I'm Hopeless, Help Me?

5 There was a time when men were kind


Capítulo 5


–VOCÊ QUER O QUE? – Hiram gritou exaltado bagunçando os papéis que estavam em cima da mesa dele. Os olhos dele transbordavam fúria. Shelby poderia até estar decidida quando entrou no escritório, mas agora tremia um pouco.

–Eu-Eu quero o divórcio. – Ela disse mais baixo – Eu não agüento mais isso Hiram. Eu estou agüentando isso há quase vinte anos – Shelby desabafou – Você não é o mesmo cara que eu convivi e amei durante os dois primeiros anos de casamento.

–Isso que você está dizendo é um absurdo, eu sou a mesma pessoa. Se eu mudei foi para melhor. – Hiram retrucou. Shelby sentiu seu sangue pegar fogo com a mentira.

–Não é possível que você seja tão prepotente. – Shelby de repente se sentiu corajosa novamente – Nós vivemos num inferno de relação. Você é frio, calculista, mesquinho, violento. Só pensa nessa desgraça de empresa. Mal fica em casa, e quando você está aqui o clima é sempre pesado, eu chego a ter medo de você em alguns momentos. Você é controlador, acha que nós somos apenas marionetes e que você pode fazer o que quiser só por que coloca dinheiro nesta casa.

–E eu estou errado? Não se esqueça que nunca te faltou nada aqui. Nem para você e nem para a Rachel.

–Eu não estou questionando isso Hiram – Ela suspirou cansada. – Eu não te amo mais. Eu não sinto desejo por você. Honestamente, o sexo com você tem sido totalmente automático. Eu não quero viver assim. Eu só quero poder recomeçar.

Hiram a olhou mortalmente. Depois andou pela sala e se posicionou atrás dela. Suas mãos começaram a fazer uma massagem no ombro dela.

–Faz o seguinte. Pegue algumas de suas roupas e vá dormir na casa de uma amiga. Pense no que está fazendo e amanhã vai perceber que isso tudo é apenas uma estupidez.

–Não Hiram – Ela se desvencilhou bruscamente dele – Eu já estou decidida. Já até mandei dar início na papelada, meu advogado disse que semana que vem consegue uma audiência para nós dois.

–Você pode até fazer isso tudo. Mas eu não vou assinar nada. – Hiram disse frio e saiu da sala. Shelby sentiu seus olhos queimarem, lágrimas incontroláveis caiam.

Shelby saiu do escritório e foi em direção ao quarto de Rachel. Ela já tinha separado umas roupas antes de confrontar Hiram, pois imaginava que não ia acabar bem. Deixou um bilhete para Rachel em cima do travesseiro dela e saiu de casa. Pegou seu carro e decidiu passar a noite em um hotel.

Hiram, que estava em seu quarto, escutou o barulho do carro saindo da garagem. Deu um sorriso de incredulidade. Não conseguia acreditar no que Shelby estava fazendo com ele depois de todos esses anos que ele zelou pelo bem dela. Levantou-se e foi até o quarto de Rachel, não tinha ninguém ainda. Mas achou um bilhete em cima da cama.

Filha, estou no hotel Copacabana no centro da cidade.

Apareça lá com sua identidade e eles irão te informar o

quarto que eu me encontro.

Te espero lá. Beijos.

Mamãe.

Hiram no auge de sua raiva rasgou o bilhete em pedaços. Saiu do quarto e bateu a porta, foi para a adega da casa. Precisava beber urgentemente.


POV Rachel


Já anoitecera e eu ainda não fui para casa. Na verdade, é a minha última vontade no momento. Eu e Finn já não estávamos no parque, nós saímos de lá e fomos comer em outro lugar. Mas nem tínhamos feito o pedido ainda, pois estávamos numa sessão de amassos no banco de trás do carro dele.


Flashback on

Finn estacionou no estacionamento da lanchonete e nós dois saímos e fomos andando.

–Oh – Eu disse – Eu esqueci a minha bolsa no banco de trás do seu carro.

