I'm With You

5 Capítulo Quatro: Godric's Hollow


Notas iniciais
Olá pessoas! Peço desculpas pela demora com o novo capitulo. Essa pandemia tem deixado todo mundo meio doido, acho, e eu não sou exceção. O tempo tem passado muito devagar e muito rápido ao mesmo tempo e nem me dei conta. Mas vamos lá!

O jogo contra Sonserina no sábado seguinte ao resultado do julgamento do professor Snape teve uma vitória animadora da Grifinória de 450 x 100. A comemoração no Salão Comunal foi incrível e Kai não se cabia de felicidade com seu primeiro jogo como capitão tendo um resultado tão positivo.

Kira se retirou da comemoração cedo e pediu para Scarllet ficar, sabendo que amiga estava muito feliz com a vitória do time. Scarllet ficou dividida entre a felicidade da vitória e a preocupação com a amiga, que estava chateada com as demonstrações públicas de afeto de Lin e Kai, que deram um senhor beijo no meio do Salão Comunal. Mas a ruiva estava com a cabeça tão cheia nos últimos dias com toda a situação do professor Snape que acabou ficando. Ela precisava se distrair, afinal.

Estava sentada em uma das poltronas conversando com Miranda Jargo, a apanhadora do time e aluna do quarto ano, sobre a captura do pomo embaixo do nariz do apanhador da Sonserina e rindo da cara de idiota que ele fez quando Miranda, uma garotinha miúda de um metro e meio que parecia uma fadinha das histórias trouxas, levantou a mão com o pomo, quando Kai se jogou ao seu lado.

—Cadê a Kira? -ele perguntou, tinha um sorriso tão grande no rosto e um brilho tão cristalino nos olhos que era impossível não sorrir ao olhar para ele.

—Subiu. -Scarllet respondeu um pouco evasiva. -Estava com dor de cabeça.

—Ah… -Kai estalou a língua -Ela não gosta muito disso né… É legal da parte dela participar, vou agradecer depois por ela ter assistido o jogo.

—Ela é sua amiga. -Scarllet deu de ombro e viu os olhos de Kai passar por Lin, que conversava com um garoto do sétimo ano que Scarllet não lembrava o nome. Kai parecia tranquilo com a situação -Vocês estão namorando?

—O quê? -Kai perguntou, olhou para Scarllet, depois para onde ela olhava e depois de novo para a ruiva -Eu e Lin? -Scarllet confirmou com um aceno de cabeça -Não, não estamos. Quer dizer. Gosto dela, ela é uma garota legal e bonita. Mas não gosto dela assim… É… Só um lance.

Scarllet levantou uma sobrancelha.

—Ela sabe disso?

Kai riu.

—Ela foi a primeira a deixar isso claro. -Kai confirmou e se virou para Miranda -Eu te venero, sua pequena fada mordente.

—Eu sei. -Mirada respondeu com um sorriso cheio de dentes -E você me deve aquela sacola de doces da Dedos de Mel.

—Não esqueci. -Kai garantiu -Você a terá.

—Sacola de doces? -Scarllet questionou.

—Prometi pra Miranda que se ela sacaneasse o Mothre no jogo, eu daria uma sacola de doces pra ela. -Kai riu -Eu nunca vou esquecer da cara de hipogrifo ofendido que ele fez quando viu ela levantar o pomo bem na frente da fuça dele.

Scarllet acompanhou os dois no riso, descrente.

—Você sabe como incentivar seus jogadores. -ela disse em meio às risadas.

Kai piscou para ela, ainda em meio aos risos.

OoOoOoOoOoOoOo

O frio começou a chegar com força na segunda semana de novembro e as aulas fora do castelo e nas masmorras começaram a ser mais geladas.

O humor do professor de Poções não parecia ter melhorado em nada por ter se livrado das acusações de ser um Comensal da Morte e sua acidez e sarcasmo queimavam a todos, até mesmo seus sonserinos, que se viam pela primeira vez vítimas do professor Snape. A aula sempre muito silenciosa se tornou de um clima tão tenso que Kai chegou a brincar que poderia cortar o ar com sua faca de ingrediente, um dia após saírem da sala.

