Notas iniciais
Não vou dizer nada hoje porque estou com pressa, mas vão "me ouvir" muito no próximo cap... Beijos, espero que gostem

Um garoto de cabelos negros e olhos azuis me abraçava. Eu não deveria estar em seus braços, deveria estar nos braços de Scorpius.

No entanto, por mais que eu tentasse forçar o meu corpo a se afastar ele não me obedecia de forma alguma.

— Rose — minha mãe estava sentada na ponta de minha cama, sua testa franzida.

— Antes de qualquer coisa mãe, acho que você precisa saber de uma coisa — disse sonolenta enquanto esfregava meus olhos.

Quando percebi como minha mãe me olhava com expectativa me senti bem ao pensar no quanto ela ficaria feliz com a novidade, mas arrasada quando eu não fosse selecionada.

— Eu decidi que vou me inscrever, por você.

Ela bateu palminhas como se o ocorrido fosse motivo para uma grande comemoração.

Ela pulou para o meu lado e me abraçou tão apertado que eu até gemi. Receber abraços apertados quando acabamos de acordar não é uma boa forma de começar o dia.

— Você sabe que me inscrever não quer dizer ganhar, não é mamãe?

— Sim, sim — ela disse abanando as mãos como se não desse muita importância. Mas em seu rosto eu já podia perceber que seus pensamentos estavam flutuando para longe, para um futuro inexistente em que uma coroa adornaria minha cabeça.

Enquanto escovava meu cabelo eu também tentava organizar meus pensamentos. A Seleção realmente pode influenciar muito na vida de uma pessoa.

Ao menos agora todos ao meu redor ficariam satisfeitos. Quando eu perder, eu ficarei satisfeita.

Mas pensar muito no formulário e no motivo de eu estar sendo incitada a preenchê-lo me deixa irritada. Dinheiro, ou melhor, a falta dele. Minha família precisa desesperadamente de dinheiro, a de Scorpius mais ainda.

Tudo se resume ao dinheiro, por mais que eu pense que posso viver feliz sem ele.

Abri o meu guarda roupa, mas não havia muito que escolher. A maior parte das minhas roupas é branca e cinza, todas tão gastas que nem faz diferença.

Meu pai estava na cozinha lendo um jornal. Quando me viu apenas sorriu, não me parabenizou pela escolha.

Já minha mãe estava radiante, quase dando piruetas enquanto preparava o café.

Peguei a formulário que já estava posto em cima da mesa (cumprimentos de minha mãe) e comecei a preencher os espaços.

Nome, idade, casta e informações de contato. Havia também informações físicas como peso, altura, cor de cabelo, olho e pele. Nas informações adicionais tive orgulho em escrever que sei falar fluentemente três idiomas. Inglês, francês e espanhol.

Quando terminei de preencher o formulário fiquei olhando o papel espesso por alguns instantes. Era como fazer um acordo de vida, de certa forma. Minhas mãos tremiam levemente.

— Você devia colocar "irritante, tagarela e dorminhoca" nas informações adicionais — meu pai disse tentando me deixar mais tranquila. Funcionou.

— Talvez isso me torne uma candidata menos desejável.

Ele deu uma piscadela.

Eu já tinha pensado em colocar respostas falsas, mas minha mãe certamente avaliaria o formulário atentamente antes de ser entregado.

— Pai, se eu casasse com alguém de uma casta menos, você me impediria? — perguntei de repente antes que pudesse engolir de volta as palavras.

— Eu deixaria você casar até mesmo com um oito se isso a fizesse feliz. Mas algumas vezes o amor vem com outros pesos. E se ele terminasse?

Ponderei a resposta por um tempo. De fato o amor vem com outros pesos, mas o meu amor e o de Scorpius não terminaria, jamais.

Fui até o quintal entregar o formulário para minha mãe analisar.

Ela estava sentada no gramado costurando um novo vestido, ao lado de Hugo que fazia sua lição de casa.

Hugo levantou os olhos de sua lição de casa, eles estavam brilhando.

— Então quer dizer que você realmente se inscreveu?

— Esse não era o plano desde o início? — perguntei sorrindo.

— Por que você mudou de ideia? — ele franziu o cenho.

— Os discursos da mamãe podem ser bem eficientes.

Minha mãe sorriu convencida, mas a verdade é que de eficiência nada tinha os discursos de minha mãe, mas os de Scorpius por outro lado...

— Se quiser podemos ir agora ao Departamento de Serviços Provinciais mãe.

— Só vou pegar minha bolsa. Enquanto isso por que não tenta ajudar seu irmão a encontrar sua vocação? — ela o observou com um ar repreendedor.

