I'm Sorry
2 Não quero ser amiga de um IDOL
—Eu estou morta! Eu com certeza estou morta! Eu estou morta! – Hen Ji repetia consigo mesma enquanto procurava a maleta de primeiros socorros na cozinha. Quando finalmente encontrou se dirigiu a pequena sala onde Kim Taehyung se encontrava.
Ela sentou-se de frente para ele sem saber ao certo se podia toca-lo. Enquanto decidia de que forma se aproximaria dele observou o rosto do mesmo, reparando que não estava tão mal assim. Próximo à sobrancelha tinha um corte e estava meio roxo, não passava disso, em uma pessoa normal poderia até passar despercebido, mas claro que não era esse o caso, se tratava de um IDOL, e com certeza seus managers e principalmente suas fãs iriam notar. Alias, era dessas ultimas que ela mais temia, não era fã do grupo – apesar de ouvir uma ou outra musica- mas acompanhava as redes sociais e podia ver o fervor do amor que as garotas sentiam pelos membros do grupo.
—É como uma fanfic!
Hen Ji acordou de seu transe.
—O que?
—Um de seus ídolos sentado em sua frente precisando de curativos, ainda que tenha sido você mesma que tenha feito os machucados... –
—Espera um momento, você realmente acha que está falando com uma de suas fãs?
—Porque não estaria?
“Porque vocês não são os únicos? Porque você não é o centro do universo?” Hen Ji queria dizer, junto com mais um tapa na cara dele, que agora exibia aquele sorriso que ela achava tão estranho, onde já se viu ter um sorriso quadrado? Mas preferiu apenas falar:
—Fica quieto e cala a boca!
Taehyung desmanchou o sorriso e fez um bico no lugar, mas seu lado fofo também foi completamente ignorado por Lee Hen Ji, que estava concentrada demais em cuidar do machucado tocando o mínimo possível no garoto.
Depois do que pareceu ser uma eternidade ela terminou o curativo.
—Pronto! – Ela anunciou, esperando que ele levantasse e fosse embora sem maiores problemas, o que claro não aconteceu, já que ele se mantinha parado como uma estatua em seu sofá, olhando para o nada.
—Você pode ir, se quiser. – Ela falou, tentando que as atenções dele se concentrassem nela.
—Eu não quero.
—O que?
—Você disse “se quiser”, e eu não quero.
—Foi apenas uma forma de falar... E você não pode ficar aqui de jeito nenhum.
Poderia até parecer- e era o pensamento mais obvio- que o motivo maior de Lee Hen Ji abominar a ideia de Taehyung passar a noite ali era o fato de ela ser uma garota solteira que morava sozinha, mas na verdade Hen Ji não para de pensar que algum fotografo maluco ou uma fã sasaeng estavam o seguindo, era a única explicação para ele ter apelado justamente para aquele lado da cidade.
Se alguém a fotografa-se com Kim Taehyung sua vida viraria um inferno, especulações começariam a surgir, fãs e repórteres não sairiam de seu pé... Aish, era estressante só de pensar. Aquele tipo de agitação era o que ela menos desejava em sua vida. Sua rotina era chata e parada demais, a única grande agitação era a semana de provas na faculdade, mas ela gostava disso. Tudo era muito duro, mas ela gostava.
—Porque não?
Ela o olhou como se a resposta fosse obvia demais para ser perguntada, então nem se deu o trabalho de responder.
Taehyung tinha tentado seus dois melhores lados, que em geral nunca falhavam: o fofo e o engraçado, e tinha falhado nos dois. Logo ele percebeu que deveria usar outra estratégia com aquela garota, uma que não precisava usar muito: a séria e lógica.
—Escute. Você me deu um soco que deixou meu olho roxo, nada mais justo que me ajude de alguma forma, e essa forma é me deixando passar a noite aqui.
Hen Ji fechou a cara, temia desde o inicio que ele usasse aquele argumento. Não tinha outro jeito, se não quisesse entrar em uma enrascada maior ainda deveria deixa-lo ficar. Ainda que soubesse que ele era o errado, já que o idiota tinha agarrado sua mão, ele esperava o que? Que ela desse pulinhos de alegria enquanto o chamava de “Oppa”? Mas seria a palavra dela contra a de um k-idol que tinha um exercito de garotas ao seu lado.
—Okay. – Disse relutante enquanto Kim Taehyung exibia seu sorriso triunfante.
Ela resmungou irritada e rumou ao banheiro, precisava de um banho.
Mais tarde quando voltou do banho Taehyung ainda se encontrava na sala, porém agora remexia em alguns de seus livros que anteriormente estavam jogados em algum canto do cômodo. No momento ele se mantinha concentrado em um deles.