Scarllet não pode deixar de notar que sua presença passou a ser ignorada pelo professor. Ele passava pela mesa, distribuindo seus comentários ferinos para Kai e Kira, mas nem mesmo se dava ao trabalho de olhar para seu caldeirão ou sua pessoa, e nunca olhava para ela quando estava explicando ou quando ela ia entregar sua poção engarrafada no final da aula. A dúvida pesava forte, porém não levantou-a para os amigos, temendo que eles a achassem doida ou que falassem que estava com mania de perseguição, e nem se atreveu a tentar fazer algum questionamento em sala, temendo ser ignorada na frente de todos e discutir mais uma vez com o professor, resultando em outra detenção. Só de pensar nisso seu estômago se rebelava com lembrança da última.

As notícias nos jornais em comparação em como estavam antes da queda de Você-Sabe-Quem eram um pouco mais animadoras, mas ainda falavam bastante de morte e desaparecimentos. Não se sabia ao certo quantos Comensais da Morte ainda existiam soltos, alguns ainda procurando vestígios de seu mestre caído, quantos entre os capturados estavam mentindo sobre estar sob efeito da Maldição Imperius e quantos ainda precisavam ser capturados e tudo era muito confuso, deixando ainda uma sensação que grande de desconforto que não era esperada por quem aguardava a queda de Você-Sabe-Quem.

No meio de dezembro, na aula livre antes do almoço da terça-feira, Kai tirou a carta que havia recebido da mãe do meio de suas coisas e chamou a atenção das duas amiga

—Mamãe está perguntando se vocês querem passar o recesso de fim de ano em casa. –ele disse arrumando os óculos – Godric Hollow recebeu várias medidas de proteção extra do Ministério, visto o número de bruxos que tem aparecido por lá pra visitar a casa dos Potter... Então é seguro.

Scarllet pensou por um momento.

—Não sei, Kai... –ela disse –Elle está empolgada com o feriado.

—Elle pode ir também. –Kai afirmou sorrindo –Mamãe não se importaria, eu acho.

—Não! –Scarllet foi enfática, o que fez os amigos a olharem em confusão e ela suspirou –Quer dizer, minha mãe não gosta. Vocês sabem como ela é em relação a Helena, depois de perdermos meu irmão mais velho... –os amigos assentiram e Scarllet suspirou de novo, não gostava muito de falar do assunto — E ela está empolgada com um tal passeio que meu pai prometeu fazer em família. –Scarllet revirou os olhos com a menção do pai.

—Entendi... –Kai suspirou –Que pena, eu queria que vocês fossem... Mamãe disse que a casa dos Potter é uma coisa impressionante de se ver...

—Não tem como ir da casa da Scar para a sua por Flu? –Kira perguntou. –Aí não precisa ficar o recesso inteiro, né?

Os dois olharam para ela espantados.

—Kira, como exatamente nós dois nascemos em família bruxa e você que vem com essa ideia? –Kai perguntou, rindo.

—Usando a cabeça, idiota. –ela deu a língua.

—Assim Elle pode ir também, não pode? –Kai perguntou, quase quicando na poltrona.

—Kai, assim eu vou achar que você gosta mais da Helena do que de mim. –Scarllet falou seria.

—Olha, gata... –Kai mordeu o lábio –Eu não queria falar nada.... Mas sua irmã de nove anos é bem mais legal. –Scarllet revirou os olhos e ele virou para Kira –Amalie pode ir também?

—Eu acho melhor não, Kai. –Kira respondeu receosa –Além de ter toda uma burocracia para ligar a lareira de casa com a rede de Flu... Nós não temos certeza sobre a natureza mágica ou não minha irmãzinha... Eu não acho certo iludi-la sobre a possibilidade, fazer ela conhecer lugares mágicos e... Sabe, só eu ser bruxa. –Kira fez uma careta –Só com a possibilidade disso acontecer eu já fico chateada, imagine ela.

—Eu entendo, Kira. –Scarllet olhou para amiga compreensiva.

—É, desculpe. –Kai pediu –Você tem razão... Melhor não... –o Stom deu uma pausa e depois olhou para Scarllet -Mas você e Elle vão, Scar?

—Eu vou. Mas Elle, não. –Scarllet reafirmou –Mamãe realmente não gosta de deixar a Elle sem estar embaixo dos olhos dela e você sabe disso. Talvez em um ou dois anos.

—Quando ela entrar em Hogwarts, sua mãe não vai ter muita opção, Scar. –Kira foi quem disse, mesmo tentando soar compreensiva.

—É, eu sei. –Scarllet respondeu com uma careta estranha e na defensiva. Kai e Kira trocaram um olhar, mas não comentaram nada e Scarllet agradeceu internamente por isso.

