O The King of Iron Fist Tournament 3 havia terminado. E Jin Kazama, saíra como o grande vencedor. Não era novidade para ninguém...

Mas um simples troféu, não traria sentimento algum para seu coração. Aquilo nunca fecharia as cicatrizes que ali se formaram.

Uma traição. E aquilo foi tudo para que Jin nunca mais fosse o mesmo. Seu próprio avô, sangue do seu sangue...parte que restava de sua família desfeita, o culpado.

Após o falecimento de sua mãe, Heihachi ficou responsável pela criação de Jin. Desde então, ele o treinara, deixando-o forte o suficiente para enfrentar qualquer oponente.

Bem, isso era o que Jin pensava. Até que o rapaz percebeu que não passava de uma isca, para que um grande mal despertasse.

Para se livrar desse mal, o velho Mishima, precisava criar uma “forma de vida nova”, e usou seu próprio neto para isso, como Ogre pedira. Assim, a força de Jin viria para ele.

O que Heihachi não esperava, era que Jin também possuísse o Devil Gene correndo em suas veias. Ao perceber esse pequeno detalhe, Heihachi decidiu que seria melhor elimina-lo. E, durante o 3º torneio, Jin derrota True Ogre, a verdadeira forma de Ogre, tirando um peso de suas costas e de seu coração, que era vingar sua mãe.

Porém, Jin levou um tiro na cabeça, partido de uma arma de seu avô. Antes de sua forma humana morrer, o lado mal de si, despertou. Transformando-se em Devil Jin, o rapaz derrotou seu avô, e voou para longe dali.

E foi assim que a depressão começou a tomar conta dele. Sentia falta de sua mãe, afinal, ela era a única que estava ao seu lado. Não podia contar com ninguém de sua própria família fora ela...nem seu pai, nem seu avô...ele não tinha ninguém. E Jin se sentia um lixo.

Fechou fortemente os punhos, enquanto pensava que possuía aquele sangue maldito. Ódio. Sentia ódio de si mesmo. Era como se ele não pertencesse àquele mundo, nem àquela família. Observava como as pessoas que passavam por ele na rua pareciam felizes. Radiantes, cheias de sorrisos.

Jin precisava fazer alguma coisa. Precisava “purificar” tudo que corria em suas veias. Muitas coisas passavam pela sua cabeça. Ele sentia vontade de gritar. Gritar para todo mundo o quanto se odiava e o quanto odiava ter nascido. Preferia ter morrido junto com a mãe. Ele sentia medo...medo de se olhar no espelho e ver o reflexo de seu pai, de ver um demônio no lugar de seu reflexo.


Something\'s wrong,
Trying to conquer these fears i thought were gone.
And it\'s been so long, I\'m dying to live in a world i don’t belong
Alguma coisa está errada Tentando vencer esses medos que eu pensei que tivessem sumido E já faz tanto tempo, eu estou morrendo para viver num mundo ao qual eu não pertenço.

Chegou à sua casa. Bateu a porta de raiva. Não poderia ficar mais nenhum instante naquele lugar. Se ficasse, sabia que faria algo ruim...e ele não queria descer ao nível daquela família à qual pertencia. E foi pensando nisso, que Jin foi arrumando suas malas. Sairia daquela casa, daquela cidade...daquele país. Iria para bem longe, aprenderia outras técnicas de luta, pois queria se livrar de tudo que fosse ligado àquela família, mesmo que fossem as tradições. Continuaria com as técnicas de sua mãe, mas aprenderia novas para nunca mais usar o Karatê Mishima.

Decidiu que iria à Austrália. Ficaria por lá o máximo de tempo possível. Tentaria esfriar a cabeça, organizar seus pensamentos...Quem sabe, isso traria algum tipo de paz para seu coração.

Jin não queria avisar ninguém sobre isso. Partiria por tempo indeterminado, e não queria que ninguém soubesse disso.