Daqui não muito mais tempo Hugo também terá de trabalhar para ajudar a família. Mas fica difícil quando não se sabe o que quer fazer.

Sentei ao seu lado e passei a mão por seu cabelo, tão ruivo quanto o meu.

— Tente esculpir, talvez você goste. Já sabemos que cantar não é pra você — empurrei seu ombro de leve, brincando.

— Não quero fazer droga nenhuma relacionada a nossa casta. Não quero "a arte" para minha vida. Você sabe que eu quero ser médico.

— Mas devemos seguir as leis de nossa casta, você sabe disso.

— Mas não é justo. Não é justo que tenhamos que ser algo só porque nascemos em determinado lugar ou porque nossos antepassados fizeram determinada coisa. Odeio esse sistema!

Eu não disse nada, pois não havia nada a ser dito. Eu sabia que nada o faria mudar de ideia, Hugo é muito temperamental. Mas não poderia alimentar sua raiva, mesmo que a compartilhasse.

— Vamos Rose, estou pronta.

Eu e minha mãe andamos até o departamento debaixo do sol quente. Só utilizamos o ônibus quando vamos trabalhar, para assim poupar dinheiro. No restante do tempo não importa o quão longe o lugar seja, temos que caminhar.

Não que eu já não esteja acostumada. A vida é assim para todas as castas baixas, mesmo para a três.

Quando chegamos o departamento estava lotado de garotas maquiadas, perfumadas, e totalmente bem vestidas, todas ansiosas para entregar suas fichas.

— Hermione! — eu e minha mãe olhamos para trás procurando o conhecido par de olhos que tentava se infiltrar na multidão de garotas histéricas.

Seguindo Astoria, a mãe de Scorpius, estava Jess, a irmã mais nova dele.

Jess usava um vestido simples, que mesmo assim era o seu melhor. Não importava. Assim como o irmão ela ficava absolutamente bonita com pouco.

Ela sorriu para mim timidamente, e eu retribuo o sorriso.

— Olá Astoria, Jess... Como estão? — minha mãe perguntou.

— Um pouco nervosas para falar a verdade, mas bem — Astoria respondeu. Eu sempre a adorei. Foram poucas às vezes em que conversei com ela, mas ela sempre foi amável.

— Você está maravilhosa Jess — minha mãe elogiou.

— Bem, eu queria passar uma boa impressão na foto.

— Foto? Que foto? — perguntei atônita.

— Bem — Astoria começou a dizer timidamente — Eu estava limpando a casa de um juiz ontem, e acabei descobrindo que o sorteio na verdade não é aleatório. Para que tanta informação se é apenas um sorteio, não é mesmo? As garotas são literalmente selecionadas.

— Então parece que a informação foi espalhada — eu observei. Todas as garotas ao redor estavam produzidas. Exceto eu.

Algumas usavam tranças embutidas, outras coques altos, algumas mais ricas alisaram o cabelo. Sem falar das maquiagens, cada uma mais marcante que a outra.

Eu estava razoável, para um cinco. Meu cabelo estava penteado solto, e eu usava um brilho labial, mas só.

Melhor para mim, eu acho. Provavelmente minhas chances serão parcialmente diminuídas.

— Pelo menos nossas garotas não foram por essa trilha — Astoria comentou — Veja como você está linda Rose!

Senti minhas bochechas corarem.

— Bobagem. Quem me escolheria quando se tem Jess na lista?

— Scorpius sempre fala muito bem sobre você Rose, não ache que você é pouca coisa — Jess disse em meio a risinhos.

— Que gentileza dele — mamãe disse.

Então mesmo nosso namoro sendo segredo Scorpius fala sobre mim? Isso com toda certeza fará meu ego aumentar.

— Ele ainda fará uma garota feliz, tenho certeza. Mas ando observando e... Acho que ele já tem alguém em mente — Astoria disse.

Jess concordou.

— Ele vive assoviando, e até mesmo cantando!

Não consegui segurar o meu gritinho de animação. Mas todas estavam animadas, então não fazia diferença.

De repente, eu tinha certeza. Scorpius ia me pedir em casamento, ele ia!

Isso era tudo em que eu conseguia pensar. Scorpius vai me pedir em casamento, Scorpius vai me pedir em casamento, Scorpius vai me pedir em casamento.

Quando finalmente chegou a minha vez, eu entreguei a ficha, assinei alguns papéis e sentei em um banquinho para que minha foto fosse tirada.

Certamente nenhuma garota sorriu como eu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.