Im Just A Fallen Angel...

2 A World I Never Knew


Notas iniciais
Demorei um tempão para adicionar mais um cap, mas aqui está ^^

Caí...

Mas onde...?

Abri meus olhos lentamente tentando me acostumar com a luz do Sol que embatia no meu rosto, apesar de não me lembrar de os ter fechado.

Me deparei deitado em uma cama virado para uma janela com as cortinas abertas. Ainda não tinha reparado que estava em um ambiente diferente. Olhei para o céu através da janela sem me mover da cama, eu contemplava o silêncio calmante que dominava o lugar, o céu alaranjado e as nuvens em um tom rosado... Onde eu estava? Que lugar pacífico era aquele?...Quase morri e de repente apareci naquele lugar tranquilo, as coisas começavam a voltar à minha mente, lembrava-me aos poucos sobre o que acontecera anteriormente. Mas mesmo assim eu não tinha ideia alguma sobre quanto tempo eu tinha estado ali.

Olhei rapidamente para o meu corpo coberto por um lençol branco, não conseguia mover meus braços... Começava a temer o pior.

As imagens da tortura que vivi repetiam-se vezes sem conta em minha mente, o som das chicotadas voltava a ecoar em meus ouvidos. O ódio em mim voltava a crescer...

Mas o silêncio foi quebrado pelo som de vários sinos tocando lá de fora, virei-me com dificuldades olhando para a porta, foi aí que pude ver concretamente onde estava, era um quarto simples com coisas básicas e uma moldura pendurada na parede com a imagem de um Santo.

As badaladas pararam de tocar e o silêncio voltou a reinar sobre o local, mas era diferente, como se o próprio silêncio me dissesse que estava só de passagem e que voltaria e desvanescer. Foi só uma questão de segundos para que isso acontecesse, ouvi um som fraco vindo do lado de fora da porta, um som que assemelhei a um conjunto de várias vozes produzindo uma melodia calma. Aquilo chamou a minha atenção, eu não sabia onde estava e com quem partilhava o mesmo tecto.

Decidi usar a pouca força que tinha para me levantar, foi então que percebi a razão pela qual não conseguia mover meus braços.

O lençol que me cobria caíu diante meus pés e pude ver o estado em que meu corpo estava...Meu tronco estava totalmente enfaixado por ligaduras ensanguentadas e apertadas que impediam meus braços de se moverem, minhas mãos tinham nódoas negras e vários cortes com a minha carne exposta, não conseguia nem imaginar como estavam as minhas costas que foram a parte mais judiada de meu corpo. Eu andava lentamente, tentando chegar à porta, mas a cada passo que eu dava sentia a carne das minhas costas se esticando... Porém, eu ignorava aquela dor, queria acreditar que o pior já tinha passado.

Meus passos igualavam-se a um debilitado, fracos, frágeis e lentos...mas isso porque eu era um naquele momento. As vozes ainda soavam harmoniosamente, cativando-me cada vez mais e chamando-me para elas.

Finalmente cheguei à porta, olhei para a maçaneta e respirei fundo... Não conseguia mover meus braços, como haveria eu de abrir a maldita porta que era a única coisa que me separava daquele canto hipnotizante?

Não sei porquê e nem desconfio, olhei para a imagem do Santo pendurada na parede. Aquele rosto pacífico, aparentando bondade e pureza era totalmente diferente do meu... Por momentos senti um ódio me consumindo, eu era diferente, diferente do que poderia ser aceitável para ser considerado um anjo...

As pessoas todas que assistiam a minha sentença esboçavam pena nos rostos, dor, falsa preocupação... Eu não precisava nada daquilo...

Não conseguia ver mais aquela imagem, fazia com que aquelas memórias horríveis voltassem a me assombrar. Por isso abanei minha cabeça tentando afugentar aqueles pensamentos, mas quando me dei conta eu já estava do outro lado da porta com a mão na maçaneta. Como é que eu fui parar ali? Como consegui mover meu braço? Olhei para imagem do Santo novamente, não queria acreditar e por isso apenas continuei em frente.