Foi quando Ling Xiaoyu veio à sua mente. A chinesinha que tanto se preocupava com ele, que tanto fazia questão de estar perto dele. Jin sorri, meio desanimado. Não queria deixa-la preocupada, mas também não queria que ela soubesse. Pela primeira vez na vida, se preocupava com alguém. Pegou seu celular, e suspirou. Decidiu discar o número dela...

-Jin???

-Xiao? Tudo bem? – Jin.

-Nossa, eu realmente não esperava que você me ligasse... tá tudo bem sim...e com você? Me parece meio desanimado...-Xiaoyu, do outro lado da linha.

-Eu...estou bem sim. Eu só...queria dizer que estou saindo do país.

-O QUÊ? Como assim, Jin? — Xiaoyu, se levantando da cama num pulo.

-É. Não quero que ninguém saiba disso. Resolvi dizer apenas a você. – Jin.

-Mas...para onde você vai? – Xiaoyu.

-Adeus, Xiao. – Jin, desligando o telefone.

-JIIIIIIIIIIIIIIIIIIN...-Xiaoyu, rediscando o número.

Em vão. O jovem japonês havia desligado.

Na verdade...Jin sentia algo muito forte pela garota, mas preferia ficar na dele. Não queria envolvê-la em nada. Ele se considerava perigoso até para si mesmo.

Fora que, o rapaz nunca pensou em se envolver com alguém. Não queria criar uma família e cometer o mesmo erro de seu pai. Tinha medo de se tornar igual a ele.

Entretanto...ele sabia que sentiria falta daquela “voz irritante” gritando pelo seu nome. Sentiria falta daqueles abraços que a chinesa fazia questão de oferecer toda hora.

Antes de sair, Jin parou em frente à estante que havia na sala.

-Quase me esqueço disso...-diz, pegando um retrato em suas mãos.

Nele, estavam Xiaoyu, Panda, e Jin. Ainda na época escolar. Os dois com uniforme, e o Panda parecia estar sorrindo.

Um dos poucos momentos em que o japonês sorria, mesmo que levemente. Começava a garoar.

Jin decide pegar um táxi para ir ao aeroporto. Disca para o número, e a atendente informa que o táxi chegaria em vinte minutos. O japonês agradece a informação, e pega suas malas. Aguardaria em frente à sua casa.

Novamente Xiaoyu invadia seus pensamentos. Talvez ela pudesse derreter todo aquele gelo que havia se formado em seu coração. Mas mesmo assim, o jovem bloqueava qualquer sentimento desse tipo, e se fechava cada vez mais.


I can’t wait for someone to hear me,
And wait for someone to touch me.
And wait forever to be told,
I\'m forever alone.
Eu mal posso esperar para alguém me ouvir E esperar para alguém me tocar E esperar dizer para sempre Eu estou para sempre sozinho.

Ninguém seria capaz de entender tudo aquilo que se passava com ele. Jin nem fazia questão disso. Nunca sofreriam da mesma forma que ele sempre sofreu. E agora, esse sofrimento parecia um enorme buraco prestes a engoli-lo a qualquer momento.

Esfregou o rosto, tentando evitar que uma lágrima caísse. Não choraria mais. Não sorriria mais. Não sentiria mais nada. Viveria em eterna anestesia.

-JIIIIIIIIIIIIIN...

-Xiao? – Jin, surpreso ao ver a chinesinha correndo desesperada em sua direção.

-Eu...pensei que não chegaria a tempo! – Xiaoyu diz, abraçando-o fortemente.

Jin não corresponde o abraço. Permanece estático.

-Ji...Jin? – Xiaoyu, olhando atentamente para aquele rosto, que parecia não reconhecer.

Kazama estava usando um conjunto azul, e uma jaqueta com um capuz, cobrindo quase todo o seu rosto.

-Por que você está se cobrindo? – Xiaoyu, sem entender.

O japonês coloca suas malas no chão.

