I'm Human Too

1 Capitulo Único


Jessica caminhava à vontade nas ruas de Nova York. Hoje ela iria causar. Usava uma curta camisa amarela, uma saia curta estampada com girassóis, e para melhorar usava um Ray-Ban.

Depois da morte de Kilgrave ela tentou ficar um pouco menos depressiva e como Luke havia sumido ela teria que arranjar um homem na rua. Estava conseguindo chamar a atenção de fato, cada vez que passava alguém se virava para analisar direito. Mas é claro que seu alvo não eram homens “possivelmente” casados, e ela sabia onde o bando ficava, mas isso só iria ocorrer à noite.

Chegou à porta da boate.

— Vagas para uma mulher solteira? — perguntou ela ao guarda. Era um homem grande e moreno, ele lembrava estranhamente Luke.

— Sempre tem vagas para o seu tipo. — provocou ele puxando uma caderneta.

— Não. Você definitivamente não me conhece. — ela sorriu. Quando era uma detetive particular excluída mandava um foda-se logo de cara, ela estava feliz por afiar a língua.

— Nome e 200 dólares.

— Caro em?

— Para sua sorte, você vai estar na mesma mesa que um milionário.

— Você é esperto. — Jessica pegou duzentos dos quatrocentos dólares emprestados por Trish.

— O seu nome. — disse ele levantando os ombros, como se estivesse tirando alguém de um transe.

— Ah, sim. Jessica Jones. — ao ver que ele estava espantado já ficou irritada.

— Jesus, você é a mulher que derrotou o controlador de mentes. Kilgrave.

Jessica o ignorou.

— Mesa 12. Desculpe.

— Obrigado.

Jessica então começou a repensar seus planos. Seria mesmo sensato ir para uma boate? Ela poderia ficar em seu escritório para sempre, recebendo ligações de serviços e outra de fans, e as vezes de gordos nerds pedindo para ela conferir a fic deles, alguma coisa sobre um deus que vai destruir a terra e Jessica é a única que pode impedir. Sim, isso já aconteceu.

O celular apitou. Jessica nunca soube, mas ela já acumulou mais de duzentas mensagens de sua amiga Trish Walker. Ela passou a madrugada lendo todas, e agora sua amiga não parava de mandar mensagens. Jessica se frustrava muito por causa disso.

“Você conseguiu?”

“Sim” Jessica respondeu.

“Ótimo. Vamos ver sua habilidade com garotos :p”.

“Eu vou conseguir.”

Jessica desligou o celular antes que a amiga pudesse responder. Ela odiava o barulho das notificações, um passarinho assobiando, ou alguma coisa assim. Com seu trabalho feito, ela foi para casa.

Malcolm estava na porta do escritório, esperando Jessica como sempre. Desde os eventos de Kilgrave, ele tinha virado um secretário de Jessica. Ela não sabia se a companhia dele era uma boa coisa, mas ele fazia muitas coisas por ela.

— Jessica. Finalmente! Você saiu cedo hoje. — disse ele abrindo a porta para Jessica. — Fiz um café para você.

Na mesa do escritório uma bandeja de alumínio continha às comidas favoritas de Jessica, uísque e um tipo de enrolado de pizza.

— Obrigado Malcolm. — ela não podia não agradecer a ele. Andar o centro de quase toda a cidade a deixou com fome, afinal ela era humana também.

Malcolm sentou-se, devorando um sanduiche de manteiga de amendoim, Jessica reparou que ele estava arrumado, usava um sobretudo cinza, e um cachecol azul. Seu cabelo estava penteado de lado.

— Vai sair? — perguntou Jessica bebendo mais um gole de uísque.

— Eu sou humano também. — Jessica apertou o copo frustrada, desde que ela disse isso perto de Malcolm semana passada ele falava isso sempre. — Eu tenho um encontro. — ele sorriu.

— Bom encontro á você.

— E você? O que vai fazer?

— Deixe minha vida em paz Malcolm. — ele ficou quieto — Depois daqui vou à casa da Trish, escolher a roupa que vou usar na boate.

— Boate? Pensei que você era uma antissocial, tipo isso.

Jessica iria dizer “eu sou humano também”, mas desistiu, e quase se engasgou ao fazer isso.

— Tchau Jessica. — ele se levantou, arrumou e desamassou a sua roupa.

— Tchau Malcolm. — então ela empurrou todo o uísque pela garganta.

Jessica entrou no taxi às 11h42min da manhã, e foi em direção à casa de Trish.