Lee Hen Ji observou por alguns instantes e sorriu zombeteira pensada em como a expressão do garoto parecia com a de alguma criança que havia descoberto uma nova brincadeira. Balançou a cabeça espantando os pensamentos inúteis e foi até a cozinha.
—Tô com fome!
O Kim já estava na cozinha ao seu lado com aquela cara de novo. Hen Ji já havia previsto que ele diria aquilo, então tinha colocado dois potes de ramyun instantâneo no micro-ondas.
Quando colocou o pote fumegante em sua frente, ele fez uma cara estranha e Hen Ji achou que ele estava com nojo ou menosprezando a refeição, o que alias não era uma coisa educada a se fazer.
—Esperava o que? Uma refeição coreana completa?
—Não. É que eu não como ramyun com frequência.
—Bom, você não está em um hotel 5 estrelas.
—Na verdade, eu adoro ramyun, não posso comer com frequência porque devemos priorizar alimentos saudáveis, por conta das práticas e shows.
—Ah... – Ela falou se sentido quase culpada por julga-lo de forma errada.
—E aqui estão os travesseiros e lençóis! – Nesse momento Hen Ji apresentava a suíte “presidencial” ao hospede, o pequeno sofá da sala.
Não esperou que ele soltasse mais nenhuma frase e marchou para o quarto, exausta, pensando em como aquele dia tinha sido mais cansativo que o normal.
Mal fechou os olhos e ouviu a porta se abrindo.
—Ei.
—O que é dessa vez?
—É que... bem... eu não estou muito acostumado a dormir sozinho e...
—E o que? Onde quer chegar?
—Eu posso dormir aqui?
—O que?! – Ela chutou as cobertas pra cima, irritada. – Ah não, isso já é demais!
—Eu prometo que me comporto, eu durmo aqui no tapete...
—Aish, quer saber? Faz o que quiser! – Ela voltou a deitar e se deu por vencida, ela estava cansada demais para discutir qualquer coisa com aquele garoto.
Ω
Já passava das 12h e Kim Taehyung não conseguia pregar os olhos, não parava de pensar se tinha tomado à decisão correta. Por fim levantou e foi até a janela, cuja as cortinas eram de um tom delicado de lilás. Ele as puxou devagar para que não fizesse barulho, e olhou a rua lá embaixo, que estava deserta e tinha pouca iluminação.
A área em questão era puramente residencial, com exceção de algumas barracas de comida rápida aqui e ali. A rua onde estava se restringia a prédios que abrigavam jovens estudantes, as “casas” não passavam de apartamentos minúsculos.
Kim Taehyung se permitiu respirar aliviado, eles não o seguiriam até ali. Encostou-se na janela e seus olhos inquietos vagaram pelo quarto, era pequeno mas aconchegante e organizado.
Olhou admirado a mesinha de estudos e o mural logo acima, que se mantinham tão organizados que ele teve vontade de bagunçar um pouquinho para que não se sentisse tão humilhado pela própria falta de habilidade em organizar coisas. Claro, ele tinha melhorado desde a época de estudante, mas jamais chegaria aquele nível.
Sem querer e de forma inconsciente seu olhar chegou até a garota que tinha lhe cedido abrigo, ainda que de forma quase que forçada.
Enquanto acordada parecia que ela pularia em seu pescoço a qualquer momento, embora achasse engraçado, aquele não era um comportamento normal que as garotas tinham em relação a ele.
Taehyung reparou que enquanto dormia ela tinha um ar quase que angelical. Uma parte do cabelo cobria o rosto, e ele teve vontade de tirar, mas se conteve, tendo a certeza de que receberia mais um tabefe no rosto.
Subitamente ele decidiu que era hora de ir. Por ser uma área onde muitos estudantes transitavam diariamente seria mais fácil ser pego pela manhã.
Quando saiu do prédio olhou rapidamente para trás e agradeceu mentalmente a Lee Hen Ji pela ajuda. Como ele sabia o nome dela? Não foi preciso perguntar, estava escrito no crachá pendurado em sua blusa.
NA MESMA RUA EM ALGUNS DOS PRÉDIOS
—Chefe, ele está saindo, devemos segui-lo?
—Não.
—Mas...
—Em vez disso faça um levantamento sobre a vida dessa garota que o ajudou, quero saber tudo sobre ela.
Enquanto seus subordinados assentiam confusos ele falou, ainda olhando a rua:
—O Bangtan está em alta, essa é a hora de agir. – Então se virou para o interior da sala. – Não vamos acabar apenas com a vida dele, vamos levar de brinde todos os que estão ao seu redor.
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