeça dele não foi? –Scott riu.
—Foi. –Kai apertou os lábios –Não devia ter feito aquilo...
—Não mesmo! –Kira concordou –Sua mãe deve ter tido um treco!
—Ah, teve! –Kai afirmou com uma careta – Mas isso valeu a pena. O que não valeu foi ter que esperar quase dois anos pra ganhar outra vassoura...
—Ai, Kai! –Scarllet exclamou rindo, acompanhando a risada de Scott e Katherine e a cara de indignação de Kira.
Kai deu de ombro, passando a mão pelo pescoço.
—Eu quebrei o kit de poções do Alan nas férias que ele veio passar em casa depois que entrou. –Scott assumiu –Só depois eu me toquei que no ano seguinte íamos nós dois.
—Vocês são terríveis! –Kira exclamou.
—Ah, você nunca aprontou nada? –Kai perguntou com as sobrancelhas arqueadas.
—Não nesse nível. –ela respondeu e os outros ficaram esperando ela terminar. Kira revirou os olhos e suspirou — Quando a Amalie nasceu, eu morria de amores por ela. Pensava que podia brincar com ela como se fosse minha boneca. Um dia, quando ela tinha cerca de uns dois anos, eu a fiz flutuar do berço que ficava no quarto dos meus pais até meu quarto e fiquei cuidando dela. Minha mãe ficou desesperada atrás dela e quando viu ela no meu quarto, ela não sabia se gritava comigo ou se nos abraçava e chorava. Essa foi a primeira manifestação da minha magia que eu lembro, inclusive.
—Bem, tá vendo, você deu um susto na sua mãe. –Scarllet indicou.
—Você também? –Kira questionou.
—O que? –ela se defendeu –Eu e Johnathan quase matávamos minha mãe do coração semana sim, semana também. Não melhorou nada quando Helena nasceu, mal esperávamos ela crescer pra colocar ela nas nossas aventuras. –Scarllet se perdeu um momento, o olhar longe, mordeu o lábio inferior.
—Desculpa a pergunta, Scar... –Katherine a tirou de sua nostalgia e ela fixou os olhos claros na amiga –Seu irmão morreu do que?
—Ah, bem... –Scarllet hesitou um momento, desviando o olhar. –Ataque de lobisomem.
—Ah! –Katherine arregalou os olhos –Desculpe, eu não...
—Tudo bem, Kathy. –Scarllet a interrompeu, fazendo um gesto com a mão –Faz tempo, eu tinha oito anos. São só.... Memórias boas, sabe? Ele era um irmão legal.
—Eu também sou um irmão legal. –Kai resmungou, fazendo todo mundo olhar para ele.
—Você é filho único. –Kira afirmou.
—Isso doeu. –Kai respondeu fingindo emoção e apontou para Scarllet e Kira–Pensei que vocês duas me consideravam o irmão mais velho e legal de vocês.
As duas reviraram os olhos e riram, acabando com o pequeno clima tenso. Scott sacou um baralho do bolso interno das vestes e eles começaram a jogar Snap Explosivo enquanto continuavam a contar histórias sobre a infância.
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As férias de verão iam lá pelo meio quando Scarllet chamou os amigos para visitá-la.
Apesar de Kai e Kira concordarem empolgados em suas cartas, Scot e Katherine recusaram educadamente, estavam viajando com as respectivas famílias e só voltariam próximo ao fim de agosto.
Kai chegou primeiro, pela lareira. Scarllet estava o esperando na sala e sorriu para o amigo enquanto ele tirava as fuligens da roupa. A ruiva ia fazer um comentário a respeito da tortura dos óculos dele, mas antes mesmo de abrir a boca foi interrompida por um grito:
—KAI!
Kai mal teve tempo de levantar os braços para segurar a criatura de um metro e meio que se jogou nele. O garoto riu, não se desequilibrando por pouco.
—Helena! –escutaram uma voz feminina de outro cômodo em tom repreensivo –Eu espero que você não tenha se jogado em cima do Kai!
—Não, mãe! –a garotinha respondeu com cara culpada, fazendo sinal para Kai fazer silêncio.
Scarllet riu da irmã enquanto seu melhor amigo a colocava no chão e bagunçava os cabelos de um tom médio de castanhos e curtinhos, chegando na orelha.
—Eu não conto pra tia Megan que você se jogou em cima de mim, mas você me arruma aqueles biscoitos que ela vai assar antes deles esfriarem. –Kai afirmou, dando um peteleco na testa da garota com o indicador.
—Ai! –ela reclamou, seus olhos verdes se fechando e abrindo rapidamente –Tá, tá legal. Eu faço isso, sempre faço. Mas você trouxe sua vassoura né?
Kai riu alto, tirando seu corpo da frente da vassoura. Helena sorriu e seus olhos brilharam.
