Im Waiting For The Final Moment
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Minha Bulma:
Esta saudade consome-me o peito. A falta incondicional da tua presença corrói-me cada instante desta minha maldita vida sem ti. Nada me faz sorrir, a não ser a lembrança do seu olhar brilhante ao pôr-do-sol. É até irônico, pois nenhum pôr-do-sol parece mais bonito do que teu olhar . Olhar esse que troquei por olhares banais .É penoso sentir a mesma dor que um dia causei.
Sinto a tua falta, mais do que seria permitido sentir depois de tanto tempo. Às vezes a saudade é tão insuportável que sinto como se fosse me rasgar ao meio, tal a dor que tua ausência me causa. Me parece, às vezes, que o mundo perdeu toda a sua cor, todo o seu brilho. Brilho esse que me iluminou durante sete anos. Como pude desperdiça-los !
Sinto falta das idas à tua casa, dizias-me que irias me preparar o melhor jantar que eu já tivera em anos. Preparavas, enquanto ríamos com as minhas parvas piadas, coisas engraçadas que me contavas do teu dia-a-dia. Sinto falta de quando nos sentávamos à mesa, tu seguravas a minha mão, à luz de velas, acariciavas com os teus dedos pequenos e macios.
Sinto falta do teu sorriso, como um lindo campo florido. Onde cada pétala de flor é azul banhado por uma manhã cristalinamente rubra, em um céu sem nuvem, do mais puro carmesim. Onde o ar é tão puro e ao mesmo tempo tão denso. A tocar-me enquanto ando, livre, por entre as flores de um suave vermelho-alaranjado.
Nada parece ter sentido. Estou triste demais nessa minha visão bucólica. Minhas lágrimas descem cada vez mais espessas . Meus olhos ardem mais forte. A angústia passa a dar lugar para uma forte dor pulsante no meu âmago. Que há de ser tudo isso? Por que um sonho tem de ser tão doloroso? Porque sou um fraco, onde te traí vezes sem conta! Como pode perder uma mulher fantástica ? Como pode deixar o inimigo conquista-la? Sim , até o ser mais cruel do universo percebeu o quanto fantástica tu és.
Ai saudade ! Saudades da forma como lidavas com , aquele gato egocêntrico do teu pai, saudade de quando alugavas filmes e os trazias , junto com meia dúzia de latas de cerveja, passava-mos a noite assistindo-os. Pode parecer ridículo, Bulma, mas sinto falta até de como abrias as benditas latas de cerveja! Nesses momentos, nada no mundo me importava, pois tinha-te por perto. Mas não dei valor . Apenas fazia parte delas para não descobrires o motivo que me levava a fazer parte da tua vida. Momentos esses que passaram a ser a três , sim Vegeta , sem que me apercebesse passou a ocupar lugar nos nossos serões. Como pode ser tão cego!
Saudades de todas as loucuras que cometíamos, quando ninguém não estava por perto. Loucuras essas que passei a evitar. Mentia quando dizia que estava cansado . E o teu carinho naquele momento era tudo que importava. E agora não estás mais aqui. Porque agora é ele quem dorme nessa cama .
Me pergunto como fui capaz de te entregar a ele! Como pude deixa-lo ocupar a cama que era nossa. Porque não percebi o cheiro dele quando me deitava para dormir a teu lado. Onde horas antes ele saciava todos os teus desejos. E eu simplesmente evitava saciar. Foi tanto tempo que dividimos os três aquela cama. Onde ele te amava e eu apenas fingia amar. O vosso amor cresceu e deu frutos e eu simplesmente , fui embora . Senti-me traído , onde tantos anos fui eu a trair.
Mas não me vou preocupar, meu amor . Um dia encontraremos, quem sabe em outra vida, onde juro dar-te o valor merecido.
Até lá, meu amor, esperarei. Esperarei o quanto for preciso, até que possa revê-la.
E afirmo o quanto for preciso, que te amo, que sempre amarei, que as minhas palavras te aqueçam se por algum motivo a solidão gélida se apossar do teu coração.
Te amo .
Do teu sempre,
Yamcha.
Deixou a carta em cima da mesa. Uma lembrança veio-lhe na mente . Aquela maldita noite , que vinha matar seu desejo e afastar a ideia da loira que o rejeitara. O que encontrou foi doloroso , Bulma , que lhe dissera horas antes que não estava em casa , fazia amor na cama deles. Pior com o inimigo , seu assassino. Nesse dia percebeu o que perdeu.
Subiu o banco , colocou a corda no pescoço e saltou . Um ultimo pensamento evade-lhe a mente”
Eu acordei. Porém tarde. A falta de ar dificulta-me a visão manchando tudo o que vejo. Escorre pelo meu rosto, lágrimas de saudades. De uma vida de sonho. Agora vivo a ilusão de uma morte suave, dotada de angústia e dor. Como pudesse , a minha ansiedade e tristeza, mentira, apagadas por uma visão campestre. Eu sei que aquele céu rubro trazia consigo toda a tristeza e perda da minha vida, que cada uma das pétalas carmesins que meu corpo tocou enquanto andei, não passavam de uma nova forma para todas as lágrimas que chorei nesta amarga vida. Que o rio, que corria sereno, era apenas uma modesta apresentação da minha tristeza sem fim, cuja nascente fora meu próprio peito e meus próprios erros.Metáforas baratas pregadas por uma mente moribunda que nem ao menos morrer consegue em paz. Ilusões de doçura criadas para um jovem amargo já quase sem vida. É estranho sentir a vida esvaindo-se aos poucos.O medo que no início era tanto vai sumindo aos poucos , tudo o que eu desejo é que isto acabe rápido. Ao mesmo tempo que eu sei que durará uma eternidade. Durará a minha eternidade. Pois é a minha morte. É a minha escolha. E mesmo sabendo que foi o caminho que decidi seguir, me pergunto se o segui de própria vontade ou se o passado me fez estar aqui, simplesmente a morrer.
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