Ela parou à nossa frente, entre mim e o loiro e abaixou a cabeça ligeiramente como se não quisesse nos encarar.

– Me desculpem...- inflou ligeiramente as bochechas enquanto procurava segurar a alça da sua bolsa.

– Ahhhh... Não se preocu...- levantei a mão como sinal para que o loiro interrompesse seu discurso fatela.

– Sua atitude reflexiva não retratou nada mais e nada menos a sua fraqueza como humana, mas evite fazer coisas que não mudam em nada a sua vida assim tanto como a minha.-

Ela me encarou com um olhar perplexo de quem não estava acreditando no que estava ouvindo. O loiro boquiaberto tentava dizer algo mas nada mais do que pequenos murmúrios sem sentido saíam da sua boca.

– Eu não estou acreditando, o quê? — ela inclinou a cabeça para frente em um sinal inicial de quem não tardaria nada em explodir em ira.

– Não me toque.- respondi à sua pergunta.

As pessoas que passavam abrandavam o seu passo para tentar perceber o que estava acontecendo entre aqueles dois estudantes e um estranho como eu, provavelmente o clima tenso que estava sendo gerado tenha captado a atenção daqueles humanos... assim como o rosto da Coroline ficando cada vez mais vermelho a cada segundo que ela olhava para mim, prestes a assentar seu punho novamente sobre meu rosto.

Resolvi me retirar.

– Que indivíduo mais irritante! — pude ouvi-la falar entre os dentes enquanto eu me afastava.

Enquanto isso, eu descobri algo muito mais interessante do que os desabafos de ira daquela menina... descobri que eu me sentia muito confortável ao andar com as mãos nos bolsos. E desde então, era sempre assim que eu andava.

Me deixei levar pelos instintos e me desloquei pela universidade, até chegar ao jardim. Já era praticamente noite, tirando algumas nuvens no horizonte que ainda reflectiam o resto dos raios solares. Não podia negar, era muito bonito.

O jardim era consideravelmente grande, com inúmeros caminhos de ladrilho, uma fonte enorme no centro e demais espaços diferentes espalhados... Fiquei naquele lugar por um bom tempo, sem fazer nada e sentado num banco. Como eu fazia no mosteiro.

– É novo aqui e já fica até tão tarde? Você tem problemas? — uma voz soou do nada vindo de trás do meu banco. Não me virei, aguardei que se mostrasse por si só.

Assim que senti um peso extra fazendo o banco tremer, virei os olhos para encarar aquele humano que preferiu pular por cima deste e se sentar do que poupar seus esforços e se deslocar para a frente do banco e se sentar normalmente.

– Não sou estudante.-

– Hah, eu sabia...- se sentou desleixadamente- Mas ninguém quis acreditar. As meninas todas estavam com esperanças de que você fosse estudar aqui.

– Porquê?-

– Aí, eu não vou ficar dando os motivos. Pense você próprio, poxa.- ele riu.- Meu nome é Victorian, mas DEVE me chamar de Vic.

Estendeu o punho fechado para mim.

– Alex.- baixei o punho dele.

– ... -

Olhei para o seu rosto pela primeira vez e pude ver que ele não era...estranho. Seu cabelo era preto e chegava aos seus ombros assim como o meu, mas em vez das minhas mechas brancas ele tinha as pontas verdes. Um dos seus olhos possuía uma pala e o outro tinha uma cor bastante chamativa, algo como cinza com um azul forte misturado. Os inúmeros brincos na sua orelha esquerda incomodavam a minha vista que não sabia mais para onde olhar.

– Eu sei que sou bonito mas não precisa me olhar dessa forma. Não sou gay.- ele disse calmamente.

– O que é isso?-

– Quê? — piscou o olho confuso.

– Gay.-

– Eu disse que não sou gay, porra.-

– E eu perguntei o que é isso.-

Ele não entendeu que eu não sabia o que era essa coisa de ...gay.

Retardado.

– Algum de vocês viu o Elliot?? — surpreendentemente Coroline se aproximou de nós, o que eu achava que não ia acontecer num intervalo de tempo tão curto. Mas creio que o motivo por trás da sua preocupação era maior do que seu orgulho.

– Não, porquê?- Victorian perguntou, curioso.

– Ele sumiu de repente, disse que ia buscar o carro mas não voltou mais...faz trinta minutos. E o celular dele está desligado, o que é ainda mais preocupante.- Ela falava com uma voz trémula.

– Vamos dar uma olhada no estacionamento.- Vic se levantou.

Coroline olhou para mim com um olhar que, mais uma vez, me fazia ficar confuso. Não sabia se ela olhava para mim com desprezo ou se olhava como quem precisasse de mim naquele momento...

Segui caminho com eles.

O parque de estacionamento estava quase vazio e muito pouco movimentado. No entando, o carro do Elliot estava ali.

– Ele não chegou de vir ao carro!... — Coroline correu até ao móvel ficando cada vez mais preocupada.

– Caralho... olha isso. — Vic apontou para marcas de arranhões na porta.

– Ai meu Deus...- Coroline estava com o coração nas mãos.

Algo ali não me agradava muito, tirando as pistas físicas... a alma do loiro sem dúvida esteve ali, mas o cheiro já era fraco para eu poder saber para onde tinha ido. Até que eu vi ao longe algo brilhando no chão que me fez andar até lá. Me abaixei o suficiente para poder notar que se tratava de um aparelho.

– Esse é o celular do Elliot! — Coroline vinha correndo na minha direção. Estiquei a minha mão para pegá-lo, mas um calafrio percorreu pelo meu braço todo... era a primeira vez que sentia aquilo.

Coroline pegou o celular.

– Não está quebrado...- ligou o celular e ele funcionava perfeitamente.

– Devíamos chamar a polícia.- disse Victorian.

– ... ! — senti algo muito forte no meu braço e me afastei discretamente para arregaçar a minha manga.

– '' Raios partam!'' — pousei a vista no meu braço mesmo a tempo de poder notar um parasita se enterrando na minha pele e deixando um símbolo que eu nunca tinha visto antes.

Elliot estava em sério perigo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.