I'm Sorry
6 Walther P99
Notas iniciais
Cap.06 Walther P99
Nico DiAngelo
Depois daquele beijo Jason apenas me olhou por alguns segundos e fechou os olhos enquanto suspirava, parecendo cansado. Não era a reação que eu esperava, mas talvez ele fosse aquele tipo de pessoa que, ao ver como uma situação era se adaptava rapidamente, da forma que a confusão não o atrapalhasse. Mas eu também duvidava que não estivesse com medo ou ao menos receoso.
Linhas de expressão surgiram no canto dos seus lábios e ele parecia querer socar algo, sua pele estava muito branca e seus olhos pulsaram azuis quando os abriu. Eu dei um passo para trás, mas logo recobrei a postura desviando o olhar do dele. Caminhei até o armário e tirei de lá um cobertor escuro, jogando-o em sua direção. Ele quase pulou da cama.
– Durma um pouco. – Falei.
Ele agarrou o cobertor como se fosse muito importante e continuou a me fitar esperando por algo, transbordando expectativa.
– Quer que eu divida a cama contigo? – Sugeri, um sorriso sutil e torto surgindo no canto da minha boca.
Minha mente se lembrou de cada vez que essa pergunta já tinha sido proferida pelos meus lábios, e de seus resultados muito satisfatórios. Talvez Jason seguisse essa linha de raciocínio. Aproximei-me o bastante para estar à frente dele agora, fitando-o de cima, uma diferença de altura mentirosa apenas pelo fato de ele estar sentado.
Abaixei-me apoiando meu joelho no espaço vago da cama entre suas pernas, ele parecia em choque. Jason era como um coelho com a perna presa em uma armadilha e eu me sentia o caçador, examinando a caça do dia e pensando na sua qualidade antes de matá-lo.
Minha boca roçou o lado do seu rosto antes de eu sussurrar no seu ouvido, as palavras saindo roucas e aveludadas, novas até pra mim.
– Quer?
Ele engoliu em seco.
– Por que você não me responde Jason?
Beijei de leve sua bochecha, mordi de leve o osso do seu maxilar sentindo a excitação crescer dentro de mim. Ele se contorceu em um leve arrepio e fechou os olhos com força, inclinando o rosto levemente para o lado oposto ao meu. Naquele momento eu queria ter presas de vampiro para mordê-lo, sentir prazer com o seu sangue preenchendo minha boca e fazê-lo sentir prazer também. Queria que ele me tocasse, me incitasse enquanto todo seu sangue era tirado dele por mim em meio a beijos intensos e movimentos sensuais. Sentir tudo isso por um garoto era novo, mas não me parecia errado.
– Você não sente isso Jason? – Me demorei na pronúncia do seu nome, arrastando as palavras junto com as minhas mãos que agora exploravam seu pescoço, descendo devagar pelas suas costas.
Sua expressão era de completo desgosto, mas isso não me afetou, eu mordi o canto do seu pescoço com convicção, forte, até sentir o sangue escorrer pela minha boca, salgado e metálico. Jason tinha se contorcido e segurava meu pulso com força, suas mãos grandes me apertando e eu nem ao menos conseguia me concentrar nisso. Ele arfou quando eu me afastei minha boca do seu pescoço por alguns segundos, apenas para traçar um risco com as unhas na linha da sua clavícula, os pelos dos seus braços se eriçaram e ele tentou se afastar. Aumentei a força da minha mão no seu braço.
Voltei-me para seu rosto e fechei os olhos quando minhas mãos percorreram se peito, seguindo cada linha e mudança. Encostei meus lábios de leve nos dele, afastei-me segundos depois.
– Você não sente? – Perguntei, o foco dos meus olhos nos dele que tinham se aberto novamente.
Ele abriu a boca para responder no exato momento em que eu passei minhas unhas por baixo da sua blusa, arranhando o lado do seu corpo. Ele gemeu baixo, sem perceber e depois me olhou assustado. Ele sentia, eu sabia que sentia.
– Não. – Ele limpou a garganta e tirou minha mão de dentro da sua blusa.
– Hm. – Murmurei.
Afastei-me e peguei uma jaqueta preta em uma cadeira próxima, vestindo-a logo em seguida. Senti o tecido pesado cair sobre meus ombros e os movi, depois levei a mão ao pescoço, massageando-o. Tinha sido um dia cansativo, mas eu ainda tinha coisas para fazer.
– Boa escolha garoto.
– Eu não fiz uma escolha. – Ele rebateu com o tom da voz oscilando no final, vacilando.
Eu sorri de lado, suavemente e o olhei com pesar.
– Sim, você fez. Durma um pouco.
Coloquei as Glocks no cinto e as ajustei no meu quadril. Jason seguiu meus movimentos com os olhos, eu não o olhei novamente. Peguei as chaves e tranquei a porta ao sair. Encostei a cabeça na porta, sentindo o cansaço fazer meu corpo balançar. Meu coração estava em disparada e minha respiração se desconcertou, como uma reação de choque atrasada. Repreendi-me e me afastei, voltando para o corredor.
Ele podia negar que tinha sentido aquilo, sua pele se arrepiar, seus músculos enrijecerem, sua boca se sentir seca, a ansiedade movida pelo desejo consumindo um fraco corpo humano todo vulnerável a estímulos.
Eu queria ouvir aquele gemido fraco novamente, pois apenas ecos ainda permaneciam na minha cabeça.
Bati no meu próprio rosto tentando me recompor.
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