— Trish?! — ela ouviu a porta ser destrancada imediatamente, Trish parecia estar ansiosa.

E realmente estava. No sofá estava uma pilha de roupas, vestidos, saias, blusas sociais, e assim vai.

— Parece que estou numa loja de roupas. — retrucou Jessica.

— Eu passei na loja para comprar algumas roupas antes. — respondeu Trish. Ela ia e voltava do seu quarto, cada vez com mais roupas.

— Obrigada. — Jessica disse falsamente.

Jessica sentou–se em uma área do sofá sem roupas. Pensou em assistir TV, algo que ela não fazia há séculos.

— Jessica! Foco. — a repreendeu Trish.

— Tá. Vamos fazer isso logo. — ela levantou, tirou sua calça e blusa, ficando apenas com as roupas intimas.

Jessica quase se arrependeu instantaneamente. Ela nunca soube que escolher roupas demorava tanto. Ela tentou ter o mesmo entusiasmo que Trish, mas não dava.

— Essa está perfeita! — disse Trish ao contemplar Jessica com um vestido verde. — Mas precisa ser melhor.

— Olha Trish, qualquer coisa serve. Tá bom? — Jessica já estava irritada. Olhou em volta, um vestido púrpuro se destacava entre todos. Ela pareceu incomodada. — Vou usar esse mesmo.

O que venho a seguir é foi pior ainda, a parte da maquiagem. Demorou duas horas para fazer.

— Olha, a boate vai ser à noite. — Jessica começou a achar que Trish não sabia disso.

— Isso é só uma base, depois você vai tirar, e a noite refazemos.

Jessica achou a ideia um absurdo, obviamente.

— Olha impressionar caras não deve ser tão difícil.

— Jessica. — Trish começou um discurso — Aquele monstro morreu. Você tem que viver a vida, se libertar, você é humana também.

Jessica cansou-se daquilo, se ergueu da cadeira.

— Á noite. — então Jessica foi embora.

Eram 18:00 da tarde, faltavam apenas três horas para o começo da festa. Ela foi novamente para a casa de Trish, e fez tudo denovo.

— Você está linda! — disse Trish abraçando a amiga.

— Já está na hora.

Jessica foi á boate, o segurança aprovou ela sem mesmo entrar na lista. Muitos a observaram durante seu trajeto até a mesa 12. Provavelmente tinham visto sua foto no jornal, ela achou isso nojento.

Avistou a mesa 12. Nela um homem, usando um paletó cinza estava ao lado de dois seguranças pessoais. A mesa estava recheada de bebidas.

Nas horas seguidas Jessica teve que aguentar o homem falando sobre um monte de merda sobre vida de rico. Cansou-se de ouvir sobre quando ele pescou um peixe de três quilos.

— Vamos pular essa parte. — Jessica disse, olhando para o banheiro.

— Apressadinha. — ele riu — Gostei de você. — ele apontou a taça de champanhe a ela.

Então lá estavam eles, Jessica e o moreno de olhos verdes no banheiro. Jessica não sabia por que estava fazendo aquilo, finalmente se tocou. Aquilo não era ela, ela era uma detetive. Xingou Trish por ela fazer Jessica ir naquela maldita boate.

O homem agarrou Jessica. E de repente, em um flash a iluminação do local ficou roxa, ela sentiu um homem beijar seu pescoço, e de repente seu nome ecoou pelo local. Kilgrave. Jessica por reflexo deu um soco em Kilgrave, mas ela não sabia que esse era o rico. Droga. Ela havia acabado de quase matar um milionário.

Ele havia atravessado a porta do banheiro e batido na parede do banheiro. Jessica foi ver como ele estava. Havia se arrebentado pra cacete. Dois dentes faltavam, seu olho estava roxo, e seu rosto estava sangrado.

— Sua puta! — ele gritou sendo levado por Jessica.

O rico foi levado por uma ambulância até o hospital de emergências. Mas que porra Jessica havia feito? Ela fazia a pergunta a si mesmo, ela com certeza iria ser presa, e com Jeri Hogarth viajando ela não teria nenhuma defesa. Como era o único jeito ligou para Trish.

— Trish! Trish, eu quase matei o milionário.

— O quê? — Trish gritou espantada do outro lado da linha.

— Eu me lembrei dele, e então eu dei um soco no cara.

— Lembrou-se de qu... Meu deus Jessica. Sério? O cara já morreu.

— Olha você pode arranjar um advogado para mim?