Deixei a porta encostada no caso de ter que voltar, eu não sabia onde estava, por isso tinha que ter cuidado. Virei-me para trás e me deparei com um corredor longo, quase não conseguia ver o fim do mesmo e ao meu lado havia uma escadaria que dava lá para baixo na direção das vozes. Suspirei, achava que teria só que passar pela porta e já estava no lugar que queria, mas enganei-me... Haviam essas escadas ainda, só para piorar...

Quis voltar para o quarto, mas escutei o som de uma das portas do corredor se abrindo, saindo de lá uma senhora que julguei de imediato ser freira, estaria eu em uma igreja? Convento?...

Ela olhou para mim com cara de espanto, seus olhos pareciam quase saltar do seu rosto. Ela correu até mim e ajeitou os seus óculos olhando para minhas ligaduras.

– Como conseguiu se levantar?- perguntou olhando para mim, duvido que soubesse da minha natureza, meus olhos estavam cobertos por madeixas de cabelo impedindo-a de ver a cor deles. Eu não sabia o que responder, apesar de eu entender a língua que ela falava eu não conseguia pronunciá-la...

As minhas forças estavam se esgotando, estava se tornando cada vez mais difícil me manter de pé e as coisas pareciam se tornar desfocadas e se multiplicavam...

...

–...- senti uma dor de cabeça horrível que me fez soltar um pequeno grunhido.

–Você acordou!- disse um garoto que estava sentado em uma cadeira ao lado da cama em que eu estava deitado.

Eu tinha adormecido?... Olhei para a janela e o céu estava escuro, lá estava eu de novo no quarto... O garoto ao meu lado olhava para mim quase eufórico.

– O senhor desmaiou no corredor hoje à tarde! A missa foi interrompida porque todos achavam que você tinha morrido.- o garoto fazia gestos largos com os braços enquanto me contava o que havia acontecido. Isso explica como eu tinha aparecido no quarto de novo...e que o cântico hipnotizante era afinal uma missa...

– Você não fala nossa língua?-

–...- olhei para o garoto e ele calou-se automaticamente.

–H-huh...Eu v-vou chamar a Madre Teresa.- saiu do quarto amedrontado.

Olhei para a janela, eu havia caído na Terra... Eu não sabia nada sobre esse lugar, apenas que a maioria de seus habitantes estavam sendo corrompidos pelas Trevas... fora disso, nada que me ajudasse. Mas eu preferia estar ali do que no Conselho onde o resto dos anjos ficam...onde eu fui sentenciado.

Se eles descobrem onde eu estou...eu serei aniquilado.

– Boa noite.-

Olhei para a porta e a freira que eu tinha visto no corredor entrava no quarto.

– Como está se sentindo?- perguntou enquanto pousava um objecto de metal em cima da uma mesinha.

– ... — eu continuava sem conseguir pronunciar aquela língua. Ela sorriu e despejou um líquido escuro que estava dentro do suposto objecto de metal em vários outros menores e de outro tipo de material que eu desconhecia.

– Tome, é chá. Vai fazê-lo ficar melhor.- entregou-me um dos pequenos objectos com o ''chá'' dentro...tratavam-se de xícaras. Ela também tinha uma para si.

Eu recebi com dificuldade e observei como ela fazia, soprando e tomando. Era quente, não demorou muito para que eu desse outros goles até que terminasse tudo, tinha gostado do tal chá.

– De onde vem? — levou minha xícara e pousou em cima da mesa. Era uma senhora que aparentava ter seus 60 anos e tinha uns óculos minúsculos em sua cara que a tornava engraçada.

–...-

–Entende o que o digo?- perguntou estranhando o facto de eu não responder. Eu balancei minha cabeça positivamente.

– Seu nome? — perguntou um tanto espantada.

–...- olhei para baixo, não conseguia responder. Ela se aproximou e afastou as madeixas de meus olhos, deixando ver meus olhos brancos que a fizeram arregalar os seus.

– Você tem que tirar essas lentes! Vão fazê-lo mal! -

Lentes...?

– Você está atordoado, é melhor descansar, amanhã virá um médico para vê-lo.- recolheu as xícaras e a chaleira rapidamente com um ar preocupado. -Mas tire-me essas lentes. Boa noite.- foi até a porta rapidamente saindo e me deixando sozinho novamente.

Olhei para o teto, o que são lentes...?...

Notas finais
Alex, você é um lezado. -...- r________r