-Porque...não quero que ninguém me reconheça...- responde, sem olha-la nos olhos.

-...- Xiaoyu, abaixando a cabeça.

-O táxi já vai chegar...melhor você ir embora. – Jin, olhando para seu relógio.

-O táxi pode esperar Jin! Mas eu não! – Xiaoyu, quase chorando.

Jin se assusta. Nunca havia visto a garota aumentar o seu tom de voz daquele jeito, nem falar com tanta autoridade.

-Tem alguma coisa para me dizer? – Jin.

A chinesinha sentia seu coração apertar, toda vez que Jin a tratava daquela forma. Aquela frieza que ela tanto odiava...mas tanto amava.

-Por que você me trata desse jeito? O que eu fiz pra você? – Xiaoyu, se aproximando dele, olhando fundo naqueles olhos que não expressavam absolutamente nada.

-...Você não fez nada. – Jin, desviando o olhar.

-Olhe para mim, Jin! Pelo menos isso, por favor! – Xiaoyu, quase suplicando.

O jovem, que estava com o rosto virado para o lado, vira-se de frente para ela.

-Eu...peço desculpas! Peço desculpas por estar sempre perto de você, sempre te abraçando...mas Jin, eu faço isso porque eu te amo! Eu te amo, se isso é errado, então eu peço desculpas...- Xiaoyu, dessa vez, escondendo o rosto com ambas as mãos.

O silêncio entre ambos foi inevitável. Jin não sabia o que dizer, e a garota se arrependia por ter dito o que realmente sentia.

A garoa parecia aumentar sua intensidade. Jin levanta o rosto da chinesa, a obrigando a olhar em seus olhos. A garota não consegue mais pensar em nada para dizer, e o beija.


I cant wait for someone to feel me,
And wait for someone to heal me.
And wait forever to be told,
I\'m forever alone.
Eu mal posso esperar para alguém me sentir E esperar por alguém para me curar E esperar dizer para sempre Eu estou para sempre sozinho.

Jin não sabia o que fazer, e acabou correspondendo. Abraça-a na mesma intensidade que ela o abraçava.

Aqueles segundos pareceram uma eternidade para ambos. Nenhum queria se soltar do outro. Mas o japonês a empurra:

-É melhor não...

-Por quê? Jin, você correspondeu! Você...me abraçou! – Xiaoyu, confusa.

Jin balança a cabeça negativamente, e diz:

-Não podemos ficar juntos.

-Mas...por que não? Jin, eu faria de tudo por você! É por causa da sua viagem? Não tem problema, eu arrumo minhas coisas, e...

-NÃO! Não é por causa da minha viagem! – Jin, gritando.

Xiaoyu se assusta. O rapaz vira-se de costas para ela.

-Você não me ama, não é? – agora, uma voz baixa e em tom de choro era ouvida.

Jin sente um aperto, mas não tinha escolha:

-Não. Nunca amei.

O mundo da garota desabava. Seu primeiro e único amor...acabava de destruir todas as esperanças que ela uma vez teve forças para crer.

Todas as lembranças dos dois passavam como um filme em sua mente. No começo, os dois sendo criados juntos, brincando, felizes como nunca. Depois, o colégio. O torneio.

Porém, um filme que poderia ser bonito e cheio de alegrias...virou um filme triste, um verdadeiro drama. Era horrível perceber como nada parece ser o que aparenta. E ela aprendera isso da pior maneira. Era o fim daquela primavera em seu coração, pois a primavera, virava inverno.

Jin decide quebrar o silêncio.

-Não se preocupe. Vou ficar fora o tempo suficiente para que você me esqueça.

-...eu nunca vou te esquecer...não tenho forças para isso...-Xiaoyu, soluçando.

Kazama agora sabia como machucar alguém daquela forma era mais doloroso do que ser machucado. Queria muito trocar de lugar com ela, mas era impossível. Já havia tomado sua decisão. Engole um seco que se formava em sua garganta.