–Não se preocupe Rach. Eu pago.

–Não é isso Finn. É que eu não gosto de ficar longe do meu celular. – Ele levantou uma sobrancelha. Eu dei uma leve risada – Eu sei que você está pensando que eu sou uma louca. Mas é a pura verdade.

–Está bem. Quem sou eu para questionar – Ele disse segurando uma risada e abrindo a porta do carro.

–Deixa de ser idiota Finn! – Eu me agachei e comecei a procurar a minha bolsa. Estava escuro.

–Quer ajuda aí? – Ele disse sarcástico.

–Preciso de luz seu idio- – Ele agachou e se encaixou atrás de mim, fiquei atordoada com a quentura do corpo dele encostada na minha.

–Seu? – Ele perguntou no meu ouvido. Ele estava atrás de mim, suas mãos se apoiavam na parte superior do banco do motorista e no banco que fica atrás.

–Finn.. – Eu comecei e virei o rosto para encará-lo. Péssima ideia, nossos lábios ficaram a milímetros de distancia.


Flashback off

E aqui estou eu. Embaixo dele, só que agora de frente para ele. Nossas bocas estavam coladas. Tenho quase certeza de que já tinha ganhado um chupão no pescoço, e a nuca dele devia ter as marcas das minhas unhas. Escutamos uma gritaria do lado de fora, mas eu nem liguei, e aparentemente Finn também não, pois agora abaixava a única alça na minha blusa para logo beijar o meu outro ombro que agora estava a mostra.

De repente escutamos um estrondo do lado de fora do carro.

Get a room! – Alguma voz masculina gritou e bateu na janela.

Finn se sentou tão rapidamente que acabou batendo a cabeça no teto do carro. Nós dois começamos a rir da situação.

–Ér.. Acho melhor eu levar você para casa. – Ele disse coçando a nuca.

–Concordo plenamente. – Eu balancei o rosto. Nós dois saímos e entramos novamente só que nos bancos da frente agora. Fomos embora sem nem ao menos comer.

Não tardou muito para chegarmos na minha casa. Ele saiu do carro e abriu a porta para mim, pegou a minha mão e andou comigo até a porta da minha casa.

–Te vejo amanhã? – Ele perguntou enlaçando a minha cintura.

–Nos vemos amanhã. Não se preocupe. Vou ver se chego mais cedo para poder passar mais tempo com você. – Eu disse e logo em seguida corei envergonhada por confessar tão abertamente que queria passar mais tempo com ele.

–Vou esperar ansiosamente então – Ele deu um cálido beijo em meus lábios e saiu andando. Suspirei e entrei em casa.

Estava tudo em um breu total. Estranhei, minha mãe sempre fica me esperando chegar e alguma luz sempre está acesa. Os empregados devem ter saído pois quando meu pai está em casa eles não ficam o dia todo aqui. Dei de ombros e fui em direção a escada. Cheguei lá em cima e escutei uma música vinda do escritório do meu pai. Fui até lá e abri a porta.

A cena era deplorável, meu pai estava jogado na poltrona, escutava música clássica num volume muito alto para essa hora da noite. Sua calça estava caindo pois o cinto e a braguilha estavam abertos. Ele tinha os olhos meio abertos e meio fechados. Primeiro desliguei o som. Meu pai abriu os olhos rapidamente.

–O que você pensa que está fazendo? – Ele perguntou rude.

–Estou evitando reclamações do vizinho e te levando para a cama. – Revirei os olhos impaciente. Não sei nem por que me preocupo ainda.

–Me larga! – Ele gritou se afastando de mim – Você é igualzinha a sua mãe. Acha que é superior a mim? – Ele perguntou a agarrou fortemente meus braços. Dei um pequeno gritinho de dor.

–Me solta.. – Eu implorei – Pai, ta me machucando. – Meu pai me soltou e logo me deu um tapa no rosto. Meu rosto ardeu, muito. Eu comecei a chorar.

–Saia daqui Rachel! – Ele gritou com a mão levantada para me bater novamente.