I'm Here
3 Capítulo 3
Depois de mais um desentendimento, Elliot realmente começava a acreditar que as coisas entre eles talvez não fossem ser mais a mesma. Olivia havia mudado demais, deixado de lado aquele seu jeito doce e sensível e assumido um lado agressivo e insensível – o que não combinava em nada com ela.
E todas suas tentativas em melhorar a “relação” entre eles, foram fracassadas, no final piorava as coisas e deixava sua parceira ainda mais enfurecida.
Como consequência, dali pra frente, qualquer coisa que dissesse poderia custar sua parceria, então por mais impossível que fosse, tentaria esquecer a vida pessoal dela e focar apenas em mantê-la a salvo naquela operação.
XxxxX
Faltando poucas horas antes de ir para aquela operação “suicida”, Olivia enfiou-se debaixo do chuveiro e permaneceu imóvel, deixando os pingos d’água morna cair sob seu corpo.
Ela não conseguia nem mesmo pensar no risco que correria, quão perigoso seria em Los Angeles. Só conseguia pensar no telefonema que dentre de alguns minutos receberia – como era de costume nas ultimas semanas – sempre no mesmo horário, sempre a mesma voz assustadora atrás da linha, sempre as mesmas ameaças.
Olivia sabia de cor e sorteado os escritos daqueles papeis – e como esquecer? – nem mesmo se quisesse.
Passou as mãos no rosto e as levou até os cabelos onde apertou, escorrendo a água. Enrolou-se numa toalha e saiu do banheiro, adentrou em seu quarto e pegou o celular.
“Apenas mais um minuto”
Ela indagou ao olhar as horas.
“Vai dar tudo certo, vai dar tudo certo”
Ela repetia – para poder mesmo acreditar – Olivia estava ansiosa e temerosa por tudo que acontecia, queria um desfecho para toda aquela situação.
“Porra, eu sou uma detetive, como posso sentir tanto medo assim? Como pude me deixar levar por isso?”
Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque do telefone. Ela sentiu um arrepio no corpo e tentou manter-se tranquila – apenas para não demonstrar tamanha fragilidade. Respirou fundo ..
“Respire, respire .. Vai dar tudo certo”
Seu corpo se arrepiou com o segundo toque, ela tinha que atendê-lo, ou saberia as consequências caso não o fizesse.
“Merda”
Ela atendeu, mas não disse nada, esperou que a outra pessoa iniciasse a conversa. Ouvia apenas afagos e suspiros, tentou parecer o mais corajosa possível.
xxx: detetive Benson – disse o homem da voz grossa e assustadora
Olivia por sua vez permaneceu calada. Começou a ouvir gargalhadas, suspiros e um “tic-tac”. Ela sabia muito bem o que aquilo significava – o que a deixava ainda mais assustada.
xxx: tic-tac, tic-tac, tic-tac – insistiu
Olivia: pare com isso! – gritou
xxx: — apenas gargalhou
Olivia: son of a bitch – disse enfurecida
xxx: tenho que admitir: você é mesmo muito corajosa.
Olivia: vamos logo ao ponto – tentando se tranquilizar
xxx: seu tempo está acabando – sussurrou
Olivia: eu sei – disse com aperto no peito
xxx: se você não ..
Olivia: eu sei muito bem o que eu tenho que fazer – interrompeu
xxx: ótimo! Queria apenas lembrá-la – deu uma enorme pausa – ah Olivia, eu sinto que nosso destino está cada vez mais perto .. Bem próximo de se cruzar. Mal posso esperar
Olivia: acabou?
xxx: isso só depende de você. Você sabe o que tem que fazer. E lembre-se: eu vejo tudo, vigio cada passo teu, eu sei de tudo minha querida. Fique na linha ou então ..
Olivia: GO TO HELL – gritou
xxx: – apenas gargalhou – se cuide Olivia e lembre: eu estou de olho .. sempre!
Ela sentia um medo inevitável, estava fora de controle, não havia nada que pudesse fazer – meter uma bala na cabeça dele era uma opção.
“Você vai me pagar por cada palavra, cada insulto. EU JURO”
Disse olhando para o celular.
Ela se trocou rapidamente e percorreu por todos os cômodos do apartamento, para ter certeza que havia colocado cadeado em todas as janelas – não que aquilo impedisse o tal homem de invadir – mas ela se sentia mais segura assim – ou melhor – nem tanto.
Depois de averiguar pela décima vez – cada janela – ela desceu com uma pequena mala e a deixou na sala, tomou um pouco d’água e seguiu para a unidade – pois era onde encontraria com Elliot.
XxxxX
Durante o caminho, ela poderia jurar que estava sendo seguida – ou então estava paranoica demais – pois todas as vezes que olhava pelo retrovisor, não via um carro sequer na estrada, pois já era tarde da noite.
Não sabia se aquilo era bom ou não, fixava-se apenas em chegar o mais depressa possível. Já estava um pouco atrasada, logo, logo, seu voo partiria.
Seu celular começou a tocar, ela olhou para o mesmo.
“EL”
Ela ignorou a primeira chamada e as outras três.
Estacionou o carro, pegou a mala e saiu o mais rápido possível.
Elliot, Cragen, Munch e Fin já estavam a sua espera. Olharam todos juntos para ela, Olivia se desculpou pelo atraso ao se aproximar.
Elliot: eu liguei para você alg ..
Olivia: sorry – o interrompeu – estava no modo silencioso
Ele apenas assentiu com a cabeça – sabia que não era verdade.
Cragen reforçava o que havia dito mais cedo, todos ouviam atentos. Quando terminou deu alguns passos para um canto e pediu que Olivia fizesse o mesmo.
Cragen: está tudo bem Liv? – disse preocupado
Olivia: yeah – tentou transparecer o mais sincera possível
Cragen: algum problema entre você e o Stabler?
Olivia: Captain, it's alright – mais uma vez tentou parecer sincera
Elliot se aproximou dos dois e Cragen desejou boa sorte a eles.
Olivia e Elliot se olharam por alguns segundos, ele sorriu afável, ela retribuiu, porem com um sorriso contido.
Elliot: espero que dê tudo certo – tentou puxar conversa
Olivia: você é meu parceiro – olhou para ele – o que pode dá errado?
Ele sorriu com o dito. Fora a primeira palavra amigável que ela dissera. Olivia não sabia o porquê, mas naquele momento sentiu-se completamente segura – ela sempre sentia-se assim ao lado dele – mas desta vez era diferente.
De um sorriso contido, ela passou a sorrir mais alegremente.
Olivia: vamos – disse ela dando os primeiros passos
Ele fez que “sim” com a cabeça e a seguiu, Fin e Munch gritaram juntos desejando boa sorte e eles acenaram de dentro do elevador – como forma de agradecimento.
Enquanto desciam, não disseram nada, mas a enorme tensão que estava entre eles, já havia diminuído – não que fosse suficiente para ele – mas por ora já estava de bom tamanho.
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