Xiaoyu o abraça por trás, mesmo muito triste:

-Eu...vou te esperar. Boa sorte.

-...Obrigado...-Jin, colocando seu capuz novamente.

-Estarei sempre ao seu lado, Jin. Mesmo não sendo da forma que eu desejo...- a chinesa diz, o abraçando mais forte ainda, encostando sua cabeça nas costas fortes dele.

-Eu vou me lembrar de você. – Jin responde, apertando uma das mãos da garota que estavam entrelaçadas em seu pescoço.

Ficaram assim por um tempo, até que Jin avista o táxi.

-Eu preciso ir. Adeus, Xiao. – dá um beijo em sua testa.

-Adeus? Hum...eu vou dizer um tchau, porque eu sei que você vai voltar! – Xiaoyu, piscando.

Jin sorri, mesmo que desanimado e retalhado por dentro. O motorista desce do táxi, e abre o porta-malas para que o rapaz guardasse suas malas. Feito isso, Jin entra no carro.

Xiaoyu acena para ele, enquanto ele também acenava da janela,até o táxi sumir do alcance de sua vista.

Dentro do carro, Jin abaixa a cabeça, apoiando-a em suas mãos.

-Deve ter sido difícil deixar sua garota pra trás, não meu rapaz? – o motorista, observando a expressão triste do japonês pelo retrovisor.

Ele não responde. Estava navegando em seus pensamentos, questionando-se se estava fazendo a coisa certa.

Por um momento, se arrependeu de sua decisão. Mas antes de resolver seus problemas sentimentais...precisava resolver a sua própria existência.


On my own,
I\'ll show myself what it means to be alone.
And the tears i cry are washed away.
All the scars are my disguise.
Por mim mesmo, Eu mostrarei a mim o que significa estar sozinho E todas as lágrimas que eu choro são lavadas Todas as cicatrizes são meu disfarce.

Um tempo depois, eles chegam ao aeroporto. Jin paga ao taxista, e corre, devido à chuva que estava forte. Vai até a fila para comprar suas passagens.

-Eu gostaria de comprar uma passagem ao exterior...

-Bem meu senhor, como é de última hora, nós só temos uma passagem livre para a Austrália. – a recepcionista responde.

-Tudo bem, pode ser. – Jin.

Depois de pagar tudo, e fazer o que tinha que ser feito, Jin senta-se em uma das cadeiras. Muitas pessoas esperavam seus respectivos vôos. Por causa da chuva, o vôo atrasaria um pouco.

Mais uma vez, ele se lembrava das palavras da chinesa...

“-Eu...peço desculpas! Peço desculpas por estar sempre perto de você, sempre te abraçando...mas Jin, eu faço isso porque eu te amo! Eu te amo, se isso é errado, então eu peço desculpas...”

Suspira. Triste, e aliviado por um lado. Pelo menos não envolveria a garota em seus problemas. Talvez, quando voltasse da Austrália...isso, se voltasse...

De qualquer forma, agora tudo seria diferente. Jin iniciaria uma nova fase em sua vida, talvez a decisiva para mudar muitas coisas.

Estava quase cochilando, quando ouve:

“Atenção, passageiros com destino à Austrália! Permanecer ao portão de embarque nº 5!”

Jin se levanta rapidamente, e segue até o portão de embarque. Ao pisar dentro do avião, respirou fundo. Já podia sentir até mesmo um ar diferente do usual.

A partir daquele momento, seria apenas ele. Ele, e as lembranças de tudo que estava sendo deixado pra trás. Mesmo assim, seu demônio interior dizia:

“Você sempre estará sozinho.”

O japonês sorri ironicamente e diz a si mesmo:

-Assim foi, e assim sempre será.

I\'m forever alone.
I\'m forever alone.
I\'m forever alone.
I, I\'m not waiting here this time.
Eu estou para sempre sozinho

Eu, Eu não ficarei esperando aqui dessa vez.

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