—E você ‘ta toda machucada de novo? –ele perguntou, examinando alguns arranhados que a menina tinha nos braços expostos
Helena deu um sorriso sapeca evidenciando um corte próximo ao lábio que já estava quase completamente curado, mas parecia que ia deixar uma cicatriz.
—Cai da árvore do quintal... De novo. –ela disse sem vergonha alguma–Mamãe me deixou três dias sem chegar perto da minha vassoura, você acredita?
—Acredito. –Kai riu. –Você vai se matar um dia.
—Vou não. –ela respondeu, cruzando os braços.
—Oi, Kai. –Scarllet chamou, dando um tchauzinho para ser notada.
—Oi, gatinha! –ele respondeu, chegando mais perto da amiga para abraçá-la.
—Eu digo que você gosta mais da Helena do que de mim. –ela murmurou durante o abraço.
Kai a soltou e deu de ombro, entregando sua vassoura para Helena examinar.
—Kira já chegou? –ele perguntou.
—Ainda não. –ela respondeu.
—Ela vem de carto? – Kai perguntou curioso.
—“Carro”, Kai. –Scarllet corrigiu. –Sim, vem. O pai dela vai trazê-la. Elle, já terminou o que mamãe pediu pra você fazer?
—Já. –ela respondeu, tirando a atenção da vassoura –Só tenho que colocar os livros de volta na prateleira do quarto, Lil.
—Certo. –ela respondeu –Vamos lá, eu e o Kai vamos te ajudar. Você não alcança a última né?
Helena assentiu. Scarllet olhou para seu amigo, que sorriu para ela em concordância.
Kira chegou próximo a hora do almoço, que foi servido pela mãe de Scarllet e Helena, Megan Wolfgan, uma mulher jovial e muito bonita, dona de cabelos negros e olhos verdes como os a filha mais nova. Comeram conversando e entre risadas, Helena empolgada com o fato de Kai ter trazido sua vassoura.
Pela tarde, depois de Kai dar algumas voltas com Helena na vassoura pelo jardim de trás da casa que era protegido por feitiços, os quatro se sentaram na grama para jogar com um baralho comum que Kira havia trazido. A morena ensinou as regras do jogo para os outros três, Helena teve alguma dificuldade em entender e desistiu logo da brincadeira, preferindo entrar em casa depois de duas ou três rodas que perdeu.
—Ela é muito competitiva. –Kai riu.
—Demais. –Scarllet segurou a risada –Meu pai está ensinando xadrez para ela, você tem que ver com que afinco ela quer ganhar dele.
—E ela tem dom pra voar, viu? –Kai afirmou –Deixei ela pilotar um pouco a vassoura quando a gente estava perto do chão e, caramba, ela voa muito bem.
—Sim. –Scallet concordou –A vassoura que meus pais deram pra ela ano retrasado imita muito bem uma de verdade. Só não pega altura nem velocidade. Ela gosta.
—Olha só, Kai já está garantindo o futuro do time da Grifinória. –Kira riu.
—Ah, para! –Kai riu também –Ela é ótima, vai jogar com certeza. Mas não sabemos se a irmãzinha da nossa Scar vai ser uma Grifinória.
—E o que você espera dessa pestinha? –perguntou Kira. –Não é a toa que tia Megan não deixa ela ir pra canto algum sem supervisão! Ela é um furacãozinho.
Kai deu um sorriso como quem concorda e ambos olharam para Scarllet, que tinha uma careta no rosto.
—O que foi Scar? –Kai perguntou.
—Nada. –a ruiva respondeu rápido, desfazendo a expressão e tornando-a neutra demais.
—Certo... –Kai franziu o cenho –Que casa você acha que a Helena vai ser selecionada?
—Não sei. –a ruiva respondeu rápido e desviou o olhar –É você que dá as cartas, Kira.
Kai e Kira se entreolharam e depois olharam para o ruiva, que encarava o baralho.
—Tá tudo bem, Scar? –Kira perguntou com delicadeza.
—Está. –ela respondeu olhando para ele e franzindo o cenho –Vocês não querem mais jogar?
—Não é isso. –Kai respondeu –É que... Toda vez que a gente fala da Helena em Hogwarts você fica estranha...
—É impressão de vocês. –ela respondeu fazendo um gesto despretensioso –Falta pouco né? A gente está no sétimo, e Elle vai pro primeiro.
—É! –Kira respondeu e sorriu –E vocês não vão acreditar!
—O que? –os dois perguntaram interessados.
—Amalie... –o sorriso da morena se ampliou –Ela estava num passeio da escola e aconteceram umas coisas e... Bem, ninguém sabe explicar o que, por que e nem como, mas ela e dois amiguinhos saíram de um acidente em um barranco sem um único arranhão. Todo mundo obviamente está falando que foi um milagre, mas...