OoOoOoOoOoOoOo

O branco tomava toda a paisagem e o ar gelado fazia com que escondessem os narizes nos cachecóis enquanto andavam lentamente o caminho da casa de Kai até a casa dos Potter.

Pararam em frente ao local, esperando a magia de ilusão que era presente aos trouxas se desfazer e eles poderem ver o chalé. A maior parte permanecia inteira e era bem parecida com todos os outros das proximidades, até mesmo parecido com a casa que Kai morava com os pais, mas a parte direita do andar superior parecia ter explodido. Havia uma energia mágica forte pairando no ar que fazia os pelos da nuca de Scarllet se arrepiarem.

Kai tocou o portão de leve e tirou a mão, como quem já esperava o que aconteceria a seguir. Uma placa ergueu-se diante deles e Scarllet leu:

Neste local, na noite de 31 de outubro de 1981, Lily e James Potter perderam a vida. Seu filho, Harry, é o único bruxo a ter sobrevivido à Maldição da Morte. Esta casa, invisível aos trouxas, foi mantida em ruínas como um monumento aos Potter e uma lembrança da violência que destruiu sua família.

—Mamãe falou que tinha algo assim. –ele comentou. –Olhe, algumas pessoas assinam, como se esperassem que um dia Harry Potter pudesse ver.

—É... Um pouco bizarro. –Scarllet fez uma careta –Mas acho que não deixa de ser uma demonstração de gratidão. Afinal, ele nos livrou de Você-sabe-Quem... Chega a ser difícil de imaginar que Você-Sabe-Quem entrou a poucos meses por esses portões e perdeu seus poderes para um garotinho...

—Me dá é arrepios só de pensar que Você-Sabe-Quem pisou aqui. –Kira disse se abraçando.

—Você sabe que ele estudou em Hogwarts né? –Kai balançou a cabeça –Você não vive arrepiada por lá.

Kira revirou os olhos para ele.

Ficaram algum tempo observando a casa, alguns outros bruxos apareceram nesse período com o mesmo objetivo e Kai comentou como sua mãe tinha dito que ali era praticamente um ponto turístico agora.

—Onde os Potter foram enterrados? –Kira perguntou depois de um tempo, esquentando o próprio nariz com a mão enluvada.

—No cemitério daqui. –Kai respondeu distraído, lendo algumas mensagens mais longas deixadas para O Menino Que Sobreviveu. –Vocês querem ir lá?

—Isso não é meio.. Mórbido? –Scarllet perguntou arqueando uma sobrancelha.

—Se parar para pensar, foi pra isso que viémos aqui. –Kira argumentou.

—Eu jurava que tinha sido para me ver. –Kai comentou em desalento.

—Um cemitério é mais interessante, senhor Stom. –Scarllet respondeu.

—Sabe que dizem que o cemitério daqui é mal-assombrado né? –Kai levantou as sobrancelhas duas vezes.

—Para, Kai! –Kira mandou –Se não, não vamos a lugar nenhum.

—Medrosa. –ele acusou rindo.

-Vamos logo! –Scarllet cortou Kira antes que ela continuasse a discussão -Estou começando a não sentir meus dedos dos pés.

—Eu falei pra você se agasalhar melhor. –Kira rebateu.

—Desculpe, mamãe. –Scarllet devolveu com ironia.

Kai riu das amigas, tomando a frente e as guiando pelo caminho. A vila era pequena e ele havia crescido nela, tornando-a fácil para ele indicar os caminhos e locais sempre que trazia as amigas para passear em sua casa.

Contornaram a igrejinha e Kai os guiou até um pequeno portão no muro do cemitério. As lápides frias trouxeram uma sensação ruim para Scarllet que já não tinha tanta certeza assim se queria avançar.

—Tudo bem, Scar? –Kira perguntou quando ela hesitou.

—É... –Scarllet suspirou –Cemitérios me trazem lembranças ruins... Mas vamos.

Ela se adiantou, não esperando que os amigos comentasse qualquer coisa. Logo Kai tomou a dianteira novamente e comentou.

—Papai disse que os Potter foram enterrados pertos de Kendra e Ariana Dumbledore... –ele deu uma pausa, parecendo pensar. –Minha avó era amiga de Kendra, a muito anos atrás. Costumávamos vir aqui trazer flores para ela quando eu era pequeno.

—Dumbledore? –perguntaram as duas garotas juntas em surpresa.

