I'm Not Okay

45 45 - I Swear


"Simplesmente esqueça isso!"

Yeap! Foi o que eu fiz anquela noite, e olha que apesar de tudo aquilo, foi bastante fácil manter o Jimmy longe de mim. Deixei-o dormindo da minha cama e fiquei no quarto de meus pais. Não pude dormir. Fechei os olhos, mudei quatrocentas e cinqüenta e nove vezes de posição, até desci três vezes para tomar água mas nada adiantava. Huh, e não, não era por peso na consciência, o que me assustava bastante. Logo pude ver a claridade refletindo nas cortinas escuras do quarto; saí de lá e fui me arrumar.

Quando cheguei na cozinha, já tomado banho, encontrei Jimmy procurando algo para tomar na geladeira. Não pense que me atrevi a dar bom dia, eu só queria sair o mais rápido possível dali. Ele não me direcionou a palavra, tive esperanças de que não lembrasse do ocorrido na noite passada, mas como minhas esperanças terminam, sempre, em desilusões, desisti.

Eu- Eu vou pro colégio e...

J- CALA-A-BOCA! Eu gostaria de nunca mais ouvir a sua voz na minha vida, nunca mais.

Certo, eu deveria ter previsto aquilo.

J- Merda, fala que eu não fiz aquilo...

Permaneci em silêncio.

J- Diz que eu não fiz aquela bobagem, por Deus!

Eu- Er, você fez...

J- Qual seu problema, é surdo além de tudo? Mandei você ficar calado!

"Mas que ótimo!"

Abaixei a cabeça.

J- Escuta aqui... -veio até mim repentinamente e me purou pela gola da camisa. -se você falar o que aconteceu pra alguém, eu juro que PARTO sua cara em quatro!

Eu- Te fode, isso seria vergonhoso demais! -me soltei dele, que me olhou com ódio.

J- Por que você não sai logo? Anda, Frank, vai pra porra do seu colégio e me deixa em paz!

Eu- Hey, a culpa foi sua Jimmy, você que mandou e...

J- Se eu mandasse você trepar com a Dona. Marie que tem 82 anos, você treparia? Não, então não tem que fazer tudo o que eu mando!

"Você é louco?"

Eu- ... Certo. -puxei ar como se fosse dizer algo, mas as palavras haviam sumido totalmente da minha cabeça.

Não dava pra fingir que nada tinha acontecido. Ou dava?

O telefone tocou. Corri para atender.

Eu- Alô?

Pai- Frank?

Eu- Ah, oi pai.

Jimmy me olhou arregalando os olhos.

P- Passa pra cá!

Tapei o telefone com a mão e sussurrei algo como "nem vem!".

Eu- Tah certo...

Pai- Bla-bla-bla...

Eu- Uhum...

Pai- Bla-bla-bla...

Eu- Eu sei, pai...

Pai- Bla-bla-bla...

Eu- Tá bem! Você já disse...

Pai- Bla-bla-bla...

Eu- Okay, tchau. -desliguei o telefone.

J- O que ele disse?

Eu- Perguntou se eu tava me comportando e mandou eu te obedecer. -disse ironicamente, dando enfase a palavra obedecer.

J- Não precisa me obedecer tanto assim... -se virou e subiu.

Tá, apesar de tudo aquilo soava realmente engraçado.

Saí de casa e fui para o colégio. No caminho, encontrei-me concentrado em levantar uma pedrinha com a ponta do tênis até que alguém me tirou toda a atenção.

Eu- Ou, que saco, tava quase... -pensei um pouco alto.

G- Quase o que, hein gostoso? -me abraçou por trás.

Eu- Gee?! -disse, assustdo.

G- Não, Iero, a besta atômica!

Eu- Heh, oi Gee...

G- Sentiu saudades? -e abriu um sorriso lindo, me abraçando com mais força.

"Não faz isso, Gerard... Assim você realmente me quebra!"

Se ele tivesse me tratado mal, eu juro que não reclamaria.

"JURO!"