—Mas...? –Scarllet perguntou empolgada.
—Mas Amalie disse que na hora que eles começaram a cair ela desejou muito, muito que pudesse proteger eles três. –ela respondeu –E de repente eles estavam lá embaixo, sãos e salvos.
—Ah, cara! –Kai exclamou –Isso é... É um sinal de magia né?
Kira assentiu vigorosamente. Scarllet sorriu mais amplo e Kai também.
—Helena e Amalie vão estudar juntas! –Kira exclamou.
O sorriso de Scarllet murchou um pouco com a afirmação da amiga, mas a voz de Helena chamando-os tirou a atenção dos outros dois, fazendo-os não notar.
—Cartas de Hogwarts! –a garotinha disse de dentro da casa.
Os olhos dos três amigos se arregalaram e eles se entreolharam. Levantaram de um salto, correndo para dentro de casa, quase derrubando Helena no caminho que os xingou com um palavrão e foi repreendida por Megan.
As cartas estavam em cima da pia, endereçadas a cada um deles em tinta verde e com o lacre de Hogwarts. Mais uma vez, os três se entreolharam e ao mesmo tempo, Kira e Kai empurraram Scarllet para frente enquanto diziam:
—Você primeiro!
—Oras! Seus...Seus...! –começou Scarllet, mas resolveu não terminar ao ver o olhar repreendedor de sua mãe. A ruiva respirou fundo, pegando a carta com seu nome, a abrindo e tirano o papel de dentro do envelope:
RESULTADOS NOS NÍVEIS ORDINÁRIOS EM MAGIA
Notas de
aprovação: Notas de reprovação:
Ótimo (O) Péssimo (P)
Excede
Expectativas (E) Deplorável
(D)
Aceitável (A)
Trasgo (T)
RESULTADOS OBTIDOS POR LILY WOLFGAN
Runas Antigas O
História da Magia E
Astronomia O
Defesa Contra as Artes das Trevas O
Feitiços O
Herbologia E
Poções O
Transfiguração O
Trato de Criaturas Mágicas O
Scarllet encarou suas nove notas por algum tempo sem reação. Kai e Kira se acotovelavam para ler seu pergaminho por cima do seu ombro.
—Cara... –começou Kai –Você tirou mesmo sete “Ótimos” e dois “Excede Expectativas”?
—Uou! –Kira exclamou –Parabéns, Scar!
—É... –Scarllet concordou ainda um pouco chocada, estendendo o pergaminho para sua mãe –Obrigada.
—Muito bom, Lily! –Megan sorriu, seu sorriso lembrava muito o da filha –Parabéns! Vamos fazer um jantar para comemorar isso hoje!
—Obrigada. –Scarllet repetiu, um pouco menos chocada, mas não o suficiente para reclamar com sua mãe por chamá-la pelo primeiro nome, um sorrisinho orgulhoso nascendo nos próprios lábios.
—Parabéns, Lil! –Helena agarrou a cintura de Scallet e a ruiva riu, bagunçando os cabelos da irmã –Vocês não vão abrir o de vocês?
—Eu, não! –Kai afirmou –Deixa que abro em casa.
—Kai! –Scarllet e Kira o repreenderam.
—Ta bom, ta bom! –ele resmungou, pegando o envelope.
Foi a vez de Scarllet e Kira espiarem por cima do ombro de Kai, que tirou um “Ótimo” em Defesa Contra as Artes das Trevas, Feitiços e Trato de Criaturas Mágicas, além de “Excede Expectativas” em Transfiguração e Herbologia, “Aceitável” em Poções e História da Magia. Os “Péssimos” em Adivinhação e Astronomia não impediram um sorriso de surgir no rosto do garoto.
—Uau! — exclamou ele — Não fui tão mal quanto eu pensava nem em Poções... Pelo menos passei...
—Muito bom, Kai! –Scarllet afirmou.
—Valeu, Ruiva. –ele respondeu. –Sua vez, Tampinha.
Kira revirou os olhos e engoliu em seco logo em seguida, pegando seu envelope: Igual a Kai, recebeu um “Péssimo” em Adivinhação. Porém, o “Ótimo” que precisava em Poções estava lá, junto com Defesa Contra as Artes das Trevas e Feitiços, o que a fez suspirar de alívio. “Excede Expectativas” veio em Astronomia, Herbologia e, para sua completa felicidade, Transfiguração. Sobrando um “Aceitável” em História da Magia e Trato de Criaturas Mágicas.
—Eu consegui! –ela exclamou dando pulinhos.
—Eu disse que você ia! –Scarllet sorriu.
—Somos incríveis! –Kai exclamou e voltou seu olhar para a mulher mais velha–Tia Megan, tem mais biscoito?
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