—Sim. –Kai respondeu, desviando por um caminho e seguindo um corredor de lápides –Mãe e irmã do tio Dumbie, respectivamente.

As garotas se entreolharam com as sobrancelhas arqueadas, mas continuaram o seguindo. Andaram poucos minutos e pararam em frente a um túmulo de mármore escuro, onde os nomes da mãe e irmã do diretor estavam gravadas, juntos com suas datas de nascimento e morte.

—"Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." —sussurrou Scarllet, lendo o que estava gravado na pedra.

—Bonito, né? –Kira perguntou depois e um instante de silêncio.

—Demorei um pouco pra entender o significado quando era criança. –Kai deu de ombro –Mas é sim.

Um leve barulho a frente os sobressaltou, Kira até mesmo soltou um gritinho. Subiram os olhos e, duas fileiras à frente, puderam ver uma figura toda vestida de negro parada de costas para ele, se virando lentamente para olhá-los com a exaltação que causaram.

—Pro-professor Snape? –gaguejou Scarllet, sendo a primeira a reconhecê-lo no lugar de uma assombração, sem saber o que preferia ver.

Snape terminou a volta com mais ênfase, fazendo a capa, a mesma que usava em Hogwarts, farfalhar atrás de si. Ele lançou um olhar demorado em cada um de seus três alunos, Scarllet sentiu-se arrepiar. O cenho se franziu enquanto os grifinórios ainda o encaravam em surpresa.

—O que os senhores estão fazendo aqui? –ele perguntou por fim.

—Eu moro aqui! –Kai respondeu meio abobado, gesticulando.

—O senhor mora em um cemitério, senhor Stom? –o professor ironizou, levantando uma sobrancelha.

—Na vila, senhor. –Kai se corrigiu. – E o senhor?

—Não creio que isso seja da sua conta, senhor Stom. –respondeu o professor.

Kai abriu a boca para responder, mas Kira tinha se adiantado, talvez movida pela curiosidade, e agora estava perto da onde o professor Snape permanecia parado, olhando as lápides ao redor, e os chamou:

—Gente, achei!

Kai e Scarllet esqueceram-se por um momento do professor e andaram rápido até a amiga, parando próximo a ela e ao homem.

A lápide em mármore resplandecia, mesmo estando parcialmente coberta de neve:

James Potter, nascido 27 de março de 1960, falecido 31 de outubro de 1981

Lily Potter, nascida 30 de janeiro de 1960, falecida 31 de outubro de 1981.

Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.

—“Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte." —Kai leu levantando as duas sobrancelhas.

—Por que os senhores estavam procurando o túmulo dos Potter? –o professor perguntou voltando a franzir o cenho.

—Eu creio que isso não seja da sua conta, senhor. –foi Scarllet que devolveu a resposta, afiada, como toda vez que precisava rebatê-lo

—Preciso lembrá-la que a senhorita continua sendo minha aula, mesmo fora da escola, senhorita Wolfgan? –ele perguntou –E portanto, me deve respeito.

—Porém não satisfação do que fazemos fora da escola, professor. –ela respondeu. –Não estamos fazendo nada de errado, portanto o senhor não tem com o que se preocupar a respeito. Estamos apenas curiosos, como tantos outros bruxos.

Snape a encarou por um momento. Scarllet sentiu o estômago revirar, sabendo que se pudesse, Snape tiraria pontos da Grifinória e provavelmente a colocaria em detenção.

—Que seja, senhorita. –ele determinou, dando as costas para os alunos e voltando a encarar o mármore com nomes gravados.

Por um instante, Scarllet fitou as costas do professor boquiaberta, sem acreditar que havia mesmo ganhado uma discussão com ele. Kai e Kira não pareceram perceber o embate ou a surpresa da ruiva e Snape também não, pois começou a dar distancia deles, sem ao menos se despedir.

—Eles foram seus amigos, professor? –Kira perguntou não menos que de repente.

Scarllet arregalou os olhos para ela e Kai segurou seu ombro, olhando como se a achasse suicida. Snape olhou-a por cima do ombro, por cima, como se fosse superior e os grifinórios se prepararam para a resposta atravessada que viria. Mas, diferente do esperado ele apenas ponderou e voltou-se para frente de novo, começando a andar antes de responder:

—Eram do mesmo ano que eu, quando eu era aluno em Hogwarts.