Fazia uma semana desde o incidente e a audiência seria hoje. Como Jessica previu, nem com o melhor advogado do bairro Matt Murdock ela foi capaz de se livrar da pena. Então Trish pagou sua fiança, e mais 800 dólares por mês para o maldito. Jessica deprimida foi andar pela rua de madrugada. Ela refletia sobre o que podia ser se não quisesse “viver”. Se ela andasse na rua apenas com sua jaqueta e calça jeans.

— Você é diferente. — disse uma voz vinda de algum lugar nas sombras.

— Eu não sou burra o suficiente para não saber quem você é. Daredevil.

Ouviu-se uma risada abafada, e ele apareceu. Do outro lado da rua, um homem com um uniforme vermelho.

— Sabe. Eu já tive muitos clientes interessados em você. — Jessica deu seu clássico sorriso, erguendo os ombros. — Eu te investiguei muito. Ir a prédios abandonados foi inteligente, mas não contra mim. Eu te segui até a sua casa, eu pretendia checar o endereço um dia.

— Você é uma investigadora excepcional Jessica Jones.

— E você é muito bom em lábia.

O demônio de Hell’s Kitchen entrou em um beco escuro, Jessica olhou ao o redor tentando interceptar alguém e foi.

Daredevil estava sem a mascara, revelando o rosto jovial de Matt Murdock.

— Pensei que era mais difícil descobrir a identidade de um herói.

— Você ainda não perguntou sobre os olhos. — ela riu.

— Você é o terceiro com poderes que conheço, não fico mais espantada com isso.

— Quem é o outro?

— Um cara impossível de ser quebrado.

— Me encontre no escritório amanhã. — ele tirou um cartão do bolso e o entregou a Jessica.

O cartão era branco com contorno dourado, nele estava escrito: Nelson e Murdock, advogados.

E então ele subiu por uma lata de lixo e pulou o muro.

Jessica chegou cedo ao Nelson e Murdock, mas estavam todos lá. Jessica usava uma blusa cinza e suas calças jeans do dia a dia. Lá em dentro estavam uma moça loira de olhos azuis chamada Karen Page e Foggy, um jovem de cabelos castanhos (Jessica o achou um gordinho sexy).

— Já temos uma cliente. — disse Foggy vitorioso.

— Oh, não Foggy. — interviu Matt — essa é Jessica, eu chamei ela para nos ajudar a resolver alguns casos, ela é uma investigadora particular.

— Olá, Jessica Jones. — disse ela cumprimentado todos.

— Você é ela! — gritou Foggy como um fan obcecado. — A mulher que matou o super-vilão lá!

— Sim. — respondeu Jessica, desanimada.

— Bom, vamos começar! — Matt convidou Jessica a ir a seu escritório. Era um lugar típico de advogado, mas havia bem mais papeis na mesa.

Junto com Matt ela começou a analisar os documentos. Sua atenção foi tomada por um passarinho na janela, ele bicava alguma coisa. Jessica agora estava com sono, quase dormindo em cima dos documentos. Então Jessica teve mais um transe.

— Jessica? Sentiu minha falta?

Jessica socou a janela, bem no lugar onde o passarinho estava. Sangue do animal jorrou por todo o escritório.

— A meu deus! — Jessica levantou-se imediatamente do lugar. — Droga! O que eu fiz? Matei a droga do passarinho.

Agora Foggy e Karen estavam na porta, todos assustados.

— Me desculpe. — Jessica estava agora imaginando se o soco fosse em direção a Matt, o mataria com certeza.

Jessica olhou para a porta. Pegou seu celular e saiu correndo do lugar. Como podia fazer essas coisas novamente? Kilgrave estava definitivamente morto. Ela começou a se questionar se precisava ser internada. Se iria precisar fazer o maldito tratamento doas ruas de novo, não queria, mas o espírito daquele homem era como uma sombra.

— Jessica? — ouviu as palavras de Matt Murdock logo atrás dela.

Jessica caminhou até achar o bar mais perto, entrou nele e pediu uísque. Bebeu um tudo em um gole e pediu mais.

— Jessica? — Matt Murdock havia a seguido.

Ela respirou fundo. Ao ouvir o barulho de alguém sentando no banco ao seu lado virou para o lado.

— Eu sou louca, eu sei. — Jessica repreendeu a si mesma.

— Sabe, no fundo, não é tão durona assim. — disse Matt

— Eu sou humana também.

— Não duvido disso.

Então foi ali, que depois de uma longa conversa, o casal deu seu primeiro beijo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!