Os três amigos se entreolharam enquanto ele desaparecia na direção dos portões do cemitério, Scarllet sentia o coração acelerado sem ao menos saber o por quê. Não sabia se fora impressão sua, mas a voz do professor Snape parecia carregada com algum sentimento mal disfarçado quando respondeu à pergunta de Kira.

Kai deu de ombro e voltou os olhos para o túmulo dos Potter com respeitosa curiosidade. Kira seguiu seu exemplo e Scarllet ainda procurou sem sucesso a sombra negra pelo cemitério antes de também voltar seus olhos para lá. Não se passou muito tempo antes de Kai começar a reclamar de frio e decidirem por ir embora, mas somente quando começaram a andar, Scarllet notou algo aos pés do nome de Lily Potter e abaixou-se para ver mais de perto.

Era um lírio branco.

Parecia que acabara de ser colhido e a neve não o cobria, levando-a chegar à conclusão que ele acabara de ser posto ali.

—Scar? –Kira chamou ao perceber que não eram acompanhados pela amiga.

—Já estou indo! –respondeu, se levantando e olhando o lírio do alto.

Mordeu o lábio inferior, pensando se o professor Snape tinha deixado aquela flor ali.

—Scarllet! –Kira chamou mais uma vez.

—Estou indo! –repetiu, lançou um último olhar para a flor e deu as costas, alcançando os amigos.

OoOoOoOoOoOoOo

O dia de Natal amanheceu em meio a uma nevasca. Kai acordou Kira e Scarllet no quarto de hóspede mais cedo do que elas gostariam, mas elas logo esqueceram disso ao ver a pilha de presentes embaixo da árvore ao descerem para o café-da-manhã.

Entre livros novos, vestes e doces, uma vassoura de última linha que Kai ganhou dos pais e enfeites não tão úteis, mas legais, Kai e Scarllet abriram o presente de Kira.

Eram colares iguais, com um pingente em forma de estrela de cinco pontas. A estrela era dividida igualmente em três partes: uma dourada, uma bronze e uma prateada e cada parte tinha uma pequena pedra encravada.

Eles olharam confusos a amiga, que tirou de dentro da blusa do pijama um terceiro cordão com o pingente igual.

—Eles são iguais — começou a explicar — Um para cada um de nós. A prata representa a Scar, o bronze o Kai e o dourado me representa. Então encantados para quando estivermos em perigo, a pedrinha ficar vermelha, se estivermos tristes, a pedrinha ficar cinza, se estivermos felizes, a pedrinha ficar azul. Ou quando precisarmos encontrar uns aos outros, a estrela apontar para o lado certo. Coloquem!

Os dois obedeceram de pronto e de forma instantânea as pedrinhas ficaram azuis. Kai e Scarllet sorriram para a amiga, que devolveu o sorriso.

—Isso é legal! –Kai exclamou –Não vou ficar igual uma barata tonta me perguntando se vocês já desceram pro café da manhã ou se devo esperar vocês nunca mais.

—Você é uma barata tonta, Kai. –Scarllet afirmou –Não tem como ser de outra forma.

Kai deu a língua pra ruiva que devolveu. Kira revirou os olhos e riu.

—Ah, tem mais uma coisa! –ela exclamou –Abram a estrela.

Os dois olharam para a morena um momento confusos até notarem que havia um pequeno fecho na estrela. Forçaram de leve e ela abriu, revelando um mini-porta-retrato onde havia uma foto dos três, tirada no final do quarto ano, no banquete de encerramento do ano. Eles tinham os braços passados um pelos ombros dos outros e tentavam derrubar os chapéus uns das cabeças dos outros.

—Gostaram? –Kira perguntou hesitante.

Scarllet e Kai olharam para ela indignados com a pergunta e depois se entreolharam, voltaram a olhar para a morena ao mesmo tempo e avançaram, a esmagando em um abraço apertado.

—Adoramos, Tampinha! –Kai exclamou.

—Hey! –Kira reclamou do apelido.

Os três riram abraçados, se soltando um pouco depois e indo tomar o café-da-manhã no que seria um ótimo dia de Natal.

Notas finais
Espero que tenham gostado desse capítulo. Eu não gosto do clima da cena do cemitério não por ser ruim, mas por ser pesado e triste. Da vontade de pegar o Severus no colo hauahuah' Scarllet observadora e Kira sendo o amor de amiga que ela é, Kai sendo Kai. Deixem comentários para eu saber o que estão achando da fics ♥